Thursday, September 30, 2010

DIMMU BORGIR - «ABRAHADABRA»

Por diversos aspectos «Abrahadabra» é o mais entusiasmante disco dos Dimmu Borgir. Desde logo pela conjuntura da banda durante a feitura deste nono álbum de originais se ter alterado profundamente. Substituir ICS Vortex e Mustis não se afigurava nada fácil para as aspirações dos noruegueses, no entanto se tivermos em conta que sempre foram Silenoz e Shagrath que compuseram as músicas e delinearam a direcção musical dos Dimmu Borgir, a situação ainda mais expectativa gerou. Seria este um retorno às raízes ou traria uma mudança radical de direcção artística para uma das mais importantes bandas do black metal? Bom, respondendo antecipadamente a esta questão: nenhuma e ambas as opções estão correctas. Mas já lá vamos. Primeiro adianto que este álbum fica desde logo marcado pelo fim dos álbuns com três palavras, fechando um ciclo que vinha desde do longínquo «For All Tid». «Abrahadabra» siginifica "i create as i speak" e foi celebrizada por Aleister Crowley, famoso ocultista e líder espiritual, do qual também é conhecida a frase "do what thou wilt". Todos os temas deste álbum têm de alguma forma a ver com as filosofias de Crowley. Desde logo o single de avanço «Gateways», tema colossal em que Agnete Maria Kjolsrud substitui os vocais de ICS Vortex, e que é um verdadeiro manifesto de individualismo e egocentrismo: "realize you are the source of all created, of your own master plan". Acompanhando um tema fantástico, de estrutura catchy e atípica no portfólio dos Dimmu Borgir, a letra é bem reveladora do conteúdo lírico de «Abrahadabra». Outro aspecto fundamental em «Abrahadabra» é a produção a cargo da própria banda, com misturas de Daniel Bergstrand e masterização de Andy Sneap, que apresenta um som nítido com as guitarras e bateria a aparecerem secas, contrapondo com as sublimes orquestrações a cargo de Shagrath e da The Norwegian Radio Orchestra conduzida por Gaute Storaas. Esta opção advém não só da sobreba produção mas também das estruturas das músicas que dão mais lugar ao ambiente e menos à agressividade desconexa. Respondendo às perguntas que coloquei no início da review, isto acaba conferir aos Dimmu Borgir simultaneamente um caminho novo a seguir: o da simplificação dos temas sem perder nenhuma da identidade dos Dimmu Borgir, mas também traz à memória temas do «For All Tid» e do «Enthrone Darkness Triumphant» onde os Dimmu Borgir previlgiavam a atmosfera em vez da velocidade. Os temas «Dimmu Borgir» e «Ritualist» são os melhores exemplos de temas ricos em atmosfera, mas que continuam a soar tão viscerais quanto o material de 1994 e 1997. O lado negativo desta opção é que «Abrahadabra» é um disco pouco guitar oriented, e mais vocacionado para as partes vocais e para as orquestras. Concluíndo, «Abrahadabra» deve ser visto como um disco de ruptura com um passado recente que estava mais interessado em criar álbuns brutais e contextualmente relevantes do que em escrever verdadeiras e memoráveis canções. «Death Cult Armageddon» e «In Sorte Diaboli» sofreram bastante deste mal. «Abrahadabra» consegue recuperar a habilidade de álbuns como «Enthrone Darkness Triumphant», «Spiritual Black Dimensions» e «Puritanical Euphoric Misanthropia» para o presente. Infelizmente, não se trata de um álbum perfeito, longe disso. Nota-se que estes temas foram escritos também para ICS Vortex, que não emprestando a voz a canções como «Renewal» e «Gateways» impede-as de serem as melhores canções de sempre de Dimmu Borgir...felizmente existem outras. Outro aspecto é a falta de coesão do álbum, que a meu ver poderia ter sido evitada com outro alinhamento de músicas. «Abrahadabra» é o primeiro álbum de uma nova fase da carreira dos Dimmu Borgir, agora com o know how suficiente para congregar o melhor da fase antiga mais ambiental e directa («Enthrone Darkness Trumphant») e da fase recente mais orquestrada («Death Cult Armageddon»), este é apenas o primeiro capítulo dessa nova fase que se prevê bastante proveitosa para os Dimmu Borgir. 8,1/10

Faixa a faixa:
1. «Xibir»: introdução algo desnecessária e inofensiva. Os Dimmu Borgir já fizeram intros bem melhores do que «Xibir». 5/10
2. «Born Treacherous»: um dos melhores temas de «Abrahadabra». Conciso e directo, onde as guitarras atingem o equilibrio desejável. As orquestrações têm um cheirinho a «Spiritual Black Dimensions» 9/10
3. «Gateways»: tema de avanço cujo vídeo tanta polémica causou. É verdade que a voz de Vortex caía bem melhor do que Maria Agnete Kjolsrud, mas o efeito é praticamente o mesmo. A música é de estrutura simples (verso-refrão-solo-verso-refrão-solo-outro), com linhas de teclado soberbas, um trabalho vocal de Shagrath bem variado e solos de Galder e Silenoz simples mas eficazes. A parte final da música é simplesmente brilhante. «Gateways» ganha dimensão com várias audições, um marco na carreira dos Dimmu Borgir. A versão orquestral desta música sugere que este pode ter sido composto para abrir o álbum. 9/10
4. «Chess With the Abyss»: é inquestionável de que se trata de um óptimo tema, mas também é de estranhar o encosto dos Dimmu Borgir a uma sonoridade que parece saída directamente dos últimos álbuns de Cradle of Filth. Até a voz rouca de Shagrath parece a de Dani Filth. Alguns riffs roubados a Dissection, mas no geral um tema agradável. 6/10
5. «Dimmu Borgir»: inicialmente fez-me lembrar a sonoridade dos Tristania circa «Beyond the Veil», até ouvir a canção mais vezes. Tem um feeling declaradamente «For All Tid», com a pomposidade dos coros e teclados a fazer-se ouvir, e as guitarras em tom quase doom, a declamar riffs épicos que fazem deste tema um clássico instântaneo. Na minha opinião o melhor de «Abrahadabra». 10/10
6. «Ritualist»: finalmente alguma rapidez. «Ritualist» até dá primazia aos teclados por cima de um blastbeat de Daray mas tem um dos melhores refrões do álbum. Pelo meio Snowy Shaw dá um ar da sua graça com uma vocalização que faz lembrar Garm dos Arcturus. 10/10
7. «The Demiurge Molecule»: um tema cuja estrutura varia bastante e torna-se bem catchy. Não tão imediata quanto «Chess With the Abyss» e bem melhor, «The Demiurge Molecule» tem um feeling a Satyricon e surge no meio da melhor sequência do álbum. 7/10
8. «A Jewel Traced Through Coal»: um dos maiores defeitos de «Abrahadabra» é a falta de momentos rápidos. Porém esta música deita por terra a ideia de que os Dimmu Borgir já não sabem fazer black metal negro e obscuro. Os coros a meio são sublimes. «A Jewel Traced Through Coal» é das melhores músicas do álbum, acaba por ficar mal colocada no alinhamento final. Há que dar algum crédito à banda por não ter optado por este tema para single, já que não corresponde minimamente ao conteúdo geral. 9/10
9. «Renewal»: o tema mais guitar oriented de «Abrahadabra». O solo de Galder a abrir é delicioso e a bateria de Daray carrega a música literalmente às costas. Outro refrão magistral faz de «Renewal» um tema soberbo, ainda mais com a melhor prestação vocal de Snowy Shaw em todo o álbum. 8/10
10. «Endings and Continuations»: o tema que encerra «Abrahadabra» é o mais diverso e complexo, com várias mudanças de ritmo, novamente Snowy Shaw numa prestação vocal intensa, mas também mais uma vez ficando a ideia de que Vortex fizesse um melhor trabalho. 8/10

Wednesday, September 29, 2010

ENSLAVED - «AXIOMA ETHICA ODINI»

Recordo-me de que em 2008, quando lançaram «Vertebrae», este foi um álbum algo discutido por estar a fazer dos Enslaved uma banda principalmente progressiva e que estaria a deixar definitivamente de lado o black metal, que celebrizou a banda de Ivar e Grutle em «Frost» (1994) e «Eld» (1997). Mas se «Ruun» (2006) já antecipava um álbum como «Vertebrae», o caminho estava afinal a ser preparado para este «Axioma Ethica Odini» sem dúvida o melhor e mais amplo álbum dos Enslaved desde dos seminais «Monumension», «Below the Lights» e «Isa». Se os dois anteriores adicionaram com maior gravidade o selo prog na sonoridade dos Enslaved, é neste novo álbum que finalmente materializam a ideia de black metal progressivo. Bastarão as introdutórias «Ethica Odini» e «Raidho» para se escutar a perfeição dos riffs arrastados com as vocalizações pink floydianas a rematar com brilhantismo. E mesmo depois de uma Opethiana «Waruun», «The Beacon» recupera o black metal orelhudo de «Isa» e a orgásmica «Giants» é uma súmula daquilo que podemos hoje dizer que é o black metal progressivo por excelência. Em «Axioma Ethica Odini» os Enslaved reencontram a acutilância de «Below the Lights» e mantêm a faceta progressiva de «Vertebrae», uma soma de valores que só poderiam resultar num álbum perfeito e sério candidato ao lugar mais alto do pódio no final do ano. 9,7/10

ABIGAIL WILLIAMS - «IN THE ABSENCE OF LIGHT»

Quando em 2008, os Abigail Williams lançaram o álbum de estreia «In the Shadow of a Thousand Suns», a mescla black metal melódico/deathcore foi motivo para muito falatório. A fusão era até bem conseguida mas soava extremamente forçada na procura de mais um trend que fizesse dos Abigail Williams mais uma nova tendência musical. Ora, a própria banda deve ter ficado descontente com a atenção desmesurada e optou por pôr de lado o deathcore, aproximando-se decididamente do black metal...sinfónico. Isto é, em «In the Absence of Light» os Abigail Williamos têm bastante mais a ver com os Dimmu Borgir e Emperor do que com outra coisa qualquer. Felizmente a parte sinfónica não é tão predominante como em Dimmu Borgir, pelo menos se compararmos este álbum com qualquer um da banda norueguesa nos últimos dez anos. «In the Absence of Light» é mais uma espécie de «Spiritual Black Dimensions», onde as guitarras ainda tinham bastante preponderância nas composições de Dimmu Borgir. A influência de Emperor pode também ser ouvida durante todo o álbum, especialmente na faixa «Infernal Divide». «In the Absence of Light» tem o mérito de recuperar o melhor do black metal melódico/sinfónico, mas também não apresenta absolutamente nada de espectacularmente inovador. Uma curiosidade: ouçam este álbum com fones. Os graves ganham bastante força e por conseguinte todo soa bem mais poderoso. 7/10

MIRROR OF DECEPTION - «A SMOULDERING FIRE»

Os germânicos Mirror of Deception não são propriamente um grupo conhecido, mas a verdade é que para além de já andarem a debitar doom metal desde 1990, são a banda mais conhecida do género no seu país da origem. «A Smouldering Fire» é apenas o quarto álbum de longa duração, onde o quarteto compõe doom entre uns Candlemass, Solitude Aeturnus e Trouble, (ouvir «Isle of Horror» e a fantásticamente deprimente «Unforeseen») não descurando algumas passagens mais heavy metal e hard rock como em «The Riven Tree» e «Lauernder Schmerz». Ao nível dos excelentes «Foregone» (2004) e «Shards» (2006), «A Smouldering Fire» não mostra grandes novidades (talvez um acréscimo de segurança ao nível vocal de Michael Siffermann), mas deverá saciar a sede de bom doom metal aos amantes desta sonoridade, na forma de 1 hora de pura majéstica depressão musical. 8/10

OCTOBER TIDE - «A THIN SHELL»

Os October Tide são a banda paralela de Fredrik Norrman, ex-Katatonia, que lança aqui o 3º álbum longa duração, depois de um hiato de 11 anos desde do já clássico «Grey Dawn». Em «A Thin Shell» a sonoridade dos October Tide afasta-se um pouco do doom metal mais directo usado em «Grey Dawn», para voltar a aproximar-se do doom death mais lento e melódico do álbum de estreia «Rain Without End». A opção pode ser comercialmente mais vantajosa, tentando apanhar o comboio de uns Swallow the Sun, mesmo sendo «A Thin Shell» um álbum superior a «Rain Without End» principalmente ao nível vocal, e muito menos aproximado à sonoridade Katatonia que esse álbum de estreia tanto fazia lembrar. Mesmo assim, canções como «Deplorable Request» e «Fragile» são sem dúvida um cruzamento de «Brave Murder Day» dos Katatonia com o «Gothic» dos Paradise Lost. É no entanto em músicas mais carismáticas como «Blackness Devours», «The Nighttime Project» e «A Custodian of Science» que os October Tide demonstram ter capacidade para recuperar o tempo perdido e torna-se numa das importantes bandas do doom death da actualidade. Esperemos que sim. 7,5/10

Monday, September 27, 2010

AUTOPSY - «THE TOMB WITHIN»

Aqui temos um dos mais aguardados retornos do ano, os Autopsy, banda fundada em 1987 e autora de clássicos como «Severed Survival» (1989) e «Mental Funeral» (1991). Foram a mais bem sucedida banda a fundir death metal com elementos doom, numa temática de gore, zombies e serial-killers mais tarde celebrizada pelos compatriotas Cannibal Corpse. Afastada de registos com temas originais desde 1995 com o álbum «Shitfun» (não estamos a incluir o single de 2009 «Horrific Obsession»), a Peaceville deve ter "forçado" a banda a regressar a lançar pelo menos um EP para testar o interesse do público nos Autopsy. »The Tomb Within» é assim composto por 5 novo temas, todos com aquele estilo inconfundível dos Autopsy, como uma sonoridade que parece saída de uma cave bafienta repleta de cadáveres das vítimas que entretanto os elementos da banda forma acumulando ao longo dos anos, como alternativa à feitura de nova música. Os dados para um novo álbum estão lançados, veremos quanto tempo demorará até os Autopsy começarem a matança nos palcos mundiais. 7/10

SWASHBUCKLE - «CRIME ALWAYS PAYS...»

Quando no ano passado, ao chegar-me às mãos uma cópia do «Back to the Noose» dos Swashbuckle, uma rápida olhadela à capa e à frase promocional "pirate metal" tive logo a sensação de que a review aquele disco iria ser bastante fácil, no sentido negativo. De facto, o que tinha ali era uma banda, contratada pela Nuclear Blast, a fazer retro thrash metal com resquícios death metal, aproveitando a onda do revivalismo e assentando a sua estética na série do filme «Piratas das Caraíbas». Os Swashbuckle não tinham e continuam a não ter nada de jeito para oferecer ao público metaleiro a não ser total non-sense conceptual e música reciclada. «Crime Always Pays..» não apresenta quaisquer novidades, mantendo a banda americana na senda dos vis piratas e dos barris de rum. A música continua infelizmente a ser uma autêntica nulidade. 2/10

JAMES LABRIE - «STATIC IMPULSE»

Segundo álbum a solo do vocalista dos Dream Theater, «Static Impulse» é um álbum bastante surpreendente, pela forma com que James LaBrie dá asas a novas influências nas suas composições, dando a ideia de que com mais liberdade criativa, os Dream Theater pudessem ser uma banda com direcção ainda mais agressiva do que são. Por outro lado, é notório que este projecto permite a LaBrie total liberdade criativa, deixando no caso de «Static Impulse» entrar o death thrash sueco de uns In Flames e Soilwork, sonoridades à partida barradas num álbum de Dream Theater. Parece estranho, mas músicas como «One More Time» e «Over the Edge» funcionam na perfeição, numa dicotomia prog metal/som de Gotemburgo que confere a este material uma dimensão mais ampla do que no anterior álbum «Elements of Persuasion». Como alternativa à dificuldade que hoje existe em aparecerem bandas a criarem sonoridades inovadoras, resta a fusão, que em alguns casos, como James LaBrie, que pode até vir a criar uma nova tendência. 7,8/10

METALLICA - «SIX FEET DOWN UNDER»

«Six Feet Down Under» é um EP com 8 músicas gravadas ao vivo em actuações dos Metallica na Austrália, país onde este lançamento será disponibilizado em formato físico numa primeira fase, sendo que os restantes países puderão obter uma cópia encomendando no site da banda, ou aguardando que o formato normal chegue aos seus respectivos mercados. A avaliar pela qualidade musical destas músicas, o produto aqui apresentado é bastante fraco e só deverá significar objecto de investimento para os irredutíveis que acham que têm de ter todos os álbuns de Metallica. «Six Feet Down Under» é um dos discos ao vivo com pior som de sempre. Muito mau. 3/10

Sunday, September 19, 2010

THERION - «SITRA AHRA»

Percursores do gothic metal sinfónico, os suecos Therion nunca defraudaram expectativas. Nem mesmo na fase mais morna quando lançaram o «Deggial» e o «Secret of the Runes». «Sitra Ahra» aparece numa altura em que os Therion estão na fase mais produtiva da sua já longa carreira e também quando estão na alto da sua popularidade, fruto dos magníficos «Sirius B/Lemuria» e «Gothic Kabbalah». É igualmente um disco que deverá provocar alguma resistência por parte dos fãs, por culpa da falta de temas simples e directos como «Wand of Abaris» e «Blood of Kingu», excepção feita ao tema de abertura e single de avanço, chamado precisamente «Sitra Ahra», cujo refrão é nada menos do que fenomenal. Contudo a partir de «Kings of Edom» os Therion dão asas à parcela mais clássica da sua música e os temas tornam-se mais étereos e difíceis de digerir. «Unguentum Sabbati» e a terceira parte de «Kali Yuga», que começa com riff meio thrashy, são algumas excepções, que mesmo não o sendo na totalidade, parecem ter sido compostas com base nas guitarras em vez de nos coros e vozes operáticas, que comandam grande parte do material de «Sitra Ahra». De destacar ainda o épico «Land of Canaan», uma ambiciosa composição, porventura a mais completa música dos Therion em muitos anos a relembrar de alguma forma o soberbo «Vovin». Pessoalmente prefiro a abordagem mais variada e directa dos dois álbuns anteriores, contudo «Sitra Ahra» não decepciona, nem mesmo quando a curta mas poderosa «Din» nos invade as coluna com aquela que é a mais agressiva música de Therion desde dos primórdios death metal, pairando a ideia de música forçada. 8,2/10

ANGRA - «AQUA»

Não estando propriamente nos píncaros de popularidade, o power metal continua a proporcionar aos seus fãs, bastantes álbuns agradáveis, como «Aqua», o novo trabalho dos Angra. Um registo que incrementa o lado mais progressivo do grupo brasileiro, que conserva ainda a capacidade de esgalhar óptimos refrões como no single «Arising Thunder» e em «Lease of Life», um tema que aproxima descaradamente os Angra do rock fm. Uma produção cristalina, músicos talentosos e a excelente voz de Edu Falaschi, são tudo ingredientes suficientes para por si só «Aqua» ser um disco apelativo. Mais do que apelativo, é um dos melhores álbuns da carreira dos Angra. 8/10

DRUDKH - «HANDFUL OF STARS»

Deixando de lado o folk black metal, os Drudkh resolveram aproximar-se do pós-black metal, sonoridade muito em voga nos dias que correm. Mas o que podia até ser um suícidio artístico, resulta numa transformação para melhor, entregando-nos um disco com tudo para vir a ser um dos melhores do ano dentro do seu género. «Handful of Stars» é um disco mais introspectivo, que recorre ao shoegaze para lhe dar uma estética simultaneamente mais suja e melancólica, sem renegar por completo as raízes black metal. Colectivos como Amesoeurs vêm várias vezes à cabeça, embora os franceses tenham uma abordagem mais urbana e não tão fantasiosa como os Drudkh. Excelente álbum, obrigatório para amantes da esta nova tendência de black metal moderno. 8,5/10

UNEARTHLY TRANCE - «V»

No espectro do sludge doom, os Unearthly Trance reservam-se a si próprios um lugar no pódio das bandas que ajudaram a fazer do estilo, um dos mais profícuos dos últimos anos, muito por culpa de bestas sonoras como «The Trident». «V» demonstra abrandamento nulo em termos de qualidade, dado que em termos de velocidade sonora, os Unearthly Trance continuam tão ou mais sorumbáticos do que antes. A única diferença é que encontraram forma de fazer temas mais concisos e directos com a mesma sonoridade. Isto é, não são necessárias músicas de 10 minutos para se fazer sludge doom lento e poderoso, o que continua é a mesma intensidade que antes. Oiçam «Unveiled» e «The Tesla Effect» por exemplo. «V» é provavelmente o mais potente álbum dos Unearthly Trance até à data. 8,4/10

VULTURE INDUSTRIES - «THE MALEFACTOR'S BLOODY REGISTER»

Olhando para trás, é inegável que os Arcturus e os Dodheimsgard trouxeram ao black metal toda uma nova opção em termos de exploração sonora, nomeadamente no que toca à sonoridade industrial. Ora, os Vulture Industries tentam dar vazão a essa tendência, explorando excentricidade vocal numa cadencia sonora maquinal. O resultado fica porém aquém do que se pede neste espectro. Existem de facto boas ideias, como em «The Bolted Door», contudo, «The Malefactor's Bloody Register» é como uma fábrica, soa tudo demasiado frio e sem alma, ao contrário de clássicos como «La Masquerade Infernale», «The Sham Mirrors», «666 International» e «Supervillian Outcast». Interessante, mas longe de essencial. 6,8/10

ANTIQUUS SCRIPTUM - «CONCLAMATUS EST»

Confesso que foi sem querer que tropecei neste álbum dos Antiquus Scriptum, sendo a sua existência, totalmente ignorada por mim, apercebendo-me mais tarde de que não estaria exactamente sozinho nesse desconhecimento. Afinal, os Antiquus Scriptum não são propriamente um projecto conhecido, provavelmente por falta de visibilidade, uma vez que este é já o 3º álbum de originais. «Conclamatus Est» não deixou por essa razão de me surpreender. Trata-se de uma one man band, onde Sacerdos Magus assume todas as despesas instrumentais, apesar da bateria ser programada e contar com a ajuda de vários músicos de sessão. Ainda mais admirável se torna assim este álbum, que propõe um black metal épico apoiado em Bathory, Celtic Frost e Emperor, não se esquivando a influências do folk metal patentes num tema como «Den Nordiske Sjel Lever I Meg». O resultado fica bastante agradável, apesar das músicas serem todas gigantescas, nunca se perde o sentido de canção propriamente dita. Apenas um pequeno senão para o início de «Eu. o Misantropo», que ficou totalmente parvo e fora de contexto. Ficou a faltar apenas uma produção melhor (grande perca, audível nas partes acústicas), para conferir a este material uma dimensão ainda maior. Notável porém o óptimo trabalho desenvolvido. 8/10

ALTAR OF DAGON - «SCRIPTURES FOR THIS DEAD EARTH»

Apresentando-se como banda doom, os Altar of Dagon parecem bastante perdidos relativamente à direcção a seguir. Se o tema introdutório tem um riff que caberia no «Enthrone Darkness Triumphant» dos Dimmu Borgir, já «Awake» e «Born to Darkness» soam a Iced Earth antigo. «Hell City» é por seu lado um tema de black thrash bem interessante. O primeiro e dos poucos temas verdadeiramente doom do álbum vem com a excelente «She Who Sleeps» que pode eventualmente chegar para dar aos Altar of Dagon um bom contrato discográfico. Pessoalmente inseria-os num heavy/doom/thrash com uma imagética evil, que a capa deixa antever. 7/10

PAINTED BLACK - «COLD COMFORT»

Um dos discos que mais tem dado que falar nos últimos tempos, «Cold Comfort» apresenta-nos os Painted Black, banda claramente apoiada em My Dying Bride, Novembers Doom e Draconian, ou seja nos colossos de doom death. Mesmo sendo identificáveis estas influências, assim como a de Moonspell e Heavenwood, isto não quer dizer que os Painted Black sejam um clone, até porque curiosamente as bandas portuguesas estão cada vez mais sensíveis para a questão da originalidade. Em «Cold Comfort» grupo não se furta a composições longas e variadas, por vezes demasiado derivativas, fazendo-o com uma segurança admirável de quem parece já andar a fazer este tipo de músicas há bastante tempo. O épico de 9 minutos que abre o álbum, «Via Dolorosa» é um belíssimo exemplo de doom up-tempo com passagens atmosféricas e vocais sussurrados, e «Absent Heart» é o legado Opethiano em potência, que demonstram uma aptidão natural para música negra e melancólica. Claramente um candidato a álbum nacional do ano. 8,3/10

GRIMLET - «GRIM PERCEPTIONS»

Está a ser um ano bem produtivo para as cores nacionais, com diversos álbuns a serem lançados todos os meses, o que faz crescer a noção de que o metal português está prestes a explodir no mercado internacional. Os Grimlet são mais um colectivo a querer fazer a diferença, fazendo-o com o seu death metal pujante e técnico, com muito groove à mistura. Longe das amálgamas de som do deathcore, os Grimlet conseguem estruturar bem as suas canções, aliando uma musicalidade assinalável com diversos excelentes solos de guitarras e um registo vocal bastante dinâmico. Um único senão, a meu ver, os Grimlet teriam muito a ganhar se condensassem as suas boas ideias em temas de duração menor. Por exemplo, «Den of the Dogs», o momento alto de «Grim Perceptions», perde bastante fulgor durante as constantes variações ritmicas da fase intermédia. 7,2/10

NOMAD SON - «THE ETERNAL RETURN»

Os malteses Nomad Son têm data marcada em Outubro para Portugal e as reacções a «The Eternal Return» fizeram deste álbum, um interessante objecto de análise. Trata-se de um grupo apostado em recriar o doom clássico de uns Candlemass, Trouble e Solitude Aeturnus. Fazendo-o com perícia e sobretudo com capacidade de engendrar malhas catchy como «The Vigil» e a colossal «Winds of Golgotha». É verdade que bem vistas as coisas, «The Eternal Return» não proporciona absolutamente nada de novo, mas antes um estado de espírito de quem vive estas coisas do metal de corpo e alma. Se procuram música feita essencialmente feita com sentimento, vão de certeza encontrar aqui bons motivos para se deslocarem a Beja já durante o próximo mês. 7,5/10

FLOTSAM AND JETSAM - «THE COLD»

São sem dúvida um dos regressos do ano, os Flotsam and Jetsam aparecem-nos com este «The Cold» um álbum onde se destaca a forma descontraída com que os temas desfilam, com estruturas variadas e um progressivismo assinalável. É que apesar dos Flotsam and Jetsam nunca ter sido propriamente uma banda de singles, aqui o easy listening fica totalmente excluído através da riqueza estrutural das canções. Peguem por exemplo, na música mais directa do álbum, «Take» para ficarem com a ideia. Por outro lado, trata-se de uma riqueza estrutural nada forçada, sendo que ouvindo coisas como «Hypocrite», «Black Cloud» e as surpreendentes «Blackened Eyes Staring» e «Always», fica notoriamente a ideia de que os Flotsam and Jetsam são das bandas mais abrangentes em termos de composição que por aí andam. O problema é que isto traz alguns custos, nomeadamente com possibilidade de ser dificil de gostarmos de todo o material aqui presente. A dicotomia peso/melodia de «Blackened Eyes Staring» faz por exemplo, lembrar a bipolaridade de Devin Townsend e os seus Strapping Young Lad e «Falling Short» é Nevermore chapado. Resta saber quem influenciou quem. «The Cold» é assim um bom regresso, mesmo precisando de bastantes audições para que faça efeito no ouvinte. 7,3/10

SHADOWGARDEN - «ASHEN»

Os Shadowgarden são um projecto paralelo de membros dos doomsters Draconian, em que a aposta recai num rock gótico entre uns Sentenced, Rapture e uns HIM. Músicas simples e melancólicas com especial ênfase nos refrões e ocasionais growls é a receita que apesar de permitir uma audição descontraída, está bastante longe de invocar os melhores álbuns do género, quedando-se para os lugares destinados a bandas que gostam de recriar um determinado movimento, neste caso um que já teve momentos bem mais produtivos. 5/10

Saturday, September 11, 2010

CURTAS

São o segredo mais bem guardado de Espanha. Outrora com a designação Rhino, este trio apresenta aqui um trabalho que promete satisfazer os amantes de sludge/doom mais exigentes. Para tal temos canções arrastadas com riffs sujos monolíticos («Mass Burial Punishment»), uma bateria simples mas cheia de feeling («Speaking in Tongues»), um vocalista sublime que fica entre Chris Cornell e Glenn Danzig («Weight of Coronation») e uma variedade composiconal assinalável, apesar da base musical ser o sludge/doom, que vai desde do dark rock de uns Sahg até ao pós-hardcore de uns Neurosis, passando pelo filtro de uns Jucifer e High on Fire. Referências à parte, «Weight of Coronation» é um soberbo álbum de estreia, daqueles que farão dos Horn of the Rhino uma banda de destaque em muito pouco tempo. 9/10
Deathcore ultra-técnico australiano onde se fala de Nietszche e outros filósofos marcantes, é o trunfo dos The Red Shore, numa tentativa de providenciar conteúdo a um estilo que começa a mostrar grandes sinais de cansaço. É indiscutível que estes rapazes são óptimos músicos, o problema é que mesmo estando a fazer algo que gostam, fica a sensação de total desaproveitamento das suas capacidades numa banda da qual dificilmente se falará daqui a uns anos, quando se fizer uma retrospectiva do que foi o deathcore. 5/10
Gnaw Their Tongues é uma one man band da Holanda, onde Mories é o único compositor e intérprete. Em «L'Arrivée De La Terne Mort Triomphante», o versátil músico opta por usar um léxico francês e por uma abordagem ainda mais ambiental que no passado. «L'Arrivée De La Terne Mort Triomphante» é assim uma sinistra banda sonora onde os vocais tipicamente black metal são acompanhados por ritmos entre o funeral doom, o drone e o dark ambient. O resultado é que se trata de um disco exclusivamente focado na criação de uma atmosfera envolvente, necessitando de várias audições para que o ouvinte consiga digerir tudo o que está a acontecer em temas como por exemplo, «Les Anges Frémissent Devant la Mort». Aqui não há lugar para easy listening nem nada que se pareça, mas para apreciadores das sonoridades acima descritas, este é um álbum que não devem perder de vista. 7/10
Da Grécia chega-nos este power trio com o seu pujante death black metal entre uns Behemoth, Naglfar e Dark Funeral. Os The Eternal Suffering conseguem criar composições relativamente longas todas a rondar os 6 minutos, mais coisa menos coisa, mas muito dinâmicas, entre riffs e batidas ultra-rápidas, solos demolidores e vocais variados como em «Murder the Dawn» e «The Burning Path». O maior problema é que apesar de «Miasma» estar bem composto, é todo baseado em clichés que já ouvimos nos discos das bandas acima referidas. Para seguir com alguma atenção. 6,7/10
Este é o projecto In Lingua Mortua de Lars Fredrik Frøislie, que produz e mistura este álbum e ainda canta toca guitarra, baixo, bateria, teclados, harmónica e contrabaixo. Mesmo assim, o músico norueguês ainda conta com nada menos do que três guitarristas e dez convidados, entre os quais Niklas Kvarforth dos Shining. O resultado é um black metal nada convencional, que relembra bastantes vezes os Hollenthon, sem a omnipresença da componente sinfónica. A sonoridade dos In Lingua Mortua revela-se complexa e trabalhada ao pormenor com os teclados e instrumentos de sopro e cordas a serem utilizados para dar relevo à atmosfera negra do álbum criada pelos vocais e pelas guitarras. Um disco óptimo que antevê um futuro interessante para os In Lingua Mortua. 7,5/10
Em curva ascendente culminada na tour com Metallica, os Volbeat têm provocado boas reacções, pela fusão de rock sulista/rockabilly com groove metal. Custa, apesar dos convidados de vulto, catalogar «Beyond Hell / Above Heaven» como metal. Mille Petrozza dos Kreator, Mark "Barney" Greenway dos Napalm Death e Michael Denner dos Mercyful Fate são os convidados num álbum que nos momentos mais pesados cheira a Metallica descaradamente como em «Who They Are» e «Evelyn», esta última a ficar estupidamente fora de contexto no álbum. De resto, esta é mais uma aposta de uma banda, que no passado já foi bem mais pesada, num mercado mais abrangente. Beyond Hell / Above Heaven» é uma boa proposta para vos acompanhar em viagens longas. 6/10
Quando se fala de nu-metal acredito que «Hybrid Theory» mereça o galardão de melhor álbum desse trend que teve no príncipio do milénio o seu auge. Contudo, depois desse magnífico álbum, os Linkin Park abraçaram, como já era mais ou menos prevísivel, uma sonoridade cada vez mais radio friendly, resultando em «Minutes to Midnight», um disco demasiado aproximado a U2, ao qual até os fãs mais acérrimos torceram o nariz. «A Thousand Suns» chega-nos agora como um projecto futurista ambicioso, repleto de teclados e mais hip-hop que nunca. O problema é que à medida que as músicas vão passando mais fica a ideia de que aqueles Linkin Park irreverentes de «Hybrid Theory» desapareceram há muito e que no lugar está um grupo de rapazes que querem à força ser vistos como compositores amadurecidos. Como essa não foi a imagem nem a sonoridade que fez dos Linkin Park uma banda de sucesso, é previsto que «A Thousand Suns» passe ainda mais ao lado do seus fãs. Pena, porque ainda lhes restam algumas ideias interessantes, como na pink floydish «Robot Boy». De resto são um conjunto de músicas inconsequentes, sem a pinta de uma «One Step Closer» ou de uma «Crawling». 4/10

Thursday, September 09, 2010

KAMELOT - «POETRY FOR THE POISONED»

A evolução dos Kamelot desde do já clássico «Karma» (2001) tem sido feita em direcção a uma abordagem progressiva, deixando de lado o power metal mais directo dos primeiros álbuns da banda americana liderada por Thomas Youngblood. Ao contrário de por exemplo, uns Symphony X, os Kamelot são nesta altura uma banda algo presa ao facto de estarem obrigados a ter um som simultaneamente complexo, pela insistente escolha de fazer álbuns conceptuais, e atractivos pela força dos seus refrões. É por isso com agrado que quando «The Great Pandemonium» e «If Tomorrow Came», indiscutivelmente dois dos melhores momentos de «Poetry for the Poisoned», brotam das colunas as expectativas para este nono álbum de originais aumentam e de que forma. A disposição dos temas é bastante semelhante ao álbum «Karma», num cruzamento com a fórmula de sucesso utilizada nos últimos trabalhos, por isso quando chegamos a «House on a Hill» que Roy Khan partilha com Simone Simmons dos Epica, já sabemos mais ou menos o que esperar dos restantes temas. Não é nada de negativo para a banda: significa que encontraram a fórmula em que se sentem mais confortáveis e optam agora por explorá-la apostando em dar importância aos detalhes das músicas, mais propriamente aos refrões, aspecto em que os Kamelot sempre foram exímios. Neste capítulo, «Poetry for the Poisoned» continua a proporcionar aos fãs de Kamelot uma audição bastante agradável, com todos as temas a passearem-se confortavelmente sem que tenhamos a noção do tempo a passar. O problema maior deste álbum reside também aqui. À parte do kick inicial com «The Great Pandemonium» e «If Tomorrow Came» o álbum torna-se demasiado dócil para o seu próprio bem. Muito por falta de uma produção que dê força às guitarras e à bateria. Por exemplo, «Hunter's Season»: não há dúvida de que se trata de uma canção fortíssima, mas para além do brilhante solo de Gus G., (dos Firewind e Ozzy Osbourne) nota-se uma falta de peso, principalmente ao nível da bateria de Casey Grillo, que passa o tema todo a mal-tratar o seu kit com um estonteante ataque de pedal duplo. Mas lá está, essa força, presente recordem-se, em «Karma», o tema título do álbum de 2001, aqui é ofuscada por uma produção que dá enfâse à parafernália sinfónica. Em suma, apesar da produção pudesse ter sido mais benevolente, «Poetry for the Poisoned» é mais um grande álbum de Kamelot. Brilhantemente composto, Khan numa prestação formidável, mesmo tendo sido pouco requisitado no capítulo dos agudos, grandes canções (as duas que abrem o álbum, «Necropolis» e «Once Upon a Time») e um conceito vampírico transversal a todo o álbum, com um trabalho lírico notável. Motivos mais do que suficientes para o adquirirem. 8,2/10

DEATH ANGEL - «RELENTLESS RETRIBUTION»

Se precisam de uma razão para pôr de lado todos esses projectos de thrash metal revivalista, ela estará decerto presente em «Relentless Retribution», o novo álbum dos lendários Death Angel. Trata-se de uma prova inequívoca de que é melhor o produto actual das bandas originais do estilo do que uma discografia inteira de bandas que tentam trazer para o presente uma época simplesmente impossível de recuperar. Ouvindo este sexto álbum da banda de São Francisco, é impossível não admirar a capacidade de reinvenção e actualização protagonizada por Mark Osegueda e Rob Cavestany, os únicos elementos que restam da formação original. Se os ataques thrash ainda se fazem com letalidade contagiante em «Relentless Revolution», «Truce» e «I Chose The Sky», os Death Angel conseguem também compôr material variado sem nunca perder peso, facto para o qual a produção de Jason Suecof contribuiu de forma decisiva. São os casos de «Absence Of Light», «Claws In So Deep» e «Volcanic», canções que abrem portas a novas influências como Killswitch Engage e Trivium. «Relentless Retribution» é o álbum mais potente dos Death Angel desde do clássico «The Ultra-Violence». Apenas sente-se a falta de bons solos, como os presentes nos recentes álbuns de Overkill e Exodus. 8,5/10

CEPHALIC CARNAGE - «MISLED BY CERTAINTY»

Sexto álbum para os Cephalic Carnage, uma das mais importantes bandas quando se fala de grind/death metal técnico. «Misled by Certainty» consegue ser um álbum repleto de grandes momentos de técnica apurada, velocidade estonteante e brutalidade desmesurada. Como aliás têm sido todos os álbuns da banda de Colorado. O único, vá lá, defeito deste álbum é que não é tão directo como «Anomalies» e «Xenosapien», os dois últimos e mais bem sucedidos álbuns dos Cephalic Carnage. Trata-se de um álbum repleto de experimentação e de passagens técnicas que deixarão qualquer músico de queixo caído; o trio de faixas que abre o álbum é verdadeiramente avassalador, por exemplo. Mas quando falamos em Cephalic Carnage, não podemos excluir o elemento variedade, que está em «Misled by Certainty» mais acentuado que nunca em temas como «Ohrwurm», «When I Arrive», «Cordyceps Humanis», um tema lento quase doom, e no épico de 12 minutos, «Repangaea» que dá tempo para o Cephalic Carnage jogarem com mérito todos os seus trunfos. Pontos altos, existem bastantes e é isso que torna este disco tão apetecível. É verdade que só ao fim de várias audições é que identificarão alguns temas que são potenciais clássicos, mas a teimosia neste caso, dá os seus frutos. «Raped by an Orb», «Abraxas Filth» (com solo de Ross Dolan dos Immolation) e «Dimensional Modulation Transmography» são músicas que vos farão felizes de todas as vezes que as ouvirem. No lado mais, digamos, experimental, os crédito vão para a já mencionada dupla «Ohrwurm» e «When I Arrive», esta com direito a vocais limpos. Concluíndo, «Misled by Certainty» é um disco fortíssimo no que toca a grind/death, provavelmente do melhor material que vamos ouvir este ano nessa área. 8/10

Saturday, September 04, 2010

TARJA - «WHAT LIES BENEATH»

Deixemos desde já de lado o nome Nightwish, até porque enquanto não acontece uma reunião, mais vale atribuirmos os devidos créditos a Tarja Turunen que, para além da fabulosa cantora que é, acrescente-se dotes magníficos de compositora. Mantendo a ideia de que é ela que compõe as suas canções, claro. «What Lies Beneath» é um atestado de bom gosto por parte de Tarja, que no seu gothic metal sinfónico consegue dissimular as influências da sua banda anterior e dar aos fãs um conjunto satisfatório de músicas dinâmicas e cativantes como «Until My Last Breath» e «I Feel Immortal». Também temos músicas de gothic metal com riffs pesados como «Anteroom of Death», que abre o disco com a participação dos Van Canto, «Dark Star» e «Little Lies» ambas com riffs iniciais cheios de groove. O problema maior de «What Lies Beneath» é a falta de poder global do álbum. Isto é, as guitarras estão normalmente abafadas na produção só tendo algum destaque nas introduções de algumas canções ou no solo de Joe Satriani em «Falling Awake». É normal que sendo a protagonista, Tarja se destaque de tudo o resto, no entanto seria de esperar um álbum instrumentalmente mais elaborado e, acima de tudo, mais forte. Apesar disto, existem razões para acharmos que «What Lies Beneath» tem qualidades suficientes para se destacar da maioria dos lançamentos dentro do gothic metal. Basta ouvir «Falling Awake» e «Crimson Deep», os momentos mais altos do álbum, para concluírmos isso. 7,5/10

MAR DE GRISES - «STREAMS INWARDS»

Apanhados na febre do doom metal melódico que tomou de assalto o metal entre 2003 e 2004, e de onde saíram uns tais de Swallow the Sun, os Mar de Grises rapidamente tornaram-se numa firme aposta da Firebox, em grande parte a editora responsável por esse movimento doom. Posteriormente após 2 álbuns para a Firebox e e um EP para a Firedoom (subsidiária da Firebox) os chilenos deram um salto para a Season of Mist e apresentam-nos agora este «Streams Inwards». Um trabalho de doom melódico com alguns momentos interessantes dignos de um álbum dos seminais Mourning Beloveth ou mesmo dos Swalow the Sun, mas que fica bastante aquém do fantástico trabalho de estreia que foi «The Tatterdemalion Express». Em suma, o doom deste rapazes fica-se pela repetição ad aeternum de camadas de riffs e de vocalizações lamurientas que não aquecem nem arrefecem. Alguma coisa muda entretanto a meio do álbum «Sensing the New Orbit» e «Catatonic North», dois temas que fazem lembrar Opeth e Novembers Doom respectivamente, para depois voltarem ao marasmo de ideias nas faixas seguintes. Como grande apreciador de doom, parece-me que este «Streams Inwards» fica bastante aquém do esperado e faz pensar porque bandas como Inborn Suffering e The Fall of Every Season ou mesmo os nossos Why Angels Fall ainda não tiveram a mesma sorte. 5/10

DAGOBA - «POSEIDON»

Os franceses Dagoba lançam aqui o seu quarto longa duração mantendo a sua sonoridade baseada no death metal sueco, no groove e numa boa parcela de teclados e samplagem. Talvez por isso apareçam muitas vezes conotados como industrial groove metal. A verdade é que se atentarmos para temas como «Dead Lion Reef» e «Degree Zero», apercebemo-nos de que os Dagoba devem muito a Dark Tranquillity e In Flames. Por outro lado, nota-se que vários temas passaram pelo filtro do groove metal americano de uns Soulfly, como as duas faixas que finalizam o álbum, «There's Blood Offshore» e «Waves of Doom». Enquanto que «Black Smokers», «Columnae» e «The Devil's Triangule» vão buscar muito daquilo que os Killswitch Engage fazem. É certo que tanta mistura poderia resultar num álbum desconexo, o que de facto acontece quando passamos da fase mais mellow de «Shen Lung» para o groove pesadão de «I Sea Red», mas na sua generalidade o material presente em «Poseidon» acaba por encontrar na referenciação com outros projectos de qualidade, uma estranha forma de suplantar esse défice de inovação. É como pegarmos na nossas bandas de eleição e lhes dessemos o nosso cunho pessoal. «Poseidon» é no fim de contas uma proposta muito interessante para quem aprecia as bandas acima mencionadas. 7,6/10

SPIRITUAL BEGGARS - «RETURN TO ZERO»

Apollo Papathanasio (Firewind), Michael Amott (Carcass, Arch Enemy), Sharlee D'Angelo (Mercyful Fate, Witchery), Per Wiberg (Opeth) e Ludwig Witt (Shining). São cinco bons motivos para ouvir os Spiritual Beggars, banda de hard rock/stoner que vem cimentando um currículo invejável de discos bem sucedidos de onde se destacam os excelentes «Ad Astra» (2000) e «Demons» (2005). «Return to Zero» é o sétimo da carreira dos suecos e o que demorou mais tempo a ver a luz do dia, no total 5 anos. Gostaria, pelo respeito aos músicos envolvidos, de dizer que valeu a pena a espera, mas de facto, «Return to Zero» não é bomba que muitos esperariam. Que a sonoridade descomplexada do quinteto nunca foi propriamente séria, já toda a gente sabe. Contudo, «Return to Zero» soa desleixado, sem riffs hipnotizantes ou solos hábeis. Apesar da indiscutível qualidade dos músicos envolvidos, aqui isso não chegou para fazer deste álbum uma aquisição garantida. Até porque os Sahg fizeram isto no último álbum recentemente editado, com muito mais peso e pinta. 6,9/10

NIGHTFALL - «ASTRON BLACK AND THE THIRTY TYRANTS»

Quando se fala em metal oriundo da Grécia normalmente associa-se o país aos Rotting Christ, Septic Flesh e Nightfall (hoje em dia também os Firewind já conquistaram um lugar especial no que toca a metal grego). Contudo, ao contrário dos dois primeiros conjuntos, os Nightfall sempre foram os menos consensuais, muito por culpa das alterações sonoras operadas pela banda em finais da década de 90 (os Nightfall existem desde 1991), que fizeram da banda helénica um grupo de gothic metal, deixando de lado o black metal que tinha sido o som de raíz dos clássicos «Macabre Sunsets» (1993) e «Athenian Echoes» (1995). Já em 2004, a banda liderada pelo vocalista Efthimis Karadimas operou uma reviravolta na sonoridade do grupo voltando a adicionar o black metal e ritmos folk em «Lyssa: Rural Gods and Astonishing Punishments» embora sem o sucesso desejado. Os Nightfall entraram numa hibernação da qual só sobrou mesmo o vocalista da banda, tendo os restantes elementos saltado de um barco que, na verdade, já estava prestes a sucumbir por falta de ideias. «Astron Black and the Thirty Tyrants» não poderia aparecer na melhor altura. Os SepticFlesh gravaram recentemente o poderoso «Communion», os Rotting Christ editaram já este ano o fabuloso «Aealo» e os Firewind estão nos píncaros da fama e com um álbum prestes a ser lançado. O melhor é que este novo registo dos Nightfall merece bastante atenção por se tratar de um óptimo álbum de black metal melódico, com influências de gothic metal e folk. Oiçam «The Criterion» onde podem ouvir uma súmula de todo o álbum. Os teclados em evidência, os coros, as vocalizações black e gothic metal e o trémolo ocasional, fazem deste tema um óptimo cartão de visita para «Astron Black and the Thirty Tyrants». Podemos até traçar um paralelo entre este disco e o «Aealo» dos Rotting Christ. Enquanto que o «Aealo» é um disco mais imediato e centrado em riffs curtos e concisos, a proposta dos Nightfall é bem mais atmosférica e complexa, apesar de nenhum tema ultrapassar os 5 minutos de duração. «Asebeia» é um belíssimo exemplo e quanto a mim o ponto alto deste álbum, assim como «The Thirty Tyrants». Se apreciam black gothic metal com pitadas folk, muita atmosfera e complexidade este é o álbum certo para vocês. 8/10

BLACK LABEL SOCIETY - «ORDER OF THE BLACK»

«Order of the Black» é o primeiro álbum de Zakk Wylde depois deste ter abandonado Ozzy Osbourne para se dedicar mais à sua carreira a solo e aos seus Black Label Society. Ouvindo este álbum, percebe-se o porquê. Não é difícil perceber que com Ozzy, o exímio guitarrista/vocalista estava preso às funções de guitarrista e o seu input nas composições deveria ser diminuto apesar de ter moldado sonoramente todo os álbuns de Ozzy em que participou. »Order of the Black» por seu turno é a genialidade do músico norte-americano à solta o que nos faz perguntar porque raio andou este homem a fazer de secundário na banda de Ozzy Osbourne. É certo que era O Ozzy, mas este álbum prova que como compositor, Zakk Wylde tem um potencial fenomenal. Mesmo sendo o oitavo álbum de originais dos Black Label Society, «Order of the Black» é bem capaz de deter algum do melhor material de Wylde, quer ao nível dos riffs, solos e vocalizações e até dos teclados, que tão bem sabe tocar. Teclados utilizados normalmente nas baladas que em «Order of the Black» são nada menos do que 4! E qual delas a melhor. Entre «Darkest Days» e «Time Waits For No One» é quase impossível escolher, já as restantes são mais atmosféricas, boas, mas apesar de tudo ninguém sentiria falta delas se lá não estivessem. Das malhas mais pujantes e tipicamente Black Label Society, temos muito por onde escolher: «Overlord», «Crazy Horse», «Riders of the Damned» e a fenomenal «Godspeed Hellbound», são malhas de southern metal com uma produção cheia e orgânica, para ouvir com o volume no máximo e desejar que Zakk Wylde e companhia apareçam por cá muito em breve. 8,8/10

Friday, September 03, 2010

SAHG - «III»

Olhando para trás não há dúvida de que os Sahg conseguiram, através da estratégia de vender a banda como um aglomerado de nomes vindos de outras bandas mais conhecidas, um contrato discográfico. No entanto, hoje também não restam dúvidas de que o grupo tem sabido suplantar disco após disco todas as expectativas neles depositadas. Em «III» mais uma vez, os Sahg atiram-nos à cara um doom retro de primeiríssima qualidade, com aquele que é até ao momento o melhor material editado pelo grupo norueguês. A vontade de mostrar credenciais fica logo bem patente nas iniciais «Baptism of Fire» e »Mortify», dois temas up-tempo com riffs e refrões de chorar por mais. «Hollow Mountain» faz acalmar as coisas para um doom mais tradicional, mas mantém a fasquia a um nível elevadíssimo, assim como a faixa mais introspectiva de «III» e provavelmente o ponto alto do álbum, «Mother's Revenge». Já «Downward Spiral» é um momento de rock descomplexado assente na simplicidade que resulta muito bem. «Shadow Monument» e «Burden» são outros dos pontos altos de «III». Duas malhas entre Black Sabbath, Danzig e Trouble, influências omnipresentes durante todo o disco. «Denier» volta a dar velocidade embora fique um pouco aquém do restante material, ao contrário de «Spiritual Void» outro tema mais lento que finaliza o álbum num ambiente épico e emotivo. Concluíndo, ao terceiro álbum, os Sahg compuseram um verdadeiro colosso de doom/dark rock, daqueles que têm entrada garantida nas contas para os melhores do ano. 9/10

ACCEPT - «BLOOD OF THE NATIONS»

É estranho estar a ouvir um disco dos Accept sem o Udo na voz, mas o que é facto é que mesmo sem essa carismática personalidade nas suas fileiras, os germânicos não perderam a inspiração, compondo um magnífico sucessor para «Predator» de 1996. O que chama desde logo a atenção é o som poderoso e actual digno de qualquer álbum de Nevermore ou Exodus. Os exemplos não foram escolhidos por acaso. O produtor é Andy Sneap, nesta altura o melhor produtor de metal da actualidade, que confere a «Blood of the Nations» um som orgânico e bem definido, que só por si confere às músicas uma nota positiva. Depois temos a novidade na voz, Mark Tornillo, que se revela igualmente um sucessor digno de Udo. O melhor em Tornillo é que, não se trata de um clone do lendário Udo, mas da injecção de jovialidade que funciona da perfeição em temas como «Beat the Bastards», «The Abyss» e «New World Comin'». Sonoramente continuam como seria esperar, os mesmos Accept de sempre: entre o hard n' heavy dos Iron Maiden e o speed dos velhos Metallica, os Accept terão, se lhes derem uma chance, aqui uma oportunidade de ouro de se mostrarem em glória às novas gerações. 8/10

Thursday, September 02, 2010

SONIC SYNDICATE - «WE RULE THE NIGHT»

A minha grande preocupação em relação a este pedaço de esterco é que está a ser promovido pela Nuclear Blast como sendo metal. Penso nunca ter utilizado uma expressão tão agressiva para começar uma review, mas de facto de cada vez que lhe pego e oiço um riff que seja, dá-me vontade de dizer que, ao pé disto, o nu-metal era o paraíso. Não sou um ouvinte particularmente puritano, mas exijo não só qualidade como honestidade da banda e da sua editora para com um fã que paga caro um CD e quer desfrutar de 40 minutos de boa música. «We Rule the Night» começa por ser precisamente um álbum fabricado de ponta-a-ponta com vista o lucro fácil de um trend infeliz que assenta na imagem emo e na música que cruza Linkin Park e Tokio Hotel. Se existem colectivos que apesar de tudo, fazem isto com piada recorrendo ao metal, os Sonic Syndicate destroem todo o conceito de música pesada, cruzando-a com pop e emo, ficando apenas umas migalhas de metal salpicadas de vez em quando em riffs d-tuned e em vocais pseudo-agressivos, daqueles que até uma menina de 7 anos consegue reproduzir com mais convicção. O ponto alto (no mau sentido) desta miséria é mesmo o terrível single «My Own Life» que deve ser a pior coisa que ouvi nos últimos anos. Nem os Insane Clown Posse conseguem ser tão deprimentes como isto, nem mesmo uma qualquer banda do hilariante crabcore. «We Rule the Night» não tem qualquer piada. É um manifesto de desprezo contra todos os compositores que convocam as suas emoções para as suas músicas. É a ascensão total do metal fabricado em escritório e nas sessões fotográficas. É a antítese de música, pura e simplesmente. Tenham bom senso e evitem isto como se fosse a peste negra! 0/10
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