Mais um álbum dos Amon Amarth, de onde já só se espera epicidade e mitologia nórdica, mas sobretudo death metal de primeira linha. É certo que o grupo sueco tem estado a repetir-se talvez há demasiado tempo, e a fórmula até tem funcionado, muito por força das músicas poderosas que cada álbum possui. Este é talvez o ponto fraco de «Surtur Rising». Não há aqui numa malha clássica para ombrear com o catálogo vasto dos gigantes nórdicos. As que mais se aproximam são «War of the Gods», «Destroyer of the Universe» e «Doom Over Dead Man», apesar de serem músicas similares a outras espalhadas pelo repertório Amon Amarthiano. Mas no final de contas era possível esperar outra coisa que não o que este disco oferece? A banda nada mudou, continua poderosa e agressiva, não sucumbiu aos malefícios da fama e continua fiel à imagética viking. Provavelmente virá o dia em que Johan Hegg e os seus pares mudem de conceito, mas até lá, ao menos sabemos que os Amon Amarth são sinónimo de qualidade, mesmo que neste caso, «Surtur Rising» fique alguns furos abaixo de «Twilight of the Thunder God». Nota final para a inesperada cover de «Aerials» dos System of a Down, que apesar de meio confusa, revela abertura musical por parte do conjunto sueco. 7,5/10Thursday, March 31, 2011
AMON AMARTH - «SURTUR RISING»
Mais um álbum dos Amon Amarth, de onde já só se espera epicidade e mitologia nórdica, mas sobretudo death metal de primeira linha. É certo que o grupo sueco tem estado a repetir-se talvez há demasiado tempo, e a fórmula até tem funcionado, muito por força das músicas poderosas que cada álbum possui. Este é talvez o ponto fraco de «Surtur Rising». Não há aqui numa malha clássica para ombrear com o catálogo vasto dos gigantes nórdicos. As que mais se aproximam são «War of the Gods», «Destroyer of the Universe» e «Doom Over Dead Man», apesar de serem músicas similares a outras espalhadas pelo repertório Amon Amarthiano. Mas no final de contas era possível esperar outra coisa que não o que este disco oferece? A banda nada mudou, continua poderosa e agressiva, não sucumbiu aos malefícios da fama e continua fiel à imagética viking. Provavelmente virá o dia em que Johan Hegg e os seus pares mudem de conceito, mas até lá, ao menos sabemos que os Amon Amarth são sinónimo de qualidade, mesmo que neste caso, «Surtur Rising» fique alguns furos abaixo de «Twilight of the Thunder God». Nota final para a inesperada cover de «Aerials» dos System of a Down, que apesar de meio confusa, revela abertura musical por parte do conjunto sueco. 7,5/10
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WITHIN TEMPTATION - «THE UNFORGIVING»
Quatro anos de espera depois de «The Heart of Everything», um álbum em que os Within Temptation amadureceram o seu symphonic gothic metal («The Howling» e «Our Solemn Hour»), mas davam mostras de se estarem a preparar para mudanças («What Have You Done»), «The Unforgiving» é anunciado como sendo uma peça conceptual baseada num comic book. A ideia é kitsch e rompe totalmente com o passado da banda, revelando-se algo desadequada ao universo que o grupo havia com sucesso criado até aqui. O pior acaba por nem ser bem este conceito, mas a música que vai de arrasto e retira dos Within Temptation toda a classe que fazia a diferença. Em vez das malhas fortes, operáticas e sinfónicas, passamos a ter músicas directas, super-produzidas com um falso peso auferido pelas guitarras d-tuned, um trabalho vocal de Sharon menos colorido e no geral um modern rock sem pingo de feeling e originalidade. Óbviamente e felizmente nem tudo é mau. Músicas como «In The Middle of the Night» e «A Demon's Fate» retêm força suficiente remniscente dos dois anteriores álbuns e que tornam a experiência menos surreal. Já «A Shot in The Dark» e «Faster» são apesar de tudo músicas de pop rock bem eficazes com bons refrões, apesar do plágio que «Faster» faz a uma música bem conhecida do público geral. Musicalmente, os Within Temptation continuam a ser uma opção válida para quem gostar de rock moderno e de metal comercial, mas quem venera os primeiros álbuns terá mais dificuldade em assimilar esta nova fase da influente banda holandesa. 6/10
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BLACKFIELD - «WELCOME TO MY DNA»
Os Blackfield, banda composta por nada menos do que Steven Wilson (Porcupine Tree) e Aviv Geffen, um famoso cantor pop israelita, editam «Welcome to my DNA» um disco soberbo que fica a milhas de distância dos seus antecessores. Não que «Blackfield» e «Blackfield II» sejam maus discos, mas talvez Wilson tenha finalmente prestado mais atenção a este projecto que segundo o próprio classificou como sendo uma versão de Porcupine Tree apenas com maior sensibilidade pop. A descrição é óptima para percebermos o que este disco oferece. Músicas simples com estrutura de verso-refrão-verso-refrão, assentes em melodias doces e contemplativas e no trabalho vocal de Wilson. Em que outro trabalho poderiamos ouvir um "fuck you all" (em «Go to Hell») e soar tão bem? Só mesmo em algo composto por este genial músico e claro por Geffen ao qual é atribuido 50% do mérito composicional. De resto é necessário chamar a atenção de que este disco quase não tem guitarras puxadas à frente e tudo o que aqui se pode ouvir é passível de airplay numa qualquer estação de rádio nacional. «Glass House», «Go to Hell», «Waving», «On the Plane» e a favorita «Oxygen» são músicas a ouvir urgentemente. 8,5/10
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OBSCURA - «OMNIVIUM»
Não é qualquer banda que ao segundo álbum atinge um bom nível de popularidade dentro do exigente mundo do death metal. Requere não só uma dose extraordinária de originalidade como uma performance musical muito acima da média, mas igualmente um crescimento sustentado de álbum para álbum. Os germânicos Obscura conseguiram-no inicialmente com o formidável «Retribution», acrescentaram níveis de intensidade técnica em «Cosmogenesis» e por esta altura poucos são so fãs de death metal que ainda não ouviram falar neles. «Omnivium» surge agora com níveis consideráveis de expectativa nas hostes do metal bruto e cumprem quase na totalidade com aquilo que era esperado deles. O death metal técnico brutal, esporádicamente requintado com solos do outro mundo e passagens que caberiam num álbum de Meshuggah («Vortex Omnivium» por exemplo) é aqui elevado a algo superior a ambos os anteriores álbuns. O que fica a faltar é uma maior dose de audácia em determinados momentos em que o disco pede uma ou outra malha mais arriscada. Poderá eventualmente ser um opção para um trabalho futuro. Até aqui, os Obscura podem orgulhar-se de serem uma das mais interessantes bandas do panorama deathster actual, isso ninguém lhes tira. 8,7/10SYMFONIA - «IN PARADISUM»
Com a partida de Timo Tolkki dos Stratovarius era previsível que o talentoso músico finlandês não demorasse muito tempo até dar à luz um novo projecto. Symfonia não só surge relativamente rápido como ainda por cima é anunciado um line up de respeito com André Matos (Ex-Angra) na voz, Jari Kainulainen (Ex-Stratovarius) no baixo, Mikko Härkin (Sonata Arctica) nos teclados, Uli Kusch (Ex-Helloween) na bateria e claro Timo Tolkki nas guitarras. Um conjunto de músicos cujo efeito perverso da alta expectativa, poderia não ser suficiente para fazer de «In Paradisum» um trabalho válido. Porém, a naturalidade do material aqui presente não precisa sequer de grandes artifícios para suplantar as expectativas postas por qualquer fã de power metal sinfónico. Curiosamente, as duas primeiras canções «Fields of Avalon» e «Come By The Hills» têm mais a ver com os Edguy e Avantasia de Tobias Sammet do que com Stratovarius, banda com que se esperava que houvesse mais semelhanças. «Santiago» deita por terra uma possível colagem a Edguy para nos oferecer o primeiro grande momento de «In Paradisum», onde se destaca a secção intermediária com solos luminosos. A balada lamechas «Alayna» acaba por ser a música mais fraca do álbum mas antecede uma sequência de músicas belíssimas, só ao alcance de gente deste calibre. A intensa «Forevermore» tem um dos refrões mais apelativos do álbum, assim como a folkish «Pilgrim Road» e as mid-tempo e mais rockeiras «Rhapsody in Black» e «I Walk in Neon». Pelo meio fica a épica faixa título, também escolhida para single em regime de edit. «Don't Let Me Go» é uma peça mais subtil apoiada em violinos de sublime efeito e que encerra o álbum na perfeição. A par do magnífico «Elysium» dos Stratovarius editado no início do ano, «In Paradisum» é o melhor álbum de power metal de 2011 até ao momento. E avisa-se desde já a concorrência que a fasquia está muitíssimo alta. 9/10HAVOK - «TIME IS UP»
É com enorme satisfação que «Time Is Up» chega a estas bandas, por provar duas coisas: a primeira é que no oceano de bandas que tentam recuperar o feeling dos thrash dos 80's sem grande sucesso, existe pelo menos uma que o faz de forma soberba. A segunda é que em 2009 quando falámos aqui no segundo álbum dos Havok, «Burn», identificámos algo que se destacava claramente do universo de clones sem sentido que povoam o metal actualmente. Sim, os Havok são no fundo uma colectânea de clonizações de bandas seminais como Slayer («No Amnesty»), Testament («DOA») e Exodus («Prepare For Attack»). As influências são as melhores e o plágio é cinco estrelas, desde do riff monstruoso que abre o álbum, passando pela agressividade descontrolada de «No Amnesty» e «Covering Fire», até à melodia de «DOA» e ao mid-tempo arrebatador de «Killing Tendencies». «Time is Up» é definitivamente um álbum para qualquer metaleiro que venere a Bay Area. 8,5/10Wednesday, March 30, 2011
THE HAUNTED - «UNSEEN»
Quem os viu e quem os vê. Serão os mesmos The Haunted que gravaram o seminal «rEVOLVEr»? Aparentemente sim. Então porque é que este «Unseen» soa tão a nu metal? Provavelmente qualquer vivalma que conheça os primeiros trabalhos da banda sueca fará a mesmíssima pergunta. Ao sétimo álbum, os receios de que os The Haunted estavam por um fio de se transformarem totalmente, tornaram-se realidade. Receios que já vinham de «The Dead Eye», o disco experimental de 2006. Apesar de algo estranho, esse álbum trazia consigo uma musicalidade válida que tinha inclusivamente potencial para se tornar na próxima etapa dos The Haunted. O passo seguinte «Versus» foi menos lógico. O grupo parecia tentar recuperar agressividade, mas fê-lo de maneira ainda mais insípida do que a experimentação gorada de «The Dead Eye». «Unseen» soa a algo surgido de um beco sem saída. Como se numa qualquer conferência, a banda assumisse a falta de ideias e entregasse o poder composicional por completo a Peter Dolving que não se fez de esquisito e transfigurou mais uma vez os The Haunted, trazendo influências de Tool e Deftones para o grupo. O resultado é bastante difícil de assimilar pela estranheza da ausência de agressividade geral, apesar de passado algum tempo músicas como «Never Better», «Them» e «Unseen» ganharem bastante envolvência, muito por culpa do talento vocal de Dolving. No geral, «Unseen» é daquele género de álbuns que crescem com o tempo e que demoram a ser compreendidos, resta é saber quantas pessoas terão pachorra para dar ao álbum tempo suficiente para este amadurecer. 7/10WHITESNAKE - «FOREVERMORE»
Depois do acidente vocal que tirou os Whitesnake da digressão com Judas Priest no Verão de 2009, David Coverdale anunciou no início de 2010 que não só estava totalmente recuperado, como estava a gravar demos para um novo álbum a saír dali a um ano. «Forevermore» é o resultado final dessas demos e aquele que é o 11º álbum de uma carreira fulminante até 1989 e muito menos produtiva desde então, apesar de «Forevermore» ser editado apenas 3 anos depois de «Good to be Bad» (2008). Neste disco é surpreendente a vitalidade de uma banda que continua a soar tão enérgica quanto há 25 anos. As três músicas que abrem o álbum são sinónimo de um grupo que transpira rock n' roll mas que vai buscar ao blues a mesma inspiração. No entanto, «One of These Days» e «Whipping Boy Blues», colocadas respectivamente a meio e fim do alinhamento, são as faixas mais bluezadas de «Forevermore». De resto, apenas ressalta a ausência de uma balada marcante, que sempre foi uma das marcas registadas de David Coverdale. Quem sabe a opção de partilhar palcos com bandas de heavy metal em diversos festivais europeus tenha dado ao carismático frontman uma nova motivação para compôr música repleta de guitarras fortes, bateria musculada e menor sensibilidade pop. E ainda bem, porque «Forevermore» é a melhor coisa que os Whitesnake fizeram desde «Slip of the Tongue». 9/10ARTILLERY - «MY BLOOD»
Se 2009 viu os Artillery regressarem com o fantástico «When Death Comes», 2011 não ficará atrás com este excelente «My Blood». Aliás um álbum que começa com «Mi Sangre (The Blood Song)» só pode estar muito acima da média. O thrash attack dos Artillery é top notch, com um jogo de guitarras fenomenal (oiçam «Monster» e «Thrasher»), assim como as melodias mais rockeiras com que insistem em dinamizar os seus álbuns, principalmente estes dois últimos. O melhor exemplo é «Ain't Giving In» (que apareceu originalmente na demo de 1992 «Mind Factory»), que deixa por alguns momentos o thrash mais furioso de lado, para nos oferecer uns hooks de primeira água, e que encontra correspondência em «When Death Comes» com «Delusions of Grandeur». «My Blood» é ainda polvilhado com esporádicas ambiências arábicas, que dão um toque de classe ao disco, sem soarem a óbvios ou supérfluos, aparecem quando menos esperamos. Com um óptimo trabalho gráfico, «My Blood» sublinha os Artillery como umas das melhores propostas do thrash/heavy metal da actualidade com sabor a old-school. 8,3/1040 WATT SUN - «THE INSIDE ROOM»
«The Inside Room» é o primeiro álbum dos 40 Watt Sun, banda de doom metal começada em 2009 por ex-membros dos Warning. As semelhanças entre as duas bandas são grandes: a cadência declamada de Patrick Walker, os riffs cinzentos de William Spong e a bateria repleta de pormenores deliciosos de Christian Leitch são ingredientes que transitaram de um projecto para o outro. A qualidade também. Falamos de doom metal na senda de uns Griftegard, onde as músicas assumem uma melancolia desesperante e o tom quente do registo sempre limpo de Walker assenta que nem uma luva. Uma melodia outunal e envolvente que se apodera do ouvinte com tal eficácia que se torna impossível ficar indiferente à sua audição. «Open My Eyes» e a indescrítivel «Carry Me Home» são os momentos altos de um álbum que deverá ficar gravado na memória de todos os amantes de doom metal espalhados por esse mundo fora. 8/10
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Tuesday, March 29, 2011
CHILDREN OF BODOM - «RELENTLESS RECKLESS FOREVER»
Mais um álbum de Children of Bodom, de onde já só se esperam como garantidas duas coisas: uma capa horrível e o power death metal cheio de teclados que Alex Lahio e companhia têm disparado desde da estreia de «Something Wild» em 1997. É certo que os três primeiros álbuns são uma colheita fantástica, de quando este cruzamento de death com power metal ainda era uma novidade, mas desde «Hate Crew Deathroll» (já de si um disco de menor qualidade), os álbuns dos COB têm vindo a decaír a olhos vistos. «Relentless Reckless Forever» é mais um degrau em sentido descendente, de onde se salvam uma ou outra faixa mais efectiva, mas no geral, tudo o que aqui está é reciclagem de músicas anteriores, de álbuns mais antigos. Neste sentido, poder-se-ia perguntar aos próprios Children of Bodom: «Was It Worth It?». 5/10CAVALERA CONSPIRACY - «BLUNT FORCE TRAUMA»
«Blunt Force Trauma» é o sucessor de «Inflikted» o álbum de estreia dos Cavalera Conspiracy, projecto que juntou os irmãos Max e Igor, depois deste último ter abandonado os Sepultura em 2006. Se o primeiro disco pegava nos Sepultura por alturas do «Chaos AD»/«Roots» e injectava-lhe a costela groove dos álbuns de Soulfly, «Blunt Force Trauma» repete a receita, com onze músicas directas sem grandes floreados, apoiadas no trademark growl de Max Cavalera. Mas é também neste álbum que as intenções do duo brasileiro para os Cavalera Conspiracy se desvendam. Fica claro que estamos perante um projecto cujas ambições passam por compôr um conjunto de músicas concisas que apelem tanto à nostalgia de Sepultura como aos últimos trabalhos de Soulfly, nomeadamente ao «Omen». Músicas como «Warlord», «Lynch Mob» e «Killing Inside», parecem inclusivamente boas sobras do álbum de 2010 dos Soulfly. Mas nota-se com agrado que Max e Igor ainda sabem compôr músicas bem agressivas como «Torture» e «Thrasher». No geral, «Blunt Force Trauma» é um bom álbum, mas ainda longe daquilo que sabemos que eles conseguem fazer. 7,2/10
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Sunday, March 27, 2011
REVIEWS
Os franceses Benighted editaram o seu sexto álbum «Asylum Cave» sob o signo do death metal com laivos de grind. Trata-se de um disco extremamente variado entre aquilo que uns Vader e o Cannibal Corpse fazem, passando pelos Vomitory. O disco tem inclusive alguns momentos soberbos como «Fritzl» e «Let the Blood Spill between my Broken Teeth», e ainda uns imponentes solos espalhados por quase todas músicas. 7/10Heavy metal feito a pensar nos coros e riffs catchy é a receita de «Unholy Cross» dos BloodBound. O grupo
sueco apoia-se não tanto no peso, mas em fazer com que o material soe antémico e fulgurante. Ouvindo malhas como «Moria» e «In The Dead Of Night» diria que o objectivo foi cumprido. Para fãs de Sabaton, por exemplo, este é um disco a não perder. 7,2/10
sueco apoia-se não tanto no peso, mas em fazer com que o material soe antémico e fulgurante. Ouvindo malhas como «Moria» e «In The Dead Of Night» diria que o objectivo foi cumprido. Para fãs de Sabaton, por exemplo, este é um disco a não perder. 7,2/10«New Album» é apenas um dos quatro (!!) álbuns que os japoneses Boris preparam
para 2011, longe ainda dos sete editados em 2006. Neste disco os nipónicos rendem-se ao trip-hop e música electrónica e põem de lado o stoner doom experimental de muitos dos seus álbuns. Contudo, continuam a ouvir-se as guitarradas descomplexadas durante o álbum, para nos relembrar que os Boris não descartam nunca as suas raízes mais rockeiras. «New Album» acaba por ser um disco que de metal tem muito pouco, mas não deixa de ser um trabalho de primeira água, como a excelente «Black Original» prova. Uma das coisas mais refrescantes que ouvi este ano. 8/10
para 2011, longe ainda dos sete editados em 2006. Neste disco os nipónicos rendem-se ao trip-hop e música electrónica e põem de lado o stoner doom experimental de muitos dos seus álbuns. Contudo, continuam a ouvir-se as guitarradas descomplexadas durante o álbum, para nos relembrar que os Boris não descartam nunca as suas raízes mais rockeiras. «New Album» acaba por ser um disco que de metal tem muito pouco, mas não deixa de ser um trabalho de primeira água, como a excelente «Black Original» prova. Uma das coisas mais refrescantes que ouvi este ano. 8/10Terceiro álbum para os norte-americanos Born of Osiris, que continuam a debitar o seu deathcore progressivo em «The Discovery». É porém inquestionável o acrescento de qualidade neste registo e
m tudo mais maduro e decidido, apesar da longa duração do álbum ser um factor negativo. Nota-se muita vontade de demonstrar talento e por vezes nesse "progressivismo" forçado, a banda negligencia o sentido de canção para mostrar o mundo aquilo que consegue fazer tecnicamente. Mas mais uma vez sublinho que «The Discovery» é muito superior a «A Higher Place» e a «The New Reign». 7,2/10
m tudo mais maduro e decidido, apesar da longa duração do álbum ser um factor negativo. Nota-se muita vontade de demonstrar talento e por vezes nesse "progressivismo" forçado, a banda negligencia o sentido de canção para mostrar o mundo aquilo que consegue fazer tecnicamente. Mas mais uma vez sublinho que «The Discovery» é muito superior a «A Higher Place» e a «The New Reign». 7,2/10 Como quem não quer a coisa, os finlandeses Colosseum já vão no terceiro álbum. Depois da morte do vocalista Juhani Palomäki, a banda decidiu ir em frente com a edição de «C
olosseum - Chapter 3: Parasomnia», um álbum de funeral doom muito distinto como só as bandas finlandesas sabem compôr. É certo que este álbum não trás nada de novo aquele que é porventura o mais underground dos sub-géneros do metal, mas é suficientemente bom para ser adquirido pelos fãs das sonoridades extremas do doom metal. 7/10
olosseum - Chapter 3: Parasomnia», um álbum de funeral doom muito distinto como só as bandas finlandesas sabem compôr. É certo que este álbum não trás nada de novo aquele que é porventura o mais underground dos sub-géneros do metal, mas é suficientemente bom para ser adquirido pelos fãs das sonoridades extremas do doom metal. 7/10 Segundo álbum para os finlandeses Crimfall, mais uma banda nos meandros do trend folk/viking metal repleto de sinfonias. «The Writ Of S
word» acaba por ser mais ríspido e agressivo do que esperava, com as guitarras a desempenharem um papel preponderante nestas sete músicas + dois instrumentais. No final de contas, sofre pela falta de temas memoráveis e sobretudo pelo facto de nesta altura álbuns de Ensiferum, Amon Amarth e Turisas rebentarem com a escala no que toca a folk e viking metal. 6/10
word» acaba por ser mais ríspido e agressivo do que esperava, com as guitarras a desempenharem um papel preponderante nestas sete músicas + dois instrumentais. No final de contas, sofre pela falta de temas memoráveis e sobretudo pelo facto de nesta altura álbuns de Ensiferum, Amon Amarth e Turisas rebentarem com a escala no que toca a folk e viking metal. 6/10«Bizarro World» dos Deadlock tem sido uma espécia de sensação na Alemanha, pela fusão de modern gothic metal dos Lacuna Coil com o metal sueco dos In Flames. A fó
rmula é simples com música super directa, refrões orelhudos e riffs d-tuned a relembrar as produções do nu-metal. Pessoalmente ouvir este disco, não me satisfaz minimamente, mas se gostarem de MTV metal dêm uma chance os Deadlock. 5/10
rmula é simples com música super directa, refrões orelhudos e riffs d-tuned a relembrar as produções do nu-metal. Pessoalmente ouvir este disco, não me satisfaz minimamente, mas se gostarem de MTV metal dêm uma chance os Deadlock. 5/10Os Derelict Earth são na verdade uma one man band, com o francês Quentin Stainer a assumir todos os instrumentos presentes
nos dois álbuns, que se encontram disponíveis no SoundCloud oficial da banda. Este segundo registo de originais «And So Fell the Last Leaves...» é uma interessante mescla de bandas como Opeth, Porcupine Tree e Alcest. Na ânsia de dar voz às influências musicais, Stainer deixa pouco espaço para se perceber de facto o que é que ele quer fazer com o seu projecto. 7/10
nos dois álbuns, que se encontram disponíveis no SoundCloud oficial da banda. Este segundo registo de originais «And So Fell the Last Leaves...» é uma interessante mescla de bandas como Opeth, Porcupine Tree e Alcest. Na ânsia de dar voz às influências musicais, Stainer deixa pouco espaço para se perceber de facto o que é que ele quer fazer com o seu projecto. 7/10Terceiro álbum para os Protest the Hero, mais conhecidos nos meandros de metalcore progressivo pela voz singular do seu vocalista. Em «Scurrilous» deixam de l
ado as vozes mais agressivas para se concentrarem na melodia que no meio de tanta técnica torna-se complicado memorizar algo destes rapazes, ainda assim nota-se um maior sentido de estrutura neste álbum, nomeadamente em «Termites» e «C'Est La Vie». Se apreciam bandas como The Agonist e não se importariam de ouvir um álbum dos Mastodon sob o efeito de speeds, «Scurrilous» é para vocês. 7/10
ado as vozes mais agressivas para se concentrarem na melodia que no meio de tanta técnica torna-se complicado memorizar algo destes rapazes, ainda assim nota-se um maior sentido de estrutura neste álbum, nomeadamente em «Termites» e «C'Est La Vie». Se apreciam bandas como The Agonist e não se importariam de ouvir um álbum dos Mastodon sob o efeito de speeds, «Scurrilous» é para vocês. 7/10Pois é..
.o mundo do metal é pródigo em inventar termos para definir um trend. Desta vez temos os TesseracT, banda de metal experimental da mesma colheita que Periphery, Textures, Xerath, Midnight Realm, associada ao Djent. Até os Meshuggah já surgem associados a isso. Aqui têm uma definição do termo: Djent. No fundo é apenas um pormenor insignificante, dado que o que conta, no final, é a qualidade da música. Os TesseracT são sem dúvida um dos projectos mais interessantes actualmente, na forma como misturam metal experimental e progressivo com post-metal, mantendo peso e coerência em «One» onde até cabem flautas e female vocals, e do qual já tinhamos uma amostra nos EP «Concealing Fate» editado em 2010. «One» é um trabalho maravilhoso e hipnótico que não devem de forma alguma perder. 9/10
.o mundo do metal é pródigo em inventar termos para definir um trend. Desta vez temos os TesseracT, banda de metal experimental da mesma colheita que Periphery, Textures, Xerath, Midnight Realm, associada ao Djent. Até os Meshuggah já surgem associados a isso. Aqui têm uma definição do termo: Djent. No fundo é apenas um pormenor insignificante, dado que o que conta, no final, é a qualidade da música. Os TesseracT são sem dúvida um dos projectos mais interessantes actualmente, na forma como misturam metal experimental e progressivo com post-metal, mantendo peso e coerência em «One» onde até cabem flautas e female vocals, e do qual já tinhamos uma amostra nos EP «Concealing Fate» editado em 2010. «One» é um trabalho maravilhoso e hipnótico que não devem de forma alguma perder. 9/10Wednesday, March 23, 2011
LOST & FOUND #1 - W.A.I.L. - «Wisdom Through Agony Into Illumination and Lunacy» (2009)
Como havia prometido, este espaço intitulado Lost & Found servirá para se chamar a atenção para alguns álbuns que passaram despercebidos, apesar da sua imensa qualidade. Podem ser álbuns recentes ou antigos, de qualquer formato ou sub-género do metal. Estará igualmente aberto a sugestões vossas, basta para isso que nos comentários coloquem uma banda e respectivo trabalho. Aos finlandeses W.A.I.L. cabem as honras de abertura desta rúbrica, banda que me chamou a atenção através da review feita no site Metal Storm. Trata-se do disco de estreia da banda nórdica, lançado em 2009 e que se chama «Wisdom Through Agony Into Illumination and Lunacy». A sonoridade fica algures entre o death/doom que rasgos de black metal, com os My Dying Bride pré-«As the Flower Withers» a vir-nos bastantes vezes à mente, assim como ambientes da fase clássica dos noruegueses Mayhem e dos seminais Winter, sempre filtrados pela típica aura depressiva presente em trabalhos das bandas de doom finlandesas como Evoken e Unholy, e de uma produção digna de álbum de death metal do fundo do poço. Tudo ingredientes mais do que suficientes para que as longas músicas nunca se tornem aborrecidas, com diversas variações de ritmo e um assombroso trabalho vocal de P.R. e A.E.. Em baixo fica uma amostra.Sunday, March 20, 2011
ESPECIAL BANDAS PORTUGUESAS
Começemos este especial bandas portuguesas dando conta do fantástico crescimento da cena nacional nos últimos anos. Não só em quantidade mas em qualidade, provando que o tão propalado NWOPHM está aí e só não vê quem não quer, resta esperar que este notável crescimento chame a atenção de editoras e público estrangeiro bem rapidamente.
Os
A Dream of Poe propõe-nos «The Mirror of Deliverance», o longa duração que sucede o excelente EP «Lady of Shalott» editado durante o ano passado. Neste registo ficam patentes as influências do triunvirato britânico do doom metal, assim como de grupos como os Mourning Beloveth e até dos nossos Desire. Doom gótico mais ritmado («Neophyte») contrapõe com outro mais fúnebre («Os Vultos»), num disco que devia ter mais uma ou outra música como a brilhante «Lady of Shalott». 7/10
A Dream of Poe propõe-nos «The Mirror of Deliverance», o longa duração que sucede o excelente EP «Lady of Shalott» editado durante o ano passado. Neste registo ficam patentes as influências do triunvirato britânico do doom metal, assim como de grupos como os Mourning Beloveth e até dos nossos Desire. Doom gótico mais ritmado («Neophyte») contrapõe com outro mais fúnebre («Os Vultos»), num disco que devia ter mais uma ou outra música como a brilhante «Lady of Shalott». 7/10Os Ava Inferi e o seu muito aguardado «Onyx» continuam num processo de maturação, notando-se uma direcção mais definida e estruturas mais catchy como «Majesty» e a arrebatadora «The Living End». Nota-se ainda no entanto que em algumas músicas sofrem com os vários twists e variações que tornam «((Ghostlights))» e «The Heathen Island» algo maçadoras e desinteressantes. 7,8/10
Infelizmente nem tudo são boas notícias. «The Serpent Smile» dos Before the Torn oferece hardcore metalizado, vulgo metalcore, tão vazio e repleto de clichés, cujo único propósito parece ser reproduzir tudo o que já feito neste espectro. Se são indefectíveis do estilo, não perdem nada em dar uma chance a «The Serpent Smile», caso contrário, aproveitem para os ver primeiro ao vivo, nas várias datas que a banda deverá programar em breve. 4/10Noutro plano totalmente distinto estão os Con
cealment com uma coisa chamada «Phenakism». O death metal técnico e progressivo assente em Atheist, Meshuggah e a curtos espaços Opeth (em «Orifice» por exemplo), é de um avantgarde tão louvável que faz perguntar o que é que estes gajos ainda estão a fazer neste país. Peguem em músicas geniais como «Malformations» e «Deluge» para perceberem o poderio e sobretudo o bom gosto musical dos Concealment, assim como em «Empalamento dos Sentidos» onde o grupo admite parcialmente uma costela deathcore sem preconceitos e com excelentes resultados. Sério candidato álbum nacional do ano. 9/10
cealment com uma coisa chamada «Phenakism». O death metal técnico e progressivo assente em Atheist, Meshuggah e a curtos espaços Opeth (em «Orifice» por exemplo), é de um avantgarde tão louvável que faz perguntar o que é que estes gajos ainda estão a fazer neste país. Peguem em músicas geniais como «Malformations» e «Deluge» para perceberem o poderio e sobretudo o bom gosto musical dos Concealment, assim como em «Empalamento dos Sentidos» onde o grupo admite parcialmente uma costela deathcore sem preconceitos e com excelentes resultados. Sério candidato álbum nacional do ano. 9/10
Os seminais Heavenwood tiveram a ousadia de chamar ao sucessor de «Redemption», «Abyss Masterpiece». Um sobreuso de teclados à lá Nightwish nas primeiras faixas estão claramente a mais num disco que peca pelas muitas faixas fraquitas na parte final do álbum, compensadas por uma primeira parte genial com músicas deliciosas como «Goddess Presiding Over Solitude» e «Winter Slave». Não é tão bom como «Redemption» mas continua a ser muito superior aos últimos álbuns de Tiamat, Tristania e Crematory, três bandas da m
esma estirpe musical dos Heavenwood. 8/10Os In Tha Umbra chegam-nos com o EP «Noire», num exercício de black death metal obscuro, por vezes aproximado ao doom, onde os únicos defeitos a apontar são a produção demasiado constrangida e os vocais, que podiam ser mais trabalhados e variados. 6/10
N
uma clara afirmação nacional de qualidade os The Ransack lançam «Bloodline», onde exploram ainda mais o conceito de death metal directo e catchy com uma produção pesadona mas demasiado comprimida, que faz o álbum soar estéril, o que até é um engano para quem ouve o disco as primeiras vezes. «Bloodline» apresenta ideias bastante interessantes que passam por um cruzamento de uns Fear Factory com o death metal mais melódico da escandinávia. 6,5/10
uma clara afirmação nacional de qualidade os The Ransack lançam «Bloodline», onde exploram ainda mais o conceito de death metal directo e catchy com uma produção pesadona mas demasiado comprimida, que faz o álbum soar estéril, o que até é um engano para quem ouve o disco as primeiras vezes. «Bloodline» apresenta ideias bastante interessantes que passam por um cruzamento de uns Fear Factory com o death metal mais melódico da escandinávia. 6,5/10Holy shit!!....eeerrrrr i
mean...Beast!! Este novo álbum dos We Are The Damned que se chama «Holy Beast» é uma verdadeira besta! É notória a enooooorme influência dos suecos Entombed neste material, mas isso não significa que o death n' roll dos We Are the Damned também não seja bom ou desprovido de personalidade. Experimentem ouvir bujardas como «Serpent», «Devorador dos Mortos» e a hardcorizada «Raping the Law of the Land», a par de experiências mais contemplativas como «Viral Oration» e «Lucifer VIP (Chapter II)». Inequivocamente superior a qualquer coisa lançada pela banda anteriormente, também fruto da grande aquisição que foi Ricardo Correia para os vocais. 8,5/10
mean...Beast!! Este novo álbum dos We Are The Damned que se chama «Holy Beast» é uma verdadeira besta! É notória a enooooorme influência dos suecos Entombed neste material, mas isso não significa que o death n' roll dos We Are the Damned também não seja bom ou desprovido de personalidade. Experimentem ouvir bujardas como «Serpent», «Devorador dos Mortos» e a hardcorizada «Raping the Law of the Land», a par de experiências mais contemplativas como «Viral Oration» e «Lucifer VIP (Chapter II)». Inequivocamente superior a qualquer coisa lançada pela banda anteriormente, também fruto da grande aquisição que foi Ricardo Correia para os vocais. 8,5/10
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Saturday, March 19, 2011
RETROSPECTIVA
Em qualidade e quantidade, diga-se. Apesar de não termos sido presenteados com nenhum álbum absolutamente fantástico (de qualquer forma só o tempo nos dirá), o que é certo é que foram muitos os trabalhos acima da média que foram editados nos últimos 30 dias. O que deixa no ar uma questão: terão todos estes discos a atenção devida e merecida? É verdade que existem públicos para todo o tipo de sub-géneros do metal, mas quantos fãs terão de facto ouvido um álbum como o «The Eternal Battle» dos Doomsword, por exemplo? Ou o segundo álbum dos Totalselfhatred, «Apocalypse In Your Heart»? Exemplos existem vários, mas a discussão é neste momento, devido ao número elevado de edições, bastante pertinente. Só para vos dar uma ideia. Desde do dia 1 de Janeiro, este vosso escriba já deitou ouvidos a quase 80 álbuns de originais! Sobram ainda assim dezenas de discos que são editados digitalmente pelas bandas e aqueles que passam ao lado, por variadas razões. É verdade meus amigos! Nestes últimos 5 anos, assistimos a uma verdadeira massificação do metal, algo impensável na década de 90. Razões para isto? O custo de fazer um disco actualmente é ínfimo, as redes sociais permitem a partilha de um sem número de projectos entre os utilizadores, as editoras optaram por inundar o mercado com álbuns na esperança de vender algumas copiazinhas. Consequências? As grandes editoras começaram a recorrer a estratégias de marketing que desvirtuam o romantismo em que o próprio género se debruça, a qualidade e originalidade decrescem a olhos vistos, a atenção que cada álbum recebe é diminuta, cada vez menos nos deparamos com um trabalho verdadeiramente marcante em favor de correntes e trends assentes em factores de imagem e ideologias parvas. Esta massificação pode ser observada num pormenor tão simples como o artwork dos álbuns. A capa dos novos discos de Within Temptation, Arch Enemy e Children of Bodom ou todas as capas das bandas de deathcore, são tão assépticas e desprovidas de sentido, que fazem pena. O artwork deixou de ser o portal para as emoções contidas num álbum para ser somente algo fixe, photoshopado até ao vómito e sem pingo de originalidade. Deixo-vos este assunto para reflexão.
No que toca aos álbuns em si: tivemos o metal musculado completado com baladas chunga no álbum homónimo do Ralph Scheepers (5) e o esquecível «Beast» dos Devildriver num conjunto de músicas super-produzidas, cheias de peso mas no fim nada de relevante a declarar (5).
Dos Benedictum chegou-nos o óptimo disco «Dominion», onde se dá um novo significado ao termo female fronted metal, em certa medida semelhante ao que os Sister Sin tentam fazer actualmente. Metal dos 80's com força e power suficientes para nos manter atentos para um próximo registo (7,1).
Os Darkest Hour e o seu «The Human Romance» foram uma das bandas que mais rodou por aqui ultimamente. Metalcore feito com peso, conta e medida apoiado em refrões catchy e solos bem esgalhados (7,5).
Os Mercenary espreitam uma oportunidade para finalmente saírem da toca e «Metamorphosis» é um bom começo para isso. Numa subtil mudança de direcção, tentam dar às suas músicas um conceito mais directo e catchy, sem perder peso. Pode não ser um «11 Dreams», mas saluta-se a ambição da banda, porque tem potencial para muito mais do que ser um eterno seguidor da cena sueca (7,8).
Os Long Distance Calling reclamaram para si atenções no primeiro álbum e aqui neste homónimo trabalho voltam a mostrar que o pós-metal instrumental ainda tem muito a explorar. Paisagens sonoras intrincadas mas também suaves e contemplativas fazem deste álbum um dos principais discos a não perder neste início de 2011 (8).
«Deathstar Rising» pode ser um título meio parvinho, mas o som dos Before the Dawn nada tem de baixo QI. Neste registo, o doom/death/rock gótico dos finlandeses entra numa dimensão superior a qualquer coisa que tenham feito até aqui. Para quem gosta de In Flames, Dark Tranquillity, Rapture, Swallow the Sun e Katatonia (7,8).
Já os austríacos Serenity resolverm aderir ao symphonic metal convidando várias vocalistas de bandas como Sirenia, Delain e Epica (Amanda Sommerville). O som de «Death & Legacy» continua a ser uma cópia de Kamelot, se bem que neste disco os níveis de influência/plágio roçam o rídiculo (3).
Os Evergrey continuam no trilho do metal progressivo mais simples e catchy preconizado em «Torn», mas tal como nesse malfadado álbum, «Glorious Collision» não pode satisfazer quem tenha ouvido um «Recreation Day». Os Evergrey provam que precisam urgentemente de fazer uma pausa e de recarregar as baterias (6).
Os norte-americanos Jag Panzer, com o «Scourge of the Light» compuseram mais um belíssimo disco, como é hábito. Agradávelmente orgânico e repleto de boas canções, estamos perante um dos melhores grupos vindos do outro lado do Atlântico (8).
Já falámos dos Doomsword no início deste texto. «The Eternal Battle» é um trabalho épico e à medida de quem aprecia Atlantean Kodex, While Heaven Wept, Bathory e Primordial. Apesar de ser um grupo com bastante história e crédito no underground, trata-se claramente de um exemplo de falta de projecção, porque se os WHW chegaram à Nuclear Blast, também os Doomsword têm talento suficiente para merecer dar o salto (8).
«The Dark Epic», dos One Man Army and the Undead Quartet é daqueles álbuns que não aquece nem arrefece. Bom thrash sueco, à medida dos primeiros álbuns de The Haunted, mas na verdade esgota-se rapidamente após as primeiras audições (6,3).
Para todos aqueles que apreciam black metal depressivo, os Totalselfhatred com «Apocalypse in your Heart» editaram uma verdadeira pérola, superior ao enorme registo de estreia. «Dripping Melancholy» é daquelas canções de chorar (literalmente) por mais (8,2).
No pólo oposto, os Woods of Desolation marcaram o mês de Fevereiro com um álbum tão aborrecido que se devia dar um novo sub-género a «Torn Beyond Reason» (4).
Os furiosos Trap Them e «Darker Handcraft» voltaram a fazer estragos com um disco desconfortávelmente bom. Negro e visceral, este é um álbum que apesar de ficar um pouco abaixo de «Seizures in Barren Praise», atira-os para os principais nomes do grindcore actual (8). Embora não tão bom como o novo dos Rotten Sound. Este fica para desenvolver numa crítica individual mais abaixo.
Os Blood Ceremony por seu lado meteram-se numa máquina do tempo e viajaram da década de 70 até 2011, ou pelo menos parece. «Living With the Ancients» é um disco nostálgico de heavy/doom metal na senda de uns Black Sabbath e Pentagram, com resquícios de Jethro Tull, Trouble e Black Widow. O exercício de nostalgia foge ao (demasiado) óbvio e revela-se soberbo, em canções como «Coven Tree», «Morning of the Magicians» e a longa e perfeita «Daughter of the Sun» (8,2).
«Edge of the Earth» marca o regresso do death thrash melódico e modernaço dos Sylosis, onde os britânicos tentam dar um salto para paragens épicas e complexas com temas que se esticam muito para além do desejável. O disco começa bastante bem com as quatro primeiras músicas (cinco se contarmos com o interlúdio «Empyreal Part2»), a agarrarem o ouvinte com uma mistura feroz de agressividade e catchiness para lentamente passar a despejar riffs banais e arranjos acústicos supérfluos (6).
Finalmente, falamos de black death metal em «Doom of the Occult» dos Necro Christos. Trata-se de um disco bastante longo com 23 temas, metade dos quais são pequenos instrumentais, uns melhores que outros, e outros tantos onde os germânicos conseguem dar uma roupagem bastante variada e interessante sem perder de vista algo que normalmente falha neste tipo de álbuns que querem ser épicos: riff marcantes em todas as faixas (8).
Estes foram os principais lançamentos dos últimos tempos. À parte, como anunciado, ficam ainda reviews a vários outros registos e a prometida «Especial Bandas Portuguesas» será postada amanhã.
TURISAS - «STAND UP AND FIGHT»
Se alguém achava que os Turisas seriam um sucesso sazonal limitado ao trend do viking metal, «Stand Up and Fight» vem provar que a banda finlandesa ainda tem muito trunfos na manga. Este terceiro álbum de originais eleva as características sinfónicas dos Turisas para fazê-los assemelhar-se a grupos como os Nightwish, Rhapsody of Fire e Therion. Mas fazem-no de forma brilhante, sempre mantendo uma estrutura composicional certa e definida, que tão bons resultado dá a «The March of the Varangian Guard», «Venetoi! - Prasinoi!» e «The Bosphorus Freezes Over». Por outro lado «Take the Day!» mostra que o grupo não se limta a fanfarras e sabe como compôr músicas simples com um feeling hard rock digno de uns Avantasia. Nota-se ainda que os Turisas estão cada vez mais a relegar os growls ao essencial, sendo que maior parte deste material pede a voz limpa de Mathias "Warlord" Nygård que, diga-se de passagem, só confere mais amplitude ao poder orquestral dos Turisas. 9/10
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VIRUS - «THE AGENT THAT SHAPES THE DESERT»
Há bandas "diferentes" que por muito que lhes resistamos, acabam sempre por mudar um pouco a percepção que temos da música. Quando «Carheart» e posteriormente «The Black Flux» saíram, percebi a qualidade de tais discos, mais neguei a possibilidade deste grupo vir a fazer algo verdadeiramente transcendente. Por vários motivos: o som algum hermético e constrangido, a evolução quase nula de um álbum para o outro, a atitude intelectualóide de que este tipo de avantgarde-metal se reveste...etc... Porém, e porque não somos todos feitos de ferro, «The Agent That Shapes the Desert» mudou consideravelmente a minha percepção dos Virus. Não que este álbum seja muito diferente dos anteriores, aliás não é nada diferente! Mas porque a sonoridade do grupo agora faz mais sentido. Talvez seja uma questão de background musical, ou simplesmente a maneira de ser, «The Agent That Shapes the Desert» é um registo luminoso e viciante, nas melodias subtis e nos vocais ritualísticos. Um toque de Arcturus, audível não só neste álbum, mas anteriormente também, agora convertida em algo construtivo e finalmente...transcendente. 10/10
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MOONSORROW - «VARJOINA KULJEMME KUOELLEIDEN MAASSA»
O folk metal tornou-se numa tal gigante bola de neve, que tenho lido e ouvido críticas que colocam os Moonsorrow no mesmo saco. Apesar de algumas semelhanças sonoras, nada de mais injusto. «Varjoina Kuljemme Kuolleiden Maassa» é mais um épico registo dos finlandeses que devem mais aos Bathory e Enslaved do que ao trend dos Eluveitie e Korpiklaani. Desde logo na duração das músicas que nunca ficam abaixo dos 10 minutos e nas decisivas influências black metal das duas bandas acima descritas. Este 6º álbum de longa duração é mais uma soberba demonstração de qualidade por parte dos Moonsorrow que de forma sustentada cimentam um lugar de destaque na saturada cena metaleira actual. 8,5/10DESTRUCTION - «DAY OF RECKONING»
O legado está vivo e os Destruction do novo milénio também. «Day of Reckoning» é o mais furioso álbum dos Destruction em muitos anos e provavelmente estaria ao nível dos primeiros álbuns do grupo alemão se não houvesse está mania de Schmier em dotar liricamente os Destruction de conteúdo "evil". Parece não assentar bem esta temática que em músicas como «The Demon is God», «Devil's Advocate» e «Church of Disgust», aufere aos Destruction uma aura demoníaca (que a capa do disco introduz), algo imprecisa e desajustada daquilo que o imperioso passado do grupo nos habituou a ver e ouvir. É certo que esta opção não é nova, «All Hell Breaks Loose» e «The Anti Christ» já usavam esta imagética "satânica" à lá Slayer, mas não deixa de ser estranho ver os Destruction tão decididos em fazer na banda algo tão cliché. Sonoramente pouco há a apontar. O thrash furioso de malhas como «The Price» e «Hate Is My Fuel» é tão eficaz como qualquer coisa que tenham feito anteriormente e isto significa que os Destruction não mudaram um pingo (sonoramente) deste do comeback em 2000. 7/10
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ROTTEN SOUND - «CURSED»
Apesar da influência de Napalm Death, nunca negada pelos Rotten Sound (o EP «Napalm» atesta-o), a banda finlandesa consegue no meio da sua brutalidade caótica e visceral encontrar o seu espaço no grindcore/death metal. Um espaço conquistado ao longo de vários álbuns, splits, EPs e até DVDs, numa verdadeira demonstração de dedicação ao género. «Cursed» aí está para comprovar que os Rotten Sound são sem dúvida um dos grupos mais dinamicamente violentos da actualidade. Quero com isto dizer que «Cursed» é simultaneamente agressivo, variado e virtuoso na forma composicional dos vários temas que prefazem o disco. Eventualmente assistiremos a um disco menos conseguido ou de transição dos Rotten Sound, mas até agora tem sido notável a carreira destes rapazes. 8,5/10
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Thursday, March 10, 2011
Mais Metal
Dia 20 de Março é o dia. Volvido precisamente 1 mês desde da última review, o Event Horizon entrará novamente na sua rotina para trazer até vós apreciações às novidades metaleiras. E como desde do dia 20 de Fevereiro foram editados dezenas de álbuns, o primeiro post trará uma retrospectiva deste mês que passou, assim como reviews individuais aos álbuns de Destruction, Turisas, Moonsorrow, Rotten Sound e Virus. Assim como um novo 'especial bandas portuguesas' em que os novos títulos de Ava Inferi, Before the Torn, In Tha Umbra, The Ransack, Scarscythe, Heavenwood e A Dream of Poe são abordados. Para assinalar este momento, será introduzida a rúbrica "Lost & Found", onde mensalmente focaremos um álbum, desconhecido (ou não) da maioria, que mereça um destaque especial. Aos W.A.I.L. e o seu colossal «Wisdom Through Agony Into Illumination and Lunacy» cabem as honras de abertura desta nova rúbrica, que está aberta às vossas sugestões, que podem fazer directamente nos comentários do tópico.
Para já é tudo. Falta apenas dizer que as alterações anunciadas anteriormente (redução do tamanho das reviews e frequência de updates) terão efeitos práticos já a partir destas reviews.
Até breve!
Paulo Figueiredo
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