Em «The Infection» prevalecem ritmos mid-tempo com ênfase no trabalho de guitarras, secundarizando a velocidade ao contrário da pujança dos últimos registos «Chimaira» e «Resurrection». O grupo pensou este disco como uma fuga ao tag metalcore e, diga-se, esse objectivo até é cumprido. «The Infection» mostra uns Chimaira com doses saudáveis de Black Sabbath e Meshuggah, congeminando ritmos complexos, adornados por padrões de bateria progressivos. O problema de «The Infection» acaba por estar na incapacidade dos Chimaira em engendrarem canções memoráveis no meio de todo este caos. No entanto, fica a intenção e a expectativa de num próximo registo melhorarem esta fórmula, que mostra imenso potencial como é atestado em «The Venom Inside», «The Disappearing Sun» e em «Impending Doom». 7/10 Tuesday, April 28, 2009
CHIMAIRA - «THE INFECTION»
Em «The Infection» prevalecem ritmos mid-tempo com ênfase no trabalho de guitarras, secundarizando a velocidade ao contrário da pujança dos últimos registos «Chimaira» e «Resurrection». O grupo pensou este disco como uma fuga ao tag metalcore e, diga-se, esse objectivo até é cumprido. «The Infection» mostra uns Chimaira com doses saudáveis de Black Sabbath e Meshuggah, congeminando ritmos complexos, adornados por padrões de bateria progressivos. O problema de «The Infection» acaba por estar na incapacidade dos Chimaira em engendrarem canções memoráveis no meio de todo este caos. No entanto, fica a intenção e a expectativa de num próximo registo melhorarem esta fórmula, que mostra imenso potencial como é atestado em «The Venom Inside», «The Disappearing Sun» e em «Impending Doom». 7/10
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THE PROPHECY - «INTO THE LIGHT»
Os doomsters britânicos The Prophecy estão de regresso com o terceiro álbum que, por sinal, se afigura como o mais intenso e pesado trabalho da sua carreira. «Into the Light» mostra uns The Prophecy com vontade de alargar território sonoro, incluindo tanto passagens dignas de álbuns de Katatonia e Opeth. No entanto, a grande influência continua a ser My Dying Bride, nome indissociável do conjunto inglês, não só pela nacionalidade como pelo apadrinhamento de membros e ex-membros dos MDB. À parte desta conotação, que diga-se acaba por ser injusta, os The Prophecy demonstram atributos suficientes para desenvolverem um culto à sua volta, seja na dinâmica voz de Matt Lawson ou nas guitarras de Greg O'Shea, qualidades que podem, por exemplo, ser escutadas em «Belief Means Nothing». Um álbum que dá continuidade ao trabalho desenvolvido em «Ashes» e «Revelations» e que projecta os The Prophecy para a segunda linha do doom/death mundial. 7,3/10
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PITCH BLACK - «HATE DIVISION»
De todos os álbuns nacionais que tive o prazer de ouvir este ano, «Hate Division» dos Pitch Black foi aquele menos me entusiasmou. Isto porque apesar de estarmos perante um projecto competente, que ao vivo é das melhores bandas que temos, o álbum peca por não possuir momentos de transcendência, ao contrário de outros projectos que lançaram discos medianos, mas que ocasionalmente mostraram vontade de surpreender. O mal maior de «Hate Division» está na falta de ambição; na falta de vontade de pegarem no crossover que praticam e criar algo de diferente, que não remonte única e exclusivamente a Hatebreed ou a thrash germânico. 5/10
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Thursday, April 23, 2009
CANDLEMASS - «DEATH MAGIC DOOM»
Este é já o terceiro álbum dos Candlemass desde 2005, altura em que o grupo sueco regressou à actividade em full-time, com o line-up que tinha perdido desde do registo de 1989 («Tales of Creation»). Nesta ressurreição, de onde resultou o excelente «Candlemass», o vocalista Messiah Marcolin apresentava-se numa forma invejável, talvez por isso seja credível a justificação do líder Leif Edling quando afirmou que o frontman fora despedido por causa da sua difícil personalidade. Para o lugar veio o vocalista dos Solitude Aeturnus, Robert Lowe, que após a edição de «King of the Grey Islands» (2007) quase ninguém ousou contestar, tal o brilhantismo do frontman norte-americano. Ora, em «Death Magic Doom», ninguém contesta o trabalho do vocalista mas, segundo Leif Edling, este é o melhor disco dos Candlemass desde do «Tales of Creation» (álbum que encerrou a fase clássica dos Candlemass) e, perante uma afirmação destas, as expectativas aumentam consideravelmente. É verdade que as opiniões são subjectivas, mas penso que o baixista e mentor dos Candlemass deveria ser um pouco mais perspicaz na sua qualificação deste novo esforço, porque apesar de ser um óptimo disco, não ombreia sequer com o homónimo de 2005, quanto mais com qualquer um dos quatro primeiros álbuns. Uma coisa é certa, «Death Magic Doom» é melhor do que o seu antecessor, que por sinal, até foi um grande álbum. Tudo começa da melhor maneira: artwork simples mas eficaz, as quatro primeiras canções são realmente de antologia («The Bleeding Baroness» está ao nível de um «Well of Souls»), mas a segunda parte do disco não se afigura tão boa como a primeira, com excepção feita a «Clouds of Dementia». Um álbum de Candlemass apresenta no final de contas mais personalidade do que 90% das bandas novas que se editam na actualidade e isso vai valendo alguma coisa para o grupo sueco, que parece no entanto, mas apostado em ir picando o ponto, do que inovar o seu som. Mas afinal, desde quando os Candlemass foram sinónimo de inovação? «Death Magic Doom» é provavelmente o apogeu do doom clássico de 2009 e isso chega! 8,5/10
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THEE ORAKLE - «METAPHORTIME»
É de facto impressionante a evolução dos Thee Orakle do EP «Secret» para este «Metaphortime». Estamos perante uma banda que sabe muito bem o que quer fazer, movendo-se dentro de uma sonoridade de difícil ruptura com os moldes impostos. Falo de um death melódico com toques de progressivo, como fazem por exemplo os Opeth. No entanto, é aqui que os Thee Orakle traçam a sua marca territorial, ao acrescentar doses refrescantes de gothic-metal como pode ser atestado na brilhante «Unexpectable Conformity», onde as prestações de Pedro Silva e Micaela Cardoso são nada menos do que espantosas. De realçar igualmente o riquíssimo trabalho de guitarras (em «Ghost Memories») e a poderosa secção rítmica constituída por Daniel Almeida (Baixo) e Frederico Lopes (Bateria), em por exemplo, «Never-Ending Dilemma». Em suma, um passo de gigante em relação à estreia, permite depositar grandes esperanças nos Thee Orakle e, perante tamanha demonstração de classe, é quase impossível não o fazer. 8,5/10
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BLUT AUS NORD - «MEMORIA VESTUTA II: DIALOGUE WITH THE STARS»
É agradável ver os Blut Aus Nord de regresso às suas raízes, sendo que este regresso, é mais um olhar o passado com a personalidade entretanto adquirida nos estranhos «MoRT» e «Odinist». O melhor deste álbum acaba por ser precisamente essa perspectiva sobre o futuro da banda e não tanto o álbum em si. Ou seja, os Blut Aus Nord são nesta altura uma proposta bastante válida por equilibrarem o seu black-metal melódico com uma postura avantgarde, proporcionando o melhor dos dois mundos. Mas parece-me que este «Memoria Vestuta II: Dialogue with the Stars» pode ser melhorado, desde logo no que toca à concisão das músicas, que muitas vezes dispersam e não levam a lado nenhum. Uma boa proposta para quem gosta de black-metal que não se limite a blastbeats. 7,2/10
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UNBRIDLED - «DEATHCORE GLAMOUR»
Sem preconceitos, os Unbridled apresentam-se com uma banda de deathcore, estilo que está actualmente bastante popular, com vários projectos a serem editados praticamente todos os dias. No entanto podemos até afirmar que os Unbridled em nada ficam atrás de uns Job For a Cowboy, equilibrando bem velocidade e peso, afigurando-se como uma bela proposta para as editoras que procuram nesta altura um projecto do género. Com uma grande margem de progressão (a produção podia estar um pouco melhor e a desnecessária a colagem imagética aos JFAC), os Unbridled podem, com a corrente do deathcore internacional, ambicionar a maiores voos. 6,8/10
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Sunday, April 19, 2009
KYLESA - «STATIC TENSIONS»
«Static Tensions» representa uma enorme evolução dos Kylesa desde do anterior «Time Will Fuse Its Worth», onde a banda norte-americana parecia prepara-se para dar um grande passo em direcção a paragens mais ambiciosas. Ambição é de facto uma das palavras que vem à cabeça durante a audição deste coeso disco, que se assemelha a um rio cuja fluência é intensa e natural. Desde do break de bateria que inicia o disco em «Scapegoat» até «To Walk Alone», temos a sensação de estarmos a ouvir uma única música, com óptimos apontamentos, nomeadamente em «Unknown Awareness» e «Only One». O temas do álbum ligam-se por uma espécie de cordão umbilical onde o sludge assume uma vertente dinâmica, incorporada por toques de stoner «Running Red» e de rock sujo em «Scapegoat». Porém ainda falta um toque de essencial sensibilidade nos refrões, que pecam por dificuldade de assimilação. Residem assim nos Kylesa a esperança de uma futura e quase certa afirmação, que os coloque ao nível de uns Mastodon. Potencial, com certeza, não lhes falta. 8/10
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ELUVEITIE - «EVOCATION I: THE ARCANE DOMINION»
Se o ano terminasse agora, creio que os Eluveitie com esta magnifica gema, ficariam sem problemas no top 10 cá do burgo. Isto porque poucos álbuns até agora rodaram aqui tantas vezes como «Evocation I: The Arcane Dominion». Trata-se de um verdadeiro deleite ouvir estes 15 temas, que passam num abrir e fechar de olhos, tão variados quanto possível, mas sem que percam a noção do seu todo e propósito. Propósito esse que passa por compôr malhas de folk-metal tão em vôga estes dias. Mas entre tantos projectos insípidos que proliferam na actual cena metaleira, os Eluveitie soam largamente superiores aos seus pares, imbuíndo o folk e o metal em estruturas catchy e instrumentais geniais como «Within the Grove», «Gobanno» e o fantástico «Memento». Nos temas “normais“, destaque para a dançável «Brictom», para a pesada «The Arcane Dominion» e para a dinâmica «Omnos». Não é um projecto ultra-original, mas suplanta a maior parte dos lançamentos de metal da actualidade. 9/10THE AGONIST - «LULLABIES FOR THE DORMANT MIND»
«Lullabies for the Dormant Mind » é o segundo longa duração dos The Agonist, mal-amada banda que depois da desgraça sonora que foi «Once Only Imagined» ninguém acreditava voltar a editar um disco. Neste primeiro lançamento a banda canadiana misturava tudo o que lhe vinha a cabeça e tentava fazer algo parecido com música. Salvava-se a capacidade técnica dos músicos envolvidos e da vocalista Alissa White-Gluz cujos dotes vocais impressionavam pela positiva. Ora, «Lullabies for the Dormant Mind» materializa esse potencial, atenuando a tal incapacidade do grupo em compôr bons refrões. Tal pode ser atestado em «The Sentient» e na magnifica «Birds Elope from the Sun», mas fica a sensação de que os The Agonist ainda não sabem bem para onde virar-se: se para o lado mais comercial (como fizeram os seus companheiros de editora In This Moment), ou se abraçam as sonoridades mais extremas do deathcore e black metal. Verdade seja dita, apesar da múltipla personalidade que reina nos The Agonist, é também esta versatilidade que acaba por dar-lhes algum carácter e de pô-los na boca do povo. Numa altura em cada vez mais falta carisma às bandas, haja quem teime em ser pluralista. 7,5/10
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BURIED INSIDE - «SPOILS OF FAILURE»
É impossível não notar a mudança que os Buried Inside operaram internamente depois do álbum anterior «Chronoclast», onde a banda optava por um grind core e sludge metal, com algumas passagens de post-metal que incutiam à sua sonoridade alguma dinâmica, estando no entanto longe de constituir algo de verdadeiramente novo e entusiasmante. Em «Spoils of Failure» a costela post-metal assume o comando relegando a velocidade para Segundo plano, sendo praticamente inexistente neste álbum. Será discutível a decisão, tanto mais que «Spoils of Failure» apenas a espaços convence de que a atitude foi a mais correcta. Talvez a faixa «VI» seja a que demonstra mais vontade em construír algo de novo, porque de resto é post-metal tão genérico quanto possível. 6/10
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GNAW - «THIS FACE»
Tem-se tornado trend fazer música quase inaudível, que recorre a vocais super-raivosos e a quantidades astronómicas de feedback para tentar criar algo de inovador. Há bandas que efectivamente conseguem inovar como os Burning Witch ou os Khanate, mas a maioria ficasse apenas pela tentativa. Os Halo são um bom exemplo de exagero. Os Gnaw seguem esta tendência puxando tanto quanto possível os limites desta equação, produzindo um dos mais “feios” discos alguma vez gravados. Basta dizer que, ao pé disto, um disco dos Shining é uma coisa alegre, aliás, experimentem ouvir a «Talking Mirrors» e esboçar um único sorriso que seja. «This Face» é uma viagem por música tortuosa feita com pés e cabeça, onde a voz de Alan Dubin (também vocalista dos Khanate) faz de host e a bateria de Jamie Sykes (também dos Burning Witch) marca o ritmo lúgubre compassado a que a mesma é feita. Um álbum dificil, mas que merece a pena ser ouvido e apreciado, porque pode estar aqui um disco referência para gerações vindouras. 8/10LION'S SHARE - «DARK HOURS»
Com a crescente popularidade dos géneros metal core, death core, sludge e post metal, é regra que outros géneros deixem de ser trend e passem por uma fase de dormência, até surgirem projectos que os revitalizem. Ora, excepção feita a uma ou outra banda que vai sobrevivendo à menos boa fase do power-metal, a verdade é que este estilo já teve melhores dias e, quando os Hammerfall admitem que atravessam um período desse género, algo não vai definitivamente bem no metal melódico. Mas é verdade também que com uma crescente legião de admiradores, o metal consegue nesta altura proporcionar a praticamente todas as facções algumas estabilidade de aceitação e vendas. Em suma, já não se trata tanto de trends, mas antes do número inicial de seguidores que uma banda conseguir captar, sendo que desses seguidores, grande parte continuará a consumir tudo que a banda lançar e são esses que ainda aparecem nos concertos.É uma longa introdução para os Lion’s Share, de facto. Mas serve para situar uma banda cuja base de fãs oscila entre o trend e precisamente aqueles que quando a banda lança algo, rapidamente se lembram da existência do grupo e apoiam-nos, ainda que, sejam em número pequeno. Ou seja, não ouvimos muita gente a dizer: “Epá, tá quase a saír o novo dos Lion’s Share!”. São mais uma banda de ocasião. Num cenário ideal, um álbum como «Dark Hours» andaria na boca do povo, mesmo que o que façam nem seja nada de espectacularmente novo. Trata-se de um power-metal musculado, como os Judas Priest faziam por alturas do «Painkiller», com o acréscimo de o fazerem, primeiro: com um line-up impressionante, segundo: com uma qualidade muito acima da média. Cliquem sobre o nome da banda e certifiquem-se vocês mesmos. 8,5/10
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SARKE - «VORUNAH»
Projecto de Sarke (Khold) e de Nocturno Culto (Darkthrone), Sarke é a tentativa de transportar para o black-metal nórdico algumas das suas mais básicas raízes, nomeadamente o punk dos anos 70, thrash e black-metal da 1ª vaga. Quero com isto dizer que em «Vorunah» tanto é possível ouvir temas que facilmente entrariam nos últimos trabalhos de Darkthrone, que vão buscar influência a Sex Pistols, The Clash, Dead Kennedys e Black Flag como autênticos tributos a Venom, Sodom, Celtic Frost e Bathory. Não é um disco de referência ou obrigatório, mas tem alguns momentos dignos de aquisição, como «Primitive Killings», «The Drunken Priest» e «Old». 6,9/10Thursday, April 16, 2009
COBALT - «GIN»
«Eater of Birds» editado em 2007 já havia sido o prenúncio do que agora de materializa em «Gin»: black-metal experimental de altissima qualidade. É verdade que a banda recolheu esses louros cedo de mais, sendo essa uma das problemáticas da música actual: na ânsia de se encontrar o next big thing, atribui-se depressa demais o rótulo de clássicos a certos discos e mais tarde, tudo o que esses músicos possam fazer pode invariavelmente sofrer com as elevadas expectativas neles depositadas. Agora... há bandas que vivem melhor com esta pressão (se é que para os Cobalt ela exista), e uma delas é precisamente este duo norte-americano, que grava aqui um monstruoso álbum. Salta logo à vista a longa duração das faixas, excepção feita aos interlúdios e a «Starved Horror» que encerra o disco. O que «Gin» tem de especial é a capacidade de nos surpreender a cada segundo que passa, mantendo o ouvinte bem atento e claro, elevando a fasquia a cada faixa. Seja no deleite ritmico de «Stomach» ou na agressividade de «Gin», encontramos sempre algo cativante e de hipnotizante, cúmulo disso são «Dry Body» e «Pregnant Insect». Um disco que começa como black-metal, mas acaba traduzido em arte. 10/10LACUNA COIL - «SHALLOW LIFE»
Ao ouvir este «Shallow Life» parece-me que os italianos afastaram-se definitivamente do trilho do metal, entrando agora numa sonoridade que se aproxima de uma qualquer banda de rock apostada em temas simples com refrões orelhudos. «Shallow Life» é todo um conjunto de músicas que imploram MTV com tal descaramento, que chega a ser constrangedor. No entanto ainda vai subsistindo algum peso como em «Survive», «Underdog» e «The Maze». Por outro lado os Lacuna Coil não se furtam a alguma colagens como em «I’m Not Afraid» onde a música copia uns Linkin Park, com Cristina Scabbia a ripar o cântico da «Smack My Bitch Up» dos Prodigy na secção intermediária, em «Wide Awake» onde há um cheirinho a The Cardigans e em «I Won‘t Tell You» que explica o fascínio da banda italiana pelos Depeche Mode. Em «Like It» fica a sensação de que se trata de uma música dos Abba e o único solo interessante que se ouve durante todo o disco está precisamente no single «Spellbound», de resto uma das canções mais mexidas do álbum. Algo recorrente é o decréscimo de importância de Andrea Ferro que quando aparece deixa a sensação que deveria ser muito mais aproveitado, como em «The Maze». Analisando friamente, não se trata de um álbum desagradável, mas antes de um disco com objectivos comerciais muito bem definidos. O problema é que os Lacuna Coil têm um passado demasido ligado ao metal para que se possa ignorar a transformação operada pela banda. 5/10
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THE GATHERING - «THE WEST POLE»
Depois da inesperada saída de Anneke van Giersbergen, os The Gathering gravam o primeiro álbum com Silje Wergeland, também vocalista dos Octavia Sperati. Trata-se de um legado difícil, semelhante aquele a que Anette Olzon se submeteu quando substituiu Tarja Turunen nos Nightwish. «The West Pole» acaba por parecer um álbum escrito para a voz de Anneke, mas que Silje interpreta, notando-se ainda alguma estranheza desde logo no single «Treasures», mas também naquela que é provavelmente a mais intensa composição do disco e que lhe dá título. «The West Pole» não aquece nem arrefece a carreira dos The Gathering que são nesta altura mais uma banda de alternativo do que uma banda de metal. 6/10
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GOD DETHRONED - «PASSIONDALE»
Passeando-se entre o death e o black-metal os holandeses God Dethroned conseguiram sensivelmente a partir do «Into the Lungs of Hell» estabelecer uma identidade muito própria, que lhes vai valendo reconhecimento e críticas positivas, álbum após álbum. Com «Passiondale», que tudo indica é um álbum conceptual, (o primeiro da banda) este cenário não parece que se vá alterar. Neste 7º álbum, a questão acaba por ser precisamente essa: estamos perante temas de death black metal bem feitinhos, mas que no fim dos seus 38 minutos, sabem a muito pouco. De realce a brutal sequência «No Survivors», «Behind Enemy Lines» e «Fallen Empires», a ensinar potenciais músicos do género como escrever boas malhas cheias de peso, sem descurar a melodia. 7/10
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BRUTAL TRUTH - «EVOLUTION THROUGH REVOLUTION»
O aguardado regresso dos Brutal Truth às hostilidades vem acompanhado de uma certa decepção, não por motivos de ordem sonora, mas pela incapacidade que a lendária banda teve em fazer juz o seu passado. «Evolution Through Revolution» não revoluciona absolutamente nada, quer na identidade da banda, quer no movimento death/grind em que o grupo norte-americano se insere. Existem somente algumas (poucas) ideias que poder-se-iam ter aproveitado de forma mais eficaz, como em «Turmoil», «Afterworld» e «Lifer». Um disco decepcionante. 5/10
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THE RANSACK - «VORTEX»
É certo que «Vortex» já saiu em Fevereiro, mas nunca é tarde para apreciar um disco tão interessante como este. Trata-se do terceiro lançamento dos The Ransack (contando o EP «Necropolis» e o full-length «Azrael»), e provavelmente melhor esforço do grupo até à data. O que se nota desde logo é a coesão do disco, extremamente homogénio com culpas atribuídas não só às claras capacidade musicais do quarteto, mas também à produção de Daniel Cardoso nos Ultrasound Studios. Segunda nota para a qualidade individual dos temas que mesmo não disfarçando as suas mais óbvias influências (Behemoth, Hypocrisy e Vader à cabeça), destacam-se por pormenores decisivos como nos refrões, nos solos e até nos padrões de bateria. Terceira e última nota para as participações de Rui Duarte dos Ramp na favorita «The Plague», de Bete dos Necris Dust em «Play me When I’m Dead», de Bárbara Carvalho dos Godog em «Eternal» e de Pedro Mendes em «Blizzard». Em suma, mais um bom álbum nacional editado em 2009 numa lista que já vai longa. 7,5/10
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TOMBS - «WINTER HOURS»
Os Tombs apostam numa receita que já se começa a tornar popular: misturar black-metal com qualquer outra coisa, que permita à banda fugir à fórmula sonora, lírica e imagética limitada daquele género musical. Neste caso os Tombs até são uma das bandas mas eficazes nesse capítulo, reduzindo o black-metal a esporádicos blast beats e a algumas vocalizações próprias do estilo. O restante deambula entre algum sludge, doom e post-metal, em alguns casos em up-tempos adornados pela voz limpa e poderosa de Mike Hill. Um bom disco que sofre apenas da falta de alguma objectividade. 6/10
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Wednesday, April 08, 2009
PRIEST FEAST - PAVILHÃO ATLÂNTICO 17.03.09
Foi uma noite para relembrar, a que se viveu a 17 de Março em Lisboa no PA, recinto já célebre pela acústica mediocre, que quase consegue arruinar espectáculos. Mas nunca chegaria para estragar o ambiente de pura celebração no PA, com a presença de três monstros sagrados do metal: Testament, Megadeth e Judas Priest. Consta que estiveram cerca de 8.000 pessoas no concerto, o que até é um número simpático, tendo em conta que o concerto se deu a um dia de semana. Com os Testament, deram-se as primeiras manifestações de euforia. O grupo trazia na bagagem o recente «The Formation of Damnation» mas teve pouco tempo para mostrar o que realmente vale. Nota para Chuck Billy em grande forma e para o brutal baterista que é Paul Bostaph (7). Os Megadeth por seu lado tentaram equilibrar o set com temas mais antigos e outros mais recentes, com os riscos que acarreta tal decisão. Assim, ouviram-se temas como «Hangar 18» e «Peace Sells» ao lado de «Sleepwalker» e «She-Wolf» . «Holy Wars» fechou com chave de ouro e Dave Mustaine foi interventivo quanto baste para ter o público na sua mão (8). Os Judas Priest fizeram uma actuação competente sem ser vistosa, nota-se que a banda sabe bem do seu oficio, não se desgastando em malabarismos baratos ou tentativas de impressionar alguém. Talvez por isso, tenha dado a sensação de que estiveram algo estáticos durante quase todo o concerto. «Prophecy» do ultimo álbum «Nostradamus», iniciou o espectáculo com muito heavy metal e algum exagerar do público, nomeadamente durante a «Angel» em que em total contraste com a cadência musical, alguns iluminados teimavam em fazer crowd surfing. No oposto a magistral «Painkiller» foi sinónimo de pura devastação e «Rock Hard, Ride Free» um mimo para os ouvidos saudosistas (8). Em suma, foi um bom concerto de uma mítica banda, acompanhada de convidados de luxo. Pena as bancadas do PA estivessem algo despidas.Megadeth - «Symphony of Destruction» by pepipee
Testament - «More Than Meets the Eye» by ShArK85pt
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Tuesday, April 07, 2009
PESTILENCE - «RESURRECTION MACABRE»
Basta dar uma espreitadela pela página do metal archives para perceber porque razão o novo álbum dos Pestilence soa tão fresco e brutal, como se a banda nunca tivesse deixado de tocar junta. A resposta, adianto já, está na variedade de projectos em que os elementos actuais e antigos se vêm envolvidos, mantendo assim a criatividade e perícia sempre no pico.É claro que não se trata de um álbum ultra genial ou diferente, mas revela um conjunto de músicos que não se limitou a recuperar o nome da banda para um capitalizar fácil de sucessos antigos. «Resurrection Macabre» mostra uma fidelidade ao underground ao ponto de intensificar aquilo que faziam por alturas de «Spheres» em 1993, para tornar os Pestilence numa pujante banda de death metal sujo e agressivo com laivos de thrash e e algum progressivismo disfarçado digno de uns Atheist ou Cynic. Contudo é nos temas mais directos como «Devouring Frenzy» (inicio de antologia), «Hate Suicide» (a melhor do álbum) e no frenético tema título que os Pestilence atingem o perfeito equilibrio entre old-school e new-school com rasgos de absoluto génio. Se todos os regressos fossem assim, hajam suficientes passadeiras vermelhas, porque quem sabe, parece de facto, nunca esquecer. 8,3/10
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RAMP - «VISIONS»
Apesar do package de «Visions» ser bastante pobrezinho, quando comparado a «Nude», a verdade é que musicalmente o grupo do Seixal gravou um conjunto de músicas bastante eficaz, que deverão funcionar bem ao vivo. O destaque deste «Visions» está na diversidade dos temas, onde podemos encontrar algum metal moderno em «Blind Enchantement» e «Follow You», músicas apostadas no poder de refrões catchy em «Single Lines» e «Amnesia» e ainda canções mais soft a pedir airplay nas rádios mais comerciais («Dusk» e «Tragic Blows»). Se esta diversidade poderia resultar num álbum bem desconexo, a mão do experiente produtor Daniel Bergstrand inverte esta tendência, dotando «Visions» de uma homogeniedade impressionante. Sem ser uma obra prima ou promotor de uma revolução na “instituição” que são os Ramp, «Visions» fica bem na discografia do grupo não parecendo uma obra deslocada. Só esperamos é que não demorem outros 6 anos a lançar um novo full-length. 8/10AMESOEURS - «AMESOEURS»
Não sendo propriamente uma banda com grande background, os franceses Amesoeurs acharam por bem finalizar a sua carreira, presenteando a sua base de fãs, com um último registo de originais, oportunamente auto-intitulado. Para quem conhecer a banda de perto, este disco será apenas o consumar de um potencial já audível no EP «Ruines Humaines» de 2006. Black metal avantgarde, com remniscências daquilo a que se convencionou chamar post-metal, é resumidamente o que os Amesouers têm para oferecer, ainda que se possa encontrar algum shoegaze pelo meio. Perde-se precocemente uma banda com grande margem de progressão, embora saibamos de antemão que, exceptuando o guitarrista Fursy Teyssier, todos os elementos pertencem aos Peste Noire, outra das grandes preciosidades do metal francês. 8/10
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