Wednesday, March 25, 2009

MY DYING BRIDE - «FOR LIES I SIRE»

Sinónimo de transgressão das normas, os My Dying Bride sempre tiveram a capacidade de a cada álbum criar algo de diferente (mas não necessariamente melhor), ao ponto de passarem de um «34,788%...Complete» para um «The Light at the End of the World» em apenas 1 ano.
Estranhamente a banda britânica tem parecido algo estagnada nos últimos discos, principalmente a partir do flirt gótico em «Songs of Darkness, Words of Light». Em «For Lies I Sire» a receita repete-se, com boas e más notícias. Vamos primeiro às boas.
Apercebendo-se da falta de algo nas suas últimas composições, os MDB resolveram fazer regressar um dos seus mais emblemáticos instrumentos: o violino. Assim, pelas mãos da também teclista Katie Stone, o famigerado violino está de regresso com bons resultados, atestados logo na melancólia canção introdutória «My Body, A Funeral». A segunda boa notícia é a inclusão de Dan Mullins, baterista dos Bal-Sagoth, que oferece algo que Shaun Taylor-Steels não parecia conseguir: a capacidade de criar padrões de bateria diferentes dos de Rick Miah, ex-baterista que deixou um legado dificilimo de superar.
Terceira boa notícia é a dinâmica das músicas, que já não se via desde do longínquo «The Light at the End of the World». Pegando em «Fall With Me» e «Death Triumphant», estas possuem várias mudanças de ritmo parecendo-se com por exemplo, «Edenbeast» e «Christliar» ou, recuando ainda mais no tempo, com «Your River» e «Turn Loose the Swans». Por outro lado, ainda subsistem temas simples, lentíssimos e deprimentes como «My Body, A Funeral», «Echoes From a Hollow Soul» e o inicio de «Shadowhaunt».
Vamos agora às más notícias. Se o violino é um regresso aplaudido, nem sempre é utilizado com sabedoria, notando-se alguma displicência no seu uso, nomeadamente em «Bring me Victory» (uma das mais fracas do disco) e em «Santuario di Sangue».
Outro problema reside na própria estrutura de algumas canções que têm o pior material que os MDB alguma vez compuseram, como em «Santuario di Sangue» onde Aaron canta de forma lastimável no refrão e na escusada «Bring me Victory» que chega a parecer saída do «34,788%...Complete». Damos o beneficio da dúvida a «A Chapter in Loathing» por ser a mais pesada música que gravaram desde «The Raven and the Rose», mas não esconde a incapacidade de Aaron na hora de interpretar os vocais mais agressivos. Em «Shadowhaunt» também se nota, mas aquele tipo de vocalização mais black metal até acaba por beneficiar a canção.
Último grande problema do disco é ao nível lírico. Aaron parece ter-se, desde do «The Dreadful Hours», esquecido como escrever letras interessantes, porque a falência lirica do vocalista parece ter atingido um ponto inimaginável para quem esteve atento às letras de um «The Light at the End of the World» ou mesmo do «Like Gods of the Sun» (o álbum mais acessível da banda). O vocalista/letrista vai alternando, por vezes na mesma música, versos belíssimos: "Our great god lies naked next to me, i witnessed death in his beauty", com frases a roçar a mais pura idiotice: "Caress me, undress me, forget me, as winter comes. Your pale skin, crystal eyes. I will weep forever, oh my god why?".
Concluíndo, trata-se de um disco com muitas qualidades e muito defeitos, mas acima de tudo um disco em que se pode identificar a personalidade My Dying Bride. Quantas bandas podem dizer que conseguiriam delimitar o seu espaço, impossibilitando a existência de imitadores que não caiam no ridiculo? Apesar das resistências, «For Lies I Sire» acaba por ser um disco louvável, para uma banda que tem 19 anos de existência. Isso, por si só, é deveras impressionante. 8,5/10

GOD FORBID - «EARTHSBLOOD»

Se o anterior «IV: Constitution of Treason» tinha deixado um certo sabor amargo, depois do potente «Gone Forever», impunha-se um novo assalto por parte de uma das mais promissoras bandas da actualidade, os God Forbid. Embora até nem sejam nenhuns novatos (o primeiro álbum «Reject the Sickness» é de 2000), sempre ficou a sensação de poderem ir mais longe e foi precisamente com «Gone Forever» em 2004 que a banda soube "capitalizar" o seu potencial. Apesar do anterior álbum não ser nada fraco, «Earthsblood» faz uma mescla entre o poderoso metalcore preconizado nos primeiros discos e o thrash metal progressivo ao jeito de uns Nevermore. O resultado é absolutamente brilhante e supera o tal álbum malapata que servia para fixar a banda injustamente no passado. Única nota negativa para a excessiva duração de alguns temas, nomeadamente «The New Clear», «Walk Alone» e a faixa título. Ainda assim, claramente o melhor disco dos God Forbid até à data. 8,6/10

STATIC X - «CULT OF STATIC»

Ora aqui está uma banda sobrevivente da razia que houve no nu-metal a partir de 2003. Das poucas que ainda vão lançando discos e das poucas que abraçaram sem complexos as raízes, neste caso, o metal pesadão com heranças de Pantera. «Cult of Static» é um disco variado, interessante e dinâmico qb. Exemplo disso é o single «Stingwray» e «Lunatic» (que conta a presença de Dave Mustaine), que mostram duas facetas da mesma banda. Ou ainda «Terminal» que oferece os vocais mais emo de Wayne Static. É óbvio que os Static X dificilmente recuperarão a genialmente de «Wisconsin Death Trip», mas «Cult of Static» possui alguns momentos bastante bons, suficientes para satisfazer os fãs e manter a banda no activo. 7,4/10

SWITCHTENSE - «CONFRONTATION OF SOULS»

Confesso que dá-me cada vez mais gozo ouvir um álbum de uma banda portuguesa. É uma satisfação que se espelha em diversos factores que só podem contribuir para um melhor e profícuo movimento que é nesta altura, na minha modesta opinião, um dos mais interessantes a nível europeu. Os Switchtense são a prova viva desse cada vez maior profissionalismo, ou se quisermos, uma maior vontade de fazer as coisas bem, que contagia um cada vez maior número de bandas portuguesas. Desde do artwork, à exímia produção à própria prestação do quinteto, «Confrontation of Souls» é uma verdadeira gema de death metal, com tonalidades thrash e algum core metido pelo meio. Salta à vista a dinâmica do grupo em compôr músicas mais rápidas e outras mais cadenciadas, ajudando a captar a atenção do ouvinte ao qual não é proposto nada de muito novo. «Confrontation of Souls» é, no entanto, um produto claramente acima da média e daqueles álbuns que são capazes de virar de pernas para o ar a vida de uma banda, no bom sentido, claro. 8,5/10

Monday, March 16, 2009

MASTODON - «CRACK THE SKYE»

O hype gerado em redor dos Mastodon por alturas do «Leviathan» em 2004 e acrescidas em 2006 com «Blood Mountain» foi suficiente para fazer da banda norte-americana aquilo de que muitos chamaram a esperança do metal mundial ou mesmo o metal do futuro. É verdade que sempre existiu um certo exagerar, dado que de facto (e isso não pode ser negado), a banda de Atlanta sempre teve um charme especial incrementado por uma personalidade única, e claro, uma enorme capacidade musical, atestada a cada álbum lançado. No entanto, e apesar do hype, é com grande satisfação que posso dizer com os Mastodon finalmente podem fazer juz às expectativas neles depositadas, porque «Crack the Skye» só por infortúnios da indústria musical (que nunca é de fiar) é que não será considerada uma obra-prima. O curioso no meio de tudo isto é que foi preciso a banda mudar considerávelmente a sua direcção musical para paragens mais contemplativas (o verdadeiro post-rock?) que podem ser atestadas logo a partir da introdutória «Oblivion». «Crack the Skye» é assim uma verdadeira bíblia de bom gosto, com «The Czar» e «Divinations» à cabeça. Na primeira chamo a atenção para o arrepiante riff aos 6:40 e na segunda para o delírio punk/rock descarado que a banda faz, embora sem ser demasiado facilitista, esta contém elementos suficientemente intrincados e intensos para continuar a ser considerada uma música de metal. Os Mastodon superaram-se a si mesmos, conseguindo libertar-se das amarras (leia-se limitações) que a sonoridade e a popularidade impunham, ameaçando seriamente o futuro da banda. Podemos considerar «Crack the Skye» como o atingir da maioridade por parte dos Mastodon, agora sim, uma das melhores bandas de metal da actualidade. 10/10

FUNERAL MIST - «MARANATHA»

Se «Salvation» foi para muitos uma espécie de recuperação de fé no black-metal, «Maranatha» será o álbum que fará de Arioch e dos seus Funeral Mist uns verdadeiros monstros sagrados do género. Estamos perante um disco que tem a habilidade de recuperar aquela aura de misticismo do BM do inicio dos anos 90, quando os Mayhem, Darkthrone, Burzum e Emperor assombravam o imaginário dos metaleiros com o metal mais negro que se podia imaginar. Se recuperar esse feeling é algo só ao alcance de alguns (Watain e DSO), compôr um álbum de BM verdadeiramente pertinente nos dias de hoje só mesmo para predestinados. «Maranatha» é mesmo assim tão bom. Seja pela infernal e descomunal prestação de Arioch, seja pelo sufocante ambiente do disco que transpira malevolência por todo o lado. Contribui para isso a inclusão de passagens mais calmas, como os cânticos em «New Light» e «Anti-Flesh Nimbus», o mid-tempo em «White Stone» e a cadência melancólica de «Blessed Curse». Não temam os que adoraram o anterior disco, porque encontram aqui muitos motivos de satisfação, nomeadamente em «Sword of Faith», «Living Temples» e «Anathema Maranatha». «Maranatha» pode bem ser um dos melhores discos de black-metal alguma vez gravados, mas ainda é cedo para dizer com toda a certeza, porque falta saber se resistirá ao teste do tempo. Apesar de ser um disco assombroso, não nos esqueçamos que vivemos na era do fast consumption e não será de admirar que daqui por um par de meses já ninguém se lembre disto, o que é realmente uma pena. 10/10

CELESTE - «MISANTHROPE(S)»

Quando soube que os Celeste estavam a disponibilizar o seu álbum «Misanthrope(s)» na íntegra no seu site, fiz questão de visitar o website e adquiri-lo. Penso que é o mínimo que podia fazer por uma banda que oferece um trabalho que, pela mostra, não deve ter sido nada fácil de conceber. Ainda por cima, ao ouvir o álbum fico com sensação que as editoras não andam a fazer o seu trabalho de casa, por deixar uma banda destas andar por aí a "dar" os seus discos, quando mostra ter tanto potencial. «Misanthrope(s)» é tudo o que o título diz e muito mais. Afigura-se como um dos mais bem conseguidos discos de sludge de sempre, mas que vai buscar alguma influência ao post-metal e pontualmente ao black-metal. Imaginem os Cult of Luna a fazer versões dos Shining e ficam com uma pequena ideia do que vos espera. A banda torna-se ainda mais interessante por se exprimir em francês e por não ser aquele tipo de banda que para ser deprimente tem de compôr músicas de 12 minutos. Todos os temas são sublimes e é-me dificil escolher o mais representativo, mas em última análise, «Toucher ce vide béant attise ma fascination» é tudo o que precisam ouvir para ficarem a perceber quem são os Celeste. 9/10

OBSCURA - «COSMOGENESIS»

Apesar de tecnicamente irrepreensíveis, os germânicos Obscura continuam a perservar o fatal erro demonstrado no primeiro longa duração «Retribution»: a falta de verdadeiras canções das quais nos possamos lembrar no final da audição do disco. «Cosmogenesis» é assim feito de variações ritmicas interessantes, como em «Incarnated» e «Universe Momentum», que congeminadas com a brutalidade quase sempre presente, perdem preponderância, diminuindo exponencialmente o interesse de todo o disco. É como cozinhar um prato exótico e requintado e depois acompanhá-lo de cálice de vinho de pacote do Pingo Doce. «Cosmogenesis» consegue ainda assim ser superior ao álbum de estreia do grupo, precisamente por incluir mais dinâmica às músicas. Aconselhável a amantes de death metal técnico. 6,8/10

Monday, March 09, 2009

SOULFLY - COLISEU DOS RECREIOS 16.02.2009

É bom perceber que a popularidade do Sr. Max Cavalera ainda permite um Coliseu abarrotar de novas e velhas gerações de metaleiros em saudável convívio, e de facto, a noite de 16 de Fevereiro de 2009 será de certeza inesquecível para as almas que se deslocaram ao recinto lisboeta. Para começar o desfile de peso estiveram os Incite, banda que até nem esteve mal durante o curto tempo de que dispôs, embora nunca tenham animado por ai além o público que entrava a conta-gotas no recinto. O grupo norte-americano conta actualmente apenas com um EP (»Divided We Fail») gravado, mas esta tour com Soulfly deverá abrir-lhes as portas a editoras, quanto mais não seja pelo número crescente de entradas no MySpace da banda 5/10.
Os portugueses WAKO seguiram-se e bem podem estar satisfeitos com o concerto que deram. Exceptuando alguns problemas de som, nomeadamente com a voz de Nuno Rodrigues. No entanto, deram um concerto bastante feliz, focado em temas do álbum «Deconstructive Essence» de 2007, com grande apoio do significativo número de fãs que orgulhosamente envergava t-shirts dos WAKO, e que não se cansaram de apoiar o grupo de Almeirim 8/10.
Seguiram-se finalmente Max Cavalera e os seus Soulfly, num excelente concerto em que o frontman brasileiro escolheu interpretar nada menos do que 9 covers, sendo que duas foram apenas intros. Falo claro de «Raining Blood» a música dos Slayer que serviu para iniciar «Frontlines» já na parte final do concerto de «Creeping Death» dos Metallica. As restantes foram uma versão de «Red War» (original do projecto Probot, de Dave Grohl), «Sanctuary» de Cavalera Conspiracy e 5 temas de Sepultura. Max parece assim não ter perdido de vistas as suas raízes, mesmo quando tem repertório suficiente para fazer um concerto de 2 horas nas calmas. O concerto em si foi brutal, com a adesão total dos presentes, um mosh-pit de respeito, e um Max muitíssimo interventivo 8/10. Saldo ultra-positivo para uma noite de peso como não se via à algum tempo no Coliseu dos Recreios.
SOULFLY - «TROOPS OF DOOM» (By Jubilaico)


100 DISCOS DE METAL

47. SEPULTURA - «ARISE» 1991
É verdade que já antes de «Arise» os Sepultura vinham constituindo um respeitável número de fãs, principalmente no Brasil onde já em termos de popularidade eram um verdadeiro fenómeno. Mas olhando hoje para trás, para a discografia da banda de Minas Gerais, é fácil perceber qual o disco que promove a entrada dos Sepultura no restrito lote de bandas consideradas fundamentais na história, não só do metal, mas de toda a música popular contemporânea: «Arise».

48. SKID ROW - «SLAVE TO THE GRIND» 1991
O glam rock e o hard n' heavy estavam em desuso, o heavy metal caminhava para o underground e o grunge começava a ser cada vez mais abrangente, quando os Skid Row lançaram este disco, talvez o derradeiro influente álbum de hard rock, que não foi influenciado pela corrente grunge. Embora os Skid Row fossem das bandas hard rock, uma das mais negras e agressivas (ver temas «Monkey Business» e «Riot Act»), a sua popularidade esteve em alta durante a edição do disco homónimo em 89 e com este «Slave to the Grind» em 91. A banda de Sebastian Bach caiu no esquecimento pela Atlantic records que se atirou com unhas e dentes ao fenómeno grunge, tendo relançado o grupo em «Subhuman Race» em 1995 com resultado comerciais desastrosos. Em 2003 e 2006 regressaram sem Bach na voz com resultados mais uma vez aquém do primeiros trabalhos.

DRAGONFORCE + TURISAS - CINE TEATRO DE CORROIOS 05/02/2009

Realmente existem bandas que não deveriam saír do estúdio. Uma dessas bandas são os Dragonforce, cuja habilidade musical é inquestionável, mas ao vivo são pura e simplesmente uma lástima, com um desvairado Herman Li à cabeça. Que o digam os que estiveram presentes na noite de Corroios onde presenciou-se uma agradável enchente, com a presença de muitos adeptos do Guitar Hero, jogo que proporcionou aos Dragonforce uma grande visibilidade que começa agora dar os seus frutos 4/10.
Primeiro houve ainda tempo para os Turisas, num espectáculo cénico impressionante, com um visual guerreiro e músicas a puxar pelos cânticos do público. O problema deste concerto foi o defeituoso som, sempre abafando a força desejável para criar um ambiente bélico de acordo com os hinos «Battle Metal», «Rasputin» e «In the Court of Jarisleif». Ainda assim saldo positivo, para uma banda ainda pouco conhecida por cá 7/10.
TURISAS - «BATTLE METAL» (By chibiel)


DRAGONFORCE - «THROUGH THE FIRE AND FLAMES» (By Tssanei)

Wednesday, March 04, 2009

SAMAEL - «ABOVE»

Convém dizer que nesta altura tudo o que ninguém esperava dos Samael era um álbum como este «Above». Mesmo quando num passado recente Vorph havia afirmado que este seria um retorno às sonoridades de «Ceremony of Opposites» e «Passage». «Above» apresenta assim um black metal bombástico e furioso com a bateria de Xy velocissima. De «Solar Soul» (um fantástico álbum diga-se) pouco se pode ouvir e cuja necessária comparação traz-nos os problemas deste «Above»: a falta de algo que destaque as músicas umas das outras. Se no anterior disco, diversidade era a palavra de ordem, aqui é tudo muito igual e só com várias audições é que é possível distinguir algumas passagens. Fica a ousadia de deitar fora (mesmo que momentaneamente) a acessibilidade dos últimos álbuns em detrimento de uma postura bem mais agressiva. «Above» é o elo perdido entre a fase black metal e a fase industrial dos Samael. 7,6/10

Tuesday, March 03, 2009

HAMMERFALL - «NO SACRIFICE, NO VICTORY»

Se no inicio não havia quem não saudasse o aparecimento de uma banda que apregoava o sentimento de true metal, com o passar do tempo e principalmente hoje, o grupo tem um invejável lote de detractores semelhante aos Trivium. Poderíamos aqui discutir por que raio tanta gente faz questão de perder tempo a odiar uma banda em vez de deixar a tarefa de fazer reviews, entrevistas e outras coisas, nas mãos de quem nutra indiferença pela mesma, mas prefiro sinceramente falar mais da música do que no resto. No meu caso em particular, gostei do «Glory to the Brave» e do «Crimson Thunder», mas a restante discografia do grupo é-me totalmente indiferente. No entanto assumo que um novo disco dos Hammerfall ainda me causa alguma esperança de que finalmente o grupo sueco grave o disco que anda desde 97 a prometer aos fãs. «No Sacrifice, No Victory» não é esse disco. Apesar de ser um dos mais pesados álbuns da banda, não existe de facto muito a celebrar. «Any Means Necessary» é a típica faixa Hammerfall do disco, com um refrão peganhoso, mas com um riff já ultra batido. «Legion» é muito agradável, mas soa tão pesada como forçada. Depois ainda sobram os títulos das músicas «Between Two Worlds», «Hallowed Be My Name», «Bring The Hammer Down» e «Something For The Ages», parecem sublinhar algum cansaço artistico que já predomina por aquelas bandas. Existem, porém, muitas coisas boas no disco, como as pujantes «Life is Now» e «No Sacrifice, No Victory». «Legion» pode realmente parecer algo forçada, mas após algumas audições revela-se a mais forte do álbum. Concluíndo: por vezes não basta dizer mal, é preciso explicar o porquê e com os Hammerfall é imperioso perceber que a banda parece estar em fase descendente e sem ideias e começa a reciclar fórmulas gastas do passado. A tentativa de fazer um álbum mais dark, mas que se revela muito forçado, parece o estrebuchar do morto, mas também revela que a banda realmente ainda acredita nos Hammerfall. Vamos dar o beneficio da dúvida e acreditar que se trata apenas de uma fase menos boa de uma das mais importantes entidades do metal na última década. 6,8/10

Monday, March 02, 2009

ABSU - «ABSU»

Simplesmente «Absu». É assim que o grupo texano, liderado por Proscriptor McGovern, intitula a sua nova obra-prima depois de um prolongado hiato de 8 anos. Atitude que poderia ser considerada como falta de imaginação, mas ao ouvir os primeiros minutos de «Between the Absu of Eridu & Erech», estas suspeitas deixam de ter qualquer fundamento. Trata-se do mais rico e variado disco dos Absu, que conta com um lote de convidados de luxo, onde pontificam por exemplo, Blasphemer (Ava Inferi), Nornagest (Enthroned), David Harbour (ex-King Diamond), Ashmedi (Melechesh) e Mindwalker (The Firstborn). Musicalmente o grupo deixa-se seduzir pela vertente mais thrashy em «Girra's Temple» e «Night Fire Canonization», mas mantém a toada étnica que os anteriores álbuns preconizaram (ver «Ye Uttuku Spells» e «...Of the Dead Who Never Rest in Their Tombs...). De resto, «Absu» é um álbum que representa na perfeição a carreira dos Absu e que os transporta directamente para o topo do black metal mundial. Nota ainda para o magnífico trabalho gráfico do disco. 9,5/10
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...