Thursday, July 30, 2009

NOVEMBERS DOOM -«INTO NIGHT'S REQUIEM INFERNAL»

Apesar do estatuto de culto conferido pelos 14 anos de carreira, os Novembers Doom nunca chegaram à primeira linha do doom death metal, tendo no entanto gravado alguns discos considerados incontornáveis no estilo, como é o caso de «The Knowing» e «Amid It's Hallowed Mirth». Contudo, tem sido precisamente nos últimos trabalhos, que a banda liderada por Paul Kuhr tem conseguido desenvolver uma personalidade própria, bem longe das já costumárias comparações a My Dying Bride e Anathema. Mais precisamente a partir de «The Pale Haunt Departure», considerado por maioria do fãs, o melhor álbum do grupo até à data. Em «Into Night's Requiem Infernal», os Novembers Doom conseguem aproximar-se muito da genialidade desse disco, através de uma aposta em ritmos mais rápidos e possantes, como no tema título e em «Lazarus Regret». Os temas mais depressivos, continuam ainda assim a marcar presença, como em «The Fifth Day of March» e no belíssimo «When Desperation Fills the Void». Simultaneamente mais variado e homogéneo, «Into Night's Requiem Infernal» é um óptimo registo com algumas mudanças de sonoridade e também de formação do grupo, este último aspecto tem sido provavelmente a razão do desconhecimento do grupo no seio da maioria da comunidade metálica. Espera-se que este disco mude esse cenário. 8/10

FLESHGOD APOCALYPSE - «ORACLES»

Oriundos de Itália, os Fleshgod Apocalypse são donos de um bombástico death metal sem paralelo nos dias que correm. Este é o seu álbum de estreia e perante esta demonstração de habilidade é impossível não perguntar por onde andou este quarteto que agora se revela com tal fulgor. «Oracles» espanta pela descarada atitude old-school como no riff de «In Honour of Reason», mas sem nunca soar datado ou revivalista. Prova disso é também a cadenciada «Requiem in SI Minore» onde os Fleshgod Apocalypse soam tão Morbid Angel quanto possível, mas com um filtro de modernidade em cima. O destaque deste álbum vai para Francesco Paoli também membro dos Hour of Penance, cuja prestação atrás do kit de bateria é simplesmente imparável. «Oracles» é para já um sério candidato a melhor álbum de death metal do ano. 8,5/10

DIVINE HERESY - «BRINGER OF PLAGUES»

Numa altura em que parece que a maioria das bandas mais novas esqueceu-se de como escrever boas canções, optando antes pela agressividade sem nexo ou pela técnica exacerbada, os Divine Heresy bem podiam ser uma resposta à altura da extinção de uma das mais proeficientas bandas de sempre: os Fear Factory. No entanto e apesar de serem constituídos por ilustres músicos como Dino Cazares, Tim Yeung, Travis Neal e Joe Payne, os Divine Heresy representam toda a descaracterização do metal moderno, ultra-produzido e sem pingo de originalidade ou sentimento. «Bringer of Plagues» é o típico produto fast-food para metaleiros: enche a barriga na altura, mas passada meia-hora já estamos de volta do frigorífico em casa para matar a fome. Eu ainda prefiro comida caseira à plástica. 3/10

Friday, July 24, 2009

SHINING - «VI: KLAGOPSALMER»

«VI: Klagopsalmer» sucede um dos álbuns já clássicos do black metal, «V: Halmstad» que via os Shining como que a superar a barreira do black metal para incorporar elementos mais rock, mas sempre numa toada melancólica que sempre os caracterizou. Este novo trabalho concretiza o que o anterior tinha tentado fazer, ao relegar a costela doom-black para um plano secundário e a puxar à frente elementos progressivos e rockadas sem vergonha como em «Plågoande O'Helga Plågoande». Mas se por um lado, este álbum faz emergir o tal black n' roll que «V: Halmstad» preconizava, também desfigura um pouco a identidade daquilo a que se convencionou chamar Shining. É verdade que a voz de Kvarforth continua intacta e nada se alterou, as diferenças são somente ao nível rítmico, nomeadamente em «Vilseledda Barnasjälars Hemvist» onde a velocidade do tema que abre o disco, surpreende qualquer um que tenha ouvido pelo menos um dos anteriores discos da banda sueca. Uma coisa é certa, descaracterizados ou não, os Shining continuam a saber fazer boa música como é possível atestar na já mencionada «Plågoande O'Helga Plågoande» e na versão de Seigmen «Ohm (Sommar med Siv)». Já anunciado está o número VII, sinónimo de uma de duas coisas: ou Kvarforth está em modo on fire para compôr novo material ou de facto a própria banda já se apercebeu que este disco não é bem representativo daquilo que os Shining querem ser. 7,5/10

EX DEO - «ROMULUS»

Por esta altura já praticamente todos os aficionados pelo death metal conhecem o projecto paralelo de Maurizio Iacono dos Kataklysm, os Ex Deo. Neste projecto, Iacono explora a mitologia romana como inspiração para onze músicas de death metal épico, onde pontificam alguns convidados de destaque como Nergal (Behemoth), Karl Sanders (Nile) e Obsidian C (Keep of Kalessin). Apesar de se tratar de um projecto paralelo, a verdade é que os Ex Deo têm qualidade suficiente para se tornarem num caso sério de popularidade, tendo em conta o sucesso de por exemplo, uns Amon Amarth. O grupo sueco é em todo o caso uma óptima referência para o que podem esperar de «Romulus». Podemos afiançar que se trata de um dos melhores álbuns de death metal que poderão ouvir em 2009. 8/10

ASPHYX - «DEATH...THE BRUTAL WAY»

Ignorando à partida o péssimo título do álbum, estamos perante uma espécie de revitalização de uma banda que esteve inactiva durante 9 anos desde do clássico «On the Wings of Inferno» editado pelos Asphyx em 2000. Motivo para perguntar pelas razões que motivaram os conjunto holandês e principalmente a actual força motriz dos Asphyx, Martin Van Drunen, também membro dos Bolt Thrower, Pestilence, Death by Dawn e... Hail of Bullets. Ao ouvir «Death...The Brutal Way» não consegui deixar de pensar nos Hail of Bullets, ainda que musicalmente hajam algumas diferenças, nomeadamente na forma como ambas as bandas abordam o death metal. Mas as espaços é quase impossível não pensar que os Asphyx foram recuperados devido ao (inesperado) sucesso dos Hail of Bullets. Afinal, mais alguns trocos dão sempre jeito! No final de contas se analisarmos friamente a música composta para «Death...The Brutal Way» não é audível qualquer diferença entre os álbuns do passado do grupo e este, ao não ser um decréscimo de qualidade relativamente a «On the Wings of Inferno», e uma estranha, mas felizmente esporádica, aproximação à sonoridade explorada no projecto Hail of Bullets. Curiosidade acrescida para o futuro das duas bandas. 6/10

POWERWOLF - «BIBLE OF THE BEAST»

«Bible of the Beast» é o terceiro álbum e sucessor do aplaudido «Lupus Dei», que na Alemanha deu origem a um considerável buzz em redor do grupo cujos elementos estão ligados aos Red Aim. Com este terceiro registo os Powerwolf conseguem subir alguns degraus na qualidade da composição dos temas, agora bem mais definidos e personalizados. Para os que não conhecem o conjunto alemão, a sonoridade da banda tem bases no power metal para se desenvolver através do gothic metal e na inclusão de coros e de um órgão captado numa igreja, como poderão atestar em «We Take the Church by Storm», «Moscow After Dark» ou na esplêndida «Catholic in the Morning... Satanist at Night». Neste álbum existe também espaço para algum shredding como em «Seven Deadly Sins» e em «Midnight Messiah». Pequenas variáveis que no final de contas fazem a diferença entre ter um álbum de power metal corriqueiro e um produto acima da média. 8,3/10

POISON THE WELL - «THE TROPIC ROT»

Falhada a experiência na gigante Atlantic Records, os Poison the Well viraram-se para a composição de «Versions», um bom álbum que por um lado aligeirava o pós-hardcore praticado pela banda e por outro piscava o olho a uma audiência maior. Porém, ainda não foi dessa vez que o grupo, desde sempre considerado muito promissor, saltou para um suposto mainstream onde se vaticina há muito que tem lugar reservado. Ouvindo este «The Tropic Rot» percebe-se o porquê dos Poison the Well estarem presos ao estatuto de culto: não existe neste disco um verdadeiro hit que seja passível de airplay nas rádios mais comerciais. Mas embora seja dificil encontrar um verdadeiro momento de transcendência em «The Tropic Rot», os Poison the Well esforçam-se por dar ao álbum alguma diversidade com inclusão de secções onde se percebe que a banda não se quer limitar ao tal pós-hardcore e que sabe como enriquecer as suas composições com blues e jazz. «The Tropic Rot» é um bom trabalho que, para ser reconhecido, precisa de encontrar o seu justo público. 7,2/10

Wednesday, July 22, 2009

KILLSWITCH ENGAGE - «KILLSWITCH ENGAGE II»

Não deixa de ser estranho ver uma banda tão bem sucedida sem imaginação para engendrar um título para o seu quinto álbum de originais quedando-se por auto-intitular pela segunda vez um trabalho que apesar de à primeira vista parecer bastante forçado e sem a inspiração de qualquer dos álbuns anteriores, encerra em si uma natureza bastante mais sombria, situação que se atesta no cavalgante riff de «Starting Over» e no furioso início de «The Forgotten», de longe o melhor momento do disco. De resto os Killswitch Engage não incluem quaisquer novidades na sua sonoridade, apostando em refrões bem catchy e na feroz mas versátil voz de Howard Jones, numa fórmula aparentemente simples, mas que funciona na perfeição. O resultado final é mais do que satisfatório e a prova disso é que já não me entusiasmava tanto com um disco dos Killswitch Engage desde do clássico «Alive...or Just Breathing». Pode parecer um patinho feio, mas acreditem que detém uma alma plena de emoções e música soberba. Atestem-no em «I Would do Anything». 8/10

BORN OF OSIRIS - «A HIGHER PLACE»

É certo que os trends normalmente surgem associados a uma massificação de determinados sub-géneros que acabam por ser levados até à exaustão. O metalcore/ deathcore é o último trend em que se tem verificado precisamente esta tendência de massificação, resultando num impacto negativo associado a um género relativamente recente e que ainda parece ter alguns trunfos para jogar. Assim parece pelo menos, ao ouvir os Born of Osiris. O colectivo norte-americano estabelece como parâmetro lírico a mitologia egípcia, com uma banda sonora que tanto nos oferece momentos típicamente Meshuggah, como blastbeats desenfreados e passagens semi-acústicas. Pode-se dizer que os Born of Osiris são tudo menos enfadonhos e procuram constantemente novas formas de conexão entre a música que compõem e o ouvinte, o problema é que esta experimentação disfarçada de originalidade nem sempre tem os melhores resultados e quando damos conta já passámos por metade do disco, sem nos lembramos de nada do que ouvimos até ali. Com um maior refinamento da fórmula, nada indica que os Born of Osiris não conseguirão atingir um reconhecimento bem mais alto. Por enquanto são só uma banda a tentar ser diferente. 6/10

FINSTERFORST - «ZUM TODE HIN»

Da Alemanha chegam-nos os Finsterforst, grupo que lança aqui o segundo longa duração, depois de uma estreia que passou praticamente despercebida no movimento folk metal, que se encontra actualmente em estado de ebulição. Em «Zum Tode Hin», a receita é bastante semelhante à utilizada em «Weltenkraft» (2007): temas épicos, recheados de ambiente e gritos de guerra que nos transportam directamente para cenários idílicos onde habitam os deuses e seres lendários do quais os Finsterforst nos falam nas letras do álbum, letras essas sempre cantadas na língua materna dos Finsterforst. Musicalmente estamos perante um projecto que pouco trás de novo ao folk black metal que Bathory, Moonsorrow e Kampfar nos proporcionaram até à data. Ainda assim um disco agradável não só para os fãs do estilo, como para todos aqueles que apreciam música épica e inspiradora. 7/10

THE MARS VOLTA - «OCTAHEDRON»

Parece não haver dúvidas que os The Mars Volta a par dos Placebo são uma das bandas não-metaleiras mais apreciadas pelos fãs do som eterno e se dúvidas houver aconselho uma rápida audição a este «Octahedron» para dissipar quaisquer dúvidas que hajam. Mas de facto, isto não é metal. Raramente se ouvem guitarras distorcidas, embora subtilmente haja um certo "peso" que percorre todas as canções, e a voz de Cedric Bixler Zavala parece ocasionalmente a de Maynard James Keenan, mas sem a rispidez deste. Aqui tudo gira sob o signo da excentricidade musical, com o estratega Omar Rodriguez-López a criar estruturas musicais progressivas e futuristas como em «Teflon» em oposição às melodias simples de «Since We've Been Wrong» ou à acidez de «Desperate Graves». «Octahedron» é um disco mais energético e com um um feeling mais live do que «The Bedlam In Goliath», que se desdobrava em inúmeros efeitos sonoros e layers de guitarras, apostando mais no aspecto cerebral das canções do que nas emoções, aspecto a que esta nova etapa da já brilhante carreira dos The Mars Volta vem agora colmatar. Talvez seja nesta fórmula que reside a chave do sucesso deste projecto ímpar em toda a indústria musical da actualidade. Resta saber se o povo prefere projectos como The Mars Volta ou prefere a descomplexização social total proposta por artistas (Lady Gaga e Black Eyed Peas) cujo valor cultural e musical é praticamente nulo. 9/10

DAWNRIDER - «TWO»

Segunda proposta dos Dawnrider, «Two» move-se pelos meandros do stoner/doom clássico, apresentando uma cada vez mais refinada máquina musical que se sustenta em riffs longos e sólidos, ocasionalmente mais rockados, mas quase sempre situando-se entre uns Cathedral e uns Trouble. É essencialmente esta a (importante) diferença entre o disco de estreia e este «Two»: o grupo parece mais coeso e sem receio de explorar "novos" territórios, como em «Irinia», um longo tema de 12 minutos cantado em português e que proporciona o momento alto do disco. Actualmente na Blood & Iron Records e apoiados pela Raging Planet, os Dawnrider são uma das mais interessantes bandas do panorama nacional, cada vez mais interessado no já cansativo revivalismo thrash. 7,7/10

DREAM THEATER - «BLACK CLOUDS & SILVER LININGS»

Tem sido claro o decréscimo de entusiasmo em redor dos Dream Theater desde da edição do mal fadado «Octavarium», álbum que aproximou a banda norte americana o mais possível dos meandros do pop/rock, e assustadoramente das sonoridades nu-metal. Já o sucessor «Systematic Chaos» inverteu esta tendência apresentando uns Dream Theater muito pesados e à semelhança do que acontecera em «Train of Thought» com estes a soarem demasiado a Metallica. «Black Clouds & Silves Linings» é como que Mike Portnoy e seus pares resolvessem pegar neste três álbuns e retirassem o que neles há de melhor para compôr estas novas seis canções. Por isso não é de estranhar que «Wither» pareça saída do «Octavarium» mas com mil vezes mais classe de que a maior parte do material desse disco. É também inequívoco que os Dream Theater de hoje são muito mais pesados do que até à altura em que gravaram o «Train of Thought», aliás, pode aqui eventualmente residir um dos handicaps deste disco, que por vezes apresenta secções bastante pesadas sem que nada o justifique. «A Nightmare to Remember» é uma belíssima faixa, mas aquele blastbeat lá no meio está completamente fora de contexto. Depois temos ainda a longa «The Count of Tuscany» com cerca de 19 minutos, onde os Dream Theater revelam alguma paixão pelos Rush, especialmente na longa introdução. Trata-se de um álbum extremamente bem engendrado com pormenores deliciosos (o solo em «The Best of Times» é magnífico) que não se esgotam nas primeiras audições e com irrepreensíveis performances por parte do quarteto de músicos que compõem uma das mais importantes bandas de metal da actualidade. 8,5/10

Saturday, July 18, 2009

BE'LAKOR - «STONE'S REACH»

Da Austrália chegam-nos os Be'lakor, banda que deu nas vistas no álbum de estreia «The Frail Tide» de 2007, embora poucas consequências práticas tenham resultado desse auspicioso disco, uma vez que este sucessor «Stone's Reach» também é lançado de forma independente, sem recurso a qualquer editora (entretanto os Be'lakor assinaram com a Prime Cuts Music). Neste segundo álbum, a banda da Oceânia continua o seu percurso no death metal épico e progressivo, que vai buscar influências a Amon Amarth, Symphony X e porventura e Orphaned Land, para se confirmar como um dos mais interessantes projectos da actualidade, como em «Outlive the Hand» e em «Aspect», onde o grupo se desenvolve por entre passagens agressivas e secções mais ambientais. O único senão de «Stone's Reach» é a duração dos temas, normalmente bastante longos que, não obstante funcionarem por vezes bem (em «Venator» por exemplo), na maioria das vezes fazem desejar um considerável edit, como em «Sun's Delusion» e em «Countless Skies». Ainda assim um bom follow-up ao álbum de estreia. 7,3/10

PUTREFY - «ONE NATION UNDER GORE»

Os britânicos Putrefy apresentam-nos com este «One Nation Under Gore» o seu segundo álbum sob o signo do brutal death metal, que vale essencialmente pelo forte impacto das primeiras músicas, perdendo fulgor devido à longa duração do disco que passa a marca dos 50 minutos. Trata-se de um álbum onde se podem encontrar os ingredientes habituais desde género de lançamentos: terríficos samples de mutilações variadas, furiosos blastbeats e vocais ultra-suínos (cortesia de Connor Brown) do melhor que podem ouvir dentro do género. A decisão de comprar ou não este disco acaba por ser bastante simples: se gostam de BDM e se títulos como «Fresh Meat (Slaughtered In Your Sleep)» e «Fucked On Formaldehyde» dão-vos espasmos de felicidade, Putrefy é mesmo para vocês. 6,8/10

Thursday, July 16, 2009

OPTIMUS ALIVE! 2009

Mais um excelente cartaz em Portugal, desta feita a receber 5 enormes bandas de onde se destacam naturalmente os Metallica que vinham pela primeira vez a Portugal desde do lançamento de «Death Magnetic». Felizmente o dia esteve óptimo em termos metereológicos e o espaço do passeio marítmo de Algés é uma excelente alternativa ao parque da Bela Vista. Para abrir o Festival, os Ramp conseguiram colocar o público em polvorosa com «Blind Enchantement» e «The Cold», dois novos temas da novidade «Visions». Os Ramp provaram que ao vivo poucas bandas nacionais podem debater-se com eles (7). Seguiram-se os Mastodon, que têm em carteira o excelente «Crack the Skye» e de onde retiraram «Oblivion», «The Czar» (o ponto alto da actuação) e o tema título. Nota para a fluídez que estes temas demonstram ao lado de outras malhas mais rápidas como «The Wolf is Loose» e «Blood & Thunder». Não foi tão bom como a actuação no Super Bock Super Rock, mas ficou a promessa de regressarem no início do próximo ano para um concerto mais íntegro (7). Para os Lamb of God, esta foi a primeira vez em Portugal e logo num festival de Verão. A banda norte-americana que divulga «Wrath», não se fez de rogada e protagonizou uma actuação de luxo com grande feedback por parte do público que entoava grande parte das canções para surpresa de D. Randall Blythe. «In Your Words» e «Redneck» foram acolhidas com grande entusiasmo (8). Os Machine Head não foram tão vistosos como da última vez que pisaram solo nacional, no entanto, foi agradável de ver a empatia entre Rob Flynn e o público, com o vocalista em constantes incentivos e "provocações" ao mosh. «Beautiful Mourning» e «Davidian» foram os momentos mais marcantes, mas faltaram mais alguns minutos para que um setlist mais generosos desse maior dimensão à actuação dos Machine Head (7). Os Slipknot não sabem dar maus concertos. Gostando-se ou não da banda de Iowa, a verdade é que o culto é cada vez maior e mesmo lançando um disco tão incaracterístico como «All Hope is Gone», os concertos da banda são sempre dos mais requisitados e aplaudidos. Para ajudar a festa o setlist foi simplesmente demolidor com «Duality», «People=Shit», «Spit it Out» e o clássico «Wait and Bleed» à cabeça. Do novo álbum retiraram apenas 4 canções: «Psychosocial», «Sulfur», «Dead Memories» e a terminar «'Till We Die». Uma actuação pujante, sem pontos mortos e um Corey Taylor energético a dar voz a uma das maiores forças do metal moderno (9).
Os Metallica subiram ao palco por volta das 23h30 ao som da já habitual intro «Ecstasy of Gold» de Ennio Morricone, começando com uma «Blackened» de fazer pele de galinha, seguindo-se «For the Whom the Bell Tolls», outro clássico que o público acompanhou de peito aberto. Não obstante desta ter sido provavelmente a mais eficaz entrada em palco dos Metallica desde do ancestral concerto em Alvalade, as faixas seguintes foram de uma certa estranheza e monotonia. Primeiro com a ritmada mas escusada «Holier Than Thou» e depois com a lenta «Leper Messiah», seguida da ainda mais lenta «Fade to Black». Como se não bastasse, o grupo optou por tocar quase de enfiada 4 longos temas do «Death Magnetic» alternados com a (mais uma vez) lenta «Sad But True» e (felizmente) pela sempre fantástica «One». A segunda parte do gig foi bastante melhor, porque tocaram essencialmente aquilo que se espera deles, com destaque para «Master of Puppets» (onde Lars cometeu uma imperdoável gaffe, mas também, diga-se, a única), a pouco habitual «Fight Fire With Fire» e um final simplesmente brutal com «Whiplash» e «Seek and Destroy». É sempre agradável ouvir estas malhas intemporais ao vivo, mas os Metallica nunca me satisfizeram plenamente nas suas actuações por cá, nem nas mais remotas aparições em Alvalade ou no Restelo, e é pena, porque quem tiver a oportunidade de ver o «Live Shit» ou mesmo o «Cunning Stunts» apercebe-se de que eles têm capacidade para fazer mil vezes melhor (8).

Reportagem de Carlos Cunha com revisão de Paulo Figueiredo

Resumo Dia 9 @ Optimus Alive 2009 por CarnifexAaron



Slipknot - «Spit it Out» por bolinha666



Metallica - «Fade to Black» por pavms

Monday, July 13, 2009

DEVILDRIVER - «PRAY FOR VILLIANS»

Escusado será nesta altura ainda se falar nos Coal Chamber, já que Dez Fafara parece de facto levar os seus Devildriver muito a sério, ao contrário do que muitos vaticinaram, quando o músico resolveu erguer este projecto totalmente virado para o death metal melódico. «Pray For Villians» parece ser nesse sentido um disco honesto feito por quem conhece e gosta de metal pesado e moderno. Dez Fafara compõe aqui um lote de treze temas invejáveis com destaque para o brilhante trabalho de bateria de John Boecklin, cujos devastadores ataques de duplo-bombo irão por certo provocar caos ao vivo. O único pequeno senão de «Pray For Villians» é longa duração do álbum que poderia com menos algumas faixas (leia-se fillers), ser um disco excelente. Notável trabalho ainda assim dos Devildriver, nomeadamente em «Pure Sincerity» e «I've Been Sober». 7,6/10

Friday, July 10, 2009

ANAAL NATHRAKH - «IN THE CONSTELLATION OF THE BLACK WIDOW»

Este é mais um capítulo de blasfémia sonora de um dos mais brutais projectos alguma vez feitos no black metal. Os responsáveis são o duo britânico Dave Hunt e Mick Kenney que desde 1998 têm construído uma enorme reputação com os Anaal Nathrakh. Este é, mais precisamente, o 5º capítulo da banda que utilizando uma caótica fórmula musical consegue criar ordem no caos e compôr temas onde existem mesmo refrões. Talvez seja importante dividir a carreira dos Anaal Nathrakh em duas fases. A primeira é a fase em que a banda primava pelo raw black metal dos álbuns «The Codex Necro» e até ao seminal «Domine Non es Dignus». A partir de «Eschaton», as composições começar a albergar vocais limpos e pequenas passagens menos velozes, a canção «Between Shit and Piss We Are Born» foi um verdadeiro marco nesse sentido. Em «In the Constellation of the Black Widow», os Anaal Nathrakh prosseguem este caminho desbravado em 2006, para nos oferecer um dos mais conseguidos discos da sua carreira. Os referidos coros de vozes limpas, marcam presença nas espectaculares «More of Fire Than Blood» e «In The Constellation of the Black Widow» e a agressividade descontrolada remniscente dos primeiros álbuns também está presente, nomeadamente em «Terror in the Mind of God» e «Satanarchist». Mas para além dos habituais ingredientes, os Anaal Nathrakh conseguem ter tempo para introduzir novas ideias como o groove inteligente em «The Unbearable Filth of the Soul» e na subtil melodia escandinava de «So Be It». «In The Constellation of the Black Widow» mostra uma banda dona de uma identidade única no metal, com uma sonoridade bem definida, suportada por um culto que se torna cada vez maior com a edição de novos álbuns. Resta saber como tudo isto funciona ao vivo... e já não falta muito para matar a curiosidade. 8,5/10

OBITUARY - «DARKEST DAY»

Os Obituary dispensam apresentações. São das mais prestigiadas bandas de death metal da história, muito por culpa dos álbuns «Slowly We Rot» e «Cause of Death». Desde então a banda tem infelizmente vivido à sombra destes discos, gravando obras posteriores sem o mesmo brilhantismo, com «World Demise» a ser o que mais se aproxima. Em 2005, apercebendo-se da onda de revivalismo de bandas clássicas, os Obituary resolveram gravar um novo álbum «Frozen in Time», mas a tendência de referência aos 2 primeiros álbuns manteve-se. Finalmente os Obituary devem ter-se apercebido desse eterno handicap e resolveram recuperar a designação Xecutioner, nome da banda antes de se tornar Obituary, para entitular o álbum de 2007, os resultados não foram porém os melhores. «Darkest Day» revela que mesmo mantendo esta luta contra o passado, os Obituary continuam a ter uma imensa legião de fãs ávidos por novos álbuns. Nesse aspecto, «Darkest Day» é uma vitória. A banda continua a fazer bom death metal, agressivo por vezes, mais técnico noutras, mas suficientemente interessante para manter o nome da banda no activo. Experimentem ouvir a sequência das 4 primeiras faixas onde têm a fantástica «Blood to Give». O problema dos Obituary é a pesada cruz que carregam que à semelhança dos Pestilence (banda que este ano lançou o bom «Resurrection Macabre»), os impede de projectarem a banda para o futuro, uma vez que estão irremediavelmente presos ao seu glorioso passado. 7/10

SUICIDE SILENCE - «NO TIME TO BLEED»

Quem assistiu à prestação dos Suicide Silence em Corroios como suporte a Behemoth, não ficou com certeza indiferente a este quinteto, fosse pelo poderio vocal de Mitch Lucker ou pelos breakdowns típicos da sonoridade que praticam que por esta altura já causam mais enjoos do que admiração. Ora, no que me toca, achei que os Suicide Silence tinham tudo para vingar: boa presença de palco, malhas pujantes da sonoridade da moda e um vocalista...diferente. Embora o álbum de estreia «The Cleansing» demonstrasse ainda uma banda à procura da melhor fórmula, já «No Time to Bleed» é um passo de gigante em termos de qualidade e definição artística. Claro que ainda tocam deathcore e é claro que os breakdowns são mais que muitos durante os 37:12 que completam o disco, a diferença está na qualidade das canções que em «The Cleansing» eram facilmente "esquecíveis", mas em «No Time to Bleed» ficam perigosamente alojadas na massa cinzenta, mesmo de quem não costuma ouvir deathcore. Aliás «Smoke» e «Lifted» vão directamente para a minha lista de melhores malhas de 2009. Curiosamente «No Time to Bleed» sai quase em simultâneo com «Ruination» dos Job For a Cowboy», aumentando considerávelmente o tempo de exposição ao deathcore. Pode estar aqui a surgir uma nova tendência estratégica das editoras. 8/10

JOB FOR A COWBOY - «RUINATION»

Depois de espantarem meio mundo com o EP «Doom» e com «Genesis», os Job For a Cowboy tornaram-se sinónimo de deathcore, um estilo que entretanto se tornou moda e deu origem a algumas centenas de clones nos últimos 2 anos. Por isso, as expectativas eram altas para este «Ruination», para também se perceber quais as pretensões verdadeiras da banda norte-americana. Ao ouvir este «Ruination» facilmente se percebe que os Job For a Cowboy não se deixaram deslumbrar pelo estatuto que têm, como gravaram inclusivamente um disco mais intenso que «Genesis». Uma intensidade atestada não só na velocidade, mas também na capacidade da banda em ser simultaneamente open-minded (ouvir «March to Global Enslavement») como espantosamente tradicionalista (em «Summon the Hounds»). «Ruination» supera em larga escala «Genesis» e atira os Job For a Cowboy para o restrito lote de bandas de quem se pode esperar muitas e boas coisas. 8/10

GRAVEWORM - «DIABOLICAL FIGURES»

Os Graveworm foram até 2003 com «Engraved in Black» uma das mais promissoras bandas de gothic black metal, valendo-lhes inclusivamente nesse ano e para esse disco, um contrato com a gigante Nuclear Blast. Infelizmente, estes italianos foram um daqueles casos em que a banda se apanha numa major e desata a modificar substancialmente o seu som. Neste caso, o álbum seguinte «(N)Utopia» (2005), representou para os Graveworm uma clara mudança de direcção para paisagens mais dark metal, deixando o BM para segundo plano. Não é preciso ser bruxo para se perceber qual foi a reacção dos fãs, tendo a Nuclear Blast atirado a banda para a editora satélite Massacre. «Collateral Defect» (2007) foi a obra que se seguiu numa fraca tentativa de recuperar a postura mais agressiva do grupo, agora parcialmente recuperada em «Diabolical Figures». Neste disco, os Graveworm conseguem regenerar-se com uma série de belos temas de black metal melódico que mesmo mergulhado nos clichés do género, espanta por várias ideias interessantes como por exemplo na estrutura do tema título. O ponto mais caricato do disco acaba, no entanto, por ser a versão de «Message in a Bottle» dos The Police que é curiosamente bastante bem conseguida. «Diabolical Figures» é um disco mais aproximado da sonoridade «Engraved in Black» e como tal, representativo daquilo que os Graveworm têm de melhor para oferecer. 7,2/10

Thursday, July 02, 2009

CODE - «RESPLENDENT GROTESQUE»

Com apenas um único disco («Nouveau Gloaming») os Code conseguiram o que muitas bandas andam carreiras inteiras à procura: deixar marca. Para esse disco, a banda compôs um black metal avantgarde com remniscências de doom, de onde a maravilhosa «The Cotton Optic» se destacava. Neste novo trabalho, onde estiveram para figurar ICS Vortex (Dimmu Borgir) e Asgeir Mickelson (Borknagar) , os Code dão maior ênfase ao BM mas mantêm uma parcela significativa de elementos extra nomeadamente em »Possession is the Medicine» que faz lembrar a nova fase mais rock dos Satyricon. De resto as vozes de Kvohst e Viper complementam-se, embora a voz limpa pareça ser usada com alguma displicência, como em «Jesus Fever» e «I Hold Your Light» que chegam a parecer mais sobras do «Sideshow Symphonies» dos Arcturus. De uma forma geral, «Resplendent Grotesque» é um bom follow-up a «Nouveau Gloaming», mas algo inferior a este. A ver o que os Code nos reservam para o terceiro álbum. 7,5/10

NEAERA - «OMNICIDE - CREATION UNLEASHED»

Mesmo propondo uma sonoridade algo genérica no que diz respeito ao death melódico que praticam, os Neaera têm conseguido impôr-se ao longo de quatro álbuns com relativo sucesso e «Omnicide» é mais um capítulo de sobrevivência de uma banda que viu o trend do DM melódico passar e agora tenta agarrar com unhas e dentes todas as hipóteses concedidas. Pese embora o facto de que absolutamente nada em «Omnicide» é novidade, nota-se vontade e garra nos Neaera que em temas como «Prey to Anguish» e «Grave New World» conseguem ser simultaneamente agressivos e "inventivos". Um disco que provavelmente vai passar despercebido, mas que tem qualidades suficientes para se fazer notar por entre os acérrimos do estilo. 6,7/10

SUFFOCATION - «BLOOD OATH»

Desde do regresso em 2004 com «Souls to Deny» os Suffocation têm sido considerados um dos melhores comebacks de bandas clássicas pela atitude refrescante e no compromisse que demonstraram nesse título e no homónimo trabalho (potente, diga-se) de 2006. «Blood Oath» é dos três álbuns o mais fraco, nunca chegando verdadeiramente a entusiasmar seja pela maioria dos temas a quedar-se por ritmos lentos, raramente proporcionando explusões de energia, como as de um «Entrails of You», ou pela falta de pelo menos um tema que se destaque dos restantes. Se são adeptos fanáticos dos Suffocation ou de death metal brutal, esqueçam esta review, porque provavelmente até vão encontrar no álbum coisas interessantes como «Images of Purgatory» e «Cataclysmic Purification», mas ao pé dos anteriores discos da banda, «Blood Oath» é claramente um passo a trás. 6/10

AGORAPHOBIC NOSEBLEED - «AGORAPOCALYPSE»

Os Agoraphobic Nosebleed propõem com este álbum algumas inovações, para quem estaria à espera de uma receita igual à protagonizada pelo anterior manifesto de brutalidade que foi «Bestial Machinery» (2005). Em «Agorapocalypse» as 3 primeiras faixas reduzem a velocidade comum dos temas da banda, mas são suficientemente rápidas e não vão estranhar até chegarem a «Moral Distortion», onde a banda tira realmente o pé do acelerador, mantendo o tom em «Hung From the Rising Sun» e vários temas posteriores. Decerto haverá muitos detractores, mas sinceramente acho que os AN tornaram-se numa banda mil vezes superior ao caoticismo que os álbuns anteriores demonstravam, porque fazer um álbum ultra-rápido com 100 músicas só tem mesmo piada uma única vez. «Agorapocalypse» não representa perda de intensidade em relação aos anteriores discos, ganha pela virtude de ter músicas possíveis de ser verdadeiramente "cantadas". Já agora, o solo de bateria em «Question of Integrity» é sublime! 8,6/10

JORN - «SPIRIT BLACK»

Dono de uma das mais carismáticas vozes do metal, Jorn Lande enveredou em 2000 por uma carreira a solo em que já editou 6 óptimos álbuns de hard n' heavy, sendo «Spirit Black» o 7º e onde não dá mostras de abrandamento ou de decréscimo de qualidade. Este é um dos pensamentos que permanece depois de se ouvir o disco: este homem está envolvido nos Masterplan, num projecto a meias que Russell Allen (dos Symphony X), no projecto Millennium e ainda recentemente fez uma perninha no álbum de Ayreon, onde aparentemente até compôs algum material. Puro talento, dizemos nós, e basta ouvir «Spirit Black» para perceber isso!
O álbum começa onde «Lonely are the Brave» acabou e propõe um conjunto de canções inspiradíssimas, cujos refrões apetece cantar de pulmões bem abertos. «Road to the Cross» é o melhor exemplo disso, uma canção com um feeling étnico e refrão principal simples mas muitissimo bom. A maior parte das músicas privilegia o ambiente à rapidez (à excepção de «Burn Your Flame»), mas podemos garantir que todas as faixas funcionam na perfeição, com «Spirit Black» e «The Last Revolution» à cabeça. Em «City Inbetween» está, a nosso ver, a mais complexa e interessante faixa do álbum, que revela a vontade de Jorn em experimentar novas abordagens ao hard n' heavy, numa faixa semi-épica cujo refrão deverá ser um must ao vivo. Menos óbvia é a cover de «I Walk Alone» de Tarja Turunen (ex-Nightwish), que mesmo sendo uma música engraçada, fica a milhas do repertório original de Jorn. Um álbum claramente acima da média e que está ao nível daquele que era unanimamente o melhor a solo até à data de Jorn, «Worldchanger». 8,3/10

THE DEVIN TOWNSEND PROJECT - «KI»

«Ki» assinala uma viragem na carreira de Devin Townsend que com a confirmada saída dos Strapping Young Lad, pode enfim dedicar-se aquela que sempre foi assumidamente a sua prioridade artística. O músico não perdeu tempo e escreveu de uma assentada material suficiente para uma série de álbuns e «Ki» é assim o primeiro disco de uma trilogia que irá decerto confirmar a genialidade deste incrível músico. Neste álbum em particular temos composições simplesmente brilhantes como «Disrupt» e «Coast», acompanhadas de perto por devaneios como «Gato» e «Trainfire». A diversidade é a ideia reguladora de um disco em que DT não se coíbe em passar de uma sonoridade Pink Floyd para remniscências de SYL, por vezes na mesma canção. «Ki» é um álbum bastante dinâmico e dificil, que exige diversas audições, mas cuja recompensa é preciosa e irrecusável. Ainda assim, como confesso admirador dos seus álbuns a solo, penso que «Ki» é óptimo mas não tem a consistência de um «Ziltoid» ou de um «Ocean Machine» 7,8/10

A LONE VARIANT - «LO-FI EXPERIMENTS FROM A DYING SUPERNOVA»

Em formato EP, «Lo-Fi Experiments from a Dying Supernova» é o primeiro lançamento oficial do projecto A Lone Variant, constituído por um único elemento, Diogo Lima, a cargo das guitarras e da programação dos restantes instrumentos, excepto da guitarra-baixo, tocada por Fábio Pereira. Musicalmente A Lone Variant prima pela experimentação nos meandros do pós-rock e do stoner, este último género a ser inclusive homenageado com uma versão de «Satanic Rites of Drugula» dos Electric Wizard. Nas originais destaque para a faixa título num registo western com um solo brilhante a partir dos 3 minutos e para «Rest in Fire» que fica algures entre Nine Inch Nails e Marilyn Manson, numa versão stoner, subentenda-se. Em «25th Century Conquerors», Diogo Lima conta com Cristóvão Ferreira (dos Spank Lord) nas vozes, num registo musical que trás à memória Danzig. Para um primeiro ensaio «Lo-Fi Experiments from a Dying Supernova» é um registo digno que apenas sofre de uma produção algo vazia e de alguma indefinição artística. Mas como se trata precisamente de um cartão-de-visita, podemos interpretar esta desfocagem como demonstração de versatilidade musical, porque o projecto demonstra potencialidade para explorar diversos estilos, evitando a curto prazo rótulos óbvios e estagnação. Relativamente ao som e dado que estamos perante uma gravação caseira, não é nada que um estúdio a sério, num futuro próximo (espera-se), não resolva. Podem checkar o álbum por inteiro no MySpace, A Lone Variant. 6,5/10

ZAO - «AWAKE?»

Apesar dos Zao já andarem nos escaparates desde 1995, apenas a partir de 2004, com o excelente «The Funeral of God» conseguiram obter o reconhecimento merecido, partindo para uma tour mundial com In Flames e Trivium. Entretanto, sempre associada à Ferret, a banda lançou «The Fear is What Keeps Us Here» (2005) embora sem os resultados positivos do antecessor. Chega-nos agora este «Awake?» que promete colocar os Zao definitivamente no lote de bandas principais do movimento actual norte americano. Os Zao fundem com enorme sucesso os apetrechos do metal core, acrescentando as experimentações próprias de uma banda pós-rock/metal com Cult of Luna a surgir como principal referência. As canções variam entre a contemplação absoluta com riffs lentos e monolíticos como em «Reveal» que trazem à memória os CoL e outros apontamentos jazzísticos, mas organizados, que relembram Meshuggah em «Quiet Passenger Pt. 1». Já «Romance Of Southern Spirit» demonstra um dos grandes trunfos de «Awake?» que é o soberbo trabalho de guitarras, atestado no hipnotizante final de «Quiet Passenger Pt. 2». «Awake?» prova a imensa potencialidade do metalcore e atira os Zao não só para a linha da frente do estilo, como enfim revela a banda norte americana como uma das promissoras bandas de metal da actualidade. 8,5/10
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