EPICA - «DESIGN YOUR UNIVERSE»
Apesar do gothic metal em meados da década de 90 ter proporcionado a vocalistas femininas a abertura das portas a um género musical dominado por homens, só com a chegada dos Evanescence e Within Temptation e consequente explosão dos até então "sempre prometedores" Lacuna Coil e Nightwish, é que as bandas de metal lideradas por mulheres atingiram um estatuto considerável. Isto, apesar de Tristania e Theatre of Tragedy já fazerem o que estas bandas fazem, há muitos anos. Não tardaram a aparecer uma série de grupos, ora recuperados para apanhar a boleia do trend (After Forever) ora formados de raíz (Leaves Eyes), o que é certo é que cedo, uma corrente de novas bandas com vocalistas femininas "invadiu" o mercado, espalhando-se desde no gothic metal tradicional (Sirenia), às modalidades modernas (Delain), como ao metalcore (The Agonist e In This Moment) e ao sinfónico (Epica). Não sendo portanto dos mais acessiveis, comercialmente falando, os Epica, liderados pela ruiva de olhos azuis Simone Simmons, pegam na sonoridade abandonada pelos Within Temptation por alturas do «Mother Earth», atribuem-lhe o goticismo de uns Theatre of Tragedy e as melodias cheias e modernas dos Nightwish e rematam com uma costela sinfónica digna de uma banda sonora hollywoodesca. Difícil seria perceber onde ficaria a música no meio de tudo isto, suspeitas que ficaram provadas na estreia «The Phantom Agony» e que se prolongaram até ao último disco «The Divine Conspiracy». Ou seja, os Epica gostam de pensar em grande, mas acabam sempre por dar um passo maior do que as pernas, com a qualidade das músicas, a não justificar tamanho aparato orquestral. «Design Your Universe» repete a fórmula, com sinfonias bombásticas, superprodução, temas que vão desde do mais puro cheesy para as rádios até ao potente power metal sinfónico, tudo misturado, só podia resultar num disco demasiado disperso para o seu próprio bem. Mas que acaba por ser o mais aproximado daquilo que se exige de um grupo como os Epica: malhas de dimensão memorável, que ecoem nos ouvidos durante muito tempo. Algo que acontece nos primeiros brilhantes temas, «Resign to Surrender», «Unleashed» e «Martyr of the Free Word». Após esta entrada de rompante, o álbum falha em manter-se equilibrado, principalmente depois de gigantesca «Kingdom of Heaven», cujos 14 minutos talvez tivessem sido melhor colocados no final do disco. O álbum ainda recupera o andamento em «Burn to a Cinder» e «Semblance of Liberty», mas perde-se algures entre as baladas «Tides of Time» e «White Waters» (apenas a segunda merece destaque pela positiva) e mais uma faixa épica de quase dez minutos, «Design Your Universe ». Em suma, o potencial está lá, ouçam a pujança de «Martyr of the Free Word» e «Semblance of Liberty», com direito a vozes guturais de Mark Jansen, mas é impossível não imaginar os Epica se se dedicassem a compôr temas mais simples e directos. «Design You Universe» é o melhor registo até à data dos Epica, mas que continua a revelar uma banda com ambições que ultrapassam a musicalidade demonstrada. 7,8/10
Labels: crítica, design your universe, epica, review








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