Friday, May 29, 2009

AS MELHORES CAPAS DO METAL

O artwork num disco é a sua alma visual. Faz-nos percorrer um imaginário que, em conjunto com a música e letras, nos transportam para uma realidade diferente. Para uma construção de realidade que nos é dada pelos músicos. Neste sentido, fomos em busca das melhores capas do Metal. Aquelas que marcaram estilos e épocas, aquelas que por motivos de estética aliada à qualidade musical elevaram aquele particular disco a outra dimensão. Sem demoras, aqui ficam as nossas escolhas:





CAGE - «SCIENCE OF ANNIHILATION»

É um regresso em força este álbum dos Cage, com aquele que é provavelmente o melhor registo da banda norte-americana até à data. «Science of Annihilation» apresenta mais consistência, maior agressividade e grandes hinos de heavy metal. A começar por «Planet Crusher» muito Judas Priest, mas extremamente efectivo. Seguem-se «Scarlet Witch» e «Spirit of Vengeance», dois temas ultra viciantes com Sean Peck num registo arrepiante e extremamente versátil. Versatilidade é algo que não falta num álbum em que se podem ouvir as mais variadas infuências, desde Cradle of Filth numa pequena mid-section em «Black River Falls» e Iced Earth em «Operation Overlord». É também possível vislumbrar Tom Araya no tema título. O tema título é o momento mais épico do disco e demonstra que os Cage também sabem compôr riffs progressivos. O melhor momento de «Science of Annihilation» acaba por ser um dos temas menos agressivos do álbum, com «Stranger in Black», que acreditem, irão ouvi-lo em loop durante muito tempo. Em suma, «Science of Annihilation» é como uma mistura da agressividade pura de «Darker Than Black» e os riffs bélicos e cadenciados que compunham grande parte de «Hell Destroyer». Sem dúvida, um dos discos do ano. 9/10

MEN EATER - «VENDAVAL»

Poucas bandas nacionais podem orgulhar-se de originar tanto falatório como os Men Eater. Falando-se bem ou mal, o que é certo é que a banda lisboeta prossegue o seu rumo, presenteando-nos com mais uma bela proposta de post-rock/metal, desta vez afastando-se da sua principal referência, os Mastodon. Esta é a grande novidade de «Vendaval», que desenvolve aquilo a que se pode chamar de sonoridade Men Eater que, mesmo nunca perdendo de vista as suas raízes, evoluí para algo único e cheio de personalidade. Aliás, «Heartbeating Locomotiva» e «Man Hates Space», as primeiras faixas depois da intro «First Season», demonstram bem a atitude no compromisse dos Men Eater. O único problema de «Vendaval» acaba por ser uma ideia que paira após a sua audição: a de que isto parece mais um meio-termo entre «Hellstone» e algo que ainda está para vir. Um feeling de work in progress, atestado pela certeza de que os Men Eater ainda têm muitos trunfos para jogar. 7,5/10

AVA INFERI - «BLOOD OF BACCHUS»

Se a estreia dos Ava Inferi deixou muita gente a perguntar porque raio tinha Carmen saído dos Aenima, já o sucessor «The Silhouette» apontava para um caminho bem definido, antevendo a maturidade agora proposta por «Blood of Bacchus». Neste terceiro capítulo, os Ava Inferi soam mais consistentes e com composições excelentes como «Appeler Les Loups» e «Be Damned».
«Blood of Bacchus» vem enfim, confirmar os Ava Inferi como um dos projectos mais interessantes da actualidade a utilizar uma voz feminina no metal de cariz mais melancólico. 7,7/10

Saturday, May 16, 2009

1349 - «REVELATIONS OF THE BLACK FLAME»

Acredito que este álbum vai espantar meio-mundo, mas também que esse meio-mundo e o outro, vão acabar por dar o devido valor à aventura que os black-metallers 1349 empreenderam. Esqueçam os três anteriores álbuns da banda, porque em «Revelations of the Black Flame» raramente somos transportados para a sonoridade de um «Liberation» ou de um «Beyond the Apocalypse». Já vos oiço perguntar: “Fosgasse, mas está assim tão diferente?”
Assim que «Invocation» começa a tocar somos fustigados por uma berraria de meter medo ao susto. Experimentem ouvi-la à noite sem qualquer ruído de fundo a atrapalhar e reparem nos brilhantes pormenores dessa introdução. Sensivelmente a partir dos 3:30 reconhecemos os tais 1349 dos anteriores álbuns, embora os 6:17 que a compõem sejam percorridos em velocidades maioritariamente lentas, sentimento que se prolonga por «Serpentine Sibilance, mas com maior intensidade ritmica. A partir de «Horns» as coisas mudam de figura e a sonoridade que parecia apenas destinada a abrir o disco, revela-se a opção musical de quase todo o álbum, excepções feitas a «Serpentine Sibilance» e «Maggot Fetus… Teeth Like Horns». Porém, creio que é precisamente nas faixas mais dark ambient que os 1349 conseguem ser mais efectivos. Por exemplo, na brutal «Uncreation», em «Set the Controls for the Heart of the Sun» e «At the Gate…». O problema de um disco assim tão variado acaba por ser a desconexão entre os temas que pode fazer dispersar o ouvinte, nomeadamente durante os interlúdios «Horns», «Misanthropy» e «Solitude» que, não sendo composições muito dinâmicas (assumem apenas o papel de criar ambiente), acabam por motivar um ou outro fast forward. Ainda assim, se considerarmos o todo, «Revelations of the Black Flame» é um disco bastante forte que, juntamente com os álbuns de Cobalt e Funeral Mist, compõe para já o trio de black metal incontornável para 2009. 8,5/10

ANATHEMA - INCRÍVEL ALMADENSE 05.05.2009

Nos dias que correm cada vez é mais dificil uma banda impressionar o seu público. Resultado dos inúmeros concertos, e da cada vez maior distância entre banda e fãs, preferindo estes últimos passar concertos inteiros de telemóvel ou máquina fotográfica em riste para registar o momento. É óbvio que não há nada de mal com tirar fotos ou gravar uma música, aliás considero-o bastante positivo, ao ponto de ter começado a incluir vídeos do You Tube nas reportagens aos concertos. O problema é que se perde a simbiose público/banda, que em Portugal sempre deu tão bons resultados. Por isso, foi com agrado que assisti ao concerto dos Anathema no Incrível Almadense no dia 5 de Maio, onde a interacção entre ambos foi sublime, com momentos de intensidade invulgares, principalmente na canção «One Last Goodbye», como pode ser atestado no vídeo em baixo. Os Anathema apresentaram, por entre um set list que abrangeu praticamente toda a sua carreira, músicas do novo álbum «Horizons», a saír em Setembro, nomeadamente “Angels Walk Among Us”, “A Simple Mistake” e “Hindsight”. Em suma, foi um concerto praticamente perfeito dos Anathema, que deixaram Almada com um profundo "obrigado" ao público português. Por momentos, parecia que tinha feito uma viagem no tempo até à época em que não haviam telemóveis nem máquinas fotográficas digitais (9/10).
Para abrir o concerto estiveram os Leafblade que recolheram alguma indiferença por parte do público (4/10), e os portugueses Oblique Rain que, talvez por jogarem em casa, tiveram direito a bem mais apoio, num set em que só falhou pelo som algo atabalhoado (5/10).

Anathema - «One Last Goodbye» por thisempty

NECROPHOBIC - «DEATH TO ALL»

Entidade respeitadíssima no seio do death/black metal, os Necrophobic são daqueles conjuntos que gravam álbuns com um considerável hiato, tendo em vista, a composição de um mais forte conjunto de temas para o álbum seguinte. «Death to All» destila mais uma vez um lote de boas canções sendo o momento mais interessante a épica «Revelation 666», um tema que conta com um riff meio thrasalhado, um solo de guitarra ao 2:50 muito bom e um outro bem esgalhado a partir dos 4:10. «La Satanisma Muerte» é daqueles temas de straight forward death/black que deverá agradar aos fãs do estilo e «For Those Who Stayed Satanic» é o que o título indica: um atestado de veemente mensagem anti-cristã espalhada por todo o álbum, mas particularmente vincada neste tema. «Death to All» é um trabalho mais homogéneo do que o anterior «Hrimthursum», mas também não possui nenhuma «Blinded by Light, Enlightened by Darkness» ou uma «Sitra Ahra». 7,8/10

BIZARRA LOCOMOTIVA - «ÁLBUM NEGRO»

Mesmo não sendo propriamente uns desconhecidos, considero que aos Bizarra Locomotiva falta ainda aquela parcela de notoriedade própria para uma banda que pauta pela excentricidade, parte integrante de um estilo musical personalizado, que varia entre o industrial e o metal. Ingredientes suficientes para se traduzirem num projecto de dimensões alargadas, não fossem as tais alergias que os mass media ainda têm relativamente aos estilos de música mais marginais, como precisamente o metal e o industrial. Aliás, gosto de comparar os Bizarra Locomotiva aos Blasted Mechanism. Ainda que musicalmente não tenham praticamente nada haver, os dois projectos conseguem aliar música e imagem, bem ao jeito de um ideal, digamos “britânico” de fazer música: um conceito audiovisual que consiga dar à banda uma maior exposição mediática. Enfim, teorias à parte, a música dos Bizarra Locomotiva varia, como já disse, entre o metal e o industrial, relembrando um pouco os Rammstein, entidade indissociável, quer pela abordagem ao som das guitarras, quer pela prestação vocal de Rui Sidónio (esporadicamente auxiliado por BJ). O resultado são 14 temas (incluindo 2 instrumentais), que dão grande ênfase ao poder dos refrões e a insanos efeitos sonoros, que perfazem um pesado e, perdoem-me o facilitismo, negro disco. De realçar a participação de Fernando Ribeiro no tema «O Anjo Exilado» que daria, na minha opinião, um excelente single. Finalmente gostaria ainda de salientar «Ergástulo», num momento mais doomy, mas que sublinha a versatilidade de um grupo que, apesar de não ser propriamente novato nestas andanças, demonstra enorme potencial para crescer muito mais. 8/10

BEFORE THE TORN - «BURYING SAINTS»

Este novo trabalho dos Before the Torn surpreende desde logo pelo belíssimo layout, aspecto a que as bandas portuguesas começam (felizmente) a prestar mais atenção. Com os primeiros acordes de «An Ocean of Pride», é rapidamente perceptível que o caminho que os Before the Torn traçaram não se alterou desde 2006. Metalcore tocado com garra e cheio de alma, coisa que costuma faltar aos inúmeros projectos do género que chegam ao Event Horizon todos os meses. Este é o principal trunfo da banda lisboeta, que movendo-se no terreno pantanoso que é o metalcore, consegue injectar bastante entusiasmo no seu som. Se são simpatizantes deste estilo musical, dêem um salto até à página do MySpace (link no nome da banda) e oiçam o álbum na íntegra. 7/10

Friday, May 15, 2009

THE LORD WEIRD SLOUGH FEG - «APE UPRISING!»

Liderados por um carismático Mike Scalzi, os Slough Feg são uma das poucas bandas que carregam a bandeira do heavy metal dos anos 80 desde o inicio dos anos 90, embora o primeiro full length só tenha surgido em 96 como o homónimo trabalho. «Ape Uprising» não difere muito daquilo que a banda norte americana tem lançado desde do inicio, aliás fizemos inclusive o exercício de ouvir a discografia da banda de seguida e apenas liricamente se pode dizer que mudaram alguma. Agora, será isso necessário mau? Neste caso, nem por isso. «Ape Uprising» é denso e cativante o suficiente para se manter em rodagem nas vossas aparelhagens ou ipods durante bastante tempo, porque de facto existem aqui inúmeros detalhes que merecem ser escutados. Nomeadamente na introdutória «The Hunchback of Notre Doom» onde os Slough Feg fazem uma esplêndida incursão pelo doom. Depois destaco a longa mas viciante «Ape Uprising» com um inicio quase tribal, seguido de um semi-bridge onde o riff principal é dos mais inspirados alguma vez escritos por Scalzi. Destaco também «Nasty Hero» uma faixa que relembra a fase inicial de Judas Priest e «Shakedown at The Six» que remete para os primeiros álbuns de Iron Maiden. Influências recorrentes durante quase todo o disco, mas que nunca assumem a totalidade daquilo que os Slough Feg são, isto é, apesar das influências estarem lá, estão precisamente para ser ouvidas, porque a banda assim quer, porque não negam as suas raízes. Isto acrescentado à boa música que compõem, meus amigos, é priceless. 10/10

ALESTORM - «BLACK SAILS AT MIDNIGHT»

Os Alestorm são um daqueles fenómenos de popularidade que ninguém sabe ao certo como é que acontecem, mas o que é certo, é que a banda escocesa mostra atributos musicais suficientes para que se lhes dê alguma atenção. A banda mistura eficazmente folk e power metal, tendo como pano de fundo os míticos piratas, mais concretamente, os filmes do «Piratas das Caraíbas» e fá-lo com alguma perícia musical, dotando as suas canções com refrões fortes e riffs cavalgantes. Em «Black Sails at Midnight», que aparece apenas um ano após a estreia com «Captain Morgan's Revenge», o grupo aumenta as doses de melodia por um lado, mas por outro não se esquece que é uma banda de heavy-metal, e acrescenta guitarras thrashadas em alguns temas. As primeiras canções são muito boas, com o single «Leviathan», um pujante «That Famous Ol' Spiced» e especialmente «Keelhauled». Mas o que acaba por fazer de «Black Sails At Midnight» um disco mediano, são os momentos menos bons que sucedem este inicio triunfal, nomeadamente as últimas faixas que são para encher chouriço. Para já o saldo continua a ser minimamente favorável, a ver vamos se os Alestorm conseguem suplantar esta imagem de hype que paira sobre eles. 6,5/10

OLD MAN'S CHILD - «SLAVES OF THE WORLD»

«Slaves of the World» marca o regresso de Galder ao seu projecto que, paulatinamente, tem vindo a lançar agradáveis discos de black metal melódico como «Born of the Flickering» e «In Defiance of Existence» dois dos mais aplaudidos registos da já considerável discografia dos Old Man's Child. No entanto, «Slaves of the World» carece de momentos altos, pauta quase sempre por uma fórmula musical já bastante gasta e sem trunfos para jogar. Um dos únicos momentos verdadeiramente interessantes é «The Crimson Meadows», mas relembra outros títulos nomeadamente da fase «In Defiance of Existence». Nota-se por vezes alguma preocupação de Galder em puxar as guitarras à frente e de não deixar os teclados dominarem as composições, mas quando os riffs não são grandes coisa, o resultado de enfoque nas guitarras nunca pode ser bom. Um bom exemplo disso é «Servants of Satan's Monastery» a faixa que encerra o disco. Apesar não ser de todo um disco fraco, falha em estar à altura de um legado repleto de boas propostas e inclusivamente chega a ser menos entusiasmante do que o menos conseguido registo até à data: «Revelation 666: The Curse of Damnation». 5/10

Tuesday, May 05, 2009

HEAVEN AND HELL - «THE DEVIL YOU KNOW»

Assim que os Heaven and Hell resolveram entrar em cena com um participação no Radio City Music Hall (que deu origem a um radio sampler, um DVD e um álbum ao vivo...) longe estavamos de pensar que o grupo constituido por Ronnie James Dio, Geezer Butler, Vinny Appice e Tony Iommi, iria para a frente com um álbum de originais sob essa designação. Aliás, não é de todo descabido pensar que este projecto tem algumas motivações financeiras... afinal estamos a falar dos fundadores dos Black Sabbath com Ronnie James Dio, vocalista que chegou a gravar 4 álbuns de Black Sabbath, entre os quais precisamente «Heaven and Hell» de 1980, que dá nome à presente banda. Isto acaba por ser apenas um pormenor, porque «The Devil You Know» apresenta qualidade suficiente para se destacar pelas melhores razões: a música. O álbum apresenta um ambiente tipicamente sabbathiano, com riffs doomy e um Dio num registo sorumbático, excepto em temas mais up tempo como «Double the Pain» e «Eating the Cannibals», esta última assemelha-se a «Tv Crimes» do álbum «Dehumanizer» de 1992. As restantes faixas desenvolvem-se em mid-tempo com as preferidas «Bible Black» e a épica «Breaking Into Heaven» a despertarem aquele feeling do primeiro álbum dos Black Sabbath. Depois ainda temos «The Turn of the Screw» um tema ligeiramente mais mexido, principalmente no refrão, onde a banda soube contornar o hard rock FM, enchendo o tema com vibrantes harmonias de guitarra, dando-lhe uma densidade fora do comum. «The Devil You Know» é um álbum agradável de se ouvir, recupera para o séc. XXI uma sonoridade saudosista, mas não se limita a preencher esse vazio temporal, preenchendo-o antes com muito boa música. Esperemos que não se fiquem por aqui. 8/10

ISIS - «WAVERING RADIANT»

«Wavering Radiant» convoca os fãs do pós-metal em redor de uma das mais aplaudidas bandas que o género originou sensivelmente a partir do início da presente década. O que mais impressiona nos Isis, é a capacidade que a banda tem a cada disco criar um ambiente envolvente, marcado por excelentes faixas que, por norma, contam como um todo. Foi assim no assombroso «Oceanic» e no sufocante «Panopticon», mas em «In The Absence of Truth» a banda tentou juntar a esta característica, alguma sensibilidade para temas mais simples e subtis como «Dulcinea». Em «Wavering Radiant» temos uma tentativa de juntar a fluência dos primeiros trabalhos com a tal "subtileza" melódica de «In The Absence of Truth», com óptimos resultados, atestados em, por exemplo, «Hall of the Dead» e no tema título. O único ponto menos bom deste disco acaba por ser a falta de impacto da banda fora do circuito pós-metal. 8/10

Saturday, May 02, 2009

HAPPY BIRTHDAY TO ME!!

O vosso escriba faz 29 anos. São 21 de música desde que aos 8 descobri o canadiano Bryan Adams com o célebre «Run to You», o primeiro vinil que comprei. É lógico que o gosto pela música nesta altura resumia-se a algo que o psicólogo e cientista norte-americano Steven Fincher descreve como "um cheesecake auditivo" ou seja, um interruptor que se limita a excitar o cótex auditivo, levando a uma reacção exclusivamente motora, cujos efeitos se prolongam por tempo indeterminado provocando as sensações de alegria e satisfação que à música estão associadas.
Mas, se inicialmente a música tinha um carácter hedonista e parasita, rapidamente deu lugar a uma procura racional por mais e melhor música.
Do Bryan Adams passei aos Europe e dos Europe para os Led Zeppelin e Deep Purple. Com uma K7 emprestada à minha irmã por um colega de escola, introduziu-me Guns n' Roses, Alice Cooper, Mercyful Fate (que de inicio detestei!) e Skid Row. Mas o grande breakthrough deu-se ainda em 1988, com os Metallica e aquela que ainda considero a sua melhor composição: «One».

O mote estava dado e a partir daí o vício estava instalado.

O programa do Freitas era uma referência e onde descobri Whiplash, Anathema e Motörhead. Os Megadeth entraram na minha vida através do Top + com os brilhantes acordes de «Symphony of Destruction». Os Morbid Angel e os Slayer com uma tardia audição por culpa do Paulo (R.I.P.) com «Reign in Blood» e «Altars of Madness» fizeram-me acordar para a agressividade e para o black metal nórdico que despontava na Noruega e Suécia. Os Mayhem mudaram, com «De Mysteriis Dom Sathanas», a minha forma de olhar a música e o mesmo aconteceu (talvez mais preponderantes na minha formação como individuo) com o perfeito «Turn Loose the Swans» dos doomsters My Dying Bride. Ainda me lembro de ouvir e ver os Ramp na TV com o «Last Child» e dos Moonspell arcaicos (Morbid God) que o meu pequeno grupo de metaleiros chamava de Morbid Bode!! O respeito veio com o «Wolfheart».

Com tudo isto, apenas lamento que o metal em Portugal ainda não tenha um nível de auto-sustentabilidade que permita a quem queira viver do metal, fazê-lo sem recurso a part-times em supermercados e call-centers. Temos potencial para isso! Basta relembrar quantas pessoas estiveram numa terça-feira no Pavilhão Atlântico para o Priest Feast ou a romaria aos cinemas para o documentário do Iron Maiden que esgotou salas em todo o país ao mesmo tempo e que levou inclusivamente a segundas projecções. Gosto de acreditar que é possível fazer do Metal uma indústria auto-sustentável que lhe permitiria evoluír criando novos adeptos, mais músicos, mais bandas, mais cds, mais merch, mais concertos e festivais e em suma um maior movimento.

Enfim, poderia estar aqui uma tarde a descrever aventuras e desventuras, descobertas e momentos marcantes, mas em dia de aniversário, não vou estar na net mais do que o estritamente necessário, até porque o telemóvel não me tem dado descanso. Obrigado a todos os que acedem ao Event Horizon, são já praticamente 4 anos de existência, que mesmo mantendo um nível ultra-underground e restrito (adorava ter um site a sério, com entrevistas em vídeo etc...), espero mantê-lo durante muitos mais anos. Em baixo um pequeno profile.
Stay metal!
Support the cause!
Paulo Figueiredo
Bandas mais marcantes: Metallica e Mayhem
Músicas mais marcantes: «Run to You» Bryan Adams e «One» Metallica
Concertos: Aenima do Planetário de Lisboa, Motörhead no Coliseu e Metallica no Restelo
Primeira t-shirt: two skulls dos Metallica
Primeiros discos: «Run to You» Bryan Adams e «The Final Countdown» Europe
Poster: Capa do «Powerslave» dos Iron Maiden
Capas de disco: «...And Justice for All» Metallica e «Lateralus» dos Tool
Momentos marcantes: Comprar o single to Bryan Adams na loja de discos em Loures (hoje é uma loja do chinês). Ouvir na rádio o «One» dos Metallica. Ficar arrasado com a bateria do Dave Lombardo na «Angel of Death» e o riff inicial do «Raining Blood». A saudável depressão do «Turn Loose the Swans» e mais tarde dos Candlemass e Morgion. Katembe e cerveja ao som do «Pleasure to Kill» dos Kreator. Lágrimas por Quorthon. Os fabulosos Aenima no Planetário de Lisboa. Metallica no Restelo. O nihilismo e o álcoolismo juvenil na «Life Eternal» dos Mayhem. A feira da ladra e a Carbono na Portugália.
Música que hoje não vai faltar: «Black God» My Dying Bride, «Evidence» Katatonia e «One» Metallica
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