Sunday, July 25, 2010

ZOROASTER - «MATADOR»

«Voice of Saturn» editado durante o ano passado, revelou uma banda que apesar de não ser novata, teve ali uma demonstração de classe ao dar-se a conhecer como um dos melhores colectivos de sludge doom de cariz mais rock, na qual se inserem por exemplo, Mastodon e High on Fire. Portanto, uma sonoridade com tendência para ser bem sucedida comercialmente nos últimos tempos. «Matador» vem assim com grandes níveis de expectativa, e mesmo sendo um bom disco, creio que falha em proporcionar uma alucinante viagem como «Voice of Saturn» o fez. Este é um álbum menos pesado, mais rockeiro e com uma grande parcela de stoner e experimentalismo pelo meio. «Trident», «Odyssey» e «Ancient Ones» são o reflexo disso mesmo: temas que parecem saídos de um álbum de Cathedral passando por um filtro de experimentalismo tribal e solos tirados ao rock mais tradicional. Já «Firewater» exibe um trabalho notável com o feedback das guitarras e tanto «Old World» como «Black Hole» protagonizam a melhor sequência do álbum com uma aproximação à sonoridade de «Voice of Saturn». «Matador» é à sua maneira um bom disco, mesmo não sendo um sucessor à altura de «Voice of Saturn». É apenas diferente do esperado. Quem pode censurar os Zoroaster por quererem, com esta qualidade, experimentar novas direcções? 7,5/10

THOU - «SUMMIT»

Este disco dos norte-americanos Thou fez-me lembrar de imediato o excelente álbum dos Abandon editado em 2009. São ambas do mesmo país, são as duas alvo de um culto relativamente pequeno e praticam ambas sludge/doom metal. O paralelismo não se fica por aqui. Tanto «The Dead End» como este «Summit», revelam várias parecenças que apesar de tudo, projectam ambos os discos para o patamar superior no que diz respeito a esta sonoridade. «Summit» é então um fabuloso disco que tem como grande arma, a construção de ambientes sufocantes e depressivos, utilizando estruturas bem definidas mas variadas. O ambiente é uma das maiores proezas deste álbum. A outra é a forma como ao longo dos temas, vamos encontrando a cada audição novas referências que nos compelem a ouvir de novo o disco por inteiro. «Grissecon» por exemplo, tem o habitual sludge lamacento, mas que a meio se desenvolve para uma passagem semi-acústica nada menos do que brilhante. O único senão em relação a «Summit» é a falta de versatilidade do vocalista Bryan Funck que ao longo de todos os temas raramente sai do mesmo tom, e nas canções maiores como «Prometheus» e «Voices In The Wilderness» isso acaba por ser um (pequeno) problema. Apesar disso, este é um disco imperdível para que goste de fusão entre sludge e doom. 8,4/10

IN THIS MOMENT - «A STAR-CROSSED WASTELAND»

Juntamente com os The Agonist, os In This Moment são os nomes máximos do metalcore cantado por vocalistas femininas, ainda que os primeiros sejam bem mais agressivos do que os In This Moment, que optam por estruturas clássicas para as suas canções. Isto traduz-se numa maior facilidade de chegar às pessoas, presenteando-as com refrões fortes e uma imagem tão trabalhada entre o emo, o gótico e o black metal, que não deixa de parecer demasiado fabricado para o seu próprio bem. Ora, «A Star-Crossed Wasteland» é mais um capítulo na carreira da banda norte-americana que assume de uma vez por todas a ambição de chegar ao absoluto mainstream. Não quero com isto dizer que os In This Moment passaram a fazer pop, mas sem dúvida alguma projectam a sonoridade para uma cada vez maior sensibilidade comercial. Imaginem os Evanescence numa versão In Flames (discos recentes) e ficam com a ideia do que se pode ouvir aqui. Contudo, o maior problema de bandas como os In This Moment, The Agonist, Sonic Syndicate e afins, é a plasticidade inerente à ideia de pré-fabricação que ressalta de qualquer uma dessas bandas. Tudo está trabalhado para que se desenvolva um culto em seu redor, e o mais importante acaba por ficar esquecido: a música, que em «A Star-Crossed Wasteland» se revela muito pobre. 3/10

LIMBONIC ART - «PHANTASMAGORIA»

«Phantasmagoria» é o sétimo álbum de originais dos Limbonic Art, banda que causou enorme impacto nos primeiros álbuns com o seu pujante black metal sinfónico, levando muitos a considerá-los como o elo perdido do género a partir do momento em que os Dimmu Borgir deram o salto para paragens mais comerciais. O problema é que depois do fulgurante início que valeu 4 discos entre 1996 e 1999, os Limbonic Art perderam muito desse impacto, tornando-se num mediano grupo de black metal que lança álbuns de tempos em tempos. A qualidade dos discos também desceu muito e «Phantasmagoria» revela-se o mais fraco disco da carreira dos Limbonic Art. A sonoridade mantém-se fiel ao preconizado, com os teclados a assumirem um papel preponderante e uma irritante bateria programada, que ajuda o álbum a soar demasiado flat e estéril. Numa época de abundância de lançamentos, «Phantasmagora» terá poucas chances de ser bem sucedido. 5,6/10

LANTLÔS - «.NEON»

Mais um dos vários projectos onde figura Neige, conhecido pelos seus Alcest e Peste Noire. Em Lantlôs é no entanto "apenas" o braço direito de Herbst, visionário deste projecto que tem por base o black metal e o post-rock. Ao olhar para esta nova onda do black metal francês, não pude deixar de equipará-la a uma torrente de lava vulcânica: vem toda do mesmo buraco, é homogénea e queima todos de igual modo. Quero com isto dizer que se ouvirmos todos estes projectos baseados no black metal, mas que derivam para outras paragens sonoras, a sensação com que ficamos é que todas convergem do mesmo sítio, e as diferenças sonoras são mínimas. Por exemplo, peguemos em Amesoeurs, Peste Noire, Alcest e Lantlôs. É notória a convergência sonora das quatro. As diferenças resumem-se a pormenores como o tipo de vocalizações ou a afinação das guitarras, à estética e às liricas. A conclusão a que quero chegar é que temos um série de projectos cujo input é o mesmo, e que o output ou resultado final é muito pouco diferente. Ouvir todos estes projectos e traçar-lhes um conjunto de características diferenciadores é um desafio gigante, porque bem vistas as coisas, entre Lantlôs e Amesoeurs, por exemplo, são praticamente inexistentes. Tentem dar a ouvir as quatro bandas acima mencionadas a alguém que não as conheça e vão ver que não saberá que ouviu quatro bandas diferentes! Enfim, o sr. Neige tem a habilidade de se multiplicar em vários projectos, ainda que as suas sonoridades poderiam perfeitamente encaixar num único nome. Objectivos comerciais ou artísticos? Deixo à vossa consideração. 6/10

Saturday, July 24, 2010

DECREPIT BIRTH - «POLARITY»

Numa altura em que o deathcore faz as delícias dos mais novos, impressionados pela destreza técnica dos músicos, outras bandas apostadas em manter vivo o death metal mais tradicional vão editando discos à sombra de bandas bem menos credenciadas e até mesmo fazendo suporte a essas mesmas bandas em digressões. A indústria musical é tudo menos 100% justa e é normal que os grupos que mais vendem tenham direito a encabeçar tournées. O que já é discutível é que vários outros raramente tenham a atenção devida, por causa de uma moda que mais cedo ou mais tarde irá acabar. Os norte-americanos Decrepit Birth são um grupo relativamente rodado ao vivo, que já anda nesta lides desde 2001, mas que infelizmente não tem sido muito produtivo em estúdio, o que faz com que continue a ser um colectivo ainda desconhecido da maioria. Entretanto a Nuclear Blast acabou por ir buscá-los e pode-se dizer que com a moda do death metal ultra técnico, os Decrepit Birth acabaram por lucrar. «Polarity» é um regresso em força, que equilibra death metal tecnicista e a componente mais tradicional, transformando-o num álbum muito interessante. O mal maior é que tanto exibicionismo de técnica acaba por trazer fadiga, à semelhança do último álbum dos BrainDrill. O impacto inicial é bom, o problema é que rapidamente vai ficar a apanhar pó da estante da letra D. 6,9/10

FUNGOID STREAM - «OCEANUS»

Se pensarmos em funeral doom, os países que nos vêm de imediato à memória são Finlândia, Suécia e EUA. No caso dos Fungoid Stream a origem é bem mais exótica: Argentina. O duo composto por Simon e Joseph edita aqui o seu segundo longa duração, depois de em 2004 se ter dado a conhecer ao mundo com «Celaenus Fragments», um disco que foi alvo de boas reacções no submundo do doom metal mais extremo. Nesta nova proposta existem pequenas diferenças relativamente à estreia, que mesmo sendo pequenos detalhes, auferem este novo material de arranjos que catapultam «Oceanus» para um novo patamar qualitativo. A diferença está na inclusão de passagens que são comuns encontrar em bandas de pós-metal, como Cult of Luna e Neurosis. No entanto, a melhor maneira de perceber que tipo de som fazem os Fungoid Stream é pensarem em Process of Guilt. A base é funeral doom, mas a utilizações de passagens mais nítidas e acústicas, dá-lhe toda uma nova dimensão. O resultado é bastante interessante, por vezes muito derivativo, mas na maior das vezes com capacidade de prender a atenção do ouvinte. 7/10

EDENBRIDGE - «SOLITAIRE»

Os austríacos Edenbridge são um caso particular dentro do power metal sinfónico, porque apesar de ser unânime que pouco ou nada acrescentam ao género, mantêm uma carreira bastante sólida com a impressionante marca de 7 álbuns editados desde 1998. «Solitaire» em nada vai alterar a opinião geral acerca deste conjunto que tem na vocalista Sabine Edelsbacher a sua maior atracção. Os temas são focados numa fusão entre Helloween, Freedom Call e Nightwish antigo, audível «Higher» ou «Come Undone», nos quais a melodia e os teclados ficam de certa forma sobrepostos ao peso das guitarras. Aqui reside o principal problema de «Solitaire» e da discografia dos Edenbridge: falta peso nas composições, para que estes possam transpirar personalidade e pulso suficiente que atraia um maior número de pessoas. O talento está todo lá, falta uma ligeira mudança de rumo, verdade seja dita, na qual já começa a ser um bocado dificil de acreditar. 6/10

Sunday, July 18, 2010

ESPECIAL BANDAS PORTUGUESAS

Os açorianos A Dream of Poe chegam-nos com o segundo EP intitulado «Lady of Shalott», composto por 3 temas originais e uma cover dos The Cure, «If Only Tonight We Could Sleep». Entre uns My Dying Bride e uns Draconian, os A Dream of Poe revelam-se uma aposta extremamente válida dentro das sonoridades depressivas, especialmente pela sensibilidade com que constroem temas longos apoiados em riffs cadenciados próprios do doom gótico, mas não descurando os ocasionais desvios para paragens doom death como em «Laudanum». A peça central deste disco e que lhe dá título, «Lady of Shalott» é alvo de duas versões, uma longa e outra editada (pessoalmente até prefiro o edit), e é provavelmente dos mais belos temas do género que ouvi nos últimos anos. Já é altura de um longa duração. 8/10
Os More Than a Thousand apanham todos de surpresa com um disco bem in your face como é a novidade «Vol. 4 Make Friends and Enemies». É notória a evolução do grupo lisboeta cada vez mais agressivo, independentemente de neste álbum abraçarem definitivamente o metalcore como sonoridade base. No entanto, não se julgue o álbum pelo rótulo, é preciso de facto ouvi-lo, porque estará por ventura aqui o mais bem conseguido álbum dos More Than a Thousand. Para atestar nos temas «It's Alive (How I Made a Monster)», «Bad Blood» e «BlackHearts». 8/10
Os The Dead of Night lançam com «Inert» a sua primeira demo em formato digital, optando pelas sonoridades mais ambientais na onda de uns Ataraxia, Autumn Tears, Dwelling, Za Frûmi ou The Moon and the Nightspirit. As músicas são essencialmente conduzidas pelos teclados e programação de Shadow e pela delicada voz de Morgana Duvessa. «Inert» será porventura um trabalho para agradar aos adeptos do gótico lírico e do folk ambiental, estilo aos quais o metaleiro está pouco habituado, mas que pode eventualmente encontrar aqui o início de um contacto com uma vertente muito associada ao metal a partir do final da década de 90 quando o gothic metal e o black metal melódico adaptaram muito do imaginário destes géneros mais alternativos. Não custa imaginar os The Dead of Night num qualquer festival medieval ou até no Wave Gothic Treffen. 7/10
Damos agora um salto até ao black metal agreste dos Morte Incandescente para darmos conta do novo álbum «...Relembrando o Túmulo Esquecido» que sucede «Coffin Desecrators» de 2005. São de facto uns longos 5 anos de espera, mas bem vistas as coisas, até não é muito tendo em conta o número de bandas em que Nocturnus Horrendus e Vulturius estão envolvidos. De qualquer das formas, este novo álbum é o seguimento lógico do anterior, não apresentando grandes novidades ao nível composicional. A mistura de black metal com doom (no doom pensem Shining e Burzum e não Forgotten Tomb ou Pensées Nocturnes, no black pensem nos Craft e Dissection) continua a ser bem explorada como aliás tem vindo a ser nos últimos tempos em Portugal, com uma série de novas bandas a explorar o black doom com sucesso. Os Morte Incandescente estão a caminho de se tornarem numa das principais figuras do estilo por cá, a classe de temas como «Cobrindo os Céus de Sangue» e a pujante «Necromaníaco» não deixam margem para dúvidas. 8/10
O black death de «Chaos.Through.Phobia» dos Daemogorgon é por seu lado um disco marcado pela dualidade. Isto porque se à primeira e segunda audição, temas como «Temple Dementia» e «My Winged Shape» prometiam bastantes spins, a verdade é que se esgotam logo assim que descortinamos outras bandas que fazem este tipo de som mas com outra pinta. Belphegor é uma referência óbvia para quem ouve estas músicas e Behemoth circa «Satanica» idem. Apesar de tudo, está aqui uma clara capacidade, faltará somente mais algo tempo até a serpente mudar de pele e, mantendo-se essencialmente a mesma, terá de certeza outro encanto, leia-se identidade própria. 6/10
«When the Hunter Becomes the Hunted» é o longo título do primeiro longa duração dos Seven Stitches, grupo que impressiona pela certeza e confiança com que se exibe neste disco de estreia. Isso dever-se-á ao facto de serem um conjunto que já anda nestas lides desde 2002 e já terem alguns lançamentos menores e muitos concertos em cima. O que é certo é que o death thrash deste álbum revela-se letal com temas longos e várias mudanças de ritmo, com um notável acréscimo de peso e inclusive blast beats. O único senão acaba por estar precisamente no tamanho de alguns temas, que se revelam demasiado grandes e derivativos para o seu próprio bem. Faz a espaços lembrar o último disco dos Exodus! Apesar disso «When the Hunter Becomes the Hunted» é um óptimo álbum de estreia e das melhores produções que ouvi num disco português nos últimos tempos. 7/10
Para finalizar temos o novo disco dos Phazer, «Kismet» apesar da promo recebida apenas contem 4 temas. Os Phazer são a nova sensação do rock nacional desde do bem sucedido EP «Revelations». Saúda-se o acréscimo de peso em «Fear Itself» e «Wake Me», apesar do grupo ser mais eficaz precisamente em temas onde soa menos forçado, como no introdutório «Serious Killer». Para os mais distraídos os Phazer inserem-se num rock forte com as guitarras bem puxadas à frente. A espaços fazem lembrar por exemplo uns Poisonblack mas com uma vertente rock n' roll mais acentuada. A banda tem enormissimo potencial e estes 4 temas provam-no. 7/10

Wednesday, July 14, 2010

KORN - «REMEMBER WHO YOU ARE»

Goste-se ou não, a verdade é que os Korn já andam a lançar discos desde 1994 e com a definição de um género vieram legiões de fãs que mantiveram o grupo sempre à tona, mesmo nos momentos menos consensuais como em «See You On The Other Side», onde «Twisted Transistor» foi o single mais bem sucedido da história da banda norte-americana. Com isto, cada novo álbum dos Korn reveste-se de uma espécie de acontecimento. «Remember Who You Are», é já o 9º disco de originais e mantém a personalidade dos Korn intacta. Apesar da sonoridade dos Korn não ter sofrido grandes transformações ao longo dos anos, os detalhes nos arranjos e na produção conseguem dar um charme muito próprio a cada álbum. As canções mantêm as características pelas quais reconhecemos à distância os Korn (guitarras d-tuned, e dicotomia entre peso e melodia e a particular voz de Jonathan Davies), com ligeiras modificações no que toca aos arranjos, aqui bem mais orgânicos do que no passado recente. Só em «Took a Look in the Mirror» me recordo de uma produção tão cheia e homogénea como esta. Paralelamente encontramos aqui um punhado de excelentes malhas como «Never Around», «Lead the Parade», «Let the Guilt Go» e o single «Oildale». «Remember Who You Are» é também um título interessante que assenta na ideia de perservação de ideais. Não pude deixar de traçar um paralelo entre capa, single e o filme «There Will Be Blood» de Paul Thomas Anderson, onde se representa a perda de ideais com a aceitação total de uma mentalidade capitalista. Transposto para a música, é a velha história de uma banda se vender pelo dinheiro. Os Korn aparentemente tentam aqui mandar uma mensagem aos fãs de que os ideais estão acima do dinheiro, embora saibamos que no passado a banda fez umas escolhas que evidenciam de certa forma a opção pela fama da MTV. No entanto, a assinatura de contrato com a Roadrunner e o anúncio de uma digressão europeia com os Dimmu Borgir, pode ajudar a dissipar essas críticas. Em suma, um óptimo regresso de uma banda pioneira e das poucas do fenómeno nu-metal que ainda vai mantendo o seu estatuto em alta. Não é para menos, afinal de contas, eles são leaders not followers. 8/10

SOILWORK - «THE PANIC BROADCAST»

Os suecos Soilwork foram uma das bandas que mais proveito tirou da escalada de popularidade do death thrash sueco no final da década de 90. A banda formou-se algures em 1997 e lançou de rajada 5 álbuns entre 1998 e 2003. A partir de «Figure Number Five» a banda liderada por Björn "Speed" Strid e Peter "Vicious" Wichers, teve a necessidade de abrandar não só no tempo de composição, como também na própria sonoridade, que começou a partir de «Stabbing the Drama» (2005) a incluír mais melodia. Escusado será dizer que tanto este como o seguinte «Sworn to a Great Divide» foram bastante criticados por essa postura, semelhante à direcção musical de uns In Flames, que à custa desse incremento de melodia tornaram-se numa banda de metalcore bastante mázinha, culminando no desastre que foi «A Sense of Purpose». «The Panic Broadcast» é lançado 3 anos após «Sworn to a Great Divide» e tenta de alguma forma cruzar a agressividade dos primeiros discos com a melodia do presente, com resultados que infelizmente não são os melhores. Safam-se os refrões bem esgalhados de «Late for the Kill, Early for the Slaughter» e «Two Lives Worth of Reckoning», a agressividade de «King of the Treshold» e as linhas vocais contagiantes de «Epitome». No entanto, «The Panic Broadcast» é maioritariamente composto de material esquecível e pouco estimulante, numa fraca mistura entre Scar Symmetry, In Flames e Trivium. Um regresso que deixa muito a desejar. 5/10

JORN - «DIO»

Aparentemente Jorn já estava a trabalhar neste tributo há cerca de um ano, quando a fatídica morte de Ronnie James Dio se deu. O lançamento deste álbum foi assim uma coincidência, que Jorn Lande teve em conta quando pediu autorização à família do malogrado cantor, para o projecto avançar. Ora, estamos então perante um álbum de covers de temas menos conhecidos de Dio, com excepção do clássico «Don't Talk to Strangers», «Kill the King» original dos Rainbow e ainda «Lonely Is The Word / Letters From Earth» dos Black Sabbath. Isto dependerá óbviamente da familiariedade que o leitor tiver com a obra de Dio. A morte do lendário vocalista originou ainda um tema original, atentamente baptizado de «Song for Ronnie James Dio». Trata-se de uma canção longa, com cerca de 8 minutos, em crescendo e com um riff mid-tempo algo repetitivo, ficando a ideia de que Jorn queria fazer do tema um épico. Cortando-lhe alguns minutos, parece-me que ficaria de facto muitissimo melhor. Relativamente às covers, pouco há a dizer. Jorn Lande é um vocalista soberbo como todos sabemos e quem não conhece deve andar há pouco tempo nestas lides. Tem aqui uma boa forma de começar a tomar contacto com um dos músicos mais carismáticos do metal. «Don't Talk to Strangers» funciona bastante bem, com Jorn a conseguir atingir os níveis emotivos ideais que o tema sugere, assim como em «Night People». Apesar de ser um bom tributo, esperava no entanto um pouco mais deste lançamento. É dificil não olhar para «Dio» como forma de encaixe fácil, porque se estava a ser planeado há 1 ano, seria de prever, ainda mais depois da morte de Dio, algo definitivamente mais complexo e simbólico e não apenas um CD com uma dúzia de covers de Dio, Black Sabbath e Rainbow, e um original escrito à pressa que nem é assim tão bom. No final de contas, fica a intenção e a força vocal do vocalista norueguês. 6,7/10

LICH KING - «WORLD GONE DEAD»

Sempre que um determinado género atinge uma popularidade maior, é natural que surja um trend associado onde se podem distinguir algumas bandas que de facto apresentam música interessante e outras que se limitam a gravar álbuns cujo objectivo é prestar tributo aos seus ícones. Os norte-americanos Lich King são claramente o segundo caso, incluíndo-se na recente moda do novo thrash metal, onde Municipal Waste e Gama Bomb são os principais nomes da actualidade. O grande problema desta moda é que não parte de nada original, trata-se somente de um exercício fútil de revivalismo sem contornos evolutivos assinaláveis. A partir daqui a questão a colocar é simples: para quê comprar um disco dos Lich King quando os Slayer e os Exodus fizeram discos mil vezes mais imponentes e importantes há décadas atrás e eles próprios hoje já não abordam o estilo da mesma maneira? Em certos casos, até podemos estar perante thrash metal bem feito e impossível de resistir, como o apresentado pelos Havok e ou pelos nossos Prayers of Sanity, mas neste caso, não. As canções desfilam penosamente sem grande entusiasmo («Waste» é um oásis no meio do deserto, mais por fazer lembrar Slayer, do que por ser uma malha fora de série) e nem mesmo a cover de «Aggressive Perfector» dos mesmos Slayer faz correr sangue na guelra. Totalmente inócuo e dispensável. 3/10

Tuesday, July 13, 2010

LUDICRA - «THE TENANT»

Não é bem a mesma coisa falar de black metal actualmente do que era há dez anos atrás. A sonoridade sofreu inúmeras mutações, pelo que hoje se fala no fenómeno pós-black metal. O termo é algo discutível, mas aceitemo-lo para podermos pelo menos situar sonoramente os Ludicra, grupo norte-americano (constituido por elementos de Wolves in the Throne Room, Slough Feg e Agalloch) que apesar de tudo, não é assim tão recente quanto isso. Desde 1999 que têm vindo a tentar explorar novas fórmulas e por isso, «The Tenant» é um álbum ao qual é injusto de catalogar somente de black metal. Trata-se realmente de um conjunto de canções que vai buscar a essa sonoridade influência, embora esta se resuma às vocalizações e à utilização de tremolo, técnica de guitarra comummente utilizada no black metal. Ouvindo porém temas como «In Stable» e «Clean White Void» rapidamente apercebemo-nos de que os Ludicra são um conjunto sem distorção exagerada e com uma produção limpa, estruturas musicais do pós-rock/metal e progressivo. Oiçam as passagens acústicas de «The Undercaste», a soberba «Clean White Void» e «The Truth Won't Set You Free», a única canção em que podemos ouvir padrões de bateria a que estamos habituados no black metal. Esta familiariedade encontrada quase no final do disco, acaba por ser como que um reencontro com aquilo que estaríamos à espera e que acaba por fazer da audição de «The Tenant» uma experiência ainda mais gratificante, apesar da referida canção estar longe de constituir um ortodoxo display de black metal. O tema título que encerra o álbum é bem menos convencional, mas com um trabalho vocal impressionante de Laurie Sue Shanaman. Lançado a 3 de Março, «The Tenant» parece ter passado infelizmente ao lado da comunidade metálica, mas ainda vão a tempo de rectificar essa falha. Basta para isso ouvirem o quanto antes este excelente 4º álbum da banda californiana e deixarem-se contagiar pelo brilhantismo de «The Tenant». 9/10

SEVERE TORTURE - «SLAUGHTERED»

Formados em 1997, os holandeses Severe Torture cedo se tornaram numa das grandes esperanças do brutal death metal europeu, tendo exibido enormes qualidades nos dois primeiros álbuns, onde o grupo aparecia ainda ligado a uma vertente mais gore. Em 2005, «Fall of the Despised» fez mudar um pouco a direcção do grupo que optou por um imaginário menos explicito e mais dark, mas sonoramente deu um passo decisivo ao nível da qualidade musical. Aliás, esse é na minha opinião o melhor registo do grupo até à data. «Sworn Vengeance» manteve a toada do anterior e agora «Slaughtered» propõe uma ponte entre o material antigo e o novo, entre o gore de «Grave Condition» e «Defective Fornication», e uma toada mais "séria" de «Unholy Misconception» e «Inferior Divinity». Sonoramente os Severe Torture continuam tão ou mais dinâmicos que no passado. Temas rápidos como «Incarnation of Impurity» e «Defective Fornictio» convivem com temas mais balanceados como «Feeding on Cadavers» e «Inferior Divinity». Apesar de no primeiro a velocidade também estar bem presente. Isto é, não há nenhum tema assumidamente feito para ser groovy ou super-rápido, os temas são estruturadas de forma variável o que lhes confere uma dinâmica fora de comum dentro do death metal. Por outro lado, torna-se difícil chamar a isto brutal death metal, porque os Severe Torture não se baseiam em velocidades supersónicas ou lentidão desmesurada, mas sim na variedade que acaba por torná-los numa banda muitissimo mais interessante. Se gostam de bom death metal têm aqui um mimo irresistível. A par dos álbuns de Misery Index, Immolation, Grave e Order of Ennead, «Slaughtered» é das melhores propostas de DM de 2010. 8,2/10

YAKUZA - «OF SEISMIC CONSEQUENCE»

Sucedendo ao aclamado «Transmutations», «Of Seismic Consequence» introduz algumas variações no prog metal jazzístico dos Yakuza. Desde logo na forma de cantar de Bruce Lamont que opta por dar mais ênfase aos clean vocals do que aos growls que predominaram no anterior álbum. Isto permite dar às canções uma dimensão emocional acrescida e que funciona bastante bem, tendo em conta as estruturas pós metálicas concebidas para este álbum. Trata-se de um álbum menos directo do que «Transmutations», mas vocacionado para as landscapes sonoras com ocasionais rupturas de ritmo para paragens mais aceleradas, como em «Stones and Bones», por exemplo, a primeira faixa a incluír o já habitual, mas ainda soberbo, saxofone. Mais à frente temos ainda «Farewell to the Flesh», um tema longo com cerca de 11 minutos, que remete para uns Neurosis, mas sem num tom mais delicado sem ser depressivo e «Testing the Waters», que deixa no ar um aroma a Mastodon. Sem ser um álbum muito bom, «Of Seismic Consequence» tem os seus momentos, especialmente na trilogia a meio do disco. Merece pelo menos meia dúzia de spins. 7,3/10

Sunday, July 04, 2010

DANZIG - «DETH RED SABAOTH»

A carreira a solo de Danzig tem claramente duas fases: uma até ao 4º álbum de 1994 e outra que engloba todos os álbuns posteriores onde o vocalista experimentou mais do que devia em «Blackacidevil» e andou à deriva nos 3 álbuns seguintes. Apesar disso, estamos perante uma discografia repleta de valor, mesmo contado com os mais recentes álbuns de onde se retiram ainda hoje excelentes malhas. A verdade é que sempre houve um sentimento de perda em realção aos primeiros álbuns, esses sim, trabalhos de génio e clássicos irrefutáveis no que diz respeito à fusão blues/rock/metal. «Deth Red Sabaoth» tem marca de regresso em força e de facto é sem dúvida a melhor coisa que Danzig deitou cá para fora desde «4p» (1994). A começar pela produção dura e crua, quase vintage, diria mesmo, sem ponta de truques engenhosos de tecnologia. Outro aspecto fundamental é que Danzig aparece-nos novamente inspirado para escrever canções memoráveis, conservando aquela mística de um «How the Gods Kill» ou do primeiro álbum. «Hammer of the Gods» e «The Revengeful» abrem o álbum com apreciável dose de energia e com refrões impressionantes que se afiguram certos na set list para os concertos, a primeira com um surpreendente momento doom de curtar a respiração. «Black Candy«, «On a Wicked Night» e «Deth Red Moon» são uma sequência mais atmosférica, quase retirada de «How the Gods Kill», não obstante de serem três magníficas músicas, em especial esta última. Para trás já havia ficado «Rebel Spirits» uma faixa com um padrão de bateria com recurso a pedal duplo (algo raro em Danzig) de Johnny Kelly dos Type 0 Negative. Esta faixa fica marcada pela parecença do riff principal com outro clássico de Danzig: «Until You Call on the Dark». «Night Star Hel» e o díptico «Pyre of Souls» incrementam o lado atmosférico do álbum sem contudo deixarem de lado o peso do doom, bem vincado posteriormente em «Left Hand Rise Above«. «Deth Red Sabaoth» é o álbum mais bluesy mas também mais doomy da carreira de Danzig. Uma espécie de fusão entre o primeiro e o quarto álbum, curiosamente os melhores da sua carreira. Com tão boas referências, seria muito difícil ao músico norte americano ter concebido música menos boa. 8,4/10

GRAND MAGUS - «HAMMER OF THE NORTH»

A tentação que é comparar dois álbuns de uma mesma banda, pode muitas vezes acabar por anular um fantástico trabalho desenvolvido com muito suor. Isto porque será inevitável que se espere dos Grand Magus um trabalho de igual calibre a «Iron Will» e as expectativas acabem por ser demasiado altas para aquilo que a banda tem andado a fazer ao longo de mais de uma década. Primeiro porque a sonoridade dos Grand Magus nunca sofreu grandes alterações, por isso esperar qualquer tipo de inovações é a mesma coisa que esperar uma viragem sonora dos Iron Maiden ou dos Manowar. Segundo, porque isto não invalida que se possa apreciar o trabalho dentro do próprio álbum. Em «Hammer of the North» está um personificado conjunto de malhas de heavy metal clássico, cheias de alma e garra, como só a banda sueca sabe fazer. Aliás, o trio que compõe os Grand Magus tem-nos habituado a este estilo desde a estreia e a haver qualquer tipo de inovação será no incremento de peso geral dos seus álbuns. A comparação de que falava, tem a haver essencialmente com o facto de «Hammer of the North» não deter uma «The Shadow Knows», talvez o expoente máximo e irrepetível desse já clássico álbum chamado «Iron Will», mas não deixa de ter momentos espectaculares como «I, The Jury», «The Lord of Lies», «Bond of Blood» e a espantosa faixa título para a qual foi feito um vídeo promocional. Em suma, o toque de Midas mantém-se intacto e «Hammer of the North» é mais um glorioso capítulo na excelente carreira dos três lobos dos Grand Magus. 8,5/10

KVELERTAK - «KVELERTAK»

Depois de uma olhada para a capa de «Kvelertak» estava mentalizado para uma sessão de sludge metal à lá Baroness mas cedo centrei as minhas atenções nos últimos trabalhos de Satyricon, Darkthrone, Khold e Turbonegro. Quando ouvirem o disco de estreia dos Kvelertak são essas bandas que rapidamente vos irão assaltar a memória. Apesar das semelhanças, o grupo norueguês, que edita aqui o seu primeiro álbum, tem muito mais para oferecer. Um conjunto de canções catchy com estruturas simplificadas e letras cantadas em norueguês (excepto «Sultans of Satan», curiosamente a música que mais destoa), melodias do punk rock e vocalizações do black metal. Esta é a receita para um disco com poucos momentos mortos (a parte final do álbum é menos boa e mais dispersiva que a primeira) e com meia dúzia de faixas verdadeiramente memoráveis em todos os sentidos. A começar por «Mjød», «Fossegrim» e «Blodtørst». Um álbum que realmente não precisa de grandes descrições, apenas de ouvintes interessados em excelente música. 8,3/10

BLAZE OF PERDITION - «TOWARDS THE BLAZE OF PERDITION»

Da Polónia chegam-nos os Blaze of Perdition com o seu primeiro longa duração, intitulado «Towards the Blaze of Perdition». Um álbum que mesmo sendo uma estreia demonstra que estamos perante um colectivo que tem absoluta noção de como quer soar. As características do black metal dos Blaze of Perdition acabam no entanto por ter paralelo nas bandas suecas do género, nomeadamente Dissection, Watain e Marduk. Isso não invalida que «Towards the Blaze of Perdition» seja um óptimo disco, que equilibra muito bem agressividade e melodia, tornando os temas dinâmicos e diferenciados entre eles. «The Scarlet Woman» e «Alchemy of Flesh» são dois dos melhores exemplos. Porém o que distancia a banda polaca da restante concorrência, é o poderio vocal de Sonneillon, que tem algumas semelhanças com Mortuus dos Marduk, já que as estruturas das músicas não fogem muito à generalidade daquilo a que estamos habituados a ouvir no black metal. Um bom álbum de estreia, que mesmo não revolucionando em nada o género, introduz um novo colectivo de qualidade na cena. Estes são sempre bem-vindos. 7,4/10

EQUILIBRIUM - «REKREATUR»

Apesar de ser um dos mais bem sucedidos trends dos últimos anos o folk/viking metal tem atingido níveis preocupantes de saturação, com a quantidade infindável de novos projectos e álbuns que vão sendo lançados todos os meses. É prefeitamente natural que com isto, os níveis de atenção às bandas se comece a dispersar e se um álbum tão bom como «Sagas», mereceu na altura (2008) rasgados elogios e aplausos, o mesmo não se pode dizer de «Rekreatur». O problema desta nova proposta dos Equilibrium pode até começar por aí, mas extende-se também à música contida no álbum que está longe de constituir algo de excepção. Desde logo pela absoluta falta de algo de diferencie os Equilibrium de várias outras bandas do género, isto apesar, de «Rekreatur» ser um disco competente e diria até, irresistível para os fãs de folk/viking metal. «Verbrannte Erde» e «Der Wassermann» são por exemplo, músicas impossíveis de resistir, pela convivência entre o peso das guitarras e linhas vocais e a melodia elegante e épica dos teclados e demais instrumentos de sopro e cordas que os Equilibrium tão bem sabem utilizar. Resumindo, quem for adepto incondicional da sonoridade deverá receber «Rekreatur» de braços abertos, para os restantes este será apenas mais um disco de folk/viking metal sem consequências de maior. 6,7/10
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