Sunday, May 30, 2010

EXODUS - «EXHIBIT B: THE HUMAN CONDITION»

Mais um potente álbum de thrash, depois do colossal «Ironbound» dos Overkill. «The Human Condition» demonstra que se há banda que se soube revitalizar são os Exodus. Os primeiros 2 temas «The Ballad Of Leonard And Charles» e «Beyond the Pale» são longos mas dinâmicos, sem perder uma pinga de peso, com um Rob Dukes cada vez mais integrado no grupo, depois de muitos terem torcido o nariz à sua voz mais core no «The Atrocity Exhibition... Exhibit A». Aqui as malhas com potencial de clássicos desfilam de forma impressionante, quer as mais directas «Hammer and Life», «Good Riddance» e «Burn Hollywood Burn», ou as mais elaboradas «March of the Sycophants» e «Class Dismissed (A Hate Primer)». «Nanking» é uma personal favourite, como apreciador de ritmos mid-tempo, este tema é um must, apesar dos quase 8 minutos de duração. Este é um pequeno problema deste disco: algumas músicas parecem ter excesso de duração, como na repetitiva «The Sun is my Destroyer» ou nas menos atractivas «Democide» e «Downfall». Bem melhor do que o «Exhibit A», este é até ao momento um dos grandes álbuns de thrash de 2010, espera-se muita devastação em Corroios no dia 22 de Junho. 8/10

RHAPSODY OF FIRE - «THE FROZEN TEARS OF ANGELS»

Vou saltar os problemas legais com o nome que levaram a banda a acrescentar o "of Fire". Vou também saltar a parte dos problemas contratuais com a editora de Joey DeMaio, que fez com que os italianos demorassem uma eternidade a lançar este disco pela gigante Nuclear Blast. Vou-me centrar na música contida no disco que é sem dúvida a mais empolgante desde do magnum opus «Power of the Dragonflame». É verdade que nos últimos registos, os Rhapsody of Fire vinham amolecendo o seu som, dando mais protagonismo à fanfarra do que à força das guitarras, que brilhantemente recuperam para este «The Frozen Tears of Angels». Um óptimo disco por sinal, repleto de power metal bombástico, solos virtuosos (Luca Turilli está impecável) e coros que apetece cantar de pulmões abertos, inclusive as já habituais narrações de Christopher Lee. Não é de todo uma obra prima, mas revitaliza uma banda que parecia não ter mais nada para oferecer ao panorama do symphonic power metal. 8,5/10

THE FLIGHT OF SLEIPNIR - «LORE»

Assim que «Legends» começa a brotar das colunas torna-se um autêntico vício de sludge/doom meio hippie e alucinado entre uns Kyuss e uns Electric Wizard com tiques de Cathedral. Mas o melhor vem a seguir com «Of Words and Ravens» e um riff que tanto tem de minimalista com de colossal, com o contraponto das vocalizações angelicais arrepiantes e no final com uns berros dliacerantes roubados ao black metal mais agreste. Black metal que fica ainda mais presente na magnífica «No Man Will Spare Another». A genialidade musical do duo norte-americano fica bem patente em «Let Us Drink Till We Die», com uma voz feminina a assumir protagonismo. Liricamente baseado em lendas nórdicas, «Lore» o segundo longa duração do The Flight pf Sleipnir vai, pelo menos para mim, ficar para a história com uma das maiores surpresas de 2010. 9/10

MISERY INDEX - «HEIRS TO THIEVERY»

Quatro álbuns, qual deles o melhor: «Retaliate», «Discordia», «Traitors» ou «Heirs to Thievery»? Não importa, importa sim é tê-los todos na vossa colecção, se forem adeptos de grind / death metal com remniscências hardcore. Admito até que inicialmente dei este novo disco dos Misery Index como um flop, mas ao fim de algumas edições cresceu de forma absurda, tornando-se um autêntico vício masoquista. A tareia sonora que «Heirs to Thievery» proporciona só está mesmo ao alcance de algumas bandas como Napalm Death ou Rotten Sound, e ainda por cima, têm a lata de compôr músicas («The Spectator» é a melhor) com refrões orelhudos que não me saem da cabeça! Brutalmente impecável, pela quarta vez! 9/10

1349 - «DEMONOIR»

Apesar de ser uma espécie de return to form, este «Demonoir» é quanto a mim um passo atrás na carreira dos 1349. É realmente mais brutal, maléfico e isso tudo, mas comparativamente ao anterior «Revelations of the Black Flame» não o achei minimamente desafiante. Confesso que esperava uma fusão do ambiente do «Revelations..» com o poder bélico de um «Liberation», mas ficámos com um disco chatinho que não é carne nem peixe. A única malha que me despertou interesse foi a explosiva «Pandemonium War Bells». 5/10

DARKTHRONE - «CIRCLE THE WAGONS»

É frustrante partir para a escrita deste novo álbum dos Darkthrone, porque na verdade, não existe grande coisa para dizer! O trilho do black punk percorrido a partir do «The Cult is Alive» foi reforçado nos seguintes «FOAD» e «Dark Thrones and Black Flags» e continua aqui sem grandes novidades, cimentando a ideia que esta nova fase da importantíssima banda norueguesa está aí para ficar. Para entender esta escolha, aconselho o visionamento do documentário «Until the Light Takes Us» em que Fenriz, numa peculiar sequência de uma entrevista por telefone, explica "bem" o porquê desta nova sonoridade dos Darkthrone.Quanto às músicas contidas no álbum, algumas até aproximam-se do black metal que fez dos Darkthrone a banda que hoje são. «Stylized Corpse» e «Bränn Inte Slottet» têm aquela fragrância própria do grupo nórdico, assim como o sugestivo «I Am the Graves of the 80s», sempre, claro, com o cuidado de nunca se aproximar do cliché do return to form do que Fenriz e NC sempre fugiram a sete pés. Bom disco, apesar de uma falsa novidade, que dá gosto ouvir, mas que rapidamente é posto de lado em detrimento de lançamentos bem mais entusiasmantes dentro do BM actual. Porque no final de contas, quem consome os discos de Darkthrone, por muito que isso custe a Fenriz e NC, não são os punks, mas sim os black metallers (e se calhar, ainda b€m!). 6/10

THE FORESHADOWING - «OIONOS»

Os italianos The Foreshadowing passaram muito despercebidos em 2007 com a estreia «Days of Nothing», um disco que tanto queria ser os novos My Dying Bride ou Katatonia, que acabaram invariavelmente por cair no esquecimento mesmo pela esmagadora maioria dos apreciadores das sonoridades depressivas. Ora «Oionos» promete ser a turn of the tide, pois é qualitativamente muito superior, na minha opinião, a «Days of Nothing», porque apesar de manter fortes influências das bandas citadas, demonstra que os The Foreshadowing estão no caminho certo para deixar a sua própria marca. «Chant of Widows» e «The Dawning» são algumas das faixas a reter, assim como a soberba versão do clássico «Russians» do Sting. 9/10

RED SPAROWES - «THE FEAR IS EXCRUCIATING, BUT THEREIN LIES THE ANSWER»

Foram uma das primeiras bandas a surgir com o post/rock metal instrumental, com dois imensos álbuns, «At the Soundless Dawn» e «Every Red Heart Shines Toward a Red Sun».Alguns anos após o trend do "pós" ter rebentado, cá estão de novo os Red Sparowes com mais um fabuloso e hipnótico trabalho. Sem haver propriamente uma grande evolução no som dos Red Sparowes, este novo álbum parece-me ser mais conciso, directo e atento aos pormenores. Não é tão derivativo como os anteriores e é mais emocional do que qualquer outro registo da carreira da banda. Quanto a mim o melhor disco deles até agora. De mau só mesmo o título. 8,6/10

BLACK BREATH - «HEAVY BREATHING»

Primeiro longa duração desta excelente banda de Seattle, pela Southern Lord Records, e logo um disco fantástico como este «Heavy Breathing». os Black Breath praticam um crossover genial, com alguns momentos quase doom, repleto de boas malhas com algumas vocalizações que se aproximam do death metal melódico sueco. Das melhores coisas que ouvi até agora em 2010. 8,5/10

AVANTASIA - «THE WICKED SYMPHONY» / «ANGEL OF BABYLON»

Regresso de um dos melhores compositores de hard rock/ power metal da actualidade, que depois de um mal recebido «Tinnitus Sanctus» dos Edguy (ele bem continua a dizer que é o melhor álbum da banda) e de um «The Scarecrow» que defraudou as altas expectativas dos fãs deste mega projecto que são os Avantasia. Aliás estes dois novos álbuns de 2010 são a continuação do conceito explorado por Tobias Sammet em «The Scarecrow». O que temos aqui são 22 canções entre o hard rock («Down in the Dark») e o power metal bombástico («Wastelands»), que contam com a participação de um conjunto de ilustres do rock. Um lançamento destes dificilmente seria perfeito e apesar de ter algumas malhas fantásticas, não evita a dispersão do ouvinte nomeadamente no mais fraco dos dois álbuns, «Angel of Babylon», que vale essencialmente pelas duas primeiras músicas e pela belíssima «Symphony Of Life». No «The Wicked Symphony» a presença de fillers é menor (mas existente) pela qualidade das quatro incríveis músicas que abrem o disco e «States Of Matter». Diversificado e no final de contas satisfatório, ainda assim, não pude deixar de sentir que, concentrando as melhores malhas num único álbum, Tobias Sammet podia ter aqui o melhor álbum da sua carreira. 8/10

HIGH ON FIRE - «SNAKES FOR THE DIVINE»

Menos diversos e mais speedado do que o «Death is this Communion«, «Snakes for the Divine» tem a dificil tarefa de suceder a esse já álbum clássico do sludge/doom/stoner/whatever metal. As influências de Motörhead estão mais presentes que nunca, mas as malhas estão também mais apuradas, com «Frost Hammer» e «Bastard Samurai» à cabeça. Ainda assim os louros deste disco a meu ver vão para a faixa título, simplesmente genial (aquela introdução...minha nossa). Destaco também o fabuloso trabalho gráfico engendrado pelos High on Fire. 9/10

FINNTROLL - «NIFELVIND»

Se as bandas folk parecem ter tendência para ficar cada vez mais alegóricas, os Finntroll seguem o caminho oposto e compuseram aqui um dos discos mais agressivos da sua carreira. É óbvio que continua a haver muito humpa, mas o black metal sujo e agressivo tomou conta dos finlandeses na hora de compôr. Não é tão alegre como o «Nattfödd» (o álbum que mais gosto deles) mas é igualmente bom. Faixas a reter: «Solsagan», «Galgasång » e «Dråp». 7/10

BLOOD OF THE BLACK OWL - «A BANISHING RITUAL»

Mais uma pérola de black/funeral doom. Tendo em conta a magnífica discografia deste grupo norte americano, acaba por nem ser uma grande novidade, mas também duvido se existe muita gente que conhece os Blood of the Black Owl. Estamos perante uma sonoridade alicerçada no funeral doom com inclusão de passagens tribais, ecos de vozes e outras derivações que contribuem para um ambiente envolvente e hipnótico. Para quem gosta de Negura Bunget, Alcest, Wolves in the Throne Room, Ea ou Mournful Congregation. Mais um fabuloso disco do género em 2010, à semelhança do ano passado, um ano proveitoso em termos de sonoridades melancólicas. 9/10

EA - «AU ELLAI»

"Ea is based on the sacral texts of ancient civilizations. Ea uses a dead language which was recreated according to the results of archeological study. Ea is a god in the Akkadian and Babylonian and under the name Enki in the Sumerian mythology."
Funeral doom. Isto deve ser suficiente para muitos de vós pararem por aqui. Compreende-se a partir do momento em que falamos de um sub-género com características muito particulares de dificl assimilação como por exemplo a duração das faixas e o ritmo maioritariamente lento em que estas se desenvolvem. Porém, para aqueles que conhecem e gostam de bandas como Thergothon, Esoteric, Unholy e Ahab, este é sem dúvida um disco que deverão procurar o quanto antes. Trata-se do terceiro álbum da banda oriunda da Rússia e porventura o melhor de todos. Funeral doom, como já se disse, lento, muito lento, com recurso a passagens semi-acústicas a fazer lembrar os seminais Mournful Congregation, e outras pesadas e sufocantes que remetem para o ambiente que os Tyranny imprimiram no excelente «Tides of Awakening». Em suma, um disco na minha opinião condenado a clássico do funeral doom. Brilhante. 9/10

MAMMOTH GRINDER - «EXTINCTION OF HUMANITY»

Depois da bomba «Heavy Breathing» dos Black Breath, este é mais um portento de crossover de deixar tudo e todos por terra. A voz de Chris Ulsh assemelha-se muito a Mark "Barney" Greenway (dos Napalm Death), mas confere aos Mammoth Grinder aquela parcela hardcore/grind que cai que nem ginjas na sonoridade descomprometida da banda texana. «Societal Collapse», «Sentenced to Hell», a doomy «Resurfacing» e a brilhante «Frozen» são alguns dos momentos mais altos de um álbum fantástico e quase perfeito, não fosse a curta duração, que deixa a salivar por mais. 9/10

BORKNAGAR - «UNIVERSAL»

Apesar de ser bem superior ao flop «Origin», não consegui ouvir este oitavo disco dos noruegueses Borknagar uma única vez de principio ao fim. Normalmente fico-me entre a «For a Thousand Years to Come» e a «Abrasion Tide». Curiosamente, a melhor malha do disco vem logo a seguir com «Fleshflower». Um disco engraçado, com alguns bons momentos (a «Reason» é excelente), mas algo aborrecido. 6/10

CATAMENIA - «CAVALCADE»

Pode parece estranho mas este é já o 9º álbum dos Catamenia, banda que começou por ser um péssimo clone de Cradle of Filth e Dimmu Borgir, hoje opta por aquilo a que chamam de Blackened Power Metal. Pois...A mim parece-me mais uma cópia de terceira geração dos Trivium e tendo em conta que os Trivium são uma banda relativamente recente, então o buraco escava-se mais fundo. Apesar da banalidade da maioria das canções de «Cavalcade», destaco precisamente a faixa título e as engraçadas covers de Megadeth e Sentenced. 5/10

ARMORED SAINT - «LA RAZA»

Os Armored Saint não são propriamente uma banda jovem, tendo editado o seu primeiro disco em 1984 com «March of the Saint». Ao longo dos anos, o grupo Californiano foi lançando discos, sem no entanto atingir uma posição de destaque na cena, a não ser em 1991, com «Symbol of Salvation», numa altura em que o metal, por vias de Metallica e Megadeth, estava nos píncaros do mainstream. Ora, «La Raza» surge 10 anos após «Revelation» e trata-se de um disco de hard n' heavy à antiga com ênfase nos refrões e ocasionalmente a puxar à frente riffs thrash. Mas se alguns revivalismos como Artlillery e Death Angel são de louvar, outros limitam-se a prestar serviços mínimos para tentar capitalizar o trend. É a isso que "cheira" «La Raza» (que nome mais :facepalm:): a metal vazio de conteúdo e sobretudo, vazio de alma. 4/10

POISONBLACK - «OF RUST AND BONES»

É praticamente impossível falar dos Poisonblack e não mencionar os Sentenced. Não só pelo facto do vocalista Ville Laihiala ser o frontman das duas bandas, mas também porque ouvindo qualquer álbum dos Poisonblack é fácil perceber que se trata de um prolongamento da já extinta banda finlandesa. Ora, diferenças existem claro, nomeadamente no ambiente geral das canções de Poisonblack que são mais carregadas e menos desprovidas daquela aura de niilismo que provinha de 90% das composições de Sentenced. «Of Rust and Bones» é por isso um bem conseguido disco de gothic metal, que malhas memoráveis como «Leech» e «My Sun Shines Black», ajudam a torná-lo o mais distinto disco da banda na sua curta existência. Um saltinho a Portugal este Verão, já caía bem....7,5/10

UNLEASHED - «AS YGGDRASIL TREMBLES»

Confesso que esperava ansiosamente por este disco, uma vez que os anteriores «Midvinterblot» e principalmente o brutal «Hammer Battalion», restauraram a minha fé numa das principais bandas de death thrash suecas. Terá talvez sido essa ansiedade que fez de «As Yggdrasil Trembles» uma relativa decepção. Nem se trata da maneira como a banda soa, porque pouca ou nenhuma mutação ocorreu nos Unleashed desde da estreia em 1991 com «Where No Life Dwells», trata-se de um álbum que apesar de ter os seus momentos («Courage Today, Victory Tomorrow!», «So It Begins» e a magistral «Master of the Ancient Art») acaba por ter mais momentos desinspirados do que seria à partida esperado. Foi por isso dificil tirar o dedo do fast forward durante quase toda a segunda metade do disco. 6,4/10

BLAZE BAYLEY - «PROMISE AND TERROR»

Não estava à espera de nada de especial, mas a verdade é que o Blaze Bayley tem aqui um disco potente cheio de boa música entre um heavy/power com algum thrash pelo meio. A primeira música andou em repeat durante algum tempo, mas é certo que o álbum está cheio de malhas bem concebidas com uma especial atmosfera negra, influenciada decerto pela morte da esposa do ex-vocalista de Maiden. Com tanto álbum bom a saír, é normal que passe despercebido, mas dêem-lhe um chance se são fãs de Iron Maiden (óbvio), Nevermore, Iced Earth ou Judas Priest. 7,6/10
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