Quem acompanhou a carreira dos suecos HammerFall sabe que ali a seguir ao «Crimson Thunder» em 2002, a banda perdeu bastante fulgor e lançou uma série de discos medianos e sem chama, que começaram a atirar os HammerFall para a reforma antecipada. Ao que parece, os próprios músicos perceberam que os assuntos de cavaleiros, feiticeiros e espadas estavam esgotados e atiraram-se a temáticas mais negras como...zombies. Pois, não é um tópico óbvio quando falamos nos HammerFall, mas pelo menos não se lembraram de falar de motos, estrada e miúdas. Neste âmbito, a estranheza é com algum tempo substituída por admiração, pela coragem de mandar às favas muito daquilo que fazia dos HammerFall aquilo que eles eram. O mais importante porém era perceber o que havia mudado em termos musicais no seio do grupo, se é que tal tinha acontecido. O single «One More Time» colocou algum freio nas críticas negativas, já que é mesmo o melhor tema do álbum e extremamente viciante, com umas guitarras à Metallica e um refrão antémico muito à HammerFall clássico. Quanto ao restante disco, este acaba por ser satisfatório. Não acontece nenhuma viragem brusca na sonoridade dos Hammerfall, apenas dão uma tonalidade mais grave aos temas, que se justifica pelas temáticas abordadas. «Patient Zero», «The Outlaw» e «Dia de los Muertos» e a já falada «One More Time» são músicas bem ao estilo do que os suecos têm feito nos últimos anos, diria até que estão aqui alguns dos melhores temas dos HammerFall desde do «Crimson Thunder». Apesar disso, «Infected» é completado por uma série de fillers aborrecidos como a balada lamechas «Send me a Sign» e pelas desinspiradas «I Refuse» e Let's Get it On». «Infected» não é tão mau como o pintam e diria que é mesmo um disco encorajante no que diz respeito ao futuro dos HammerFall. 7,7/10Thursday, May 26, 2011
HAMMERFALL - «INFECTED»
Quem acompanhou a carreira dos suecos HammerFall sabe que ali a seguir ao «Crimson Thunder» em 2002, a banda perdeu bastante fulgor e lançou uma série de discos medianos e sem chama, que começaram a atirar os HammerFall para a reforma antecipada. Ao que parece, os próprios músicos perceberam que os assuntos de cavaleiros, feiticeiros e espadas estavam esgotados e atiraram-se a temáticas mais negras como...zombies. Pois, não é um tópico óbvio quando falamos nos HammerFall, mas pelo menos não se lembraram de falar de motos, estrada e miúdas. Neste âmbito, a estranheza é com algum tempo substituída por admiração, pela coragem de mandar às favas muito daquilo que fazia dos HammerFall aquilo que eles eram. O mais importante porém era perceber o que havia mudado em termos musicais no seio do grupo, se é que tal tinha acontecido. O single «One More Time» colocou algum freio nas críticas negativas, já que é mesmo o melhor tema do álbum e extremamente viciante, com umas guitarras à Metallica e um refrão antémico muito à HammerFall clássico. Quanto ao restante disco, este acaba por ser satisfatório. Não acontece nenhuma viragem brusca na sonoridade dos Hammerfall, apenas dão uma tonalidade mais grave aos temas, que se justifica pelas temáticas abordadas. «Patient Zero», «The Outlaw» e «Dia de los Muertos» e a já falada «One More Time» são músicas bem ao estilo do que os suecos têm feito nos últimos anos, diria até que estão aqui alguns dos melhores temas dos HammerFall desde do «Crimson Thunder». Apesar disso, «Infected» é completado por uma série de fillers aborrecidos como a balada lamechas «Send me a Sign» e pelas desinspiradas «I Refuse» e Let's Get it On». «Infected» não é tão mau como o pintam e diria que é mesmo um disco encorajante no que diz respeito ao futuro dos HammerFall. 7,7/10AUTOPSY - «MACABRE ETERNAL»
Não é surpresa nenhuma que »Macabre Eternal» é uma autêntica bomba de retro death metal, ao nível do clássico «Mental Funeral» de 1991. Isto porque quando a banda norte-americana lançou o ano passado, o EP «The Tomb Within» notava-se bem que os Autopsy não tinham perdido o toque de midas e ameaçavam lançar um grande disco. «Macabre Eternal» é então como se disse um disco de retro death metal, sujo e podre, com sábias incursões pelo doom («Always About to Die» e a estupenda «Seed of the Doomed») e pelo thrash metal como em «Dirty Gore Whore» que cruza death, thrash e um brutal humor negro. O desfile de músicas é impressionante, com o grupo a nunca soar cansado ou a cansar o ouvinte, porque afinal de contas «Macabre Eternal» tem 12 músicas, entre as quais um épico de 11 minutos chamado «Sadistic Gratification» que se revela um dos melhores momentos de todo o álbum. Foram 16 anos de espera, mas valeram bem a pena. 9/10
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A STORM OF LIGHT - «AS THE VALLEY OF DEATH BECOMES US, OUR SILVER MEMORIES FADE»
Dentro do espectro do doom/post rock, os A Storm of Light conseguiram em pouco tempo alguma notoriedade, não só pela qualidade de «And We Kept the Black Oceans Within» e «Forgive Us Our Trespasses», mas também pelo facto de Josh Graham (Neurosis) ser um dos membros deste grupo completo pelos relativamente desconhecidos Domenic Seita e Joel Hamilton. Mas este terceiro álbum intitulado «As the Valley of Death Becomes Us, Our Silver Memories Fade», demonstra que esse sucesso deve-se à música soberba e a cada novo álbum melhorada significativamente. Com um mais apurado sentido de canção, este disco é menos derivativo do que o anterior, para além de mais imediato e directo. Cada música está inserida num todo, mas não deixa de ter uma personalidade vincada com ganchos vocais bem apurados como «Black Wolves» e «Silver». É o mais bem conseguido álbum do trio até ao momento e um disco a não perder para quem gosta de doom, stoner e post-rock/metal. De destacar ainda o ilustre lote de convidados: Kim Thayil (Soundgarden), Jarboe (Swans), Nerissa Campbell, Kris Force (Amber Asylum) e Carla Kihlstedt e Matthias Bossi ambos dos Sleepytime Gorilla Museum e The Book Of Knots. 8,6/10KARMA TO BURN - «V»
Como que a compensar o longo hiato desde do já clássico «Almost Heathen» de 2002, os Karma to Burn, resolveram lançar em dois anos, dois álbuns. Um primeiro em 2010, «Appalachian Incantation», que deixou um sabor amargo na boca e agora este «V», que é como o nome indica, o quinto álbum do colectivo norte-americano. Apesar de mais negro, «V» continua a mostrar uma banda com boas ideias, mas que na prática não vai além de apresentar stoner metal com um toque sulista agradável ao ouvido. «V» é tão somente uma boa banda sonora para andarmos na rua de headphones, como as malhas «Forty Seven» e «Forty Eight» provam. Também existem em «V» músicas cantadas (os Karma to Burn são na sua essência uma banda de instrumentais) , «The Cynic», «Jimmy D» e «Never Say Die» mas que no geral são performances vocais bastante modestas e que não acrescentam nada de especial à sonoridade dos Karma to Burn. Boa capa. 6,6/10DEVIN TOWNSEND PROJECT - «DECONSTRUCTION»
«Deconstruction» é o terceiro dos quatro álbum que compõem este projecto de Devin Townsend, composto pelos anteriores «Ki», «Addicted» e por «Ghost» que entretanto chegará aos escaparates no final de Junho. Cada disco demonstra uma faceta dos músicos canadiano, mas até agora, este é aquele em que mais revemos o génio de Townsend. «Deconstruction» é composto de faixas tão ao jeito de «Ziltoid the Omniscient» com aquela sonoridade ampla e larger than life, que «Stand», «Planet of the Apes» e «Sumeria» tão bem representam. Também o sentido de humor peculiar das letras de Townsend está aqui mais refinado que nunca em músicas como «Deconstruction» e «The Mighty Masturbator». Às vezes super-agressivo, outras vezes melódico e experimental, este é um disco que vai da Terra a Marte em 5 segundos e faz com que o ouvinte embarque numa viagem fabulosa de música desafiante e mágica. Até agora é o melhor do projecto e um dos melhores momentos da carreira de Townsend, falta saber o que «Ghost» nos proporcionará. 9/10
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Tuesday, May 24, 2011
OS ÁLBUNS MAIS EXTREMOS DE SEMPRE
A ideia surgiu-me durante as audições ao novo álbum dos Anaal Nathrakh, e tomou forma na última semana. Quais os álbuns mais brutais de sempre do metal? É uma pergunta quase geek, mas daqui desenvolvem-se outras bem pertinentes. Por exemplo, a brutalidade tem a ver com a velocidade dos temas? Com o ambiente criado? Com a imagética da banda? Neste caso resumíamos o concurso às bandas de death e grind, pois são os géneros mais ferozes e estéticamente brutais do metal. Nada de mais errado! Na elaboração da lista vi-me a braços com alguns discos que nada têm a ver com death e grind e são sem dúvida das coisas mais opressivas algumas criadas. Em baixo fica a lista e uma pequena descrição das obras escolhidas, assim como de um link para uma amostra do álbum em questão.10º Converge - Jane Doe (2001)
Baseado numa relação falhada de Jacob Bannon, «Jane Doe» relata as experiências vividas durante e após essa relação ter acabado. Lá que afectado o rapaz ficou, isso é indiscutível...
9º Evoken - Antithesis of Light (2005)
A antítese da luz é mesmo a melhor forma de descrever a atmosfera que se vive durante a audição deste disco. Os norte-americanos Evoken criaram aqui um dos melhores (senão mesmo o melhor) disco de funeral doom de sempre.
8º Carcass - Reek of Putrefaction (1988)
Os deuses do goregrind. É certo que os álbuns dos Carcass nunca foram assim tão extremos em termos sonoros, mas ouvir este «Reek of Putrefaction» é uma experiência sanguinária com pouco paralelo.
7º Cannibal Corpse - Tomb of the Mutilated (1992)
Fazer uma lista dos discos mais brutais e extremos de sempre e deixar de fora os Cannibal Corpse seria uma erro imperdoável, mesmo que a banda de death metal que mais discos vendeu na história tenha o seu quê de "não ser levada a sério", a verdade é na altura do «Tomb of the Mutilated» (e ainda hoje), poucas bandas podem rivalizar com os CC em termos de brutalidade sonora e lírica.
6º Anaal Nathrakh - The Codex Necro (2001)
Isto é sem dúvida uma das tareias maiores do black metal. É provavelmente o disco mais brutal da última década em termos de velocidade, não deixando de lado uma atmosfera doentia que Irrumator e V.I.T.R.I.O.L. nunca mais conseguiram reproduzir.
5º Silencer - Death, Pierce Me (2001)
É um desafio enorme conseguir ouvir «Death. Pierce Me» do príncipio ao fim, mesmo para aqueles que estão habituados ao black metal depressivo. É tão somente o disco chave desta vertente do BM e acolhe com Nattramn, a mais assombrosa prestação vocal do black metal a par de Attila Csihar dos Mayhem no clássico DMDS.
4º Marduk - Panzer Division Marduk (1999)
Por falar em black metal, o álbum de 1999 dos Marduk é provavelmente o mais brutal alguma vez feito para o género, numa altura em que o black metal melódico com os seus teclados e grupos como Dimmu Borgir e Cradle of Filth transpunham o "obstáculo" do underground rumo ao reconhecimento no mainstream. Contra a corrente, os Marduk declararam guerra aberta ao black metal bonitinho e fizeram este monstro de destruição maçiça.
3ºSuffocation - Effigy of the Forgotten (1991)
Imaginem que estão em 1991, o ano em que os Metallica lançaram o black album. Nessa altura as bandas mais pesadas eram Slayer, Morbid Angel, Carcass e talvez Obituary. Os Suffocation já estavam em cena, com um EP mas com este «Effigy of the Forgotten» fugiram ao rótulo de cópias de Morbid Angel e alcançaram o estatuto de banda mais brutal daqueles anos. Oiçam este tema e o álbum, e lembrem-se que na altura não haviam truques digitais ou triggers...
2º SunnO))) - Black One (2002)
Já estou a ver as vossas caras. Sim, «Black One» no 2º posto. Pioneiros no drone/doom os SunnO))) fizeram com «Black One» um álbum sem qualquer paralelo no universo da música extrema. Os níveis de distorção e opressão sonora só estão mesmo ao alcance de alguns, sendo sem dúvida uma das bandas mais extremas e "brutais" alguma vez feitas. «Black One» é o ponto alto dos Sunn0))) até ao momento.
1º Slayer - Reign in Blood (1986)
Pode não parecer uma escolha lógica, mas estamos a falar de um disco que remonta a 1986. Falar de nazis, assassinos em série, satanás e destruição não eram própriamente tópicos que as bandas normalmente abordavam, ainda mais com um som tão violento como o dos Slayer. Basta darem uma vista de olhos no youtube a vídeos da época e verem a reacção nos concertos. «Reign in Blood» deu início a toda uma geração de thrash, black e death metal, e introduziu um nível de violência lírica no metal, até aí nunca visto.
Outras sugestões:
The Exploited - Beat the Bastards
Napalm Death - Scum
Tyranny - Tides of Awakening
Mayhem - Dawn of the Black Hearts
Circle of Dead Children - The Genocide Machine
Dark Funeral - Vobiscum Sathanas
Burning Witch - Crippled Lucifer
Dolorian - When All the Laughter Has Gone
Nile - In Their Darkened Shrines
Halo - Body of Light
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Friday, May 20, 2011
SHINING - «VII FODD FORLORARE»
Cá está finalmente o aguardado sucessor de «VI Klagopsalmer», um disco menos conseguido dos Shining, depois do brilhante «V Halmstad», factos que contribuiram para que «VI Klagopsalmer» tivesse tido um recepção bastante morna. «VII Fodd Forlorare» revela-se desde logo um álbum mais orgânico e directo na faixa que abre o disco, «Fortvivlan min Arvedel», onde um riff bem rockado permite agarrar o ouvinte pelo pescoço e dizer-lhe que os melhores Shining estão de volta. Já «Tiden Laker Inga Sar» começa com uma melodia suave, para explodir numa prestação embriagada de Niklas Kvarforth, num dos melhores momentos de «VII Fodd Forlorare». Trata-se sem dúvida de um disco mais próximo do que esperamos dos Shining. Não é o black metal super depressivo de «V Halmstad», muito menos reporta ao passado longínquo do grupo sueco, antes apresenta um nível de melancolia e intensidade renovados, como se este fosse o verdadeiro sucessor de «V Halmstad». Um coisa é certa, os riffs mais simplistas e rockeiros que antes se resumiam a uma ou duas faixas, agora são o mote para quase todas as músicas dos Shining, como «Manniska o'avskyrda Manniska» (aquele solo...) e a derradeira «FFF» atestam. «VII Fodd Forlorare» é, além de melhor do que «VI Klagopsalmer», um reencontro dos Shining com eles próprios e aquilo que melhor sabem fazer: black metal de cariz desesperante. Nota 9/10 porque mais uma ou duas faixas não faria mal nenhum a este «VII Fodd Forlorare» que peca apenas por ser muito curto.
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HELL - «HUMAN REMAINS»
«Human Remains» tem provocado um considerável buzz no ciberespaço, o que me forçou de alguma forma a ouvir este disco dos Hell, cuja capa fazia antever tudo menos aquilo que o single «On Earth as it is in Hell» mostra. A sonoridade assente nos trâmites da NWOBHM fez-me dar uns salto à biografia da banda para descobrir que estes são os mesmos Hell que no início dos anos 80 estavam para gravar um álbum, quando a editora belga por quem tinham assinado faliu, levando o vocalista Dave Halliday a cometer suícidio. Aparentemente, o produtor Andy Sneap convenceu em 2011 os restantes elementos a reagruparem-se e a gravarem este «Human Remains». O disco é nostálgico mas tem um som ultra-moderno, solos fantásticos e uma produção cheia e cristalina, sem dúvida com o toque do brilhante Andy Sneap que também assume uma das guitarras da banda inglesa. Desde W.A.S.P. em «Plague and Fyre», até Mercyful Fate em «Blasphemy and the Master», passando pelos óbvios Judas Priest e Iron Maiden, os Hell são como que uma genuína amostra da melhor colheita de metal de sempre, dando um novo significado ao termo revivalismo. No entanto, «Human Remains» está longe de ser um disco perfeito. Frequentemente a temática satânica que percorre todo o álbum soa kitsch e forçada, para não falar no exagero e cheesiness da imagética do grupo que mais parece uma seita maníaca do que uma banda de heavy metal. Para não falar na over performance do vocalista David Bower em músicas como «Blasphemy and the Master» e «MacBeth». No geral, «Human Remains» é um disco envolvente e cool de se ouvir, apesar da plasticidade do projecto, que se bem conduzido até tem um futuro auspicioso garantido. 7,5/10ANAAL NATHRAKH - «PASSION»
Ainda me recordo do impacto que «The Codex Necro» teve por estas bandas. A violência do álbum ainda espera nesta altura competidor à altura e deu-me recentemente a ideia de fazer uma lista dos álbuns mais brutais de história do metal, que publicarei em breve aqui no Event Horizon. «Passion» não tem a mesma intensidade de «The Codex Necro», sobretudo porque a partir de «Domine Non Es Dignus» de 2004, os Anaal Nathrakh optaram por abrir portas à melodia, embora seja uma melodia muito própria em que são permitidos coros amplos e diabólicos (oiçam neste álbum, «Paragon Pariah»), como no single do último álbum «In the Constellation of the Black Widow», «More of Fire Than of Blood». Os resultados desta abertura musical trouxeram uma nova dimensão musical ao duo britânico composto por VITRIOL e Irrumator, e impediram a certeza de estagnação que teria daí por diante um obstáculo formidável no que diz respeito a suplantar a brutalidade de «The Codex Necro». Neste aspecto, «Passion» é provavelmente o menos conseguido da fase pós-«Domine Non Es Dignus», apesar de ser um disco intenso e que pouco altera nos alicerces daquilo que conhecemos por sonoridade Anaal Nathrakh. É por assim dizer, um disco menos surpreendente do que «In the Constellation of the Black Widow» ou do que «Eschaton», aquele que é na minha opinião o verdadeiro disco de transição dos Anaal Nathrakh. De qualquer das formas, ouvindo coisas como «Tod Huetet Uebel», «Passion» revela-se tão brutal e straightforward quanto qualquer álbum anterior dos AN. 8/10NECROPHAGIA - «DEATHTRIP 69»
Killjoy e os seus Necrophagia estão de volta com mais uma rodela de horror death metal, em que sangue, suor e tripas fazem parte da componente lírica das músicas de «Deathtrip 69», o sexto álbum da carreira dos norte-americanos. Neste disco, notam-se umas guitarras mais thrashadas do que o costume, mas a mesma atitude deathster de sempre, aproximando os Necrophagia da fórmula death n' roll de uns Entombed. Contudo, as características familiares dos Necrophagaia continuam intactas, assim como a capacidade de Killjoy em escrever músicas agressivas e catchy, como «Beast With Feral Claws» e «Tomb With a View». O disco apresenta porém algumas limitações, que já vinham sendo identificadas nos dois álbuns anteriores, na insistência com os samples atmosféricos que normalmente introduzem os temas e que cortam bastante a corrente entre os temas, e também algumas malhas mais forçadas como «Kyra» e «Trick n' Treat (The Last Halloween)». Mesmo assim, «Deathtrip 69» é um disco cheio de atitude e bom death metal. Os fãs não ficarão certamente desiludidos. 7,2/10
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NADER SADEK - «IN THE FLESH»
Não deixa de ser curioso que numa altura em que os Morbid Angel estão em vias de lançar um álbum de originais depois de 8 anos de hiato, tanto os Hate Eternal de Erik Rutan como os Nader Sadek de Steve Tucker resolveram lançar álbuns a poucos dias de «Illud Divinum Insanus». No caso dos Nader Sadek a diferença é que a banda foi formada pelo artista plástico nova-iorquino Nader Sadek que em colaboração com a Season of Mist, juntou para «In the Flesh» um line-up de luxo, com Steve Tucker na voz, Blasphemer (Ava Inferi e ex-Mayhem) nas guitarras e Flo Mounier (Cryptopsy) na bateria, e ainda uma série de convidados de renome, entre os quais Attila Csihar (Mayhem), Travis Ryan (Cattle Decapitation) e Tony Norman (ex-Monstrosity). O resultado é um disco de death metal bruto e obscuro com algumas similaridades precisamente a Morbid Angel, nomeadamente dos primeiros álbuns «Altars of Madness» e «Blessed are the Sick». No entanto os Nader Sadek são um pouco mais convencionais na sua abordagem ao death metal, mesmo incluíndo passagens semi-progressivas nomeadamente na grande malha do álbum, «Soulless», onde Blasphemer tem um trabalho de guitarras espantoso. De resto, «In the Flesh» é um disco curtinho (não chega aos 30 minutos), com momentos muito bons e outros sobretudo nostálgicos do death metal americano dos anos 90. 8/10
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HAEMORRHAGE - «HOSPITAL CARNAGE»
Os espanhóis Haemorrhage começam a sua aventura na Relapse Records com este «Hospital Carnage», um álbum de death metal com explícita vertente gore, na senda dos seminais Carcass. Esta review podia até ficar por aqui, já que o grupo tem originalidade zero e fica por se perceber o porquê da Relapse os ter assinado. Apesar de músicas como «Open Heart Butchery» e «Flesh Devouring Pandemia» (esta com direito a um vídeo simplesmente hilariante) terem uma força assinalável, a verdade é que após os 35 minutos que dura «Hospital Carnage» o que fica é demasiadamente pouco para exercer o acto de carregar no play novamente. Se existem álbuns dos quais não se farão história em 2011, este é um deles. 4/10
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ZOMBI - «ESCAPE VELOCITY»
Depois do buzz que o anterior álbum dos Zombi, «Spirit Animal» fez na sociedade metaleira, impunha-se uma oportunidade a dar a estes americanos que com «Escape Velocity», aparentemente voltam às suas raízes, para debitarem uma espécie de prog synth rock, com ambientes espaciais e uma toada marcadamente retro, como o próprio artwork do disco indica. A verdade é que de metal este álbum tem zero, mas não deixa de ser uma audição interessante, já que estamos em terrenos que os próprios Boris, por exemplo, também exploram com texturas de música de dança e EBM. É óbvio que é complicado estar aqui a sugestionar-vos que oiçam este disco, por tal deixo aqui o single, que representa na perfeição aquilo que se pode ouvir em «Escape Velocity». Fica ao vosso critério dar uma chance ao álbum completo. 7/10ANVIL - «JUGGERNAUT OF JUSTICE»
Formados em 1981, os canadianos Anvil nunca foram uma banda com grande exposição mediática, nem mesmo quando o heavy power metal esteve na mó de cima nos anos 80. Isto, apesar do grupo originário de Ontário ter achado conveniente lançar em 2009 um DVD intitulado «Anvil: The Story of Anvil». O background dos Anvil deve-se essencialmente a um par de discos editados ali no príncipio da década de 80 («Metal on Metal» e «Forged in Fire»), para durante os anos 90 terem lançado uma série de discos medianos, caíndo num relativo esquecimento. Relativo, porque apesar de serem uma banda low-profile, nunca deixaram de ser produtivos, deitando cá para fora álbuns com grande frequência, independentemente da qualidade dos mesmos. «Juggernaut of Justice» é mais um com um par de boas malhas, mas que fica invariavelmente condicionado pela mediania da maior parte das canções inseridas, influenciadas maioritariamente pelo hard rock americano e pela NWOBHM. Um disco engraçado, mas que fácilmente será esquecido, num ano de grandes lançamentos. 6/10
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JESU - «ASCENSION»
Um dos mais interessantes aspectos relativamente ao fenómeno do post-rock é a capacidade de fundir elementos agradáveis aos amantes do metal e a quem gosta de rock alternativo mais comercial. Quer seja nas passagens atmosféricas ou nos refrões catchy, é uma sonoridade exigente do ponto de vista composicional, e por isso, bandas como estes Jesu são tão bem recebidos por um vasto número de apreciadores. «Ascension» é o quarto álbum de originais por entre uma infinidade de splits com outras bandas do estilo, e demonstra um cada vez mais refinado sentido de composição que funde músicas quase doom em «Broken Home», com malhas imediatas como «Birth Day». O resultado é um disco de ambientes cinzentos e melancólicos, mas extremamente cativantes, como nos prova a faixa «Black Lies». Ideal para fãs de Katatonia, Deftones, Mouth of the Architect, Khoma e Red Sparowes. 7,5/10Wednesday, May 18, 2011
NOVEMBERS DOOM - «APHOTIC»
Outrora considerados dentro da segunda linha do doom death preconizado pelo triunvirato britânico, os norte-americanos Novembers Doom conseguiram pontualmente libertar-se desse estigma para oferecer álbuns muito acima da média como «The Knowing» (2000) e «The Pale Haunt Departure» (2005). Contudo a partir do anterior «Into Night's Requiem Infernal», o líder e vocalista Paul Kuhr terá optado por dar à banda um considerável acréscimo de peso e velocidade, audível de forma ainda mais decisiva em «Aphotic». Neste oitavo álbum de originais, os níveis de negritude estão elevados ao máximo (ouvir «Of Age and Origin - Part 1: A Violent Day»), mais ainda do que no antecessor, fruto da própria natureza mais complexa das canções, como por exemplo, «Buried Old» que pode ser descrita como uma «Autumn Reflection» mais elaborada e se quisermos progressiva, e «Harvest Scythe», provavelmente a mais pesada canção de sempre dos Novembers Doom. No entanto e felizmente, «Aphotic» não cai no óbvio de ser o "disco mais pesado de sempre dos Novembers Doom" e mantém a melodia muito característica do grupo que compôs a delicada «What Could Have Been» bem jeito do saudoso álbum «The Knowing». Bem equilibrado entre peso e melodia, «Aphotic» é dos melhores álbuns dos Novembers Doom em termos de composição («Of Age and Origin - Part 2: A Day of Joy» é simplesmente perfeita), atingindo por fim e à semelhança daquilo que já haviam feito em «The Pale Haunt Departure», um nível de unicidade admirável. 9/10SAMAEL - «LUX MUNDI»
Os suíços Samael foram sem dúvida uma das bandas que melhor se soube reinventar após abandonar o espectro do black metal presente nos primeiros três álbuns do grupo passando a oferecer metal industrial obscuro. E esse metal industrial que o já clássico «Passage» marcou serve também de influência para este «Lux Mundi» que dá uma enorme protagonismo aos teclados e às batidas dançáveis tão peculiares do álbum de 1996. Pese embora o facto de «Lux Mundi» ser um álbum mais modernaço onde é possível vislumbrar coisas que bem podiam estar num álbum dos The Kovenant. Apesar da eficácia da maior parte das músicas, «Lux Mundi» sofre com a fórmula rígida aplicada a todas as canções, não havendo espaço para devaneios como o saudoso «Jupiterian Vibe». Este álbum é bem mais hermético e directo. Isto trás alguma falta de frescura, nomeadamente a partir «In the Deep», quando começamos a perceber que as músicas são quase todas feitas nos mesmos moldes. Mesmo assim, recomenda-se a quem tem seguido os últimos discos da banda e, claro, a todos aqueles que ainda não os conhecem. 7/10Tuesday, May 17, 2011
ENSLAVED - «THE SLEEPING GODS»
Os noruegueses Enslaved já nos habituaram à sua atitude avantgarde e a surpreender o seu público, durante a vasta discografia e agora ao editar um EP (o único até à data era o «Hordanes Land» de 1993), onde experimentar é a palavra de ordem. Mas experimentar no vocabulário dos Enslaved significa fazer algo com muita classe. Quer seja no pós-rock instrumental de «Nordlys», que parece uma música dos God is an Astronaut, ou no devaneio espacial de «Synthesis», os Enslaved sabem fazer as coisas diferentes e bem, qual toque de midas, transformando tudo o que tocam em ouro. Depois temos ainda o black metal com batida punk de «Alu Misyrki» e uma espécie de sobra de «Axioma Ethica Odini» em «Heimvegen». Para o fim fica a canção-título de teor mais folk e tradicionalista, num ambiente negro e hipnótico. «The Sleeping Gods» é uma boa aquisição para fãs de Enslaved e 30 minutos de boa música garantida mesmo para os que não são. 8/10
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WORMROT - «DIRGE»
Com o significativo salto dado pelos Wormrot depois do impressionante «Abuse», editado durante o ano passado e que foi sem dúvida o grande álbum de grindcore de 2010, a banda singapurenha precisava de mostrar o que levou a Earache Records a assiná-los de imediato, mesmo quando apesar de «Abuse» ser bastante bom, o grupo não tinha provas dadas e na verdade não fazia (nem faz) nada de extraordinariamente original. Ouvindo este «Dirge» é fácil concluír que a Earache, na ânsia de assinar o next big thing, pode bem ter dado um tiro no pé...com um canhão. É espantoso verificar que depois de um disco que, sublinho, não era nada original mas demonstrava uma vontade incrível de vencer e uma perspectiva entusiasmante ao death grind, os Wormrot tenham editado um disco fraquíssimo sem pontos de interesse, em que 90% das "músicas" nem sequer chega a 1 minuto de duração. Em «Abuse» era ainda possível identificar faixas estruturadas e um sentido de caos controlado, mas aqui parece tudo feito à pressa e sem um mínimo de cuidado. Sabemos à partida que o grindcore é dos estilos mas descomprometidos do metal, mas também é preciso ter-se cuidado para não se caír para o lado do desleixo. 4/10Sunday, May 15, 2011
ALTAR OF PLAGUES - «MAMMAL»
Nesta altura do campeonato já se tornou convencional esta fusão de black metal com pós metal, mas nem por isso abrandam o número de bandas apostadas a explorar uma sonoridade com vasto território virgem, mesmo que na prática o pós-black metal resume-se ao experimentalismo que na maior parte das vezes não se traduz em nada de produtivo ou inovador, excepção feita a uma pequeníssima parcela de bandas que tem desbravado caminho com uma audácia sempre bemvinda ao metal. São os casos dos Cobalt, Deathspell Omega e dos Altar of Plagues. Apesar destas três bandas se movimentarem em espectros diferentes, são todas passíveis do rótulo do pós-black metal pela ambição que álbum após álbum demonstram. Os Altar of Plagues, mesmo sendo um projecto relativamente recente (começaram em 2006 e só têm 2 álbuns de originais), são um caso que vale a pena seguir atentamente, ainda mais depois deste «Mammal». Se já «White Tomb» ficara como um marco do género, «Mammal» não lhe ficará por certo atrás. São quatro enormes temas, espantosamente bem estruturados com espaço para ataques directos e viscerais de black metal e passagens atmosféricas dignas de um disco dos seminais Neurosis. O resultado é hipnotizante e catárquico, em que cada música é uma viagem alucinante e um carrosel de emoções que os Altar of Plagues exploram exigindo do ouvinte entrega e absorção total para que a experiência «Mammal» seja enfim uma das mais intensas dos últimos tempos. 10/10
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LAKE OF TEARS - «ILLWILL»
Parece impossível que esta seja a mesma banda que vinha gravando álbuns como «The Neonai», «Black Brick Road» e «Moons & Mushrooms». «Illwill» é uma completa transformação daquilo que os Lake of Tears alguma vez foram, incluído os primeiros álbuns da carreira do grupo sueco. «Illwill» é uma espécie de «Endorama» invertido, em que os Lake of Tears resolveram pegar no seu rock metal progressivo e dar-lhe uma infusão de old school metal, nomeadamente de Metallica em «Floating in Darkness», W.A.S.P. em «U.N.S.A.N.E.» e Slayer em «The Hating». Parecida com os anteriores discos, somente a delicada «House of the Setting Sun», que apesar disso, soa bastante a Anathema. «Illwill» é um daqueles discos para nos deixar com um sorriso largo na face, enquanto vamos detectando faixa após faixa, qual a banda referência das mesmas. «Behind the Green Door» parece ficar entre uns Tiamat e uns Sisters of Mercy, enquanto que outras músicas fazem lembrar bandas da NWOBHM. Pode parecer uma autêntica salganhada, mas «Illwill» acaba por ser uma audição refrescante e compensadora, mais não seja pelo curioso exercício de dejá-vú. 7/10THE GATES OF SLUMBER - «THE WRETCH»
Não demorou muito para os The Gates of Slumber comporem o sucessor do bem recebido «Hymns of Blood and Thunder», álbum que beneficiou de uma grande receptividade que existe actualmente em torno da sonoridade doom, ainda mais por assentar no revivalismo de bandas clássicas como Witchfinder General, Cirith Ungol e Trouble. «The Wretch» não foge muito ao veredicto dado a «Hymns of Blood and Thunder». Trata-se de um álbum com directrizes bem definidas e que não foi feito para reinventar o doom metal, mas antes para homenageá-lo. É no entanto também perceptível que «The Wretch» não tem a mesma pinta do seu antecessor, chegando mesmo a ser aborrecido em temas como «Castle of the Devil» e «Iron and Fire». Mas para quem gosta incondicionalmente de old school doom metal, este ano ainda não se ouviu melhor do que «The Wretch». 7,3/10
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CRUACHAN - «BLOOD OF THE BLACK ROBE»
Irlandeses de origem, os Cruachan adoptam a cultura celta para o folk metal de elevada qualidade que até aqui não tinha tido níveis de exposição adequados às capacidades da banda. Basta relembrar com saudade a edição do excelente «The Middle Kingdom» em 2000, numa altura em que o folk metal não estava ainda na moda. Volvidos cinco álbuns de originais, o grupo parecia ter atirado, em 2006, a toalha ao chão, para agora surgir com «Blood of the Black Robe», um álbum fortíssimo, onde os Cruachan equilibram na perfeição o peso com a melodia própria do pagan metal, enriquecida pelos instrumentos folk tradicionais que brilham em temas como «Iam Warrior», «The Nine Year War» e «Thy Kingdom Come», esta última um excelente cruzamento de folk com black metal, chegando a terrenos muito similares aos pisados pelos Absu. Os fãs de Eluveitie e Suidakra, não vão querer certamente perder este disco. 8/10
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MIDNATTSOL - «THE METAMORPHOSIS MELODY»
Com o seu gothic folk power metal, os Midnattsol fazem-me lembrar os primeiros álbuns de bandas como After Forever, Nightwish e Within Temptation, quando estes grupos ainda se identificavam pela inocência e imaturidade que lhes dava uma graça muito especial. Apesar de ter no seu line-up, Carmen Elise Espenæs (irmã de Liv Kristine dos Leaves Eyes), uma garantia de know-how sobre o ofício e as próprias fundações da sonoridade gothic metal; se isso é suficiente para os Midnattsol nos apresentarem um disco válido, é outra questão totalmente diferente. Um pouco como as reviews a Leaves Eyes, Sirenia e Krypteria, o problema maior deste tipo de álbuns é que sabemos exactamente o que esperar deles. Isso torna o material de «The Metamorphosis Melody» extremamente prevísivel e bocejante, ainda mais porque Carmen Elise Espenæs pode até tentar, mas não tem o mesmo alcance vocal de Tarja Turunen ou até da própria irmã. Para quem é indefectível deste género, não perderá nada em dar uma chance à banda alemã. Para aqueles quem até nem ligam muito ao gothic female fronted metal, não perderão nada em deixar isto de lado. 6/10
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Saturday, May 14, 2011
FORGOTTEN TOMB - «UNDER SATURN RETROGRADE»
Claramente numa fase de renovação sonora, os italianos Forgotten Tomb da actualidade devem mais a bandas como Shining, Katatonia e Agalloch, do que ao suicidal depressive black metal que nos primeiros 3 álbuns fez as delícias dos amantes do black doom metal. A partir do anterior registo «Negative Megalomania» de 2007, o grupo optou por deixar caír muito do black metal, para se focar no doom/gothic rock com ocasionais tiradas de black metal no âmbito vocal. Se a faixa de abertura «Reject Existence» faz lembrar uma malha bem conhecida dos suecos Shining, já a versão dos The Stooges, «I Wanna Be Your Dog» parece algo saído de um disco dos Rapture ou Sentenced fase «Amok». Torna-se óbvio com o avançar do disco, que os Forgotten Tomb dão cada vez mais atenção aos riffs, mesmo que isso os torne mais acessíveis e eventualmente repetitivos (a sensação dejá vú é recorrente durante o álbum). A aposta é ousada, tanto mais que o sinónimo de Forgotten Tomb sempre foi black doom metal extremo e para quem os adorou nessa fase, ouvir algo como a faixa «Joyless» que cruza Lifelover com HIM, pode não ser uma experiência nada agradável. Apesar de tudo, a qualidade de «Under Saturn Retrograde» é inegável, goste-se ou não da abismal mutação sonora levada a cabo pelos Forgotten Tomb. 7,5/10
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KRALLICE - «DIOTIMA»
«Diotima» é o terceiro álbum dos norte-americanos Krallice em 4 anos, o que denota uma enorme produtividade, e sucede o black metal mais progressivo de «Dimensional Bleedthrough» de 2009, um álbum desafiante e ambicioso, que transportava os Krallice para um lote restrito de bandas de pós-black metal que tem introduzido novas dinâmicas à sonoridade. Falo essencialmente da profícua cena francesa, onde Deathspell Omega e Blut aus Nord são os nomes mais sonantes. Os Krallice parecem querer seguir o mesmo trilho, embora mantenham muito do black metal tradicional intacto. «Diotima» é menos ousado do que «Dimensional Bleedthrough», bem mais agressivo, mas também conserva muita da atitude "pós" que os destaca da cena black metal tradicional. Bastará para isso ouvir «The Clearing» e «Telluric Rings» dois dos melhores temas do álbum, para percebermos que as estruturas que os Krallice montam são bem mais complexas e ricas em pormenores do que a generalidade dos álbuns de black metal. Ultrapassado o estigma da duração das músicas por norma sempre acima dos dez minutos, «Diotima» revela-se um disco óptimo para quem gosta da cena black metal gaulesa. 7,6/10PESTILENCE - «DOCTRINE»
Com o anterior «Resurrection Macabre» os Pestilence fizeram quanto a mim, um dos melhores regressos dos últimos anos no panorama do metal extremo. Esse disco editado em 2009, trouxe de volta o death metal semi-técnico, groovy e podre que os Pestilence orgulhosamente tinham feito no início de carreira, com ainda mais intensidade e poder. É por isso que não posso deixar de sentir um profundo desapontamento em relação a este «Doctrine». Trata-se de um registo maioritariamente feito em groove, com riffs confusos e pseudo-progressivos a relembrar a banhada técnica que foi «Jupiter» dos Atheist. Mas se «Jupiter» ainda tinha algum valor devido ao desafio que fazia aos standards do death metal, «Doctrine» falha em proporcionar uma experiência minimamente válida em termos de performance e musicalidade, tal o bocejo que aqui vai. À excepção de «Divinity» colocada perto do fim do álbum, «Doctrine» é um composto por um conjunto de músicas chatas e cinzentas sem qualquer espécie de mais valia para quem aprecia bom death metal seja ele progressivo ou não. 5/10OTEP - «ATAVIST»
Se no anterior «Smash the Control Machine» os Otep pareciam saír do limbo em que estavam desde do álbum de estreia, «Atavist» parece vir afirmar o regresso dos Otep à boa forma. Neste álbum os Otep entram numa espiral de esquizofrenia que só mesmo ouvida. Desde do pujante death metal de «Atom to Adam», passando pelo nu-metal de «Drunk on the Blood of the Saints» até ao experimentalismo de «Baby's Breath» e à melodia melancólica de «We Dream Like Lions», «Atavist» é um álbum visceral mas extremamente emotivo, onde Otep Shamaya tem uma prestação de encher o olho alternando uns grunhidos de respeito com a sua toada mais melódica. Oiçam neste âmbito «Remember to Forget» (que tem um feeling à Arch Enemy) onde a dinâmica da vocalista atinge níveis admiráveis, num tema cujas guitarras estão no ponto e o refrão catchy deixa-nos a cantá-lo involuntariamente bem depois de ter acabado. «Skin of the Master» e «I, Alone» são outras grandes malhas de «Atavist», e que vincam as guitarras como a mais valia do disco em relação aos seus antecessores, soando inclusivamente a temas de uma qualquer banda de death/thrash sueca! Em suma, «Atavist» é simplesmente o melhor disco dos Otep desde «Sevas Tra» e claramente o mais pesado e intenso álbum da carreira de Otep Shamaya. Surpreendente. 8/10KRYPTERIA - «ALL BEAUTY MUST DIE»
Quinto álbum para os Krypteria, banda alemã de gothic power metal da mesma estirpe de grupos como Sons of Seasons, Epica, Nightwish e Leaves Eyes. Ouvindo este «All Beauty Must Die» torna-se claro que os Krypteria não passam de uma cópia de segunda geração do estilo e que têm muito pouco de original para oferecer para além dos ícones do género. Canções bombásticas como «The Eye Collector», apesar de agradáveis ao ouvido, não passam de reciclagem saturada, e se os próprios Within Temptation fugiram a sete pés do gothic metal, e os Epica começam a aproximar-se cada vez mais do power metal, o próximo lançamento dos Nightwish pode bem traçar o destino do trend do gothic female fronted metal. Por enquanto não são discos como «All Beauty Must Die», «The Enigma of Life» e «Meredead» que trazem sangue fresco, antes pelo contrário, mostram um género cansado e a precisar urgentemente de descanso. 4/10
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Monday, May 09, 2011
PRIMORDIAL - «REDEMPTION AT THE PURITANS HAND»
O carácter transcendente de determinada música é em suma tudo aquilo que procuramos quando nos propomos a abrir caça aquela melodia que nos eleve o espírito aos píncaros da emotividade, qual hino que represente os nossos sonhos escapistas ou simplesmente um ideal com o qual nos identificamos. Os Primordial são a encarnação do genuíno espírito da força, coragem e dessa transcendência. Uma banda que soube crescer desde dos tempos do black metal atrapalhado com folk de «Imrama» até ao fulgurante «To The Nameless Dead», passando pelo folk/doom em «A Journey's End» e pelo furioso disco de transição que foi «Storm Before Calm». «Redemption at the Puritan's Hand» é um disco mais sombrio do que os anteriores álbuns, trazendo de volta a espaços a melancolia de «A Journey's End», mas mantendo a epicidade dos dois últimos registos, nomeadamente na frenética malha que abre o disco, «No Grave Deep Enough». A atmosfera negra e até depressiva do álbum assenta na perfeição à temática usada por Alan Nemtheanga que compôs oito odes à Morte, cada uma mais intensa do que a outra. «Bloodied Yet Unbowed», a canção de apresentação, pode à primeira nem parecer um momento particularmente feliz, mas inserida no contexto do álbum ganha uma dimensão abismal e é sem dúvida uma das melhores deste sétimo opus dos irlandeses. Certas bandas não são mesmo talhadas para lançar singles. «Death to the Gods» é um colosso arrastado de doom que fecha o disco e que com «The Mouth of Judas» formam um duo de morrer por mais. «Redemption at the Puritan's Hand» não é um álbum tão imediato como «To the Nameless Dead» foi, que pegava no ouvinte e fustigava-o com uma raiva nostálgica sobre a Humanidade e sobre o que ficou perdido no tempo. Desta vez, os Primordial surgem-nos mais atmosféricos, declamantes e com maior intensidade. Creio que será um disco difícil para quem esperaria algo mais black metal, mas não nos esqueçamos que estamos perante uma banda que felizmente privilegia a emoção à violência banal e é isso que distingue os Primordial de todas as bandas de black metal actuais. Pessoalmente, será muito difícil desalojar este álbum do topo da lista de melhores do ano, e ainda só estamos em Maio. 10/10WOLF - «LEGIONS OF BASTARDS»
Há bandas que até podem ser fruto da vontade de homenagear uma banda clássica, mas quando tudo é feito com feeling e classe nada nos impede de aceitarmos esta nova como fazendo parte de um restrito grupo de nomes aos quais "permitimos" que usem e abusem das invenções da velha guarda para fazer dessa forma uma carreira. Os suecos Wolf gostam tanto dos Judas Priest que custa a crer como chegaram até a este «Legions of Bastards», gozando de uma considerável fama. Ouvindo o álbum é facílimo perceber o porquê. O grupo consegue ser simultaneamente old-school mas feroz e actual como por exemplo os norte-americanos Cage. À óbvia referência que são os Judas Priest, acrescento Mercyful Fate e o primeiro álbum de Danzig como parte do repertório habitual dos membros dos Wolf. Com tão boas referências seria muito difícil a uma banda, que pretende homenageá-las, fazer má música. Experimentem ouvir «Skull Crusher» por exemplo, e ficarão com uma ideia do que pretendo dizer com isso. 8/10
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VOMITORY - «OPUS MORTIS VIII»
Parece incrível como é que uma banda como os Vomitory se tem mantido em cena ano após ano, a lançar discos de elevada qualidade, sempre com uma marca de brutalidade impressionante, sem nunca entrar em avarias e aventuras sonoras que desvirtuem a discografia do grupo sueco. «Opus Mortis VIII» é mais uma prova de que os Vomitory são por mérito próprio uma das bandas consistentes de death metal da actualidade. Numa lição de bom e velho death metal, «Opus Mortis VIII» demonstra um soberbo trabalho de guitarras com uma parede avassaladora de riffs coesos ajudados por uma produção digna de registo, à excepção do algo irritante som da tarola. «Opus Mortis VIII» está entre os melhores trabalhos dos Vomitory e garantem aos suecos um lugar na disputa de melhor álbum de death metal de 2011. 8,5/10POISONBLACK - «DRIVE»
Quinto álbum dos finlandeses Poisonblack, que neste «Drive» continuam a debitar o seu gothic metal de contornos hard rock chegando inclusive a soar a Metallica (fase «Load»/«Reload») em determinadas canções. O problema maior de «Drive» é ser um disco que é essencial estar-se na onda certa para se saber apreciar. Os temas são tão rockeiros quanto possível e ideais para uma noite de copos ou para passarem numa discoteca da moda (dentro do estilo evidentemente). Este ambiente festivo, também óptimo para integrar festivais ao ar livre, requer um estado de espírito apropriado e como é óbvio, um gosto por bandas como Sentenced, The 69 Eyes e Black Label Society. 7/10Sunday, May 01, 2011
PANTHEIST - «PANTHEIST»
Os Pantheist surpreendem mais uma vez com um disco de doom psicadélico que rebenta a escala. «Pantheist» teve direito a ser baptizado com o próprio nome da banda, e parece querer representar aquilo que estes belgas pretendem ser. Não admira de facto este ser um álbum de afirmação, trata-se de um disco que pode ser rotulado de doom, mas é errado ficarmo-nos por aí. «Broken Statue», por exemplo, é parcialmente um tema arrastado, mas deve mais ao progressivo do que às sonoridades sorumbáticas do doom metal. Imaginem os Porcupine Tree a fazer versões de Candlemass por exemplo, com uma pitada de Opeth pelo meio. Sim, é assim tão bom. Outros temas mais arrastados como «The Storm» e «Be Here» relembram porque é que os Pantheist eram até aqui considerados funeral doom. Os tempos lentos mas repletos de pormenores que brilham a cada momento do álbum impossibilitam que se instale qualquer sentimento de monotonia, o maior inimigo dos discos desta sonoridade. «Pantheist» será certamente um álbum de destaque no balanço de 2011 quando se falar de doom metal. 9/10LEAVES EYES - «MEREDEAD»
«Meredead» assinala o regresso de uma das mais bem sucedidas bandas de gothic metal, apesar de serem um grupo relativamente recente, iniciado em 2004, mas cujos elementos já povoam estas andanças desde do início da década de 90, através de bandas como Atrocity e Theatre of Tragedy. Infelizmente, ouvindo os últimos discos dos Leaves Eyes, «Njord» e este «Meredead» concluí-se que a banda alemã pouco mais faz do que compôr uma série de músicas simplistas, pejá-las de coros e orquestras e dar-lhes uma imagética gótica, como várias outras bandas actualmente fazem. O que diferencia os Leaves Eyes desses grupos? Praticamente nada. A banda não parece esforçar-se minimamente para oferecer algo de diferente ou relevante ao cenário gothic-metal, apenas junta uma série de clichés e vão assinalando à frente com cruzinhas, até terem todos ingredientes prontos para fazer o bolo. Certas bandas, sabem ultrapassar isto compondo boas músicas com bons refrões, mas o problema maior de «Meredead» é que o bolo é simplesmente intragável e condenado a ir parar directamente ao caixote de lixo. O melhor do disco é mesmo a cover de «To France» do Mike Oldfield, mas creio que nem o Zé Cabra conseguiria arruinar esta fantástica canção. 3/10AOSOTH - «III»
Como o próprio título indica, este é o terceiro álbum dos Aosoth, grupo francês apostado em compôr black metal com laivos death/doom, que arrastam os temas por longos minutos de podridão sonora. Dividido por seis músicas, «III» conta com uma produção suja e cavernosa, onde os vocais lamacentos de MkM adicionam um especial toque de decadência aos labírinticos temas como por exemplo no «II». O que destaca os Aosoth é optarem por fazer um black metal do fundo de poço, extremamente feroz e barulhento em oposição ao cada vez mais importante movimento francês liderado por Deathspell Omega e Blut Aus Nord. Trata-se de um disco que pode até ter todos os elementos que esperamos de uma banda que venera os Hellhammer e os Celtic Frost, mas que também sabe engendrar momentos de criatividade transcendente como no fabuloso tema «III». Apesar de não ser um portento de originalidade, «III» é um disco que deverá agradar aqueles que veneram black/death/doom podre e underground. 8/10BATTLE DAGORATH - «ANCIENT WRAITH»
«Ancient Wraith» é o segundo álbum dos californianos Battle Dagorath, banda de black metal de cariz épico mas extremamente convencional. «Ancient Wraith» é daqueles álbuns que caem sempre bem no goto de quem gosta de black metal ríspido e obscuro, que faz a ponte entre as melodias pomposas dos Emperor e o black metal primitivo de uns Craft. Os temas de «Ancient Wraith» são enormíssimos com várias mudanças de ritmo, pese embora o facto do álbum sofrer bastante com a monotonia que inevitávelmente se instala ao longo de quase todas as músicas, mas com maior gravidade nas epopeicas duas faixas de 14 e 19 minutos que fecham o disco. De resto liricamente o grupo norte-americano vai buscar temáticas estelares como busca influência na literatura fantástica de JRR Tolkien. «Ancient Wraith» acaba por ser um registo válido para quem aprecia black metal menos comercial (quem vier à procura de teclados à Dimmu Borgir, bem pode começar a mentalizar-se que vai vender o disco em segunda mão), repleto de atmosfera e ambientes de negra devoção cósmica. 6,8/10
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