Saturday, February 26, 2011

Férias

(Edit)
O Event Horizon vai estar de férias durante algumas semanas.
Mas ao contrário do que muitos pensaram, não vou atirar a toalha ao chão e o site não vai acabar, porque o objectivo nunca foi fazer deste espaço apenas uma rampa de lançamento para chamar a atenção deste ou daquele media. Orgulho-me muito do que foi atingido com o Event Horizon e nunca trocaria a liberdade que aqui tenho por uma colaboração, fosse em que revista/jornal fosse. Até porque gosto bastante da minha actual profissão que nada tem a ver com jornalismo! :)
De qualquer forma, sublinho que o Event Horizon vai existir durante muitos anos e as reviews, sejam de promos ou mp3 (ao que parece muita gente desconhece a existência das promos digitais), vão continuar.
Aproveito ainda para dizer que todas as promos entretanto recebidas, terão a sua reviews publicadas nos próximos dias.
Stay tuned!
Até breve!

Sunday, February 20, 2011

DEICIDE - «TO HELL WITH GOD»

Depois que os irmãos Hoffman saíram dos Deicide, desenhou-se um futuro incerto para Glen Benton e Steve Asheim que, apesar de tudo, conseguiram revitalizar a banda, contratando Jack Owen e Ralph Santolla que trouxeram para os Deicide uma nova etapa em termos de classe e virtuosismo. Os álbuns seguintes, «Scars of the Crucifix» e «The Stench of Redemption» oficializaram uns Deicide rejuvenescidos com muito mais ódio para oferecer ao mundo. Paradoxalmente esses discos viram Benton e Asheim "deixarem" entrar níveis de melodia nunca antes vistos em composições de Deicide. Solos bem vincados e guitarras semi-arrastadas afinadas para soarem mais melódicas terão feito muita gente temer que a banda começasse a evoluír para algo próximo do death metal melódico em que a brutalidade seria somente lírica. Até a voz de Benton demonstrava um trabalho mais amplo do que os grunhos graves trademark do passado. «'Till Death Do Us Part» de 2008, elevou as fasquias de melodia ao máximo e é ainda hoje tido como um dos menos eficientes álbuns de Deicide, pré ou pós-Hoffmans, dando razão aos temores verificados anteriormente. Mas assim que o novo «To Hell With God» começa, abre caminho a uns Deicide que já não ouvíamos há muito, muito tempo. O tema curto e conciso, que inicia o álbum, é pura blasfémia sonora com um riff frenético e um refrão simples mas funcional. O seguinte «Save Your» mantém a toada tensa e bruta, abrindo curiosidade para uma vista de olhos aos tempos de duração das músicas, sob pretexto de "isto não pode ter sempre esta intensidade!". Para espanto meu, o tema inicial era, e é, precisamente o maior do álbum. Nesta altura, volvidos os dois primeiros temas, as suspeitas de que este pode bem ser o mais brutal álbum de sempre de Deicide ganham forma. «Witness of Death» não é tão imediata como as primeiras, mas consegue manter a fasquia de agressividade lá bem em cima. Já «Conviction» abre com um riff thrash e uma batida mid-tempo. Seria aqui que os Deicide iriam tirar o pé do acelerador? Nada disso, a velocidade é substítuida por um riff de chumbo de Jack Owen e uma prestação vocal posssessa de Glen Benton. Esta é a toada para o restante álbum: uma dinâmica impecável entre meio-tempo pesadão e brutalidade, que faz de «Angels of Hell» e «How Can You Call Yourself a God» gemas com lugar cativo num best of de Deicide. Todas as músicas possuem solos de Ralph Santolla, mesmo que por vezes se torne um truque usado com displicência («Empowered by Blasphemey»), a ideia de que "lá vem o solo do costume" é rápidamente substítuida por um awe de reverência pelo virtuosismo do músico em questão. É verdade que «To Hell With God» tem um impacto fantástico nas primeiras audições, mas não evita que se perca algum interesse com o passar do tempo, permanecendo intactas somente as intenções de peso e brutalidade que remontam aos primeiríssimos álbuns de Deicide. O exercício de trazer os Deicide do passado e dar-lhes uma roupagem dos novos Deicide é enfim conseguida, mas também não transcende nenhuma das fases passada ou presente da banda norte-americana. 8/10

DORNENREICH - «FLAMMENTRIEBE»

Ainda a digerir o óptimo álbum dos Falkenbach, «Flammentriebe» chega-me aos ouvidos e admito que se tornou difícil separar os dois trabalhos. O exercício de traçar diferenças foi um passo mental óbvio, e mesmo que ambas as bandas tenham estilo de abordagem ao folk metal distintos, tocam-se em muitos aspectos. Nomeadamente nas estruturas das músicas que têm em Bathory uma influência enorme. Sonoramente ambas desenvolvem um especial apetite por temas épicos para construírem vastas paisagens sonoras na cabeça dos seus ouvintes. O que separa ambas as bandas é que os Dornenreich, em «Flammentriebe», dão maior destaque aos vocais black metal, fazendo destes austríacos uma banda ligeiramente mais agressiva do que os Falkenbach. Mais agressiva, mas também mais constrangida no que toca à diversidade do seu material, perdendo em termos de amplitude musical, relativamente ao «Tiurida». Mas, como disse no início, quem gostar de um, gostará certamente do outro. 8/10

Friday, February 18, 2011

THE ETERNAL - «UNDER A NEW SUN»

Depois de conviver com «Under a New Sun» durante algumas semanas senti que tinha finalmente absorvido na totalidade este novo álbum dos australianos The Eternal. O motivo é simples: trata-se de um disco nada fácil e muito desafiante. Quando lançaram o primeiro álbum, os The Eternal não eram propriamente uma banda original. As fortes raízes de Paradise Lost, Katatonia, Sentenced e Rapture, fizeram deste grupo apenas mais um a fazer rock/metal melancólico, apesar de muito bem feito como nos recordam músicas como «Down» e «A Cruel Misfortune». Com o tempo a banda foi adicionando mais complexidade à sua música e abandonando os vocais guturais até termos finalmente o que «Under a New Sun» mostra, ou seja, uns The Eternal que despiram-se de preconceitos e podem a partir daqui começar a sonhar com vôos mais altos. O próprio título do disco parece querer significar um novo começo. Produzido por Jeff Martin dos The Tea Party, este disco começa com um devaneio de guitarra bem progressivo e catchy, que demonstra como soam os novos The Eternal. O tema título cheira a puro hard rock FM e tanto «The Sleeper» como «Delirium & Desire» fazem lembrar os saudosos HIM da era «Razorblade Romance». Enquanto que «Nothing Remains Without Us» e «Eclipse» não negam a influência que Deftones possam ter tido na composição destes temas. Para quem aprecia as bandas acima descritas, «Under a New Sun» será certamente um álbum que irão apreciar, assim como fãs de Anathema deverão ouvir pelo menos o teaser de 10 minutos disponível no YouTube. Para os restantes, pede-se mente aberta total para esta mudança dos The Eternal, para muito melhor, na minha opinião. 8,2/10

VREID - «V»

Se tiver de escolher um conjunto de bandas de black metal, sem que sejam tipicamente de black metal, os noruegueses Vreid estariam por certo no lote do eleitos. Lógicamente que o grupo está estilisticamente inserido na vertente black metal, mas não se limita ao óbvio no que toca às suas composições. Aliás, em nenhum dos álbuns anteriores, os Vreid se contentaram em fazer músicas simples com blastbeasts, cuja a temática fosse o diabo. Neste aspecto, são sim, dos grupos inseridos no espectro BM, dos mais variados e dinâmicos que conheço, a par de Enslaved e Satyricon. «V» é o acumular das várias experiências que o grupo norueguês foi operando, até ter encontrando, na minha opinião, uma fórmula muito perto da perfeita. «V» é um disco furioso, variado e por vezes até depressivo. Começando pelo single «The Sound of the River» que parece saído de um dos últimos álbuns de Khold ou Satyricon. A diferença é que os Vreid não se furtam a sequências mais melancólicas como a que toma conta dessa música a partir dos 3 minutos. O som de «V» é também mais directo e definido que os seus antecessores, contribuíndo para a dinâmica geral do álbum. Por exemplo, o imenso black/thrash de «Fire on the Mountain» contrasta com a direcção mais épica e progressiva de «The Others and the Look», que por sua vez contrasta com o experimentalismo da brilhante «Slave». »V» é para todos os que apreciam metal extremo variado, composto com uma mentalidade "outside of the box". 8/10

AURORA BOREALIS - «TIMELINE: THE BEGINNING AND END OF EVERYTHING»

Os norte-americanos Aurora Borealis editam aqui o seu 5º álbum longa duração dentro do estilo que os têm tornado numa banda de culto em terras do tio Sam: o black/death metal. «Timeline...» surge na mesma veia do que os anteriores álbuns, proporcionado 44 minutos de black metal com laivos death, em que o baterista Mark Green assume especial preponderância. Nada de novo aqui para os Aurora Borealis que podem orgulhar-se dos bateristas com que já trabalharam desde 1994: Tim Yeung, Derek Roddy e Tony Laureano. O trabalho de guitarras é igualmente inspirado, alternando o típico riff pesado do death/black com partes mais balanceadas, por exemplo, em «Beyond the Oort Cloud» cujo riff principal chega a soar ao black/rock dos Satyricon. Por outro lado, os riff de «The Only Space Race That Matters» contém uma óbvia pincelada thrash. Para quem precisa de referências, aconselha-se a fãs de Mithras, Limbonic Art, Keep of Kalessin e Bal-Sagoth. Com um pequeno senão: esqueçam os teclados. O álbum pode ser gratuitamente descarregado no site oficial dos Aurora Borealis. 7,5/10

Wednesday, February 16, 2011

CAULDRON - «BURNING FORTUNE»

Os canadianos Cauldron surgem no meio do turbilhão do revivalismo que insiste em recuperar influências seja musicais como liricas e visuais, da década de 80 para o presente. Há um lado bastante alegórico e até kitsch nesta pretensa nostalgia de se achar que antigamente é que era. Até porque se fizermos um balanço, poucas são as bandas revivalistas que nos oferecem algo de substancial em termos de experiência musical. Os Ghost, por exemplo, são dos poucos projectos que apresentam algo de, não diria refrescante, mas pelo menos atractivo mesmo sendo feito a pensar exclusivamente nas glórias passadas. Já os Cauldron preferem manter as coisas tão retro quanto possível e dentro da NWOBHM. Em escassos momentos conseguem ser bastante pesados como em «Breaking Through» e «Rapid City/Unchained Assault», mas a maior do material composto para este «Burning Fortune» tresanda a Judas Priest e quejandos. Isso não impede os Cauldron de fazerem boas malhas como «All or Nothing», «Miss You to Death» e «Taken by Desire», o problema é que tudo soa tão datado, que se torna difícil de levar a sério. 6,8/10

Tuesday, February 15, 2011

A PALE HORSE NAMED DEATH - «AND HELL WILL FOLLOW ME»

Foi um bocado por acaso que tropecei neste álbum dos A Pale Horse Named Death, banda que me chamou a atenção com incluir músicos como Sal Abruscato (Life of Agony e co-fundador dos Type 0 Negative) e Matt Brown (Uranium 235, Life of Agony e Seventh Void). O cartão de visita era tentador e cedo deparei-me com um álbum que me conquistou de imediato. Primeiro pelo artwork sombrio mas cativante, ainda mais porque em vários sítios os APHND vinham catalogados como doom metal. Algo me dizia, enfim, que estava perante um disco especial. Pode nem ter muito de doom metal propriamente dito, mas é de facto um trabalho desolador...no bom sentido. «And Hell Will Follow Me» vai pedir bastante inspiração ao espírito Type 0 Negative em canções como «As Black as My Heart» e «Meet the Wolf», mas o leque de influências revela-se mais abrangente nomeadamente de Glenn Danzig na mais rockeira «Heroin Train» e no grunge, em músicas mais up tempo como «Bath in my Blood» e «Serial Killer», esta última num misto de Alice in Chains com Monster Magnet. Mas é sem dúvida nos temas mais slow motion que os APHND brilham. «To Die in Your Arms», «Cracks in the Walls» e a derradeira «Die Alone» são três momentos de génio emocional, só ao alcance de compositores iluminados. Resumindo, «And Hell Will Follow Me» é uma estreia extremamente auspiciosa, que revela talento (a voz de Sal Abruscato é fenomenal), direcção musical bem vincada (só precisam de se libertar do estigma TON) e enorme margem de progressão. 9/10

Sunday, February 13, 2011

LIFELOVER - «SJUKDOM»

Traduzido para português «Sjukdom» significa "doença". Acaba por ser um lugar comum, mas atendendo a todo o aparato imagético invocado pelos Lifelover, só mesmo meia dúzia de mentes doentias poderiam ter esgalhado um projecto assim. Como anteriormente, os Lifelover continuam a misturar os distintos mundos do black metal depressivo e uma sensibilidade pop urbana, que tão bons resultado deu no anterior «Konkurs». «Sjukdom», sem ser um disco muito inferior, sente-se que falta algo que o catapulte para a mesma fasquia de «Konkurs». Mas vamos por partes. O álbum abre com uma sequência de músicas absolutamente brilhantes na sua aura decadente e angustiante, de onde destaco as sublimes «Expandera» e «Doften Av Tomhet». A espaços o grupo sueco brilha e atinge um nível que nos faz pensar que estes podem bem ser os Katatonia do black metal. No entanto, «Sjukdom» que até é mais pesado do que «Konkurs», incute a dúvida de que os Lifelover possam não ter bem a noção do que pretendem fazer enquanto banda. Frequentemente, a partir de «Totus Anctus», o disco torna-se derivativo e até cliché, com o reciclar de ideias e fórmulas até à exaustão. Mas pode até nem ser tão eficaz como «Konkurs» e «Erotik», mas «Sjukdom» acaba por ser um álbum desagradavelmente bom de uma banda cuja personalidade encontra poucos pares actualmente. Curiosidade acrescida para um próximo álbum. 7,8/10

OMNIUM GATHERUM - «NEW WORLD SHADOWS»

É interessante verificar como as modas vão e vêm também no metal e outrora um estilo altamente produtivo, hoje o death metal melódico resume-se a meia dúzia de bandas, umas que já utrapassaram a barreira do chamado underground (In Flames e Dark Tranquillity) e outras que teimosamente vão subsistindo à conta dos fãs que fizeram na altura em que esta sonoridade estava na berra. Actualmente é o folk metal que rende, e o death metal melódico encontra esporádicamente um disco de interesse editado pelas bandas que se encaixam na segunda categoria acima descrita, dado que as mais bem sucedidas começaram a lançar álbuns com cada vez mais tempo de intervalo. «New World Shadows» não é porém um qualquer álbum de death metal melódico e para aqueles que ficaram adeptos irredutíveis das bandas suecas e finlandesas do género que tiveram o seu auge ali no final de década de 90 e mais tarde com o break through do «Damage Done» e «Reroute to Remain», vão de certezinha encontrar neste álbum muitos motivos de satisfação. Envolto num aura melancólica, «New World Shadows» transporta toda a carreira dos Omnium Gatherum para um nova dimensão de emotividade nunca ouvidas num disco da banda finlandesa. A começar pelo épico «Everfields», a intensa «A Infinite Mind» e pela soberba «Soul Journeys». Sem esquecer os magníficos solos de «The Distance». Emotividade não quer dizer que o disco seja meloso, basta para isso ouvir temas como «Ego» e o mais "tradicional" death metal melódico de «Nova Flame», é antes como que pegassem no «Projector» de Dark Tranquillity e passassem esse álbum pelo filtro de uma banda de metal progressivo (oiçam o instrumental «Watcher of the Skies»), mas sem exageros tecnicistas. «New World Shadows» é o disco que os In Flames não tiveram tomates para gravar depois do «Clayman». 8,7/10

THE PROJECT HATE MCMXCIX - «BLEEDING THE NEW APOCALYPSE (CUM VICTRICIIS IN MANIBUS ARMIS)»

Formados em 1998, os The Project Hate MCMXCIX recentemente reforçaram as suas fileiras com dois músicos, Tobias Gustafsson (baterista de Vomitory e God Among Insects) e a bem conhecida Ruby Roque (vocalista de Witchbreed). Expectativas elevadas para este novo opus da banda sueca a precisar de um novo folêgo depois do parcialmente desapontante «The Lustrate Process» (2009). «Bleeding The New Apocalypse (Cum Victriciis In Manibus Armis)» ganha para já uma distinção por ser um dos mais compridos títulos que há memória, mas felizmente as distinções não se ficam somente por aqui. «Iesus Nazarenus, Servus Mei» abre o disco com um riff thrash de arrepiar os pêlos da nuca, como que a exigir desde logo total imersão por parte do ouvinte. Esse é um dos aspectos a salientar, não só neste álbum, mas como em todos os discos dos The Project Hate MCMXCIX: a complexidade e variações constantes presentes nas músicas, invocam uma dinâmica impossível de ignorar, agarrando-nos pelos colarinhos do primeiro ao último minuto. Outra característica dos The Project Hate MCMXCIX é a insistência em temas longos (o mais curto é mesmo o primeiro quase bate nos 9 minutos) que poderia ser em muitos casos, a literal morte do artista; aqui é como que uma exigência base da banda para compôr um tema. Ou é enorme ou não entra no alinhamento! É estranho pensarmos que a música destes suecos é composta com esta linha de pensamento, mas a verdade é que funciona e os temas raramente se tornam aborrecidos, mesmo tendo consciência que dentro de uma «Summoning Majestic War» não está apenas uma música, mas 3 ou 4. Pessoalmente, creio que o auge deste disco está na pujante «A Revelation of Desecrated Heavens», um tema que inicia de forma contemplativa com ajuda de teclados, para desembocar num verdadeiro hino de guerra. «Bleeding The New Apocalypse (Cum Victriciis In Manibus Armis)» não é só o início de uns novos The Project Hate MCMXCIX , mas é simultaneamente o início de uma banda que esteve adormecida e que aqui explode com todo o seu potencial. Surpreendente. 9/10

Wednesday, February 09, 2011

KYPCK - «Ниже»

Os finlandeses Kypck são um projecto tudo menos óbvio. Tocam doom metal numa vertente clássica, adoptando a melancolia própria do país de origem, audível em grupos como Sentenced, Unholy ou Swallow the Sun; utilizando uma imagética soviética inclusivamente o dialecto russo que usam para cantar sobre lendas e histórias do país vermelho. Não deixa de ser estranho ouvir uma banda finlandesa a cantar em russo, mas esse pormenor acaba por até dar os Kypck um charme e exotismo especiais. Sonoramente, o quarteto onde figura Sami Lopakka, ex-Sentenced, parece o cruzamento de uns Krux com Sentenced, sendo que quando falo desta última banda, refiro-me aos tempos utilizados em músicas como «Everything is Nothing» e «No One There». O tom baladesco das iniciais «Posle» e «Alleya Stalina» pode até fazer pensar que estamos perante um disco de doom lamechas, mas cedo, através de «Chuzhoi» e «Razryz», os Kypck adoptam algo bastante próximo de uns Shape of Despair, envolvendo o ouvinte numa aura de depressão e decadência humanas próprias de um conto de Dostoievski. Para quem não dispensa um bom disco de doom, «Ниже» revela-se um excelente proposta, pelo menos merecedora de algumas audições atentas. 8,5/10

FEN - «EPOCH»

O minimalismo com que o tema título abre «Epoch», o segundo álbum dos britânicos Fen, revela uma inspiração desmesurada em Agalloch para que um certo preconceito não se instale logo a partir daqui. O tema, que se prolonga por 6 minutos, é composto de um riff simples acústico ao qual se junta sensivelmente a meio um berro dilacerante ao estilo do depressive black metal que deveria fazer sentir algo que não uma enorme vontade de rir. «Ghosts of the Flood» desperta por instantes a chama com um blastbeat camuflado por uma produção que faz as guitarras soarem a tudo menos a guitarras, esvaindo-se o peso em detrimento de um pseudo pós-metal que rouba as partes melódicas tanto de Agalloch como dos pioneiros Cult of Luna. Mesmo com algumas passagens emocionalmente intensas em «Carrier of Echoes» e «A Warning Solace», provavelmente os melhores temas do disco, «Epoch» sofre pela unidimensionalidade da maioria do material, assim como da dinâmica deficiente, que simplesmente alterna blastbeats com passagens acústicas previsíveis. Posto isto, mais vale ir buscar novamente o «Marrow of the Spirit». 4/10

...AND YOU WILL KNOW IS BY THE TRAIL OF DEAD - «TAO OF THE DEAD»

Antes de mais é preciso referir que os americanos ...And You Will Know Us By The Trail of Dead fazem parte deste rol de reviews, não porque sejam uma banda de metal, longe disso, mas porque por vezes é interessante saír um pouco do reduto do heavy metal para dar conta deste ou daquele disco que pode até interessar a muita boa gente que gosta de bandas mais alternativas, neste caso de bandas mais rockeiras. «Tao of the Dead» é um álbum de rock alternativo/progressivo/experimental/whatever, que propõe uma viagem éterea que começa no rock enérgico de «Pure Radio Cosplay» e acaba nos devaneio espacial dos 16 minutos de «Strange News From Another Planet». Pelo meio o álbum sofre pela rapidez com que 7 canções passam cujas durações variam entre os 2 e os 3 minutos. É certo que o catchiness de «The Wasteland» merecia mais desenvolvimento do que os míseros 2 minutos e meio que dura e «The Spiral Jetty», que relembra os momentos melancólicos dos The Smashing Pumpkins, mais parece uma introdução para qualquer coisa que fica a meio caminho para abrir espaço ao momento mais metálico do álbum «Weight of the Sun». «Tao of the Dead» pode e deve interessar a quem aprecia Porcupine Tree, Rush ou os vários projectos de Devin Townsend. Com uma ressalva, «Tao of the Dead» raramente recorre ao "peso" e prefere deliciar o ouvinte com paisagens alucinantes e delirantes efeitos, que garantem abstração total da realidade durante os seus 52 minutos de duração. 8/10

KORPIKLAANI - «UKON WACKA»

De cantorias alegres e rituais pagãos se faz o percurso dos finlandeses Korpiklaani que ao longo de uma discografia que já remonta a 2003, teimam em lançar álbuns de folk metal repletos de melodias dançáveis e coros que apetece cantar de pulmões bem abertos. «Ukon Wacka» não foge à regra e promete aquecer as almas dos muitos fãs de um género que tem encontrado sem dúvida um enorme público junto não só dos adeptos de sonoridades mais extremas como dos que começaram recentemente a ouvir metal, através de bandas bastante mais comerciais. De uma maneira ou de outra, é difícil resistir a canções como «Tequila», «Päät Pois Tai Hirteen» e «Vaarinpolkka», orientadas para funcionarem ao vivo com o povo a acompanhar Jonne Järvelä nos muitos coros que fazem de «Ukon Wacka» um disco tão apetecível. É óbvio que para se apreciar um disco destes é essencial uma grande dose de boa disposição, ausência de preconceitos em relação ao termo humppa-metal e muita, mas mesmo, muita cerveja...ou hidromel a ser bebida por um corno. 7,5/10

Thursday, February 03, 2011

ONSLAUGHT - «SOUNDS OF VIOLENCE»

Desde que se reuniram em 2006, os Onslaught já gravaram um DVD, um best of, um álbum ao vivo, três singles e dois álbuns de originais. Proveitoso regresso não? Não fosse a qualidade inabalável de «Killing Peace» editado em 2007, cujo impacto positivo originou essa avalanche de lançamentos, e estaríamos perante um exemplo académico de aproveitamento de uma carreira tardiamente reconhecida através dos clássicos «Power From Hell» (1985) e «The Force» (1986). Mas nada justifica tamanha exploração de um nome que, verdade seja dita, nem é dos mais sonantes do thrash metal. Daí algumas reservas na abordagem a «Sounds of Violence» que se revela um disco de evil thrash metal que, com malhas como «Code Black», «Rest in Pieces» e «Suicideology», o grupo britânico consegue atingir um nível óptimo, mas nada de transcendente como aquilo que os Onslaught mostraram no antecessor. A vulgaridade de «Godhead», «Hatebox» e «Antitheist» faz com que o impacto seja reduzido a momentos de iluminação esporádica que não chegam para fazer de «Sounds of Violence» um álbum acima da média. Vou mais longe e digo que talvez não fosse má ideia dar por terminada a carreira dos Onslaught e começar outra banda, porque aparentemente, vontade de thrashar não falta a Sy Keeler, Nige Rockett e Steve Grice. O problema reside na falência derivada do sobre-aproveitamento de um nome que estilisticamente parece já não poder oferecer nada de relevante ao thrash metal. Destaque ainda para cover bonzinha de «Bomber» dos Motörhead com a presença de Phil Campbell e Tom Angelripper. 4,8/10

ARAFEL - «FOR BATTLES ONCE FOUGHT»

Impressionante este terceiro álbum dos israelitas Arafel, que ao contrário da maioria das bandas folk metal, aqui o folk e o ambiente servem só mesmo como pano de fundo, porque a música é mesmo sempre a abrir. Tome-se como exemplo «Kurgan» o segundo tema que, depois da introdução feita através da rapidíssima «Sword's Hymn», apresenta bem mais variação e um conjunto de soluções que falta à maioria das bandas folk actuais. Ao que parece tocam folk/black metal, mas a verdade é que o espectro dos Arafel chega a bandas como Enslaved, Arkona, Eluveitie e Amon Amarth. Se isto não for o suficiente para vos deixar a salivar, então «For Battles Once Fought» dificilmente vos irá fazer mudar de ideias. De qualquer forma seria injusto não vos recomendar a audição, pelo menos do tema «Death of Archaic World» que é daquelas músicas impossíveis de resistir. A verdade é este disco está entre o melhor folk metal que ouvi ultimamente e por isso: 9/10

TITANS EVE - «THE DIVINE EQUAL»

Os Titans Eve são uma banda do Canadá que edita aqui o seu primeiro álbum «The Divine Equal», que mais parece um trabalho feito por uma banda com estaleca nos meandros de thrash metal. Isso mesmo, «The Divine Equal» é um álbum de thrash metal. Mas não se assustem porque não se trata de mais uma banda de new-thrash, os Titans Eve conseguem de facto transportar a chama do thrash e dar-lhe um cunho muito próprio, evitando aquele sentimento desagradável de dejá-vù que se instala quando ouvimos uma banda que força o som nostálgico sem qualquer sentimento. O grupo de Vancouver, que se encontra por incrível que seja, sem contrato, dá uma demonstração de força com 9 temas (mais um intro e um interlúdio) em que Testament (entre o «Souls of Black» e o «Demonic») é sem dúvida a influência mais audível, quer nas guitarras ou no trabalho vocal de Brian e Kyle Gamblin. Oiçam «Becoming the Demon» e «Nightfall», por exemplo. O potencial é enorme, pela destreza dos músicos e pelas ideias e riffs espalhados pelo disco que, mesmo não sendo nada de extraordinariamente original, prima pela garra e execução formidáveis, um pouco como os nossos Prayers of Sanity. Para os adeptos incondicionais de thrash metal, esta é uma banda que não devem perder de vista. 7,7/10

SILENT STREAM OF GODLESS ELEGY - «NÁVAZ»

Arredados dos lançamentos desde 2006, altura em que editaram o EP «Osameli», os Silent Stream of Godless Elegy têm agora a oportunidade de perante a vaga do folk metal, transportarem o seu nome para outras dimensões, que não a obscuridade a que estiveram devotados durante os 8 anos da sua plena actividade, editando 4 álbuns de longa duração. Ora, «Návaz» reúne vários ingredientes que podem fazer deste álbum um sucesso neste início do ano: a presença acentuada do folk metal é notória (como sempre foi é certo), assim como uma aposta em temas preferencialmente curtos e orelhudos, normalmente melancólicos onde impera o uso de violino, como «Zlatohlav» e «Přísahám», mas com algumas excepções que aumentam a paleta de cores presentes no álbum, nomeadamente nas excelentes «Slava», «Dva Stíny Mám» e na semi-épica «Skryj Hlavu Do Dlaní». Para aqueles que suspiram pelos Eluveitie e afins, «Návaz» é altamente recomendado, para os que ficaram fãs da banda no 90's, fiquem descansados porque o álbum não desilude minimamente. 8/10

Wednesday, February 02, 2011

GRUNT - «SCROTAL RECALL»

Como os próprios dizem oficialmente, os Grunt foram fundados das cinzas dos Fetal Incest, ambas para prestar homenagem a bandas de death/grind como Gut, CBT, Dead Infection e Rot. Apoiados num imaginário pornográfico extremo, os Grunt parecem ser um projecto com bastante futuro, não colocando de parte alguns senãos, nomeadamente ao nível instrumental. Como devem saber o grindcore não é propriamente o estilo mais variado e dinâmico do mundo. Os Grunt bem tentam versatilizar o seu som, com introdução de batidas techno, algumas linhas mid-tempo, mas a originalidade é praticamente nula. Apesar disso, dá um gozo sádico ouvir este disco, ler os títulos das músicas («Wrong Leg Amputation», «Cum Souffle», «Tetraplegic Hooker», a cover de Cradle of Filth «The Forest Whispers Your're Gay» ou o super hit single «Goth Girls Don't Say No») e as letras, enquanto a brutalidade e caos absoluto se espalham pela casa vindos das colunas. Um pouco como «Abuse» dos Wormrot, editado no ano passado, «Scrotal Recall» é pura devastação sonora, mas também é verdade que quando acaba, ao contrário de «Abuse», não dá grande vontade de carregar no replay. É como uma boa piada: pode ser boa, mas à segunda vez que se ouve, já não tem graça nenhuma. 6,9/10

SVARTSYN - «WRATH UPON THE EARTH»

Apesar de serem desconhecidos da maioria do público metaleiro, os Svartsyn são um caso de devoção ao total underground ao longo de 18 anos. «Wrath Upon the Earth» é assim o sexto álbum de originais, de uma carreira começada em 1993, precisamente na altura em que o black metal nórdico começava a dar nas vistas. A intro que abre o disco é bastante promissora, criando um ambiente propício a grandes feitos e assim que «Wrath of Leviathan» dispara é impossível não dar a continuidade mental ao estado de alma que a intro criou. Ainda mais em «My Mountain», em que se ouve o porquê de haver a necessidade de separar os estilos norueguês e sueco do black metal. A sonoridade é opressiva e totalmente raw, com variações quanto bastem, principalmente em «My Mountain» e «Dawn of Triumph», mas a maioria é rápida e directa ao assunto fustigando o ouvinte com furiosos blastbeats e diabólicos layers de guitarras. «Wrath Upon the Earth» não tem uma duração muito grande (só uma música ultrapassa os 5 minutos), e revela-se uma escolha acertada por parte de Ornias, o único elemento efectivo dos Svartsyn, que assim evita o cansaço de quem está ouvir. Convenhamos que os Svartsyn não inventam aqui nada de novo, "apenas" debitam black metal obscuro e anti-cristão, com tudo de bom e mau que isso acarreta. Contudo, para quem tem um especial apetite por álbuns de retro-black metal circa 93-96, tem aqui algo a ouvir urgentemente. 8/10

AXENSTAR - «AFTERMATH»

Os suecos Axenstar são hoje uma das propostas mais pesadas dentro do power metal, ao combinarem a melodia de uns Kamelot e Symphorce com o peso dos últimos álbuns de Symphony X. «Aftermath» segue a mesma linha, e é impressionante a rapidez com que «Dogs of War» dá o mote para o início desta viagem em que de facto a produção reveste as músicas de um brilho especial. Nomeadamente no que toca às guitarras e à bateria que em «Tears of the Sun» alia impecávelmente as melodias vocais de Magnus Winterwild a riffs semi-thrash, com uma subtil mas soberba linha de teclados. Vocais que acabam por ser o ponto menos positivo dos Axenstar. Magnus usa um registo muito soft e que parece não acompanhar o poderio instrumental. Isso nota-se especialmente em músicas como «The Escape», «Agony» e sobretudo na rapidíssima «Signs of a Lie», música fortemente influenciada pelo death metal sueco de uns At the Gates. 7/10
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