Ao olharmos para a carreira dos Swallow the Sun é fácil perceber que a banda finlandesa tem tido uma grande dificuldade em viver à altura do álbum de estreia «The Morning Never Came». Aos solavancos, os restantes discos falharam de uma forma ou de outra em manter o nível exibido nesse disco
, mas a verdade é que a pouco e pouco, o grupo se foi libertando dessas amarras e construíndo um portfólio que, como um todo, não deixa de ser respeitável. «Emerald Forest and the Blackbird» é por isso um disco descomprometido, talvez o menos da carreira do grupo, onde podemos encontrar todos os ingredientes que podíamos ir constatando ao longo da sua discografia. Desde os momento mais góticos e ponderados, ao death e black metal, passando logicamente pelo doom clássico e até pelo funeral doom. Nisto consiste hoje a sonoridade dos Swallow the Sun: uma mistura inteligente de vários géneros que lhes permite ir variando ao longo dos temas (e dentro dos mesmos) entre agressividade descontrolada e melodia sorumbática. «Cathedral Walls» com a presença de Anette Olzon dos Nightwish é o paradigma disso mesmo e dos mais belos temas de sempre dos STS. O maior problema que se encontra aqui, é falta de coesão, ditada precisamente pela diversidade da música. 8/10 É certo
que o folk metal mostra hoje sinais de evidente cansaço, tanto mais porque, como qualquer trend que se preze, foi explorado até ao vómito e já nem os fãs têm muita pachorra para mais bailarico inconsequente. No entanto, os Eluveitie parecem querer manter o estilo à tona, conseguindo inteligentemente equilibrar o folk com um death metal na onda dos Dark Tranquillity e In Flames. A aposta é totalmente ganha, pois «Helvetios» é o melhor álbum do grupo
até à data, onde nos atiram com temas típicos e belíssimos como «A Rose for Epona» e rajadas como «Helvetios» e «Meet the Enemy». Pelo meio, o antémico «Neverland», com um refrão à Machine Head promete ser um must ao vivo, para constatar no Vagos em Agosto. Álbum do mês, e uma promessa nos tops de 2012. 9/10 «Invictus» marca o regresso dos Necronomicon, uma banda do fundo do baú do thrash progressivo, que qualquer fã mais acérrimo do género
conhecerá. Quanto aos restantes, valerá a pena fazerem contacto com este brilhante grupo que tem aqui um registo pujante que relembra a direção recente de uns Nevermore. 7/10 Os Psycroptic tinham os ases na mão e não foram a jogo. A banda polaca mostrava em 2008 no óptimo «Ob(Servant)» argumentos para ser a nova sensação do death metal de nuances técnicas, mas resolveram fazer
este «The Inherited Repression» que não chega os calcanhares do antecessor. Falta de ambiente, um frio mecânico propiciado por uma produção ultra-super-digital tipo sopa instantânea e uma composição desinspirada fazem deste disco um grande flop. 4/10 Em sentido descente estão também os Caliban. Outrora considerados uma referência
do novo metal, o grupo perde-se na tentativa de chegar a um consenso sobre a sua identidade sonora. Se os primeiros discos atiravam uma fusão de metal americano groovalhado com gothenburg metal, agora querem colar-se também à onda do metalcore musculado. Uma decisão que afecta muito negativamente «I am Nemesis» que não passa de um pastiche bocejante. 4/10 «Angels of Darkness, Demons of Light II» como o nome indica é a sequela do disco como o mesmo nome editado pelos Earth no início de 2011. Se no primeiro os ambientes western faziam o disco ter um encanto especial, este segundo remete parcialmente para ambientes orientais. A decisão em si não nos traz qualquer problema, mas a verdade é que se sente a falta de algo qu
e nos cative. Os riffs são praticamente semelhantes ao que foi explorado no primeiro disco, e uma sensação de vazio percorre a audição de um álbum curto e grosso, que mais parece uma desculpa para lançar qualquer coisa. 5/10 Uma das grandes estreias do doom dos últimos anos pertenceu a Ed Warby e os seus The 11th Hour que nos trazem «Lacrimas Mortis» como seguimento a «Burden of Grief». A fórmula assente no doom clássico (Candlemass e Trouble) com resquícios do doom death metal (Winter e My Dying Bride) continua a ser o mote para as músicas dos The 11th Hour que na sua essência não têm muito de original, mas sabem compôr belissimas canções como «Rain On Me» e «Reunion
Illusion». 7,2/10 Se o novo álbum dos Alcest veio trazer mais do mesmo para o projecto-mor de Neige, o novo disco dos Les Discrets, «Ariettes Oubliées» é um salto de qualidade enorme para este projecto onde o próprio frontman de Alcest participa. Ao nível da intensidade e sensibilidade todos os temas são instant winners, para não falar de serem mais imediatos como no caso da assombrosa «Le Mounvement Perpetuel». Um dos melhores lançamentos deste início de ano. 8,7/10 Há bandas que dão pena. A sério, há bandas que começaram a carreira de forma fulgurante, com promessas de grande feitos e depois arrastam-se por álbuns péssimos que no melhor das hipóteses têm lá u
m momento ou outro de glória que permita manter a esperança de um dia se lembrem de gravar novamente boa música. Os Pharaoh tiveram em «The Longest Night» um momento de pura magia, com um metal épico, progressivo que tanto ia a Dream Theater como a Iron Maiden buscar óptimas influências. O pior veio depois e culmina nesta coisa chamada «Bury the Light», um disco sem a mínima graça, com um trabalho vocal deprimente e uma atitude mais heavy e pesada tão cocky que dá vontade de rir. 4/10 Não foi há muito tempo, (bem, depende da perspectiva)
que os Beneath the Massacre passaram por cá e deixaram boas impressões. «Incongruous» vem trazer à tona toda a a "capacidade" de destruição do grupo cujos ataques de death metal se revestem do malfadado deathcore e acabam por se afundar numa competição chata do "eu sou mais brutal do que tu". Um tédio de álbum. 5/10 Confesso que esperava tudo menos o que ouvi, quando pus o novo álbum dos Woods of Ypres, «Woods 5: Grey Skies & Electric Light», a rodar. Pelo nome da banda, estava na expectativa de ouvir algo a haver com doom ou black depressivo, motivo pelo qual digo que uma surpresa pode vir quando menos se espera. Type O Negative e Tiamat, mas também os A Pale Horse Named Death foram nomes que imediato me vieram à cabeça, ao nível das vocalizações, da toada das músicas e do ambiente geral asse
nte no depressive rock/metal que estes três nomes associam. «Alternate Ending» passou a ser um personal favourite e este disco num prato a repetir com frequência. Altamente recomendado! 8/10 Nisto do power metal, os Freedom Call são daqueles grupos icónicos que qualquer fã coloca no top 20 de grupos mais influentes do estilo. Este novo «Land of the Crimson Dawn» demonstra porque razão se trata de uma banda tão respeitada. A capacidade de continuarem a escrever temas orelhudos e tão variados entre si, confere-lhes um
estatuto de "no compromisse" só ao alcance de bandas que alcançaram o que têm hoje por mérito próprio, muito ao estilo dos Helloween. Sem ser um disco essencial na discografia dos Freedom Call, trata-se claramente de um momento alto na sua carreira. 7,9/10 Os Rage são uma banda peculiar no movimento, por terem começar por serem um grupo dedicado ao thrash metal, passando para um neo-power progressivo, dedicando-se finalmente ao power thrash dos últimos registos. Uma banda camaleónica sem dúvida. Pessoalmente são grande fã da fase «Ghosts até ao «Soundchaser» e considero que após esse disco os Rage terão perdido qualquer coisa, principalmente ao nível da composição que os impede de gravar um tema verdadeiramente memorável (ao nível de uma «Down», The Mirror In Your
Eyes» ou «War of Worlds»). «21» é mais um álbum bruto e pesado (talvez o mais agressivo desde da fase thrash), mas onde faltam mais uma vez aqueles refrões que ficam no ouvido. O disco é impecável ao nível da performance, não estivessemos a falar de músicos de ponta, mas a música em si, não me é minimamente cativante. 5/10 É estranho uma banda de grind com uma vertente lírica política tão vincada como os Terrorizer tenha resolvido escrever um disco conceptual sobre um apocalipse de zombies. «Hordes of Zombies» nem parece musicalmente formidável, ao recorrer ao death metal de uns Cannibal Corpse e Vomitory para lhes dar o filtro Terrorizer, mas a estranheza acompanha a audição destes
temas assim com uma estúpida estupefacção. Se me querer armar em sabichão, a verdade é que faz todo o sentido que este disco seja lançado pelos Terrorizer agora. Numa altura em que todos falam de tudo e opinam sobre tanta coisa, que mensagem política poderiam os Terrorizer trazer, pelo menos com a pertinência do «World Downfall»? Talvez a metáfora de que todos se comem uns aos outros façam afinal algum sentido neste tempos conturbados da ditadura dos mercados e do consumo e os Terrorizer tenham resolvido falar sobre isso. Ou então não e «Hordes of Zombies» é só um disco de death grind descomprometido de pretende dar algum gozo ao ouvinte. Em ambos os casos, a música não é abominável e até é a espaços bem interessante. 8/10 Todos os anos há um grupo que se lembra de gravar um disco de death metal retro conforme era feito no início da década de 90. No ano passado a honra coube aos magníficos Autopsy, este ano tudo indica que os Asphyx vão ganham o prémio com «Deathhammer». O dejá-vú vale o que vale, mas ouv
ir uma pérola destas ainda é motivo de regojizo, pelo menos para aqueles que viveram o boom do death metal europeu através dos Entombed e afins. Aqui não é a brutalidade ou a velocidade que contam, mas a perícia de construír temas que façam o ouvinte viajar até as profundezas do inferno. 8,5/10 Com os sucesso dos Nightwish a partir, principalmente de 1998 com o «Century Child», o trend do female fronted gothic metal ganhou força e não mais parou, sobretudo quando Within Temptation e E
pica seguiram os seus própriso caminhos de sucesso, influenciaram mais uma nova vaga de bandas do estilo, entre os quais estes Xandria que com «Neverworlds End» revelam toda importância que os últimos 3 discos de Nightwish tiveram sobre eles, chegando ao cúmulo da própria disposição dos temas no álbum seja semelhante ao usado em «Dark Passion Play». Quem precisa de uma de 3ª geração? 3/10 Se há paradigma de uma banda de metal política, essa é sem dúvida os Napalm Death que após tantos anos de carreira terão nesta altura
mais do que nunca temas de conversa, por isso o utilitarismo seja o tópico central do disco intitulado de «Utilitarian». Se liricamente a banda britânica parece atenta ao que se vai passando pelo mundo fora, musicalmente continua tão incisiva como no início de carreira. Apesar dos temas deste disco terem por norma uma quebra de andamento, maioritariamente são os blastbeats e as vocalizações de Barney que comandam as operações. Dentro da discografia dos Napalm Death trata-se de um disco bem variado, embora por fora soe tudo praticamente ao mesmo...e ainda bem! 8/10 Parece que nos meandros do symphonic gothic metal o circo está na berra. Depois do «Imaginaerum» dos Nightwish, agora os Amberian Dawn também se lembraram de escrevem sobre assuntos circenses em «Circus Black». A receita é bem conhecida e o grupo não inventa aqui a roda, mesmo com alguns temas bem esgalhados como «Cold Kiss» que tem um feeling 80's e «
Fight» que faz chegar à memória os tempos de glória dos Rhapsody, o disco soa igual a muita coisa que já se fez neste estilo. 7/10 O máximo que consegui fazer durante «Mask of Malice» foi um bocejo colossal ali em «Swallow Bitterness» de modo que usei aqui e ali o fast-forward. Bem sei que não é muito profissional da minha parte, mas também ninguém me paga para fazer isto, daí que me posso dar ao luxo de fazer estas coisas. É que este disco dos Lay Down Rotten é chato como o diabo. Um mistura de death com thrash com riffs mais que vistos, vocais banais e um imagem
típica dos deathcore, fazem desta banda uma nulidade em termos de originalidade. Mas o pior é mesmo não haver aqui nada que perdure para além do tempo imediato em que se está a ouvir as músicas. Por exemplo, o riff repetido ad aeternum de «Death Chain» (a primeira música) faz lembrar aqueles refrões idiotas das músicas de dança que passado algum tempo decoramos mesmo que o detestemos. Isto é mesmo o m
ais aborrecido de tudo. 3/10 «Eternal Turn of the Wheel» trás de volta os Drudkh e os seu black metal épico e naturista que tem por hábito falar de coisas ídilicas como montanhas, o Inverno, as folhas a caír, a neve, as florestas, etc...creio que já devem ter percebido. É uma espécie de cliché em Drudkh que assenta o tipo de sonoridade arrastada em trémolo e variações de ritmo que se por um lado soam tudo ao mesmo, para quem aprecia este tipo de som, pode mergulhar num ambiente pagão de referência com banda sonora a condizer. Posso dizer que encontrei nos Drudkh uma óptima companhia de leitura. 7/10 Demorou algum tempo ao sucessor de «Metaphortime» ver a luz do dia, mas finalmente «Smooth Comforts False» chega aos escaparates trazendo uns Thee Orakle mais directos e pesados no seu death metal progressivo de nuances gothic metal. O que mais gostei foi a diversidade do m
aterial que lhes trás grandes benefícios ao nível da dinâmica musical, por outro lado, achei que em alguns temas pedia-se menos confusão e mais ar para respirar. Num tema como «Psi-Drama» os Thee Orakle chegam a parecer uns The Agonist que atiram riffs por todo o lado e criam ordem a partir do caos. No caso dos Thee Orakle isso é mais complicado porque há tanta coisa a acontecer que se torna complicado encontrar um ponto de referência nas músicas. Este «Psi-Drama» tem inclusive uma linha de saxofone metida ali no meio. Depois, tenho um problema com o vocais gritados... certamente encaixariam ali outro tipo de vocalizações. Porque não manter só os vocais femininos? 7/10 «Sorrow and Extinction» dos Pallbearer é fortemente influenciado pelos projectos de Al Cisneros, num stoner doom psicadélico hipnotizante que se arrasta levand
o o ouvinte a viajar sem destino através de paisagens sonoras distantes, até que, no final do álbum aterra de queixo e procura novamente o botão do play (hoje é mais a tecla "space"). Para a maior parte isto é sinónimo de seca interminável, não estivessemos a falar de doom e de uma das sonoridades mais underground que o metal tem para oferecer. Um disco que tem escrito culto por todo o lado. 8/10 Um início de ano morno para o black metal que tem tido nos Dodecahedron a principal atração com um disco homónimo de deixar qualquer fã do género de boca aberta. Deathspell Omega e todo o movimento do pós-black metal representa aqui um papel primoridal, mas não só. O trabalho vocal em «Vanitas» usando um
vocoder tenta levar a sonoridade dos Dodecahedron mais além, com a inclusão de elementos inesperados que nunca soam deslocados. Como na estranha «Descending Jacob's Ladder» que mais parece qualquer coisa saída dos Darkspace ou dos Puissance. Um disco super-desafiante. 8/10 «A Eulogy For The Dam
ned» propõe uma sessão de stoner rock com muita pinta, mas não muda muito daquilo que os Orange Goblin têm para oferecer desde 1997. Os pontos extra pela identidade vincada e pelo carisma entre os Monster Magnet e os Cathedral, dá-lhes um charme especial, bem representado em malhas como «Red Tide Rising». 7,5/10 Os que dizer dos Semargl e o seu «Satanic Pop Met
al», será que é mesmo para levar isto a sério? Claro que não. Mas o mau gosto também tem limites. Black metal com toques de música de dança, mutio satanisimo, gajas boas e má musica. Pelas moças levava 10 pontos, mas não estou aqui para julgar beleza feminina. 0/10 Percebo que muito boa gente aprecie death metal técnico e que quando aperecem uns americanos chamados Veil of Maya juntar Cynic com metalcore também percebo qu
e a juventude se deixe entusiasmar pelo fácil display de destreza técnica e esqueça o resto. «Eclipse» tem a espaços momentos interessantes q.b. para que não sejam metidos no mesmo saco de uns Periphery, «With Passion and Power» é admirável, mas no geral «Eclipse» é muito cansativo. 6,4/10
Para finalizar, ficam os Goatwhore e o ataque black/death metal «Blood For The Master» que com uma costela punk, parecida com a explorada pelos Darkthrone nos últimos discos, fazem aqui um álbum gigante. «When Steel and Bone Meet» é um clássico instantâneo assim como «In Deathless Tradition». 8,5/10
Com isto ficamos com dois meses revistos, pelo menos os álbuns de maior relevo, atirando-me agora a um mês repleto de boas promessas. Stay tuned!
, mas a verdade é que a pouco e pouco, o grupo se foi libertando dessas amarras e construíndo um portfólio que, como um todo, não deixa de ser respeitável. «Emerald Forest and the Blackbird» é por isso um disco descomprometido, talvez o menos da carreira do grupo, onde podemos encontrar todos os ingredientes que podíamos ir constatando ao longo da sua discografia. Desde os momento mais góticos e ponderados, ao death e black metal, passando logicamente pelo doom clássico e até pelo funeral doom. Nisto consiste hoje a sonoridade dos Swallow the Sun: uma mistura inteligente de vários géneros que lhes permite ir variando ao longo dos temas (e dentro dos mesmos) entre agressividade descontrolada e melodia sorumbática. «Cathedral Walls» com a presença de Anette Olzon dos Nightwish é o paradigma disso mesmo e dos mais belos temas de sempre dos STS. O maior problema que se encontra aqui, é falta de coesão, ditada precisamente pela diversidade da música. 8/10 É certo
que o folk metal mostra hoje sinais de evidente cansaço, tanto mais porque, como qualquer trend que se preze, foi explorado até ao vómito e já nem os fãs têm muita pachorra para mais bailarico inconsequente. No entanto, os Eluveitie parecem querer manter o estilo à tona, conseguindo inteligentemente equilibrar o folk com um death metal na onda dos Dark Tranquillity e In Flames. A aposta é totalmente ganha, pois «Helvetios» é o melhor álbum do grupo
conhecerá. Quanto aos restantes, valerá a pena fazerem contacto com este brilhante grupo que tem aqui um registo pujante que relembra a direção recente de uns Nevermore. 7/10 Os Psycroptic tinham os ases na mão e não foram a jogo. A banda polaca mostrava em 2008 no óptimo «Ob(Servant)» argumentos para ser a nova sensação do death metal de nuances técnicas, mas resolveram fazer
este «The Inherited Repression» que não chega os calcanhares do antecessor. Falta de ambiente, um frio mecânico propiciado por uma produção ultra-super-digital tipo sopa instantânea e uma composição desinspirada fazem deste disco um grande flop. 4/10 Em sentido descente estão também os Caliban. Outrora considerados uma referência
do novo metal, o grupo perde-se na tentativa de chegar a um consenso sobre a sua identidade sonora. Se os primeiros discos atiravam uma fusão de metal americano groovalhado com gothenburg metal, agora querem colar-se também à onda do metalcore musculado. Uma decisão que afecta muito negativamente «I am Nemesis» que não passa de um pastiche bocejante. 4/10 «Angels of Darkness, Demons of Light II» como o nome indica é a sequela do disco como o mesmo nome editado pelos Earth no início de 2011. Se no primeiro os ambientes western faziam o disco ter um encanto especial, este segundo remete parcialmente para ambientes orientais. A decisão em si não nos traz qualquer problema, mas a verdade é que se sente a falta de algo qu
e nos cative. Os riffs são praticamente semelhantes ao que foi explorado no primeiro disco, e uma sensação de vazio percorre a audição de um álbum curto e grosso, que mais parece uma desculpa para lançar qualquer coisa. 5/10 Uma das grandes estreias do doom dos últimos anos pertenceu a Ed Warby e os seus The 11th Hour que nos trazem «Lacrimas Mortis» como seguimento a «Burden of Grief». A fórmula assente no doom clássico (Candlemass e Trouble) com resquícios do doom death metal (Winter e My Dying Bride) continua a ser o mote para as músicas dos The 11th Hour que na sua essência não têm muito de original, mas sabem compôr belissimas canções como «Rain On Me» e «Reunion
Illusion». 7,2/10 Se o novo álbum dos Alcest veio trazer mais do mesmo para o projecto-mor de Neige, o novo disco dos Les Discrets, «Ariettes Oubliées» é um salto de qualidade enorme para este projecto onde o próprio frontman de Alcest participa. Ao nível da intensidade e sensibilidade todos os temas são instant winners, para não falar de serem mais imediatos como no caso da assombrosa «Le Mounvement Perpetuel». Um dos melhores lançamentos deste início de ano. 8,7/10 Há bandas que dão pena. A sério, há bandas que começaram a carreira de forma fulgurante, com promessas de grande feitos e depois arrastam-se por álbuns péssimos que no melhor das hipóteses têm lá u
m momento ou outro de glória que permita manter a esperança de um dia se lembrem de gravar novamente boa música. Os Pharaoh tiveram em «The Longest Night» um momento de pura magia, com um metal épico, progressivo que tanto ia a Dream Theater como a Iron Maiden buscar óptimas influências. O pior veio depois e culmina nesta coisa chamada «Bury the Light», um disco sem a mínima graça, com um trabalho vocal deprimente e uma atitude mais heavy e pesada tão cocky que dá vontade de rir. 4/10 Não foi há muito tempo, (bem, depende da perspectiva)
que os Beneath the Massacre passaram por cá e deixaram boas impressões. «Incongruous» vem trazer à tona toda a a "capacidade" de destruição do grupo cujos ataques de death metal se revestem do malfadado deathcore e acabam por se afundar numa competição chata do "eu sou mais brutal do que tu". Um tédio de álbum. 5/10 Confesso que esperava tudo menos o que ouvi, quando pus o novo álbum dos Woods of Ypres, «Woods 5: Grey Skies & Electric Light», a rodar. Pelo nome da banda, estava na expectativa de ouvir algo a haver com doom ou black depressivo, motivo pelo qual digo que uma surpresa pode vir quando menos se espera. Type O Negative e Tiamat, mas também os A Pale Horse Named Death foram nomes que imediato me vieram à cabeça, ao nível das vocalizações, da toada das músicas e do ambiente geral asse
nte no depressive rock/metal que estes três nomes associam. «Alternate Ending» passou a ser um personal favourite e este disco num prato a repetir com frequência. Altamente recomendado! 8/10 Nisto do power metal, os Freedom Call são daqueles grupos icónicos que qualquer fã coloca no top 20 de grupos mais influentes do estilo. Este novo «Land of the Crimson Dawn» demonstra porque razão se trata de uma banda tão respeitada. A capacidade de continuarem a escrever temas orelhudos e tão variados entre si, confere-lhes um
estatuto de "no compromisse" só ao alcance de bandas que alcançaram o que têm hoje por mérito próprio, muito ao estilo dos Helloween. Sem ser um disco essencial na discografia dos Freedom Call, trata-se claramente de um momento alto na sua carreira. 7,9/10 Os Rage são uma banda peculiar no movimento, por terem começar por serem um grupo dedicado ao thrash metal, passando para um neo-power progressivo, dedicando-se finalmente ao power thrash dos últimos registos. Uma banda camaleónica sem dúvida. Pessoalmente são grande fã da fase «Ghosts até ao «Soundchaser» e considero que após esse disco os Rage terão perdido qualquer coisa, principalmente ao nível da composição que os impede de gravar um tema verdadeiramente memorável (ao nível de uma «Down», The Mirror In Your
Eyes» ou «War of Worlds»). «21» é mais um álbum bruto e pesado (talvez o mais agressivo desde da fase thrash), mas onde faltam mais uma vez aqueles refrões que ficam no ouvido. O disco é impecável ao nível da performance, não estivessemos a falar de músicos de ponta, mas a música em si, não me é minimamente cativante. 5/10 É estranho uma banda de grind com uma vertente lírica política tão vincada como os Terrorizer tenha resolvido escrever um disco conceptual sobre um apocalipse de zombies. «Hordes of Zombies» nem parece musicalmente formidável, ao recorrer ao death metal de uns Cannibal Corpse e Vomitory para lhes dar o filtro Terrorizer, mas a estranheza acompanha a audição destes
temas assim com uma estúpida estupefacção. Se me querer armar em sabichão, a verdade é que faz todo o sentido que este disco seja lançado pelos Terrorizer agora. Numa altura em que todos falam de tudo e opinam sobre tanta coisa, que mensagem política poderiam os Terrorizer trazer, pelo menos com a pertinência do «World Downfall»? Talvez a metáfora de que todos se comem uns aos outros façam afinal algum sentido neste tempos conturbados da ditadura dos mercados e do consumo e os Terrorizer tenham resolvido falar sobre isso. Ou então não e «Hordes of Zombies» é só um disco de death grind descomprometido de pretende dar algum gozo ao ouvinte. Em ambos os casos, a música não é abominável e até é a espaços bem interessante. 8/10 Todos os anos há um grupo que se lembra de gravar um disco de death metal retro conforme era feito no início da década de 90. No ano passado a honra coube aos magníficos Autopsy, este ano tudo indica que os Asphyx vão ganham o prémio com «Deathhammer». O dejá-vú vale o que vale, mas ouv
ir uma pérola destas ainda é motivo de regojizo, pelo menos para aqueles que viveram o boom do death metal europeu através dos Entombed e afins. Aqui não é a brutalidade ou a velocidade que contam, mas a perícia de construír temas que façam o ouvinte viajar até as profundezas do inferno. 8,5/10 Com os sucesso dos Nightwish a partir, principalmente de 1998 com o «Century Child», o trend do female fronted gothic metal ganhou força e não mais parou, sobretudo quando Within Temptation e E
pica seguiram os seus própriso caminhos de sucesso, influenciaram mais uma nova vaga de bandas do estilo, entre os quais estes Xandria que com «Neverworlds End» revelam toda importância que os últimos 3 discos de Nightwish tiveram sobre eles, chegando ao cúmulo da própria disposição dos temas no álbum seja semelhante ao usado em «Dark Passion Play». Quem precisa de uma de 3ª geração? 3/10 Se há paradigma de uma banda de metal política, essa é sem dúvida os Napalm Death que após tantos anos de carreira terão nesta altura
mais do que nunca temas de conversa, por isso o utilitarismo seja o tópico central do disco intitulado de «Utilitarian». Se liricamente a banda britânica parece atenta ao que se vai passando pelo mundo fora, musicalmente continua tão incisiva como no início de carreira. Apesar dos temas deste disco terem por norma uma quebra de andamento, maioritariamente são os blastbeats e as vocalizações de Barney que comandam as operações. Dentro da discografia dos Napalm Death trata-se de um disco bem variado, embora por fora soe tudo praticamente ao mesmo...e ainda bem! 8/10 Parece que nos meandros do symphonic gothic metal o circo está na berra. Depois do «Imaginaerum» dos Nightwish, agora os Amberian Dawn também se lembraram de escrevem sobre assuntos circenses em «Circus Black». A receita é bem conhecida e o grupo não inventa aqui a roda, mesmo com alguns temas bem esgalhados como «Cold Kiss» que tem um feeling 80's e «
Fight» que faz chegar à memória os tempos de glória dos Rhapsody, o disco soa igual a muita coisa que já se fez neste estilo. 7/10 O máximo que consegui fazer durante «Mask of Malice» foi um bocejo colossal ali em «Swallow Bitterness» de modo que usei aqui e ali o fast-forward. Bem sei que não é muito profissional da minha parte, mas também ninguém me paga para fazer isto, daí que me posso dar ao luxo de fazer estas coisas. É que este disco dos Lay Down Rotten é chato como o diabo. Um mistura de death com thrash com riffs mais que vistos, vocais banais e um imagem
típica dos deathcore, fazem desta banda uma nulidade em termos de originalidade. Mas o pior é mesmo não haver aqui nada que perdure para além do tempo imediato em que se está a ouvir as músicas. Por exemplo, o riff repetido ad aeternum de «Death Chain» (a primeira música) faz lembrar aqueles refrões idiotas das músicas de dança que passado algum tempo decoramos mesmo que o detestemos. Isto é mesmo o m
ais aborrecido de tudo. 3/10 «Eternal Turn of the Wheel» trás de volta os Drudkh e os seu black metal épico e naturista que tem por hábito falar de coisas ídilicas como montanhas, o Inverno, as folhas a caír, a neve, as florestas, etc...creio que já devem ter percebido. É uma espécie de cliché em Drudkh que assenta o tipo de sonoridade arrastada em trémolo e variações de ritmo que se por um lado soam tudo ao mesmo, para quem aprecia este tipo de som, pode mergulhar num ambiente pagão de referência com banda sonora a condizer. Posso dizer que encontrei nos Drudkh uma óptima companhia de leitura. 7/10 Demorou algum tempo ao sucessor de «Metaphortime» ver a luz do dia, mas finalmente «Smooth Comforts False» chega aos escaparates trazendo uns Thee Orakle mais directos e pesados no seu death metal progressivo de nuances gothic metal. O que mais gostei foi a diversidade do m
aterial que lhes trás grandes benefícios ao nível da dinâmica musical, por outro lado, achei que em alguns temas pedia-se menos confusão e mais ar para respirar. Num tema como «Psi-Drama» os Thee Orakle chegam a parecer uns The Agonist que atiram riffs por todo o lado e criam ordem a partir do caos. No caso dos Thee Orakle isso é mais complicado porque há tanta coisa a acontecer que se torna complicado encontrar um ponto de referência nas músicas. Este «Psi-Drama» tem inclusive uma linha de saxofone metida ali no meio. Depois, tenho um problema com o vocais gritados... certamente encaixariam ali outro tipo de vocalizações. Porque não manter só os vocais femininos? 7/10 «Sorrow and Extinction» dos Pallbearer é fortemente influenciado pelos projectos de Al Cisneros, num stoner doom psicadélico hipnotizante que se arrasta levand
o o ouvinte a viajar sem destino através de paisagens sonoras distantes, até que, no final do álbum aterra de queixo e procura novamente o botão do play (hoje é mais a tecla "space"). Para a maior parte isto é sinónimo de seca interminável, não estivessemos a falar de doom e de uma das sonoridades mais underground que o metal tem para oferecer. Um disco que tem escrito culto por todo o lado. 8/10 Um início de ano morno para o black metal que tem tido nos Dodecahedron a principal atração com um disco homónimo de deixar qualquer fã do género de boca aberta. Deathspell Omega e todo o movimento do pós-black metal representa aqui um papel primoridal, mas não só. O trabalho vocal em «Vanitas» usando um
vocoder tenta levar a sonoridade dos Dodecahedron mais além, com a inclusão de elementos inesperados que nunca soam deslocados. Como na estranha «Descending Jacob's Ladder» que mais parece qualquer coisa saída dos Darkspace ou dos Puissance. Um disco super-desafiante. 8/10 «A Eulogy For The Dam
ned» propõe uma sessão de stoner rock com muita pinta, mas não muda muito daquilo que os Orange Goblin têm para oferecer desde 1997. Os pontos extra pela identidade vincada e pelo carisma entre os Monster Magnet e os Cathedral, dá-lhes um charme especial, bem representado em malhas como «Red Tide Rising». 7,5/10 Os que dizer dos Semargl e o seu «Satanic Pop Met
al», será que é mesmo para levar isto a sério? Claro que não. Mas o mau gosto também tem limites. Black metal com toques de música de dança, mutio satanisimo, gajas boas e má musica. Pelas moças levava 10 pontos, mas não estou aqui para julgar beleza feminina. 0/10 Percebo que muito boa gente aprecie death metal técnico e que quando aperecem uns americanos chamados Veil of Maya juntar Cynic com metalcore também percebo qu
e a juventude se deixe entusiasmar pelo fácil display de destreza técnica e esqueça o resto. «Eclipse» tem a espaços momentos interessantes q.b. para que não sejam metidos no mesmo saco de uns Periphery, «With Passion and Power» é admirável, mas no geral «Eclipse» é muito cansativo. 6,4/10
Para finalizar, ficam os Goatwhore e o ataque black/death metal «Blood For The Master» que com uma costela punk, parecida com a explorada pelos Darkthrone nos últimos discos, fazem aqui um álbum gigante. «When Steel and Bone Meet» é um clássico instantâneo assim como «In Deathless Tradition». 8,5/10























