Ao longo dos anos que precederam «The Linear Scaffold», o trajecto dos Solefald tem sido feito à margem das restantes bandas noruegueses, fruto da originalidade que empregam nos seus álbuns, mesmo nos mais recentes e "conservadores" «Red for Fire» e «Black for Death». Em «Norron Livskunst» a banda norueguesa dá asas à imaginação e compõe um conjunto de temas verdadeiramente memorável pela excentricidade inerente a coisas como «Tittentattenteksti» e «Stridsljod/Blackabilly». Mas convenhamos que excentricidade não faz necessáriamente excelente música. Ninguém pode negar que vocalmente, «Norron Livskunst» é dos álbuns mais avantgarde alguma vez lançados no espectro do black metal e isso merece por si só uma nota altíssima, porém, ao nível instrumental não existe aqui nada de absolutamente extraordinário, excepção feita à semi-baladesca «Eucalyptustreet». Curiosamente parece-me que os Solefald conseguem ser mais efectivos quando adicionam a sua parcela (grande) de excentricidade aos temas black metal mais, digamos, normais. Nomeadamente em «Hugferdi» e «Raudedauden», esta sim com uma linha de baixo particularmente empolgante e solos admiráveis. Poderá estar aqui eventualmente um álbum que pode gerar uma vasta legião de novo fãs aos Solefald, que merecem pela excelente discografia de que dispõem, mas de facto «Norron Livskunst» não deixa de ser um álbum de exageros, com pontuais momentos de génio. 8,1/10Wednesday, November 24, 2010
SOLEFALD - «NORRON LIVSKUNST»
Ao longo dos anos que precederam «The Linear Scaffold», o trajecto dos Solefald tem sido feito à margem das restantes bandas noruegueses, fruto da originalidade que empregam nos seus álbuns, mesmo nos mais recentes e "conservadores" «Red for Fire» e «Black for Death». Em «Norron Livskunst» a banda norueguesa dá asas à imaginação e compõe um conjunto de temas verdadeiramente memorável pela excentricidade inerente a coisas como «Tittentattenteksti» e «Stridsljod/Blackabilly». Mas convenhamos que excentricidade não faz necessáriamente excelente música. Ninguém pode negar que vocalmente, «Norron Livskunst» é dos álbuns mais avantgarde alguma vez lançados no espectro do black metal e isso merece por si só uma nota altíssima, porém, ao nível instrumental não existe aqui nada de absolutamente extraordinário, excepção feita à semi-baladesca «Eucalyptustreet». Curiosamente parece-me que os Solefald conseguem ser mais efectivos quando adicionam a sua parcela (grande) de excentricidade aos temas black metal mais, digamos, normais. Nomeadamente em «Hugferdi» e «Raudedauden», esta sim com uma linha de baixo particularmente empolgante e solos admiráveis. Poderá estar aqui eventualmente um álbum que pode gerar uma vasta legião de novo fãs aos Solefald, que merecem pela excelente discografia de que dispõem, mas de facto «Norron Livskunst» não deixa de ser um álbum de exageros, com pontuais momentos de génio. 8,1/10
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IMPALED NAZARENE - «ROAD TO THE OCTAGON»
Por vezes é preciso levar com uma descarga de metal violento para nos fazer regressar aquele estado emocional de quando ouvimos death ou black metal pela primeira vez. Isto não deixa de fazer sentido, ainda mais numa altura é que se cultiva cada vez mais a ideia de que o metal deve ser ultra-refinado e os temas têm de ter 10 minutos de duração. Os Impaled Nazarene são a antítese disso. São puro ódio em forma de músicas curtas, directas ao assunto e sem floreados. Afinal estamos a falar de black metal com forte dose de punk, como a "nazarena impalada" anda a debitar há mais de uma década. «Road to the Octagon» apenas falha no artwork meio reles, porque de resto remete para os tempos do metal austrolopitecus, num ataque sem concessões de trezes faixas em que se destacam «Under Attack», «The Plan», «Enlightnement Process» e o incontornável tema "goat", «Cult of the Goat». Se gostam de punk black metal straight to the point, «Road to the Octagon» será definitivamente do vosso agrado. 8,3/10
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GOD DETHRONED - «UNDER THE SIGN OF THE IRON CROSS»
Se atentarmos à discografia mais recente dos holandeses God Dethroned, é possível verificar que a partir de «Into the Lungs of Hell» o grupo iniciou uma espécie de semi-revolução no seu som, dando oportunidade a temas mais variados e a vocais limpos, que terão dado a muita gente urticária no momento exacto da audição. É verdade que esta dinâmica composicional trouxe aos God Dethroned uma saudável lufada de fresco, como deu aos Marduk a partir do excelente «Plague Angel». Nos álbuns seguintes, e em «Lair of the White Worm» principalmente, fomos brindado com o apogeu dessa decisão, já experimentada com relativo sucesso em «Into the Lungs of Hell» e com menos bons resultados em «The Toxic Touch». «Passiondale» trouxe de volta uma maior vontade, inconsequente, de retomar o trilho da agressividade, porém, nada como este «Under the Sign of the Iron Cross». A temática bélica é um belíssimo pano de fundo para este álbum que fustiga o ouvinte com um som poderoso (a produção está fantástica) pleno em momentos de feroz headbanging, como no clássico instantâneo «The Killing is Faceless» e nas brutais «Under the Sign of the Iron Cross» e «Chaos Reigns at Dawn». As vozes limpas fazem uma curta aparição em alguns temas, mas não chegam para desempenhar um papel fundamental nas canções. «Under the Sign of the Iron Cross» é o «Panzer Division Marduk» dos God Dethroned. Um disco violento que não descura a atmosfera e se revela fundamental para qualquer apreciador de death metal. 8,8/10HATE - «EREBOS»
Os polacos Hate não escondem uma certa admiração aos conterrâneos Behemoth e, mais uma vez, isso nota-se num álbum de originais da banda. Outrora quase focada em blastbeats e na pura agressividade na maior parte das vezes sem nexo, os seus álbuns sobreviviam graças à uma personalidade muito própria do brutal death metal polaco. Basta ouvir não só os Hate e Behemoth, como os Vader e Decapitated. Apesar de haver diferenças entre todas, cultivam uma intrigante aproximação nomeadamente no trabalho de guitarras. «Erebos» não só é nesse aspecto parecido a Behemoth como também a nível vocal se nota uma clara influência de Nergal. Apesar disso «Erebos» não é um disco de se deitar fora. Contém diversos momentos dinâmicos e potentes como «Lux Aeterna» e a faixa título que abrem o álbum com chave de ouro. Porém com o desfile das música, «Erebos» começa a tornar-se monótono e parco em ideias, algo relativamente comum nos actuais álbuns de death metal, basta para isso relembrar os recentes álbuns de Kataklysm e Decrepit Birth, não obstante, dois álbuns globalmente positivos como também é este «Erebos». 6,5/10PLACE OF SKULLS - «AS A DOG RETURNS»
De regresso com o seu retro doom, os Place of Skulls mesmo tendo ligação ao lendário Wino (Saint Vitus, Shrinebulider) nunca foram além do culto reduzido aos acérrimos fãs das sonoridades mais depressivas. Neste «As a Dog Returns» (estranho título diga-se) a banda novamente deriva liricamente para as letras assumidamente religiosas de pendor cristão, em que literalmente prega a palavra, principalmente em «Though He Slay Me» e em «He's God». Musicalmente estamos perante um álbum que alterna entre os riffs pesados de «The Maker» e a melodia rock sulista em «Psalm». É aliás nesta última sonoridade que este álbum mais se baseia, porque ouvindo «As a Dog Returns» não encontramos muito metal, mas antes rock melódico, repleto de acústicos e percurssão hillbilly. Um pouco como os Pentagram faziam, e que davam mais azo ao rock do que ao peso do metal propriamente dito. Para quem aprecia melo christian doom, este é um álbum a ter em conta. 6/10
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Wednesday, November 17, 2010
VIRGIN STEELE - «THE BLACK LIGHT BACCHANALIA»
Arredados dos lançamentos desde 2006, os Virgin Steele regressam com mais um álbum conceptual intitulado «The Black Light Bacchanalia», onde dão continuidade ao metal melódico, progressivo e sinfónico que têm vindo a fazer há mais de vinte anos. E com clássicos como «Invictus» e o díptico «The Marriage of Heaven & Hell» na carteira não é de esperar outra coisa de David DeFeis e companhia a não ser material de qualidade. É verdade que este tipo de sonoridade, ainda mais com os vocais retro de DeFeis, não é propriamente famosa actualmente, no entanto perante pérolas como «By the Hammer of Zeus (And the Wrecking Ball of Thor)», «Pagan Heart» e «The Orpheus Taboo», é muito dificil qualquer pessoa ficar indiferente. Seja pela já falada voz de David DeFeis ou pela melodia épica e clássica deste material , os Virgin Steele fizeram aqui um disco que não deve passar ao lado de fãs recentes de bom heavy/power metal. Até para perceberem onde bandas como Rhapsody of Fire e Symphony X foram buscar influência. É certo que o álbum pode até ter bastantes minutos a mais, nomeadamente nos excessos cometidos em «To Crown Them With Halos» (que até tem um dos melhores refrões do álbum), «Necropolis (He Answers Them With Death)» e «Eternal Regret», mas isso não impede que na globalidade «The Black Light Bacchanalia» seja um registo vencedor. 8/10
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SARGEIST - «LET THE DEVIL IN»
Quando os Sargeist iniciaram actividades há 11 anos atrás, o black metal vivia num clima de saturação resultante da invasão de bandas praticantes que levaram o género a implodir sob si próprio e de onde apenas os ícones dos 90's se salvaram, tendo, na maior parte dos casos, acabado por enveredar por caminhos que pouco tinham em comum com o black metal que se fazia em 1993/1994. De repente estou a recordar-me de Satyricon, Dimmu Borgir e Mayhem. É óbvio que o retro black metal nunca desapareceu mas foi visto durante os anos seguintes com desconfiança. Afinal, que interesse tinham bandas que se limitavam a recriar uma sonoridade da qual os próprios pioneiros começavam a deserdar? É pois curioso verificar o crescente interesse no retro black metal nos últimos 2/3 anos, muito por culpa da revitalização do género por parte dos movimentos alemão e francês, mesmo apesar do black metal crú nunca ter deixado de manter grandes referências como Carpathian Forest e Marduk. Os finlandeses Sargeist podem bem queixar-se de não terem tido um grande reconhecimento devido a essa desconfiança com que o black metal era visto, mas nunca deixaram de ir fomentando o movimento com álbuns mais ou menos competentes. É por estas razões que ouvir «Let the Devil In» dá um gozo extraordinário. É como se Shatraug e companhia se tivessem apercebido que existe uma nova legião de potenciais fãs a converter e se empenhassem em gravar um álbum que recria verdadeiramente o espírito trve cvlt. Este (apenas) terceiro álbum dos Sargeist é como que uma colecção de temas desenterrados de uma cápsula do tempo que Shatraug terá escondido algures nos anos 90, para voltar agora a dar-lhes corpo e voz. Mesmo sendo essencialmente um exercício de puro dejá-vù, «Let the Devil In» é sem dúvida um dos grandes discos de black metal de 2010. 8,5/10
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Tuesday, November 16, 2010
DEATHSPELL OMEGA - «PARACLETUS»
«Paracletus» marca o fim da infâme trilogia começada em 2004 com «Si Monumentum Requires, Circumspice» e continuada em 2007 com «Fas - Ite, Maledicti, in Ignem Aeternum», durante a qual os Deathspell Omega operaram uma revolução na sua sonoridade e, porque não dizê-lo, no próprio género black metal. A inclusão de elementos progressivos e passagens dignas de um álbum de pós-metal, fizeram desta banda francesa uma das mais inovadoras dentro do black metal, revitalizando-o para toda uma nova geração de adeptos da mais negra arte metálica. Creio que no entanto, e apesar desses dois álbuns serem muito bons, o melhor material dos Deathspell Omega encontra-se no EP «Kénôse» (2005), numa mistura sublime dos elementos agressividade, melodia, inovação, atmosfera. «Paracletus» dá em certa medida continuidade a esse material mais ecléctico. Desde logo na soberba «Wings of Predation» que sugere uns Deathspell Omega em constante mutação de riffs não desligando o lado obscuro e letal que o black metal tradicional tem para oferecer. «Abscission» e «Phosphene» por seu lado são momentos mais pausados e atmosféricos, baseados em riffs quase doom, arquitectados de forma soberba e colocadas inteligentemente no alinhamento do álbum. Bem vistas as coisas, «Paracletus» não é um álbum agressivo que dispara blast beats e tenta obter daí a crédito, antes sufoca o ouvinte numa melancolia e atmosfera misteriosa própria de um «De Mysteriis Dom Sathanas» ou «In The Nightside Eclipse», neste âmbito oiçam a faixa que encerra o álbum, «Apokatastasis Pantôn» e a assombrosa «Dearth». Já a maravilhosa dupla «Epiklesis II»/«Malconfort» são como o dia e a noite, que intrigantemente se completam para espanto de qualquer ouvido mais atento. A primeira oferece um conjunto de melodias que podiam estar num álbum de post-rock tipo Red Sparowes ou God in an Astronaut. Já a segunda prova que o black metal progressivo ou pós-black metal não tem necessáriamente de ser mellow. O mais admirável é a maneira como o álbum escorre, sem momentos mortos e sempre imprevisível, algo cada vez mais raro nos dias que correm. «Paracletus» cresce exponencialmente a cada audição, fazendo deste 5º álbum dos Deathspell Omega um diamante a lapidar e compreender, apesar da incógnita sobre qual o impacto que terá na cena. Isto, só o futuro poderá dizer. 10/10
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Sunday, November 14, 2010
SALOME - «TERMINAL»
Já todos sabemos que o sludge doom é uma das sonoridades que mais bandas tem gerado nos últimos tempos. O problema acontece quando no meio desse hype, há uma ou outra banda que passa despercebida sem, infelizmente, nunca ter direito a algum reconhecimento. É aqui que os Salome entram. Não sendo propriamente novatos nestas coisas do metal, a vocalista é nada menos do que Katherine "Kat" Katz dos Agoraphobic Nosebleed, este é já o segundo álbum em dois anos, sendo que o anterior auto-intitulado ficou reservado como um dos mais interessantes sleepers do sludge doom. Pode eventualmente ser com «Terminal» que as coisas mudam para os Salome? Bem, ouvindo este álbum, não posso deixar de desejar que mais gente oiça isto, quanto mais não seja para os Salome continuarem a existir e a melhorar a sua fórmula. Isto porque não sendo propriamente um álbum excelente, «Terminal» revela um sludge doom inteligente em que a filosofia do less is more faz todo o sentido. Oiça-se «The Message» que se baseia num riff sujo minimalista e em versos semi-berrados, assim como a faixa título e praticamente todo o material desde álbum. É certo que quando o instrumental de 17 minutos «A Accident of History» termina dá a sensação de que o filão está esgotado e que o cansaço já se instalou, apesar de «The Witness» e de «The Unbelievers» serem basicamente feitas do mesmo material do que as restantes faixas. Isto é, «Terminal» de tão minimalista que é, chega a ser uma audição penosa se quisermos passar uma hora e seis minutos atentos ao que os Salome estão a fazer. Nada que um futuro álbum não possa melhorar. O potencial está todo lá. 7/10ABORYM - «PSYCHOGROTESQUE»
Os italianos Aborym fazem com «Psychogrotesque» uma espécie de retorno, depois de estarem quatro anos ausentes, desde do último álbum «Generator», por sinal, o menos aplaudido álbum do grupo. Com Bard Faust Eithun na bateria, os Aborym compuseram um álbum em que o black metal industrial é a base para tudo o que aqui podemos ouvir, à semelhança dos anteriores registos. É assim bastante assente em sintetizadores, samplagem, até num saxofone e recorre muitas vezes ao que os Arcturus e Dodheimsgard andavam a fazer por alturas do «La Masquerade Infernale» e do «666 International». Felizmente este material é usado como proporcionador de atmosfera e nunca domina por completo as músicas desfigurando a entidade Aborym, cabendo às vocalizações de Malfeitor Fabban e à frieza mecânica da bateria de Faust o papel de manter a sonoridade intacta. Como aspecto negativo, creio que material é até no geral bastante complexo e variado, mas distante e dispersante para o ouvinte, para além de não haver aqui um tema ao qual se possa verdadeiramente chamar de "canção". É admirável no entanto a capacidade dos Aborym em compôr black metal diabólico como em «VII» e paralelamente fazer coisas como «VIII» que é essencialmente um tema techno. 7,2/10
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Saturday, November 13, 2010
CRUSHING SUN - «TAO»
Os Crushing Sun, apesar de já terem sete anos de carreira, são uma das mais recentes apostas da Major Label Industries, que edita aqui o primeiro longa duração dos vila-condenses. Com base sonora assente no death metal progressivo, creio ser correcto dizer que os Crushing Sun estão para o death metal, tal como os The Firstborn estão para o black metal. A necessidade de inovação através de experimentação faz dos dois conjuntos, entidades imparáveis quando toca a conceber música complexa, quer sonora quer liricamente. Indissociáveis nesta altura de uns Gojira e a espaços dos Strapping Young Lad, os Crushing Sun sabem ao longo do álbum absorver variadas sonoridades e dotar as suas canções simultaneamente de peso visceral e de um psicadelismo apreciável. Nomeadamente nas canções mais longas como «The End» e na magnífica «Love», onde se identifica o famigerado pós-hardcore, benção dos pioneiros Neurosis. Do lado mais agressivo é notável que a banda consiga escrever riffs densos cheios de groove sem caírem nos clichés habituais do death metal, «20 to 22000 Hertz» e principalmente a abismal «Cantilever», são os melhores exemplos. «TAO» é um primeiro álbum absolutamente admirável e que uma verdadeira surpresa, mesmo para aqueles que já conheciam algum trabalho dos Crushing Sun. Pessoalmente, até ao momento, é o disco nacional do ano. 8,6/10Wednesday, November 10, 2010
ATHEIST - «JUPITER»
A montanha pariu um rato. É desta forma pragmática que inicio a review ao regresso dos Atheist, banda de death thrash metal progressivo que gravou um dos mais influentes álbuns de sempre: «Unquestionable Presence» (1991). Trazida no meio do chorrilho de bandas que se apoiam no revivalismo para se erguerem dos seus túmulos, os Atheist trazem consigo um legado de inovação, semelhante à protagonizada pelo lendários Cynic. Contrariamente aos Cynic, que souberam crescer e revolucionar com sucesso a sua sonoridade, editando o excelente «Traced in Air», os Atheist mantêm-se de alguma forma fiéis ao nicho que criaram. Nada de negativo até aqui. Os problemas começam a partir do momento em que «Jupiter» começa a tocar. O que salta desde logo à vista é a produção estridente, vazia e estéril. Se a ideia era ter um som retro, o objectivo foi conseguido, mas o que é certo é que se estes temas tivessem a mão de um Andy Sneap, acredito que soariam mil vezes melhor. O pior, no entanto, nem é a produção, mas a cacofonia musical que se segue. Se em «Second to Sun» ainda podemos vislumbrar estrutura, já as restantes músicas são pura masturbação técnica, quase como se fossem 33 minutos de puro show off pueril, salvo raras excepções com no inspirado refrão de «Live and Live Again» e no riff que abre «Faux King Christ». Tão caótico quanto possível, «Jupiter» é um álbum que esgota a paciência nos argumentos técnicos e não abre espaço para deixar a música respirar. Mesmo dando aos Atheist todo o merecido crédito pela virtuosidade, mesmo que over the top, não escondo a desilusão e a esperança de que no futuro o grupo norte-americano volte a escrever boa e menos confusa música. Destaco finalmente o fantástico trabalho gráfico, do melhor que tenho visto ultimamente. 6/10Tuesday, November 09, 2010
THE OCEAN - «ANTHROPOCENTRIC»
Aqui está a segunda parte do ambicioso trabalho dos The Ocean, comandados por Robin Staps, que não contente com o magistral «Precambrian», resolveu atirar-nos com dois álbuns no espaço de poucos meses. Com o primeiro disco «Heliocentric», Staps e companhia empreenderam uma missão de dar às suas composições uma dose de melodia que de todo terá funcionado. Relembro a crítica aqui feita, em que se denotava nos The Ocean uma vontade de chegar tão longe que tornava irreconhecível a própria sonoridade desenvolvida pelo grupo até à data e que tinha dado os seus frutos. Em «Heliocentric» parece-me ainda hoje que os The Ocean experimentaram demais não pela melodia em si, mas pela forma mellow como a utilizaram. Recordo essa horrífica faixa chamada «Ptolemy Was Wrong». Em «Anthropocentric» os The Ocean voltam a utilizar a mesma fórmula: um balanço entre peso e melodia, com arranjos próprios do metal experimental, vulgo, pós-metal. A diferença é que as músicas parecem mais decididas e mais objectivas e não experimentais só porque sim. Em «She Was the Universe», por exemplo, as linhas vocais são super mellow, mas extremamente viciantes, assim como em «The Almightiness» que encerra o álbum de forma brilhante. Mas este é um álbum bem mais puxado do que «Heliocentric» e isso acaba por fazer toda a diferença, primeiro logo no tema de abertura, principalmente a partir dos sete minutos onde se desenvolve um riff daqueles mesmo bigger than life. Ao longo do disco vamos tendo este precioso balanço entre peso e suavidade, sempre bem colocado e com razão de ser como atestam «The Grand Inquisitor II: Roots & Locusts» e «Sewers Of The Soul». Uma segunda parte irresistível, que finda esta aventura louvável por parte dos The Ocean, sem dúvida uma das bandas de metal mais arrojadas e interessantes da actualidade. 8,6/10
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CRUCIFYRE - «INFERNAL EARTHLY DIVINE»
Incluíndo membros de Nasum, General Surgery e Afflicted, os Crucifyre são uma banda sueca que tem por objectivo fazer um autêntico tributo ao old-school. Pegando em bandas tão distintas como Celtic Frost, Dissection, Venom e Slayer, o grupo consegue empreender uma verdadeira viagem pelo tempo, com uma qualidade e feeling admiráveis, compondo malhas memoráveis como «Kiss the Goat», «Thessalonian Death Cult» e «Witch Hammer», que assentam numa lógica de rapidez de execução thrash com refrões catchy à moda dos Slayer. Depois existem coisas como «Hellish Sacrifice» que remete para Celtic Frost antigo, com uma voz feminina a dar um toque de classe a um tema verdadeiramente diabólico. Diabólico é no entanto o melhor adjectivo para «A.W.W.S/ ..Of Hell» onde o vocalista Erik Tormentor Sahlström fica possesso pelo espírito de Cronos. Não se trata de vangloriar o demónio old-school sempre que é invocado, mas antes de reconhecer música que não precisa de grandes intelectualismos para nos pôr a abanar a cabeça do primeiro ao último segundo. «Infernal Earthly Divine» é um desses discos, repletos de uma nostalgia doentia que sem vergonha nos infecta com uma vontade tremenda de bater em alguém. Façam uma visita ao MySpace dos Crucifyre e ouçam «The Fetching». Vão perceber exactamente o que quero dizer. 9/10
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MOURNING LENORE - «LOOSELY BOUNDED INFINITIES»
O doom português está bem vivo e recomenda-se! Tendo em conta o crescente número de bandas, mesmo dentro do black metal, a optar por sonoridades depressivas, posso afirmar que este espectro constitui cerca de 50% das bandas nacionais que ouvi este ano. A contar para essa estatística «Loosely Bounded Infinities» é o disco de estreia dos Mourning Lenore, banda bem conhecida da praça pela assídua presença nos palcos nacionais. O contrato com a Major Label Industries representa assim uma espécie de recompensa para o quarteto lisboeta que exibe neste álbum uma personalidade forte dentro do doom death metal. São quatro temas longos (seis na edição especial), bem ao jeito doom, com estruturas variadas assentes em riffs arrastados, uma secção rítmica marcante e um trabalho vocal dinâmico quanto baste entre growls e cleans. São audíveis influências de bandas como Mourning Beloveth e Draconian, mas «Reminiscence» por exemplo, exibe paixão suficiente para se demarcar de quaisquer conotações. «Loosely Bounded Infinities» sofre apenas com alguma falta de direcção em alguns temas, como a própria «Reminiscence» e na (apesar disso) excelente «Everlasting» que parecem ser esticadas demais e com secções menos conseguidas, contudo, atendendo à qualidade geral do álbum são pequenos pormenores que, a nosso ver, são próprios de um primeiro trabalho. Juntamente com Why Angels Fall, Painted Black, A Dream of Poe e Insaniae formam o quinteto de excelente doom para 2010. Já fazia sentido juntarem-se todas num evento dedicado ao doom. 8/10ARS DIAVOLI - «CLAUSURA»
Segundo álbum de Ars Diavoli, projecto de Vilkacis (Malleus, Lux Ferre), onde todos os instrumentos e voz ficam a cargo deste único elemento, oriundo de Faro. «Clausura» sucede a «Pro Nihilo Esse» (2008), álbum bem recebido no seio dos adeptos do black metal nacional, é editado pela cada vez mais influente Bubonic Productions, e segue o trilho sonoro aberto pelo antecessor mergulhando o ouvinte novamente num black metal depressivo, em canções arrastadas, ocasionalmente "aceleradas" por ritmos de pedal duplo, mas geralmente lentas e num tom vocal desesperado mais cheio, em oposição aos gritos dilacerantes de uns Inverno Eterno ou Isolation, por exemplo. Um álbum de black metal depressivo não fica completo sem recorrer à criação de atmosfera e «Clausura» cumpre este propósito muito bem, indo buscar algo a bandas como Xasthur, Lurker of Chalice, Forgotten Tomb e a faceta doom dos Dolorian, através do uso de sintetizadores e de um trabalho de guitarras inspiradíssimo, a segunda faixa, «Retrato» concilia brilhantemente os dois mundos. Apesar do trabalho de bateria ser no geral bastante repetitivo, «Clausura» é mais um óptimo capítulo do black metal português, que os apreciadores da sonoridade não devem de forma alguma deixar escapar. 7,7/10Saturday, November 06, 2010
CRADLE OF FILTH - «DARKLY, DARKLY VENUS AVERSA»
A carreira dos Cradle of Filth pode ser dividida em duas partes: a primeira até ao «Cruelty and the Beast» onde os britânicos compunham álbuns clássicos, épicos e polvilhados com uma atmosfera inigualável tão identificável quanto os primeiros álbuns de, por exemplo, uns Metallica. A partir do devaneio sado maso do EP «From the Cradle to Enslave» algo mudou no seio dos Cradle of Filth. Subitamente a banda tinha perdido charme e nem os óptimos «Midian» e «Damnation and Day», o primeiro e último álbum na aventura frustrada com a Sony, conseguiram manter os Cradle of Filth ao nível dos primeiros discos, mesmo que tenha sido precisamente aqui que Dani Filth tenha atingido o maior sucesso comercial de sempre superado apenas pelo seguinte «Nymphetamine». O flirt com o rock gótico em «Thornography» fez com que os Cradle of Filth e os seus fãs mais antigos se divorciassem de vez e «Godspeed on the Devil's Thunder» recuperasse a ideia de conceptualidade tão famosa nos álbuns clássicos da banda. Porém o afastamento entre banda e fãs estava consumado e apenas os fanáticos ou newbies continuava a venerar os álbuns entretanto lançados a partir, especialmente, de «Nymphetamine». Com isto passaram-se 12 anos desde «Cruelty and the Beast». A esperança de um return to form é uma miragem e a promessa de um álbum mais agressivo não levantou grandes expectativas para este «Darkly, Darkly Venus Aversa». Este é o nono álbum dos Cradle of Filth e como tal, para qualquer conhecedor do historial da banda, não se esperam grandes mudanças quanto aquilo que vamos ouvir quando pomos o CD a tocar, mas existe sempre a esperança de sermos surpreendidos pela qualidade do material em questão. É o que acontece quando «The Cult of Venus Aversa» brota das colunas: rápido e agressivo sem perder os ingredientes típicos que fizeram dos Cradle of Filth aquilo que são hoje, várias mudanças de ritmo, estruturas complexas, os gritinhos do Dani e liricamente rico, este é tema longo e épico a relembrar o material mais antigo. Esta é a tendência do disco: geralmente mais veloz do que qualquer outro álbum desde «Damnation and a Day», e mais virado para as guitarras, talvez por ter sido composto quase na totalidade por Paul Allender. Martin Škaroupka tem igualmente uma prestação de encher o olho, a afirmar-se como um bom sucessor (menos mediático porém) de Adrian Erlandsson. Já Dani Filth mantém a tendência de usar cada vez menos os seus vocais graves, mas geralmente está em bom plano. O que faz de «Darkly, Darkly Venus Aversa» um disco menos conseguido, é que bem vistas as coisas, não passa de uma reciclagem de ideias de álbuns anteriores e também porque nem é assim tão entusiasmante quanto isso. Para além dos temas de abertura poucas são as vezes que Dani Filth e Paul Allender nos impressionam. Estando na óptima «The Persecution Song» e na catchy «Forgive me Father (I Have Sinned)» os momentos mais memoráveis. «Darkly, Darkly Venus Aversa» é como que uma continuação de «Godspeed on the Devil's Thunder», somente mais rápido e agressivo. Numa altura em que os Cradle of Filth capitalizam o sucesso dos seus álbuns mais comerciais, não deixa de ser um risco lançar um disco como este. Apesar de tudo, é agradável de se ouvir e, nos dias que correm, cada vez é mais difícil encontrar bandas como uma personalidade tão vincada como os Cradle of Filth. Uma última apreciação: pode ser uma questão de gosto, mas no disco bónus estão faixas prefeitamente capazes de tirar o lugar a algumas que estão no alinhamento principal... 7,6/10Faixa-a-faixa:
1. The Cult of Venus Aversa: a tradicional intro é incluída no próprio tema que se revela quase clássico a fazer relembrar o material de «Cruelty and the Beast». Várias mudanças de ritmo, solos bons e um refrão em latim bem memorável. 9/10
2. One Foul Step From the Abyss: a rapidez incutida às músicas é o que mais impressiona neste álbum. Esta é uma música que apesar de ser alicerçada nos teclados é de uma agressividade estonteante. Faz lembrar o black metal sinfónico de «Damnation and a Day», álbum que nos vem à memória várias vezes. O riff de guitarra metido a sensivelmente a meio é um golpe de génio. 9/10
3. The Nun with the Astral Habit: mais um tema super rápido. Não é tão vistoso como os anteriores, assenta numa estrutura já muito gasta pela banda, mas é eficaz para manter o ouvinte atento. 7/10
4. Retreat of the Sacred Heart: é o mais curto do álbum. Mais uma vez, baseado na rapidez de execução, com algumas (curtas) variações melódicas pelo meio. Aqui já se sente a importância dos teclados neste material. 7/10
5. The Persecution Song: começa de forma subtil com um riff simples e Dani num registo sussurrado, passando para um bridge bem aberto e um padrão de duplo bombo bem engendrado. Duas vezes nesta estrutura e parte para uma sequência atmosférica que faz ligação a mais uma passagem hiper rápida. É dos temas mais orelhudos, mas simultaneamente bem conseguidos do álbum. 9/10
6. Deceiving Eyes: o riff seco de guitarras que abre a música faz lembrar os Sabbat, mas rapidamente desenvolve para a sonoridade típica dos Cradle of Filth. Soa bastante confuso de início, mas ao fim de algumas audições começa a revelar-se um óptimo tema. 7/10
7. Lilith Immaculate: o primeiro tema a ver a luz do dia. Faz juz ao restante material, assentando num ritmo rápido e nas guitarras. É uma canção típica de CoF. Com as vozes femininas a dar uma ajuda a Dani Filth. A fase intermédia da música parece reminiscente de um «Midian». 7/10
8. The Spawn of Love and War: as similaridades com algum material de «Nymphetamine» tiram-lhe piada, sobretudo pela enfatização nos teclados pomposos e nos coros. Apesar disso, dá um certo gozo ouvir esta canção, provavelmente das mais bem conseguida do álbum. 8/10
9. Harlot on a Pedestal: o tom carnavalesco dos teclados é um bocado turn off, mas rapidamente é substituido por um Marthus de se lhe tirar o chapéu. Ainda não percebi como deixaram o homem tocar tão rápido! Anyway, típico tema de Cradle of Filth pós-«Nymphetamine». O solo a meio é muito bom. 6/10
10. Forgive Me Father (I Have Sinned): o single oficial para o qual foi feito um vídeo. A música é agradável e retém todos os ingredientes do álbum. Guitarras bem definidas e orgânicas, bateria veloz, voz feminina e teclados que sobressaem. Um bom aperitivo. 7/10
11. Beyond the Eleventh Hour: o álbum acaba como começa. Um tema longo e variado, como narrações femininas. Feito essencialmente sobre as guitarras, tem uma estrutura complexa a invocar o material antigo. 8/10
Nota final: 7,6/10
ELECTRIC WIZARD - «BLACK MASSES»
Um dos discos mais antecipados de 2010, «Black Masses» é o 7º álbum de originais dos Electric Wizard, banda que caminha entre o reconhecimento geral e o culto do underground, mas que aparenta gostar dessa posição. Isto é, nunca houve um esforço consciente do grupo em chegar a um público mais alargado, houve sim, algo preconizado no segundo álbum de originais: os fãs (fanáticos) foram até eles. Em »Black Masses» os Electric Wizard continuam iguais a si próprios, a debitar melodias depressivamente diabólicas, qual demónio de melancolia, que nos arrasta para uma sala escura onde aquela vela da capa é a única luz presente, para além da companhia sonora que os Electric Wizard nos fazem. O álbum alterna temas mais orelhudos como «Black Mass» e «Turn Off Your Mind» com os riffs sujos quase sludge em «Satyr IX», mas não descura atmosfera em «Venus in Furs» e «Scorpio Curse». O legado Black Sabbath e Cathedral continua inegável e em relação a isso os Electric Wizard parecem pouco importar-se em mostrar de onde vieram, principal com uma música que parece literalmente composta por Lee Dorrian, «The Nightchild». Apesar da qualidade de um álbum de Electric Wizard ser nesta fase um dado adquirido, senti que «Black Masses» não é um disco tão viciante como um «Dopethrone» ou «Come My Fanatics». A atmosfera está toda lá, mas está a faltar qualquer coisa, talvez uma ou outra música à qual se possa chamar de clássico. Quem é fã do grupo difícilmente ficará desiludido, mas também é verdade que estes quatro britânicos já fizeram melhor. 8/10
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ILL NIÑO - «DEAD NEW WORLD»
Sobreviventes da razia ao nu-metal, os Ill Niño continuam a lançar álbuns com alguma frequência e diga-se, são das bandas desse movimento que sempre mais me agradaram. «Dead New World» vem sublinhar o porquê. Trata-se de um álbum bem composto e pesado, que nunca perde a noção de equilibrio entre as melodias catchy, o peso do metal e as influências tribais, que são a sua imagem de marca. Um pouco como os Soulfly de Max Cavalera, com menos punk misturado. «God is for the Dead» e «The Art of War», que abrem «Dead New World» representam esta descrição perfeitamente. Para além desta boa capacidade composicional, o sucesso dos Ill Niño está na na voz de Christian Machado (em «Against the Wall» por exemplo), cada vez mais identificável num género que muitas vezes sacrifica o poder dos vocalistas em detrimento das guitarras d-tuned. A banda norte-americana com fortes raízes sul-americanas, não caiu na tentação desta fórmula simplista e sabe complexizar o seu som sem perder peso e identidade e simultaneamente serem melódicos e acessíveis (oiçam «Mi Revolucion»). Um equílibro só ao alcance de excelentes músicos. Sem ser uma total surpresa, «Dead New World» surpreende pela qualidade geral de uma banda que parecia estar a dar as últimas. 7,5/10
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HELLOWEEN - «7 SINNERS»
Estão de volta os veteranos do power/speed metal germânico, Helloween, banda que tem nos últimos álbuns alternado entre o bom e o mediano, fazendo os fãs esperar ansiosamente por um registo que lhes devolva a grandeza dos primeiros três álbuns. Ouvindo «7 Sinners» fica a certeza de que a banda de Michael Weikath, Markus Grosskopf e Andi Deris dificilmente voltará a soar tão majéstica, mas ainda assim são louváveis malhas como «Who is Mr. Madman?», «Far in the Future» e «My Sacrifice». Quer pela eficaz actualização do som, nomeadamente ao nível das guitarras, quer pelo peso geral que este 14º álbum de originais apresenta. Um peso que poder-se-á estranhar ao início dado a aproximação que faz ao power metal americano (nota-se sobretudo nas guitarras), contudo, perante canções tão empolgantes, esse é um aspecto que se torna secundário, porque não chega a descaracterizar os Helloween que conhecemos, basta ouvir «Long Live the King» e «If a Mountain Could Talk». Nem mesmo quando o grupo opta por músicas mais simples e directas como «Where the Sinners Go», «Are You Metal?» e «World of Fantasy», esta última fica algures entre os Iron Maiden e os Avantasia. «7 Sinners» acaba por ser na totalidade bastante positivo para a carreira dos Helloween, mesmo tendo em conta que dele pouco se falará nos balanços de 2010. 7,9/10COUGH - «RITUAL ABUSE»
«Ritual Abuse» é o segundo álbum dos Cough, em que os norte-americanos insistem em debitar o seu sludge doom desolador com uma classe invejável. São somente cinco temas, que prefazem 53 minutos de duração, em que o ouvinte empreende uma viagem por paisagens sonoras equivalentes a um abismo negro que engole tudo e todos. Exemplo perfeito é a colossal «A Year in Suffering», com um seus riffs arrastados e épicos, vocais limpos do stoner e berrados do black metal e ainda solos verdadeiramente arrepiantes. É como imaginarmos os Cathedral nas suas canções mais lentas mas com mais distorção e desespero. Este tema é mesmo o ponto alto do álbum. No entanto há mais. «Ritual Abuse» possui momentos de verdadeiro génio como «Crippled Wizard», cujos dois minutos finais são do melhor que já ouvi dentro deste género, assim como a atmosférica e 70's «Crooked Spine», música que parece envolta numa neblina espessa num qualquer dia de Outono. Se fechar os olhos até consigo ver as folhas a caír das árvores...Já o tema título e «Mind Collapse» evidenciam que os Electric Wizard e os Abandon têm alguma coisa a ver com isto: a distorção pasmacenta, a bateria discreta mas funcional e os berros dilacerantes, relembram os autores de «Dopethrone» e «The Dead End». «Ritual Abuse» é nesta altura um álbum altamente rodado por estas bandas e sem dúvida um dos pontos altos do ano, no que toca ao sludge doom. 8,9/10
Wednesday, November 03, 2010
FIREWIND - «DAYS OF DEFIANCE»
«Days of Defiance» é o álbum mais importante da carreira dos Firewind. O alarme é dado porque se com «The Premonition» o conjunto sediado na Grécia, atingiu um grande grau de popularidade, incrementado pela ida de Gus G para a banda de Ozzy Osbourne (ouvindo o instrumental «SKG» deste novo álbum percebe-se o porquê), esse foi também um disco que amoleceu o som dos Firewind, apesar de ter sido na minha opinião o mais bem composto álbum do grupo. Subsistia então a dúvida de se os Firewind optariam por manter a toada melódica quase Whitesnake de «The Premonition» ou regressariam ao power metal mais carregado de «Allegiance». Para os Firewind a resposta fica algures no meio. «Days of Defiance» tem momentos mais carregados como as duas malhas que abrem o disco e menos guiadas pela voz de Apollo Papathanasio, isto é, trata-se de um álbum mais orientado para as guitarras do que para os vocais, perdendo-se muito daquilo que fez de «The Premonition» um disco tão bem conseguido. Não obstante, os Firewind gravaram um conjunto de faixas tão catchy como sempre, talvez nenhuma ao nível de uma «Head Up High» ou «My Loneliness», mas com igual credibilidade: «Embrace the Sun», «World on Fire» e «Cold as Ice» à cabeça. Um bom follow up a «The Premonition», não tão bom é verdade (convém admitir que era muito difícil), mas ainda assim um álbum de heavy/power metal topo de gama. Destaque final para a óptima cover de «Breaking the Law» dos eternos Judas Priest, uma influência directa dos Firewind. 8/10
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STAR ONE - «VICTIMS OF THE MODERN AGE»
Projecto paralelo de Arjen Anthony Lucassen, a mente por detrás dos fabulosos Ayreon. Neste escape do qual já fazem parte um álbum de originais («Space Metal» 2002) e um ao vivo («Live on Earth» 2003), o músico-estratega de toda a máquina que são os Star One, opta por uma vertente mais metalizada, em vez da variedade que impera nos seus trabalhos com Ayreon. Se quisermos «Victims of the Modern Age» é um álbum que remonta à sonoridade da segunda parte do álbum «The Universal Migrator», onde Lucassen focava-se em músicas mais metálicas, mas também se encontram algumas similaridades com o recente «01011001». «Victims of the Modern Age» é assim um álbum mais fechado e menos diverso que os álbuns de Ayreon e até mesmo do que «Space Metal». Isso não impede que Lucassen brilhe e componha aqui um dos mais intensos álbuns da sua carreira, com a ajuda de um lote de convidados de luxo como de costume, onde figuram Russel Allen, Damien Wilson, Floor Jansen e Dan Swano. Com a sequência «Digital Rain», «Earth That Was» e «Victims Of The Modern Age», fica bem patente a vertente mais directa do álbum, mais tarde comprovada na agressiva «Human See Human Do» e nas viciantes «24 Hours» e «Cassandra Complex». Incapaz de produzir um álbum mau que seja, Arjen Anthony Lucassen consegue reinventar-se eficazmente álbum após álbum, sempre com marca de altíssima qualidade. «Victims of the Modern Age» está claramente entre os melhores trabalhos da sua já longa carreira...e é já em 2011 que os Ayreon terão novo álbum de originais. 9/10
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INSANIAE - «IMPERFEIÇÕES DA MÃO HUMANA»
Segundo álbum de originais para os Insaniae, banda de doom death metal, que apesar de executar com brilhantismo os seis longos temas que compõem «Imperfeições da Mão Humana», não escondem as suas origens, deixando no ar a ideia de que ainda procuram uma identidade própria longe das influências que marcam este trabalho. Assim, é-nos possível ouvir os monstros do doom death britânico (Paradise Lost/Anathema/My Dying Bride), mas igualmente um foco sobre o doom finlandês, nomeadamente Unholy e, com mais preponderância, os suecos Draconian. Totalmente cantado em português, «Imperfeições da Mão Humana» ganha a elegância especial própria do dialecto, que vocalmente confere aos Insaniae algo de especial, algo a explorar ainda mais futuramente. Instrumentalmente, a banda é irrepreensível, equilibrando o minimalismo próprio da sonoridade, com apontamentos sublimes, nomeadamente no trabalho de bateria. Neste âmbito, ouçam «Tradição Ancestral», quanto a nós, o ponto alto do álbum. Concluíndo, é difícil ouvir este álbum sem constantemente pensarmos nas bandas que os Insaniae nos fazem lembrar, mas também é verdade que a execução das músicas é perfeita e cheia de sentimento e isso deve obrigatoriamente ser salientado. 7,6/10
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SLOUGH FEG - «THE ANIMAL SPIRITS»
São vinte anos de vintage NWOBHM sem alterações, inovações ou progressivismos para justificar falta de ideias. São vinte anos de heavy metal feito com garra e coração, sentimentos que me fizeram gostar dos Slough Feg desde do dia em que ouvi pela primeira vez o «Twilight of the Idols» de 1999. São uma banda genuína, com o objectivo bem definido de fazer prevalecer um espírito perdido algures no tempo. É óbvio que a ideia de estar estagnado no tempo, é até algo dúbio e desligado da realidade, mas no que toca aos Slough Feg, é impossível resistir ao charme 80's da banda de Mike Scalzi. «The Animal Spirits» tem uma capa um bocado gamada ao «A Journey's End» dos Primordial, mas no seu interior é uma rodela de música excelente, não tão directa como a contida em «Ape Uprising» (2009) e «Traveller» (2003), mas é igualmente apaixonante nas suas melodias cuidadas e riffs cavalgantes como em «Trick the Vicar», «Hardworlder» e «Ask the Casket». Não é o mais vistoso álbum dos Slough Feg, mas mantém intacto um legado de respeito e nostalgia. 8/10
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WITHERED - «DUALITAS»
Ao proporcionarem uma autêntica viagem sonora com o anterior «Folie Circulaire» de 2008, os Withered estavam na lista de grandes expectativas para 2010, com este sucessor «Dualitas». O black/doom/sludge protagonizado pelo colectivo norte-americano ganha profundidade e torna-se aqui ainda mais negro com pérolas como «The Progenitors Grasp» e «Aetheral Breath» em que desenvolvem riffs gigantes cheios de distorção e uns vocais saidos das profundezas do inferno. «Dualitas» acrecenta intensidade bruta às canções dos Withered, elimina alguma da melancolia de «Folie Circulaire», para carregar no sludge sujo («Extinguished with the Weary») que assenta como uma luva à banda de Atlanta. Representa, em última análise, uma evolução notável desde do álbum de estreia «Memento Mori» de 2005. 8,6/10
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