Mais dificil do que «A Matter of Life and Death», «The Final Frontier» representa um enorme desafio de crítica, pela tentação que existe em colocar tudo o que os Iron Maiden fazem num pedestral ou em apontar defeitos a uma banda que ajudou a definir aquilo que se hoje se entende por heavy metal. Coloquemos então de lado o estatuto dos Iron Maiden e começemos por perceber o que está bem e mal neste 15º álbum em 35 anos de existência. As boas notícias são sem dúvida as inalteradas capacidades dos Iron Maiden em conceber música imediatamente identificável como sendo de sua responsabilidade. Tirando o início atabalhoado, o tema base de «Satellite 15... The Final Frontier» tem aquele ataque de guitarra muito próprio da banda britânica e ao ouvi-la, não persistem quaisquer dúvidas: isto é Maiden. A outra boa novidade é a existência de um punhado de faixas que darão aos fãs muito com que se entreter nos próximos tempos. Como é o caso daquela que é por ventura a música mais bem conseguida do álbum, «The Talisman». Existem depois outros factores que não sendo propriamente defeitos, acabam por ser elementos cruciais que ajudarão muita gente a formar a sua opinião final sobre «The Final Frontier». Em primeiro lugar a velocidade dos temas é, regra geral, muito lenta. Tirando «El Dorado» que não é de todo um tema rápido e «The Alchemist» cuja rapidez se resume a um padrão de bateria simples repetido de principio ao fim, este é um álbum composto de temas lentos e semi-baladescos. Já em «A Matter of Life and Death» se verificava esta tendência, que se escondia por detrás de um fantástico trabalho de estúdio. Aqui é inegável a perda de gás da banda britãnica que opta quase sempre pelo mid-tempo, e por vezes erradamente como em «Coming Home». Imaginem este tema com um tempo mais acelerado e vão ver o que ficaram a perder. Outro aspecto que não é virtude nem defeito é a voz de Bruce Dickinson. É verdade que o fenomenal frontman dos Maiden continua em grande forma, contudo aqui, a voz de Dickinson aparece mais gritada do que usual e nem sempre nas melhores condições. Em «Mother of Mercy», especialmente no refrão isso é notório, chegando mesmo para arruinar a música, na minha opinião a mais fraca do álbum, colocada logo ali, em terceiro lugar do alinhamento. Poderá eventualmente ser, uma questão de gosto ou mesmo de hábito (daí a minha dificuldade em classificar este aspecto como negativo), mas o que é certo é que Dickinson num registo permanentemente agudo fica muitos furos abaixo do seu comprovado real valor. Outro parâmetro que depende muito do gosto de cada ouvinte é a longevidade dos temas. A estranha opção de fazer arrastar músicas como «Isle of Avalon» e «The Man That Would Be King» até ao bocejo não é propriamente a melhor maneira de cativar o ouvinte, ainda que pelo meio e no fim, estejam temas que funcionam na perfeição, mesmo tendo para cima dos 9 minutos de duração, falo claro de «The Talisman» e «When the Wild Wind Blows». Falta apenas falar de «Starblind», eventualmente o tema mais experimental e progressivo de sempre dos Iron Maiden. É certo que estamos perante um álbum variado, repleto de maturidade musical e mestria suficiente para acolhermos novamente os Iron Maiden e nos rendermos a uma capacidade inata em compôr música desafiante como a incluída em «The Final Frontier». O que faltará a este álbum é a presença de hinos inquestionáveis daqueles que não podem faltar num setlist de um concerto de Iron Maiden. Podemos facilmente incluir temas de todos os álbuns até ao «Fear of the Dark» e dar um salto até ao «Brave New World», mas e depois? A verdade é que os Iron Maiden têm lançado bons álbuns, mas nenhum deles é ou alguma vez será um álbum clássico de Maiden.Faixa-a-faixa:
1. Satellite 15... The Final Frontier: Não começa bem o novo álbum dos Iron Maiden. Habituados a ter um tema pujante a abrir as hostilidades, um estranho psicadelismo brota das colunas, para de repente se desenvolver num riff de rock simples com um dos bons refrões do álbum. 6/10
2. El Dorado: O single de avanço é um dos melhores de «The Final Frontier». Um ritmo cavalgante com o baixo de Steve Harris em evidência. Os típicos solos fazem estragos e Nicko McBrian tem aqui a melhor prestação do álbum. Se há música deste álbum para aparecer num concerto é «El Dorado». 8/10
3. Mother of Mercy: Já referi que considero este o pior tema do disco. O riff inicial até faz mexer de forma positiva, contudo a parte vocal e sobretudo o refrão arruinam a canção de alto a baixo. 5/10
4. Coming Home: Uma semi-balada com outro dos grandes refrões do álbum. Faz lembrar bastante o trabalho a solo de Bruce Dickinson. Outra candidata a aparições ao vivo. 8/10
5. The Alchemist: Todos esperamos pelo menos um tema destes num álbum de Maiden. Típico tema up-tempo, com refrão fantástico e a pedir o sing-along do público. A par de «The Talisman», a melhor faixa do álbum. 9/10
6. Isle of Avalon: O início meio sinistro da música é interessante, mas assim que o tema desenvolve e repete-se infinitamente, perde toda a sua acutilância. Um dos temas mais desinteressantes do álbum. 6/10
7. Starblind: Um tema especial pela inclusão de riffs e padrões de bateria progressivos raramente ouvidos em Iron Maiden. Revela-se bastante eficaz por ser o tema mais desafiante do álbum. Ainda assim, derivativo demais para o seu próprio bem, muito por culpa da sua duração. 7/10
8. The Talisman: Tem mais um minuto que o tema anterior mas não sofre com esse pormenor. É um grande épico com um excelente refrão. A voz de Bruce Dickinson aparece demasiado aguda/gritada e por vezes não soa bem. De qualquer forma, este é daqueles temas pelos quais vale a pena estar vários anos à espera. 9/10
9. The Man Who Would Be King: Um hard rock alongado em demasia para dar a ideia de épico. Gosto de imaginar este tema com 4 minutos e pensar que seria uma excelente música. Assim fica apenas um pastel de 9 minutos que nunca mais acaba, tipo o mal amado «The Angel and the Gambler». 6/10
10. When the Wild Wind Blows: Tema final onde se nota a persistência dos Maiden clássicos. Faz amiúde lembrar o «Afraid to Shoot Strangers» pela estrutura semelhante, mas sem a parte rápida. Um final em grande, que demonstra que quando querem, os Iron Maiden sabem compôr óptimas canções longas. Bastaria apenas que fossem mais selectivos com eles próprios! 8/10
Nota final: 7,2/10



Demurtas, uma vocalista de tom mais forte e rockeiro do que Vibeke. Se por um lado, isto permitirá aos Tristania partirem para uma nova dimensão e abraçarem em definitivo a sonoridade gothic rock que o estratega da banda Einar Moen anda a palmilhar desde «Ashes», por outro a banda perdeu muita da sua personalidade. Nota-se particularmente esta perda nos temas tipicamente Tristania como «Exile» e «The Passing». No entanto, há coisas boas que se retiram daquele que certamente será o caminho a seguir pelos futuros Tristania, por exemplo no single «Year of the Rat» e no brilhante «Sirens». No primeiro, o gothic metal orelhudo assente em riffs pesados e no segundo, uma dualidade vocal interessante com algum experimentalismo e teclados ambientais sublimes. A qualidade está lá, como aliás sempre esteve, e goste-se ou não da evolução dos Tristania a partir do «World of Glass», a verdade é que a banda nórdica tem sabido ultrapassar a permanente roda viva de novos elementos, para deitar cá para fora óptimos álbuns. «Rubicon» é "só" mais um. 8/10








