Sunday, August 29, 2010

IRON MAIDEN - «THE FINAL FRONTIER»

Mais dificil do que «A Matter of Life and Death», «The Final Frontier» representa um enorme desafio de crítica, pela tentação que existe em colocar tudo o que os Iron Maiden fazem num pedestral ou em apontar defeitos a uma banda que ajudou a definir aquilo que se hoje se entende por heavy metal. Coloquemos então de lado o estatuto dos Iron Maiden e começemos por perceber o que está bem e mal neste 15º álbum em 35 anos de existência. As boas notícias são sem dúvida as inalteradas capacidades dos Iron Maiden em conceber música imediatamente identificável como sendo de sua responsabilidade. Tirando o início atabalhoado, o tema base de «Satellite 15... The Final Frontier» tem aquele ataque de guitarra muito próprio da banda britânica e ao ouvi-la, não persistem quaisquer dúvidas: isto é Maiden. A outra boa novidade é a existência de um punhado de faixas que darão aos fãs muito com que se entreter nos próximos tempos. Como é o caso daquela que é por ventura a música mais bem conseguida do álbum, «The Talisman». Existem depois outros factores que não sendo propriamente defeitos, acabam por ser elementos cruciais que ajudarão muita gente a formar a sua opinião final sobre «The Final Frontier». Em primeiro lugar a velocidade dos temas é, regra geral, muito lenta. Tirando «El Dorado» que não é de todo um tema rápido e «The Alchemist» cuja rapidez se resume a um padrão de bateria simples repetido de principio ao fim, este é um álbum composto de temas lentos e semi-baladescos. Já em «A Matter of Life and Death» se verificava esta tendência, que se escondia por detrás de um fantástico trabalho de estúdio. Aqui é inegável a perda de gás da banda britãnica que opta quase sempre pelo mid-tempo, e por vezes erradamente como em «Coming Home». Imaginem este tema com um tempo mais acelerado e vão ver o que ficaram a perder. Outro aspecto que não é virtude nem defeito é a voz de Bruce Dickinson. É verdade que o fenomenal frontman dos Maiden continua em grande forma, contudo aqui, a voz de Dickinson aparece mais gritada do que usual e nem sempre nas melhores condições. Em «Mother of Mercy», especialmente no refrão isso é notório, chegando mesmo para arruinar a música, na minha opinião a mais fraca do álbum, colocada logo ali, em terceiro lugar do alinhamento. Poderá eventualmente ser, uma questão de gosto ou mesmo de hábito (daí a minha dificuldade em classificar este aspecto como negativo), mas o que é certo é que Dickinson num registo permanentemente agudo fica muitos furos abaixo do seu comprovado real valor. Outro parâmetro que depende muito do gosto de cada ouvinte é a longevidade dos temas. A estranha opção de fazer arrastar músicas como «Isle of Avalon» e «The Man That Would Be King» até ao bocejo não é propriamente a melhor maneira de cativar o ouvinte, ainda que pelo meio e no fim, estejam temas que funcionam na perfeição, mesmo tendo para cima dos 9 minutos de duração, falo claro de «The Talisman» e «When the Wild Wind Blows». Falta apenas falar de «Starblind», eventualmente o tema mais experimental e progressivo de sempre dos Iron Maiden. É certo que estamos perante um álbum variado, repleto de maturidade musical e mestria suficiente para acolhermos novamente os Iron Maiden e nos rendermos a uma capacidade inata em compôr música desafiante como a incluída em «The Final Frontier». O que faltará a este álbum é a presença de hinos inquestionáveis daqueles que não podem faltar num setlist de um concerto de Iron Maiden. Podemos facilmente incluir temas de todos os álbuns até ao «Fear of the Dark» e dar um salto até ao «Brave New World», mas e depois? A verdade é que os Iron Maiden têm lançado bons álbuns, mas nenhum deles é ou alguma vez será um álbum clássico de Maiden.
Faixa-a-faixa:
1. Satellite 15... The Final Frontier: Não começa bem o novo álbum dos Iron Maiden. Habituados a ter um tema pujante a abrir as hostilidades, um estranho psicadelismo brota das colunas, para de repente se desenvolver num riff de rock simples com um dos bons refrões do álbum. 6/10
2. El Dorado: O single de avanço é um dos melhores de «The Final Frontier». Um ritmo cavalgante com o baixo de Steve Harris em evidência. Os típicos solos fazem estragos e Nicko McBrian tem aqui a melhor prestação do álbum. Se há música deste álbum para aparecer num concerto é «El Dorado». 8/10
3. Mother of Mercy: Já referi que considero este o pior tema do disco. O riff inicial até faz mexer de forma positiva, contudo a parte vocal e sobretudo o refrão arruinam a canção de alto a baixo. 5/10
4. Coming Home: Uma semi-balada com outro dos grandes refrões do álbum. Faz lembrar bastante o trabalho a solo de Bruce Dickinson. Outra candidata a aparições ao vivo. 8/10
5. The Alchemist: Todos esperamos pelo menos um tema destes num álbum de Maiden. Típico tema up-tempo, com refrão fantástico e a pedir o sing-along do público. A par de «The Talisman», a melhor faixa do álbum. 9/10
6. Isle of Avalon: O início meio sinistro da música é interessante, mas assim que o tema desenvolve e repete-se infinitamente, perde toda a sua acutilância. Um dos temas mais desinteressantes do álbum. 6/10
7. Starblind: Um tema especial pela inclusão de riffs e padrões de bateria progressivos raramente ouvidos em Iron Maiden. Revela-se bastante eficaz por ser o tema mais desafiante do álbum. Ainda assim, derivativo demais para o seu próprio bem, muito por culpa da sua duração. 7/10
8. The Talisman: Tem mais um minuto que o tema anterior mas não sofre com esse pormenor. É um grande épico com um excelente refrão. A voz de Bruce Dickinson aparece demasiado aguda/gritada e por vezes não soa bem. De qualquer forma, este é daqueles temas pelos quais vale a pena estar vários anos à espera. 9/10
9. The Man Who Would Be King: Um hard rock alongado em demasia para dar a ideia de épico. Gosto de imaginar este tema com 4 minutos e pensar que seria uma excelente música. Assim fica apenas um pastel de 9 minutos que nunca mais acaba, tipo o mal amado «The Angel and the Gambler». 6/10
10. When the Wild Wind Blows: Tema final onde se nota a persistência dos Maiden clássicos. Faz amiúde lembrar o «Afraid to Shoot Strangers» pela estrutura semelhante, mas sem a parte rápida. Um final em grande, que demonstra que quando querem, os Iron Maiden sabem compôr óptimas canções longas. Bastaria apenas que fossem mais selectivos com eles próprios! 8/10
Nota final: 7,2/10

TRISTANIA - «RUBICON»

«Rubicon» é o sexto álbum dos noruegueses Tristania que enfrentam um novo grande desafio, o de suplantarem a saída da vocalista de longa data Vibeke Stene, que abandonou os Tristania quem sabe para se dedicar a tempo inteiro aos Green Carnation, banda com a qual colaborou em 1999 e que se encontra em estado de hibernação. Para o seu lugar veio Mariangela "Mary"Adicionar imagem Demurtas, uma vocalista de tom mais forte e rockeiro do que Vibeke. Se por um lado, isto permitirá aos Tristania partirem para uma nova dimensão e abraçarem em definitivo a sonoridade gothic rock que o estratega da banda Einar Moen anda a palmilhar desde «Ashes», por outro a banda perdeu muita da sua personalidade. Nota-se particularmente esta perda nos temas tipicamente Tristania como «Exile» e «The Passing». No entanto, há coisas boas que se retiram daquele que certamente será o caminho a seguir pelos futuros Tristania, por exemplo no single «Year of the Rat» e no brilhante «Sirens». No primeiro, o gothic metal orelhudo assente em riffs pesados e no segundo, uma dualidade vocal interessante com algum experimentalismo e teclados ambientais sublimes. A qualidade está lá, como aliás sempre esteve, e goste-se ou não da evolução dos Tristania a partir do «World of Glass», a verdade é que a banda nórdica tem sabido ultrapassar a permanente roda viva de novos elementos, para deitar cá para fora óptimos álbuns. «Rubicon» é "só" mais um. 8/10

MALEVOLENT CREATION - «INVIDIOUS DOMINION»

O regresso dos brutal deathsters americanos faz-se aqui 3 anos após «Doomsday X», e é já o terceiro álbum de originais que o grupo lança pela Nuclear Blast o que indicia uma actual boa saúde comercial dos Malevolent Creation. Paradoxalmente foi precisamente a partir da entrada da banda para a gigante editora alemã que se deu início uma curva descendente na qualidade final dos álbuns de Malevolent Creation. «Invidious Dominion» é por isso um álbum no qual não se podem colocar grandes expectativas e porque de facto está longe de constituir um trabalho de excepção dentro do death metal, ainda para mais neste ano que se está a revelar bem produtivo para o género. O que está então mal em «Invidious Dominion»? Deixem-me colocar a questão de seguinte forma: que álbum pode ser bom, quando ao fim da terceira faixa já estamos prontos para passar para o próximo CD? O 11º álbum dos Malevolent Creation é um álbum cansado e sem motivos para entusiasmo que cheguem para que nos sintamos compelidos a ouvi-lo mais do que duas/três vezes. Dito isto, aconselha-se alguma prudência aquando do investimento a não ser que sejam daquele tipo de fãs que até os álbuns menos bons das suas bandas predilectas compra. 5/10

PROFANATICA - «DISGUSTING BLASPHEMIES AGAINST GOD»

Os norte-americanos Profanatica sempre foram um caso curioso dentro do black metal: apesar de já existirem desde 1990, só editaram o seu primeiro longa duração em 2007, «Profanatitas De Domonatia» e ainda cometeram a proeza de lançar dois best of antes deste álbum. São uma banda de puro underground, sempre mais interessada em tocar ao vivo, sobretudo em solo americano e tornaram-se com o passar dos anos, uma banda de culto. «Disgusting Blasphemies Against God» é assim um novo milagre satânico para aqueles que ávidamente esperam novos lançamentos do grupo nova-iorquino. Pouco há, no entanto a dizer sobre esta novidade discográfica. O black metal feio, sujo e dilacerante dos Profanatica continua intacto e repleto de uma negra vitalidade traduzida em ataques sonoros como «Black Cum», «Covered In Black Shit» e «Crush All That Is Holy Defile». Para adeptos de raw satanic black metal. 7,8/10

Tuesday, August 17, 2010

KATAKLYSM - «HEAVEN'S VENOM»

Poucas bandas de death metal são tão produtivas como os Kataklysm, que vão já no 10º álbum de originais, fora uma série de EP's, splits e álbuns ao vivo que foram deitando cá para fora ao longo dos anos. Dêem uma vista de olhos à página da banda no metal archives e vão ver do que estou a falar. É óbvio que só uma banda absolutamente sobrenatural conseguiria lançar sempre discos de grande qualidade e a verdade é que ultimamente os Kataklysm têm-se tornado cada vez mais monótonos. «Heaven's Venom» acaba por ser o menos mau desde 2004 e conta com vários malhões à imagem dos primórdios da banda, quando ainda previligiava os refrões fortes e ritmos coesos em vez da brutalidade sem nexo. O single «Push the Venom» é um óptimo exemplo de death metal pesadão e cheio de groove com umas linhas vocais contagiantes, assim como «Hail the Renegade» e «Suicide River» que apresenta uma melodia acentuada, incrementada em «As the Wall Colapses». «Heaven's Venom» é um álbum variado e por isso menos saturante do que o festival de blastbeats de «In the Arms of Devastation». Acentua o equilíbrio de «Prevail» e afigura-se como um importante disco para o futuro dos Kataklysm. 8/10

BLOOD REVOLT - «INDOCTRINE»

«Indoctrine» é o primeiro aborto dos Blood Revolt, banda onde figuram elementos de Axis of Advance e Primordial. O que temos aqui é um black metal instrumentalmente selvagem onde Alan Nemtheanga contrapõe com a sua característica voz limpa. Sem as vocalizações do frontman de Primordial, os Blood Revolt relembram algum material dos Aborym, ao manteram em quase todas as faixas um andamento marcial digno de uma revolta militar, embora a julgar para letras de «Indoctrine», a revolução espelhada é mais ao nível da alma e estado de espírito. Estado de espírito que é de total raiva e agressão. Aliás, se tiver de adjectivar este trabalho diria que um manifesto de raiva, semelhante ao escritos de Friedrich Nietzsche. Melhor elogio não há para este disco, que apenas precisava de uma produção mais nítida, especialmente para a bateria. Um óptimo álbum de estreia que deixa antever um futuro auspicioso. 8/10

DOOMSHINE - «THE PIPER AT THE GATES OF DOOM»

Se há sub-género que nos últimos tempos tem subido imenso de popularidade é o doom-metal nas suas variadissimas formas. O doom-metal clássico é uma das vertentes que nesta altura apresenta uma boa cotação muito devido à ascensão do sludge que vai buscar muita influência ao doom. Por doom-metal clássico entenda-se Candlemass, Solitude Aeturnus, Count Raven, Cathedral e Pentagram por exemplo. Os alemães Doomshine vão precisamente a essas bandas buscar influência e transformam-na numa sonoridade própria identificável na voz fenomenal de Tim Holz. Na verdade a maior parte do material de «The Piper at the Gates of Doom» (trocadilho com o álbum de Pink Floyd «The Piper at the Gates of Dawn») é pesado, doomy, mas frequentemente repetitivo ao ponto do botão fast-forward funcionar bastantes vezes. Um álbum óptimo para quem coleccionar ávidamente doom-metal, para os restantes aconselha-se algumas escutadelas, antes do investimento. 7/10

LIGHTNING SWORDS OF DEATH - «THE EXTRA DIMENSIONAL WOUND»

Uma banda norte-americana com um óptimo nome e muita podridão para dar ao mundo. Eis o que os Lightning Swords of Death oferecem. Não esperem um álbum pleno de originalidade, mas sim um violento álbum de black metal crú e negro, com passagens thrash metal e bastante ambiente, cortesia dos estúdios Necromorbus. «The Extra Dimensional Wound» relembra algum material dos Watain e Diabolicum, assim como resquícios dos Usurper. «Nihilistic Stench» e «Damnation Pentastrike» não deixam margem para dúvidas. Porém e apesar do material aqui contido seja do mais abismal que ouvi nos últimos tempos, creio que teriam a ganhar se a produção fosse um pouco mais limpa. Nas músicas em mid-tempo como «Damnation Pentastrike» e «Venter of the Black Beast» essa lacuna é evidente. Bastante superior à estreia «The Golden Plague» (2007), «The Extra Dimensional Wound» demonstra uma banda com enormíssimo potencial, que decerto e à semelhança do que aconteceu com os Watain, rebentará nos próximos álbuns. Para acompanhar de muito perto. 7,8/10

BONDED BY BLOOD - «EXILED TO EARTH»

A febre do thrash-metal continua a dar ao mundo do metal mais discos totalmente desnecessários. Os Bonded by Blood fazem tudo como se estivessem nos anos 80, entre bandas como Exodus, Kreator, Death Angel e ícones que tais. O problema é que mesmo sendo óptimos músicos, os Bonded by Blood não têm nada para oferecer a não ser um exercício de dejá-vú, sem qualquer vontade em inovar ou pelo menos em trazer o thrash-metal para a actualidade. Se bandas como Slayer, Destruction, Exodus e Kreator já utilizam novas técnicas de produção para tornar o som mais bombástico, porque raio continuam estes rapazes a ter um som esquelético como o apresentado em «Exiled to Earth»? Esta é porém apenas uma de muitas questões que se podem colocar, aquando do exercício para se perceber qual a utilidade de um álbum como este. Um autêntico bocejo e despedício de talento. 3/10

AVENGED SEVENFOLD - «NIGHTMARE»

Ouvindo um álbum como este «Nightmare» vêm-me imediatamente à memória toda aquela tendência que foi vender bandas como Linkin Park e Limp Bizkit como sendo heavy-metal. Não tenho nada contra essas bandas, por contrário, acho que o «Hybrid Theory» é um dos melhores álbuns do propalado nu-metal, embora a palavra metal, tenha que ser forçosamente aplicada como senso comum, porque ninguém nesta altura vê essas bandas com outros rótulos. O mesmo se passa com os Avenged Sevenfold. É-me extremamente dificil vender-vos isto como sendo metal, porque este álbum tem quanto muito 2/3 músicas mais ou menos dignas deste rótulo e que até não são nada de especial. «God Hates Us», por exemplo, é um misto de riffs à Metallica fase «Reload» com uma batida rápida e vocalizações metalcore. Isto quer dizer que 80% do material deste disco nada tem a ver com agressividade ou potência, mas antes com melodia lamechas e simplista para corações moles como, por exemplo, «Victim» que é um prodígio de lamechice sem precedentes. O problema não é só a essência da música, mas também uma questão lógica de qualidade. Tirando alguns riffs presentes em «Nightmare», «Welcome to the Family», «God Hates Us» e em «Save Me», este disco é pura e simplesmente vazio de ideias, limitando-se a riffs mais que batidos, teclados melosos e a vocalizações do mais irritante que pode haver. Normalmente diria para evitar; mas neste caso até aconselho a guardarem-no para ouvir quando tiverem com problemas de insónias. 4/10

Wednesday, August 04, 2010

BLIND GUARDIAN - «AT THE EDGE OF TIME»

Com tão óptimos teasers como «A Voice in the Dark», «War of the Thrones» e mais tarde «Tanelorn (Into the Void)» seria difícil não ter algumas expectativas em relação a este novo opus dos Blind Guardian. Ao que parece o devaneio hard rockish de «A Twist in the Myth» foi resultado de alguma indefinição artística por parte do principal compositor Hansi Kursch que felizmente encontrou nos Demons & Wizards meio de canalizar essas energias. O resultado disso é que «At the Edge of Time» é sem qualquer sombra de dúvida um disco ao nível de um «Imaginations From the Other Side» ou «Nightfall in Middle-Earth». Tudo começa com o épico «Sacred Worlds», uma versão extendida de «Sacred», tema que os Blind Guardian escreveram para o videojogo «Sacred 2: Fallen Angel». Depois dos coros e orquestrações épicas de «Sacred Worlds», «Tanelorn (Into the Void)» entra de rompante com um riff thrashy, que relembra o material do longínquo «Somewhere Far Beyond» de 1992 e até «Battalions of Fear» de 1988. O refrão é dos melhores alguma vez escritos pelo grupo germânico. «Road of no Release» acalma as coisas, numa peça semi-baladesca, com várias passagens em up-tempo e com apontamentos progressivos dignos do «A Night at the Opera». A partir daqui é com um misto de agrado e desconfiança que abordamos o restante álbum. A qualidade dos primeiros temas é "demasiada" e a expectativa fica ainda mais elevada. Existe também bastante variedade, que impede o ouvinte de perceber exactamente qual vai ser o próximo passo. «Ride into Obsession» e o single «A Voice in the Dark» demonstram que o power speed metal ainda faz parte dos gostos de Hansi e companhia. Assim como o bom gosto na hora de escrever baladas, como «Curse my Name» e «War of the Thrones» demonstram. «Valkyries» e «Control Divine» são temas menos imediatos e requerem algumas audições extra para ganharem destaque, especialmente a última que aproxima perigosamente os Blind Guardian da sonoridade explorada em Demons & Wizards. «Wheel of Time» é mais um intrincado épico que encerra o disco, com umas exóticas ambiências árabes. Concluíndo, «At the Edge of Time» é um regresso espantoso de uma das mais influentes bandas de power metal de sempre. Um disco que estará certamente nas listas de melhores de 2010, de muitos fãs de metal. Aqui no Event Horizon tem entrada directa para o top 10. 9/10

APOCALYPTICA - «7TH SYMPHONY»

Quando apareceram, os finlandeses Apocalyptica tornaram-se, ainda que às custas dos Metallica, num fenómeno de popularidade, com as suas covers em cellos da lendária banda americana. Entretanto, os Apocalyptica evoluíram e foram lançando variantes mais ou menos bem sucedidas desse formato, incluíndo vozes e uma aproximação cada vez mais notória ao seu público metaleiro. «7th Symphony» chega-nos como sendo o mais variado disco dos Apocalyptica até à data. Temos a habitual fanfarra sinfónica dos cellos nas agradáveis «On The Rooftop With Quasimodo», «At The Gates Of Manala» e «Sacra», assim como vários temas cantados pelos convidados Gavin Rossdale, Brent Smith, Lacey Sturm e Joe Duplantier. Dave Lombardo, baterista dos Slayer é outro dos ilustres presentes aqui, embora participe apenas no tema instrumental, «2010». Das canções vocalizadas o que se pode dizer é que emanam uma vontade comercial tão vincada que são quase impossíveis de ouvir, uma vez que só à força entram no conceito Apocalyptica. São músicas que relembram Evanescence, Linkin Park e afins. Rock metalizado em d-tuned, simplório e sem chama. Sem dúvida algumas das piores músicas que ouvi este ano, a par do recente single dos Sonic Syndicate. Felizmente os temas onde identificamos os "velhos" Apocalyptica são, mais uma vez, sublimes. «On The Rooftop With Quasimodo» e «Sacra» à cabeça. Poucas vezes vimos, no entanto, uma banda a experimentar com tão maus resultados como os Apocalyptica neste álbum, esperemos que isto não lhes custe o fim de uma longa e respeitável carreira. Pode, apesar de tudo, verificar-se o inverso: de tão comerciais que «End of Me» e «Not Strong Enough» são, provavelmente os caminhos da MTV, ficarão escancarados para a banda finlandesa. Seria esse o objectivo? 4/10
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