Monday, April 25, 2011

WHILE HEAVEN WEPT - «FEAR OF INFINITY»

«Fear of Infinity» é o primeiro álbum da nova aventura dos norte-americanos While Heaven Wept na editora Nuclear Blast, depois de terem espantado meio-mundo com o magnânimo «Vast Oceans Lachrymose». Apesar de ser um disco de ruptura, «Fear of Infinity» contém, segundo a própria banda, material que não coube no antecessor por falta de espaço. Por esta razão, as canções aqui contidas têm uma enorme semelhança com o material de «Vast Oceans Lachrymose». O heavy doom épico e semi-progressivo continua em alta rotação e nos píncaros da emotividade em músicas como «Obsessions Now Effigies» e «To Grieve Forever» que destilam um sentimento genuíno raríssimo numa banda de metal nos dias que correm. Mas para além disso, «Fear of Infinity» é um álbum menos imediato que «Vast Oceans Lachrymose», muito por culpa da forma como a banda posicionou os temas. As quatro primeiras músicas passam com uma velocidade estonteante, por serem bastante curtas, apesar de boas. «Destroyer of Solace» por exemplo, que foi o tema de apresentação do álbum, tem uns curtissimos 2 minutos e 40 segundos, algo extremamente invulgar numa banda de doom metal. Esta primeira parte do álbum só começa a fazer sentido a partir de algumas audições mais atentas, sendo o crescendo junto do ouvinte um dos maiores trunfos de «Fear of Infinity». A partir de «To Grieve Forever» o álbum levanta vôo com uma malha belíssima remniscente da sonoridade de «Vast Oceans Lachrymose» e onde Rain Irving mostra os seus fabulosos dotes vocais, ele que é sem dúvida um dos melhores vocalistas de metal da actualidade. A mais pesada e candlemassiana «Saturn and Sacrifice» é outros dos grandes momentos do álbum, assim como o épico «Finality» que encerra da melhor forma estes curtinhos 37 minutos de excelente doom. «Fear of Infinity» é um bom follow-up a «Vast Oceans Lachrymose», porque bem vistas as coisas, músicas como «Vessel» e «The Furthest Shore» só se escrevem uma vez na vida. Neste novo registo, não há nenhuma malha ao nível dessas duas, mas os While Heaven Wept garantem, de qualquer forma, música soberba e transcendente. 8,5/10

Saturday, April 23, 2011

SEPTICFLESH - «THE GREAT MASS»

São uma das bandas mais aclamadas do metal helénico e os anteriores «Sumerian Daemons» (2003) e sobretudo «Communion» (2008) trataram de elevar os Septicflesh ao estrelado do black death gothic metal de contornos sinfónicos. «The Great Mass» é uma súmula desses dois portentos de magia negra, contendo a envolvência e negritude do primeiro e a epicidade e exotismo do segundo. É portanto um disco mais completo do que os anteriores, mas também mais variado, nomeadamente em temas como «The Undead Keep Dreaming» e «Pyramid God». O álbum abre com temas que podiam perfeitamente estar no «Communion» apesar da ferocidade de «The Vampire From Nazareth», dos coros amplos de «A Great Mass of Death» e do catchiness da moonspelliana «Pyramid God». Este é no entanto um álbum totalmente virado para a atmosfera dos teclados, fazendo com que temas como «Apocalypse» e «Mad Architect» traçem paralelismos entre os Septicflesh e bandas como Therion e Dimmu Borgir, apesar do conjunto helénico conseguir nunca perder uma grama de peso em favor da suavidade dos teclados. Os já falados «A Great Mass of Death», «Mad Architect» e ainda «Therianthropy» são os melhores exemplos desse perfeito equilíbrio entre metal e orquestra num disco de Septicflesh. «The Great Mass» é uma autêntica missa negra, com elegância e obscuridade superiores, de uma banda que demorou a atingir o lugar de destaque que hoje tem, mas que o merece por inteiro. 9,5/10

SCAR SYMMETRY - «THE UNSEEN EMPIRE»

Depois do decepcionante «Dark Matter Dimensions» de 2009, álbum em que os Scar Symmetry tentavam mostrar que podiam sobreviver à saída do talentoso vocalista Christian Älvestam (contratando para isso dois vocalistas: Lars Palmqvist e Roberth Karlsson), muito se esperava deste sucessor que podia tanto significar o fim definitivo do grupo sueco, como projectá-lo para novos horizontes. Felizmente «The Unseen Empire» cai na segunda hipótese firmando-se como o mais arrojado trabalho dos Scar Symmetry até à data. Contém o lado progressivo acentuado, desde logo na malha de abertura «The Anomaly», como mantém a forte carga de catchiness em «Extinction Mantra» e «The Draconian Arrival», como eleva os níveis de intensidade como em «Illuminoid Drem Sequence» e «Alpha and Omega». O único problema continua a ser a adaptação vocal de Lars Palmqvist e Roberth Karlsson, que não conseguem fazer esquecer Christian Älvestam. Uma malapata que ambos banda e fãs vão ter de se habituar a viver com. Para já «The Unseen Empire» é uma agradável surpresa e para já o melhor álbum de death metal sueco do ano. 8,5/10

NORTHER - «CIRCLE REGENERATED»

Quando entraram em cena no início dos anos 2000, os Norther vieram apadrinhados pelos Children of Bodom que para além de partilharem a mesma visão musical, também têm vindo a entrar em curva descendente. O caso não é para menos. Basta pegarmos nos primeiros álbuns dos Norther, «Dreams of Endless War» (2002) e «Mirror of Madness» (2003), compararmos com este «Circle Regenerated» para percebermos que a energia dos primeiros registos desvaneceu-se quase por completo, processo que se iniciou a partir de «Till Death Unites Us» (2006) quando os Norther começaram a reciclar ideias atrás de ideias, perdendo-se definitivamente o efeito de surpresa, que a banda finlandesa não soube ultrapassar e evoluír. «Circle Regenerated» é o bate fundo desse processo de declínio e por isso agradará possivelmente apenas aos aficcionados do melo death e pouco mais. 5,2/10

PENTAGRAM - «LAST RITES»

Falar nos Pentagram é falar em doom metal clássico e na primeira vaga do género que, influenciada pelos seminais Black Sabbath, deram ao mundo uma nova sonoridade apoiada em riffs lentos e melodias depressivas, onde se destacavam bandas como os Trouble, Witchfinder General, Saint Vitus e os Pentagram. «Last Rites» é por isso um disco de heavy doom metal, onde não esperem virtuosismo musical, mas antes um feeling descomunal em músicas viciantes como «Call the Man», «Into the Ground» e «8». Esta última com um início muito similar ao riff acústico que abre a «Battery» dos Metallica. De «Last Rites» o que mais se destaca é a prestação vocal de Bobby Liebling, frontman que está na banda desde 1971, e que aqui demonstra uma vitalidade impressionante, ajudada pelo seu distinto tom grave que torna as músicas já negras dos Pentagram, num doom metal irresistível. Oiçam por exemplo «American Dream», um dos pontos altos de «Last Rites». 8/10

SARKE - «OLDARHIAN»

«Oldarhian» é o segundo álbum do duo norueguês formado por Nocturno Culto (Darkthrone) e Sarke (Khold), e apresenta uma vez mais a perspectiva niilista do black thrash metal maioritariamente a mid-tempo que optaram por explorar. Músicas como «Pilgrim of the Occult» e «Pessimist» são o paradigma da sonoridade que os Sarke têm para mostrar que nem foge muito daquilo que os Khold têm feito nos seus últimos álbuns. Excepções feitas a «Flay the Wolf», que mais parece um tributo a Motörhead e as lentas «Captured» e «Burning of the Monoliths», que enveredam por paisagens mais melancólicas e doomescas. «Oldarhian» é um disco descomplexado de black metal tipicamente norueguês, com aquela frieza que lhes é característica mas com uma vontade grande de escrever boas canções, objectivo que nem sempre é alcançado. Para quem gosta do material dos Khold este é um disco a não perder, para os restantes, vale a pena uma escutadela sem grandes expectativas. 6,7/10

Friday, April 22, 2011

LOST & FOUND #2 - Praying Mantis - «Sanctuary» (2009)

Recuperemos este «Sanctuary» dos Praying Mantis, um disco que em 2009 passou ao lado, creio que de toda a gente que não fosse fã da banda inglesa, formada em 1974. Trata-se de um fabuloso return to form, adicionando uma roupagem metálica aos seus temas, que ainda assim mantém as melodias hard rock clássico, tão distintas dos primeiros álbuns do grupo, não falassemos nós aqui de uma das mais importantes bandas da NWOBHM. A verdade é que desse movimento, nos meandros do metal só os Iron Maiden, Judas Priest, Motorhead e Saxon mantiveram uma fama considerável, enquanto que bandas como os Praying Mantis foram devotados à sombra. Curiosamente a NWOBHM e os sons retro começam a submergir e a ficar cada vez mais na moda. Em sentido contrário os Praying Mantis optaram aqui por seguir uma vertente mais moderna, preservando o essencial da identidade de Praying Mantis. Assim que «In Time» abre o disco esta redefinição do som Praying Mantis atinge os píncaros com o vocalista Mark Freeland desde logo a dar à banda o impulso necessário para a tirar do relativo anonimato em que vive. «Restless Heart» é um tema mais pausado e passível de airplay em qualquer rádio, com um refrão mágico, à semelhança da bluesy «Tears in the Rain» e da power ballad «Lonely Way Home», uma balada da mesma estirpe dos Scorpions. Pelo meio fica o momento alto do disco, com «So High», música em que Mark Freeland arranca uma prestação formidável. «Sanctuary» é um disco de rock/metal melódico quase perfeito («Highway» e «Playing God» soam a fillers) e cheio de classe, com músicos tecnicamente soberbos e muito feeling. Um must para adeptos de metal melódico e clássico.


Sunday, April 17, 2011

BECOMING THE ARCHETYPE - «CELESTIAL COMPLETION»

Digo-o desde já para evitar expectativas: «Celestial Completion» não é melhor do que «Dichotomy», mas é o mais completo álbum dos Becoming the Archetype até à data. Confusos? Bem, a diferença principal entre este e o colossal anterior registo é sobretudo na forma como ambos funcionam. Enquanto que «Dichotomy» era um álbum mais virado para ser uma colecta de grandes canções, «Celestial Completion» funciona como um todo mais homogéneo, que esconde detalhes brilhantes dentro de cada música, sem que haja uma grande disparidade entre elas. É por isso que entre «The Resonant Frequency of Flesh » e «Path of the Beam» as diferenças se resumam a detalhes que lentamente começam a destacar as músicas entre si. Seja o refrão antémico de «The Magnetic Sky» e o riff distinto de «Internal Illumination», cada faixa tem algo que a faz saltar no alinhamento. A partir daqui, o álbum entra numa espiral de experimentalismo e progressivismo que tornam «Celestial Completion» uma paleta de cores invulgares. Sejam os cândidos instrumentais «Music of the Spheres: Requiem Aeternam Part I» e «Invisible Creature», a mais elaborada e mid-paced «Elemental Wrath: Requiem Aeternam Part II», as sinfónicas «Xenosynthesis: Requiem Aeternam Part III» e «Cardiac Rebellion» que termina com uma sessão de ska e um delicioso solo de trombone. Para o fim, «Reflect/Refract» e a favorita «Breathing Light» reencontram a sonoridade mais directa e pesada das primeiras canções e prefazem um ciclo de vida perfeito. «Celestial Completion» é um enorme follow-up para «Dichotomy» e define os Becoming the Archetype como uma das mais talentosas bandas da actualidade. 10/10

NERVECELL - «PSYCHOGENOCIDE»

Há bandas que não precisam de inventar a roda para lançarem uma bomba destas e que pode bem ser um dos melhores álbuns de 2011. «Psychogenocide» é um grande candidato a melhor rodela de 2011, e se o ouvirem (espero bem que sim) vão perceber que a originalidade não é o prato forte destes quatro músicos do Dubai, que convenceram o rei Karl Sanders dos Nile a aparecer num tema do disco. Após a intro «Anemic Assurgency», «Upon an Epidemic Scheme» abre com um riff à Vader, bem obscuro, balanceado e extremamente catchy. «All Eyes on Them» proporciona o melhor de todo o álbum ao fundir riffs "gamados" a Exodus, numa achega brilhante de thrash metal que esporádicamente assola as músicas dos Nervecell. Já o tema título reporta ao death metal mais técnico e elaborado de uns Obscura, mas sempre com um ataque poderoso e invejável. Outra referência mais ou menos óbvia dos Nervecell são os Behemoth, que emprestam vocais e alguns riffs, mas nada de ultrajante (oiçam «Amok Doctrine», por exemplo), uma vez que os Nervecell conseguem apesar de tudo debitar uma sonoridade muita própria, que faz de »Psychogenocide» uma arma de destruição maciça. «Psychogenocide» é um sonho molhado para um deathster e um disco obrigatório para qualquer adepto de sonoridades extremas. 10/10

BLUT AUS NORD - «777 - SECT(S)»

Enquanto ouvia «777 - Sect(s)», de todas as vezes, perguntei-me como era possível haver tamanho culto à volta dos Blut aus Nord. Olhando para trás, é verdade que a banda francesa já lançou álbuns espantosos como «The Work Which Transforms God» e «Memoria Vetusta I: Fathers of the Icy Age», mas ultimamente os soporíferos acumulam-se e os Blut aus Nord começam a soar desgastados e sem ideias, ainda que o anterior «Memoria Vetusta II: Dialogue with the Stars» tenha sido recebido com pompa e circunstância, sendo de facto o melhor álbum dos Blut aus Nord desde do clássico de 2003. «777 - Sect(s)» começa com um vespeiro em forma de música chamado «Epitome 1». São 8 minutos de variedade nula, com uma pequena secção acústica intermediária, que não aquece nem arrefece. O enfadonho instrumental colocado em segundo lugar no alinhamento é também uma péssima aposta, sobretudo porque a peça é chata como o diabo. «Epitome 3» (ainda há essa genialidade de chamar todas as músicas de «Epitome»), faz regressar o black metal à velocidade da luz, com uns vocais de nula presença, trémolo incessante e mais uma passagem atmosférica para justificar o facto da banda estar debaixo do logotipo do pós-black metal. Depois ainda temos os 12 minutos de «Epitome 4» onde acontece tudo, mas na verdade, não acontece nada. O início é do mais kitsch possível, com uma guitarra a fazer "chug-chug", um sintetizador a replicar a mesma nota durante vários minutos e uns vocais sufocados de propósito para soar evil e demoníaco, a restante canção recicla riffs e padrões de músicas anteriores. Numa análise mais objectiva, «777 - Sect(s)» soa vazio e estéril; tenta às vezes ser progressivo, mas falta-lhe os argumentos que os Deathspell Omega encontraram para o «Paracletus». Se nunca compreendi a idolatria aos Blut aus Nord, este disco faz-me crer que estamos perante um fenómeno raro de banda que faça o que fizer, será sempre aplaudida de pé. 4/10

KAMPFAR - «MARE»

«Mare» é o quinto álbum de originais dos Kampfar, banda norueguesa de pagan black metal, que nesta altura dispensa apresentações no seio da comunidade, muito por culpa de «Mellom Skogkledde Aaser», o clássico que os Kampfar gravaram em 1997. A diferença entre «Mare» e esse registo é exclusivamente tecnológica, isto é, os valores de produção são inequivocamente maiores e isso faz de «Mare» um registo mais pujante em termos de som, mesmo que a fórmula musical seja essencialmente a mesma desde do primeiro álbum. Músicas como «Ildstemmer» e «Huldreland» são hinos ao black metal norueguês da década de 90, onde a atmosfera é parte essencial da música. Atmosfera é de facto a melhor palavra para descrever «Mare». Apesar de ser quase desprovido de teclados («Trolldomspakt» é o único tema onde aparecem mais incisivos), a sonoridade épica das guitarras produz um efeito atmosférico cortante e único, mesmo que no final de contas, tudo isto soe a dejá-vú. Com um trabalho gráfico notável, «Mare» promete entertenimento garantido para todos os fãs de black metal épico com raízes dos nineties. 8,3/10

ULVER - «WARS OF THE ROSES»

«Wars of the Roses» sucede ao aclamado «Shadows of the Sun» na já longa e invulgar discografia dos noruegueses Ulver. E enquanto que no anterior álbum, davam maior ênfase a melodias negras e sombrias, «Wars of the Roses» é um registo mais luminoso e experimental, chegando a colar-se ao post-rock moderno. Mesmo sendo um álbum mais difícil do que «Shadows of the Sun», encontramos aqui canções simples e tocantes como a subtileza de «September IV» e a melodia dark pop de «Norwegian Gothic». Por outro lado, peças como as longas »Providence» e «Stone Angels» demonstram uma complexidade que exige ao ouvinte mais esforço e atenção, para absorver todos os sentimentos manifestados em ambas. É verdade que os Ulver hoje estão muito afastados do fenónemo do metal, mas continuam a fazer música obscura e a trilhar um caminho muito próprio, com personalidade e qualidade. Pessoalmente, «Wars of the Roses» supera «Shadows of the Sun» e praticamente tudo o que os noruegueses fizeram desde «Perdition City». 9/10

ILLDISPOSED - «THERE IS LIGHT (BUT IT'S NOT FOR ME)»

O death metal dos Illdisposed, onde os sintetizadores operam como instrumento tão omnipresente quanto as guitarras, poderia ser sinónimo de falta de peso. No entanto, ao longo duas décadas, os dinamarqueses conseguiram cimentar uma discografia repleta de bons álbuns, agressivos, pesados e cheios de grandes malhas. «There is Light (But It's Not For Me)» não decepciona, mantendo o grupo ao nível dos dois anteriores trabalhos, nomeadamente de «The Prestige» (2008), aquele que é o melhor álbum dos Illdisposed até à data. Neste novo disco, os Illdisposed acrescentaram uma aura mais melancólica aos seus temas, que a capa simboliza na perfeição, mas nem por isso menos pesada. «Heaven Forbid», «As The Day Rottens» e «The Taste of You» são apenas três dos grandes momentos de um disco ideal para adeptos de death metal escandinavo com resquícios do black metal de uns Dimmu Borgir. 8,2/10

Saturday, April 09, 2011

DEMONAZ - «MARCH OF THE NORSE»

Passando por cima das apresentações, assumo que saibam quem é o Demonaz (se não, googlem: demonaz, immortal), «March of the Norse» é um álbum de black metal na senda dos míticos Bathory, com uma pequena parcela intacta (nos riffs gélidos sobretudo) de Immortal. O álbum aposta em músicas directas com riffs pesados e demolidores, mas ao mesmo tempo épicos. Mas também em bons solos, que assumem importância fundamental nas estruturas clássicas de todos os temas, e em refrões antémicos como atestam «All Blackened Sky» e «A Son of the Sword». Se quiserem ouvir a ressurreição de Bathory, sugiro então que saltem até «Where Gods Once Rode» e «Under the Great Fires», onde os coros e riffs cavalgantes não enganam nem o ouvido mais desatento. Felizmente, este «March of the Norse» não é apenas um templo de veneração a Quorthon, mas também um poço de música empolgante, que apela tanto ao metaleiro da velha guarda, como às gerações que encontraram nos Immortal a sua adoração primordial. Mas acima de tudo é um excelente álbum, que supera todas as expectativas mais optimistas. 9/10

SUIDAKRA - «BOOK OF DOWTH»

Nos meandros do death/black melódico, poucas bandas têm a discografia dos Suidakra, banda que tem evoluído de forma sustentada através de 10 álbuns de originais onde a inclusão de instrumentos folk, trouxeram ao grupo germânico uma cada vez maior exposição no seio do movimento folk, que hoje tem enorme sucesso junto do público metaleiro. «Book of Dowth» continua a explorar ambas as facetas agressiva e melódica, com uma variedade assinalável. Não é qualquer banda que pode no mesmo disco compôr músicas como «Dowth 2059» e «Biróg's Oath», esta última condenada a ser uma das grandes canções de 2011. E é nesta dinâmica entre besta e beldade (sem soarem kitsch) que os Suidakra conseguem ser simultaneamente emotivos e brutais, com um álbum que pode agradar tanto a fãs de Amon Amarth como de Eluveitie. 8,8/10

SONS OF SEASONS - «MAGNISPHYRICON»

Segundo álbum para os Sons of Seasons, banda de Oliver Palotai, teclista dos Kamelot, onde o músico é "autorizado" a dar asas aos seus dotes de composição e a outras influências músicais. Ouvindo este «Magnisphyricon» percebemos que poucas coisas não caberiam num álbum de Kamelot. Algum recurso a vocais gritados e um aparato sinfónico próprio de uns Therion, são características que podemos encontrar nas 14 músicas que compõem «Magnisphyricon». A fórmula resulta nas intensas «Bubonic Waltz» e «Lilith», mas a maioria das músicas sofre de uma gritante falta de personalidade, como se os Sons of Seasons fossem apenas uma cópia mediana de Kamelot e Epica, com algum desconexo acréscimo de peso esporádico. A juntar a isto, o trabalho tem uns longos 63 minutos, em que a sensação de dejá-vú é constante, anulando qualquer noção de novidade, sendo por isso aconselhado principalmente aqueles que aguardam ansiosamente por novos discos das bandas acima descritas. 6,2/10

VINTERSORG - «JORDPULS»

Os Vintersorg cumprem com «Jordpuls» 13 anos de lançamentos onde paulatinamente evoluíram do viking metal de «Till Fjälls» (1998) para o folk progressive metal de «Solens Rötter» (2007), pelo meio o seminal «Visions from the Spiral Generator» (2002) revelava uma banda prestes a explodir de criatividade. É verdade que os restantes três álbuns, onde incluo este «Jordpuls» são fruto de um duo de músicos mais amadurecidos no equílibro daquilo que querem fazer e aquilo que os fãs esperam deles. Mas isso parece impedir os Vintersorg de assumirem definitivamente a postura progressiva e deixarem de lado o folk e o black metal, que em diversas ocasiões deste álbum, parecem metidos a martelo. Não obstante, a eficácia na construção de riffs e melodias apelativas faz de «Jordpuls» um álbum capaz e se gostaram dos anteriores trabalhos de Vintersorg, nomeadamente de «Solens Rotter», não há razão para não gostarem deste disco, fica apenas a sensação de que a banda tem potencial para muito mais. 7/10

Sunday, April 03, 2011

GRAVEYARD - «HISINGEN BLUES»

Voltemos umas quantas décadas atrás e tentemos, mesmo que estando em frente ao computador, situarmo-nos nos anos 70. É a melhor forma de ouvir «Hisingen Blues» dos suecos Graveyard, um grupo que homenageia bandas como Led Zeppelin, Black Sabbath, Deep Purple e Jethro Tull. Folk rock com forte carga emocional e blues à mistura, com ideias suficientes para nos manter ocupados durante bastante tempo, algo que rareia nos álbuns de hoje. «Hisingen Blues» é um choque na primeira audição, pela coragem da nostalgia que os Graveyard assumem por completo e ao deixarem de lado as super-produções que muitas vezes fazem um álbum soar vazio de espírito. Este é o disco mais espirituoso dos últimos tempos, daqueles que respiram musicalidade e deixam respirar o ouvinte, por entre peças como «Uncomfortably Numb», «Longing» e «Ungrateful are the Dead». Mas não deixam de exigir a atenção com malhas decididas como «Ain't Fit to Live Here» e «No Good, Mr. Holden», que abrem esta caixinha de surpresas com chave de ouro. Ao contrário de bandas como Wolfmother, Witchcraft e Ghost, os Graveyard não utilizam o som retro para se destacarem na actualidade. Parecem ter sido reanimados da animação suspensa em que estiveram todos estes anos, à espera do melhor momento para lançar esta bomba. Brilhante. 10/10

WIZARD - «...OF WARIWULFS AND BLUOTVARWES»

Não falha! Ano sim, ano não, os germânicos Wizard lançam um álbum novo desde 1995. E sabemos sempre o que esperar de Sven D'Anna e dos seus comparsas: metal cheio de alma e garra, com refrões gloriosos e sangua na guelra. «...Of Wariwulfs and Bluotvarwes» não foge à regra, apenas abre espaço a outras influências de que somente à maior e já esperada ode aos Manowar. Desta feita, o tema de abertura que é também o tema que dá título ao disco, abre com uma pujança assinalável e Sven D'Anna num registo muito próximo de Eric Adams, sendo até um dos melhores momentos do álbum, com um refrão simplesmente formidável. Quando falamos em outras influências é preciso ter alguma cautela porque os Wizard não desataram a querer ser modernos, apesar da produção límpida do álbum. Falamos de bandas como Judas Priest («Taste of Fear»), Grave Digger («Sign of the Cross») e esporádicamente Iced Earth («Blutvarwes»). A pausa nos assuntos de mitologia nórdica que já vinham desde 2003, trouxeram uns Wizard renovados e com vontade de alargar horizontes e a explorar temáticas do sobrenatural com vampiros, lobisomens e bruxas a fazerem parte dos conceitos abordados pelos Wizard. Não só temáticamente, como sonoramente o grupo fez alguns avanços: «Fair Maiden Mine», por exemplo, podia ser com pequenos retoques uma malha de power metal para uns Edguy e Primal Fear. Sem dúvida um dos melhores momentos da carreira dos Wizard. 8/10

BLACKGUARD - «FIREFIGHT»

Quando em 2009 os canadianos Blackguard lançaram o seu álbum de estreia «Profugus Mortis», o recém-formado grupo originou desde logo bastante falatório pela abordagem agressiva e madura que fazia o folk/death metal, embora sem que conseguissem trazer alguma coisa de nova a um género que avança rapidamente para a sua implosão. O segundo registo, «Firefight», vê os Blackguard avançarem para terrenos ainda mais agressivos e metálicos, reduzindo o folk ao adorno essencial. A opção é extremamente positiva, aproximando o grupo canadense mais dos Children of Bodom do que dos Eluveitie, com ocasionais incursões pelo thrash metal e pelo gothic metal sinfónico de uns Epica (ouvir o tema «Sarissas»). Com uma produção cinco estrela, «Firefight» consegue ser bastante variado, desde da directa «Farewell», até ao mid-tempo de «A Blinding Light», passando para excelente «The Fear of All Flesh» que inclui uns coros muito bons e solos dignos de um disco de power metal. Tema antecedido por um interlúdio de belo efeito, «Iblis». Concluíndo, «Firefight» é uma agradável surpresa de uma banda ainda jovem, mas com ideias suficientes para vingar no sobrelotado sub-género do folk metal. 8/10
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