Quando vi pela primeira vez a capa deste 12º trabalho de originais dos Hypocrisy, comecei a dissertar sobre as possibilidades de Peter Tägtgren se encostar ao black death metal, como forma de escapar à estagnação que o seu grupo atingiu depois de 11 discos em que as variações musicais foram mínimas. Mas assim que «Valley of the Damned» começa a disparar aquela melodia tão característica dos Hypocrisy, as suspeitas caíram logo por terra: ainda não é desta que o afamado músico/produtor arrisca o quer que seja com a sua banda principal. Ainda bem, dizem os fãs da banda, que ao fim de 11 discos a ouvir a mesma coisa, ainda conseguem encontrar num novo álbum dos Hypocrisy, coisas interessantes e dignas de registo. «A Taste of Extreme Divinity» é de facto um bom álbum de death metal com malhas pujantes, (onde «Weed Out the Weak» e «Global Domination» se destacam) um Peter Tägtgren inspirado tanto vocalmente como na guitarra, e um baterista, Horgh, versátil e agressivo atrás do kit de bateria. Mas apesar da notória capacidade de dar ao death metal uma melodia soberba e desde logo reconhecível como sendo Hypocrisy, «A Taste of Extreme Divinity» é "só" mais um disco da banda, sem quaisquer tipo de oscilações, a não ser ao nível gráfico e lírico. 7/10Thursday, October 29, 2009
HYPOCRISY - «A TASTE OF EXTREME DIVINITY»
Quando vi pela primeira vez a capa deste 12º trabalho de originais dos Hypocrisy, comecei a dissertar sobre as possibilidades de Peter Tägtgren se encostar ao black death metal, como forma de escapar à estagnação que o seu grupo atingiu depois de 11 discos em que as variações musicais foram mínimas. Mas assim que «Valley of the Damned» começa a disparar aquela melodia tão característica dos Hypocrisy, as suspeitas caíram logo por terra: ainda não é desta que o afamado músico/produtor arrisca o quer que seja com a sua banda principal. Ainda bem, dizem os fãs da banda, que ao fim de 11 discos a ouvir a mesma coisa, ainda conseguem encontrar num novo álbum dos Hypocrisy, coisas interessantes e dignas de registo. «A Taste of Extreme Divinity» é de facto um bom álbum de death metal com malhas pujantes, (onde «Weed Out the Weak» e «Global Domination» se destacam) um Peter Tägtgren inspirado tanto vocalmente como na guitarra, e um baterista, Horgh, versátil e agressivo atrás do kit de bateria. Mas apesar da notória capacidade de dar ao death metal uma melodia soberba e desde logo reconhecível como sendo Hypocrisy, «A Taste of Extreme Divinity» é "só" mais um disco da banda, sem quaisquer tipo de oscilações, a não ser ao nível gráfico e lírico. 7/10BARONESS - «BLUE RECORD»
Aqui está finalmente o sucessor do aclamado «Red Album», a que os Baroness resolveram chamar de.... «Blue Record». Ok, o quarteto norte-americano pode não ser dos mais inspirados a escolher títulos para os seus discos (já os EPs de 2004 e 2005 chamaram-se «First» e «Second»), mas a música é do melhor sludge rock metal a que puderão deitar ouvidos este ano. Curioso, porque assim que comecei a ouvir estas novas canções, tive várias vezes a sensação de que era um disco menos homogéneo e menos inspirado do que o disco de estreia. O que é certo é que «Blue Record» é um disco mais variado, mas é também mais orientado para os riffs, sublinhando a cada música que passa, novas texturas e ritmos brilhantes como o que abre «Jake Leg» ou os de «A Horse Called Golgotha», esta com um excelente solo aos 3'20. A razão para serem comparados aos Mastodon, começa por outro lado a ficar cada vez mais diluída, mas presente em alguns temas como «War, Wisdom and Rhyme», estratégicamente colocada quase no final do alinhamento, com o seu andamento up tempo a ser a malha mais pesada de todo o disco. «Blue Record» é bem mais memorável do que o «Red Album» e indicativo de os Baroness podem a curto prazo, vir a ser um caso sério de popularidade nos adeptos das novas gerações do metal americano. 9/10EKRON CULT - «QUEEN OF THE LUXURY»
Se gostam de álbuns limpos, sobreproduzidos e capas photoshopadas, podem simplesmente parar de ler e passar para a review seguinte, porque «Queen of the Luxury», o primeiro e único disco dos entretanto extintos Ekron Cult, parece saído de uma máquina do tempo, directamente da mesma fornada de um «Under the Sign of the Black Mark», «INRI» ou «Obssessed by Cruelty». Com apenas 27 minutos de duração, «Queen of the Luxury» é feio, porco, mau e vem do Paraguai, exclusivo para amantes das sonoridades old-school e um verdadeiro deleite auditivo repleto de malhas que fariam furor ao vivo, nomeadamente «Re-crucify the Bastard», «March Over Death» (a minha favorita) e «The Ancient Bringers of Sins». Apesar da banda estar conotada como death metal, o trio composto por The Attacker, The Antagonist e The Vandalic, deve mais ao thrash de uns Sodom e ao black dos Bathory e Hellhammer, do que propriamente aos Morbid Angel, ainda que a espaços o «Altars of Madness» marque presença nos pujantes riffs de «Eterno, Maldito» e em «Rot». É claro que analisando friamente o disco, isto é produto de fraquíssima qualidade ao nível da produção que parece uma demo e a música tem originalidade zero, mas por vezes o que conta é mesmo a resposta emotiva à arte e «Queen of the Luxury» provoca uma inequívoca reacção de admiração pela fiel reprodução de uma das mais emblemáticas eras da história do metal. Hats off! 8/10LOST SOUL - «IMMERSE IN INFINITY»
Apesar de não serem propriamente uma banda muito produtiva (4 álbuns de originais desde 1991), os polacos Lost Soul são uma das mais respeitadas bandas de death metal do seu país juntamente com Behemoth, Vader e Decapitated. Muito por culpa dos excelentes registos que o conjunto lá vai editando de tempos em tempos. «Immerse in Infinity» sucede a «Chaostream» de 2005, e pode-se já adiantar, minimiza a espera com o melhor lote de composições que o grupo alguma vez ofereceu. Um death metal violento que baste, mas repleto de técnica e tiques progressivos, sem nunca perder a noção de estrutura e melodia. Os melhores exemplos estão em «Personal Universe» e «216», músicas longas em duração, mas que estão arquitectadas para nunca soarem chatas ou repetitivas. Depois ainda temos que levar com o malhão que é «...If the Dead can Speak», uma música de death melódico que não destoaria num qualquer disco de In Flames..pelo menos os primeiros minutos da música. «Immerse in Infinity» versa sobre o cosmos e mundos paralelos, e é de facto uma banda sonora perfeita, para os tópicos apresentados. Um dos grandes discos de death metal de 2009. 8,5/10Wednesday, October 21, 2009
HARVESTMAN - «IN A DARK TONGUE»
Harvestman é um dos projectos desenvolvidos pelo Sr. Steve Von Till dos Neurosis, à parte de um outro a que dá o seu nome com o qual, em 2008 gravou o aplaudido «A Grave is a Grim Horse». «In a Dark Tongue» é, aliás, o segundo disco que Von Till grava com Harvestman, o primeiro, «Lashing the Rye», data já de 2005. Confesso que não ouvi esse disco de estreia, mas se for na onda deste «In a Dark Tongue», não fico com grande vontade de o ouvir. Trata-se de um projecto em que se exploram sobretudo ambientes em ritmos lentos, a maior parte das vezes em formato instrumental. O disco em si, demora a arrancar com as primeiras músicas a servirem apenas como focos de tensão, mas muitíssimo alongadas, antes de chegarmos sem grande entusiasmo a «By Wind and Sun», onde finalmente começa a acontecer alguma coisa, com a entrada de vocalizações sussurradas e com um riff de guitarra denso e cativante por trás. O disco prossegue interessante em «Music of the Dark Torrent» e na folkish «Eibhli Ghail Chiuin Ni Chearbhail», para continuar infelizmente através de uma série de canções chatas e sem alma, como «The Hawk of Achill» e «Light Cycle». Para o final, fica um devaneio que parece saído das sessões do Planetário de Lisboa, com o espacial «Centre of the World». «In a Dark Tongue» é um disco que peca por longo, que se torna inevitavelmente aborrecido e que comprova que, afinal nem tudo o que reluz da Tribes of Neurot é ouro. 5/10 ECHOES OF ETERNITY - «AS SHADOWS BURN»
Se a estreia dos Echoes of Eternity com «The Forgotten Goddess» fazia antever uma banda empurrada pela imagem e pela sonoridade cheesy, sem qualquer tipo de conteúdo meritório de registo, este segundo disco é em larga escala um objecto superior ao primeiro disco, mas ainda assim com algumas fraquezas que se revelam vitais. «As Shadows Burn» pega no power metal americano e injecta uma considerável dose de gothic metal e alguns trejeitos do malfadado metalcore mais melódico. O resultado está longe de ser sofrível. O grupo norte-americano consegue a espaços ser mesmo excelente como em «Ten Of Swords», «A Veiled Horizon» e «Twilight Fires», auferindo o disco de uma cativante atmosfera melancólica, como fazem por exemplo, os The Agonist. A musicalidade está, ouçam por exemplo a secção intermediária de «Twilight Fires», os riffs thrash em oposição à voz delicada de Francine Boucher em «Letalis Deus» e os riffs progressivos de «Funeral in the Sky». O problema reside na falta de alcance e versatilidade da voz da frontwoman, que quando precisa de atingir um registo agudo mais alto, limita-se a dobrar vozes. No refrão de «Buried Beneath A Thousand Dreams» é mais do que evidente. Há aqui, no entanto, bastante potencial, esperemos que os Echoes of Eternity saibam aproveitá-lo. 7/10LUX FERRE - «ATRAE MATERIAE MONUMENTUM»
Temos nos últimos anos assistido a um saudável surgimento de várias bandas portuguesas de black metal que vão desde do depressivo (Inverno Eterno) ao sinfónico (Darkside of Innocence), passando pelo mais clássico com Epping Forest, numa versão mais melódica e InThyFlesh numa versão mais raw. Os Lux Ferre por seu lado estabelecem hoje a ponte entre o movimento vanguardista francês, como na música «Dormente» que fecha este novo álbum e o típico black metal nórdico, em «Thirst for Despair». Isto claro, com as devidas diferenças, porque se existe ponto positivo em «Atrae Materiae Monumentum» é a atmosfera simultaneamente melódica e podre, pautada pela áspera e convincente voz de Devasth, que permite identificar quase de imediato que banda estamos a ouvir. Aliás, não estamos aqui a falar de músicos desconhecidos ou estreantes. Este é o segundo longa duração de um grupo que se desdobra (ou desdobrou) em diversos projectos paralelos, como Malleus, Penitência, Ars Diavoli e InThyFlesh, relativamente produtivos ao longo dos anos que separam este disco da estreia «Antichristian War Propaganda», um álbum onde se podiam ouvir essencialmente influências de Craft e Marduk. Para este sucessor, os Lux Ferre tornaram-se numa banda muitíssimo mais interessante e variada, entre temas de black/doom como «O Caminho» e o blastbeat típico-sem-ser-corriqueiro de «The Bell of Fate», que apesar da velocidade, está repleta de atmosfera. Em suma, este é um disco com grandes momentos («Correntes» é outra música sublime), mas que dificilmente irá revolucionar o que quer que seja no black metal. Acima de tudo é um disco interessante e competente. 7/10Sunday, October 18, 2009
BELPHEGOR - «WALPURGIS RITES - HEXENWAHN»
Com «Walpurgis Rites - Hexewahn», os austríacos Belphegor chegam à respeitosa marca de 8 álbuns de originais, sendo que recentemente editaram o muito bem recebido «Bondage Goat Zombie» (2008). Nesse disco, os Belphegor começavam a fazer algo que sempre haviam descurado: escrever canções duradouras, apostando nos riffs e em refrões cativantes. A verdade é que o disco até foi bem recebido, mas muitos dos fãs de longa data acusaram o grupo de simplificar o seu som devido ao facto de terem assinado com a gigante Nuclear Blast. Por seu lado, «Walpurgis Rites - Hexewahn» é um regresso à sonoridade explorada em «Blutsabbath» (1997) e mais recentemente em «Pestapocalypse VI» (2006), com incursões esporádicas à tal simplificação presente em «Bondage Goat Zombie», como na mid-tempo «Der Geistertreiber» (uma réplica mais fraca de «Sexdictator Lucifer») e na épica «Veneratio Diaboli - I Am Sin». Apesar de se tratar de um disco que contém todos os ingredientes característicos de um disco dos Belphegor, «Walpurgis Rites - Hexewahn» é muito menos excitante do que o seu antecessor, onde encontrávamos malhas memoráveis como «Stigma Diabolicum», «Armageddon's Raid» ou «Der Rutenmarsch». Aqui, somente «The Crosses Made Of Bone», com os seus riffs meio thrashados e um solo de respeito e «Veneratio Diaboli - I Am Sin», onde conseguem ser simultaneamente agressivos e épicos, são canções verdadeiramente dignas de registo. 6,8/10ALICE IN CHAINS - «BLACK GIVES WAY TO BLUE»
Para os mais distraídos os Alice in Chains surgem associados ao movimento grunge no início dos anos 90, gravando dois discos considerados clássicos, «Facelift» em 90 e «Dirt» em 92. Sonoramente não tão acessíveis como Pearl Jam ou Nirvana, mas mais sérios do que Soundgarden e Faith no More, o grupo liderado por Jerry Cantrell, ascendeu ainda assim a um lugar ao sol, com 15 milhões de discos vendidos durante a década de 90. Neste regresso, 14 anos após o álbum homónimo (ou «Tripod» como lhe chamam), os Alice in Chains compõem uma inspiradissima colecção de 11 temas, em que se ressalva uma intensa atmosfera melancólica, que «All Secrets Known», «When the Sun Rose Again» e «Your Decision» sublinham. Por outro lado é com agrado que constatamos que o peso metálico não se perdeu com o tempo e o riff principal de «A Looking In View» faz-nos lembrar que o hard n' heavy ainda faz parte de tudo isto. Curioso é verificar que a banda pouco ou nada já tem a ver com o tal grunge dos 90's (a mais grungy é «Acid Bubble», que a partir dos 3 minutos vira uma música de stoner), tendo Cantrell (o principal compositor) substituído o grunge pelo sublime hard rock de «Check my Brain» e «Take Her Out». Para o fim fica a participação de Elton John ao piano, no tema mais intimista do disco. «Black Gives Way to Blue» é um excelente regresso dos Alice in Chains, e uma prova de que uma frase cliché, nestes casos, faz todo o sentido: "quem sabe nunca esquece." 8,5/10MERRIMACK - «GREY RIGORISM»
Se o black metal quando surgiu pautava essencialmente por uma imagem polémica e pela exacerbada utilização de um léxico satânico, algumas bandas deram origem a uma diferente abordagem ao black metal, apostando num visual mais obscuro e menos explícito, e em letras mais enigmáticas e até filosóficas. Os franceses Merrimack surgem na tradição "desse" black metal, inseridos numa brilhante vaga francesa composta por Antaeus, Blut aus Nord, Deathspell Omega, Glorior Belli e outras menos conhecidas como Celestia e Peste Noire. Não sendo propriamente um dos projectos mais famosos de França, os Merrimack também não são propriamente uns desconhecidos, tendo feito algum (relativo) furor em 2006 com o álbum «Of Entropy and Life Denial». Este «Grey Rigorism», segue os passos do seu antecessor e introduz mais dinâmica nas composições, audível em temas como «Omniabsence», no interlúdio «La Sainteté du Mal» e da épica de 13 minutos, «By Thy Grace» que inclui uma narração feminina, pormenor que confere uma atmosfera especial à introdução desse tema. Antes, a sequência inicial de «The Golden Door», «Omniabsence» e «Kirjath-Ra», revela-se altamente eficaz, num registo crú e áspero, típico do black metal, mas suficientemente variado para manter o ouvinte atento. «Grey Rigorism» é uma óptima proposta para amantes de black metal, mesmo não sendo um disco candidato às listas de melhores do ano, merece de facto a vossa atenção. 7,3/10RAMMSTEIN - «LIEBE IST FUR ALLE DA»
Com a progressiva queda dos Rammstein à vulgaridade com a mediano «Reise, Reise» e com o fraco «Rosenrot», ouvir o novo álbum da banda alemã antevia apenas uma escutadela de cortesia, porque as possibilidades de um disco de Rammstein voltarem a entusiasmar apresentavam-se como diminutas. Mas assim que «Rammlied» começa a tocar, é fácil perceber que «Liebe Ist Fur Alle Da» é um disco muito mais sério do que qualquer um dos dois anteriores e até mais carregado do que «Mutter». De facto trata-se de um disco muito mais virado para o rock do que para as partes dançáveis pelas quais os Rammstein são conhecidos. «Ich Tu Dir Weh», «Waidmanns Heil» e principalmente «Haifisch» sublinham esta postura dos alemães que porventura acabam mesmo por ganhar dimensão com a sobreposição das guitarras em detrimento das samplagens e da electrónica. Aspecto que a quinta faixa, «B********» exemplifica na perfeição. Para tal também contribui uma produção menos mecânica e mais orgânica, que assenta que nem uma luva quer à orientação musical do grupo, quer à componente gráfica do álbum. «Liebe Ist Fur Alle Da» é, contra todas as expectativas, um grande álbum e um excelente regresso dos Rammstein à acutilância agressiva de um «Sehnsucht» e de um «Herzeleid», complementado-a com a maturidade composicional adquirida no período do «Mutter», audível em «Fruhling in Paris» e «Roter Sand». 8/10Friday, October 16, 2009
SCAR SYMMETRY - «DARK MATTER DIMENSIONS»
Da montanha de discos que chegaram aos escaparates nos últimos dois meses, o novo de Scar Symmetry estava claramente nos lugares do topo no que diz respeito a expectativas. Primeiro porque o anterior disco «Holographic Universe» ainda hoje roda por aqui com frequência e por ser provavelmente um dos melhores discos de metal melódico saídos da sempre produtiva Suécia. O segundo motivo prende-se com a saída do vocalista Christian Ãlvestam que, aparentemente por divergências artísticas, abandonou o barco, ele que tinha estado nas origens dos Scar Symmetry. Como sabemos, trocar um vocalista que já entretanto marcou a personalidade da banda, é uma tarefa muito perigosa. Basta relembrar caso mediáticos como Blaze Bayley nos Iron Maiden e Tim Ripper Owens nos Iced Earth. Numa escala mais pequena os Scar Symmetry resolveram a questão da seguinte maneira: em vez de encontrarem um substituto para Christian Ãlvestam, encontraram... dois. Roberth "Robban" Karlsson para os vocais agressivos e Lars Palmqvist para os limpos. Ora, apreciando o trabalho destes frontmen, a verdade é que a diferença para Christian é diminuta, com Palmqvist a não ter um trabalho tão exigente no que diz respeito aos agudos. Já "Robban" consegue ser ainda mais brutal que o anterior vocalista. E é precisamente a partir daqui que se começa a desenvolver o problema de «Dark Matter Dimensions». Se numa primeira audição, conclui-se ser um disco mais pesado que os seus antecessores, a verdade é que isto não significa que seja melhor, e se pegarmos em canções como «The Iconoclast», «Noumenon And Phenomenon» e «Mechanical Soul Cybernetics», claramente os melhores momentos do disco, e os compararmos com «Morphogenesis», «Timewave Zero» e «Artificial Sun Projection», rapidamente nos apercebemos que estas últimas são muito mais sólidas, cristalinas e definidas, sem a confusão que parece emanar dos temas de «Dark Matter Dimensions». O melhor exemplo é «Ascension Chamber», a «Quantumleaper» deste disco, que se embrulha em riffs pesados, mas sem qualquer tipo de sensibilidade melódica, ao contrário do tema paralelo do álbum anterior. Se existe ponto a favor do quarto álbum dos Scar Symmetry, acaba por ser a produção a cargo do guitarrista Jonas Kjellgren, que equilibra na perfeição o som típico de Gotemburgo e a musculatura do metal moderno americano. «Dark Matter Dimensions» representa ainda assim, uma das maiores desilusões da rentrée metálica de 2009. 6/10Tuesday, October 13, 2009
WASP - «BABYLON»
Se é indiscutível que a carreira dos WASP se tem pautado por uma regularidade assinalável, também é verdade que nem sempre Blackie Lawless e os músicos que o acompanham, têm tido a habilidade de lançar discos interessantes. Por exemplo, temos uma primeira época intocável, onde pontificam os álbuns, «WASP», «The Last Command», «Inside the Electric Circus», «The Headless Children» e «The Crimson Idol». Estes dois últimos em que Lawless entrava por meandros mais filosóficos e sérios, que afastaram muitos fãs do conjunto norte-americano. A partir daqui em 1992, note-se que estamos a falar de 10 anos depois da estreia, os WASP entraram numa fase algo descendente, em que estão discos tudo menos unânimes como «Still Not Black Enough» e «Kill, Fuck, Die», com o recuperar da atitude mais nasty de Blackie Lawless. Apesar de tudo, o sucesso do grupo foi-se mantendo e seguiram-se mais uma série de discos entre o razoável («Helldorado») e o fraco («Dying for the World»). O diptíco «The Neon God» foi um surpresa razoável mas cansativa e «Dominator» um bom return to form. Ora, falar de um grupo que lança álbuns desde 1984 pode de facto dar muito trabalho, mas este «Babylon» acaba por ser um disco até fácil de situar. É um lógico seguimento de «Dominator», que fica a entre a tal atitude descomprometida, em temas como «Crazy» e «Burn» (uma cover de Deep Purple), e uma faceta mais séria em «Into the Fire» e no momento mais alto do disco, «Babylon's Burning». Lawless parece ter finalmente encontrado uma fórmula que o deixa (a ele e a nós) contente. «Babylon» está claramente entre os melhores trabalhos dos WASP lançados desde 1995. 7,8/10LIFELOVER - «DEKADENS»
Considerado aqui no Event Horizon um dos melhores álbuns de 2008, «Konkurs» dos Lifelover, foi uma agradável surpresa no que toca ao depressive black metal, género que explodiu pelas mãos dos Shining e que tem nos Abruptum as suas mais remotas origens. Este «Dekadens» não é mais do que um EP que tenta não deixar que o crescente interesse pelo grupo se esmoreça no meio de tantos lançamentos importantes de 2009. O que temos em mãos é um conjunto de 7 temas, surpreendentemente curtos, em que também se estranha uma certa aceleração de ritmo, nomeadamente em «Major Fuck Off» e «Androids», de resto temas algo atípicos. Mais convencional é a excelente «Lethargy» que mistura o tal black metal depressivo com Katatonia circa «Brave Murder Day». «Dekadens» parece servir como ponte de experimentações entre «Konkurs» e um próximo álbum a sair em 2010. Pela mostra, o grupo apenas inclui alguns detalhes em termos de composição que em nada revoluciona aquilo que os Lifelover têm andado a fazer desde da estreia em 2006 com «Pulver». O bom lançamento para todos os fãs do género. 7/10KISS - «SONIC BOOM»
Neste regresso aos originais, os Kiss apelidam «Sonic Boom» de: "o nosso melhor álbum dos últimos 30 anos". Um exagero pois claro. Trata-se de um disco interessante, especialmente na primeira parte, em que nos são oferecidas, de facto, algumas das melhores malhas da carreira do conjunto norte-americano como, «Modern Day Delilah» e «Russian Roulette», que reportam ao passado longínquo do grupo. Mas o entusiasmo fica mesmo só por aqui. O desfile de fillers a partir de «Stand» (a última faixa assim-assim), é verdadeiramente impressionante. A começar pela tolice «All For the Glory» e acabando nas estiradas mal conseguidas de «I'm an Animal» e «Say Yeah». Ouvir este «Sonic Boom» não equivale a nenhum estouro sonoro, como o nome do disco indica, mas a um disco feito para os singles e para vender mais algum merchandise. 5/10HATEBREED - «HATEBREED»
Depois das versões manhosas de «For the Lions» em que os Hatebreed prestaram tributo às bandas que os influenciaram, eis que surge (no mesmo ano) um novo álbum de originais do grupo norte-americano. À primeira vista trata-se de um disco muito similar aos anteriores e de facto a sonoridade Hatebreed está lá, mas é também um disco onde Jamey Jasta e companhia experimentam algumas alternativas ao musculado hardcore que praticam, que se pauta essencialmente pela velocidade, alternada com pequenas secções de groove. Em «Between Hell and a Heartbeat» e «Everyone Bleeds Now» o grupo consegue introduzir estruturas mais elaboradas em alternância com as faixas mais directas «Become the Fuse» e «In Ashes They Shall Reap». E em «Everylasting Scar» o grupo cola-se com sucesso ao heavy metal de uns Metallica, aqui representados no fim do álbum com a versão de «Escape». Apesar de ser um disco um pouquinho mais variado, ainda não será neste «Hatebreed» que veremos Jasta a saír do seu espectro vocal, que detendo um considerável poder, torna-se ao fim destes 14 temas (outro problema é a excessiva duração do disco) a parte menos versátil de um disco bem dinâmico. 7/10Saturday, October 10, 2009
COMPILAÇÃO HISTÓRIA DO DOOM METAL
Desde do doom clássico ao stoner, passando pelo funeral e pelo doom death, nesta segunda compilação, estão 25 temas que achámos obrigatórios numa qualquer compilação de doom metal. De realçar uma vez mais que tratámos de colocar as faixas por ordem cronológica e de retractar a evolução que se verificou no género. Por isso nota-se a falta de alguns nomes como Novembers Doom, Mourning Beloveth e Draconian, que na verdade são bandas boas, mas que devem muito ao triunvirato britânico, esse sim obrigatóriamente aqui representado. Por outro lado, juntámos algumas escolhas menos óbvias como Swallow the Sun e Reverend Bizarre, que no caso da primeira se justifica pela refrescante abordagem que o grupo deu ao doom death e que de alguma forma revitalizou um género moribundo em 2005, quando lançaram a estreia «The Morning Never Came». Quanto aos segundos, que já descansam em paz, a sua curta existência serviu para mostrar que o doom clássico ainda congrega legiões de admiradores. Confesso que este é o meu sub-género de predilecção no metal, e que esta compilação deu-me um gozo fenomenal. Descobri alguns grupos que não sendo suficientemente marcantes para serem incluídos, mostraram-me que existem muitas bandas prontas a serem descobertas. Em baixo fica o link, a tracklist da compilação e um conjunto de bandas que vale a pena descobrirem por vocês mesmos.Tracklist:
Black Sabbath - Black Sabbath (1970)
Witchfinder General - Death Penalty (1982)
Trouble - The Tempter (1984)
Cirith Ungol - Finger of Scorn (1984)
Pentagram - Burning Savior (1985)
Saint Vitus - Dying Inside (1986)
Candlemass - Demons Gate (1986)
Paradise Lost - Gothic (1990)
Cathedral - Serpent Eve (1991)
Solitude Aeturnus - Black Castle (1992)
Crowbar - Will That Never Dies (1993)
Disembowelment - The Spirit of the Tall Hills (1993)
Esoteric - Bereft (1994)
Thergothon - Everlasting (1994)
My Dying Bride - The Songless Bird (1993)
Anathema - Sleepless (1994)
Katatonia - Murder (1996)
Morgion - The Serpentine Scrolls/Descent to Arawn (1999)
Dolorian - My Weary Eyes (1999)
Unholy - Of Tragedy (1999)
Electric Wizard - Funeralopolis (2000)
Sunn0))) - Mocking Solemnity (2002)
Swallow the Sun - Deadly Nightshade (2003)
Reverend Bizarre - Doom Over the World (2005)
Evoken - A Caress of the Void (2007)
Link: http://www.megaupload.com/?d=X37E12W2
Sugestões álbuns:
Amebix - Arise! (1985)
Paramaecium - Exhumed Of The Earth (1994)
Visceral Evisceration - Incessant Desire For Palatable Flesh (1994)
Dusk - Majestic Thou In Ruin (1995)
Saturnus - Paradise Belongs To You (1996)
Doomsword - Doomsword (1999)
Funeral - In Fields of Pestilence Grief (2002)
Sleep - Dopesmoker (2003)
Draconian - Arcane Rain Fell (2005)
Novembers Doom - The Pale Haunt Departure (2005)
Inborn Suffering - Wordless Hope (2005)
Catacombs - In the Depths Of R'lyeh (2006)
Ahab - The Call of the Wretched Sea (2006)
Mourning Beloveth - A Disease For The Ages (2008)
METALIUM - «GROUNDED - CHAPTER VIII»
De super-grupo a banda decadente. Assim se pode resumir a carreira dos Metalium, banda germânica que começou por incluír grandes nomes do power metal mundial, para actualmente ter um quarteto composto por músicos praticamente desconhecidos. O nome que porventura vos dirá alguma coisa é Henning Basse, dos Brainstorm e músico de sessão dos Gamma Ray. Num disco cuja capa parece saída do videojogo «God of War», o seu interesse intrínseco é mínimo e apenas válido para aqueles que estão atentos ao metal melódico. Aqui por acaso, os Metalium até surpreendem com alguns temas bastante pesados como «Falling Into Darkness» e aquele que é sem dúvida o melhor momento do disco, «Pharos Slavery». De resto, as novidades são nulas, e apenas se constata que os Metalium são hoje uma sombra da banda que haviam prometido no início de carreira, vir a ser. 5,6/10FUKPIG - «SPEWINGS FROM A SELFISH NATION»
Incluíndo membros de Mistress, Anaal Nathrakh e Frost, os Fukpig são a nova sensação do blackened grindcore britânico. Nesta estreia «Spewings From a Selfish Nation» a grupo mistura com algum sucesso elementos de bandas como Napalm Death e Terrorizer, para condimentar o resultado com algum black metal que não destoaria num qualquer álbum de Anaal Nathrakh. O saldo é pouco positivo e no global desinteressante. Isto porque o que o trio procura fazer é pegar em discos como «Scum» e «World Downfall» e injectar-lhe a irreverência BM, tanto que as primeiras 5 faixas são tão semelhantes, que nos fazem perguntar porque raio foram desmembradas desta maneira? Talvez porque músicas de 6 minutos não façam parte do cliché grindcore, que os Fukpig tanto querem reconstruír. Mais uma homenagem a clássicos sem pingo de originalidade. 4/10Friday, October 09, 2009
PORCUPINE TREE - «THE INCIDENT»
Começo por dizer que esta é a 12ª vez que oiço o disco e que ainda antes de ter-me atirado com unhas e dentes a mais esta obra dos Porcupine Tree, resolvi revisitar alguns dos anteriores magníficos discos como «Deadwing» e «In Absentia», na minha opinião, os melhores da carreira do grupo. «The Incident» revelou-se posteriormente um disco de sentimentos díspares. O primeiro foi de que cresce a cada audição e acaba por se tornar verdadeiramente viciante. Depois, uma vez digerido o álbum por inteiro, já era possível situá-lo na discografia do grupo e a verdade é que, apesar de ser uma boa proposta, trata-se de uma obra menor na carreira dos Porcupine Tree. E porquê? Porque lhe falta ousadia e porque parece ser um disco seguro e sem riscos, como se a premissa (ou a conceptualidade temática do disco) fosse suficientemente arriscada e Wilson tenha preferido deixar os riscos e experimentações por aí. «The Incident» é um disco escorreito e bonitinho, mas falta-lhe uma boa dose de risco, essencial numa altura em que o grupo parece estar a começar a repetir-se perigosamente de disco para disco. 7/10SHRINEBUILDER - «SHRINEBUILDER»
É praticamente impossível ficar-se indiferente a um projecto que junta nada menos do que Scott Kelly dos Neurosis, Scott "Wino" Weinrich dos Saint Vitus, Al Cisneros dos Sleep e Dale Drover dos Melvins. Uma verdadeira all-star band que compõe os Shrinebuilder, que lançam aqui o seu primeiro trabalho, auto-intitulado, que é apesar da expectativa um portento de doom stoner em todos os sentidos. A começar pela fenomenal malha que é «Pyramid of the Moon», um misto de riffs abrasivos típicos da tradição Neurosis, com uma secção intermediária que reporta automaticamente para o trabalho de "Wino" nos Place of Skulls. Aliás, o que faz dos Shrinebuilder um projecto tão aliciante é mesmo a possibilidade de podermos numa mesma canção ouvir remniscências de Neurosis, Sleep e dos projectos de "Wino". «Shrinebuilder» é uma óptima estreia, mas ainda assim, longe de ser perfeita. Achamos que alguns temas estão algo mastigados, como se fossem ainda ideias numa demo, como «Blind For All To See». Também a curtinha duração do disco (não chega aos 30 minutos), revela que o grupo teve algum receio de arriscar e que esta estreia designa-se sobretudo a perceber qual a recepção que o povo irá dar aos Shrinebuilder. Pela mostra, merecem toda a atenção do mundo, mas por outro lado, esperemos que um eventual sucesso do projecto não resulte na redefinição da agenda de prioridades dos músicos envolvidos. 7,3/10Saturday, October 03, 2009
IMMORTAL - «ALL SHALL FALL»
Aqui está o regresso pela porta grande dos Immortal, banda que soube inteligentemente gerir a sua carreira, apostando em fazer uma pausa, para calcular a sua base de seguidores efectivos. Mas seria interessante estudar-se este fenómeno dos comebacks, em que bandas acabam e depois regressam com o triplo dos fãs da sua primeira fase. É verdade que os noruegueses Immortal já tinham por alturas de «Sons of Northern Darkness» uma base gigantesca de fãs. Mas penso que Abbath e companhia não estariam agora a encabeçar festivais ao lado dos Manowar, se não fosse por este hiato forçado a que a banda se submeteu. Relativamente a «All Shall Fall», trata-se de um disco musicalmente sem grande história para contar, o que se revela simultaneamente o ponto forte e fraco do disco. Se os temas são assumidamente Immortal, sonoramente pegam onde «Sons of Northern Darkness» os tinha deixado, esperava-se algo um pouco mais arrojado que marcasse a diferença. Afinal, «All Shall Fall» deveria ser um disco de vontade e fé renovada e não apenas mais do mesmo. Apesar de não de ser um disco mau, «The Rise of Darkness» e «Unearthly Kingdom» são óptimas músicas, deixa um ligeiro sabor a decepção. 7/10 MARDUK - «WORMWOOD»
Este está a ser um ano bastante proveitoso para o black metal, porventura o sub-género que melhores álbuns tem gerado, um pouco contra a corrente do core, que tomou de assalto os gostos dos novos metaleiros. «Wormwood» é o terceiro álbum dos Marduk da era Mortuus, vocalista dos Funeral Mist que substituiu Legion no microfone da blasfémica banda sueca liderada por Morgan Steinmeyer Hakansson, e que depois de duas autênticas bombas que foram «Plague Angel» e «Rom 5:12», tinha as expectativas muito altas. A primeira reacção às canções de «Wormwood» foram inevitavelmente de comparação imediata com aquele que vai sendo nesta altura o melhor disco de black metal do ano, «Maranatha», precisamente dos Funeral Mist. Em «Funeral Dawn» ou em «To Ridirect Perdition», os Marduk aproximam-se muito dos ambientes criado em «Maranatha», colocando-se desde logo a questão se «Wormwood» tivesse sido lançado primeiro, se os papéis não estavam nesta altura invertidos. Mas no fim de contas, isto nem sequer representa surpresa para ninguém. O Mortuus é um excelente compositor e a obra que faz com Funeral Mist atesta isso mesmo. Por isso seria normal que mais cedo ou mais tarde, o assustador vocalista, começasse a ter bastante input nos Marduk. Isto não é necessariamente mau, a banda sueca não se descaracterizou totalmente, temas como «This Fleshy Void», «Into Utter Madness» e «Chorus of Cracking Necks» são assumidamente Marduk, que até Legion poderia interpretar, tal a chapa 3 que Morgan lhes incute, mas com maior diversidade, como todos os álbuns de Marduk têm pretendido, desde do violento «Panzer Division Marduk». «Wormwood» é um álbum de bom nível, que ficará bem ao pé da restante (vasta) discografia do grupo, mas também é verdade que é inferior a qualquer um dos dois anteriores álbuns. 7,5/10DIABLO SWING ORCHESTRA - «SING-ALONG SONGS FOR THE DAMNED & DELIRIOUS»
Descrever a música dos Diablo Swing Orchestra seria meio caminho andado para escrever uma review gigantesca, mas tal como os Metallica diziam no booklet do «…And Justice For All»: “Long lists are fucking boring". Portanto vamos directos ao assunto: «Sing-Along Songs for the Damned and Delirious» é uma grande bomba e sem dúvida um sério candidato a estar no topo de qualquer tabela dos melhores de 2009. Às vezes é preciso algum sentido pragmático e por logo as cartas na mesa, aliás acredito que já vos despertei a curiosidade, se claro, ainda não ouviram este disco. De uma forma resumida, os Diablo Swing Orchestra, são tudo o que os System of a Down não conseguem ser: um grupo sem barreiras ou limites artísticos, sem estarem demasiado presos às mensagens políticas que querem (desesperadamente) transmitir. Os Diablo Swing Orchestra têm a vantagem de não terem propriamente uma mensagem séria a transmitir, mas fica comprovado na audição do disco, que sabem compor excelente música. Ora, misturar metal, folk, música latina, salsa, cabaret, gótico e lírico, não é mesmo para todos, sobretudo quando se consegue escrever temas como «A Rancid Romance» ou «Lucy Fears the Morning Star». Com tanta coisa misturada, corre-se o risco de se soar esquizofrénico, mas a banda sueca desenvolveu com mestria a sua arte, e em momento algum a banda soa perdida ou demasiado aventureira, porque parece saber bem onde estão as suas bases: no metal. O único ponto menos bom é a sequência «Memoirs of a Roadkill» e «Ricerca Dell’Anima», que mesmo não sendo fillers, não têm tanta intensidade como os restantes temas. De qualquer forma, um disco exuberante, delirante e soberbo em iguais medidas. A não perder. 9,5/10SECRETS OF THE MOON - «PRIVILEGIUM»
Donos de uma considerável base de fãs, os Secrets of the Moon, vêm de dois discos, «Carved in Stigmata Wounds» e «Antithesis» que faziam antever um futuro breakthrough da banda para o topo da cadeia alimentar do black metal, um género que tem ultimamente apresentado projectos que desafiam as barreiras do estilo em direcção a novas paragens mais experimentais, que no início da década de 90, seriam totalmente rejeitadas. Se «Privilegium» consegue até ser um disco superior aos seus antecessores, a tal promessa parece ainda ficar por cumprir. Depois de um início prometedor com «I Sulphur» com o seu riff cavalgante, os Secrets of the Moon, continuam na maior parte das canções seguintes, a evidenciar o seu grande mal: a falta de objectividade das músicas. As ideias estão lá e são excelentes, mas ao querer arrastar praticamente todas as secções até aos limites, faz com que as músicas sejam todas enormes, sem que haja, aparentemente, qualquer necessidade. Apesar de tudo, trata-se de um mal relativo, porque este factor acaba por contribuir para a criação de atmosferas mais elaboradas, e em determinados pontos até progressivas. Para este disco, não pude deixar de sentir igualmente, uma forte influência de Satyricon, que não sendo propriamente uma novidade, aqui é acentuada uma admiração especial pelo álbum «Volcano». Nos refrões de «I Maldoror» e em «Queen Among Rats» é bastante óbvio. É difícil negar no entanto a atmosfera especial que «Privilegium» possui e que a simples, mas brilhante, capa tão bem representa. 8/10

