Contrariamente a uma série de bandas que ao postarem um vídeo no MySpace têm logo acesso a grandes editoras, a vida dos Trail of Tears não tem sido fácil, com constantes trocas de elementos e contratos discográficos pendurados à custa desta incapacidade de estabilizarem por mais de 1 álbum. Mas se há coisa que ninguém pode tirar aos Trail of Tears e a Ronny Thorsen particularmente, já que é mentor, compositor e vocalista, é a inegável qualidade que os seus discos exprimem desde da estreia em «Disclosure in Red» (1998). Desde então tem sido sempre a subir até «Existentia» considerado por grande parte dos fãs o melhor esforço da conturbada carreira do grupo. Ora, «Bloodstained Endurance» é na nossa opinião bem melhor do que «Existentia», por finalmente concretizar a fórmula que Thorsen parecia andar à procura desde do disco de estreia. O equilibrio entre peso e melodia é simplesmente brilhante, como atestam «Triumphant Gleam» e «Farewell To Sanity». Para abrilhantar o álbum ressurge ainda Cathrine Paulsen, que tinha abandonado a banda em 2004. Se gostam de gothic-metal, este álbum é-vos absolutamente imperdível. 9/10Tuesday, June 23, 2009
TRAIL OF TEARS - «BLOODSTAINED ENDURANCE»
Contrariamente a uma série de bandas que ao postarem um vídeo no MySpace têm logo acesso a grandes editoras, a vida dos Trail of Tears não tem sido fácil, com constantes trocas de elementos e contratos discográficos pendurados à custa desta incapacidade de estabilizarem por mais de 1 álbum. Mas se há coisa que ninguém pode tirar aos Trail of Tears e a Ronny Thorsen particularmente, já que é mentor, compositor e vocalista, é a inegável qualidade que os seus discos exprimem desde da estreia em «Disclosure in Red» (1998). Desde então tem sido sempre a subir até «Existentia» considerado por grande parte dos fãs o melhor esforço da conturbada carreira do grupo. Ora, «Bloodstained Endurance» é na nossa opinião bem melhor do que «Existentia», por finalmente concretizar a fórmula que Thorsen parecia andar à procura desde do disco de estreia. O equilibrio entre peso e melodia é simplesmente brilhante, como atestam «Triumphant Gleam» e «Farewell To Sanity». Para abrilhantar o álbum ressurge ainda Cathrine Paulsen, que tinha abandonado a banda em 2004. Se gostam de gothic-metal, este álbum é-vos absolutamente imperdível. 9/10
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Monday, June 22, 2009
DESIRE - «CROWCIFIX»
«Crowcifix» é uma espécie de convite a uma nova geração de metaleiros, para conhecerem uma das mais importantes bandas do panorama nacional, designadamente nas sonoridades mais sorumbáticas do doom death metal. Para os mais desatentos, estamos perante uma banda que lançou a primeira demo em 1995, mas que infelizmente tem tido uma relação à distância com a assiduidade discográfica que se impunha a uma banda com a qualidade dos Desire. Se a editora Skyfall parecia uma espécie de rampa de lançamento, rapidamente o grupo viu-se obrigado a fazer edições de autor para que o seu material visse a luz do dia. 2009 pode bem ser um ano de mudança para os Desire, que pela amostra que fazem em «Crowcifix» os novos temas prometem relançar o nome para o panteão do doom internacional. Se em «Locus Horrendeus» (2002) os Desire pareciam uns azeiteiros dada a lentidão e o conteúdo lírico dos seus temas, quer-me parecer que os próprios já se aperceberam disso porque «White Falling Room» é claramente uma das melhores composições de sempre dos Desire e que já revela alguma predisposição para tempos ritmicos diferentes daqueles protagonizados em «Locus Horrendus». Também «Funeral Doomentia», que apesar de ser um tema mais lento e maior que o primeiro, acaba por evidenciar grande abertura e fulgor musical. A música dos Desire ganha aqui dinâmica e mais território para explorar. Venha o longa duração, para reafirmar (esperemos) o que aqui de alguma forma já foi dito. 8/10DESTRÖYER 666 - «DEFIANCE»
Poucos álbuns terão sido tão bem baptizados como «Defiance» que representa um ligeiro desvio na carreira dos Deströyer 666, banda que até agora havia-se cingido ao seu estatuto de culto ultra-underground no seio da quase inexistente cena australiana, fustigando a terra dos cangurus com o seu blackened thrash metal. Talvez fartos do isolamento a que estão sujeitos, a banda resolveu ir de Sabática desde 2002 (lançaram 2 EP's que passaram despercebidos, em 2002 e 2003), para regressar em força e com novo baixista, nada menos do que o baixista dos Razor of Occam, outra banda australiana que está aí para as curvas. «Defiance» é o resultado de um longo processo de maturação, que antevê um merecido salto do tal semi-anonimato para a frente de batalha de um estilo que está em alta. Mas pese embora o facto de os Deströyer 666 até serem uma banda de thrash metal, não se pense que optaram por gravar um disco qualquer para capitalizar o actual revivalismo thrash, até porque como disse no início, este disco é um ligeiro desvio da sonoridade que marca a história do grupo até aqui. O abrandamento é notório, com faixas mais épicas relembrando Amon Amarth e Keep of Kalessin e até Watain nas partes mais black metal. A agressividade continua lá, principalmente nas faixas assumidamente mais BM, como em «The Barricades Are Breaking», mas o que faz de «Defiance» um disco tão especial é o facto de propôr variações ritmicas inteligentes e solos fantásticos que não retiram ao material poder de fogo, antes auferindo-o de maior acutilância. «Weapons of Conquest», «I Am Not The Deceiver» e a catchy «A Thousand Plagues» atestam-no. 8/10
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PRIMAL FEAR - «16.6 BEFORE THE DEVIL KNOWS YOU'RE DEAD»
Neste novo registo, os germânicos Primal Fear optam por uma abordagem mais dinâmica e variada do que nos registos anteriores, contribuindo para tal um tratamento diferente dado às guitarras, desta vez mais cheias e "redondas". O power metal da banda, esse continua praticamente intacto, permitindo apenas algumas variações ritmicas que, apesar de haverem equivalentes em álbuns anteriores, presenteiam algumas canções com uma côr mais vibrante como em «Six Times Dead (16.6)» e «Black Rain», esta última com um feeling semelhante a «Nights of Arabia» dos Kamelot. Um álbum desnecessariamente longo e com bastantes fillers, mas que deve agradar aos muitos fãs da banda. 7/10
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Thursday, June 18, 2009
HATEBREED - «FOR THE LIONS»
Os norte americanos Hatebreed resolveram mostrar que não perderam de vista as raízes e lançaram um conjunto de versões das suas bandas preferidas. Pode ouvir-se Slayer, Metallica, Sepultura e bandas punk/hardcore, num exercício de relativa futilidade, já que a banda não acrescenta absolutamente nada aos originais e a pertinência de um lançamento destes é praticamente nula. Resta tentar perceber se este disco visa cumprir uma cláusula contratual com a actual editora, ou se os Hatebreed são mesmo tão humildes como se querem fazer passar. Oiçam aquela que é a melhor interpretação do disco («Territory» dos Sepultura) e decidam vocês próprios. 4/10
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TYR - «BY THE LIGHT OF THE NORTHERN STAR»
A certeza que fica após a audição do álbum dos Tyr é a de que o folk/viking metal está a atingir níveis preocupantes de saturação. «By the Light of the Northern Star» é um disco bem tocadinho, repleto de melodias alegres e coros guerreiros, mas ao qual falta algo que o retire da mediana que percorre as faixas desde do primeiro ao último segundo. É pena, porque os Tyr até parecem ter competência suficiente para fazerem boa música, mas o facto de estarem presos à fórmula folk/viking metal não os beneficia, para além deste disco ficar a milhas do bom álbum que foi «Ragnarok» (2006). Para os seguidores da banda e fanáticos do estilo. 5/10Sunday, June 14, 2009
MYSTIC PROPHECY - «FIREANGEL»
6 álbuns em 8 anos? É obra! Desde da magnifica estreia em 2001 com «Vengeance», os Mystic Prophecy têm lançado óptimos trabalhos, embora nunca ao nível dessa obra marcante que propunha um power metal com laivos thrash cheio de garra e energia. «Fireangel» promete 8 anos e 5 álbuns depois mudar esta tendência, com um lote de 11 fantásticas canções que para os mais desatentos mistura Judas Priest, Iron Maiden, Manowar e Kamelot. ATENÇÃO! As bandas que mencionei servem apenas para fixar um território sonoro, porque os Mystic Prophecy estão longe de ser apenas cópias de qualquer uma dessas bandas. O espaço deste grupo germânico está já definido desde 2001 e cimentado nos álbuns seguintes. «Fireangel» é glorioso desde da introdutória «Across the Gates of Hell» com o seu ataque letal de pedal duplo e refrão viciante, continuando um trabalho de ambiente soberbo em «Demons Crown». Ambiente esse que não destoa dos últimos trabalhos do grupo que optaram desde cedo por uma imagética "evil", chegando num passado recente a incluir alguma berraria mais agressiva em «Satanic Curses» (2007) e «Savage Souls» (2006). «Fireangel» é um disco obrigatório onde se encontram faixas mais rápidas e agressivas como «Father Save Me», «We Kill! You Die!» e «Gods of War» mas também variedade rítmica como em «To The Devil I Pray», «Fireangel» e «Death Under Control». Seguramente, um dos discos de power metal do ano. 9/10
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TIM RIPPER OWENS - «PLAY MY GAME»
Contrariamente ao esperado Tim Ripper Owens não optou por dar continuidade ao seu projecto Beyond Fear, preferindo aceitar o cargo de vocalista com Yngwie Malmsteen e agora encetar um projecto a solo, onde pretende demonstrar os dotes de compositor e de... individuo muito sociável. «Play my Game» inclui nada menos do que 23 músicos convidados, entre os quais se destacam naturalmente Dave Ellefson, Chris Caffery, Jeff Loomis, Vinny Appice, Bob Kulick e Doug Aldrich. O resultado prático desta metal party é muito pouco condizente com a qualidade reconhecida aos músicos envolvidos que, fora um ou outro solo (o inicio de «Play my Game» e The Shadows Are Alive»), não dá vontade de particularizar nenhuma das prestações dos mesmos. O problema é a própria qualidade das canções que raramente sobem a um nível acima do mediano. São doze as canções que compõem «Play my Game» e diga-se apenas metade dão gozo ouvir e só 4 são verdadeiramente grandes malhas. São elas «Starting Over», «The Cover Up», «The World is Blind» e «The Shadows are Alive». Estas últimas revelam, ao nível lírico, outro dos grandes problemas de «Play my Game». Ripper Owens não é definitivamente um bom letrista. Como pontos altos temos a voz de Ripper Owens altamente personificada e como um dos melhores frontmen da actualidade e o trabalho das guitarras extremamente bem captadas, que infelizmente acabam por ofuscar os restantes instrumentos. «Play my Game» é um trabalho interessante do ponto de vista de um fã do ex-vocalista de Iced Earth e Judas Priest, mas fraco numa perspectiva de inicio de um novo projecto. A capa à Spinal Tap também não ajuda muito. 5,8/10
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BIRDS OF PREY - «THE HELLPREACHER»
Mesmo incluíndo no seu line-up membros de Municipal Waste, Baroness e The Mighty Nimbus, os Birds Of Prey são umas das bandas mais discretas do catálogo da Relapse e ao ouvir este «The Hellpreacher» percebe-se bem porquê. Estamos perante uma banda que mistura sludge e thrash até com relativo sucesso, basta ouvir «Tempt the Disciples», mas está longe de constituir algo inovador ou entusiasmante, parecendo-se mais como uma cópia barata do death n' roll que os Entombed fizeram no magnifico «Serpent Saints». O álbum até começa bem com «Momma» e «Juvie», mas acaba por ser dispersar em temas chatos e repetitivos, por entre as óptimas «Tempt the Disciples» e «The Excavation». «The Hellpreacher» fica bastante aquém do excelente «Sulphur and Semen» (2008) e lança a meteórica carreira dos Birds of Prey (3 álbuns em 4 anos), numa aparente letargia. 6/10
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Saturday, June 13, 2009
BLOOD TSUNAMI - «GRAND FEAST FOR VULTURES»
É dificil passar em revista um álbum dos Blood Tsunami sem deixar de particularizar pelo menos dois dos seus integrantes, nomeadamente o vocalista Pete Evil que é também apresentador do Headbangers Ball norueguês e o baterista Faust, reconhecidissimo músico que integra as fileiras dos Emperor, Scum, Thorns e Aborym, só para citar alguns exemplos. Podia-se tratar de um overacting musical, com a imagem a sobrepor-se à música, mas felizmente bastou ouvir o álbum de estreia «Thrash Metal» (2007), para se perceber que as intenções da banda nórdica eram bem mais sérias. «Grand Feast For Vultures» dá continuidade a esse trabalho, seguindo duas direcções opostas. A primeira é a de tornar as canções ainda mais intensas e menos corriqueiras, como que a fugir à onda neo-thrash que assola o metal actualmente. Essa intensidade está bem patente em temas como «Castle of Skulls» e «Laid to Waste». Por outro lado os Blood Tsunami optaram por tornar as suas canções mais variadas e épicas. Os exemplos mais óbvios são as mega faixas de 10 e 12 minutos, «One Step Closer to the Grave» e «Horsehead Nebula», ambas num registo praticamente instrumental que relembram ora os instrumentais de Metallica ora o típico som Iron Maiden. Também «Personal Exorcism» se revela com algumas audições atentas, a mais eficaz faixa do álbum, seja pelo choradinho das guitarras na secção intermediária ou pelo refrão a puxar ao black metal, é mesmo um tema incrível. Apesar de não proporcionar nada que inove o thrash (o propósito também não é esse), «Grand Feast For Vultures» é um óptimo disco, equilibrado entre a velha e nova escola e repleto de riffs que pedem incessantemente o headbang desenfreado. 8/10
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Friday, June 12, 2009
SUSPERIA - «ATTITUDE»
É incrível bandas estarem a gravar discos fracos durante vários anos, para de repente sairem-se com um álbum que rebenta com tudo o que foi feito até ali. Este é o designio de «Attitude», 5º longa duração dos Susperia, banda constituida por uma série de músicos com tradições no black metal. Talvez por isso, o power thrash da banda nunca tivesse tido qualquer impacto, já que ao nível estrutural as músicas de, por exemplo, «Cut From Stone» raramente iam a lado algum, propondo apenas derivações musicais sem qualquer resultado satisfatório. Agora, «Attitude» é outra coisa completamente diferente e faz perguntar se é de facto a mesma banda que grava este disco. Basta ouvir «The Urge» para se perceber que é bastante diferente dos álbuns anteriores. Relembra amiúde Testament, quer pelos coros, quer pelo tratamento dado às guitarras. A faixa título é um mimo que merece ser cantado de pulmões bem abertos num qualquer concerto, quando Athera diz "something must be done about your attitude". Melhor ainda é o espantoso dueto entre Shagrath dos Dimmu Borgir e Chuck Billy dos Testament na 5ª faixa «Sick Bastard» que, apesar de soar um pouco deslocada no disco, não deixa de ser um momento inspiradissimo. O único problemazito de «Attitude» é que os melhores momentos estão todos na primeira parte do disco, fazendo-nos (pelo menos na primeira audição) de estar constantemente à espera de algo que supere ou pelo menos iguale o poderio das primeiras canções, coisa que nunca acontece. A melhor acaba por ser «Character Flaw», extremamente chegada à sonoridade Testament de «The Formation of Damnation», de resto um álbum que vem à memória durante grande parte deste disco. 7,9/10Thursday, June 11, 2009
OSI - «BLOOD»
É verdade que «Blood» já anda nas lojas desde Abril, mas só agora tivémos a oportunidade, feliz diga-se, de ouvir com atenção este terceiro longa duração dos prog-metallers OSI (Office of Strategic Influence), banda apadrinhada na estreia em 2003 por Mike Portnoy dos Dream Theater. «Blood» segue as pisadas dos discos anteriores, sendo provavelmente o disco mais bem conseguido até à data, na medida em que apresenta maior versatilidade e experimentação, que na maioria dos temas acaba por resultar muito bem. A começar pelo instrumental «Microburst Alert» e em «Terminal», duas faixas repletas de samples, mas que nunca perdem de vista a base rock que as compõe, aliás, o riff que encerra o instrumental é bem pesado. Bastante pesadas são também «The Escape Artist» e «Be The Hero», curiosamente as mais bem conseguidas canções de um disco de se completa em 47 minutos que mais parecem 20, tal a fluídez dos temas que para a habitual duração das músicas de progressivo, são aqui curtissimas. Destaque óbvio para a participação de Mikael Akerfeldt dos Opeth no tema «Stockholm», uma faixa particularmente estranha, mas bem viciante. Apesar de ser um disco arrojado dentro do estilo prog-metal, «Blood» cumpre o dificil designio de suceder ao aplaudido álbum de estreia e ao morno «Free». 8/10STRATOVARIUS - «POLARIS»
Refeitos da saída de Timo Tolki e da mediocridade do diptico «Elements» e do homónimo trabalho, os Stratovarius bem podem sentir-se satisfeitos com o resultado deste «Polaris». Trata-se de um agradável return to form que, mesmo ainda ficando aquém daquilo que este míticos finlandeses podem fazer, supera praticamente tudo desde 1998 com o magnifico «Destiny». «Polaris» introduz também o guitarrista Matias Kupiainen, substituto de Timo Tolki, que até dá bem conta do recado, sendo um músico bastante versátil e talentoso. Musicalmente o álbum contém música bastante variadas, com algumas faixas bem rápidas como «Blind» e «Forever is Today» e outras cadenciadas como «King of Nothing», esta última muitissimo boa. Outra canção a mid-tempo que pode representar esta nova fase dos Stratovarius é «Winter Skies» com Timo Kotipelto num registo menos gritado mas mais uma vez ultra-eficaz. O único problema de «Polaris» acaba por ser uma certa fadiga que se instala a partir de «Higher We Go», a 7ª faixa. Não que as músicas a partir daí sejam más («Emancipation Suite II: Dawn» é muito boa), mas porque são maioritariamente decorridas em ritmos lentos e semi-baladescos. Ainda assim, «Polaris» é, como se disse, um produto de power metal melódico acima de média e claramente superior ao repertório Stratovariano dos últimos 8 anos. 7,7/10
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AMORPHIS - «SKYFORGER»
É sem rodeios que digo que «Skyforger» é o melhor álbum dos Amorphis desde do clássico «Tales From The Thousand Lakes» e embora sonoramente já não se tratar da mesma banda, este álbum representa uma evolução a todos níveis na carreira do grupo finlandês. Primeiro que tudo, confesso que até nunca fui grande admirador dos Amorphis tirando a magnifica fase inicial doom death, porque sempre achei que tinham uma forte predisposição para enveredarem por caminhos comerciais e deixarem de lado o metal, um pouco como os Paradise Lost. Mas tem-se tornado hábito ver as bandas de metal que enveredam pelos meandros da música mais comercial, rapidamente a arrepiarem caminho e a voltarem às sonoridades mais pesadas. Foi assim com os MDB, com os PL e com os Amorphis que perante um eminente final de carreira resolveram compôr um fortíssimo «Eclipse» e desta forma renovarem a fé dos muitos seguidores que tinham até ao «Tuonela», altura em que os Amorphis desviaram-se decisivamente do metal. «Silent Waters» continuou o caminho da redenção e «Skyforger» condensa toda a experiência que os Amorphis adquiriram ao longo destes 10 anos desde «Tuonela». Ouvindo por exemplo o tema título, percebe-se como os Amorphis sabem utilizar várias tonalidades e construir uma excelente canção. Depois pelo uso magistral dos teclados, que em «Sampo» ou «From the Heaven of my Heart», atingem uma perfeição ironicamente temperada com algum Nightwish. É óbvio que num sistema de influências isto funcione ao contrário, já que é mais provável que sejam os Nightwish os influenciados por Amorphis. Mas creio que se trata mais de uma sensibilidade finlandesa, porque os HIM, Sentenced e Children of Bodom usam tonalidades semelhantes mas em contextos diferentes. Depois temos ainda o brilhante single «Silver Bride» e a arrepiante «From Earth i Rose» com Tom Joutsen num registo impressionante. «Majestic Beast» é outro ponto alto, por ser não só o tema mais agressivo, como recuperador de um feeling doom death e digno sucessor de outra canção pesada do repertório recente dos Amorphis: «Perkele (The God of Fire)». Uma palavra final para o artwork, dos melhores que vimos este ano, a par dos álbuns de The Gathering e Absu. «Skyforger» é um disco muitíssimo bom e provavelmente o melhor em termos de doom gothic metal de 2009. 9/10Sunday, June 07, 2009
VOMITORY - «CARNAGE EUPHORIA»
Aos poucos os Vomitory têm vindo a tornar-se numa das mais importantes bandas de brutal death metal, estatuto conferido em álbuns como «Revelation Nausea» e «Terrorize Brutalize Sodomize». Em «Carnage Euphoria» recarregam baterias e oferecem uma vez mais uma excelente rodela de brutalidade com algumas (pequenas) novidades, nomeadamente em relação à estrutura das músicas que em alguns casos incluem toques progressivos e detalhes de guitarra soberbos como em «Serpents». O groove habitual está também presente em por exemplo, «The Ravenous Dead», um dos melhores temas. De uma forma geral pode dizer-se que «Carnage Euphoria» é um disco mais variado, mas igualmente brutal. Um bom equilibrio ao alcance apenas de algumas bandas. Para atestar no Caos Emergente em Setembro. 8/10
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HACKSAW - «RISE AND DISOBEY» EP
Interessei-me pelo Hacksaw depois de os ver ao vivo e de presenciar o culto que já se vive à volta do grupo vimaranense que, ainda só tinha até este ano, apenas uma demo de um tema na carteira. Rapidamente apressei-me a ouvir este «Rise and Disobey», um EP com 5 temas, sendo o primeiro uma intro (algo desnecessária diga-se) e mais quatro músicas de death metal bem brutal com claras remniscências das bandas clássicas do género. Devo dizer que fiquei impressionado com os temas do EP, a banda demonstra dotes técnicos e composicionais interessantes. Mas confesso que gostava de sentir o mesmo poderio das actuações ao vivo, num futuro álbum. Talvez quando tiverem acesso a um bom estúdio, possam utilizar esta técnica para reproduzirem a força que transmitem ao vivo. Fora isso, o futuro do brutal death metal nacional parece estar assegurado pelos Hacksaw. 7/10
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WARBRINGER - «WAKING THE NIGHTMARES»
«Waking the Nightmares» é o segundo longa duração de uma das mais aclamadas bandas saídas do revivalismo thrash que se verifica actualmente no metal. Bem vistas as coisas, os Warbringer até não são uma banda muito antiga, tendo iniciado actividades em 2004, para gravar o primeiro full length apenas em 2008 com «War Without End». Apercebendo-se, no entanto, da boa receptividade deste álbum, os norte-americanos, lançam rapidamente este «Waking the Nightmares». O resultado é agradável, mas sem que surpreenda quem quer que seja. Thrash metal genérico produzido por Gary Holt dos Exodus, com solos aqui e ali bem esgalhados e um desejo consciente de soar tão retro quanto possível. Mas tendo em conta que os gigantes do género não hesitaram em usar os instrumentos digitais para elevar o seu thrash a um novo patamar, torna-se interessante perceber se este exercício de revivalismo é ou não desprovido de sentido. 5/10
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