Nacional: Ironsword - «Overlords of Chaos»
Nacional: Ironsword - «Overlords of Chaos»
Cabe aos Celan a honra de finalizar o ano 2009. A partir daqui dedicaremos o Event Horizon ao balanço do ano, que decorrerá até dia 5 de Janeiro.
Este foi um excelente, senão mesmo, o melhor ano da história do metal nacional. A relação qualidade-quantidade de facto não poderia ter sido melhor com um lote respeitável de bandas em posição para se apoderarem do título de melhor disco do ano. «Religion Blindness» tem todas as condições para isso. Num altura em que o thrash está de novo na moda, este até poderia ser um típico produto que teria apenas o intuito de capitalizar um trend e forçar entrada pela porta grande numa editora como a Nuclear Blast, Metal Blade ou Century Media. No entanto, ao ouvir este álbum, torna-se claro que algo distancia os Prayers of Sanity de grande parte das bandas que apareceram nos últimos meses a autodenominar-se como thrash metal. Esse ingrediente especial é em suma a mescla de talento e coração. Talento pela inequívoca capacidade de engendrar riffs simples mas ultra-eficazes e contagiantes e a de proporcionar performances individuais de classe, com uma produção nada menos do que perfeita. Coração, porque se nota que os Prayers of Sanity respiram THRASH METAL, não só de origem Bay Area (Exodus, Anthrax e Metallica) como alemã (Kreator, Destruction e Sodom). Pelo menos, até chegarmos a «Shards of Evil». Neste tema é a Iced Earth circa «The Dark Saga», que os Prayers of Sanity soam. Em suma, «Religion Blindness» é claramente um dos grandes discos de thrash metal de 2009... não só dos nacionais. 8,5/10
Apesar de não terem sido lançados este mês, os álbuns de Oblique Rain e Prayers of Sanity, foram acolhidos com tal agrado entre nós, que se tornou impossível deixá-los passar incólumes, sem que tecessemos algumas palavras de apreço. «October Dawn» é o segundo registo dos portuenses Oblique Rain, banda de progressive metal que lançou em 2007 o surpreendente «Isohyet». Este segundo registo representa uma agradável evolução na sonoridade do grupo, incrementando a parcela mais melódica que remete para uns Katatonia, Anathema ou Opeth. Não que estas bandas não se ouvissem em «Isohyet», mas porque em «October Dawn» são ainda mais audíveis. Esta opção, usada sempre com sensatez e fugindo ao descarado rip off, faz dos Oblique Rain um portento de sensibilidade melódica, ideal para ouvir nestes dias chuvosos, e que sublinha uma capacidade composicional sem paralelo em Portugal. Um dos grandes discos nacionais de 2009. 8/10
Uma das últimas propostas a chegar este ano, foi este «Carpe Diem» dos power metallers Heavenly, um grupo francês, responsável por óptimos trabalhos como «Dust to Dust» e «Virus». No entanto, num ano em que se editaram alguns bons discos do género, «Carpe Diem» está talhado para não fazer mossa. Trata-se de uma disco com todos os ingredientes básicos (boa produção, execução e boa noção de peso e melodia) mas ao qual falta algo que torne estas canções de refrão-verso-refrão, irresistíveis. Falta em suma, transcendência. É claro que recuperando qualquer um dos álbuns acima referidos, é notório que há muita capacidade nos elementos dos Heavenly, simplesmente este álbum não lhes faz justiça. 6/10
Escusado será nesta altura do campeonato dizer que os Hellfueled são uma banda exclusivamente centrada no passado, resgatando aos Black Sabbath e à carreira a solo de Ozzy Osbourne grande parte da sua influência. Torna-se aliás curioso verificar que esta banda tem já 4 álbuns de originais e um EP, nos quais a fórmula é sempre a mesma. A partir daqui a escolha é sempre do ouvinte, se é fã de hard n' heavy centrado em riffs rockeiros simples e pesados, com uma boa dose de blues, então «Emission of Sins» merece uma escutadela, se bem que ao pé do óptimo «The Devil You Know» dos Heaven & Hell, este disco soe muito pobrezinho. 6,9/10
Se pouco ouvimos falar nos Bosque nos últimos tempos, a verdade é que 2009 foi o ano mais produtivo para DM, que lançou a demo de «Erasure» (tema incluído em «Passage») e um split com os Lotus Circle, para em Outubro editar este primeiro longa duração «Passage». Para qualquer leitor menos atento, os Bosque são uma one man band de Vila do Conde, em que DM é o único elemento efectivo. A sonoridade do projecto é um funeral doom que ocasionalmente roça um atmospheric depressive black metal. Em suma, material do mais obscuro, lento e depressivo alguma vez gravado. «Passage» funciona bastante bem como disco ambiental, projectando riffs minimalistas e white noise, enquanto as vocalizações se desdobram num tom "angelical" e num outro mais sofrido e arrastado. Não será de todo fácil digerir um disco como «Passage», que se desenvolve através de 4 temas que duram 44 minutos. A massa envolvente e deprimente que brota das colunas pode num apropriado mood ser hipnótico e extremamente apelativo, situado entre uns Tyranny e uns SunnO))), mas também insuportável para quem não estiver familiarizado com este tipo de sonoridades. É no entanto inegável que no seu espectro, «Passage» é um disco soberbo e transportador de uma aura de clássico a ser reconhecido tardiamente. 9/10
Os russos Arkona já andavam a prometer um disco destes desde da estreia em 2004 com «Vozrozhdenie». «Goi, Rode, Goi!» traduz finalmente todo o potencial do folk da banda russa, que consegue num disco com 14 temas e 1 hora e 20 de duração gravar um excelente disco de folk metal, que deverá entrar directamente para o restrito lote de discos clássicos do género. É um disco onde se encontra agressividade, (ver «Tropoiu Nevedannoi (On The Unknown Trail)»), refrões folk alegres (em «Goi, Rode, Goi!»), composições épicas e intricadas (no tema de 15 minutos «Na Moey Zemle (In My Land)») e músicas mais curtas e directas onde se resume tudo isto, («Liki Bessmertnykh Bogov (Faces Of Immortal Gods)»). O resultado é absolutamente cativante e soberbo, fazendo de «Goi, Rode, Goi!» um trabalho admirável a todos os níveis e dificílimo de superar. Claramente o disco de folk metal do ano, só não leva nota máxima pela dispersão que a longa duração do disco proporciona. 8,6/10
Apesar de ser a altura ideal para os Laudanum lançarem finalmente o follow-up a «The Apotheker» de 2004, «The Coronation» é tudo menos uma proposta obrigatória para os fãs de sludge/doom. Num ano em que foram vários os óptimos trabalhos do género, «The Coronation» não se revela uma proposta tão aliciante quanto isso. A sonoridade deambula entre uns Burning Witch e uns Electric Wizard sem nunca atingirem a preponderância de nenhuma das bandas. Demasiado centrados em criar ambiente, os Laudanum acabam por tornar as suas composições aborrecidas como na intro «Procession», em «In Obscura» e na interminável «Apotheosis». Como pontos altos, «Invoke» sem dúvida, com Judd Hawk numa prestação vocal visceral e arrepiante, e «Wooden Horse» num dos poucos momentos em que os Laudanum conseguem criar uma atmosfera simultaneamente arrastada e sufocante sem ser aborrecida. Para fãs das sonoridade depressivas, quase exclusivamente e mesmo assim à condição. 6,7/10
Primeiro lançamento dos Revolution Within, banda de Santa Maria da Feira, que protagoniza mais uma das boas estreias do metal nacional em 2009. «Collision» contém um total de 8 faixas, sendo que duas são intros, de thrash metal straight forward, que relembra bandas como Sepultura (em «Destroy»), Pantera (em «Sorrounded By Evil») e Machine Head (em «Stand Tall»). O ponto forte de «Collision» é porém a sensibilidade melódica, nomeadamente dos solos, que resgata ao death metal sueco muitas das suas virtudes, como por exemplo nas variações ritmícas de «Sinner». É contudo no thrash que os Revolution Within baseiam as suas composições, dotando-as de um shredding impossível de resistir como em «Stand Tall» ou em «Silence» (personal favourite). Não custa imaginar a pujança destes temas ao vivo, ainda que a produção de Paulo Lopes, nos estúdios Soundvision, mereça alguma desconfiança quanto à reprodução deste poderio ao vivo, algo a conferir rapidamente numas das datas que os Revolution Within disponibilizam no seu MySpace. Num ano altamente profícuo para o metal nacional, os Revolution Within são um nome de qualidade a juntar a esta cada vez mais interessante NWOPHM. 7,6/10
Os norte-americanos The Red Chord fazem parte daquele grupo de bandas que gosta de misturar vários sub-géneros extremos nas suas canções, como fazem por exemplo, os Winds of Plague ou os Between the Buried and Me. É por isso audível em qualquer um dos discos da banda, elementos de grind, death metal e metalcore. A diferença é que não se limitam a
tentar ser o mais excêntricos e extremos, como também abrem espaço para compôr boas canções, como a envolvente «Demoralizer» e «Floating Through the Vein». Já «Hour of Rats» recorda muitas das características do death metal sueco e «Hymns and Crippled Anthems» recorre a alguma técnica respeitável assim como aos famosos breakdowns. Pessoalmente considero que «Fed Through the Teeth Machine» fica muito a ganhar pelo facto das músicas serem todas muito curtas e straight to the point, sem lugar a devaneios que não sejam de oferecer ao ouvinte malhas de raivoso death metal bem dinâmico que versa sobre pertinentes questões sociais dos nossos dias. O único, mas importante ponto menos bom, é a natural comparação com o melhor disco do banda, «Fused Together in Revolving Doors» de 2002. Guy Kozowyk canta em «Embarrassment Legacy», "My life's work is forgotten", esperemos que este seja um álbum que não caia rapidamente no esquecimento. 7,8/10
NILE + Krisiun + Grave + Ulcerate + Corpus Mortale: Cine-Teatro de Corroios 03/12/2009
ISIS + Circle - Keelhaul: Incrível Almadense 28/11/2009
DREAM THEATER + OPETH + Unexpect + Bigelf: Palácio de Cristal 22/10/2009
MARDUK + VADER + Fleshgod Apocalypse + The Ordher: Cine-Teatro de Corroios 16/10/2009
Ao quarto mês chega o Gothic Metal. Apesar de ser relativamente fácil identificar uma série de bandas responsáveis pelo sucesso do género, que teve o seu auge, primeiro entre 1994 e 1996 e depois com o metal finlandês em destaque no início dos anos 00, a verdade é que alguns álbuns cruciais para o Gothic Metal até nem foram gravados por grupos tradicionais do estilo. Os primeiros elementos hoje tradicionais no Gothic Metal podem ser encontrados nos álbuns dos Celtic Frost e é inegável a importância que o trio da Peaceville teve no género no início da década de 90. Depois temos ainda dois álbuns curiosamente do mesmo ano (1999) que fizeram crescer interesse no Gothic Metal, o atípico «Endorama» dos Kreator e o «Projector» dos Dark Tranquillity. Como sempre em baixo estão: a lista por ordem cronológica dos principais álbuns de Gothic Metal (31 no total) e respectivas músicas e ainda uma lista com outras sugestões.Link: http://www.megaupload.com/?d=CBL0DUM4
Outras sugestões:
Heavenwood - Diva (1996)
The Blood Divine - Awaken (1996)
Darkseed - Give Me Light (1999)
Myriads - In Spheres Without Time (1999)
To/Die/For - All Eternity (1999)
Canaan - Brand New Babylon (2000)
Crematory - Believe (2000)
After Forever - Decipher (2001)
Alas - Absolute Purity (2001)
Danse Macabre - Eva (2001)
Novembre - Novembrine Waltz (2001)
Beseech - Souls Highway (2002)
Monumentum - Ad Nauseam (2002)
The Provenance - Still at Arms Length (2002)
Silentium - Sufferion, Hamartia of Prudence (2003)
Theatre des Vampires - Nightbreed of Macabria (2004)
The Vision Bleak - The Deathship Has a New Captain (2004)
Even Vast - Teach Me How to Bleed (2007)
Coronatus - Porta Obscura (2008)
Draconian - Turning Season Within (2008)
Sirenia - The 13th Floor (2009)
Autumn - Altitude (2009)
Ava Inferi - Blood of Bacchus (2009)