
O vosso escriba faz 29 anos. São 21 de música desde que aos 8 descobri o canadiano Bryan Adams com o célebre «Run to You», o primeiro vinil que comprei. É lógico que o gosto pela música nesta altura resumia-se a algo que o psicólogo e cientista norte-americano Steven Fincher descreve como "um cheesecake auditivo" ou seja, um interruptor que se limita a excitar o cótex auditivo, levando a uma reacção exclusivamente motora, cujos efeitos se prolongam por tempo indeterminado provocando as sensações de alegria e satisfação que à música estão associadas.
Mas, se inicialmente a música tinha um carácter hedonista e parasita, rapidamente deu lugar a uma procura racional por mais e melhor música.
Do Bryan Adams passei aos Europe e dos Europe para os Led Zeppelin e Deep Purple. Com uma K7 emprestada à minha irmã por um colega de escola, introduziu-me Guns n' Roses, Alice Cooper, Mercyful Fate (que de inicio detestei!) e Skid Row. Mas o grande breakthrough deu-se ainda em 1988, com os Metallica e aquela que ainda considero a sua melhor composição: «One».
O mote estava dado e a partir daí o vício estava instalado.
O programa do Freitas era uma referência e onde descobri Whiplash, Anathema e Motörhead. Os Megadeth entraram na minha vida através do Top + com os brilhantes acordes de «Symphony of Destruction». Os Morbid Angel e os Slayer com uma tardia audição por culpa do Paulo (R.I.P.) com «Reign in Blood» e «Altars of Madness» fizeram-me acordar para a agressividade e para o black metal nórdico que despontava na Noruega e Suécia. Os Mayhem mudaram, com «De Mysteriis Dom Sathanas», a minha forma de olhar a música e o mesmo aconteceu (talvez mais preponderantes na minha formação como individuo) com o perfeito «Turn Loose the Swans» dos doomsters My Dying Bride. Ainda me lembro de ouvir e ver os Ramp na TV com o «Last Child» e dos Moonspell arcaicos (Morbid God) que o meu pequeno grupo de metaleiros chamava de Morbid Bode!! O respeito veio com o «Wolfheart».
Com tudo isto, apenas lamento que o metal em Portugal ainda não tenha um nível de auto-sustentabilidade que permita a quem queira viver do metal, fazê-lo sem recurso a part-times em supermercados e call-centers. Temos potencial para isso! Basta relembrar quantas pessoas estiveram numa terça-feira no Pavilhão Atlântico para o Priest Feast ou a romaria aos cinemas para o documentário do Iron Maiden que esgotou salas em todo o país ao mesmo tempo e que levou inclusivamente a segundas projecções. Gosto de acreditar que é possível fazer do Metal uma indústria auto-sustentável que lhe permitiria evoluír criando novos adeptos, mais músicos, mais bandas, mais cds, mais merch, mais concertos e festivais e em suma um maior movimento.
Enfim, poderia estar aqui uma tarde a descrever aventuras e desventuras, descobertas e momentos marcantes, mas em dia de aniversário, não vou estar na net mais do que o estritamente necessário, até porque o telemóvel não me tem dado descanso. Obrigado a todos os que acedem ao Event Horizon, são já praticamente 4 anos de existência, que mesmo mantendo um nível ultra-underground e restrito (adorava ter um site a sério, com entrevistas em vídeo etc...), espero mantê-lo durante muitos mais anos. Em baixo um pequeno profile.
Stay metal!
Support the cause!
Paulo Figueiredo
Bandas mais marcantes: Metallica e Mayhem
Músicas mais marcantes: «Run to You» Bryan Adams e «One» Metallica
Concertos: Aenima do Planetário de Lisboa, Motörhead no Coliseu e Metallica no Restelo
Primeira t-shirt: two skulls dos Metallica
Primeiros discos: «Run to You» Bryan Adams e «The Final Countdown» Europe
Poster: Capa do «Powerslave» dos Iron Maiden
Capas de disco: «...And Justice for All» Metallica e «Lateralus» dos Tool
Momentos marcantes: Comprar o single to Bryan Adams na loja de discos em Loures (hoje é uma loja do chinês). Ouvir na rádio o «One» dos Metallica. Ficar arrasado com a bateria do Dave Lombardo na «Angel of Death» e o riff inicial do «Raining Blood». A saudável depressão do «Turn Loose the Swans» e mais tarde dos Candlemass e Morgion. Katembe e cerveja ao som do «Pleasure to Kill» dos Kreator. Lágrimas por Quorthon. Os fabulosos Aenima no Planetário de Lisboa. Metallica no Restelo. O nihilismo e o álcoolismo juvenil na «Life Eternal» dos Mayhem. A feira da ladra e a Carbono na Portugália.
Música que hoje não vai faltar: «Black God» My Dying Bride, «Evidence» Katatonia e «One» Metallica