Friday, December 24, 2010

COMPILAÇÃO 2010

Como prometido o último post do ano prende-se com a compilação de 2010 que é nada menos do que 160 músicas divididas em 5 links.
Enjoy!
Paulo Figueiredo

Sunday, December 19, 2010

BALANÇO 2010

Fim do ano. O balanços tornaram-se em habituées não só nas revistas e jornais, mas também no mundo cibernético onde os blogues e fóruns tornaram-se espaços de reflecção e discussão acerca do mundo da música. No Event Horizon não é excepção, ainda mais no ano em que este blogue obteve um salto admirável tendo recolhido diversas nomeações e prémios em votações e claro, um aumento significativo de visitas, chegando a recolher 8000 visitas num mês. Para um blogue com as características como as do Event Horizon é sem dúvida um motivo de satisfação que obriga a um agradecimento a todos os visitantes. Sem mais demoras, em baixo ficam os balanços nacional e internacional com os álbuns que consideramos os mais simbólicos de 2010, não necessáriamente aqueles aos quais dei as melhores notas e que mais gostei pessoalmente, mas aqueles que tiveram grande receptividade, os mais discutidos e influentes destes últimos doze meses junto do público. Acrescenta-se ainda um conjunto de 5 links para compilações de músicas editadas em 2010, num total de 160 canções que iremos colocar nos próximos dias. O Event Horizon vai agora para férias e voltará em meados de Janeiro.
Merry Christmas and a Heavy New Year!
Paulo Figueiredo
INTERNACIONAIS
1º ORPHANED LAND - «THE NEVER ENDING WAY OF THE ORWARRIOR»

Perdido no tempo o significado de "music as a weapon", este magnífico trabalho dos Orphaned Land recupera e representa isso mesmo: música com uma mensagem religiosa-política-social, debruçando-se sobre o conflito israelo-palestiniano. O próprio Kobi disse numa entrevista que num concerto de Orphaned Land podem estar juntos fãs de várias religiões celebrando uma linguagem comum, a música. O quão forte é esta imagem para vocês?

2º DEATHSPELL OMEGA - «PARACLETUS» Quanto mais conhecida é uma banda mais tem que lidar com uma multiplicidade de reacções. Que o digam os Deathspell Omega. Banda francesa que revolucionou o black metal e é hoje uma das principais bandas do género. «Paracletus» é um álbum envolvente que transporta o black metal para uma nova dimensão.

3º ALCEST - «ÉCAILLES DE LUNE» Alguém disse hype? É certo que os Alcest não têm uma carreira por aí além, mas esta ascensão meteórica é também um sinal dos tempos. Bastaram dois álbuns para colocar os Alcest na preferência de muitos metaleiros. Não só os Alcest, mas também metal francês está totalmente de parabéns pelo ano brilhante.

4º SHINING - «BLACKJAZZ»5º IRON MAIDEN - «THE FINAL FRONTIER»6º TRIPTYKON - «EPARISTERA DAIMONES»7º ENSLAVED - «AXIOMA ETHICA ODINI»

8º ANATHEMA - «WE’RE HERE BECAUSE WE’RE HERE

9º BLIND GUARDIAN - «AT THE EDGE OF TIME» 10º BURZUM - «BELUS» 11º DIMMU BORGIR - «ABRAHADABRA»

12º IMMOLATION - «MAJESTY AND DECAY» 13º IHSAHN - «AFTER» 14º WATAIN - «LAWLESS DARKNESS»
15º PAIN OF SALVATION - «ROAD SALT ONE»

16º THE OCEAN - «HELIOCENTRIC/ANTHROPOCENTRIC»











17º AGALLOCH - «MARROW OF THE SPIRIT»

18º KVELERTAK - «KVELERTAK»

19º SAILORS WITH WAX WINGS - «SAILORS WITH WAX WINGS»
20º HIGH ON FIRE - «SNAKES FOR THE DIVINE»
21º THE DILLINGER ESCAPE PLAN - «OPTION PARALYSIS»
22º MELECHESH - «THE EPIGENESIS»

23º NEVERMORE - «THE OBSIDIAN CONSPIRACY»

24º ATHEIST - «JUPITER»
25º ATLANTEAN KODEX - «THE GOLDEN BOUGH»

NACIONAIS

1º CRUSHING SUN - «TAO»

São sem dúvida umas das mais promissoras bandas nacionais. Num ano em que o doom e o black metal se destacaram em termos de equílibrio qualidade/quantidade, os Crushing Sun destacaram-se pelo som incrivelmente maduro e decidido, não havendo dúvidas quanto à posição que aqui ocupam.

2º WHY ANGELS FALL - «THE UNVEILING»
3º MOURNING LENORE - «LOOSELY BOUNDED INFINITIES»
4º MORE THAN A THOUSAND - «VOL. 4: MAKE FRIENDS AND ENEMIES»
5º MORTE INCANDESCENTE - «...RELEMBRANDO O TÚMULO ESQUECIDO»
6º PAINTED BLACK - «COLD COMFORT»
7º SCARIFICARE - «PERPETUAL DECLINE»
8º DEVIL IN ME - «THE END»
9º INSANIAE - «IMPERFEIÇÕES DA MÃO HUMANA»
10º ARS DIAVOLI - «CLAUSURA»

Saturday, December 18, 2010

REVIEWS - CURTAS

Com o ano a acabar vão surgindo algumas surpresas e também a necessidade de recuperar alguns discos que por qualquer razão nos escaparam ao longo do ano. Neste âmbito surge este incomum "Curtas", que de uma forma sucinta irá resumir em algumas linhas uma série de lançamentos que ficaram para trás e outros que foram lançados nas últimas semanas. Começo pelos suecos Ghost, uma banda que lança a sua estreia «Opus Eponymous» e que é sem dúvida a grande revelação do ano a par dos Kvelertak. Heavy metal com toques de satanismo, na onda de uns Mercyful Fate e Black Widow, com um filtro 70's que lhe dá uma graça extraordinária. Recomendadíssimo. 9/10
Os Motörhead não precisam de introduções como é óbvio. «The Worlds is Yours» aparece num período particularmente produtivo para Lemmy e seus pares. Sem ser um registo excelente, contém um conjunto de faixas admirável e contagiante, mas também outras que soam a fillers. Tudo o que se possa dizer sobre a banda inglesa acaba por ser irrelevante, primeiro porque os fãs provavelmente já o compraram e segundo porque este disco é pura e simplesmente Motörhead e quem não gosta, não vai ser agora que vai começar a gostar. 8/10
Este «Heaven is Gone» é a reedição do álbum dos Seventh Void, lançado em 2009. Apesar de parecer teatro comercial, este disco tem todos os ingredientes que se esperam de uma banda formada por elementos dos Type 0 Negative. Brooklyn doom metal é o que lhe chamam e o rótulo até faz juz ao tipo de material que podemos encontrar neste disco. Entre uns Cathedral, Danzig e mesmo Type 0 Negative, este álbum pode perfeitamente agradar aos adeptos tanto de doom, como de rock depressivo (HIM) e gothic metal (Sirenia). 7,6/10
Mais um álbum virtuoso de Yngwie Malmsteen que volta a requisitar Tim Ripper Owens (Ex-Judas Priest e ex-Iced Earth) para os vocais e este também volta a mostrar porque razão é um dos timbres com mais personalidade do heavy metal actual. O trabalho de guitarras é como se esperava de primeira água, não só os solos como também os riffs da guitarra ritmo. É o que faz de Malmsteen um músico de excepção: coloca o seu incrível talento ao serviço de uma banda repleta de grandes músicos. O resultado é como podem perceber muito bom. Só me queixo da duração do disco. 8,3/10
Os Necronaut é um projecto megalómano de Fred Estby, dos Dismember, que invoca um conjunto de célebres músicos da cena sueca para participar nesta estreia homónima. Musicalmente estamos perante death metal sueco, ora mais convencional, ora mais apostado num death n' roll, nada longe de uns Entombed de última geração. Alguns temas como «In Dark Tribute» sugerem que o black metal também faz parte dos gostos de Estby e em «After the Void» temos direito a doom de boa qualidade aproximado a Candlemass. Necronaut é um projecto interessante na onda do que Dave Grohl fez com os Probot. Oiçam pela curiosidade, mas afastem expectativas altas. 7/10
Os Dark the Suns apostam num gothic metal extremamente mellow, recheado de teclados pomposos e vocais "bela e o monstro". Não fosse a fórmula ultrapassada e ultra-gasta, «Sleepwalking Into a Nightmare» até teria algum valor. Assim sobra um álbum super artifical, sem chama e repleto de clichés. Diria que este álbum está para o gothic metal, como a saga «Twilight» está para os filmes de vampiros. 3/10
O EP «Under a Blackened Sky» marca a estreia dos Dark Oath, banda portuguesa indispensável para quem gosta de Amon Amarth, Heathen Foray ou dos nossos Gwydion, isto é, melodic death metal épico com algum (não demasiado) folk e temáticas históricas para ouvir de punho em riste e com muito headbanging à mistura. Dos cinco temas apresentados, «The Warrior» pareceu-me particularmente bem conseguido e com enorme potencial para pôr o público aos saltos num concerto. O potencial é inegável, veremos o que acontece a partir daqui. 7/10
Os Tankard são outra banda mítica que infelizmente teve a má ideia de lançar este disco a 17 de Dezembro. É claro que provavelmente terá sido a editora a dar uma data de edição, mas com o alvoroço dos balanços do ano, é mais que certo e uma pena que «Vol(l)ume 14» não tenha a atenção desejada, sobretudo porque sucede a um grande disco que foi «Thirst» e porque é um óptimo registo de thrash metal como de resto se espera dos Tankard. Grandes malhas, muito álcool e thrash são equivalentes a uma sessão de pure metal party, ideal para vos acompanhar na passagem de ano. 8/10
Quando falei ao início, de álbuns que tinham passado ao lado durante estes doze meses, este álbum dos irreverentes Mekong Delta foi um deles. O thrash progressivo do grupo germânico que já anda nestas lides desde 1985 é um álbum desafiante, mas nada como os primeiros trabalhos que assinaram no final da década de 80. Apesar de tudo, «Wanderer on the Edge of Time» merece várias audições atentas, especialmente dos apreciadores de metal progressivo de uns Dream Theater mas que também gostem de bandas mais agressivas como Into Eternity. 7,4/10
«Legacy of Ashes» encerra os lançamento de 2010. Os Sinister, tal como os Tankard, podem vir a sofrer com esta opção, mas perante dois álbuns tão interessantes, gostaríamos de pensar que ainda existe alguma justiça e que tantos o «Vol(l)ume 14» como este brutal «Legacy of Ashes» vão ter a atenção devida. Este é já o 9º álbum de originais dos holandeses que mostram que o death metal ainda pode ser feito tendo simultaneamente agressividade, peso e catchiness. Um álbum que encerra o ano às mil maravilhas. 8,1/10

Saturday, December 04, 2010

BALANÇO 2010

Envia-nos o teu balanço dos melhores de 2010 (5 discos nacionais + 5 internacionais) até dia 31 de Dezembro, para o e-mail paulofigueiredo2580@yahoo.com
Os resultados serão publicados dia 2 de Janeiro.

AGALLOCH - «MARROW OF THE SPIRIT»

Poucas bandas terão tido nos últimos anos a importância dos Agalloch. Inicialmente até considerados um fenómeno de popularidade momentâneo, hoje ninguém duvida da influência que os álbuns «Pale Folklore» e «The Mantle» tiveram no seio, principalmente, do sub-género black metal. Com o crescimento e maior público vêm também os detractores e o álbum seguinte «Ashes Against the Grain» que denotava um acréscimo de folk progressivo, tornou-se num disco menos consensual mas paradoxalmente mais aplaudido pela crítica especializada. Quatro anos depois chega finalmente «Marrow of the Spirit», um disco que fará ainda mais mossa na carreira da banda norte-americana. Isto porque é sem dúvida o álbum mais atmosférico e até depressivo dos Agalloch. Começando com o instrumental «They Escaped the Weight of Darkness» e «Into the Painted Grey» o grupo inicia esta longa aventura musical apoiando-se em texturas cristalinas como o riff que abre «Into the Painted Grey» e na maior parte da belíssima «The Watcher's Monolith». Nesta altura já se percebe que «Marrow of the Spirit» é um álbum emocional e menos dado a complexidades composicionais, não que as músicas sejam simplórias ou vulgares, mas porque se desprendem do supérfluo mantendo apenas o essencial para fazer viajar o ouvinte. Por vezes, e isto é o único pequeno defeito a apontar, a produção de Faust pode fazer as músicas soarem vazias de espírito como no início da épica «Black Lake Nidstång», mas é um "vazio" que faz todo o sentido quando olhamos atentamente para o artwork do disco e nos sentimos engolidos pela tundra de gelo artisticamente representada. «Marrow of the Spirit» não é por certo um álbum tão imediato como qualquer outro que a banda tenha gravado (e isto só abona em favor dos Agalloch ainda mais porque o fazem recorrendo precisamente ao processo de simplificação da fórmula de composição dos seus temas), é sim um disco mais maduro, consistente e representa a evolução natural de todo o percurso feito pelos Agalloch até à data. Não diria perfeito, mas está lá quase. 9,7/10

SODOM - «IN WAR AND PIECES»

Quando em 2006 os Sodom lançaram o homónimo álbum, ficou claro que para além de estarem altamente motivados para encarar uma nova geração de potenciais fãs, conseguiram inclusivamente compôr o melhor álbum desde do clássico «Tapping the Vein» (1992). Tanto na perspectiva do novo como do antigo fã, os Sodom acentuavam a sua posição como uma das mais brutais bandas da geração de ouro do thrash germânico. «In War and Pieces» é o sucessor, ser contar com as regravações de «The Final Sign of Evil» de 2007, e apesar de não ser tão bom quanto o de 2005, não evidencia sinais de abrandamento. «In War and Pieces» é puro thrash Sodom com a habitual temática bélica por detrás, riffs impossíveis de ignorar, solos de arrepiar e um Tom Angelripper mais cáustico que nunca. O único problema é mesmo não haverem aqui muito potenciais clássicos. Isto é, o material é óptimo e muito acima da média, mas dentro da discografia da banda alemã, já tivemos direito a melhor, mas verdade seja dita, também a muito pior. Creio que bastará ouvir «Hellfire», «Soul Contraband» e «Storm Raging Up» para se perceber isso. Aliás, «In War and Pieces» até surpreende com a melodia de «God Bless You», num tema atípico na discografia de Sodom. Este é o 12º álbum dos Sodom e como tal, se tivermos em atenção que a banda manteve praticamente sempre a mesma personalidade, trata-se de um disco muitissimo bom. 7,8/10

SAILORS WITH WAX WINGS - «SAILORS WITH WAX WINGS»

Os Sailors With Wax Wings são um colectivo de várias personalidades que se juntaram sob o comando de R. Loren dos Pyramids para gravar este fantástico álbum de estreia. Para dizer a verdade trata-se de um disco que de metal tem muito pouco, a não ser o esporádico uso de trémolo nas guitarras e alguns trejeitos doom rock, fruto essencialmente da presença de Aaron Stainthorpe dos My Dying Bride e de Jonas Renkse dos Katatonia. «Sailors With Wax Wings» é um álbum apoiado numa sonoridade alternativa à qual bandas como White Moth, Horseback e ...And the Earth Swarmed With Them não estão alheias. São 53 minutos de viagem ambiental com toques de Swans e dos próprios Pyramids, através de paisagens sonoras ricas com teclados, várias camadas vocais e uma secção rítmica densa, bem representadas em «There Came a Drooping Maid With Violets». É possível igualmente vislumbrar alguma presença do post-rock neste álbum, em secções colocadas por dentro das canções, como no caso de «And Clash And Clash of Hoof and Heel». Não são raros os casos em que uma banda é aclamada por fazer simplesmente algo diferente sem que seja necessáriamente genial, mas no que toca aos Sailors With Wax Wings, posso com segurança dizer que está aqui um precioso álbum para quem aprecia metal com mentalidade aberta. Em baixo fica a lista de elementos que nele participaram. 9,5/10
R. Loren - vocals / textures
J. Leah - vocals
Ted Parsons - drums (Swans/Godflesh/Prong/Jesu)
Simon Scott - electronics (Slowdive)
Aidan Baker - guitar (Nadja)
Colin Marston - guitar (Krallice, Gorguts, Behold... The Arctopus, Dysrhythmia, Byla, Indricothere...)
Vern Rumsey - bass (Unwound)
Prurient - noise/electronics (Dominick Fernow of Hospital Productions, Ash Pool, Cold Cave, etc)
James Blackshaw - piano (Young God Records solo artist, Current 93)
Hildur Gudnadottir - cello (Múm/Throbbing Gristle/The Knife)
Aaron Stainthorpe - vocals (My Dying Bride)
Jonas Renkse (Lord Seth) - vocals (Katatonia (Swe), Bloodbath (Swe), October Tide)
Marissa Nadler - vocals (Xasthur (USA), Kemado Records solo artist)

INQUISITION - «OMINOUS DOCTRINES OF THE PERPETUAL MYSTICAL MACROCOSM»

Os colombianos (apesar de radicados nos EUA) Inquisition podem orgulhar-se do consenso que geram dentro da comunidade do black metal, com uma discografia impressionante que vem desde 1990. «Ominous Doctrines...» é o 5º longa duração e revela-se desde cedo o mais empolgante disco de Inquisition até à data, pela forma decidida e descomplexada com que abordam as suas principais influências, transversais a todos os álbuns da banda, mas aqui refinadas por anos de experiência e uma personalidade vincada no underground, sendo claramente os Immortal um dos grupos que mais nos vem à cabeça. Não só pela abordagem vocal de Dagon como pela maioritária parte de «Ominous Doctrines...», como por exemplo, «Astral Path to Supreme Majesties» e «Upon the Fire Winged Demon». Já em «Desolate Funeral Chant», o duo Dagon/Incubus, recupera o negro e depressivo misticismo do «De Mysteriis Dom Sathanas», num tema arrastado, quase doom, com Dagon a fazer lembrar Attila Csihar. «Ominous Doctrines...» é um festim de riffs black metal de primeira linha que convidam às posses trve e ao corpsepaint tal como na primeira metade da década de 90. O segundo tema, «Command of the Dark Crown» exemplifica isto na perfeição. 9,1/10

SVART CROWN - «WITNESSING THE FALL»

De França chegam os Svart Crown, que ao contrário da maioria das bandas de black metal que actualmente nos chegam desse país, apostam numa sonoridade que deve muito ao movimento sueco, nomeadamente aos Dissection e aos Watain. A inclusão de várias passagens aproximadas ao death metal (pensem nos Morbid Angel e Belphegor) fazem, no entanto, dos Svart Crown um conjunto a ter em conta. Particularmente pela capacidade do grupo em compôr temas viciantes como «Dogs of God», «Nahash the Temptator» e «Into a Demential Sea». Nota-se igualmente um grande impacto do blackened thrash de uns Sodom em início de carreira, Usurper e Tribulation, como o tema «An Eternal Descent» atesta. «Witnessing the Fall» é mais um óptimo álbum proveniente do país onde o black metal está em alta, podendo até já falar-se inclusivamente de uma NWOFBM. O segundo opus dos Svart Crown é mais uma pérola desse cada vez mais terrífico movimento. 8,5/10

SCARIFICARE - «PERPETUAL DECLINE»

«Perpetual Decline» é o primeiro longa duração dos Scarificare, banda do Porto formada por elementos de vários outros projectos mais ou menos conhecidos como Serpent Lore, Sonneillon e In Thy Flesh. Perante estes nomes não é difícil adivinhar que sonoridade têm os Scarificare para nos oferecer: black metal. «Flame of the Underworld» dá o mote para início de um registo que impressiona desde logo pela óptima qualidade da produção, com todos os instrumentos a soarem nítidos e sem perderem a rispidez habitual de um álbum deste género. Alternando blastbeats com secções mid-tempo, os temas apoiam-se em estruturas de um riff base, geralmente em trémolo, fazendo subtis variações ora mais velozes ou mais atmosféricas, que conferem a este material uma dinâmica bastante apreciável. «Blood of Melancholy» e «Blood Eyed Serpent» são neste aspecto particularmente ricas, assim como as mais "mexidas" «Infinite Death» e a favorita «On Cold Reflections». «Perpetual Decline» não é de todo um registo inovador (não creio que seja esse o objectivo do grupo), mas atira o nome Scarificare directamente para a elite do black metal português. 8,2/10
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