Monday, September 28, 2009

THEATRE OF TRAGEDY - «FOREVER IS THE WORLD»

Recuperados da fase techno de «Musique» e «Assembly», e livres de Liv Kristine, os Theatre of Tragedy protagonizaram com «Storm» (2006) um dos regressos mais aplaudidos desse ano, por voltarem de alguma forma às guitarras, e ao som base do início de carreira, o gothic metal, só que com algumas reservas. Afinal, «Storm» nem era (nem é) um disco assim tão pesado, e poderia na melhor das hipóteses ser comparado ao álbum «Aégis» de 1998 e mesmo assim com bastantes diferenças, desde logo na predisposição dos Theatre of Tragedy em manterem um vício dos álbuns imediatamente anteriores: o de construírem o maior número possível de singles, com músicas simples, curtas e na maior parte das vezes a pedirem desenvolvimento e maior trabalho de composição. Apesar de tudo, «Storm» não deixou de ser um bom return to form. «Forever is the World» por sua vez começa logo por surpreender na primeira canção «Hide and Seek», onde Raymond István Rohonyi com a sua voz gutural introduz os novos Theatre of Tragedy apostados em melodias sublimes e com grande dose de dramatismo. Nos temas seguintes, na morna «A Nine Days of Wonder» e na excelente «Revolution» o grupo apresenta curtos mas brilhantes temas de gothic metal a meio-tempo, que privilegiam a intensidade à velocidade. «Hollow» é outro dos bons exemplos de que os Theatre of Tragedy ainda sabem escrever belos hinos de gothic metal, este sim um tema que facilmente remete para um passado a rondar «A Rose for the Dead». Em «Astray» temos o vocalista num registo vocal limpo com Nell Sigland mais uma vez bem no contraponto. «Forever is the World» só não é um álbum perfeito por incluir alguns momentos menos bons como «Transition» e o já falado «A Nine Days Wonder», e porque Raymond István Rohonyi não canta tantas vezes como desejado (apenas em 3 músicas). Mas todos os temas têm um charme assinalável e até nota-se que lentamente os Theatre of Tragedy estão a regressar ao ponto de partida, ou pelo menos à fase que lhes trouxe maior proveito, algures entre 1996 e 1999. Se não acreditam bem podem ir ouvir «Frozen» e «Deadland», duas das mais atractivas canções de «Forever is the World». 8/10

WHIPLASH - «UNBORN AGAIN»

Formados em 1984, os Whiplash foram uma das bandas que ficaram na sombra do movimento Bay Area, de onde saíram os gigantes do thrash americano. Mas mesmo assim, pérolas como «Power and Pain» (1985) e «Ticket to Mayhem» (1987) são considerados álbuns de topo do género. A banda foi sobrevivendo até 1998, com um hiato de 6 anos entre 1990 e 1996, fruto de várias mudanças de formação para, gravar o álbum «Thrashback». Infelizmente na altura, e apesar de ser até um disco decente, não impediu que o grupo fosse novamente atirado para a obscuridade devido aos maus resultados comerciais. Agora, 11 anos depois e num contexto em que o thrash está em alta, os Whiplash regressam com este «Unborn Again» que, embora não seja um disco totalmente virado para o thrash, dá a nosso ver uma autêntica carga de porrada à maior parte das bandas novas que andam por aí numa tentativa esmiúçada de revivalismo. Quando digo que «Unborn Again» não se faz só de thrash, é sobretudo porque a banda americana felizmente não cai na tentação de descarregar uma série de temas thrashados facilitistas, mas absorve muito heavy metal clássico, para tornar o disco variado e apetecível, como na excelente «Firewater» ou em «Hook in Mouth». Mas também sabem fazer malhas agressivas cheias de feeling como «Float Face Down», «Pitbulls in the Playground» e «Swallow the Slaughter». Pode não ser disco para recolocar os Whiplash novamente no mapa, mas é sem dúvida um belíssimo trabalho dê por onde der. 8/10

Sunday, September 27, 2009

PARADISE LOST - «FAITH DIVIDE US, DEATH UNITE US»

Segundo declarações recentes de Gregor Mackintosh, para este disco, os Paradise Lost focaram-se nos temas «The Enemy» e «Never For The Damned» e tentaram escrever novas canções com base nestas duas do anterior álbum «In Requiem». Diga-se em abono da verdade, de facto estas eram as melhores músicas desse aplaudido disco de 2007, que de alguma forma recuperou os Paradise Lost do marasmo que o grupo britânico atravessava desde do longínquo «One Second». «Faith Divide Us, Death Unite Us» é a lógica continuação de «In Requiem» apostando em ritmos ainda mais negros e doomy, de que há memória apenas em «Draconian Times» e «Gothic». Contudo, não se trata de um regresso às raízes, mas de um revestir a fase rock dos Paradise Lost de uma negritude própria do gothic metal. É alías, nos temas mais depressivos que os Paradise Lost são mais bem sucedidos, como nas excelentes «As Horizons End», «First Light» e «Last Regret». Nos temas mais mexidos, como «Frailty» e «The Rise of Denial», nota-se algum constrangimento em não deixar as músicas aproximarem-se do gothic metal descarado, como se a banda não quisesse dar o braço a torcer, por ter estado uma década a brincar ao mainstream, em vez de dar aos seus fãs aquilo que eles querem. «Faith Divide Us, Death Unite Us» aproxima-se muito dos desejos dos fãs, mas sinceramente os Paradise Lost ainda vão ter de trabalhar muito para recuperar o seu estado de graça. Talvez com mais temas como o que dá título ao álbum, eles cheguem lá. 7/10

DYING FETUS - «DESCEND INTO DEPRAVITY»

São muito poucas as bandas que conseguiram atingir no death metal, o estatuto dos Dying Fetus, banda norte-americana formada em 1991, que a meio caminho operou uma mudança significativa ao nível lírico, passando a assumir-se como uma banda política em vez da repetitiva temática gore que reinava nos primeiros discos da banda. Se os fãs mais acérrimos dos primórdios do grupo continuam a achar que os Dying Fetus morreram algures em 2000, a verdade é que foi precisamente a partir daí que o grupo de Maryland, se impôs no estilo, desde logo com a bomba «Destroy the Opposition». De tal forma que «Stop At Nothing» (2003) e «War of Attrition» (2007), foram considerados por muitas revistas e webzines, os melhores álbuns de death metal dos respectivos anos. Neste follow-up que é «Descend Into Depravity», os Dying Fetus continuam a trilhar o espectro mais "político" do death metal, e sonoramente deixam o seu som sair muito mais definido e perceptível do que em qualquer outra fase da sua carreira. Não que os Dying Fetus tenham amolecido, têm somente uma melhor produção que lhes proporciona mais soluções ao nível dos arranjos de estúdio, bem claros em temas como «Conceived Into Enslavement» e «At What Expense». A brutalidade, essa mantém-se inalterada e tão ou mais intensa do que em «War of Attrition» onde os Dying Fetus apareciam muito bem, mas algo repetitivos e mastigados. «Descend Into Depravity» por outro lado, pode bem ser o melhor disco da banda desde do clássico «Destroy the Opposition». 9,2/10

SUN OF THE BLIND - «SKULLREADER»

Com a panóplia de lançamentos excitantes a inundar a rentrée metaleira, não é difícil perceber que o álbum de estreia dos Sun of the Blind, tenha vida complicada em termos de atenção mediática, por isso caberá aos meios mais pequenos, como a blogoesfera, a tarefa de dedicar a «Skullreader» a atenção devida, até porque trata-se de um álbum que não deveria levianamente cair no esquecimento. Trata-se de uma estratégia infeliz da Avantgarde, editora dos Sun of the Blind, que porventura achará que com tantas bandas importantes a lançar discos ao mesmo tempo, que os adeptos de música extrema andarão mais atentos às novidades, havendo assim grandes possibilidades de um maior leque de pessoas tomarem contacto com os Sun of the Blind. Infeliz, dizemos nós, porque entre os últimos álbuns de Immortal e Marduk (só para citar algumas bandas black metal, estilo em que os Sun of the Blind se alicerçam) e este «Skullreader» poucos hesitarão quando chegar a hora de escolher. Falando agora no que realmente interessa, este é o álbum de estreia da "banda" suíça, composta por um único elemento, Zharaal, também membro dos Darkspace. Este cartão de visita é muito importante, para desde logo situarmos o projecto, que deambula entre o black metal avantgarde, o shoegaze e o dark ambient que os Darkspace ajudaram a celebrizar. A este leque de influências juntaria os finlandeses Dolorian, que a música «Lord of Mind» amiúde recorda. Constítuido de somente 5 temas que prefazem 44 minutos de música lenta, obscura e fascinante, «Skullreader» é um disco que poderá demorar o seu tempo, mas certamente será reconhecido daqui a uns anos, como um dos sleepers de 2009. 8,5/10

Saturday, September 26, 2009

SONATA ARCTICA - «THE DAYS OF GRAYS»

Num ano que se está a revelar óptimo para os amantes do metal melódico com grandes álbuns de Mystic Prophecy, Burning Point, Stratovarius, Jorn e Grave Digger, aqui está mais uma boa proposta num espectro que atravessa um momento menos bom em termos de popularidade. É normal que quem aprecie todas as tonalidades core, dificilmente conseguirá gostar das guitarras sintetizadas dos Sonata Arctica, mas não custa nada tentar, porque como uma vez um amigo meu disse: o power metal melódico é o último estágio da aprendizagem de um metaleiro. Deixando de lado a discussão acerca deste polémico tópico, deixem-me salientar que «The Days of Grays» é já o 6º álbum de originais da banda finlandesa que tem no excelente «Winterheart's Guild» (2003) a sua peça mais admirável, quando o conjunto ainda utilizava algumas passagens progressivas no seu som. Porém, nos últimos dois discos, o grupo optou por dar maior ênfase ao power metal simples e directo, centrado em refrões facilmente cantaroláveis. Neste novo disco, o caminho tomado é precisamente esse, com músicas directas de fácil assimilação como «The Last Amazing Grays» e «Zeroes», sempre com uma sensibilidade melódica assinalável. Faltará a «The Days of Grays» apenas alguma agressividade que dê dinâmica ao disco, já que todos os temas são extremamente melosos, como por exemplo, «No Dream Can Heal a Broken Heart» e «Breathing». Quanto às melhores escolho «As If the World Wasn't Ending» e «Deathaura», onde os Sonata Arctica conseguem ser simultaneamente melódicos, intensos e inventivos. Para todos aqueles que de facto apreciam metal melódico, não deixem de procurar este disco. Para aqueles que aos primeiros acordes deste género de som, fogem a sete pés, aconselha-se distância. 7/10

Friday, September 25, 2009

SHADOWS FALL - «RETRIBUTION»

Num ano em que os Trivium não lançam nenhum álbum de originais e os Killswitch Engage fizeram um disco tudo menos consensual, pode bem ser a oportunidade para os Shadows Fall se chegarem à frente na luta pelo trono do thrash metalcore com este «Retribution». Se num passado recente a banda americana tem tido a inferioridade de ser constantemente comparada a essas duas bandas, a verdade é que se ouvirmos com atenção o repertório dos Shadows Fall é peremptório reconhecer algum mérito por álbuns como «The Art of Balance» e «Threads of Life» em que o grupo mistura na perfeição ingredientes de bandas como Metallica (da era «Master of Puppets» sobretudo) ao metal moderno. Contudo, os Shadows Fall são felizmente uma banda que é mais do que uma mera sobreposição de estilos: a forma como esgalham melodias viciantes é impressionante, como em «Still I Rise», «King of Nothing» e «My Demise». Mas também conseguem ser bem agressivos como na violenta «War» ou na retro thrashada «A Public Execution». Bem mais progressivos e variados do que Trivium e Killswitch Engage, os Shadows Fall são meritóriamente uma banda de topo no estilo que praticam. 8/10

GOATWHORE - «CARVING OUT THE EYES OF GOD»

É praticamente impossível não se gostar de um álbum como este «Carving Out the Eyes of God», sem dúvida o melhor capítulo da carreira dos Goatwhore, banda norte-americana que junta nas suas fileiras elementos de Crowbar, Nachtmystium e Soilent Green. Trata-se de um disco repleto de malhas black death que reportam directamente a Hellhammer e Usurper, como podem atestar logo na introdutória, «Apocalyptic Havoc». Todas as 10 faixas são curtas, o que faz com que o ataque conduzido pela virulenta voz de Ben Falgoust II, seja ainda mais letal, como na excelente «Shadow of a Rising Knife», cujo riff principal vai andar a martelar-vos a cabeça algum tempo... e o que dizer do solo aos 3 minutos? Genial, no mínimo. «Carving Out the Eyes of God» é ideal para aqueles que dizem que é impossível soar-se retro sem perder um pingo de originalidade. Porque de facto, a originalidade pode ser substituida, se houver sentimento e genuidade na arte. 8,7/10

Thursday, September 24, 2009

THE BLACK DAHLIA MURDER - «DEFLORATE»

Se por um lado é saudável que muitas das bandas que deram origem à corrente deathcore, agora estejam concentradas em fugir ao rótulo, criando novas abordagens ao death metal, por outro, essas experimentações podem resultar em desfigurações fatais para as bandas, que ou perdem os seguidores da fase inicial ou nunca chegam a convencer os adeptos do death metal tradicional, que à partida rejeitam logo a banda pelo seu nome e passado ligado ao core. Em «Deflorate», os The Black Dahlia Murder mandam às favas o seu lado mais core em detrimento de um death metal versátil, carregado de técnica e melodia, e o resultado é bastante bom, que cresce a cada audição, quer pelos riffs ferozes mas perceptíveis, quer pelos fantásticos solos espalhados por todo o álbum, em «Selection Unnatural» e «Christ Deformed», por exemplo. Embora falte de facto algo que torne este disco memorável, a sua audição enquanto dura entretém e impressiona pela capacidade técnica dos músicos envolvidos. A par dos álbuns de Job For a Cowboy e Suicide Silence, «Deflorate» é mais um óptimo álbum da nova geração do death metal. 8/10

Wednesday, September 23, 2009

DARKSIDE OF INNOCENCE - «INFERNUM LIBERUS EST»

Apesar de serem uma banda jovem, os Darkside of Innocence revelam algum saber no manuseamento das cada vez mais indispensáveis ferramentas online, para disseminar a sua gnóstica mensagem. Se atentarmos ao MySpace da banda, temos acesso a um layout muitíssimo bem construído, com um vídeo de apresentação, merch e toda uma panóplia de interactividades nada costumárias numa banda que começou agora a dar os primeiros passos. Isto revela a dedicação dos membros do colectivo, formado por sete elementos, que não se coíbe em dar ao projecto uma óptima imagem, que parece estar já bastante bem definida. Parece, porque os Darkside of Innocence fizeram saber que este disco não iria ser disponibilizado em formato físico porque não representa a sonoridade que a banda actualmente faz, por isso, esta estreia aparece apenas (para já) em formato digital. Como pontos fortes do disco em si, elogiamos a capacidade do grupo em escrever temas fortíssimos numa sonoridade em que está praticamente tudo inventado. Falamos do clássico black metal melódico com matrizes góticas de que os Cradle of Filth são pai e mãe. Mas com temas como «An Impending Commence For Decay» e especialmente com «...Of a Cursed Dawn Eclipsed», é quase impossível não sentirmos uma especial habilidade do grupo na criação de atmosferas envolventes e de riffs viciantes, neste último tema, por exemplo, destacamos os hipnóticos teclados. Outra faixa particularmente bem conseguida é «In Nomine Dementia», uma épica canção de 10 minutos com um final soberbo a puxar para o doom metal. Como pontos menos bons, a tal colagem a Cradle of Filth e a Dimmu Borgir, (em «To Her Spawn In Full Submission» é mais do que evidente) inevitável para quem escolhe o black metal melódico como sonoridade base. No entanto, gostámos da faceta mais gothic metal, em que os Darkside of Innocence chegam a soar a Tristania. Apesar de não ser um disco propriamente original, a verdade é que «Infernum Liberus EST» é claramente dos melhores discos de black metal melódico que tivemos oportunidade de ouvir este ano, não só a nível nacional. Isto é indicativo de algo muito bom para o futuro dos Darkside of Innocence. Curiosidade acrescida para o próximo álbum. 8/10

THE SPEKTRUM - «DAEMONICUS AWAKENING»

Oriundos de Leiria, os The Spektrum são uma das mais recentes aquisições do panorama metaleiro nacional, ainda que se tenham formado em 2005. Mas se a demo de 2006, «Marching Through the Darkness», não aqueceu nem arrefeceu a carreira do grupo, «Daemonicus Awakening» é um disco diferente, ambicioso e pleno de confiança. O grupo aposta numa sonoridade death metal melódico, entre uns Dark Tranquillity da fase «Skydancer» e uns Moonspell no recente «Memorial», mas não se fica por aí. Em «Nenphilis», na nossa opinião a melhor faixa do álbum, está uma excelente malha death thrash metal com um feeling Amon Amarth, «Lost in Time» é outro tema que lembra a banda sueca. Como defeitos achamos que falta de algo que destaque este disco de tantos outros que se revelam incapazes de fugir às suas influências. Todo o disco é um exercício de nostalgia e acabamos a audição de «Daemonicus Awakening» sem perceber qual a verdadeira identidade sonora dos The Spektrum, já que apenas conseguimos identificar as influências da banda ao longo das canções que compõem o disco. Um problema que pode ser resolvido com mais um ou dois discos de estúdio... não é nada que belisque a competência de um disco bem acima da média. 7/10

YOB - «THE GREAT CESSATION»

Depois de inesperadamente terem dado por fim a aventura Yob em 2005, a banda norte-americana regressa agora com mais uma rodela de depressão sugestivamente intitulada «The Great Cessation». Neste quinto álbum de originais, os Yob mantém os níveis de qualidade com temas ultra-arrastados com ocasionais subidas de ritmo, mas sempre desenvolvendo as longas canções entre velocidades lentas e semi-lentas. A grande novidade é o ambiente geral do disco, bem mais negro e agressivo que em qualquer outro momento dos Yob, atestado no sufocante «Silence of Heavens» que tem tudo para agradar aos fãs de doom/death metal, como aliás os Yob já comprovaram em recentes entrevistas. Apesar deste acréscimo de negritude, «The Great Cessation» fica um pouco aquém do colossal disco de stoner/doom que foi «The Unreal Never Lived», ainda o melhor álbum dos Yob. 7,6/10

Monday, September 14, 2009

MEGADETH - «ENDGAME»

Para encurtar a review, e porque isto não é uma aula de história, em 1999, como consequência dos péssimos resultados artísticos e comerciais de «Risk», os Megadeth viram-se subitamente sem um dos mais carismáticos membros da banda, Marty Friedman. Antes, já o hábil baterista Nick Menza havia deixado a banda por diferenças inconciliáveis com o frontman, Dave Mustaine.
O resultado prático desta revolução na banda foi o desinspiradíssimo «The World Needs a Hero» (2001), onde os Megadeth ficaram a milhas até desse fraco disco que é «Risk». Parecia o fim dos Megadeth, quando Dave Ellefson resolveu também ele abandonar o barco, ficando somente Mustaine ao leme, comandando uma série de músicos pouco conhecidos, à excepção de Chris Polland. «The System Has Failed» foi um ligeiro regresso às sonoridades mais agressivas, mas que evidenciava um pecado capital: os Megadeth já não sabiam escrever boas malhas memoráveis como «Holy Wars», «Symphony of Destruction» ou mesmo «Addicted to Chaos». Isto ficou ainda mais claro com «United Abominations» o álbum de 2007, que era sem dúvida o melhor álbum dos Megadeth desde 1997, mas continuava a falhar em proporcionar uma audição memorável. Quantos ainda se lembrarão de algum refrão das músicas desse disco? Penso que só mesmo os mais acérrimos da banda ou os newcomers. É chegada a hora de «Endgame», um disco, cujo single «Headcrusher» deixou a comunidade internauta em polvorosa com a sua espantosa agressividade e melodia viciante, mas as opiniões dividiram-se quando «44 Minutes» foi disponibilizado com as suas melodias à «Cryptic Writings». A terceira faixa disponibilizada, «1,320», deixou, com o seu peso disfarçado de melodia à «Youthanasia», os fãs sem saber muito bem o que esperar. Ouvindo agora «Endgame» na íntegra faz mais sentido esta panóplia de estilos que essas três canções proporcionam. Trata-se de um álbum que resume de forma mais ou menos lógica toda a evolução sonora dos Megadeth desde da sua génese em 1983. Excitante, não? Só a leve ideia de que os Megadeth voltaram a fazer músicas como nos álbuns «Peace Sells» ou «Rust in Peace», deixa qualquer um a salivar. Só que por muito de Dave Mustaine possa querer (que duvido) dar um cheirinho a eighties thrash nas novas composições, o resultado está longe de poder ser considerado comparável a qualquer disco dos Megadeth até 1990, altura em que gravaram aquele que é porventura o seu melhor álbum de sempre, «Rust in Peace». A partir daqui as coisas são substancialmente diferentes, com várias faixas de «Endgame» a recuperarem habilmente o feeling de «Countdown to Extinction» e em alguns casos, como na faixa título e em «Headcrusher» a aproximarem-se muito da qualidade desse clássico, e até quem sabe substituir uma «Psychotron» ou uma «High Speed Dirt». Mas esta qualidade é apenas pontual, com de facto a aparecer o melhor material que Mustaine compõe desde «Countdown to Extinction», «This Day We Fight!» e «The Hardest Part Of Letting Go... Sealed With A Kiss» (esta com um leve trago a «Foreclosure of a Dream»), por exemplo. Mas depois temos algumas músicas que puxam para a fase menos aplaudida do grupo, «44 Minutes» a parecer uma sobra do «Cryptic Writings» e as forçadas «Bodies Left Behind» e «How The Story Ends» a serem claramente as mais "esquecíveis" faixas do disco. Podemos apenas adivinhar a extrema dificuldade que é estar desde 1983 a escrever música para uma banda e chegar a 2009 e ainda ter criatividade para escrever um «Dialectic Chaos». Por isso reconhecemos a Dave Mustaine preserverança e vontade, num álbum que mesmo sendo concorrente directo do último álbum dos 3 Inches of Blood, na categoria de pior capa de 2009, tem música com qualidade suficiente para ser o melhor dos Megadeth dos últimos 12 anos. 8/10

MADDER MORTEM - «EIGHT WAYS»

«Eight Ways» é já o 5º álbum de originais dos Madder Mortem, banda de metal alternativo muito elogiada por músicos conhecidos da praça, embora ainda sem resultados práticos em termos de popularidade. Em Portugal poucos os conhecem, mas em Inglaterra, por exemplo, são um grupo com considerável base de fãs, segundo os próprios. O que não deixa de ser estranho dada a qualidade mais que provada em álbuns como «Desiderata» ou «All Flesh is Grass». Neste álbum, os Madder Mortem continuam a proporcionar excelente música, com o recurso cada vez mais evidente a estruturas "roubadas" a outros estilos musicais, nomeadamente ao jazz e ao progressivo. Isto nem sequer implica um significativa suavização do som do conjunto, que nas introdutórias «Formaldehyde» e «The Little Things», faixas onde a tal costela jazz mais se verifica, não diminui sequer uma grama de peso para agradar a um público mais vasto. Será que é no entanto preciso aos Madder Mortem fazer algum tipo de concessões artísticas? Nem por isso. Basta ouvir «Riddle is to be» ou «Resolution» para se perceber que o grupo sabe compôr temas passíveis de airplay nas TVs ou nas rádios, sem que isso belisque a sua identidade. O único ligeiro problema de «Eight Ways» é a promessa que «Formaldehyde» (mesmo com algum desafinanço lá no meio) e «The Little Things» fazem no início do disco de forma brilhante, e que posteriormente só a espaços encontra momentos à altura, como em «Riddle Wants To Be», «The Flesh, The Blood And The Man» ou na mais "pesada" faixa do disco, «Life, Lust & Liberty». Um álbum que deixa óptimos índicios quanto a um futuro outbreak dos Madder Mortem no mainstream. Seria excelente ver uma banda com tantos dotes musicais ver reconhecidas as suas capacidades. 8/10

EAGLE TWIN - «THE UNKINDNESS OF CROWS»

Se disser que o primeiro álbum dos Eagle Twin vem com o selo da Southern Lord, provavelmente os mais atentos já saberão o que aí vem: qualquer coisa lenta. De facto esta editora americana teima em especializar-se nos sons lúgubres, mais possui o dom de descobrir projectos sempre interessantes de se ouvir como por exemplo, Pelican, Earth, Wolves in the Throne Room, Boris e Sunn 0))), só para citar alguns projectos mais recentes. A expectativa logo aqui é considerável e, como sempre, não defrauda, os Eagle Twin muito em breve estarão na linha da frente do estilo sludge se mantiverem o nível deste «The Unkindness of Crows». Aqui falamos de um sludge de superior qualidade como riffs longos mas cuidadosamente trabalhados em que nada parece feito ao acaso. Nem a estranha «Carry On, King of Carrion», que é praticamente toda cantada num tom vociferado como se Gentry Densley estivesse com uma valente ressaca. «The Unkindness of Crows» é um álbum todo ele embebido numa névoa misteriosa, que faz lembrar o «De Mysteriis Dom Sathanas» ou o «Turn Loose the Swans». Um ambiente espesso e místico que «10,000 Birds of Black Hot Fire» representa na perfeição. Deixem-me por as coisas nos seguintes termos: se tivesse de escolher os melhores discos de sludge da história, «The Unkindness of Crows» ocuparia sem problemas um dos cinco primeiros postos. 9/10

Thursday, September 10, 2009

SYRACH - «A DARK BURIAL»

Apesar de não serem propriamente a banda mais produtiva do mundo (apenas 3 álbuns desde 1993), os Syrach reuniram um certo culto à sua volta com o bom álbum de 1996, «Silent Seas». Logo após esse disco, a banda norueguesa caíu num silêncio que durou, imagine-se, 11 anos, até «Days of Wrath» ver a luz do dia em 2007. Neste disco, os Syrach mostravam vontade e capacidade de recuperar o tempo perdido, com uma rodela de doom death metal que juntava as sonoridades doom clássicas ao death metal depressivo britânico do início dos anos 90, com bons resultados. Em «A Dark Burial», os Syrach agudizam esta última vertente, fazendo um álbum bem mais negro e depressivo que «Days of Wrath», mas não necessariamente melhor. Este é um daqueles casos em que a banda aposta em dar mais peso à sua sonoridade, mas acaba descaracterizando a sua personalidade. «A Dark Burial» é um álbum demasiado cinzentão e sem chama, para que possa fazer a diferença, no difícil espectro do doom. Um impasse na carreira de uma banda que tem claramente capacidade para fazer mil vezes melhor. 5,4/10

URNA - «ITER AD LUCEM»

Os italianos Urna são um dos segredos mais bem guardados do funeral doom actual, e mesmo tendo já gravado três álbuns de originais, continuam associados à pequena ATMF. «Iter ad Lucem» é então o terceiro registo do trio natural de Cagliari, e demonstra que dentro do assombroso género que praticam, ainda é possível ser-se inventivo. O que os seis temas deste álbum propõem é uma viagem pela música mais depressiva e obscura que possam imaginar, recheada de vocais ultra-guturais, ocasionalmente mais black metal, e riffs monolíticos que se arrastam por largos hipnóticos minutos. Este é um dos grandes feitos de «Iter ad Lucem»: nunca se torna chato. Ok, pode até ter algumas partes menos entusiasmantes, mas recordo-me de o ter ouvido a primeira vez por volta das 3 da manhã e não me ter aborrecido minimamente. Dos temas destaco naturalmente o «Om», que foge um pouco aos standards do estilo e que faz lembrar, como aliás todo o disco, o «A Caress of the Void» dos magníficos Evoken. Ser-se comparado a tão genial banda é por si só um grande elogio. 8/10

OTEP - «SMASH THE CONTROL MACHINE»

Os Otep foram uma das últimas bandas saídas da fornada do nu metal que atingiu um considerável sucesso. A estreia com «Sevas Tra» foi aliás um dos discos de metal mais bem sucedidos comercialmente em 2002, editado pela multinacional Capitol. Os álbuns seguintes, «House of Secrets» (2004) e «The Ascension» (2007), viram o grupo decaír substancialmente com o desuso do nu metal e entrada em cena do metalcore. Resultado disso, foram as fracas vendas de «The Ascension» que fez com que os Otep fosse despedidos da Capitol, integrando agora as fileiras da Victory. Neste primeiro disco pela nova editora, os Otep realizam um trabalho superior a «The Ascension» mas muitos furos abaixo dos dois primeiros discos, mas que ainda assim consegue juntar neste álbum um conjunto forte de temas, a começar por «Rise Rebel Resist», «Numb & Dumb» e «Oh, So Surreal». Numa explosiva mistura de Marilyn Manson com Rage Against the Machine, o tema título é com o seu refrão viciante, uma forte aposta dos Otep em canções para serem interpretados ao vivo. O problema de «Smash the Control Machine» é a quantidade de fillers que o disco infelizmente tem, para não falar de alguns verdadeiramente medíocres, como «Run For Cover» e «Unveiled». No geral, este é um bom ponto de partida para uma nova etapa na carreira dos Otep, mas por outro lado, a banda liderada por Otep Shamaya vai ter de fazer muito melhor para conseguir sobreviver mais alguns anos. Curiosamente neste disco vislumbram-se algumas boas alternativas para futuro dos Otep como nas boas malhas que são «Head of Medusa» e a épica «Where the River Ends». 6,2/10

Tuesday, September 08, 2009

FOREST STREAM - «THE CROWN OF WINTER»

Os Forest Stream chegam-nos da Rússia com uma proposta interessante, baseada numa inteligente fusão de gothic-doom/death metal com elementos black. Uma sonoridade que apesar de não oferecer nada de novo, consegue ser agradável, especialmente aos ouvidos de quem aprecia bandas como Tristania, Opeth, Agathodaimon ou Evenfall. «The Crown of Winter» é composto de seis longos temas entre os 7 e os 12 minutos, fora introdução e postlúdio, em que o grupo aposta em várias mudanças rítmicas, e num espectro alargado de composição. É possível ouvir-se uma canção típicamente doom death no tema título «The Crown Of Winter» e termos uma faixa bem acelerada como «Bless You To Die», que chega a incluír blastbeats. Com tanta diversidade é normal que o disco deixe de ser focado, para se tornar algo desconexo, ainda mais quando as músicas são por norma gigantescas. Há qualidade nos Forest Stream, sem dúvida, é preciso é que a banda tente se concentrar exactamente no que pretende para o projecto, a fim do o tornar mais claro e objectivo. 6,7/10

AXXIS - «UTOPIA»

Com já 12 discos no currículo, os alemães Axxis são uma das mais proeficientes bandas de power metal melódico e quase sempre com uma qualidade assinalável, apesar de nunca terem gravado um disco obrigatório na sonoridade, a verdade é que a sua insistência vale aos Axxis um estatuto quase de culto no meio das sonoridades mais melódicas do metal. Ora, «Utopia» dificilmente irá mudar esse cenário, mas é uma boa surpresa quando comparado aos últimos discos, que seguiam uma toada cinzentona e resguardada de protagonismos, embora como se disse, houvesse sempre algo de especial em redor do grupo. «Utopia» é claramente um disco mais luminoso e esclarecido, com especial enfoque em criar bons temas, com bons refrões. Isto fica logo claro nos primeiros temas «Utopia», «Last Man on Earth» e em «Fass Mich An», um tema cantado em alemão. Mas mesmo com as boas intenções da primeira parte do disco, «Utopia» falha em cativar plenamente o ouvinte, e se já em «Sarah Wanna Die» não se evita um bocejo, a balada azeiteira «My Fathers’ Eyes» é o ponto de quebra para quem não aprecia metal demasiado melódico. Depois «Utopia» sofre com o protagonismo dado aos teclados, que arruinam completamente, por exemplo, «The Monsters Crawl», mas funcionam na perfeição com «Eyes Of A Child». Um disco mediano, a espaços muito interessante, que na Alemanha parece estar a ser um verdadeiro caso de sucesso. 7,1/10

WITCHBREED - «HERETIC RAPTURE»

«Heretic Rapture» é o disco de estreia dos Witchbreed, uma banda composta por elementos com considerável experiência e background musical, o que gerou altas expectativas para este álbum. Expectativas que se por um lado não saem totalmente defraudadas, dão larga margem de manobra ao grupo para desenvolver, em futuros trabalhos, uma personalidade própria. Mas vamos por partes. O início de «Heretic Rapture» é sem dúvida pujante com «Symphony for the Fallen» a fazer lembrar uns Arch Enemy mas com Ruby Roque num registo limpo e igualmente forte. O dinâmico trabalho de guitarras é também notável, com saudáveis doses de progressivo. Nas faixas seguintes, os Witchbreed apostam numa vertente mais dark gothic metal, e deixam de lado muita da agressividade evidenciada neste tema. E, embora isso não invalide que canções como «Rebel Blood» e «Firethrone» (esta última com uns teclados sublimes) deixem de brilhar, é difícil não pedir por mais temas agressivos como «Symphony for the Fallen», algo que apenas acontece parcialmente já no fim do disco com o ambiente egípcio de «Eternal Exile», uma das mais inspiradas canções de «Heretic Rapture». Se neste álbum os Witchbreed têm uma estreia auspiciosa, digna de uma editora à altura (já os via na Century Media ou na Napalm, por exemplo), também é verdade que o grupo ainda busca o seu verdadeiro espaço na cena. Será apenas uma questão de tempo, porque talento, de facto, não lhes falta. 8/10

Monday, September 07, 2009

LEAVES EYES - «NJORD»

Os mais velhos lembrar-se-ão concerteza da onda gothic metal da segunda metade dos anos 90 e da posterior chegada do estilo ao mainstream com os Nightwish, Within Temptation e Lacuna Coil. E toda gente se lembra de certeza de uma das primeiras bandas do género que gravou o clássico «Velvet Darkness They Fear» em 1996, banda da qual Liv Kristine, a frontwoman dos Leaves Eyes, fazia parte. Com os Theatre of Tragedy a virarem para o alternativo e para a electrónica, Liv abandonou a banda para prosseguir uma carreira acompanhada do seu companheiro Alexander Krull, dos Atrocity. Se primeiramente com «Lovelorn», Liv Kristine parecia ter optado por um tradicional gothic metal, «Vinland Saga» viu os Leaves Eyes navegarem para terras mais folk com recurso a uma imagética mitológica e uma sonoridade aproximada do gothic metal moderno que as primeiras bandas acima descritas tocam. Ora, isto de aproveitar trends tem muito que se lhe diga e, ouvindo este «Njord» é praticamente impossível não pensar em «Dark Passion Play» dos Nightwish. As aproximações instrumentais a esse disco em particular, mas também a «The Heart of Everything» são verdadeiramente impressionantes com a pop descarada de «My Destiny» (que até parece a «What Have You Done» dos Within Temptation) e «Take the Devil in Me» a parecer a «Amaranth» mas com um registo vocal menos dinâmico do que Anette Olzon. É pena, porque a espaços os Leaves Eyes até parecem ter algumas ideias interessantes mas mal desenvolvidas como em «Emerald Island» e na introdutória «Njord». «Scarborough Fair» consegue ser por outro lado a mais interessante faixa do disco, com um ambiente próprio e o tal folk mais acentuado que faz toda a diferença. O ponto menos positivo deste disco acaba por ser precisamente as vocalizações dos dois líderes do grupo. Liv Kristine é uma vocalista com um registo pouco dinâmico, que se limita a timbres baixos e a acompanhar os instrumentos e Alexander Krull, bem... dizer que não devia ter emprestado a voz a este disco, já diz o suficiente. Chega-se ao ponto de se pedir "por favor, não cantes agora"! Enfim...«Njord» não é um autêntico falhanço, mas anda lá perto. Um disco fútil, carregado de clichés e colagens de outras bandas. Apenas para os maníacos do gothic metal moderno, e mesmo esses se calhar não vão dar por bem empregue o dinheiro. 4/10

3 INCHES OF BLOOD - «HERE WAITS THY DOOM»

Os 3 Inches of Blood foram uma das bandas mais promissoras dos últimos anos, depois de terem lançado o excelente «Advance and Vanquish» em 2004 (o segundo deles), mas por algum misterioso motivo, a banda liderada pelo vocalista Cam Pipes, o único sobrevivente da formação original, parece algo estagnada numa confortável posição, em que depois de assinado contrato com a Roadrunner, limita-se a lançar discos medianos e a saír para a estrada em busca da verdadeira fonte de rendimentos das bandas actuais: os concertos. Depois do morníssimo «Fire Up the Blades» e do escusado EP «Trail of Champions» agora é a vez de «Here Waits Thy Doom» que, para além de ser um sério candidato a pior capa do ano, é daqueles discos inimagináveis para quem gravou temas como «Destroy the Orcs» e «Fear on the Bridge». Neste álbum a banda levanta consideravelmente o pé do acelerador para nos brindar com uma série de temas entre uns Iron Maiden de segunda geração e uma versão mais fraca de Black Sabbath e, apesar de haver aqui alguns temas bem catitas como o excepcionalmente agressivo «Call of the Hammer», o priestiano «Rock in Hell» e o flirt zeppeliano de «Preachers Daughter», «Here Waits Thy Doom» fica longe de constituir um álbum de excepção. 6,3/10

ARTILLERY - «WHEN DEATH COMES»

Parece dificil conceber uma banda que se formou em 1982, só tenha gravado 4 álbuns longa duração, mas para os Artillery, há um ditado popular que se aplica na perfeição ao conjunto dinamarquês: qualidade em vez de quantidade. Chega agora o seu 5º registo dez anos após «B.A.C.K.» (1999) um disco que passou algo despercebido, numa altura em que o gothic metal e o nu metal estavam em alta. Isso claro não invalida que o disco fosse bom...era óptimo, mas a milhas do clássico «By Inheritance», álbum de 1990, que marcou definitivamente a carreira do grupo e é sem exageros, um dos melhores discos de thrash da história. Em «When Death Comes», o grupo nórdico assina uma prestação memorável à altura de «By Inheritance» com o seu thrash com arranjos progressivos e de heavy power clássico. Sem quaisquer tipo de fillers e com malhas pujantes como «Delusions of Grandeur», «Rise Above It All», «Sandbox Philosophy» e o tema título, este disco mostra que há bandas que, independentemente dos anos passarem por elas, sabem sempre como escrever excelente música. Um exemplo de preserverança. 9/10

Sunday, September 06, 2009

INSOMNIUM - «ACROSS THE DARK»

Já no quarto álbum, são curiosamente uma banda que tem passado algo despercebida no meio, mas que na sua terra natal, a Finlândia, já possuem uma considerável base de seguidores e não custa perceber porquê. Assim que o meio-instrumental «Equivalence» acaba e os maravilhosos acordes de «Down With the Sun» se iniciam, «Across the Dark» dificilmente sairá dos vossos leitores durante algumas semanas, isto se gostarem de death metal melódico e semi-progressivo. Encontra-se até um paralelo com uma banda que recentemente lançou nos escaparates «Isolation Songs», os Ghost Brigade, embora os Insomnium incluam algumas canções bem aceleradas como «Against The Stream» e «Into The Woods», e destacam-se mais pelas melodias progressivas com o timbre típico das bandas nórdicas como em «The Harrowing» Years e e na já referida «Down With the Sun». Um óptimo disco. 8/10

ENSIFERUM - «FROM AFAR»

«From Afar» é o quarto disco dos finlandeses Ensiferum, uma das mais interessantes bandas de folk viking metal da actualidade. Mas se o termo folk viking metal é já por si algo cliché, e à partida já se saiba exactamente o que se vai encontrar num disco do género, parece haver espaço para uma banda convincente como este quinteto que rubrica aqui provavelmente um dos mais pujantes discos desse estilo no presente ano. Comparem-nos aos recentes de Korpiklaani, Tyr ou mesmo Finsterfrost e Drudkh. «From Afar» está repleto de melodias bombásticas, hinos guerreiros e coros maravilhosos, para não falar da dinâmica composicional excepcional do grupo, que permite escrever músicas de 12 minutos («Heathen Throne» é excelente), sem que se tornem minimamente chatas. Por outro lado, este disco não vai acrescentar absolutamente nada a um género que já começa a apresentar alguns sinais de cansaço. No que toca aos melhores, Eluveitie (numa vertente mais folk e menos viking) e estes Ensiferum estão definitivamente aí para ficar. 8/10

BURNT BY THE SUN - «HEART OF DARKNESS»

No oceano das bandas descaracterizadas do metalcore, em que todas soam ao mesmo, existem sempre algumas que conseguem sobrepôr-se por vias da originalidade e irreverência, como se fossem peixes exóticos num cardume gigantesco de sardinhas. É o caso dos norte-americanos Burnt By The Sun que conseguiram em 2002 com a estreia «Soundtrack to the Personal Revolution», suscitar algumas reacções muito positivas com uma saudável aproximação ao grindcore e muita experimentação, embora estivessemos ainda no início do movimento metalcore e seja difícil perceber se esse disco hoje teria o mesmo impacto, o facto é que as boas impressões ficaram. Impressões essas que em 2004 se transformaram em certezas com o álbum «The Perfect is the Enemy of the Good». Estranhamente o grupo entrou em letargia quando o vocalista Mike Olender e o baterista Dave Witte (este último também dos Municipal Waste e Birds of Prey) resolveram abandonar o barco. Felizmente em 2007, o split com os Car Bomb, fez com que a banda se reunisse uma vez mais e decidisse mesmo gravar o álbum que agora se apresenta como «Heart of Darkness». Mas apesar da boa nova e do distanciamento em relação à maioria das bandas que praticam o mal fadado metalcore, os BBTS ficam com este disco longe do brilhantismo dos primeiros dois registos, o que faz perguntar se não estão apenas a tentar capitalizar o trend. Um regresso a meio gás. 6/10

COMPILAÇÃO "HISTÓRIA DO BLACK METAL»

Aqui começam as compilações temáticas que queremos a partir de agora trazer até vós mensal. Para começar esta aventura, escolhemos o mais controverso sub-género do metal, o black metal. Abordamos em 25 temas, a primeira vaga e a segunda, com especial incidência no movimento norueguês. Passamos pela onda do black metal melódico do final da década de 90, pelo avantgarde e pelo black rock e progressive black metal. Finalmente destacamos algumas bandas mais recentes, cujos trabalhos marcaram a forma de sentirmos o black metal. É óbvio que faltam aqui algumas bandas importantes (Sarcófago, Graveland, Khold, Dark Funeral ou Blut aus Nord), mas não quisemos fazer uma lista demasiado longa, com risco de se tornar demasiado generalista. Por isso aqui ficam as nossas escolhas, com o formato final aprovado pelo moderador cá do sítio, Paulo Figueiredo.Esperamos que apreciem a comp, e que esta vos faça viajar até à vastas negras florestas norueguesas e pelos pólos gélidos do norte. C.C.

01. Venom - Black Metal
02. Hellhammer - Massacra
03. Bathory - Woman of Dark Desires
04. Celtic Frost - Into Crypts of Rays
05. Darkthrone - In the Shadow of the Horns
06. Burzum - Dunkelheit
07. Emperor - I Am the Black Wizards
08. Marduk - Sulphur Souls
09. Mayhem - Freezing Moon
10. Cradle of Filth - The Black Goddess Rises
11. Summoning - The Passing of the Grey Company
12. Gorgoroth - Sorg
13. Ulver - V: Of Wolf and the Moon
14. Dimmu Borgir - Mourning Palace
15. Arcturus - My Angel
16. Dodheimsgard - Traces of Reality
17. Immortal - Withstand the Fall of Time
18. Thorns - Stellar Master Elite
19. Satyricon - Fuel For Hatred
20. Enslaved - Isa
21. Watain - Legions of the Black Light
22. Anaal Nathrakh - Between Piss and Shit we are Born
23. Shining - Lat Oss Fran Varandra
24. Cobalt - Dry Body
25. 1349 - Uncreation

Saturday, September 05, 2009

VADER - «NECROPOLIS»

A revolução que se verificou nos polacos Vader parece não ter afectado por aí além a sonoridade da banda que, verdade seja dita, pouco ou quase nenhum input tinha de outros músicos que não Piotr "Peter" Wiwczarek. Por isso é legítimo dizer que se este disco é bom, é por inteiro por responsabilidade de Peter. Quanto ao disco em si, estamos perante um conjunto de temas que não fogem muito aquilo que os Vader andam a oferecer desde os primórdios da sua existência. Um óptimo equilibrio entre velocidade e peso, entre thrash e death, como só os Vader sabem fazer. Neste capítulo, os fãs podem ficar descansados porque a autêntica debandada do grupo, em nada beliscou aquilo que os Vader representam. No entanto, «Necropolis» não me suscitou qualquer entusiasmo adicional como os anteriores discos fizeram, mesmo o menos bom «The Beast». Trata-se, lá está, de um disco standard dos Vader, sem uma malha como «Predator», «Xeper» ou «Whisper», para citar só alguns exemplos. Pode ser que os temas cresçam ao vivo. Para atestar em Outubro, quando os Vader vierem a Portugal. Para o fim ficam as covers de «Black Metal» dos Venom e de «Fight Fire With Fire» dos Metallica, ambas fiéis aos originais e muitissimo bem interpretados. 7,5/10

WINDS OF PLAGUE - «THE GREAT STONE WAR»

Começando pelo óbvio, os Winds of Plague são uma banda de metalcore. Torna-se por demais evidente que com esta base dificilmente «The Great Stone War» se destacará das centenas de bandas do mesmo estilo que provêm do mesmo sítio que os Winds of Plague: EUA. Pelo menos até os teclados começarem a envenenar os nossos ouvidos, aí a coisa até começa a ter alguma piada, para muito rapidamente perdê-la toda pelo uso displicente com que são utilizados. Metalcore com teclados? Não, obrigado, ainda que os Winds of Plague até sejam uma banda com ideias interessantes, (o solo de «Battle Scars» é muito bom) estas são totalmente anuladas, pelos inevitáveis clichés espalhados por todas as canções, breakdowns incluídos. Alguém disse "os Rhapsody do metalcore"??? 4/10

Friday, September 04, 2009

THE 69 EYES - «BACK IN BLOOD»

Os finlandeses The 69 Eyes eram uma banda moribunda quando a fama atingida por HIM, To/Die/For e Sentenced se fez notar nas tabelas de vendas do país nórdico. Rapidamente os The 69 Eyes aproveitaram, e bem, esse movimento, para revitalizar a sua carreira. Ajudou também o facto dessas bandas citarem frequentemente os The 69 Eyes como fonte de inspiração para os seus trabalhos. «Back in Blood» acaba por ser como um manifesto de sobrevivência aos tempos em que a banda era totalmente ignorada fora do circuito gothic rock. É precisamente isto que «Back in Blood» representa: gothic rock de qualidade, com refrões orelhudos e uma atitude muito cool. «We Own The Night» e «Kiss Me Undead», são dois bons exemplos de música descomprometida e ideal para ouvir numa noitada de copos. 7/10
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