Com o fim do ano a aproximar-se a passos largos é normal começar-se a pensar nas sempre excêntricas listas de melhores do ano, e como não podia deixar de ser, é também altura de pensar o metal nacional e a sua evolução. Não adiantando muito daquilo que direi por altura dos balanços, creio que assistimos a um dos melhores anos de sempre em Portugal, não só em termos de produção como em termos de definição de identidade. Temos hoje um punhado de bandas que têm uma personalidade muito própria e que soube se libertar das amarras das influências externas. Para bem e para o mal, os Masque of Innocence são desses grupos. O death/black metal que mostram em «Overcoming Anger» (foram a votos e decidiram-se pelo título mais parvo?) tem inequívoca qualidade. A performance dos músicos é espantosa, os solos deliciosos, a secção rítmica imponente e a variedade musical de respeito. Contudo, é precisamente nesta variedade que reside ainda o problema dos Masque of Innocence: se «Wrath» remete para o death/black escandinavo, nomedamente, polaco.,«Gluttony» parece saído das profundezas dos Sepultura e «Greed» de uma banda de black metal tipo Siebenburgen onde cabem riffs thrash e melodia Cradle of Filthianas. As músicas individualmente não são de deitar fora, antes pelo contrário, mas seria interessante que os Masque of Innocence se focassem num caminho e não passassem de um death metal sueco para um black metal norueguês de um segundo para o outro, porque parece-me que quebra bastante a fluídez do álbum, como «Lust» atesta. Enfim, louva-se a vontade dos Masque of Innocence em querer fazer algo de diferente e extremamente variado (os vocais grind em «Envy» são do best mas a música faz lembrar CoF) e é disso que estava a falar no início quando mencionei que as bandas nacionais estão cada vez interessadas em desbravar novos caminhos, mas isso não faz com que na prática as coisas corram necessariamente bem. 6/10Monday, November 28, 2011
MASQUE OF INNOCENCE - «OVERCOMING ANGER»
Com o fim do ano a aproximar-se a passos largos é normal começar-se a pensar nas sempre excêntricas listas de melhores do ano, e como não podia deixar de ser, é também altura de pensar o metal nacional e a sua evolução. Não adiantando muito daquilo que direi por altura dos balanços, creio que assistimos a um dos melhores anos de sempre em Portugal, não só em termos de produção como em termos de definição de identidade. Temos hoje um punhado de bandas que têm uma personalidade muito própria e que soube se libertar das amarras das influências externas. Para bem e para o mal, os Masque of Innocence são desses grupos. O death/black metal que mostram em «Overcoming Anger» (foram a votos e decidiram-se pelo título mais parvo?) tem inequívoca qualidade. A performance dos músicos é espantosa, os solos deliciosos, a secção rítmica imponente e a variedade musical de respeito. Contudo, é precisamente nesta variedade que reside ainda o problema dos Masque of Innocence: se «Wrath» remete para o death/black escandinavo, nomedamente, polaco.,«Gluttony» parece saído das profundezas dos Sepultura e «Greed» de uma banda de black metal tipo Siebenburgen onde cabem riffs thrash e melodia Cradle of Filthianas. As músicas individualmente não são de deitar fora, antes pelo contrário, mas seria interessante que os Masque of Innocence se focassem num caminho e não passassem de um death metal sueco para um black metal norueguês de um segundo para o outro, porque parece-me que quebra bastante a fluídez do álbum, como «Lust» atesta. Enfim, louva-se a vontade dos Masque of Innocence em querer fazer algo de diferente e extremamente variado (os vocais grind em «Envy» são do best mas a música faz lembrar CoF) e é disso que estava a falar no início quando mencionei que as bandas nacionais estão cada vez interessadas em desbravar novos caminhos, mas isso não faz com que na prática as coisas corram necessariamente bem. 6/10
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