Sinónimo de transgressão das normas, os My Dying Bride sempre tiveram a capacidade de a cada álbum criar algo de diferente (mas não necessariamente melhor), ao ponto de passarem de um «34,788%...Complete» para um «The Light at the End of the World» em apenas 1 ano.Estranhamente a banda britânica tem parecido algo estagnada nos últimos discos, principalmente a partir do flirt gótico em «Songs of Darkness, Words of Light». Em «For Lies I Sire» a receita repete-se, com boas e más notícias. Vamos primeiro às boas.
Apercebendo-se da falta de algo nas suas últimas composições, os MDB resolveram fazer regressar um dos seus mais emblemáticos instrumentos: o violino. Assim, pelas mãos da também teclista Katie Stone, o famigerado violino está de regresso com bons resultados, atestados logo na melancólia canção introdutória «My Body, A Funeral». A segunda boa notícia é a inclusão de Dan Mullins, baterista dos Bal-Sagoth, que oferece algo que Shaun Taylor-Steels não parecia conseguir: a capacidade de criar padrões de bateria diferentes dos de Rick Miah, ex-baterista que deixou um legado dificilimo de superar.
Terceira boa notícia é a dinâmica das músicas, que já não se via desde do longínquo «The Light at the End of the World». Pegando em «Fall With Me» e «Death Triumphant», estas possuem várias mudanças de ritmo parecendo-se com por exemplo, «Edenbeast» e «Christliar» ou, recuando ainda mais no tempo, com «Your River» e «Turn Loose the Swans». Por outro lado, ainda subsistem temas simples, lentíssimos e deprimentes como «My Body, A Funeral», «Echoes From a Hollow Soul» e o inicio de «Shadowhaunt».
Vamos agora às más notícias. Se o violino é um regresso aplaudido, nem sempre é utilizado com sabedoria, notando-se alguma displicência no seu uso, nomeadamente em «B
ring me Victory» (uma das mais fracas do disco) e em «Santuario di Sangue».
Outro problema reside na própria estrutura de algumas canções que têm o pior material que os MDB alguma vez compuseram, como em «Santuario di Sangue» onde Aaron canta de forma lastimável no refrão e na escusada «Bring me Victory» que chega a parecer saída do «34,788%...Complete». Damos o beneficio da dúvida a «A Chapter in Loathing» por ser a mais pesada música que gravaram desde «The Raven and the Rose», mas não esconde a incapacidade de Aaron na hora de interpretar os vocais mais agressivos. Em «Shadowhaunt» também se nota, mas aquele tipo de vocalização mais black metal até acaba por beneficiar a canção.
Último grande problema do disco é ao nível lírico. Aaron parece ter-se, desde do «The Dreadful Hours», esquecido como escrever letras interessantes, porque a falência lirica do vocalista parece ter atingido um ponto inimaginável para quem esteve atento às letras de um «The Light at the End of the World» ou mesmo do «Like Gods of the Sun» (o álbum mais acessível da banda). O vocalista/letrista vai alternando, por vezes na mesma música, versos belíssimos: "Our great god lies naked next to me, i witnessed death in his beauty", com frases a roçar a mais pura idiotice: "Caress me, undress me, forget me, as winter comes. Your pale skin, crystal eyes. I will weep forever, oh my god why?".
Concluíndo, trata-se de um disco com muitas qualidades e muito defeitos, mas acima de tudo um disco em que se pode identificar a personalidade My Dying Bride. Quantas bandas podem dizer que conseguiriam delimitar o seu espaço, impossibilitando a existência de imitadores que não caiam no ridiculo? Apesar das resistências, «For Lies I Sire» acaba por ser um disco louvável, para uma banda que tem 19 anos de existência. Isso, por si só, é deveras impressionante. 8,5/10
Apercebendo-se da falta de algo nas suas últimas composições, os MDB resolveram fazer regressar um dos seus mais emblemáticos instrumentos: o violino. Assim, pelas mãos da também teclista Katie Stone, o famigerado violino está de regresso com bons resultados, atestados logo na melancólia canção introdutória «My Body, A Funeral». A segunda boa notícia é a inclusão de Dan Mullins, baterista dos Bal-Sagoth, que oferece algo que Shaun Taylor-Steels não parecia conseguir: a capacidade de criar padrões de bateria diferentes dos de Rick Miah, ex-baterista que deixou um legado dificilimo de superar.
Terceira boa notícia é a dinâmica das músicas, que já não se via desde do longínquo «The Light at the End of the World». Pegando em «Fall With Me» e «Death Triumphant», estas possuem várias mudanças de ritmo parecendo-se com por exemplo, «Edenbeast» e «Christliar» ou, recuando ainda mais no tempo, com «Your River» e «Turn Loose the Swans». Por outro lado, ainda subsistem temas simples, lentíssimos e deprimentes como «My Body, A Funeral», «Echoes From a Hollow Soul» e o inicio de «Shadowhaunt».
Vamos agora às más notícias. Se o violino é um regresso aplaudido, nem sempre é utilizado com sabedoria, notando-se alguma displicência no seu uso, nomeadamente em «B
ring me Victory» (uma das mais fracas do disco) e em «Santuario di Sangue».Outro problema reside na própria estrutura de algumas canções que têm o pior material que os MDB alguma vez compuseram, como em «Santuario di Sangue» onde Aaron canta de forma lastimável no refrão e na escusada «Bring me Victory» que chega a parecer saída do «34,788%...Complete». Damos o beneficio da dúvida a «A Chapter in Loathing» por ser a mais pesada música que gravaram desde «The Raven and the Rose», mas não esconde a incapacidade de Aaron na hora de interpretar os vocais mais agressivos. Em «Shadowhaunt» também se nota, mas aquele tipo de vocalização mais black metal até acaba por beneficiar a canção.
Último grande problema do disco é ao nível lírico. Aaron parece ter-se, desde do «The Dreadful Hours», esquecido como escrever letras interessantes, porque a falência lirica do vocalista parece ter atingido um ponto inimaginável para quem esteve atento às letras de um «The Light at the End of the World» ou mesmo do «Like Gods of the Sun» (o álbum mais acessível da banda). O vocalista/letrista vai alternando, por vezes na mesma música, versos belíssimos: "Our great god lies naked next to me, i witnessed death in his beauty", com frases a roçar a mais pura idiotice: "Caress me, undress me, forget me, as winter comes. Your pale skin, crystal eyes. I will weep forever, oh my god why?".
Concluíndo, trata-se de um disco com muitas qualidades e muito defeitos, mas acima de tudo um disco em que se pode identificar a personalidade My Dying Bride. Quantas bandas podem dizer que conseguiriam delimitar o seu espaço, impossibilitando a existência de imitadores que não caiam no ridiculo? Apesar das resistências, «For Lies I Sire» acaba por ser um disco louvável, para uma banda que tem 19 anos de existência. Isso, por si só, é deveras impressionante. 8,5/10




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