Thursday, February 11, 2010

DARK TRANQUILLITY - «WE ARE THE VOID»

Nono álbum dos Dark Tranquillity, pioneiros do som de Gotemburgo, em que o grupo liderado por Mikael Stanne e Niklas Sundin assume um cuidado especial com os teclados de Martin Brändström, nomeadamente nas faixas «Dream Oblivion», «Her Silent Language» e «The Fatalist». Apesar da aposta no teclados e na atmosfera, como se pode confirmar em «Arkhangelsk», o grupo sueco não deixou a agressividade do death metal de lado. «Shadow of our Blood» e a dupla «IAm the Void»/«Surface the Infinite», por exemplo, mostram o lado mais acutilante dos Dark Tranquillity. A peça mais curiosa de «We Are the Void» é porém «Iridium», a faixa que encerra o disco, com Stanne num registo exemplar, na única música do álbum feita numa toada quase doom metal. Menos experimental e mais coeso do que «Fiction», «We Are the Void» atesta a capacidade dos Dark Tranquillity no que toca a reiventarem-se a si próprios, uma excelência já comprovada em anos anteriores, mas que ainda assim surpreenderá o mais exigente dos metaleiros. 9/10
Melhores faixas: «Shadow in Our Blood», «Dream Oblivion», «Her Silent Language» e «Iridium».

ROTTING CHRIST - «AEALO»

Décimo álbum para os helénicos Rotting Christ, donos de uma discografia admirável, repleta de grandes álbuns, mesmo na fase em que o grupo liderado por Sakis Tolis enveredou por uma sonoridade gothic metal. Felizmente o grupo teve em 2002 a sagacidade de regressar às raízes do black metal atmosférico em que a cultura grega assumia um especial protagonismo. Os álbuns «Genesis» de 2002, «Sanctus Diavolos» de 2004 e «Theogonia» (2007) foram assim motivos de celebração para os fãs de longa data, que viram os Rotting Christ de volta aos álbuns pesados. «Aealo» segue de alguma forma esta tendência, e em especial, a fórmula de «Theogonia» com a banda grega a explorar habilmente o folk grego com cânticos de guerra (em «Aealo»), discursos em spoken word (em «Demonos Vrosis»), e uma melodia muito própria como só eles sabem compôr (em «Fire, Death and Fear»). Destaque ainda para a participação de Alan Nemtheanga dos Primordial, que empresta a sua poderosa voz ao tema mais interessante do álbum, «Thou Art Lord», e para a cover de «Orders from the Dead» de Diamanda Galas, num resultado absolutamente sublime. A diferença entre «Aealo» e «Theogonia» é que este novo disco assume-se com mais dinâmico e variado, enquanto que o anterior é mais "simples" e directo. São acima de tudo dois excelentes discos, de uma banda que não sabe dar passos em falso. 8,5/10

SHINING - «BLACKJAZZ»

É agradável saber que ainda existe música desafiante como a que os noruegueses Shining compõem, banda que curiosamente lança aqui já o seu 5º álbum, embora seja um colectivo relativamente desconhecido do público português. Cenário que dificilmente se manterá durante muito mais tempo, porque se bandas como Zu, Ephel Duath e Between the Buried and Me, gozam cá de um estatuto considerável, tudo indica que em breve os Shining sejam uma banda com muitos fãs portugueses. Musicalmente é possível encontrar semelhanças com os colectivos acima mencionados e também com os já famosos Meshuggah. Seja na semi-caótica estrutura das músicas cujo título do álbum reflecte na perfeição, com a utilização de contra-tempos numa forma invulgar de composição, aliada a uma especial sensibilidade em criar malhas memoráveis como «Fisheye» e «The Madness and the Damage Done». «Blackjazz» é contudo um disco de extremos em que é possível ouvir música em forma de puro génio, mas nem sempre se percebe a finalidade de determinados momentos, como na segunda parte de «The Madness and the Damage Done» e na dupla «Blackjazz Deathtrance» e «Omen», onde a necessidade de soar irreverente se traduz em várias passagens inconsequentes. Para o fim fica ainda a versão de «21st Century Schizoid Man» dos King Crimson, interessante e com um toque especial dos Shining, mas longe da potência do original. 8/10

ABORTED - «CORONARY RECONSTRUCTION»

É curioso o título que os Aborted deram a este EP de cinco temas, em que se incluem 4 originais e uma cover de «Left Hand Path» dos Entombed. A curiosidade que advém do título é que os Aborted precisavam de uma urgente "reconstrução" depois do anterior álbum, «Strychnine.213» de 2008 ter sido alvo de bastante contestação por fãs mais acérrimos. De facto o grupo belga, necessitava de uma injecção de força e este EP parece mostrar que os Aborted podem ainda surpreender muita gente, apesar de desde «Goremaggedon» de 2003, não editarem um álbum digno de registo. Nestes quatro temas os Aborted surgem revitalizados como o próprio nome sugere e até na cover de «Left Hand Path» estão num nível altíssimo. Os fãs de brutal death metal ficarão por certo satisfeitos com este regresso ainda que para já em part-time. 7,5/10

HIM -«SCREAMWORKS: LOVE IN THEORY AND PRACTICE»

Os HIM são daqueles casos em que uma banda fica infelizmente presa a contratos que a obriga a manter o nível de sucesso e assim limita-se a manter satisfeitos os fãs mas mainstream, precisamente aqueles que a partir de «Razorblade Romance» os fizeram saltar para o estrelato. Mas se nessa altura e pelo menos até «Love Metal», os HIM tinham qualquer coisa de metal gótico, em «Dark Light» o grupo optou por uma abordagem mais suave, dedicando-se a compôr músicas para a rádio em vez de construír a banda de relevo artístico que prometeu vir a ser no início da carreira. Apesar de tudo, «Dark Light» não foi um flop, foi precisamente o disco dos HIM que mais cópias vendeu, superando «Razorblade Romance» e «Love Metal». O sucessor, «Venus Doom», seguiu-lhe as pisadas e manteve o grupo nos píncaros da fama. Portanto, esperar que os HIM gravem um disco que os devolva ao metal é esperar em vão, porque a galinha do ovos de ouro ainda tem algumas mais canções easy-listening para deitar cá para fora. «Screamworks: Love in Theory and Practice» nem sequer é um mau disco, mas falta-lhe uma personalidade mais forte e sobretudo guitarras que se oiçam! As músicas são todas construídas para a voz de Ville Vallo, deixando pouco espaço para os instrumentos. Solos, por exemplo, nem vê-los! Algumas valem pelo efeito viciante dos refrões como «In Venere Veritas», «Heartkiller» e «Katherine Wheel», outras como «In the Arms of Rain» até apresentam uma ideias giras, com um teclado que parece um xilofone (!) e um surpreendente (mas abafado) padrão de pedal duplo de bateria, mas de facto não ficou um disco muito famoso: os HIM soam a uma banda que desesperadamente joga os últimos trunfos para se manter em jogo, resta saber se o jogo os vai favorecer. 6/10

CREMATORY - «INFINITY»

Não deixa de ser perturbadora a indiferença com que uma banda tão importante no movimento gothic metal, como os Crematory, tem sido tratada ao longo dos últimos anos, apesar do sucesso em terras germânicas, que vai permitindo ao grupo ir lançando álbuns, com uma regularidade impressionante. Indiferença que teve efeitos reais na carreira do colectivo de Mannheim, anteriormente ligado à gigante Nuclear Blast e que acabou dispensada da editora, tendo assinado com a Massacre Records, uma editora apesar de tudo, de culto. Se »Klagebilder» e «Pray» permitiram um recuperar de credibilidade, este «Infinity» afigura-se como um afirmar de vitalidade ao propôr um gothic metal intenso, onde os desempenhos vocais de Gerhard "Felix" Stass e Matthias Hechler são provavelmente os mais inspirados da longa carreira dos Crematory. Este desempenho está directamente associado às boas composições que o grupo escreveu para este álbum, onde não se encontra nenhuma faixa que se possa dizer "esta é para encher", a não ser a versão de «Black Celebration» dos Depeche Mode, mal colocada no alinhamento, mas que apesar de tudo resultou numa boa versão. «Infinity» não revoluciona o gothic metal, também não é isso que os Crematory pretendem, mas dá uma excelente amostra daquilo que a sonoridade tem de melhor. 8,3/10

RAGE - «STRINGS TO A WEB»

Ou se gosta mesmo muito da nova fase dos Rage a partir do orquestral «Speak of the Dead», ou é de facto impossível não se sentir que o grupo desceu imenso de qualidade depois da edição dos excelentes «Unity» e «Soundchaser». Nem um disco mais directo como foi «Carved in Stone» fez com que os Rage conseguissem reeditar essa genialidade, ao ponto que Peavy Wagner e Victor Smolski resolveram regressar ao som mais neo-clássico de «Speak of the Dead» alternando-o com incursões por um power metal pesado (em «Saviour of the Dead» e «Purified» por exemplo) ou pela melodia tipicamente ragiana de «The Edge of Darkness», provavelmente o único tema acima da média de «Strings to a Web». Pela disposição dos temas e pela sonoridade não é de todo descabido olhar para este álbum e compará-lo a «Welcome to the Other Side» (2001) um dos melhores álbuns da carreira dos Rage. Infelizmente neste álbum não há nada que se aproxime de uma «The Mirror in Your Eyes» ou «Sister Demon». 5/10

MOONSPELL + BIZARRA LOCOMOTIVA - FIL 23.01.2010

Aqui ficam alguns pontos positivos e negativos do evento que teve lugar na FIL em Lisboa a 23 de Janeiro e deu por terminada a digressão dos Moonspell em apoio ao álbum «Night Eternal». Em relação ao espaço em si, revelou-se excelente para este tipo de eventos. Uma feira do metal que no fundo limitou-se a alguns (3) stands de merchandise, a uma tertúlia acerca da cultura metaleira com a presença de Fernando Ribeiro e José Luís Peixoto e a um visionamento de um documentário acerca do metal. Uma exposição fotográfica também esteve patente no local. Ficámos com alguma pena de não ter visto os Opus Diabolicum, banda de versões de Moonspell em violoncelo, no palco principal. O concerto dado pelos seus integrantes foi das actuações mais honestas e intensas a que tivémos oportunidade de assistir nos últimos anos. Relativamente aos Bizarra Locomotiva, já se sabia que são uns verdadeiros animais de palco, só que ninguém estaria era à espera que partissem a loiça toda. Algum teatro sexista em palco, um vocalista imponente que não pára quieto e um dueto com Fernando Ribeiro foram suficientes para convencer um público que os aplaudiu constantemente. Com os Moonspell o inicio não podia ter sido melhor, com uma entrada poderosa a tocarem músicas bem pesadas tiradas do «Night Eternal», nomeadamente «At Tragic Heights» e o tema título. Contudo, o set list de Moonspell, adivinhava algumas novidades, como os próprios haviam anunciado. No entanto, tocar de seguida «Everything Invaded», «Luna», «Scorpion Flower», «Nocturna», «Magdalene» e «Vampiria» não é propriamente um bom meio de consegur dar um bom concerto, apesar de serem óptimas canções, ao vivo pede-se intensidade, algo que os Moonspell só as espaços conseguiram, como em «Mephisto». Para além do anúncio de tocarem músicas "esquecidas" se traduziu somente em 3 músicas: «Soulsick». «Magdalene» e «Herr Spiegelmann». Teria sido interessante ouvir novamente a «Ruin and Misery«, ou ainda uma «Crystal Gazing» e a já esquecida mas quase sempre pedida pelo público, «Wolfshade», para não falar de qualquer coisa do 1º álbum. A versão acústica da «Senhores da Guerra» foi igualmente um especial presente para o público português, mas pareceu mais um teste ao anunciado álbum acústico. A música perdeu toda a potência e um álbum acústico parece-nos desnecessário. A debandada geral no final do concerto depois da anunciada sessão de DJing dos elementos de Moonspell, que até passaram boa música, foi provavelmente um sinal de que público se sentiu algo defraudado. Uma interactiva sessão de DJing em que se ouviu Judas Priest, Megadeth, Metallica, Satyricon, Mayhem e Iron Maiden entre outros clássicos.


Por rtp






Monday, February 08, 2010

FEAR FACTORY - «MECHANIZE«

São uns respeitáveis 21 anos de carreira que os Fear Factory têm como currículo e alguns dos mais importantes álbuns do metal americano, nomeadamente, «Soul of a New Machine» de 1992, «Demanufacture» de 1995 e «Obsolete» de 1998. Porém após o atípico «Digimortal» de 2001, em que o grupo se colava em demasia ao fenómeno nu-metal, os lançamentos foram decrescendo de qualidade até «Transgression» de 2005, culminando na saída do baixista Christian Olde Wolbers e do baterista Raymond Herrera. «Mechanize» é o resultado do anunciado regresso depois da banda ter anteecipado o final das suas actividades, e acaba por ser um regresso que se divide entre uma componente que declaradamente tenta recuperar a agressividade de álbuns como «Demanufacture», mas que também demonstra uns Fear Factory em piloto automático, apostados numa sonoridade moderna, ultra-produzida que a espaços consegue de facto apresentar um produto acima da média (em «Christploitation»), mas por outro deixa transparecer resquícios do projecto Divine Heresy de Dino Cazares (em «Fear Campaign» e «Oxidizer»). Quem é fã de longa data vai certamente apreciar este álbum que, apesar de tudo, é a melhor coisa que os Fear Factory deitam cá para fora desde «Obsolete». 7,8/10

Sunday, February 07, 2010

FREEDOM CALL - «LEGEND OF THE SHADOWKING»

Quem acompanhou de perto a carreira dos Freedom Call deverá lembrar-se da auspiciosa estreia em 1999 com «Stairway to Fairyland», numa altura em que o power metal era impulsionado pelo sucesso dos Rhapsody. No entanto, apesar do óptimo primeiro álbum e de «Eternity» de 2002, os Freedom Call tem tido o seu percurso marcado pela oscilação entre registos de qualidade acima da média e outros muitissimo desinspirados como os mais recentes «The Circle of Life» (2005) e «Dimensions» (2007). «Legend of the Shadowking» é por sua vez um disco repleto de momentos altos, onde o grupo germânico nos dá pérolas como «Out of the Ruins», «Thunder God» e «Tears of Babylon». Aliás, as primeiras 5 músicas são de um nível superior no que diz respeito a power melódico, orelhudo e extremamente bem executado. A partir de «Under the Spell of the Moon» e durante «Dark Obsession» e «The Darkness», revemos em Freedom Call uma forte influência de Kamelot, não obstante de manter a identidade da banda intacta. Apesar de acharmos que menos 2 ou 3 faixas, «Legend of the Shadowking» seria um álbum para nota máxima, também é preciso ter em consideração a dificuldade que é compôr um disco de power melódico minimamente pertinente nos dias que correm, em que esta sonoridade não está propriamente nos píncaros da fama. Por isso, e mesmo sentindo que os Freedom Call podem perfeitamente fazer melhor, somos generosos com um álbum que deverá agradar a todos os fãs desta sonoridade. 8/10

ARSIS - «STARVE FOR THE DEVIL»

Depois do aclamado «We Are the Nightmare» em que os Arsis conseguiram dar um salto de gigante para Nuclear Blast com o seu death/thrash metal melódico que na verdade não transmitia absolutamente nada de muito original ou inspirado, limitando-se a ser um grupo competente na sua sonoridade. «Starve for the Devil» vem por fim deitar por terra qualquer esperança em que os Arsis fossem um golpe de mestre da Nuclear Blast, mostrando que a banda americana é só hoje uma forçada fusão entre o metalcore de uns Avenged Sevenfold e Trivium, o thrash old-school dos Slayer e a melodia dos Children of Bodom, sem os teclados. Apesar das boas referências, os Arsis são uma banda incrivelmente pobre ao nível de conteúdo artístico, lírico e musical, mesmo nas malhas com potencial para se tornarem em hinos como «Half Past Corpse O'Clock», a abordagem aproximada à moda do novo thrash, patente no terrível vídeo de «Forced to Rock», faz dos Arsis o tipo de banda a evitar a todo o custo. 4/10
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