Thursday, October 28, 2010

KYLESA - «SPIRAL SHADOW»

Para os Kylesa não há dúvida de que estes dois anos deverão estar a recompensar seis de quase total anonimato. Afinal o que mudou nos Kylesa que os fez começar a receber tanta atenção parte da imprensa especializada? Na minha opinião, estão apenas no local certo à hora certa, dado que se atentarmos à sonoridade praticada em «To Walk a Middle Course» e «Time Will Fuse Its Worth», as diferenças para «Static Tensions» e «Spiral Shadow» são praticamente inexistentes. Também não diria que se trata exactamente de um hype, porque a banda americana já anda nestas andanças desde 2000 e o sludge metal começou a ter fama alguns anos mais tarde. Creio que na ânsia de se encontrar o next big thing, todos andam à procura de bandas com algum passado, para atribuir-lhes o mérito deste mundo e do outro. É verdade que «Static Tensions» é um óptimo disco, repleto de boas malhas de sludge metal, mas sempre acreditei que havia lugar para os Kylesa fazerem melhor. Bom, ouvindo agora «Spiral Shadow», torna-se claro que a banda não está interessada por enquanto em mudar a fórmula explorada nos anteriores discos. «Spiral Shadow» apenas se distancia de «Static Tensions» pela vertente mais progressiva que faz deste um trabalho menos catchy, mas que ganha dimensão após cada audição, principalmente a parte final do álbum. Mas uma coisa é certa, continuam a demonstrar elevados índices de experimentação («Crowded Road») que aliadas a uma atitude descomprometida («To Forget») fazem dos Kylesa uma certeza para o presente. Apesar disso, continuo a acreditar que o melhor desta banda ainda está para vir. 8,3/10

FORBIDDEN - «OMEGA WAVE»

Os Forbidden são um daqueles curiosos casos em que uma banda grava um excelente álbum de estreia, e passa o resto dos anos a viver à sombra desse sucesso. Isto apesar do sucessor de «Forbidden Evil» (1988) até ser um álbum bom, embora longe da qualidade daquele que é indiscutivelmente o grande clássico dos Forbidden. Outra razão para o facto destes californianos nunca terem chegado a nível de sucesso de uns Exodus, é que quando gravaram o segundo álbum em 1990, o thrash estava a ser ultrapassado pelo crescente interesse no grunge. Posteriormente, viriam a gravar dois álbuns em 1994 e 1997, não passando de álbuns de thrash medianos que não fizeram mossa na carreira do grupo, mas também não lhes trouxeram nada de novo. «Omega Wave» aparece agora numa leva de revivalismo que levou bandas entretanto desaparecidas ou moribundas a gravar novos álbuns. Desde dos Anvil, até aos Heathen passando pela revitalização dos Exodus e dos Overkill, são tudo bandas que têm aproveitado a onda do thrash para relançar as suas carreiras, uns com bons resultados, outros nem tanto. A julgar por «Omega Wave», este é daqueles regressos que se saúda. Trata-se de um álbum possante com uma produção cheia e poderosa, e uma dúzia de músicas entre o heavy/power metal americano de uns Cage e Nevermore (ouvir «Adapt or Die» e «Dragging my Casket») e o puro thrash de «Forsaken at the Gates» e «Immortal Wounds», não descurando a melodia na soberba «Hopenosis» e a influência de Testament em «Behind the Mask». «Omega Wave» deverá agradar a fãs novos e antigos que apreciem bom heavy/thrash com boas doses de técnica e melodia. 8,5/10

DEVIL IN ME - «THE END»

Terceiro álbum dos Devil In Me, banda que aposta num hardcore/punk com influências do famigerado metalcore, bem audíveis nas explosivas «Right My Wrongs» e «Beast». «The End» tem como trunfo um variado leque de influências que permite fãs de vários quadrantes apreciarem a música dos Devil In Me, inclusive apreciadores do chamado pós-rock/metal que encontrarão em «Push Twist and Turn» e «Doomsday» motivos suficientes para pelo menos ouvirem «The End» atentamente. Por outro lado, temos também músicas plenas em melodia com refrões orelhudos para quem goste de melo punk simples e directo como «Postponed» e «Crossroads». «The End» é um álbum excelente de príncipio ao fim, fácil de digerir, com boas canções e uma atitude descomplexada de quem não se coíbe de saír fora da sua zona de conforto para estender o raio de acção da banda. Um disco muito bom, que está já na minha lista de melhores nacionais de 2010. 8,2/10

KRIEG - «THE ISOLATIONIST»

Liderados com mão de ferro pelo vocalista Imperial desde 1995, os norte-americanos Krieg foram construíndo uma interessante reputação no seio dos admiradores de black metal feito nas terras do Tio Sam, apesar de por norma, as bandas deste género oriundas daquele país sejam cópias do movimento escandinavo. Os Krieg não fogem à regra. Black metal frio e negro, com riffs gélidos apoiados por ambientes de cortar à faca e blast beats desenfreados. O que diferencia os Krieg das restantes bandas de black metal americano, é que à medida que o tempo foi passando, a banda de Imperial foi adicionando melodia depressiva aos temas ao ponto de ter coisas como «All Paths to God», cujos dois minutos finais parecem saídos de um álbum dos Katatonia circa «Brave Murder Day»; e «Depakote» e «Blue Noon» que devem mais um BM depressivo de uns Shining do que aos Marduk. Apesar destas influências serem ouvidas a espaços e não em temas inteiros, permitem os Krieg manterem uma dose saudável de dinâmica e segurar o ouvinte durante a viagem de 55 minutos que prefaz «The Isolationist». Uma boa proposta para apreciadores de black metal simultaneamente agressivo, depressivo e variado. 7,3/10

DECAYED - «CHAOS UNDERGROUND»

A julgar pelo anúncio do último concerto, podemos também deduzir que «Chaos Underground» é o último álbum dos Decayed, uma das mais antigas bandas portuguesas, que esteve no activo durante nada menos do que 20 anos. É de facto um legado de respeito que conta oito álbuns de originais e um quase sem fim lançamentos entre ep's, demos, compilações e splits. Poucas bandas a nível mundial se podem orgulhar desta longevidade, apesar de sempre terem mantido um estatuto de puro underground entre os afectos ao black metal. Atenção, que falar de black metal aqui, não é trazer a legião nórdica à conversa, mas antes a primeira vaga do género, ou seja, Bathory, Venom, Celtic Frost e os primeiros trabalhos de Sodom. Os monstros sagrados são para aqui chamados, na influência directa que têm neste material de «Chaos Underground» que seria suficiente para prefazer dois álbuns. São ao todo dezassete músicas, entre as quais covers de Bathory e Mercyful Fate, uma intro e um instrumental que fecha o disco. Das restantes, pode-se dizer que a atitude old-school mantém-se inalterada, o som continua raw, flat e analógico (pelo menos parece), ou seja, os mesmos ingredientes que encontramos nos anteriores álbuns de Decayed. Pessoalmente continuo a preferir a fase «The Book of Darkness», mas as tendências punk dos últimos álbuns também têm o seu quê de charme maléfico. Destaco «Hail Sathanas», «Cry Wolf (The Pack)» e «Sacrifice of the New Born» como as grandes malhas de «Chaos Underground», o último álbum (esperemos que não) da uma banda mítica em Portugal e altamente respeitada no circuito internacional. 7/10

Wednesday, October 20, 2010

DAATH - «DAATH»

Os americanos Daath são um banda tudo menos consensual. Os seus três anteriores trabalhos sofrem de uma técnica e experimentalismo exacerbados, que resultaram em álbuns sofríveis do ponto de vista de quem procura música desafiante mas inteligente. Mas eis que ao quarto álbum os Daath resolveram dar um passo atrás e aparentemente respiraram bem fundo antes de se dedicarem a este álbum, porque ouvindo o resultado final, é fácil perceber que finalmente meteram as ideias em ordem, e souberam simultaneamente procurar ser mais comedidos e ambiciosos do que nunca. Parece à partida uma ordem de príncipios incompatíveis, mas o que temos aqui é um equilibrado conjunto de temas maioritariamente curtos entre o death metal sueco, o groove metal americano e o industrial, com recurso a solos soberbos e a vocais insanos de Sean Zatorsky. Sem serem excessivamente experimentais, os Daath encontraram a fórmula ideal para conseguirem equilibrar a necessidade de extravasar fronteiras e de ir ao encontro das expectativas de um fã de música, que não procura esquizofrenia, quanto muito um caos controlado à medida de uns Meshuggah. «Daath» comete a proeza de manter intacta a personalidade vanguardista do grupo, enquanto aproxima a música daqueles que podem ser potencialmente os seus fãs. Uma trip sonora (talvez um pouco longa demais) indispensável na vossa playlist nos próximos tempos. 8,4/10

AMBERIAN DAWN - «END OF EDEN»

O metal no feminino é um dos sub-géneros que mais popularidade adquiriu nos últimos anos, muito por culpa de bandas como Nightwish, Lacuna Coil, Arch Enemy, Within Temptation e Epica. Ao ponto de ser celebrar o movimento na Bélgica com um festival dedicado exclusivamente a female fronted metal. Os finlandeses Amberian Dawn surgem no meio deste turbilhão e tentam provar ao mundo a razão da sua existência com este terceiro álbum intitulado «End of Eden». O que temos aqui é power metal sinfónico com uma voz feminina que alterna o registo lírico de «Talisman» com um mais "grave" em «Blackbird». Os Amberian Dawn também apostam determinantemente em criar temas facilmente memoráveis como «Come Now Follow» e «Arctica», assim como não se furtam a explorar texturas mais complexas como em «Ghostly Echoes» e «War in Heaven». Os teclados assumem uma preponderância extrema, como de costume neste género de lançamentos, escolha que se revela desadequada a partir do momento em que sentimos que as guitarras e a bateria ficam abafadas, não só pelos teclados e violinos, como também pela voz de Heidi Parviainen. «End of Eden» tem tudo para agradar aos fãs de Epica e Nightwish: pomposidade sonora, uma terrífica vocalista e um imaginário gótico. Um target apetecível para as bandas actuais que fica algures entre o underground metálico e o mainstream. No que toca à música propriamente dita, «End of Eden» revela bom gosto, maturidade composicional e uma direcção musical de quem sabe bem o que quer. Para uma súmula oiçam a excelente «Field of Serpents». Isto tudo junto já vale qualquer coisa. 7,5/10

SYMPHORCE - «UNRESTRICTED»

«Unrestricted» marca o maior intervalo entre lançamentos dos Symphorce, sinónimo de que o aplaudido «Becoming Death» de 2007 foi bastante divulgado ao vivo e que provavelmente, este 7º álbum de originais não terá sido um parto fácil. Outrora reconhecidos pela faceta progressiva acentuada no seu power metal germânico de trejeitos americanos (pensem numa mistura de Nevermore com Mystic Prophecy e Brainstorm), o conjunto liderado pelo vocalista Andy B. Franck, está hoje bem menos vocacionado para o progressivo, tendo simplificado a fórmula usada em álbuns como «Sinctuary» (2000) e «Phorcefull Ahead» (2002). Sinónimo disso são os novos temas de «Unrestricted», bem mais aproximados do hard n' heavy clássico de uns Whitesnake ou daquilo que os Firewind hoje fazem. O hino «The Eternal» e «Until It's Over», os dois temas que abrem o álbum, são bem representativos da nova faceta dos Symphorce. O lado negativo é que «Unrestricted» faz passear os temas sem grandes consequências para o ouvinte, que aqui e ali, é presenteado com solos de fazer levantar da cadeira, mas no cômputo geral, trata-se de um álbum muito inofensivo, especialmente tendo em conta que foi a mesma banda que compôs o intenso «Becoming Death». 6,2/10

NEAERA - «FORGING THE ECLIPSE»

Tal como havia dito há um ano atrás, aquando da edição de «Omnicide», os Neaera são uma banda de melodic death metal que tentam sobreviver à razia resultante da queda de popularidade de um estilo que esteve em voga em meados da década, através das bandas suecas como In Flames e dos norte-americanos Killswitch Engage. Este grupo surge na segunda linha desta corrente ao lado de All That Remains e Mercenary, e continua com bastante regularidade a lançar discos de qualidade mediana, mas que pelos vistos satisfazem os seus fãs. «Forging the Eclipse» não é um disco pleno de originalidade e frescura, apenas tenta acrescentar visceralidade ao melodic death dos germânicos no trabalho vocal de Benjamin Hilleke, mas também não existem razões para que os seguidores deixem de gostar dos Neaera por causa destas 12 curtas canções. 6,5/10

Sunday, October 17, 2010

MACHINERGY - «RHYTHMOTION»

Os Machinergy são um trio de Arruda dos Vinhos que edita aqui o seu primeiro álbum pelos seus próprios meios, com mistura e masterização de Daniel Cardoso. «Rhythmotion» contém dez faixas de metal moderno com influências de vários quadrantes que tornam o seu som amplo e apelativo, com especial foco em refrões memoráveis. Para vos situar podemos dizer que os Machinergy ficam algures entre uns Sepultura, Meshuggah e Fear Factory. Os primeiros pela componente thrash que encontramos em «Innergy», os segundos no peso cirúrgico de «Rhythmotion» e os terceiros pelo death industrial da possante «Blakus». Existe ainda espaço para explorar terrenos experimentais como na interessantíssima «Godus» (com participação de Célia Ramos dos Mons Lunae) e em «Tirano», esta última com um travo a Ministry. Servem estas referências apenas para vos situar e abrir o apetite, porque felizmente os Machinergy souberam delinear um espaço próprio que merece bastante crédito, mesmo quando fogem um pouco ao contexto e carregam no acelerador, mostrando que existe lugar ao caos sonoro em «Incendiário». Ou se deixam levar pelo hard rock sujo sulista de uns Black Label Society na vibrante «Moneytrees». Em suma, um óptimo disco de estreia que mais uma vez prova a vitalidade do metal português. 8/10

Saturday, October 16, 2010

DAWNBRINGER - «NUCLEUS»

Os Dawnbringer estiveram arredados das edições desde 2006, quando «In Sickness and in Dreams» foi lançado. Já na altura a banda norte-americana apelidada como sendo de culto, demarcava-se pela variedade do seu material, indo buscar influências a todo e qualquer género de metal para servir os seus intentos. O problema é que nos anteriores álbuns, da teoria para a prática, a coisa dava sempre para o torto e as músicas acabavam por soar bastante dispersas umas das outras. Entretanto pescados pela Profound Lore que apoiou a composição de «Nucleus», este é um álbum que por fim deverá carregar os Dawnbringer ao lugar de destaque que merecem. É acima de tudo e tal como sempre bastante variado, entre o heavy metal clássico dos Iron Maiden e da NWOBHM em «Swing Hard» e «So Much For Sleep» com os seus brilhantes solos, a Bay Area Thrash em «The Devil», a atitude black punk dos Venom em «All I See», a delicadeza genial de «Cataract» e até de Cathedral em «Old Wizard». Tudo sempre interpretado de forma a sabermos exactamente quem está a tocar. O melhor momento está porém em «Like an Earthquake», que começa com uma batida doom e desenvolve para algo bem aproximado de Alice in Chains. «Nucleus» é um álbum que, não obstante de vocalmente ser soberbo, é sem dúvida guitar oriented, com riffs memoráveis e solos de chorar por mais. O feeling old-school está todo lá, a produção super orgânica também e a sensibilidade para compôr verdadeiras canções idem. Uma receita que se traduz num trabalho que estará de certeza no top dos melhores do ano. 9,5/10

ALLEN/LANDE - «THE SHOWDOWN»

Terceiro álbum para esta dupla de super talentos, Russell Allen e Jorn Lande, editam aqui mais um conjunto de canções com especial enfâse no hard rock e heavy metal clássico. Canções simples e directas, com estruturas clássicas (verso-refrão-verso-refrão-solo-refrão), e totalmente apoiadas nas vozes das atracções do disco: Allen/Lande. Porém, «The Showdown» raramente desperta a inteira atenção do ouvinte (a excepção é feita para temas como «Judgement Day» e «Copernicus»), muito por culpa da composição ligeira, que faz com que tudo soe a dejá-vù de algo que já ouvimos anteriormente, nos álbuns a solo de Jorn Lande ou mesmo nos anteriores disco da dupla de vocalistas que estão sem dúvida entre os melhores da actualidade no que toca a metal melódico. «The Showdown» é um disco descomprometido de bom rock, sem grande impacto na cena, mas excelente para ter no carro ou para ouvir nos fones. 7/10

BIOLENCE - «MELODIC THRASHING MAYHEM»

«Melodic Thrashing Mayhem» é o sugestivo título do EP de estreia dos Biolence, banda sediada em Vila Nova de Gaia, que se deu a conhecer ao mundo através da demo auto intitulada de 2004. O nome dado ao EP acaba por ser bem explicativo daquilo que os Biolence de hoje nos oferecem: death/thrash/viking metal com saudáveis doses de melodia e vocais variados entre o death e o black metal. As mais valias de «Melodic Thrashing Mayhem» são a dinâmica composicional que lhes permite fazer temas relativamente longos com estruturas variadas sem perderem o sentido de canção, como em por exemplo, «Pure». O outro trunfo é que se trata de um álbum bastante orientado para as guitarras, aspecto que não abunda nas bandas de metal da actualidade. Os riffs à Amon Amarth de «Land and Freedom» e na épica «Blood of the Gods», e os excelentes solos de «Biolence» são bem demonstrativos do peso das guitarras neste trabalho. Pena que a banda tenha optado por lançar apenas um EP, porque tendo praticamente 30 minutos, talvez fosse mais interessante lançá-lo com mais um tema, em formato full-length. Mas não deixem, claro, de ouvir os Biolence e este excelente registo que está entre o melhor produto nacional de 2010. 8,2/10

THE CROWN - «DOOMSDAY KING»

Sete anos depois do último álbum, «Possessed 13», os suecos The Crown regressam com um álbum que propõe uma mistura de death metal típico de Gotemburgo e o thrash metal de uns Slayer. A mistura não é nova, e os The Crown já fizeram bastante melhor nos primeiros três álbuns da sua carreira. «Doomsday King» é por isso um álbum que apenas recria a fórmula que os The Crown têm utilizado, a diferença está na qualidade das canções. Enquanto que se pegarmos num «Deathrace King» todas as malhas são orelhudas e imediatos clássicos, já em «Doomsday King» o melhor que temos são canções medianas como a thrasy «Angel Of Death 1839», a aproximação ao doom em «The Tempter And The Bible Black» e aquele que é o melhor momento do álbum, «Soul Slasher». Mesmo não sendo um álbum de deitar fora, até porque chega a ser inclusivamente mais interessante do que «Possessed 13», «Doomsday King» não parece ser suficiente bom para dar aos The Crown a relevância que estes tinham entre 1998, quando ainda se chamavam Crown of Thorns, e 2002. 6,7/10

Wednesday, October 13, 2010

MELECHESH - «THE EPIGENESIS»

Quem acompanhou a evolução dos Melechesh não se deve admirar pela atenção que hoje o grupo de Ashmedi recebe, que apenas peca por tardia. Acusados inicialmente de se colarem aos Absu e ao sucesso dos Nile, a banda israelita não precisou de muito tempo para atirar com o potente álbum chamado «Djinn» que os celebrou como percursores do black/death metal com influências do folk árabe. Ainda mais quando em 2006, o mundo assistiu à edição do excelente «Emissaries», um álbum onde os Melechesh se mostravam mais black metal e com rasgos thrash, num álbum que rapidamente se tornou no pináculo da carreira do grupo. Foram então precisos quatro anos para que fosse composto o sucessor, «The Epigenesis». Neste álbum, os Melechesh refreiam a vertente thrash e substituem-na pela necessidade de tornar os temas mais detalhados e épicos. Como consequência, «The Epigenesis» é um álbum menos imediato e menos agressivo do que qualquer um dos anteriores. À parte de «Defeating the Giants» e numa ou outra passagem noutro tema, o álbum é parco em rapidez, por isso quem vier à procura de temas como «Rebirth of the Nemesis» e «Of Mercury and Mercury» poderá ficar um pouco desiludido. Contudo, para bem de Ashmedi e dos Melechesh, os temas podem ser mais lentos e atmosféricos, mas continuam ricos e empolgantes. Desde logo as pujantes «Ghouls of Nineveh» e «Grand Gathas of Baal Sin» que abrem o disco com chave de ouro. Depois temos ainda uma brilhante incursão pelos domínios do doom com «Mystics of the Pillar», onde os Melechesh jogam toda a sua capacidade de fusão étnica com música obscura. «The Epigenesis» pode até não ser tão brutal quanto «Emissaries», mas possui claramente a marca de qualidade dos Melechesh, e está no mínimo à altura de um «Sphnyx». Manter este nível ao longo de cinco álbuns não é para todos. 7,9/10

INTRONAUT - «VALLEY OF SMOKE»

Quando os Intronaut começaram a dar que falar, por altura do EP «Null» em 2006, o comboio do post-metal já estava em andamento e bandas como os Cult of Luna, Red Sparowes e The Ocean seguiam na pole position para ocupar a vaga dos Neurosis quando estes se reformassem. Isso não impediu os californianos de lançarem um potente álbum como «Void» e acercarem-se de uma posição de destaque quando se fala de post-metal ou pós-hardcore. «Prehistoricisms» de 2008 confirmou os Intronaut como colectivo a seguir com atenção e eis que finalmente todo o potencial destes americanos é libertado num álbum que apenas peca pela ausência de um ou outro tema mais catchy, embora dentro das 8 faixas que compõem «Valley of Smoke», se encontrem estruturas dignas de um disco pop, tal a sensibilidade melódica para os refrões (ouvir por exemplo, «Sunderance», «Core Relations» e «Above»). Mais do que uma banda de pós-qualquer coisa, os Intronaut apostam sobretudo numa forte componente progressiva com passagens que tanto podiam estar num disco de Tool (curiosamente Justin Chancellor é convidado de honra dos Intronaut) como num álbum de Pink Floyd ou de Atheist. Oiçam o excelente tema título para atestarem toda a diversidade musical dos Intronaut. «Valley of Smoke» é a evolução natural desde «Null» e apresenta uns Intronaut mais interessados em dar amplitude ao seu som do que em explorar o filão do post-metal indefinidamente. Uma escolha acertadissima, tanto mais que a fórmula permitiu-lhes comporem o seu melhor trabalho até à data. 8,7/10

THE SECRET - «SOLVE ET COAGULA»

Os italianos (ou anti-italianos como uma das faixas nos diz) The Secret lançam aqui o terceiro álbum em que descarregam uma dose de raiva e agressividade com pouco paralelo nos dias que correm. Entre o black metal, o crust e o grindcore, com uma produção que parece vinda de um disco de sludge, as doze faixas variam entre a velocidade desenfreada de «Pleasure in Self Destruction» e o balanço poderoso de «Weatherman», com o vocalista Marco Coslovich a destilar ódio a cada sílaba. Editado pelo selo de culto Southern Lord e produzido por Kurt Ballou (Converge, Trap Them e Cursed), «Solve et Coagula» parece um trabalho dos Fukpig, embora com menos influência de Napalm Death e uma produção mil vezes mais flat e black metalizada. Forte e difícil de digerir, ideal para quem aprecia música extrema. O sludge doom drone colossal de «Bell of Urgency» é uma das melhores músicas que ouvi este ano. 8,5/10

UNSUN - «CLINIC FOR DOLLS»

«Clinic for Dolls» é o segundo álbum dos polacos UnSun, banda formada por Mauser, que cansado do death metal dos Vader, resolveu formar a sua própria banda com a opção comercial bem vincada no gothic metal orelhudo, que «The End of Life» bem demonstrou. Contudo, esse primeiro álbum esteve longe de proporcionar algo de novo a um género que encontra nos Nightwish o actual expoente máximo. Os UnSun por seu turno optam por uma sonoridade mais moderna e menos floreada, mais consentânea com uns Lacuna Coil e Sirenia. O potencial comercial dos UnSun é notável e é isso que bem ressalta deste «Clinic for Dolls». A produção destaca a voz de Aya, e faz dos instrumentos um barulho de fundo que raramente se traduz numa parede sonora suficientemente capaz de dar às músicas a força necessária. Isto é, parece que a produção castra o peso, mantendo apenas o essencial para que a tal conotação com o gothic metal seja possível. Esta aparente "vergonha" de dar peso ao álbum fá-lo soar demasiado frio e mecânico. E é pena, porque canções como «The Lost Way», «Time» e «The Last Tear» mereciam de facto melhor sorte e sobretudo mais sentimento na interpretação, em vez de um som tão "clínico". 6/10

Friday, October 08, 2010

ATLANTEAN KODEX - «THE GOLDEN BOUGH»

Prometem ser uma das revelações de 2010, os germânicos Atlantean Kodex que apresentam o seu primeiro longa duração intitulado «The Golden Bough», depois de se estrearem com dois EPs em 2007 e 2008, e um álbum ao vivo em 2009. A editora Cruz del Sur foi buscá-los para as suas fileiras e em boa hora. «The Golden Bough» é um álbum de heavy metal épico com algum doom clássico à mistura. As duas primeiras faixas são representativas daquilo que os Atlantean Kodex têm para oferecer: vozes limpas (pensem Doomsword e While Heaven Wept), riffs arrastados e antémicos (pensem nos álbuns épicos de Bathory), e uma secção rítmica simples mas poderosa. Como referências temos um vasto leque de bandas que podem ter a ver com a criação dos Atlantean Kodex. Desde logo Candlemass e Solstice, passando por Manowar antigo, Lost Horizon e as duas bandas referidas anteriormente, Doomsword e While Heaven Wept. «The Golden Bough» deverá fazer-vos sentir o espírito do heavy metal feito com alma e coração, sem truques de um estúdio digital (a produção parece inclusivamente ser analógica), como os próprios fazem questão de propagar. Uma banda sonora de escapismo com uma qualidade e sentimento assinaláveis. 8/10

HAIL OF BULLETS - «ON DIVINE WINDS»

Segundo álbum dos deathsters holandeses Hail of Bullets, banda que fez tremendo furor em 2008, com o álbum de estreia «...Of Frost and War». A temática bélica continua a ser o pano de fundo da música, aqui em destaque a Segunda Guerra Mundial e as ofensivas contra o Japão depois do ataque a Pearl Harbor. Musicalmente «On Divine Winds» não difere muito de «...Of Frost and War», apenas possui mais momentos doom dentro dos temas como em «Full Scale War» e «Operation Z». As influências de Autopsy e Bolthrower (ouvir respectivamente «Tokyo Napalm Holocaust» e «On Choral Shores») continuam a ser primordiais para se degustar um álbum de tão refinado death metal, que não precisa de estar sempre a alta velocidade para soar brutal. A demolição protagonizada pelos poderosos riffs de «The Mukden Incident» e «Guadalcanal» atestam-no. Na minha opinião, uns valentes furos acima de «...Of Frost and War», «On Divine Winds» é um excelente álbum para apreciadores de vintage death metal, apenas peca por ter direito a poucos solos. Não obstante: deliciosamente old-school! 8,9/10

HELLBEARD - «SCARECROW»

Não existe muita informação acerca dos californianos Hellbeard. Apenas a que a banda disponibiliza na sua página no MySpace que não chega para saber se «Scarecrow» é o primeiro álbum da banda ou não. Supondo que sim, até porque no perfil está a informação de que não têm editora, é caso para se ficar consideravelmente admirado não só com a produção super profissional, assim como com a qualidade que «Scarecrow» demonstra. A sonoridade que praticam é um sludge atmosférico e pós-hardcore em que Neurosis e EyeHateGod (ouvir a faixa título por exemplo) são óbvias influências, assim como o experimentalismo de uns Godflesh (ouvir «Inblackend»). Os Hellbeard são mais uma banda que dispensa a imagética bonitinha dos projectos sludge da moda em detrimento de uma roupagem mais suja e descomprometida. Existem temas mais directos como «Southern Love» e outros mais ambientais como «Devil's Nest». Apesar de estar repleto de diversos clichés do género, «Scarecrow» representa uma audição bastante agradável e variada, que manter-vos-á entretidos durante muito tempo. Não se admirem se a curto prazo começarem a ouvir falar dos Hellbeard. 7,6/10

Thursday, October 07, 2010

BLACK SUN - «TWILIGHT OF THE GODS»

Pode não ser o mais original título para dar a um disco, mas «Twilight of the Gods» acaba por suplantar em larga escala aquilo que se esperaria dos Black Sun. Não sendo propriamente uns novatos nestas coisas do sludge/doom a banda britânica até nem é das mais conhecidas dentro do estilo, muito por optar por se encostar mais ao experimentalismo (ouvir «Tabula Rasa» por exemplo) e ao rock sulista do que ao sludge progressivo tão em voga nos dias que correm. «Twilight of the Gods» é um disco de sludge para homens de barba rija. Daquele tipo de música que dá vontade de bater em alguém só de estarmos a ouvir e por pouco não nos mete numa ambulância em direcção ao Júlio de Matos com uma depressão nervosa. Só mesmo num álbum destes se podem ouvir coisas violentas como «Code Black», «Gethesemane» e «Tabula Rasa» (nesta nota-se a mãozinha de Godflesh) e de repente passarmos para momentos sublimes em melodia como «Transcending the Mire» e «Baby Don't Cry» que trazem à memória algo como Soundgarden, Faith no More e Alice in Chains. A par dos álbuns de Thou, High on Fire e The Flight of Sleipnir, «Twilight of the Gods» tem lugar cativo para quando se falar dos melhores álbuns de sludge de 2010. 8,5/10

BRING ME THE HORIZON - «THERE IS A HELL BELIEVE ME I'VE SEEN IT. THERE IS A HEAVEN LET'S KEEP IT A SECRET»

Surgidos da febre do metalcore os britânicos Bring me the Horizon destacam-se pela versatilidade da sua sonoridade ao incluirem diversas experimentações que conferem aos seus álbuns uma enorme e saudável imprevisibilidade. O terceiro álbum da banda, sugestivamente intitulado «There is a Hell Believe Me I've Seen It. There is a Heaven Let's Keep It a Secret», refrão da faixa de abertura, não foge à regra. Desde das nuances electrónicas de «Crucify Me» com participação de Lights Valerie Poxleitner, cantora canadiana de música experimental, até ao cunho de Cult of Luna em «It Never Ends», passando pela dicotomia dos riffs cirúrgicos meshugganianos e melodia vincada de «Fuck», este é um álbum pleno de variedade e arrojo, confirmando os Bring me the Horizon com um dos melhores e mais imaginativos grupos de metalcore da actualidade. As arrepiantes «Don't Go» e «Blacklist» que explicam aos Linkin Park o que deviam ter feito depois do «Hybrid Theory», a agressiva «Alligator Blood» e a antémica «Blessed With a Curse» não deixam dúvidas que este álbum pode bem ser daqui por uns anos considerado um marco na história do metalcore. Admirável. 9/10

Tuesday, October 05, 2010

HALFORD - «MADE OF METAL»

Se contarmos com o kitsch «Winter Songs» lançado no final do ano passado, «Made of Metal é o quarto álbum a solo do metal god, o senhor Rob Halford, vocalista dos lendários Judas Priest. «Made of Metal» é um conjunto decente de canções entre o heavy metal declaradamente americano e um motorcycle rock das quais os ZZ Top se orgulhariam de ter na sua discografia. O problema maior de «Made of Metal» é que é um disco que dificilmente pode ser levado a sério, pela capa à Daytona que parece ter sido feita em Paint até às próprias músicas, algumas de uma infantilidade gritante, como por exemplo «Undisputed» que clama «he's the undisputed heavyweight champion of the World". Longe vão os tempos do excelente «Resurrection», este é um disco apenas para os obcecados pelo Halford e Judas Priest. 5/10

MUSHROOMHEAD - «BEAUTIFUL STORIES FOR UGLY CHILDREN»

Na senda do sucesso dos mascarados Slipknot, os Mushroomhead também apostam num metal cheio de groove e muito ódio, como na introdutória «Come On» em que o vocalista pergunta se queremos mesmo metermo-nos com ele esta noite. A julgar pela generalidade do material de «Beautiful Stories for Ugly Children» diria que sim, quanto mais não seja para lhe dizer que musicalmente os Mushroomhead não são muito inspirados no que toca a fazer música, apesar de até terem uma canção neste álbum chamada «Inspiration». O problema maior é que olhando para a imagem dos Mushroomhead a música parece ser demasiado inofensiva e na maior parte das vezes colada à sonoridade de uns Disturbed e Nickelback para surtir o efeito desejado, mesmo quando a banda tenta experimentar como em «Burn the Bridge», saíndo o tiro ao lado. Curiosamente a melhor faixa deste álbum é a melancólica «Holes in the Void», que continua por um lado a ser demasiado soft para aquilo que os Mushroomhead mostram, por outro é uma excelente canção que relembra Marilyn Manson dos tempos do «Holy Wood». 5,4/10

BLACK ANVIL - «TRIUMVIRATE»

Lançado pela Relapse, «Triumvirate» é o segundo álbum dos norte-americanos Black Anvil. Um black thrash metal com esporádicos momentos doom, como na segunda metade de «What is Life if Not Now!». Mas é sobretudo um dos grandes álbuns de 2010. Num misto de Celtic Frost com Dissection, os Black Anvil criaram um monstro de proporções épicas, que vindo de uma banda que anteriormente tinha gravado um álbum banal como «Time Insults the Mind» (2008), se revela uma agradável surpresa. «Dead and Left» é uma das malhas mais brutais deste álbum e resume muito do que aqui se pode ouvir: vocais demoníacos, guitarras secas que alternam riffs rápidos thrashado e a mid-tempo épicos e uma bateria demolidora sem recorrer aos corriqueiros blastbeats da moda. Tudo isto acompanhado de uma atmosfera negra e podre digna de um álbum de Usurper ou de Watain. Todas as músicas de «Triumvirate» fazem-se acompanhar de uma faceta catchy, surpreendente neste género de música e ainda mais nos dias que correm. A venenosa «Scalping» e a incrível «With Transparent Blood» são os melhores exemplos disso mesmo. «Triumvirate» é um soberbo álbum para quem aprecia black, death, doom e thrash metal. Uma bíblia de riffs maléficos e de atmosfera inigualável. Sem dúvida das melhores coisas que vamos ouvir em 2010. 9/10

GRAVE DIGGER - «THE CLANS WILL RISE AGAIN»

Existem actualmente poucas bandas com tanta longevidade como os Grave Digger e que continuam com tão alta produtividade como a banda alemã. «The Clans Will Rise Again» surge um ano após o excelente «Ballads of a Hangman» e mesmo não sendo a bomba que o álbum de 2009 foi, mostra que os Grave Digger e especialmente Chris Boltendahl estão com a inspiração em alta. Com os malhões «Paid in Blood», «Hammer of the Scots» e «Highland Farewell» a abrir é díficl desde logo dar uma nota negativa a este álbum. Mas como é óbvio um disco não se faz de três ou quatro músicas e este «The Clans Will Rise Again» é pleno em momentos mornos, sobretudo a partir de «Rebels» (6ª faixa) em diante. Tratado pela banda como uma sequela de «Tunes of War» (1996), embora não sendo sobre a história da Escócia, mas antes sobre o misticismo do pais e das suas gentes, é difícil exigir aos Grave Digger um melhor álbum do que este ao 14º de originais. É competente, tem grandes malhas, outras menos boas e não subverte a identidade bem vincada do grupo alemão. Alguém lhes pede mais do que isto? 7,3/10
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...