Wednesday, June 29, 2011

LOST & FOUND #3 - HOLY MARTYR - «HELLENIC WARRIOR SPIRIT»

Os Holy Martyr são uma banda italiana de epic heavy doom metal que em 2008 deixou para a posteridade um segundo álbum verdadeiramente heróico e muito pouca gente (a não ser os aficionados do género), deu conta do seu lançamento. «Hellenic Warrior Spirit» não é de todo um disco muito original, mas contém todos os ingredientes de um bom álbum do estilo, ou seja, resquícios de Doomsword, Slough Feg, Candlemass, Atlantean Kodex, Dantesco e até Grand Magus. É um disco repleto de mitologia e epicidade mas que não relega o metal para segundo plano, brindando o ouvinte com paisagens sonoras plenas de sentimento de devoção pela NWOBHM (»Lakedaimon» tem um cheirinho a Iron Maiden, por exemplo). Esqueçam portanto as produções bonitinhas e as orquestras exageradas, este é um álbum com um som flat mas cristalino e palpável. Outras influências audíveis são a dos eternos Virgin Steele e Blind Guardian, não só pela imagética do álbum, mas também em músicas como «Defenders In The Name Of Hella» e «The Lion of Sparta». Pelo título do álbum e de algumas músicas já perceberam que os Holy Martyr falam muito de espartanos e por isso não admira que «The Call of Arms» comece com uma pequena dedicatória ao filme «300», que não evita um inicial torcer de nariz, para se revelar uma das melhores malhas do álbum, ao relembrar os tempos áureos dos Manowar. Entretanto a banda já lançou um álbum este ano, chamado «Invincible» que confesso ainda não ter ouvido, mas do qual espero nada menos do que material ao nível deste «Hellenic Warrior Spirit».

Monday, June 27, 2011

RHAPSODY OF FIRE - «FROM CHAOS INTO ETERNITY»

O regresso dos Rhapsody of Fire aos grandes álbuns deu-se através do enérgico «The Frozen Tears of Angels» que revitalizou o grupo italiano depois de uma longa travessia no deserto. Apenas um ano depois «From Chaos Into Eternity» encerra de vez a saga fantástica que encetou em 1997 com o álbum de estreia «Legendary Tales». Uma epopeia sem paralelo que só por si coloca os Rhapsody of Fire no mapa sem ser pela infâme disputa de nome, que os obrigou a acrescentar aquele feio "of Fire" ao logotipo, e pelo imbróglio com Joey DeMaio e a sua editora Magic Circle Music. Mas este álbum é também sinónimo de uma banda que viveu uma época de ouro entre o «Symphony of Enchanted Lands« e o «Power of the Dragonflame», para depois se deixar levar em devaneios orquestrais e em aventuras que quase lhes custaram a carreira, como os projectos a solo de Luca Turilli. A força que emerge dos primeiras temas do álbum representam bem essa vontade de mostrar ao mundo que a banda respira um novo ar e de facto «From Chaos Into Eternity» e «Tempesta Di Fuoco» são enorme malhões de power metal com uma vertente técnica assinalável, quase progressiva. Este é um dos aspectos mais empolgantes deste álbum: é provavelmente o mais exigente dos Rhapsody of Fire gravado até à data. É também um álbum mais obscuro do que «The Frozen Tears of Angels». As músicas «Ghosts of Forgotten Worlds», «Aeons of Raging Darkness» e «Tornado» tratam de dar aos Rhapsody of Fire uma roupagem mais metálica e menos azeiteira do que no passado. O primeiro deste três temas é mesmo uma das mais vistosas composições dos italianos em muitos anos. Para o fim fica o majestoso épico de quase 20 minuots de duração, «Heroes of the Waterfalls' Kingdom» com uma estrutura similar e igualmente poderosa a «Gargoyles, Angels of Darkness» do álbum de 2002, «Power of the Dragonflame». Em dois anos, os Rhapsody of Fire recuperaram 6 anos perdidos para álbuns medianos e polémicas desnecessárias. Veremos agora o que nos reservam Luca Turilli, Alex Staropoli e Fabio Lione para um futuro próximo. 9/10

THE BLACK DAHLIA MURDER - «RITUAL»

São uma das principais bandas de deathcore americanas, mas que curiosamente nos últimos álbuns se têm tornado cada vez mais death metal. É verdade que a essência do deathcore continua por lá, mas os clichés habituais do estilo à semelhança dos Job For a Cowboy, começam a ficar cada vez mais de lado. Neste caso, a mudança é para melhor, já que pouca gente deverá achar que estes The Black Dahlia Murder são inferiores aos de «Unhallowed» ou «Miasma». Na verdade, são bem melhores. «Ritual» pode bem ser o melhor álbum do grupo até à data, num ataque letal de death metal com laivos de death thrash sueco que engrossam os temas com algo mais do que brutalidade desenfreada. Coisas como «Moonlight Equilibrium», «Carbonized in Cruciform» e «Malenchanments of the Necrosphere» são indubitavelmente do melhor death metal que vamos puder ouvir este ano. A simpatia dos TBDM pelo black metal também continua firme, mas com maior incidência nos vocais que asseguram uma dinâmica impressionante ao álbum. 9/10

THE FLIGHT OF SLEIPNIR - «ESSENCE OF NINE»

Foi há cerca de um ano que os The Flight of Sleipnir caíram nas graças de muito boa gente que não os conhecia, muito por culpa do magnífico álbum «Lore», sem dúvida um dos grandes álbuns de 2010. Em menos de um ano, eis que o duo Clayton Cushman e David Csicsely, resolve editar o sucessor «Essence of Nine». A primeira impressão foi a de que este é um disco diferente de «Lore». A sonoridade é mais ampla e menos sludgy que «Lore» e também vocalmente é um álbum menos exuberante. A componente acústica é por seu lado mais melódica e suave, pormenor que assentou muito bem neste temas em particular nos instrumentais, no início de «Upon This Path We Tread» e na brilhante «Nine Worlds». A segunda impressão é a de que «Essence of Nine» é um disco com mais detalhes, fazendo-o menos directo do que o seu antecessor que encontrava no imediatismo a sua principal arma. Aqui as músicas são mais melancólicas, mais doom do que sludge. Os vocais black metal quando aparecem estão menos agressivas como na pujante «A Thousand Stones» e na malha que abre os disco, «Transcendence». A terceira e final impressão é a de que tanto «Lore», como «Essence of Nine» são álbuns fantásticos que deixam identificar de imediato a banda que estamos a ouvir, mas não se rendem ao facilitismo de apresentar os mesmos truques, mantendo a banda numa saudável evolução. 8,7/10

TOMBS - «PATH OF TOTALITY»

Três álbuns em três anos é o suficiente para tirarmos o chapéu aos Tombs, mais não seja pela dedicação, mas mais ainda pelo aclamado álbum de estreia chamado «Winter Hours». Recordo-me de ter dito aqui que achava esse disco um tanto mal conseguido, pela falta de direção definida do grupo que juntava na altura black metal com pós-metal e alguma experimentação sludge. Com o segundo álbum a fórmula revelou-se ainda menos conseguida, para agora, com «Path of Totality» revelarem-se enfim os grandes problemas deste projeto que tem tão nobres intenções. A atmosfera do álbum é opressiva com riffs sludge a brotarem das colunas como uma torrente de lava e cinzas, o trémolo é uma constante e os vocais de Mike Hill parecem adivinhar o fim do mundo para breve. É no geral um álbum denso e negro, propício a um estado depressivo e a espantar a vizinhaça toda lá do prédio. Mas reina neste disco uma anarquia de quem quer meter muito no mesmo saco e se esquece de não misturar alhos com bugalhos. É um dos grandes problemas das bandas de fusão: a fórmula obriga a dosear ambas as vertentes e por vezes, é negligenciado o aspecto principal de uma banda: a personalidade própria. E com isto, continuo a não encontrar nos Tombs algo que os destaque favorávelmente de tantas outras bandas que tentam fazer a mesma fusão. 6/10

Friday, June 24, 2011

SYMPHONY X - «ICONOCLAST»

Já poucas bandas demoram 4 anos a lançar um álbum novo, e ainda mais numa altura em que urge estar sempre a lançar para o mercado novidades que sirvam de motivo para mais uma digressão. Felizmente ainda existem bandas que cultivam a ideia de que o que interessa é lançar em qualidade e não em quantidade. Pode até ser frustrante para os fãs de uma nova geração habituada a viver à velocidade da luz, mas dediquem alguns minutos a pensar no assunto: preferiam que vossa banda de eleição (ou uma das) estivesse sempre a lançar álbuns e invariavelmente acabasse por compôr algo menos bom, ou preferiam que cada disco novo seja uma espécie de celebração entre banda e fãs, com um produto musical de qualidade a ajudar à festa? Falo por mim, mas prefiro esperar quatro anos por um bom disco, do que ter um mediano todos os anos ou ano-sim-ano-não. Mas centremo-nos em «Iconoclast». Neste oitavo álbum dos norte-americanos Symphony X, a temática abordada é a do homem versus máquina, ou a velha história da cada vez maior preponderância da tecnologia na sociedade humana. O tema é interessante embora liricamente saja abordada de forma algo leviana. Serve o propósito e encaixa nas músicas, mas habituei-me a mais profundidade nos Symphony X do que a versos tão simples como os de «The End of Innocence» e «Dehumanized». Outro aspecto que salta à vista é o acréscimo de peso dos álbuns de Symphony X a partir do «The Odyssey» a esta parte, quando a banda começou a ser menos prog e mais metálica. Essa sequência trouxe-nos o fabuloso «Paradise Lost», e o «The Odyssey» é já também um clássico, por isso não podemos dizer que escolha tenha sido má. O problema é que ouvindo «Iconoclast», sente-se a falta de melodia, da voz mais suave de Russell Allen e até dos teclados épicos de Michael Pinnella que estão mais relegados para pano de fundo do que nunca. Entre a agressividade de «Electric Messiah», «Heretic» e «Bastards of the Machine» que parecem temas de Metallica ou Machine Head, e o power metal catchy de «The End of Innocence» e «Dehumanized» que soam a parentes pobres do «Paradise Lost», os Symphony X perdem aquela vertente mais épica e elaborada que a espaços recriam com magnificência no tema de abertura «Iconoclast», em «Prometheus (Iam Alive)» e na power ballad «When All is Lost». Apesar da estranheza de algumas opções do grupo, argumentadas por Michael Romeo como uma necessidade de se adaptarem às novas gerações, «Iconoclast» é certamente um álbum repleto de mais valias para quem gosta do espectro musical compreendido entre o progressivo, o power e o thrash metal. A «Heretic» é a melhor canção dos Metallica desde 1988, por exemplo. Acima de tudo é um álbum que mesmo não sendo dos melhores da carreira dos Symphony X, fica bastante acima da maior parte dos álbuns que vão sendo lançados por aí. Disso não restam dúvidas. 8,9/10

Saturday, June 18, 2011

SEPULTURA - «KAIROS»

Temáticamente baseado no Tempo, «Kairos» volta a ser um álbum conceptual de Sepultura, embora não haja uma história a ser contada, mas um tema central à volta do qual todas as músicas se debruçam. Neste âmbito, temos alguns interlúdios e um longo tema final intitulados com datas (2011, 1433, 4648 e 5772), pretendendo lançar um olhar sobre o passado, presente e adivinhar o futuro. Um feito admirável, mesmo num grupo com o historial dos Sepultura, é interessante perceber que a banda brasileira/norte-americana ainda tem o cuidado de oferecer álbuns desafiantes aos seus fãs. Musicalmente, o grupo continua na senda do hardcore/groove metal que desde «Against» tem constituido o seu portfólio, alternando entre bons e maus discos, culminando no descomprometido e quase punk «A-Lex». Aqui temos precisamente o bom e o mau dos Sepultura: a pujança de «Kairos» (simples mas eficaz refrão), «Mask» e «No One Will Stand», contrastam com as composições estranhas de «Dialog» e «Spectrum», num misto de força, que apesar de tudo, nem é muito significativa em termos de originalidade; e experimentalismo que raramente lhes assenta bem. «Kairos» é também um grower. Daqueles álbuns que crescem bastante com mais audições e mesmo que inicialmente vos possa soar meio fraco (o primeiro esboço desta review era bem menos abonatória), o tempo acaba por ser o melhor amigo de um álbum que em egípcio se chama precisamente...Tempo. 7/10

Friday, June 17, 2011

IN FLAMES - «SOUNDS OF A PLAYGROUND FADING»

Por onde começar esta review? Pela constatação óbvia de que os In Flames tornaram-se numa sombra daquilo que já foram? Ou pela já comum discussão de que esse caminho foi curiosamente tomado perpendicularmente ao crescendo de popularidade do grupo? «Sounds of a Playground Fading» é o décimo álbum dos suecos que nos oferecem aqui algo muito similar ao anterior «A Sense of Purpose», ou seja, uma pálida amostra de death metal melódico, simples e cinzento, com uma aura ainda mais pretensamente depressiva do que o seu antecessor. As músicas estão dentro dos moldes daquilo que se convencionou agora chamar de In Flames, com uma absurda falta de riffs interessantes e sem aquele magnetismo que a banda exalava por alturas do «Whoracle» e «Clayman» ou até mesmo da fase de transição «Reroute to Remain» até «Come Clarity» (mesmo neste álbum, o mais experimental deles até à data, tinham um conjunto de grandes e memoráveis canções), para se renderem a uma simplicidade que neste caso é enfadonha e desprovida de boas emoções. Nem falo só daquele sentido de agressividade de quem quer deitar tudo abaixo proveniente de «Colony» e «Whoracle», mas daqueles riffs suspensos pela voz de Andres Friden que explodiam na cara do ouvinte em «Reroute to Remain». Neste novo disco, tudo soa aborrecido, sem intensidade e velocidade e nem as pálidas «The Puzzle» e «Enter Tragedy» conseguem colmatar esse sentimento nostálgico de que já esteve aqui uma das melhores bandas de death melódico de sempre, e ainda menos músicas tão inúteis como «The Attic» e «Jester's Door». 4/10

Monday, June 13, 2011

PESTE NOIRE - «L'ORDURE A L'ETAT PUR»

Confesso que mesmo quase depois de um mês a ouvir isto com alguma frequência ainda não consigo ter uma ideia totalmente formada acerca desde «L'Ordure A L'Etat Pur». Porém, algumas considerações são lógicamente possíveis de fazer nesta altura do campeonato, e uma delas, porventura a mais importante, é a de que este é o disco mais completo dos Peste Noire até à data. Esta conclusão faz-se por um lado porque o material aqui contido é pura e simplesmente do outro mundo, mas por outro, como podemos afirmar tal coisa, quando «L'Ordure A L'Etat Pur» é um disco tão atípico na carreira dos franceses? Neste quarto álbum, os níveis de teatralidade primeiramente parecem exagerados e descabidos, mas ao fim de algumas audições se revelam geniais, porque se bem virmos as coisas, os Peste Noire sempre foram uma banda em que o negro sentido humor sempre esteve presente e só assim se pode perceber uma música como «Casse, Pèches, Fractures et Traditions», onde nos é possível ouvir alguns samples de gosto meio duvidoso. Ora, num disco de black metal e sobretudo numa banda que lançou aquele manifesto depressivo que foi «Ballade Cuntre lo Anemi Francor», esse tipo de gracinhas não ficam muito bem...a não ser que estejamos a falar precisamente nos Peste Noire. O black metal de intervenção, se assim quisermos chamar, dos Peste Noire abre portas a experimentações, acústica («J’avais rêvé du Nord» a partir dos 4 minutos), vozes femininas, folclore e samples maníacos. Tudo utilizado cirurgicamente para dar às canções motivos de sobra de interesse para manter o ouvinte atento durante as longas canções que compõem o álbum. O lado menos claro de «L'Ordure A L'Etat Pur» é perceber qual o impacto que este disco terá na carreira dos Peste Noire (já que introduz toda uma nova dinâmica na banda francesa), qual a receptividade dos fãs e se resistirá ao teste do tempo. Por aqui continua a rodar com bastante frequência, estando a meu ver uns largos furos acima de «La Sanie des Siècles - Panégyrique de la Dégénérescence» de 2006, aquele que era tido como o melhor álbum dos Peste Noire até à data. «L'Ordure A L'Etat Pur» dá ainda mais gozo ouvir, pela abrangência musical, tornando-se óbvio que precisavam de escrever o melancólico «Ballade Cuntre lo Anemi Francor» para chegar a este nível. Dificilmente não estará na minha lista de melhores do ano, embora ainda esteja para perceber qual o devido lugar que ocupará e qual a extensão do seu impacto na cena black metal. 9/10

UNEXPECT - «FABLES OF THE SLEEPLESS EMPIRE»

É muito atrevimento da minha parte dizer assim de enfiada que os Unexpect parecem os Diablo Swing Orchestra do death metal? Os níveis de insanidade musical são muito semelhantes embora os Unexpect sejam em larga escala bem mais agressivos. mas não se furtam à utilização de teclados, violinos e vozes teatrais, em conjugação com blastbeats e vozes guturais desdobradas com um efeito dantesco. As vozes femininas também alternam entre o cândido e o grotesco, no meio do carrosel musical que as guitarras protagonizam com mestria, fazendo o que os The Agonist têm tentado fazer mas sem este sucesso. Para terem uma ideia do que aqui vai, sugiro o tema «Words», onde a banda fica brilhantemente representada. O problema maior de «Fables of the Sleepless Empire» é que no meio deste caos controlado, ficam a faltar pormenores memoráveis que perdurem para além do impacto inicial que o disco de facto não deixa de ter. Neste âmbito, os The Agonist e os Diablo Swing Orchestra conseguem ser bem mais efectivos. Razoavelmente superior a «Utopia» (1999) e «In a Flesh Aquarium» (2006), este é um disco complexo e de estruturas progressivas que demoram a encaixar e que poderão levar algum tempo até encontrarem o seu espaço na cena metaleira. Mas que existe qualidade, é um factor indesmentível. É uma nova geração de bandas com músicos exímios que brincam literalmente com a convencionalidade daquilo a que chamamos de Metal. 8,5/10

FALCONER - «ARMOD»

Os suecos Falconer têm sido uma das fortalezas do power metal europeu, embora sempre tenham mantido um relativo anonimato, que «Armod» deverá inverter e colocá-los no mapa por diversas razões. A primeira é que este é um disco de Falconer que pela primeira vez é cantado na íntegra em sueco, a segunda porque a banda adicionou uma fragrância de folk nunca vista até aqui num álbum deles e depois porque este é um álbum simplesmente...óptimo. O disco começa com duas malhas bem directas e com linhas vocais contagiantes apesar do difícil idioma nórdico. Os riffs são pesados e straightforward, mas nada como em «Griftefrid» onde os Falconer nos presenteiam com...blastbeats. Sim, leram bem, blastbeats. Quem não os conhece ficará na mesma, mas se tiverem curiosidade aconselho uma audição ao excelente álbum de estreia e depois vão perceber o espanto da afirmação anterior. «Armod» desfila uma fusão de folk/power metal refrescante em que temas como «Svarta Ankan» e «Fru Silfver» que ficam tão bem ao pé das músicas mais folkish como «Eklundapolskan» e «Grimsach om Morgonen», e que se traduzem numa dinâmica que poucas bandas quer de power quer de folk metal conseguem ter actualmente. Tudo isto rematado por solos brilhantes como na derradeira «Gammal Fabodpsalm». 9/10

PAIN - «YOU ONLY LIVE TWICE»

Quando «Let Me Out» brota das colunas é com um misto de estranheza e aparente agrado que reparo que os Pain de Peter Tagtgren parecem estar mais pesados e abrasivos no seu metal industrial que tão bons resultados comerciais deu ao reconhecido músico/produtor sueco. A produção suja e o tom grave dos temas confirmam esta tendência, assim como a esquizofrénica «Feed the Demons» que parece uma mistura de Marilyn Manson com Deathstars. Por seu lado, «The Great Pretender» é um misto de rock gótico com Nightwish, e o feeling bluesy/sludgy de «Dirty Woman» acaba por ser uma das mais valias do álbum, assim como o ambiente creepy de «Season of the Reaper». No geral, «You Only Live Twice» é um disco menos voltado para os teclados, que reluzem quase sempre no fundo e não como líderes das músicas, e mais rockeiro como «Leave Me Alone» e «Monster» atestam, a primeira poderia até ser, com uma produção mais limpa, uma música de Linkin Park. A versatilidade de Tagtgren continua a ser notável ao conseguir juntar vários quadrantes musicais num único álbum, o problema é que a relevância de tudo isto também continua a ser praticamente nula, apesar do tal sucesso comercial associado aos Pain. 5/10

SAXON - «CALL TO ARMS»

Os Saxon não precisam de qualquer tipo de introdução. À parte das parvoíces ideológicas do Biff Byford, a banda britânica é um dos estandartes da NWOBHM e tem um currículo que fala por si. «Call to Arms» é um poderoso álbum que demonstra que não são precisos grandes truques de estúdio e grande técnica para se fazer um disco cheio de intensidade. Bastará ouvir «Hammer of the Gods» e a pujante «Afterburner» (das músicas mais agressivas da carreira dos Saxon), para se perceber que aqui não há lugar para queixume ou saudosismo parvo, mas antes o abraçar de uma nova era mantendo a genialidade de sempre. Seja nos arranjos com teclados de «When Doomsday Comes (Hybrid Theory)» ou o up tempo galompante de «Mists of Avalon», o disco está repleta de temas contagiantes de príncipio ao fim. À semelhança dos Whitesnake, os Saxon gravaram aqui um dos seus melhores álbuns e mostram o dedo do meio à reforma do heavy metal tradicional. Admirável. 9/10

THE HUMAN ABSTRACT - «DIGITAL VEIL»

O fabuloso instrumental que abre «Digital Veil» é o prenúncio de que algo bom estava para vir deste disco lançado em Março e que injustamente pode ter passado ao lado de muito boa gente que pode encontrar aqui motivos suficientes para fazer dos The Human Abstract o next big thing. O potencial é admirável, quer em termos de composição e de performance, «Digital Veil» vagueia entre o metal progressivo e o metalcore, tendo em Between the Buried and Me uma lógica associação. Algo que faz deste grupo norte-americano um tanto à parte é a inclusão de pequenos arranjos de música clássica espalhados pelo disco e a sensibilidade melódica que nunca se perde em detrimento do show-off técnico, com as vozes melódicas muito próprias do metalcore a serem utilizadas em refrões antémicos de belo efeito em «Complex Terms» e «Faust». No tema «Digital Veil» outra banda nos vem à memória, os Becoming the Archetype, numa espécie de versão mais dotada tecnicamente, abre caminho a passagens dignas de um álbum de death metal progressivo. Em suma, «Digital Veil» que até foi bastante bem recebido nos EUA, peca apenas por ser muito curtinho (36 minutos), mas vale pela intensa experiência e pela certeza de que temos aqui banda para seguir com muita atenção. 8,7/10

MAYAN - «QUARTERPAST»

Estreia dos holandeses Mayan, que combinam em «Quarterpast» death metal com sinfonias amplas e coros de vozes limpas e angelicais que contrastam com os lead vocals guturais de Mark Jansen, também membro dos Epica. Esta acaba por ser precisamente a banda que mais vezes vem à mente. Os Mayan são como que uma versão mais extrema dos Epica (que já por si são uma banda bem agressiva), combinada com resquícios dos suecos Therion por alturas do «Lepaca Kliffoth». Nesta ambiciosa estreia, os Mayan mostram ideias suficientes para vingar, embora a maior parte dos trunfos sejam jogados bem cedo nas primeiras músicas do disco, «Symphony of Aggression» e «Mainstray of Society - In the Eyes of the Law Corruption», com um exótico riff arábico a condimentar esta segunda. Contudo, como disse, as mais valias deste registo podem ser ouvidas nestas músicas, dado que com o fluír do álbum, nota-se que a receita para «Quarterpast» é sempre mais ou menos a mesma, o que o torna bastante cansativo. Para terem uma ideia, não consegui ouvir este disco de ponta a ponta mais do que uma vez. Esperemos que com o tempo a fórmula seja aperfeiçoada e algo mais justifique a feitura deste projecto. 6/10

PAGAN'S MIND - «INTERMISSION»

Apoiados inicialmente no metal progressivo, os dinamarqueses Pagan's Mind começaram a partir do anterior «God's Equation» a tornar o seu som mais directo e rockeiro entre uns Firewind e os Kamelot. Esta opção faz dos Pagan's Mind uma banda menos pertinente, uma vez que mesmo apesar da qualidade inegável de malhões como «Intermission» e «Walk Away in Silence», tudo isto já foi mais do que feito/ouvido, invés da composições mais dinâmicas e complexas de um álbum como «Celestial Entrance». Todavia, a componente progressiva não desapareceu de todo, mantendo um agradável equílibro entre o catchiness das malhas acima indicadas e composições mais exigentes como «Revelation to the End» e «Follow Your Way» e «Never Walk Alone». «Intermission» é um potencial alvo para adeptos de metal melódico directo e para quem aprecia metal progressivo. 7,3/10

TYR - «THE LAY OF THRYM»

Com o (inesperado) sucesso do folk metal, surgiu inevitavelmente todo um batalhão de bandas que abraçaram o género e conseguiram com maior ou menor sucesso estabelecer-se no meio do turbilhão que começa agora a dar evidentes sinais de cansaço. Mas o mais curioso no meio deste trend do folk metal é que várias bandas de viking metal também lucraram ao chegarem progressivamente a mais público. Resultado disso foi a subtil mudança de direção que algumas dessas bandas de viking metal operaram para fazerem a ponte entre o folk e o viking metal. Há casos bons e maus neste âmbito, mas um dos mais bem sucedidos foram sem dúvida os Tyr, banda exótica das Ilhas Faroe, que com «The Lay of Thrym» dá uma maior abrangência ao seu som, perdendo por um lado a epicidade presente nos álbuns mais antigos, para dar prioridade a músicas mais directas como «Shadow of the Swastika», «Hall of Freedom» e «Take Your Tyrant». A mudança pode ser discutida embora dependa essencialmente do gosto de cada um, mas a verdade é que ouvindo estas músicas torna-se muito complicado não nos rendermos às evidências de que no meio da moda folk, a qualidade é uma bandeira que os Tyr exibem com orgulho. Do melhor folk/viking metal que poderão ouvir em 2011. 8/10

BOOK OF BLACK EARTH - «THE COLD TESTAMENT»

Tem sido interessante verificar para onde o black metal tem progredindo, sendo actualmente identificada a cena francesa como a principal força motriz por trás do género, embora dos Estados Unidos nos vão surgindo aqui e ali, alguns projectos dignos de registo, entre o quais os Cobalt e estes Book of Black Earth. Embora não sejam um grupo apostado no pós-black metal, a forma decidida e esclarecida com que compõem o seu black metal recorrendo ao death metal, faz desta banda uma das mais promissoras do outro lado do Atlântico. Sobretudo porque disco após disco têm evoluído de forma significativa culminando neste «The Cold Testament», um álbum que se ultrapassada a ainda fraca exposição que tem tido, deverá catapultar os Book of Black Earth para um patamar superior. O que os destaca da concorrência são essencialmente dois factores: a qualidade geral das composições que consegue equilibrar agressividade (sem recorrerem em demasia ao blastbeat e ao trémolo) e melodias catchy, e ainda os vocais de TJ Cowgill que não sendo a comum voz do black metal adiciona à banda um toque de core (pensem nos The Black Dahlia Murder), que até cai bastante bem. Temas como «Weight of the World», «Antartica» e «I See Demons» são a súmula da descrição acima feita e passíveis de vos fazer dar uma atenção extra a esta óptima banda. 8/10

Friday, June 10, 2011

SUPREME PAIN - «DIVINE INCARNATION»

«Divine Incarnation» é o terceiro álbum dos holandeses Supreme Pain, que continuam no trilho do death metal pujante e sanguinário na onda de uns Vomitory e Cannibal Corpse. O álbum é forte em termos de impacto sonoro, mas fica a dever muito em termos de memorabilidade, dado que do que nos é dado a ouvir, pouco fica para a posteridade a não ser uma dose de brutalidade impressionante que é ideal para quem gosta invariávelmente de death metal, mas para ouvidos um pouco mais exigentes, este não é um álbum com muitos pontos de interesse. Ainda mais com vários álbuns do género a darem cartas no que toca ao death metal como o recente disco dos Vomitory. Apesar disso, «Divine Incarnation» não deve ficar excluído das vossas audições, sobretudo se gostam de brutal death metal. Oiçam «Putrefied Beauty» e «The Fallen Kingdom» para tirar a prova dos nove. 6,5/10

Monday, June 06, 2011

MORBID ANGEL - «ILLUD DIVINUM INSANUS»

Oito anos de hiato fizeram de «Illud Divinum Insanus» o álbum mais esperado dos últimos tempos, e sem dúvida que esse é um factor a ter em conta quando nos propomos a ouvir este novo trabalho dos Morbid Angel. Mas bem vistas as coisas, qualquer disco do qual existe grande expectativa este é um factor a ter em conta, ainda mais quando a banda visada tem um estatuto considerável. Por isso acrescento que partir para esta audição ouvindo apenas «Nevermore» e ter a ideia de que vamos ouvir death metal são problemas acrescidos e que levaram muito boa gente a sentir uma profunda desilusão ou vá lá, estranheza, por ouvir músicas como «Too Extreme!» e «Radikult». Qualquer pessoa que diga que compreende este lançamento está dar uma de intelectual do metal ou a arranjar desculpas para dizer que até gosta. Creio que quem o diz simplesmente não percebe a importância que os Morbid Angel tiveram no início dos anos 90, por isso é compreensível que não se consiga ter uma ideia do big picture, como se diz na América do Norte. Ora, o choque existe, é inegável e é terrívelmente enorme. Ninguém estaria à espera de ouvir dos Morbid Angel algo como «Destructos Vs. the Earth / Attack» que não passa de uma sobra do Rob Zombie cruzado com Combichrist de segunda categoria. Ainda mais estranho é que mesmo as malhas de death metal, que vão de alguma forma atenuando o choque, não passem de death metal ao nível, na melhor das hipóteses, do «Heretic». Falo de «Blades For Baal» e do single «Nevermore». Outras sessões de death metal como «Existo Vulgoré» e «Beauty Meets Beast» são interessantes, mas longe daquilo que esperamos dos Morbid Angel, assim como «10 More Dead» e a detestável «I Am Morbid». O que torna este disco verdadeiramente intragável não é de todo a experimentação levada a cabo por Trey Azagthoth e David Vincent, mas antes a qualidade daquilo que se ouve, que é muito baixa, até ao nível lírico onde Vincent chega a cantar algo como..."kill a cop" (em «Radikult»). Suponhamos que a banda, com receio de ser absorvida pela indústria cada vez descaracterizada do metal, tenha tido a ideia de dar que falar, nem que seja, mal; podia tê-lo feito como os Mayhem fizeram com «Grand Declaration of War», como os My Dying Bride com «34,788%...Complete» ou como os Kreator em «Endorama». Discos diferentes, mas com qualidade. «Illud Divinum Insanus» não só é chocante pela direcção musical levada a cabo, mas também pela débil qualidade da música apresentada. Um clássico...no mau sentido. 3/10

ARCH ENEMY - «KHAOS LEGIONS»

Olhando para a carreira dos Arch Enemy, parece existir um enorme contraste no que toca à evolução sonora do grupo e à sua crescente popularidade. Isto é, com os anos, a banda sueca foi ganhando cada vez mais adeptos para a sua causa, mas paralelamente foi perdendo muito do fulgor de álbuns como «Stigmata», «Wages of Sin» e até «Anthems of Rebellion», este claramente o álbum de transição dos Arch Enemy. A insistência na temática de revolução e rebeldia, ameaça voltar-se contra a própria banda, e quando esta resolve dedicar um disco novo inteiro ao tema, o cansaço torna-se evidente. «Khaos Legions» é para além disso ou disco apático e aborrecido, que nenhuma revolução pretende ter como banda sonora. A espaços existe um belíssimo trabalho de guitarras como em «Yesterday Is Dead and Gone», «Bloodstained Cross» e «No Gods, No Masters», mas no geral é um álbum esbocejante, condimentado por uma atitude over the top, como se os Arch Enemy quisessem ser líderes de alguma coisa e despertadores de consciências. É óbvio que o metal sempre teve as suas bandas políticas, ou pelo menos, grande parte das bandas mais conhecidas já dedicaram um ou outro tema a questões sociais e políticas, mas nunca desenvolveram uma carreira a bater neste cliché. Os Arch Enemy não só o fazem, como ao nível sonoro perdem intensidade e relevância de álbum para álbum, com a própria Angela Gossow a soar cada vez mais um disco velho e riscado. 6/10

AMORPHIS - «THE BEGINNING OF TIMES»

Depois de um trio de respeito formado por «Eclipse», «Silent Waters» e «Skyforger», os Amorphis encontram-se em estado de graça por terem conseguido congregar os fãs antigos que viram o grupo finlandês recuperar o peso e qualidade, assim como toda uma nova legião de adeptos dos trends gothic e folk metal. «The Beginning of Times» não precisava portanto de ser um álbum muito bom, para conseguir ser bem sucedido e de facto é precisamente aquilo que tem acontecido desde que foi lançado. Ouvindo com atenção este trabalho é possível verificar que se trata do menos conseguido desde do «Eclipse». A maior parte das canções pegam em coisas como «House of Sleep» e «Silver Bride» e limitam-se a reciclá-las com maior e menor sucesso. Nos casos de «You I Need», «Battle for Light», «Mermaid» e «Soothsayer», nota-se essa postura de compôr músicas simples e catchy quase sempre baseadas primordialmente nas linhas de teclados, que nestes casos até obtêm resultados positivos. Mas nota-se uma grande falta de peso neste disco, quer na ausência quase total dos vocais guturais de Tomi Joutsen, quer na ausência de uma «Majestic Beast», «Perkele (The God of Fire)» ou «Weaving the Incantation». O álbum desenvolve-se numa melodia inofensiva, por vezes sim, envolvente, mas demasiado pacata para fazer mossa. Dependendo do sucesso deste álbum (e acredito que seja grande), os Amorphis podem bem estar a caminhar no sentido de apelar a audiências mais vastas. 7/10

MY DYING BRIDE - «EVINTA»

Como edição de aniversário, os britânicos My Dying Bride resolveram dar à luz este projecto que segundo a banda teve origem à nada menos do que 15 anos. «Evinta» é composto por músicas que recuperam novos e velhos riffs e transforma-os em algo próximo do «Black God» ou da cover dos Portishead, «Roads». No entanto, algo falha redondamente neste processo que se revela apenas um exercício de corte e costura, em que a componente clássica da voz soprano e dos violinos, faz a ponte entre as partes mais familiares aos fãs da banda e os novos detalhes, ao não acrescentar nada de significativo e bom. Mas acima de tudo, falha onde um disco de My Dying Bride não deveria que é na carga emocional dos temas, neste caso desprovidas de emotividade a tal ponto das músicas se tornarem extremamente aborrecidas. Excepção feita a alguns momentos bem conseguidos como «Vanité Triomphante», «In Your Dark Pavilion» e sobretudo em «That Dress and Summer Skin», onde são audíveis «She is the Dark» e «My Wine in Silence». No geral, era à partida um projecto ambicioso e interessante, mas na prática revela-se falhado. 6/10

Friday, June 03, 2011

ESPECIAL BANDAS PORTUGUESAS - PARTE 3

Comecemos esta última parte do especial bandas portuguesas com os doomsters Before the Rain, que terão impressionado muito boa gente no concerto que deram no Incrível Almadense quando abriram para os Katatonia. Principalmente por terem recrutado o ex-Morgion Gary Griffith para os vocais e pelo contrato que assinaram com a reconhecida Avantgarde Music, factos que de certo não estarão desassociados um do outro. «Frail» sucede a «...One Day Less», um marco nacional no que toca a doom/death metal com características funeral doom, nomeadamente no que toca aos tempos utilizados nas músicas. «Frail» segue o mesmo caminho, interpondo a raiva melancólica de riffs pesados e do growl de respeito de Griffith, com passagens acústicas de belo efeito. Um excelente disco para admiradores de Funeral, Shape of Despair (com quem os Before the Rain lançaram este ano um split), My Dying Bride e claro, Morgion. 7,7/10


«Some Kids Have No Face» é o senhor-álbum que se segue, numa agradável tendência que começa a ser ouvir cada vez mais álbuns nacionais. Esta pujante rodela de punk/hardcore é ideal não só os adeptos desta sonoridade, como também para metaleiros que apreciam thrash metal (oiçam «All The Same» e vão perceber o porquê). For The Glory ficam na senda do clássico «Beat the Bastards» dos The Exploited, que se bem se lembram foi a primeira (e única) aventura metálica dos lendários punkers, que deram aos seus temas umas produção cheia e pesadona. Este disco é uma espécie de continuação do «Beat the Bastards», ou seja, punk/hardcore a roçar no crossover e com um poderoso groove («Routine Equals Hell» é demolidor!). 8,2/10


Já venho defendendo há algum tempo que Portugal tem neste momento um dos melhores movimentos do black metal europeu, ficando atrás somente dos movimentos dos principais países nórdicos e da França. Basta pensarem em bandas como Corpus Christii, Decayed, FNI, Inverno Eterno, Cripta Oculta, Infernal Kingdom, Morte Incandescente, Defuntos, Darkside of Innocence, Antichthon, Vizir, entre vários outros, que prefazem um conjunto vasto de bandas com qualidade acima da média. Os In Thy Flesh são "mais" um grupo que pode e deve ser incluído nessa galeria do BM português. Não são propriamente uma banda nova (estão por cá desde 2000), e já têm, a contar com «Claustrophobia», três álbuns de longa duração. Neste novo trabalho da banda portuense optaram por cantar exclusivamente em português, sonoramente piscando também o olho aos muitos adeptos do depressive black metal e com resultados bastante satisfatórios. Nomeadamente no feeling nostálgico que percorre todo o álbum, bem representado na capa escolhida para «Claustrophobia». 8/10


Umas das grandes estreias nacionais foi sem dúvida o «Confrontation of Souls» (2009) dos Switchtense, com o seu thrash/groove musculado cheio de refrões catchy e muita atitude. Volvidos 2 anos, eis que surge o sucessor, homónimo, ainda mais agressivo e negro (basta olhar para a capa), onde os Switchtense deixam escapar ainda mais as influências de Exodus e Slayer. Nada de mal aqui, porque os níveis de intensidade estão ainda maiores do que no álbum anterior («Living a Lie» é brutalíssima), o problema (único a meu ver) é que em favor desta componente mais agressiva, os Switchtense perderam o catchiness de malhas como «Into the Words of Chaos» que lhes dava todo um "charme" diferente. Ainda assim, acredito que quem apreciou os últimos trabalhos das bandas acima descritas não terá qualquer dificuldade em gostar deste «Switchtense». O ideal agora seria num futuro trabalho equilibrar estas duas vertentes. 8/10


Vão-me desculpar, mas vou começar esta review de forma facciosa: os ThanatoSchizo são das bandas nacionais que mais admiro. Desde da "trapalhada" gothic/doom de «Schizo Level» até ao metal avantagarde e cosmopolita de «Zoom Code», passando pela colagem aos Opeth em «Turbulence» e «InsomniousNightLift», Guilhermino Martins e companhia sempre se esforçaram por trilhar um caminho próprio, evoluíndo sem nunca estagnar numa sonoridade chapa 3. O resultado está à vista neste «Origami», um trabalho desafiante que relega o metal ao mínimo, mas não deixa de ser uma experiência intensa e até pesada. Os ThanatoSchizo são aquele género de bandas com as quais chocamos, por acaso, numa noite de copos, em que nos arrastam para um bar alternativo com música ao vivo e lá estão eles, a tocar para uma dúzia de pessoas que os conhecem bem e outros tantos curiosos que se deixam contagiar pelo som hipnótico de «Nightmares Within», «Pervasive Healing», «Sweet Suicidal Serenade» e «Dance of the Tender Leaves». Quando terminam, perguntamo-nos "porque raio não são estes gajos mais conhecidos?". Nesta altura os TSO têm mais a ver com os Anathema e com os The Gathering, numa mutação em que ficaram a ganhar não só versatilidade sonora, como também uma personalidade muito própria. 9/10


A título de curiosidade: "Origami (do japonês: 折り紙, de oru, "dobrar", e kami, "papel") é a arte tradicional e secular japonesa de dobrar o papel, criando representações de determinados seres ou objetos com as dobras geométricas de uma peça de papel, sem cortá-la ou colá-la." (Wikipedia)

Thursday, June 02, 2011

ESPECIAL BANDAS PORTUGUESAS - PARTE 2

De Coimbra chega-nos esta estreia dos Antichthon, que sem apelo nem agravo nos atiram com «Through the Rupture of Dimensions», um disco surpreendente para um primeiro trabalho. Surpreendente pela visão bem definida daquilo que pretendem fazer, isto é, black metal sinfónico que remonta pela natureza das orquestrações a uns Keep of Kalessin e até ao folk sinfónico dos Turisas. Mesmo que as orquestrações sejam o prato exótico de «Through the Rupture of Dimensions», o álbum não perde peso, antes ganha uma dimensão assinalável para um grupo que ainda agora está a começar. Como pontos menos bons, «Through the Rupture of Dimensions» tem um som final fraquinho que retira impacto (mesmo assim acima da média) ao produto final. Também a insistência por temas longos (entre o 6/7 minutos), acaba por tornar o trabalho monótono, sobretudo depois do efeito surpresa se desvanecer, principalmente a partir de «The Cursed Promise». Belíssima estreia! 8/10


Álbum de estreia dos portuenses Head:Stoned (outrora Headstone), que sucede o EP «Within the Dark» (2009), este disco proporciona uma dose de heavy/thrash metal bem pesado e obscuro na onda de uns Nevermore/Iced Earth/Jag Panzer (em «Driven by Fear» é notório), por vezes a roçar no doom de uns Candlemass (ouvir «Yet Another Flaw»). «I Am All» destaca-se pela performance vocal de Vitor Franco, que dá à banda uma personalidade distinta aos Head:Stoned. No geral, «I Am All» é um disco, que apesar de não reter grande originalidade, dá um gozo tremendo de ouvir. 7,6/10


Mais uma estreia bastante promissora, desta feita dos Tales for the Unspoken, banda de Coimbra, apostada num thrash metal que mistura a cena da Bay Area com o som de Gotemburgo. «Alchemy» é o óptimo resultado final dessa combinação, em que sobressai a dinâmica prestação vocal de Marco Fresco capaz de na mesma música fazer vocais black, death e thrash como «Take Over» exemplifica. A nível composicional os Tales of the Unspoken são também uma banda bastante variada e diria mesmo experimental, indo desde do puro thrash a passagens dignas de uma banda como Ministry. «Alchemy» relembra ainda por exemplo os últimos discos dos Sepultura, mas com ainda maior bravura no que diz respeito à mistura de estilos. 7,5/10


Algumas pessoas perguntaram-me se acreditava de facto, como afirmei por aqui algumas vezes, numa NWOPHM. A resposta está neste especial bandas portuguesas dividido em três e mais do que na quantidade, espero que reparem na qualidade dos álbuns em questão. É verdade que o recurso ao digital faz com que muitas bandas acabem porque soar aquilo que não são, mas outras como os W.A.K.O. não enganam ninguém: são mesmo bons naquilo que fazem. «The Road of Awareness» é o segundo álbum do colectivo de Almeirim e demonstra uma evolução notória assente em algo como death/thrash técnico cheio de groove. As influências de Meshuggah são inegáveis, mas nem por isso eles deixam de encontrar o seu espaço em malhões de arrepiar como «Extispicium» e «Dissonant Dark Dance». Mais um sério candidato a álbum nacional do ano. 8,6/10

Wednesday, June 01, 2011

ESPECIAL BANDAS PORTUGUESAS - PARTE 1

«Pact With Solitude» é o álbum de estreia dos utopian.hope.dystopian.nihilism que na realidade, é um projecto do um multi-instrumentista madeirense Élvio Rodrigues, a cargo do qual fica tudo aquilo que podem ouvir neste disco. Musicalmente estamos perante um projecto bem experimental em nos é possível ouvir influências de Agalloch, Alcest, Neurosis e até Opeth e dos suecos Shining. É precisamente essa dinâmica que mais agrada nesta audição, longa diga-se, onde as músicas têm estruturas complexas e variadas, sobretudo num plano quase doom/pós-metal, com ocasionais acelerações a mid-tempo e estemporâneos blastbeats com no início de «Self-Inflicted Metamorphosis». Um óptimo registo de estreia, que alimenta muitas esperanças para um fututo próximo. 7/10
Terceiro álbum para os Blacksunrise que debruçaram-se sobre o tema Mar e escreveram «Oceanic», um disco potente repleto de excelentes performances e um death metal melódico/metalcore de ponta, num balanço perfeito de peso e melodia nunca vistos num álbum do género por cá. É notável o crescimento desta banda lisboeta desde do fraquinho «The Azrael» (2004), passando pelo agradável mas mediano «Engulf the World in Frozen Flames» (2007), provando que certas bandas exigem algum tempo até atingirem um nível de maturidade ideal. «Oceanic» fica para já no lote restrito de bandas candidatas a melhor disco nacional de 2011. 8,5/10
Quando a estreia auspiciosa dos Men Eater foi interrompida pelo morno «Vendaval», parece que o quarteto de Lisboa também percebeu que tinha de fazer algo para sobreviver ao hype criado por «Hellstone». Assim surge «Gold», um álbum diferente, mas que mantém grande parte da essência daquilo que os Men Eater representam, ou seja, stoner rock/doom de primeira água. Atrevo-me inclusivamente a dizer que «Gold» é o disco mais bem conseguido dos Men Eater até à data. O disco é bem coeso, mas atrevido e experimental, mas acima de tudo rocka nas horas, ao fundir bandas como The Ocean, Neurosis, High on Fire e Mastodon, com a aprovação de riffs envolventes que fazem o álbum funcionar bem como um todo. Particularizar faixas aqui é escusado, uma vez que «Gold» faz mas sentido quando ouvido na íntegra, mas «Sustain the Living», «Illusion One» e «When Crimson Trips» reluzem como o ouro mais valioso destes 10 tesourinhos dourados. 8,5/10
«See You in Hell» é o EP de estreia dos Scarscythe, uma banda apostada num death metal melódico com regras bem definidas por bandas suecas como In Flames e Dark Tranquillity. A banda revela algum potencial em malhas como «Buried Memories» e «See You in Hell», apesar de ter originalidade nula e de precisar de algum crescimento em termos de coesão de grupo. Nada que mais ensaio e sobretudo tocar ao vivo não possam vir a resolver. 5/10 Custou mas foi! 6 anos após o disco de estreia «World Wild Web», os Web lançam «Deviance» um disco que ficará certamente a marcar o panorama português quando se falar de 2011. Ora, o que temos em mão é um punhado de malhas de power metal de contornos thrash (Sanctuary), fortemente influenciado na cena americana (Artillery e Megadeth), mas também com indícios dos britânicos Iron Maiden escondidos nos riffs de guitarra de Victor Matos. «Deviance» é um álbum bem pesado, obscuro e até melancólico, mesmo que as incursões pelo thrash bruto nos atordoem de vez em quando, a atmosfera geral do álbum é bastante carregada. Basta para tal ouvir a excelente «As We Crawl» e o épico tema que encerra, «The Journey». 8,2/10
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