Este será definitivamente um álbum de ruptura para os Witchery, banda que se vinha estagnando em álbuns eficazes mas sem nunca projectarem a grupo para um nível superior. Mas do que um simples picar o ponto, «Witchkrieg» é uma nova encarnação do grupo sueco que recrutou Legion (ex-Marduk e Devian) para a voz e foi buscar um conjunto de ilustres convidados para pequenas mas decisivas colaborações. Desde logo Kerry King dos Slayer com um monumental solo no agressivo tema que abre o disco, «Witchkrieg». A sonoridade continua de certa forma intacta, com o black thrash a comandar as composições, num sábio cruzamento de Mercyful Fate («From Dead to Worse», que inclui solo de Andy LaRocque) com Slayer («Hellhound»). Alguns temas mais blackish como o já falado «Witchkrieg» e «Conqueror's Return», parecem ter mão de Legion e da sua escola mais black metal. Apesar disso é nos temas mas thrash que os Witchery fazem estragos, como em «The Reaver», tema com solos de Lee Althus e Gary Holt dos Exodus. O input do imponente vocalista é notório, não só vocalmente, mas também ao nível da imagem, que projecta os Witchery para um novo patamar; afinal a imagem é parte importante de uma banda e os Witchery mostram querer fazer a diferença também por aqui. Veremos o que o futuro lhes reserva. 8/10Monday, June 28, 2010
WITCHERY - «WITCHKRIEG»
Este será definitivamente um álbum de ruptura para os Witchery, banda que se vinha estagnando em álbuns eficazes mas sem nunca projectarem a grupo para um nível superior. Mas do que um simples picar o ponto, «Witchkrieg» é uma nova encarnação do grupo sueco que recrutou Legion (ex-Marduk e Devian) para a voz e foi buscar um conjunto de ilustres convidados para pequenas mas decisivas colaborações. Desde logo Kerry King dos Slayer com um monumental solo no agressivo tema que abre o disco, «Witchkrieg». A sonoridade continua de certa forma intacta, com o black thrash a comandar as composições, num sábio cruzamento de Mercyful Fate («From Dead to Worse», que inclui solo de Andy LaRocque) com Slayer («Hellhound»). Alguns temas mais blackish como o já falado «Witchkrieg» e «Conqueror's Return», parecem ter mão de Legion e da sua escola mais black metal. Apesar disso é nos temas mas thrash que os Witchery fazem estragos, como em «The Reaver», tema com solos de Lee Althus e Gary Holt dos Exodus. O input do imponente vocalista é notório, não só vocalmente, mas também ao nível da imagem, que projecta os Witchery para um novo patamar; afinal a imagem é parte importante de uma banda e os Witchery mostram querer fazer a diferença também por aqui. Veremos o que o futuro lhes reserva. 8/10GRAVE - «BURIAL GROUND»
É um prazer ouvir um álbum como «Burial Ground» de vez em quando. A mistura explosiva de death e doom (com maior preponderância do death metal, claro), assume pelas mãos dos Grave um especial tratamento, que o grupo sueco já explora desde 1988. Ouçam «Dismembered in Mind» e «Ridden With Belief» para ficarem com uma ideia do que se fala aqui: death pesadão com uma produção podre, que alterna a velocidade balanceada de uns Bolt-Thrower com os momentos lentos de uns Autopsy (não confundir com groove). Trata-se de um estilo já definido e sem grande margem de progressão, mas aqui o que interessa é que os temas de «Burial Ground» funcionam e de que maneira. Quero ver se algum deathster que se preze não faz headbanging ao som de uma «Semblance in Black» ou «Bloodtrail» (esta com participação de Karl Sanders dos Nile). Os Grave rejeitam tecnicismos exacerbados e vão straight to the point, num álbum que deverá satisfazer qualquer fã de death metal clássico. Até regravaram a música «Sexual Mutilation» da segunda demo de 1989, por sinal a mais violenta música de «Burial Ground». 8,5/10NACHTMYSTIUM - «ADDICTS: BLACK MEDDLE PT.2»
Perante um cenário de estagnação do black metal, não foi difícil para muitos encontrar variantes do género para expandir a sonoridade, fugindo assim ao rótulo, mas mantendo as suas raízes sonoras e por conseguinte os seus fãs. A questão que se coloca é que não basta somente querer ser diferente e inventivo, é preciso de facto fazer por merecer. Neste âmbito poucas bandas conseguem alargar tantos horizontes como os Cobalt ou, num espectro mais ortodoxo, os Funeral Mist. Outras somente acrescentam desvirtuam a sonoridade a seu bel prazer, sendo questionável até, se continuam a ser passíveis de deter o rótulo de black metal. Duvido que os Nachtmystium queiram nesta altura da sua carreira ser apelidados de black metal. Isto porque dessa sonoridade só mesmo as vocalizações; a banda americana tem neste momento mais a dever ao sludge e rock, do que à sonoridade mais controversa do universo metálico. Ouvir coisas como «Nightfall», «Then Fire» ou «Addicts», só mesmo num álbum de rock sujo com tiques psicadélicos. Os tais resquícios de black metal podem eventualmente ser encontrados em «High on Hate» e «The End is Eternal», enquanto que «Blood Trance Fusion» deve mais ao black rock dos Satyricon. Apesar da qualidade inerente a mais este trabalho dos Nachtmystium, creio que a banda vive dividida entre manter o black metal como som de base e partir para outras paragens mais audio friendly, um problema que os Opeth conheceram bem por alturas do «Still Life». O tema «Ruined Life Continuum» é representativo dessa indecisão sonora. Com alguns convidados ilustres como Wrest (Leviathan), Bruce Lamont (Yakuza), Russ Strahan (Pentagram) e Matt Johnson (Pharoh), «Addicts» é um registo que merece atenção pelo simples facto de ser lançado por uma das mais importantes bandas de black metal dos últimos anos, a decisão de comprar ou não, ficará a cargo do leitor. 7,5/10
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VANDEN PLAS - «THE SERAPHIC CLOCKWORK»
«The Seraphic Clockwork» é o sexto álbum dos prog metallers Vanden Plas, banda alemã que se encontra na segunda linha de um estilo que já viveu dias de maior fama. Ambos factores não impedem o conjunto de ir lançando álbuns inspiradissimos, esperando somente que os anos de experiência lhes garantam o reconhecimento que buscam desde 1994 quando assinaram «Colour Temple», o primeiro longa duração. É lógico que também não estamos a falar de uma banda desconhecida, pelo menos dentro do nicho do metal progressivo. Qualquer adepto desta sonoridade deverá conhecer pelos um dos dois últimos fantásticos álbuns «Beyond Daylight» (2002) e «Christ.0» (2006), onde se misturam estruturas longas e complexas, com refrões apelativos e muito virtuosismo. Aspectos da sonoridade dos Vanden Plas que se mantêm para este «The Seraphic Clockwork». Por falar em virtuosismo, os Vanden Plas podem até ser um conjunto de músicos extremamente talentosos, mas ao contrário de uns Dream Theater, esse talento não serve de desculpa para longas sessões de jam durante as músicas, isto é, o talento serve as músicas e não o contrário. Em temas como «Frequency», «Sound of Blood», «Quicksilver», mas sobretudo em «On My Way to Jerusalem», os germânicos dão mostras de como se faz excelente metal progressivo e melódico sem perder de vista os contornos daquilo que faz este ser um puro disco de metal. «The Seraphic Clockwork» é também um álbum do qual vão precisar de vários spins para assimilar todos os ricos pormenores de cada faixa. 8/10
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Sunday, June 27, 2010
BEHEMOTH + EXODUS + DECAPITATED + EX DEO - CINE-TEATRO CORROIOS 22.06.2010
Concerto integrado na Evangelion Campaign Tour, o Cine-Teatro de Corroios encheu-se para receber mais uma vez os polacos Behemoth, liderados por Nergal. Como suporte, três bandas de enorme respeito. Os primeiros a pisar o palco foram os Ex Deo de Maurizio Iacono dos Kataklysm, com o seu death metal épico de temática romana, o grupo tinha a lição bem estudada e apresentaram-se com vestes e armaduras num cenário bem interessante. Apesar de algo teatral, a actuação foi boa, com o ponto alto na última música, «Romulus» (7,5). De seguida os polacos Decapitated com uma nova formação depois do acidente de viação que vitimou o baterista Vitek e colocou o vocalista Covan em estado grave. Nova formação (só restou o guitarrista Vogg), o poder de sempre. Um set variado, com temas de vários álbuns, os Decapitated deram origem aos primeiros focos de mosh e circle pit. Na minha opinião foram a banda da noite, e o Nergal se calhar também achou o mesmo, não fosse o vocalista dos Behemoth se ter "esquecido" do nome de quem lhes tem abertos os concertos nos últimos tempos. Faltou somente a «Spheres of Madness» que deveria encerrar o concerto, mas que, segundo nos constou, não foi possível devido a cumprimento de horário (8). Chega a vez dos norte-americanos Exodus. É estranho por um lado ver os Exodus neste cartaz em que o death metal se destaca, mas também porque fazem suporte aos Behemoth. É verdade que a longevidade não vende mais discos, mas fica claramente a ideia até durante o concerto que os Exodus têm direito próprio a uma tour como cabeças de cartaz. O concerto ficou aquém das expectativas. O som, para começar esteve péssimo, com claro destaque para a bateria sempre muito alta a ofuscar as guitarras e depois um vocalista que em estúdio até pode ser pujante, mas ao vivo não convence ninguém. Começaram como «The Ballad of Leonard and Charles» e «Beyond the Pale», para acabarem com outro tema de «The Human Condition», o «Good Riddance». Pelo meio, «Toxic Waltz» e sobretudo «Strike of the Beast» fizeram o gaúdio dos velhos old-school. Apesar de no início Rob Dukes ter feito questão de dizer que assitiu ao pior stage dive de sempre, no fim, pazes feitas com um público enérgico e que aplaudiu aos Exodus até à despedida (6). Sound check algo longo para os Behemoth, que entraram a matar com «Ov Fire and the Void», «Demigod» e «Shemhamforash». Desde cedo se percebeu que o grupo aposta cada vez mais na teatralidade e em movimentos sincronizados como se uma missa se tratasse. Nergal parece conhecedor das artes do espectáculo, não deixando nada ao acaso, não sequer as deixas quando se dirige ao público. No entanto ter-se-á enganado quando pediu aplausos para o seus "amigos do metal", Ex Deo, Exodus e...Suffocation. O problema maior é que por muito bem que estas músicas soem (é inegável que «LAM» e «At the Left Hand ov God» são das melhores malhas de death metal de sempre), há sempre uma sensação de plasticidade inerente a actuações tão mecânicas como esta. Parece mais um teatro em que as músicas são as deixas dos actores. Destaque para o álbum «Satanica» e para o último «Evangelion» que deram ao set 3 e 4 temas respectivamente, sendo que «Lucifer» foi já em encore (7). Penso que nenhum dos presentes deu por mal empregue o dinheiro, apesar do som quase sempre defeituoso, as bandas entregaram-se a prestações competentes e ninguém terá razões para se queixar.Por Paulo Figueiredo com preciosa ajuda de Carlos Cunha.
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Friday, June 25, 2010
EVENT HORIZON DISTINGUIDO BLOGUE DA SEMANA NO COTONETE
Agradeço desde já a todos os visitantes e ao staff do Cotonete pela distinção. A dedicação manter-se-à inalterada e com a mesma convição de sempre.
Em Julho não se esqueçam de ir ao site do Cotonete para votar e tornar o Event Horizon blog do mês!!
Podem visitar o artigo do Cotonete aqui:
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VOID OF SILENCE - «THE GRAVE OF CIVILIZATION»
Apesar de terem perdido em 2009, Alan Nemtheanga dos Primordial, os italianos Void of Silence souberam bem escolher um substituto à altura, encontrando-o nos The Axis of Perdition. Brooke Johnson estrea-se assim neste «The Grave of Civilization» que representa claramente um passo em frente em relação à restante discografia da banda. O mal maior dos Void of Silence sempre esteve na indefinição de estilo, que apresentava uma base clara no doom metal, prosseguindo, nomeadamente nas partes vocais, através do industrial, black metal e pelo funeral doom. «The Grave of Civilization» contrasta por fim com essa indefinição em que as músicas ressentiam-se da incapacidade dos Void of Silence decidirem exactamente qual a direcção a seguir. Os temas aqui são claramente um óptimo cruzamento de doom clássico tocado em modo lento, com pormenores do funeral doom de uns Esoteric e a melodia de uns Saturnus. Parece à primeira vista que os Void of Silence substituiram umas influências por outras, mas a diferença está na escolha inteligente daquilo que realmente encaixa bem neste temas. Ouvindo a música «The Grave of Civilization» por exemplo, os proeminentes teclados e o certeiro padrão de bateria são retirados ao funeral doom, mas os constantes leads de guitarra e o fenomenal trabalho vocal de Brooke Johnson, que chega a fazer lembrar Nick Holmes dos Paradise Lost, remetem este material para outra dimensão mais clássica e atmosférica. Outros bons exemplos são «Temple of Stagnation», o melhor momento do disco, em que os Void of Silence apoiam um tema de 10 minutos numa sucessão de riff pesadões e minimalistas, que sugerem Evoken circa «Quietus», sempre com vocalizações limpas mas assombrosas; e ainda «None Shall Mourn» que remete para os Neurosis de «The Eye of Every Storm». Não se trata de um disco de doom super-original, mas demonstra um claro know how em como compôr doom metal de excepção, coisa que rareia nos dias de hoje, em que a maior parte das bandas opta por ir ao black metal buscar influência, para tornar o seu material simultaneamente mais agressivo e depressivo. Os Void of Silence caminham no sentido oposto, renunciando ao industrial e às vocalizações black metal (tiques que já fizeram parte do passado da banda) apostando no doom clássico e no árduo trabalho de proporcionar uma atmosfera muito especial. 9/10
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A FOREST OF STARS - «OPPORTUNISTIC THIEVES OF SPRING»
Já temos abordado aqui no Event Horizon a recente tendência experimental no seio do black metal, em que várias bandas exploram diferentes facetas, sejam elas mais depressivas (Shining, Forgotten Tomb), mais folk (Finntroll, Drudkh), mais progressivas (Nachtmystium, Enslaved), mais experimentais (Cobalt, Blut aus Nord) ou mais psicadélicas como no caso dos Menace Ruine ou destes A Forest of Stars. De origem britânica, a banda surgiu em 2008 com o álbum «The Corpse of Rebirth» um colosso de black metal depressivo e pleno de psicadelia, que em «Opportunistic Thieves of Spring» encontra o seu seguimento lógico. Nesta disco os A Forest of Stars são ainda mais arrojados na dinâmica de ritmos alternando passagens de black metal rápido e agreste com outras atmosféricas e contemplativas, como em «Raven's Eye View», música para a qual foi feito um vídeo. Os temas de «Opportunistic Thieves of Spring» estão por outro lado mais concentrados e menos dispersos do que no anterior disco, o que permite uma mais rápida assimilação das extensas e complexas estruturas oferecidas pelo quinteto britânico onde figura Katheryne, Queen of the Ghosts aka Katie Stone dos My Dying Bride. A panóplia de instrumentos utilizados pelos A Forest of Stars acaba por ser o elemento de mais valia da banda, que enriquece as músicas com subtis padrões de piano, flauta e violino, sempre como adorno e nunca sobrepondo-os à música que é por base suja e feia. O álbum é descrito como "an unearthly journey from the rise of mankind to the Golden Age to its decline in the Kali Yuga" (uma jornada extraterrestre desde do aparecimento da Humanidade e a Idade de Ouro, até ao seu declínio no Kali Yuga). Seja lá o que for que isto quer dizer, a verdade é que lírica (e musicalmente) o álbum aufere a banda de uma aura enigmática à semelhança de por exemplo uns Arcturus (oiçam a teatralidade destes na «Summertide's Approach») ou Blut aus Nord. Até ao momento, ainda não deram nenhum passo em falso, mas fica a ideia que existe paralelamente grande margem de progressão. 8,5/10Wednesday, June 23, 2010
PAIN OF SALVATION - «ROAD SALT ONE»
Andei várias semanas a escrever esboços de reviews, mas nada de facto fez justiça a «Road Salt One», um álbum que seja agora ou daqui a uns anos, decerto será recordado como um marco do ano 2010. Não vou fazer grandes devaneios, sob risco de perder objectividade. Afinal, mesmo sendo um crítico natural, ainda há em mim aquela personalidade que perante música sublime e encantadora, não resiste e mandar toda a objectividade às urtigas. É disto que a música se trata: de tocar fundo no coração, seja death metal técnico feito com garra e poder como um álbum dos Nile ou o doom metal mais sorumbático do mundo feito pelos Evoken, no fim de contas se a música nos toca, não há mesmo nada a fazer e, ao ouvir músicas como «Sisters», «Sleeping Under the Stars», «Linoleum», «Where it Hurts» e «Road Salt» pouco há mesmo para fazer a não ser fechar os olhos, esboçar um sorriso e agradecer aos Pain of Salvation por existirem. 10/10
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BLACK TUSK - «TASTE THE SIN»
É inegável que o sucesso de bandas como Mastodon e Baroness, fez aparecer toda uma legião de bandas apostadas em fazer sludge metal. Algumas começam a despontar como Kylesa, outras agarram-se ao trend com unhas e dentes tentando fazer o que não conseguiriam de outra forma. Os Black Tusk não são propriamente novatos, começaram o projecto algures em 2005, mas se alguém os conhecia antes de «Taste the Sin» surgir nos escaparates, das duas uma: ou é fanático por sludge metal e conhece todas as bandas do género, ou vive na mesma cidade que os músicos dos Black Tusk. Curiosamente, o primeiro álbum da banda de Savannah, Georgia, foi produzido por Phillip Cope dos Kylesa. O que mudou então desse álbum chamado «Passage Through Purgatory» para «Taste the Sin»? Fundamentalmente, a editora, que agora não se chama Hyperrealist mas sim Relapse. À primeira vista isto não parece querer dizer grande coisa, mas a verdade é que os Black Tusk hoje aparecem publicitados em revistas de renome e nos sites de referência e isto faz com que se "intrometam" na esfera pública mais apetecível. Posto por outras palavras, é difícil não tropeçarmos no nome Black Tusk num qualquer fórum, site temático, blogue de downloads ou revista de referência. O problema no meio disto é que ouvindo «Taste the Sin» receio que esta banda acabe por se tornar em mais um hype do sludge quando sinceramente não lhe encontro grandes motivos para isso, a não ser talvez, na inventiva «Unleash the Wrath». É um álbum competente e pouco mais. Até a capa é trendy... 6/10
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SOLACE - «A.D.»
Por falar em doom clássico, aqui fica mais uma pérola do género, desta vez dos também norte-americanos Solace, um grupo que existe desde 1996 mas lança aqui apenas o seu terceiro longa duração, depois de ter estado 7 anos sem novidades, a não ser 5 (!) dvds, 1 EP e um split com os desconhecidos Greatdayforup. «A.D.» funciona como uma injecção de adrenalina na vida deste quinteto, que rubrica um verdadeiro colosso de doom/stoner metal. A começar desde logo por «The Immortal, the Dead and the No» a faixa que abre o disco e mostra bem o tipo de material que os Solace exploram. Não se trata de nada super original, mas é tocado cheio de garra e alma. Atestem a ferocidade a que a banda de New Jersey chega em «Six Year Trainwreck» em que o vocalista Jason chega quase a parecer saído de um qualquer projecto black metal. De resto, riffs pausados e cheios de groove («The Eyes of the Vulture» é um must) como mandam as regras (salvo raras excepções como em «The Skull of the Head of a Man», «Borrowed Imunity» e em parte de «Down South Dog»), num álbum ao nível de qualquer um dos antecessores. 8/10HOUR OF 13 - «THE RITUALIST»
O duo norte-americano que forma os Hour of 13 são por certo adeptos de doom tradicional, porque «The Ritualist» é todo ele uma homenagem ao doom clássico de uns Trouble, Saint Vitus e Pentagram (oiçam a sublime »Possession»). Mas não se ficam por aqui. Em «Naked Star», Black Sabbath assalta-nos a memória e em «Demons All Around Me» ouve-se qualquer coisa de Mercyful Fate assim como de Judas Priest antigo. Acaba por ser no entanto, nos temas mais lentos que os Hour of 13 demonstram toda a sua classe, a já citada «Possession», «Soldiers of Satan» e «Evil Inside» são um verdadeiro trio de sonho. Enfim, tudo motivos para um fã de doom metal ou de heavy metal clássico pegar nisto. 8/10
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ORDER OF ENNEAD - «AN EXAMINATION OF BEING»
Este é mais um dos projectos de Steve Asheim, baterista dos Deicide, que tem ainda os Council of the Fallen como alternativa à banda principal que como se sabe cessou actividades por tempo indeterminado. «An Examination of Being» é já o segundo álbum destes Order of Ennead que tem como se esperava base no death/black metal, neste caso com ênfase em estruturas épicas, apesar das músicas andarem todas entre os 4 e 5 minutos de duração. Nota-se nestes temas o cuidado de Asheim em compôr estruturas clássicas com verso-refrão-verso-refrão-solo-verso-refrão, sendo que os solos assumem, como nos últimos álbuns de Deicide, uma importância fulcral. Para tal, Asheim tem nas suas fileiras John Li dos Tardy Brothers, que protagoniza solos verdadeiramente memoráveis como em «The Scriptures of Purification» e «In the Mirror», curiosamente dois dos melhores temas de «An Examination of Being», juntamente com a catchy «A Portal to Rapture». Não é perfeito, mas é dos álbuns de death metal mais interessantes que ouvi este ano. 8/10
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SETHERIAL - «EKPYROSIS»
Os suecos Setherial são uma daquelas bandas que ficaram referenciadas através de um álbum condenado a clássico, que ao longo dos anos nunca conseguiram superar. O álbum em questão foi ainda por cima o primeiro longa duração «Nord» de 1996, que apesar de não ser um «Storm of the Light's Bane» ou um «Opus Nocturne», é um álbum a ter em conta quando se fala em black metal sueco. «Ekpyrosis» recupera (assim como o último álbum dos Watain) a essência primordial do BM sueco e chega a lançar o ouvinte directamente em meados da década de 90. Nomeadamente na introdutória «A World in Hell» e em «Subsequent Emissions from a Frozen Galaxy», que por entre blastbeats e vocalizações estridentes (no primeiro caso) e riffs mid-tempo com groove e pedal duplo a rematar (no segundo), os Setherial conferem ao material ambos dinâmica e atmosfera, aspectos essenciais para este tipo de sonoridade. O grande problema é que tudo isto soa a deja vu. Isto é, não existe aqui pingo de originalidade, todas as ideias já foram vistas e revistas, até pelos próprios Setherial. Apesar de tudo, não invalida que «Ekpyrosis» seja um álbum decente, que é. Sabe bem ouvir um ortodoxo «Ekpyrosis» de vez em quando, para descansar de tanta banda de black metal que por aí anda a tentar soar intelectual e pós-qualquer coisa. 7/10KINGDOM OF SORROW - «BEHIND THE BLACKEST TEARS»
Os Kingdom of Sorrow são um projecto em que Jamey Jasta dos Hatebreed e Kirk Windstein dos Crowbar deixam caír todas as suas influências e gostos pessoais. Desde do obrigatório hardcore ao sludge, passando pelo thrash e southern rock, este é um duo que não se coíbe em juntar várias facetas do mundo do metal e não só. É difícil não pensar em Pantera quando se ouve um tema como «From Heroes to Past» e até Godsmack em «God's Law in the Devil's Hand». Menos provável será a utilização de linhas melódicas que chegam a parecer saídas de um álbum de Killswitch Engage. Parece óbvio que o experiente duo não fez estes temas a pensar nesta ou naquela banda, mais sim num simples e honesto display de músicas para as quais não houve grande planeamento. Sendo bem melhor do que o disco de estreia e com um agradável ambiência mais sludgy, «Behind the Blackest Tears» permanece essencialmente como um trabalho agradável mas longe de constituir uma aquisição essencial. 6,8/10Wednesday, June 16, 2010
CIRCLE OF DEAD CHILDREN - «PSALM OF THE GRAND DESTROYER»
«Psalm of the Grand Destroyer» é o quarto álbum dos Circle of Dead Children, uma banda apostada no seu death metal/grindcore no qual o conteúdo lírico sempre teve um especial significado. «The Genocide Machine» tido como o álbum que lançou o grupo para a elite do grindcore americano, falava acerca de um processo mental e colectivo que tornava a Humanidade na mais perfeita máquina de matar à face do universo. Neste novo disco também podemos encontrar letras cuidadas e que merecem estudo como nas faixas «When Human Compost Stains all Earth and Repels the Messengers of Love» e «Earth and Lye». Mas se ao nível lírico Joe Horvath continua no seu melhor, o mesmo não se pode dizer da componente musical. «Psalm of the Grand Destroyer» é de longe o pior álbum dos Circle of Dead Children. Se um malhão como «Beethoven's Children» ou a profundidade de um «Alkaline» são inexistentes, este disco sofre também por falta de algo que o catapulte para uma dimensão maior (para isso seriam precisas músicas mais entusiasmantes e detalhes mais elaborados) e de uma produção claramente superior à presente neste álbum. Fez-me lembrar a produção do «Enemies of Reality» dos Nevermore. Uma produção que retira boa parte do impacto das músicas, dando-lhe um som quase de demo. Tendo em conta as produções dos álbuns anteriores, não me parece que Joe Horvath quisesse este som para um disco seu. Um passo atrás numa carreira até curta, mas que granjeou os Circle of Dead Children como uma das bandas mais respeitadas do circuito grindcore. Esperemos pelo próximo passo. 5/10DIABOLIC - «EXCISIONS OF EXORCISMS»
Os norte americanos Diabolic remetem para o festim de brutal death metal que foi moda no final da década de 90 e princípio de 2000, quando bandas como Nile, Krisiun, Decapitated, Cryptopsy, Abominator, Angelcorpse e Origin começaram a dar cartas. O trend acabou por morrer rapidamente e apenas alguns dos melhores colectivos (como aqueles que mencionei) permaneceram no activo. Os Diabolic, apesar do relativo sucesso de «Supreme Evil» (1998) e de serem apadrinhados pelo vocalista de Cannibal Corpse, George Corpsegrinder, não sobreviveram ao súbito desinteresse do público por este tipo de som, lançando o seu último longa duração «Infinity Through Purification» em 2003 e cessando actividades em 2004. Entretanto em 2006 o grupo voltou ao activo e teve inclusive um álbum prestes a ser lançado, mas questões legais envolvendo o co-fundador da banda Brian Malone que reclamva direito sobre o nome da banda, atrasaram e impediram mesmo a sua edição. Agora baptizado «Excisions of Exorcisms», o disco vê finalmente a luz do dia e apresenta uns Diabolic a fazer basicamente o que faziam em 1998. Músicas tocadas à velocidade da luz, sem grandes variações (excepto no mid-tempo de «False Belief»), solos à Jeff Hanneman, bateria à Pete Sandoval e uma primordial influência de Morbid Angel. Em suma, olhem para a capa e ficam com uma ideia do conteúdo. Depois decidam se vale a pena dar uma oportunidade. Aqui para nós há coisas bem melhor às quais dar atenção. 5/10
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HEAVEN SHALL BURN - «INVICTUS»
Os Heaven Shall Burn sempre foram uma espécie de promessa por cumprir do melodeath/metalcore. É certo que disco após disco vão cimentando uma carreira sólida, mas parecem algo estagnados numa sonoridade que fica entre uns In Flames e a nível vocal de uma qualquer banda de black metal. Esta dualidade, quer me parecer, impede o grupo de se expandir, porque vive obcecada em soar simultaneamente melódica e super agressiva. Ouçam desde logo «The Omen» e «Combat» em que as texturas musicais remetem para o melodeath puro e depois temos no contra ponto a deslocada voz de Marcus Bischoff e querer soar sempre o mais agressivo possível. Se já vimos anteriormente esta opção com resultados bons em «Deaf to Our Prayers», progressivamente os Heaven Shall Burn começam a parecer uma orquestra desafinada em que músicos tocam para um lado e o maestro conduz para o outro, «I Was, I Am, I Shall Be» é um bom exemplo disso. Um álbum parcialmente falhado com alguns momentos interessantes, «Buried in Forgotten Grounds», «Given in Death» e «Of Forsaken Poets» são alguns deles. 6/10
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WHITECHAPEL - «A NEW ERA OF CORRUPTION»
A propósito da review ao novo álbum dos Trigger the Bloodshed, falei da necessidade que as bandas deathcore começam evidenciar em fugir ao trend que ajudaram a criar (e a saturar), sob receio de ficarem ultrapassadas. Os primeiros passos foram dados por aquelas que são as entidades máximas deste sub-estilo, os Job For a Cowboy que, no último álbum «Ruination» evidenciaram uma tendência para se colarem ao death metal mais tradicional e deixarem de lado os breakdowns e a brutalidade desenfreada sem nexo. A outra banda foram os Suicide Silence que mostraram em »No Time to Bleed» uma vontade de descomplexizar as suas composições, apostando em refrões orelhudos e em texturas menos técnicas. Os Trigger the Bloodshed por seu lado, sem ainda convencerem ninguém apostam num death metal brutal e técnico, mas sem consequências de maior. Os Whitechapel são um caso mais interessante, porque apostam não numa óbvia colagem ao death metal clássico, mas antes em tornar o seu som um pouco mais progressivo, seja na utilização sublime de leads que se arrastam pelo verso e pré-refrão (ouvir «Devolver») ou em riffs meshugganianos («Breeding Violence»). Importa salientar que «A New Era of Corruption» apresenta uma dinâmica e panóplia de influências que pode surpreender quem esteja apenas à espera de deathcore bruto sem nada de catchy. «The Darkest Day of Man» com os seus riffs thrash é uma boa surpresa, assim como «Unnerving», para mim a melhor faixa do álbum, a projectar o deathcore para um nível superior, com uma soberba introdução de teclados e um balanço de guitarras que bem podia estar num disco recente dos Behemoth. «Murder Sermon» é outra das grandes canções, com o vocalista Phil Bozeman em destaque. Aliás se tiver de escolher um vocalista que represente o deathcore, certamente a minha escolha recairia no poderio de Bozeman. «A New Era of Corruption» é o melhor do deathcore. Consegue simultaneamente mostrar a essência do que é esse trend e projectá-lo para paragens que mais nenhum banda do género se atreveu a explorar e isso merece, de facto, muito crédito. 8,5/10
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LENG TCH'E - «HYPOMANIAC»
Para quem ainda não sabe, Leng Tch'e deriva de Lingchi, uma técnica de tortura utilizada pela China Imperial, conhecida como "Morte por mil cortes". Os belgas que compõem esta banda, que curiosamente já não têm nas suas fileiras nenhum dos elementos originais, lançam aqui o seu 5º longa duração, sem contudo haver algo que distinga «Hypomaniac» de «Marasmus» lançado em 2007. O grindcore assente nos Napalm Death continua a ditar a sonoridade dos Leng Tch'e e não fossem algumas músicas como «Totalitarian» (que conta com a participação de Barney Greenway dos Napalm Death), «The Stockholm Malevolence Project» e «Violence Does Even Justice», que misturam riffs orelhudos com o vozeirão de Serge Kasongo a fazer valente mossa, estaríamos perante um disco sem grandes motivos de interesse a não ser para os aficionados de grindcore/death metal. Para quem aprecia bandas como Napalm Death, Rotten Sound e Nasum. 7/10Saturday, June 12, 2010
WATAIN - «LAWLESS DARKNESS»
2010 tem sido um ano particularmente interessante em termos de novos lançamentos, sobretudo no sub-género black metal com os regressos de Abigor, Burzum e o novo projecto de Tom Gabriel Warrior, os Triptykon. «Lawless Darkness» é mais um desses álbuns e que sai envolto numa especial espectativa, depois do soberbo «Sworn to the Dark», provavelmente o melhor álbum do género da década que passou. Ouvindo «Lawless Darkness» a dúvida que persistia de que os Watain dificilmente conseguiriam superar a fasquia, não só de «Sworn to the Dark» mas também de «Casus Luciferi», fica desfeita. É certo que este álbum não é superior a nenhum desses já clássicos, mas está claramente ao nível dos mesmos, sendo uma lógica continuação da sonoridade já desenvolvida pela banda sueca. Uma sonoridade que merece rasgados elogios, pela forma com que desenvolvem estruturas catchy sem nunca deixarem de soar super agressivos. Oiçam «Malfeitor» e ficam a perceber a ideia. Neste magnífico hino, os Watain concebem riffs de guitarra thrashados, uma prestação vocal de Erik Danielsson no mínimo assombrosa e um final arrepiante a cargo de Pelle Forsberg cujo solo carece de adjectivos apropriados. No fim desta faixa, fiquei com um súbito receio de que os Watain teriam jogado na trilogia inicial «Death's Cold Dark», «Malfeitor» e «Reaping Death» (que já tinha saído como single) todos os seus trunfos, receio desfeito logo que «Four Thrones» e a soberba «Wolves Curse» passaram pelas colunas. Em relação ao disco anterior, «Lawless Darkness» consegue ser mais eficaz porque o valor individual das canções é superior, isto é, seleccionando qualquer música deste disco ficamos com um poder de fogo superior à maior parte das canções de «Sworn to the Dark» que funciona bem melhor como um todo, como um ritual. Aqui, a tropa de Uppsala, dá contornos mais clássicos a seu disco, onde não falta o Dissection/Mayhem-flirt «Total Funeral», trabalhando os arranjos e aspectos individuais de cada canção, assim como a atmosfera geral. Por exemplo, a complexa «Waters of Ain» sobrevive bem, isolada do restante disco, muito por culpa do exímio esforço nos detalhes que prefazem os seus 14 minutos de duração. Outro exemplo é o instrumental «Lawless Darkness» que mesmo sendo vista à partida com cepticismo acaba por se revelar outra das grandes malhas deste álbum. Enfim, para quem ainda duvidava de que os Watain eram um hype da imprensa à semelhança do que aconteceu com os Mastodon, aqui fica a resposta: um álbum de pure classic evilness e sério candidato a disco do ano. 9/10
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NIGHTBRINGER - «APOCALYPSE SUN»
Segundo longa duração dos norte americanos Nightbringer, que apesar de terem lançado seu registo de estreia apenas em 2008, já existem desde 2001. Estão inseridos na onda do pós-black metal do qual fazem parte bandas como Cobalt, Ofermod, Deathspell Omega, Secrets of the Moon e Aluk Todolo, só para citar alguns exemplos. Contudo, ouvindo este «Apocalypse Sun» é notória a falta de algo que é vital nesse tipo de lançamentos: o ambiente. Trata-se de um disco repleto de blastbeats, tremolo ominpresente (mais irritante que as vuvuzelas) e bons vocais raivosos, mas falta ambiente, aspecto que esteve bem melhor no registo de estreia «Death and the Black Work». Ocasionalmente, nos temas maiores, os Nightbringer ainda conseguem conferir às canções uma aura negra e atmosférica, como em «Serpent of the Midnight Sun» e «Fount of the Nighted God-Head», mas a maior parte do material deste disco é no mínimo caótico e sem interesse. 4/10
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MENACE RUINE - «UNION OF IRRECONCILABLES»
Normalmente quando se fala em experimentação no metal isso é sinónimo de bizarria ou transfiguração de uma identidade sonora. Por isso costuma ser uma palavra com sentido deveras negativo neste universo musical, onde "manter as raízes" é algo a que as bandas devem almejar. A não ser que por natureza estejamos a falar de uma banda experimental, que tem na sua própria génese uma vontade intrínseca de fazer qualquer coisa de novo a cada disco. Aí normalmente, o experimentar tem uma conotação positiva. É um jogo de palavras interessante, que encontra nos Menace Ruine, um exemplo ideal para retractar esta situação. Se por génese são um grupo apostado em misturar drone, black metal e alternativo, os Menace Ruine nunca fizeram um disco igual, nem sequer o primeiro álbum é igual à sonoridade explorada na demo «In Vulva Infernum». Por isso, quando o duo canadiano lançou em 2008 o díptico «Cult of Ruins»/ «The Die is Cast» muitos acharam que os Menace Ruine estavam a dar um passo maior que as pernas e que «The Die is Cast» era (e é) um álbum demasiado soft para a banda que tinha lançado o «Cult of Ruins», isto tudo, repito, em 2008. «Union of Irreconcilables» surge agora envolto numa especial expectativa, de saber como é que os Menace Ruine iriam equilibrar o desejo de experimentação e o quão longe estariam dispostos a chegar com este projecto. Ouvindo o resultado, é difícil não sentir que «Union of Irreconcilables» fica algo distante do que havia sido de alguma forma prometido. Se a parcela referente ao black metal ficou praticamente diluída ao primeiro tema «Collapse» e aos gritos de fundo em «Primal Waters Bed», o drone tomou conta das operações, mas raramente prende as atenções. É sofrível a passagem de «Corridor de Perdition» até «Nothing Above or Below», onde o duo apenas se limita a cobrir extensas passagens de feedback e riffs chatos e minimalistas. Os Menace Ruine conseguem ainda assim ter alguns momentos de pura inspiração como na extensa e atmosférica «Primal Waters Bed» que resume muito do que a banda fez até ao presente. «The Upper Hand» é por seu lado a grande malha deste disco, com a sempre hipnótica voz de Geneviève por cima de um ritmo marcial que faz desfilar imagens como a da capa do disco, nas nossas cabeças. Este tema, apesar de estar numa onda parecida com o material de «The Die is Cast» acaba por auferir os Menace Ruine de uma aura especial de misticismo que o material mas directo e dronado não tem, como por exemplo, a faixa «Not Only a Break in the Clouds» que sofre bastante por estar no alinhamento logo a seguir a essa canção fenomenal. Como se disse, não é um álbum mau de todo, mas com a expectativa criada pelos monstros «Cult of Ruins» e «The Die is Cast», seria impossível não esperar mais. Acredito, todavia, que o próximo álbum vá trazer ao de cima toda a capacidade dos Menace Ruine. 7/10
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TRIGGER THE BLOODSHED - «DEGENERATE»
Brutal death metal: é invariavelmente este o caminho a seguir pelas bandas que começaram pelo deathcore e que aos poucos vão saltando de um barco prestes a afundar. Isto revela muito do que o deathcore proporciona: brutalidade inconsequente do qual muito pouco fica na memória. Agora resta saber como é que essas bandas vão fazer a transição. «Degenerate», à semelhança de «Ruination» dos Job For a Cowboy» editado em 2009, mostra o caminho. A aposta em riffs mais memoráveis («A Vision Showing Nothing»), menos breakdowns e maior musicalidade («De-Breed») e menos peso bruto anárquico («Dethrone») estão presentes neste terceiro longa duração da banda de Bristol. O problema aparece quando colocamos este disco a tocar depois ou antes de um qualquer lançamento de Nile, Krisiun ou Decapitated. A diferença é abismal, e os Trigger the Bloodshed ainda vão ter de trabalhar muito para atingir o nível de excelência composicional dessas bandas. A seguir com atenção. 7,2/10
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Tuesday, June 08, 2010
NEVERMORE - «THE OBSIDIAN CONSPIRACY»
A cada novo álbum torna-se evidente que esta banda não sabe verdadeiramente decepcionar. Seja por causa da identidade musical que os Nevermore souberam desenvolver logo nos Sanctuary e depois nos primeiros dois álbuns como Nevermore, ou pela incrível capacidade de álbum após álbum conseguirem escrever temas emblemáticos que se revestem de clássicos instantâneos, que nos faz ouvi-los repetidamente e juntá-los à galeria cada vez mais vasta de canções inesquecíveis que a banda de Seattle grava desde que se formou em 1992. Ora, «The Obsidian Conspiracy» vem com a expectativa acrescida de suceder aquele que é apontado por cada vez mais fãs como o melhor álbum da carreira dos Nevermore: «This Godless Endeavor». Tal expectativa é péssima para quem começar a ouvir este novo álbum, porque de facto há uma significativa diferença entre os dois trabalhos. Enquanto que o álbum de 2005 era mais virado para batidas fortes e agressivas e para uma vertente mais emotiva, «The Obsidian Conspiracy» é mais melódico e mais vocacionado para o trabalho vocal de Warrel Dane (ouvir «Moonrise (Through Mirrors of Death)» e «Without Morals») . É um disco menos complexo e menos progressivo, mas com um trabalho de guitarras soberbo («The Day You Built the Wall» e a faixa título). Aliás isto nota-se logo a partir da duração das faixas que raramente excedem os 5 minutos, e demonstram a vontade dos Nevermore em descomplexizar o seu som para melhor fazer passar a mensagem. Os melhores temas quanto a mim estão porém em «Emptiness Unobstructed», uma faixa bem aproximada da sonoridade de um «Dead Heart in a Dead World», e a já citada «Moonrise (Through Mirrors of Death)» com melodias vocais incríveis. «The Termination Proclamation» merece também destaque pela pujança com que abre o disco. Vamos ao que faz deste disco uma parcial decepção: é impossível não achar que os Nevermore não tenham tido capacidade para escrever músicas melhores do que «Your Poison Throne» ou «The Blue Marble and the New Soul», só para citar algumas das menos conseguidas. Tem-se inclusive falado em sobras dos álbuns a solo de Warrel Dane e Jeff Loomis, argumento que faz até algum sentido quando vamos ouvir os respectivos e encontramos diversas similaridades de «She Comes in Colors» e «And the Maiden Spoke», ao nível da orientação musical. Outro aspecto menos positivo é que «The Obsidian Conspiracy» por muito que se queira não tem o alcance inovador de «Dreaming Neon Black», «Dead Heart in a Dead World», «This Godless Endeavor» nem sequer do menos unânime «Enemies of Reality». É um álbum de reconhecidas qualidades inerentes à tal identidade única que os Nevermore criaram e que os impossibilita que fazer um disco verdadeiramente mau, mas dentro do seu espólio, é sem dúvida uma obra menor. 8/10
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REVAMP - «REVAMP»
Os ReVamp são o projecto de Floor Jansen, ex-vocalista dos extintos After Forever, e que lança aqui o seu primeiro trabalho, por sinal um brilharete que não se esperava. A verdade é que com os minutos iniciais de «Here's My Hell» antevia-se o pior, isto é, um monótono álbum de female fronted gothic metal, sem grande genialidade inerente. A canção em si, melhora exponencialmente e acaba por ser apenas a ponta do iceberg em termos de qualidade. «Head Up High» já demonstra uma aposta forte em riffs pesados e em refrões enérgicos entre uns Within Temptation e uns Epica, mas com uma tonalidade que felizmente difere os ReVamp dessas bandas. «Sweet Curse» com a participação de Russel Allen dos Symphony X e «The Trail of Monsters» são apenas dois exemplos de excelente música contida neste álbum que teria a ganhar se fosse um pouco mais curto. São 13 temas, que apesar de curtos, nem todos estão na fasquia elevada das malhas já destacadas, sendo previsível que ao fim de duas ou três audições na íntegra, o botão do skip comece a ser utilizado com frequência. Um óptimo registo de estreia, agora só falta limar algumas arestas (arranjar um line up) e manter o nível, porque temos artista. 7,5/10ANATHEMA - «WE'RE HERE BECAUSE WE'RE HERE»
Já se passaram 7 anos desde «A Natural Disaster», o anterior álbum da banda britânica que chegou incrivelmente a estar sem contrato discográfico durante largo período. Tal se explica pela sonoridade que os irmãos Cavanagh adoptaram nos últimos álbuns que reverte o som dos Anathema cada vez mais para um rock atmosférico e progressivo que não encontra grande espaço comercial nos dias de hoje. Mesmo demonstrando a qualidade audível neste novo álbum, é compreensível do ponto de vista de uma editora, não estar disponível para apostar nestes Anathema. O empurrão foi entretanto dado pela meio desconhecida Kscope Records, que edita este oitavo álbum dos Anathema, metaforicamente chamado «We're Here Because We're Here». Um trabalho na senda dos últimos, embora ainda mais atmosférico e contemplativo, menos dado a temas curtos e refrões fáceis. Oiçam «Thin Air», «Summernight Horizon» e «A Simple Mistake» alguns dos mais interessantes temas do álbum para ficarem com uma ideia da sonoridade explorada pelos Anathema de 2010, uns Anathema virados para si mesmos, sem interesses de vendas, unicamente vocacionados para aquilo que querem fazer e mostrar. O problema desta postura é que «We're Here Because We're Here» soa a display de emoções egoístas sendo dificil transpôr o muro que a banda cria com as suas texturas musicais. Haverá quem tenha paciência para dar o número de spins suficiente para que as músicas baixem as defesas e deixem o ouvinte interiorizar todas as emoções inerentes a este álbum? Provavelmente. No que me toca, é um bom disco para ouvir enquanto faço a faxina da casa. 7/10
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ANNIHILATOR - «ANNIHILATOR»
Se muita gente já se fartou do trend do thrash revivalista, a verdade é que agora se estão a colher os frutos dessa moda que começa a esmorecer, devido à volatilidade do mercado do metal em que se uma moda pega, rapidamente é posta de lado porque se torna precisamente uma moda! Aqui entram as bandas que já faziam thrash muito antes dessa moda pegar. Bandas como os Overkill, Exodus e Annihilator. Esta última não tão bem sucedida como as duas primeiras, mas também tida como uma instituição do thrash, que tem aqui uma oportunidade de ouro para recuperar a fama perdida desde 1990 aquando do clássico «Never, Neverland». Não se trata de oportunismo, mas antes da chance de recuperar o mérito perdido algures no tempo, que a banda de Jeff Waters não conseguiu acompanhar muito por culpa das incessantes mudanças de formação. Se já o anterior «Metal» tentou revitalizar os Annihilator para a actualidade, este álbum mereceu a confiança de ser auto-intitulado e de facto é a melhor coisa que Waters compõe desde «Never Neverland». Um álbum agressivo e retro, com uma produção forte e perceptível, repleto de malhas fortes como «Ambush» e «Coward». Não é tão forte como os últimos de Exodus e Overkill, mas ainda assim um must para quem gosta de good old thrash metal! 7,6/10DEFTONES - «DIAMOND EYES»
Sexto álbum de uma banda que foi associada ao nu metal, mas que soube sobreviver à morte rápida desse movimento e que lança aqui um verdadeiro manifesto de sobrevivência depois do quase desmembramento após o acidente de Chi Cheng em que o baixista esteve em estado de coma durante largo período, atirando o grupo para as ruas da amargura. Aliás, os Deftones nunca tinham estado tanto tempo sem lançar um disco, ficando os planos do álbum «Eros» abortados depois da hospitalização de Chi Cheng. Recorde-se que «Eros» estava previsto ser um disco de ruptura, com muita experimentação e electrónica, que esteve praticamente acabado, mas que nunca viu a luz do dia. Porque razão, após a recuperação de Cheng, não foi este projecto levado para a frente? A razão que me ocorre pode ser ouvida em pleno no novo trabalho «Diamond Eyes». Após tão longo hiato, fazer um álbum de ruptura seria um autêntico suicídio comercial, por isso os Deftones decidiram partir para a composição de um álbum de raíz. «Diamond Eyes» é por isso muito aproximado daquilo que conhecemos do passado dos Deftones. Rock alternativo, com ocasionais guitarras distorcidas, a alternância vocal de Chino Moreno (cada vez mais apurada diga-se) e músicas na sua generalidade a apelar a um público adolescente. Isto não impede «Diamond Eyes» de ser um bom álbum: a faixa título é sublime e talvez a melhor música da carreira dos Deftones e «Rocket Skates» é um single ultra eficaz. O problema é que a maior parte das músicas não mexem minimamente com o ouvinte, deixando-o com um sentimento de indiferença perante o que acabou de ouvir. Algo inferior em termos gerais aos restantes álbuns de Deftones, vale essencialmente pelas músicas já destacadas, «Royal» e «Beauty School». 7/10WORMROT - «ABUSE»
Singapura não é dos países mais óbvios para aparecerem bandas interessantes, pelos menos que causem logo um impacto muito positivo. Mas na era da globalização através da tecnologia, o argumento da utopia, de termos uma banda de um país pouco dado ao metal a assinar por uma editora de respeito, é cada vez menos aplicável. Os Wormrot que o digam, ap
ós terem assinado com a Earache para este «Abuse» originalmente lançado pela Scrotum Jus Records, tendo posteriormente chamado a atenção da conhecida editora. O caso é excepcional mas não é chocante, pelo menos depois de ouvirmos a autêntica jarda que é «Abuse». Um disco de grind violento com 23 temas entre os 8 segundos e os 2 minutos e 14 segundos, com uma variedade impressionante, entre o hardcore quase puro (apenas mais acelerado) e o grind mas porco e javardo que possam imaginar. A verdade é que normalmente este tipo de lançamento sofre por ser demasiado repetitivo e sem interesse, algo que os Wormrot evitam, não só com variedade, mas também um skill natural para ser simultaneamente brutal e "inventivo". É claro que a banda de Singapura não inventou a roda, mas compôs aqui o mais interessante disco de grind dos últimos anos, incluíndo os Napalm Death que ultimamente andam mais interessados no death metal, do que no grind. 9/10HOWL - «FULL OF HELL»
Os norte-americanos Howl editam aqui o seu primeiro longa duração depois de em 2008 se terem mostrado ao mundo com o EP auto intitulado que lhes valeu um contrato com a Relapse records. Ao som de um sludge metal pujante, os Howl podem bem ser a próxima coqueluche de um género que tem fabricado algumas das mais bem sucedidas bandas dos últimos tempos a começar pelos Mastodon e Kylesa, para citar apenas dois exemplos de ascenções meteóricas. Qualidade de facto não falta aos Howl, que em músicas como «Jezebel» e «The Scorpion's Last Sting» que devem muito ao stoner de uns Cathedral como a uns Godflesh e até Converge. Os riffs são fortes, roubados às vezes a Metallica, com uma roupagem suja própria do sludge, uns vocais ásperos e ideais para o estilo dos Howl e uma secção rítmica composta por Rob e Timmy que é o pulsar de todas as músicas de «Full of Hell». Se procuram este tipo de som, têm aqui uma opção super válida, com enorme margem de progressão, propícia a altos vôos a curto prazo. 8,2/10SOULFLY - «OMEN»
São uma das mais mal amadas bandas do metal moderno, mas que com o declínio dos Sepultura tem invariávelmente tido mais destaque, mais não seja pelo facto de que álbum após álbum, Max Cavalera mostrar uma perserverança fora de comum. «Omen» é já o 7º full-length e pelos vistos é um dos mais inspirados álbuns do músico brasileiro. Pela rapidez com que temas como «Rise of the Fallen» e «Great Depression» se sobressaem pelos atractivos refrões. O melhor é que «Omen» não é um álbum de dois ou três singles, mas composto de 11 singles! «Counter Sabotage», «Mega Doom» e «Off With Their Heads» são indiscutivelmente temas de grande potencial ao vivo, como indicadores de que Max está com a inspiração em alta. A reunião com Sepultura pode até estar para breve, mas Soulfly tem o futuro garantido. 8/10TRIPTYKON - «EPARISTERA DAIMONES»
Claramente um dos acontecimentos discográficos do primeiros semestre de 2010 a par de «Belus», ««Eparistera Daimones» é o primeiro álbum dos Triptykon, nova encarnação de Tom Gabriel Warrior, dos extintos Celtic Frost. Este álbum é obviamente, como o próprio Tom já tinha por várias vezes dito, uma continuação da sonoridade desenvolvida em «Monotheist», derradeiro álbum dos Celtic Frost, e por isso sujeito a inevitáveis comparações. Pessoalmente senti uma muito maior afinidade como «Monotheist» não só por ser um álbum de Celtic Frost, mas porque musicalmente era um álbum mais focado, inovador e com uma aura de mistério que o elevou a absoluto clássico da era moderna. «Eparistera Daimones» é por seu lado, um álbum que parece mais forçado e menos espontâneo, menos apaixonado e mais planeado. É inquestionável a qualidade de temas como as raivosas «Goetia» e «A Thousand Lies» e as atmosféricas «Descendant» e «The Prolonging», contudo há um sentimento mecânico e frio que não fica bem em músicas que aparentam ser tão pessoais como «Abyss Within my Soul». O balanço desta estreia é apesar disso positivo, que nos mostra um Tom Gabriel Warrior preparado para encetar uma nova fase musical com o apoio de músicos de qualidade como V. Santura dos Dark Fortress. «Eparistera Daimones» é por isso um disco de destaque natural e por ser no final de contas um disco de dark metal com qualidade acima da média. 8/10
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KEEP OF KALESSIN - «REPTILIAN»
Apesar do efeito da participação no festival de eurovisão norueguesa ser muito reduzido fora do seu país de origam, a verdade é que poucos terão ficado indiferentes a esta decisão meio polémica dos Keep of Kalessin. Olhando para a recepção a este «Reptilian» é fácil verificar que, de uma forma geral, os fãs e adeptos em geral desenvolveram uma espécie de desdém em torno da banda norueguesa que até aqui acumulava vários sucessos como «Armada» e «Kolossus». O que mudou neste «Reptilian»? Absolutamente nada. Apenas um crescendo de popularidade e uma atitude que irá perseguir o grupo durante muito tempo. Não há uma mudança de direcção musical, nem desinspiração de composições ou uma assinatura de contrato com uma multinacional (os Keep of Kalessin já estão na Nuclear Blast de qualquer forma), há sim um continuar do trabalho desenvolvido nos últimos álbuns, que mistura death e black metal, com recurso a teclados atmosféricos e coros imponentes. As primeiras duas faixas «Dragon Iconography» e «The Awakening» são dois malhões respeitáveis ao nível do melhor que já fizeram no passado. Assim como a épica «Reptilian Majesty» de 14 minutos de duração e «Dark as Moonless Night». Iguais a si próprios, os Keep of Kalessin lançam aqui um disco ao nível do que nos têm habituado, infelizmente vamos assistindo cada vez mais no metal, à influência de acontecimentos extra-musicais na apreciação ao produto final das bandas. 8/10
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Thursday, June 03, 2010
SADIST - «SEASON IN SILENCE»
Este novo álbum dos Sadist fez-me dar um salto ao Metal Archives para ver que bandas tem esse país em forma de bota chamado Itália. À parte dos conhecidissimos Rhapsody of Fire e Lacuna Coil, deparei-me assim por alto com os The Foreshadowing, Aborym, Forgotten Tomb e Graveworm por entre 3983 bandas registadas. Afinal de contas a cena italiana até possui variadas propostas interessantes entre as quais figuram os Sadist, um dos grupos com mais tradição em Itália, fundados em 1990. Apesar da longevidade, os Sadist são tudo menos uma banda consensual. Foram oscilando entre um death metal progressivo e técnico e um death industrial, que fez com que o grupo nunca atingisse níveis maiores de popularidade. «Season in Silence» recai sobre a primeira tendência. Temas como «Broken and Reborn», «Night Owl» ou «Season in Silence» convocam riffs concisos mas dinâmicos, um caos controlado sob a batuta do furioso vocalista Trevor. Um excelente regresso com poucos pontos mortos, mas infelizmente sem a atenção ou destaque merecidos. Este disco saiu a 11 de Março e pouco se ouviu falar dele. Claramente merecia mais. 8,7/10
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MASTERPLAN - «TIME TO BE KING»
Os Masterplan são um caso de absoluto mistério. Se os dois primeiros álbuns prometiam vôos muito altos, o eclipse que se verificou a partir do EP «Lost and Gone» de 2007, com posterior edição do mediano «MK II» atirou os Masterplan para a galeria das promessas falhadas ao lado de bandas como por exemplo, Metalian ou Lost Horizon. Tenta agora o grupo reerguer-se intitulando o seu 4º álbum de «Time to be King». É um título ambicioso, assim como toda a nova imagem e roupagem sonora dos Masterplan que têm como vocalista um dos melhores frontman de sempre, Jorn Lande. O destemido músico cumpre o seu papel, imprimindo a canções como «Far From The End Of The World» e «The Dark Road», um cunho muito próprio, muito teatral e dramático, mas simultaneamente forte e imponente, mas que só não vai mais longe, porque de facto de régio este álbum pouco tem. As músicas oscilam entre o hard rock e o power metal, sem grandes truques de estúdio, onde os refrões tentam motivar o ouvinte a defender a ideia de que os Masterplan são os melhores e que estão aí para as curvas. Tarefa dificil quando esses refrões são facilmente esquecíveis em detrimento de um álbum como «The Wicked Symphony» dos Avantasia. Aliás, comparem a performance de Jorn Lande nos dois álbuns e vão-se aperceber do que estou a falar. 5/10
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THE OCEAN - «HELIOCENTRIC»
A necessidade de inovação é algo natural e saudável nas bandas, a não ser que seja os Iron Maiden ou os Manowar. Prova a ausência de conformismo e a vontade de explorar novos territórios, ainda que na maioria dos casos, os resultados sejam mais maus do que bons. Veja-se os óbvios casos dos Metallica e dos Megadeth, assim como num nível mais underground, os casos dos Cradle of Filth, My Dying Bride e Cryptopsy. Os The Ocean nunca foram propriamente uma banda estagnada num único estilo musical, sinal disso é que o diptíco «Precambrian» foi tão bem recebido em 2007, e antes também, a mistela de estilos tão bem engendrada em «Aeolian». Em «Precambrian», os The Ocean separavam em dois discos as suas facetas, uma mais agressiva do death metal e outra mais contemplativa do pós rock. Os resultados foram sublimes, num disco em certa medida insuperável. Talvez por isso, Robin Staps tenha sugerido novamente separar as facetas da banda em dois discos diferentes, um tematicamente centrado na teoria heliocêntrica e outro a sair lá mais para o final do ano, baseado na teoria antropocêntrica. O primeiro é declaradamente mais soft e experimental, com recurso excessivo a voz limpa e a passagens acústicas e de teclados, com o cúmulo de «Ptolemy Was Wrong» uma das mais terríveis músicas que já passaram pelas minhas colunas. Felizmente nem tudo é mau. «Swallowed by the Earth» por exemplo, merecia melhor sorte e um bom álbum a acompanhar. Esperemos que o segundo tomo, seja significativamente melhor e que Robin Staps deixe de se armar em inventor antes de ser acusado de heresia. 5/10
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CATHEDRAL - «THE GUESSING GAME»
Como suceder o melhor disco da carreira? Esta deve ter sido a pergunta de Lee Dorrian e dos seus Cathedral, que com «The Garden of Unearthly Delights» suplantaram as expectativas mais optimistas com um poderoso disco ao nível do clássico «Forest of Equilibrium». O problema veio a seguir. Os Cathedral estiveram 5 anos para gravar o sucessor desse colosso de doom metal, que às tantas tiveram a necessidade de compensar o tempo de espera, editando um disco duplo. «The Guessing Game» é assim um álbum variadissimo que contempla todas as fases dos Cathedral, desde da fase inicial mais doom dark metal, até ao stoner hippie da fase intermédia e dos progressivismos de «The VIIth Coming» e «The Garden of Unearthly Delights». O problema é mesmo a duração do álbum. À semelhança do último registo dos Avantasia de Tobias Sammet, «The Guessing Game» teria muito a ganhar se se concentrasse apenas em 9-10 músicas que são as que verdadeiramente nos impelem a carregar no repeat («The Running Man», «Death of an Anarchist» e «Cats, Incense, Candles & Wine» por exemplo) em vez de fustigar o ouvinte com devaneios psicotrópicos dispensáveis (apesar de interessantes), como «Edwige's Eyes» e «La Noche del Buque Maldito ». Mais valia terem deixado estas músicas como temas bónus ou para um futuro EP. Nada que belique verdadeiramente o disco, porque ao fim de algumas audições, já nos é fácil aceitar aqueles minutos a mais. «The Guessing Game» é um álbum complexo e antagónico no que diz respeito às velocidades da nossa sociedade actual do fast consumption. Este disco precisa de tempo e de dedicação do ouvinte, de várias escutadelas com o bookelt em riste, sentado no chão envolto numa névoa de qualquer coisa menos legal. 8/10
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ALCEST - «ÉCAILLES DE LUNE»
«Souvenirs d'un Autre Monde» editado em 2007 atirou os franceses Alcest para a elite do metal francês, auxiliado em parte pela atenção generalizada ao black metal gaulês de qualidade que tem surgido nos últimos anos. É curioso verificar inclusive, que é o público do black metal que mais atenção tem dado aos Alcest, não sendo de estranhar, uma vez que se descubra que os Alcest nos seus primórdios eram uma banda mais virada para essa sonoridade. O que fará com que os adeptos de black metal gostem de Alcest afinal de contas? Bom, para começar Alcest pode ser cada vez mais uma banda de shoegaze e folk, mas continua a recaír em diversas passagens black metal que conferem ao material novo uma dinâmica assinalável. «Écailles de Lune» aperfeiçoa a fórmula utilizada e «Souvenirs d'un Autre Monde» e faz enfim dos Alcest um fénomeno do qual se pode retirar todas as insinuações de hype desmesurado de que o anterior disco foi acusado (na minha opinião com alguma razão). Este novo trabalho de Neige é pródigo em termos de contrução das músicas, que deixaram de ser uma cacofonia de influências díspares sem homogeniedade, para se afirmarem como canções no verdadeiro sentido da palavra. Isto é, funciona bastante melhor como um todo, sem deixar de valer pelas músicas quando ouvidas isoladamente. Experimentem, por exemplo, trocar a ordem das músicas, e vão ver/ouvir que continua a soar tudo na perfeição. Com um trabalho gráfico notável, «Écailles de Lune» foi um dos principais trabalhos a ser editados no primeiro trimestre de 2010. 8,5/10
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Tuesday, June 01, 2010
BURZUM - «BELUS»
É sem sombra de dúvida um dos principais acontecimentos musicais do ano. «Belus» faz regressar uma das mais carismáticas e polémicas personagens do black metal ao activo com um disco que é o 7º da carreira de Varg Vikernes como Burzum. Ora, «Belus» até pode fazer correr muita tinta, mas ao final de várias audições, a sentença até é fácil de ditar. Estamos perante um disco que nada tenta fazer para inovar ou adaptar Burzum para uma nova fase. Limita-se a ser naturalmente enquanto entidade indissociável de uma época conturbada do metal mundial, quando o black metal norueguês centrava em si todas as atenções. Afinal de contas é apenas isso que esperamos de Varg e da entidade Burzum. Nada de inovações ou "progressivismos". Apenas os Burzum a que estamos habituados. A única diferença reside na qualidade individual das canções, que ao contrário e nos últimos dois álbuns, em que Varg parecia ter perdido o toque de midas que o permitiu escrever pérolas como «Dunkelheit» e «Hvis Lyset Tar Oss», aqui presenteia-nos com alguns bons hinos. Em «Belus» temos «Belus' Død» e «Morgenrøde», mas sobretudo a sublime «Kaimadalthas' Nedstigning», cujo riff minimalista e o trabalho vocal de Vikernes são assombrosos. Vão andar a repetir (ou a tentar) estar frase durante algum tempo: "Jeg reiser til mørkets dyp der alt er dødt". «Belus» é sem dúvida o melhor álbum de Burzum desde «Filosofem» 8/10TWILIGHT - «MONUMENT TO TIME END»
O occult black metal (ou pós-black metal para não ferir susceptibilidades) é uma das correntes mais em voga nos últimos tempos e que tem inclusivamente atraído músicos de outros quadrantes para este sub-género que tem como trunfo um vasto terreno inexplorado, bem como permite uma série de experimentações que por vezes saem bem e por outras...nem por isso. Os norte-americanos Twilight, que têm nas suas fileiras Aaron Turner dos Isis, são um caso de occult black metal repleto de dualidade, com verdadeiros momentos de génio («Fall Behind Eternity») e com momentos de absoluta pasmaceira pseudo-experimental que nunca mais acaba («Decaying Observer»). Tendo em conta que é o segundo longa duração em 5 anos de existência, «Monument to Time End» deixa transparecer um sinal de projecto paralelo sem grande futuro enquanto banda efectiva. É uma pena, porque potencial existe e trabalhado poderia dar ao black metal uma lufada de ar fresco. Para além de Aaron Turner saliente-se que os Twilight são compostos por elementos que já tocaram/tocam nos Nachtmystium, Krieg, Lurker of Chalice, Minsk e The Atlas Moth. Vale a pena uma escutadela, pelo menos. 7/10
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EREB ALTOR - «THE END»
Existem situações em que a comparação entre duas bandas é inevitável, criando-se um contexto quase sempre desfavorável em relação à banda que estamos no momento a analisar. É uma associação natural no ser humano, a de procurar elementos de referenciação, para melhor se compreender algo. No metal, um dos melhores exemplos é a constante necessidade de rotulação de géneros. Tudo isto para falar dos Ereb Altor, uma banda em que a comparação com Bathory é mesmo impossível de não fazer. A diferença é que «The End» é suficientemente bom, para essa associação ser feita com um sorriso nos lábios. Em suma, epic doom metal com um toque de folk pelo meio e um imaginário viking, tudo patente em temas como «Myrding» e «Balder's Fall » e que fazem deste duo uma banda impossível de não se gostar. 8,5/10
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