Álbum de 2011 número 200 que oiço. É apenas uma curiosidade simbólica nada mais, mas marca o encerramento do Event Horizon para umas férias (não sem antes vos deixar uma surpresa) de 15 dias. «Agony» é o sucessor do aclamadíssimo «Oracles», disco que com «Planetary Duality» dos The Faceless e «Fragmentary Evidence» dos Augury, constituiram o trio maravilha do death metal técnico que em 2009 deixou meio mundo de boca aberta. Menos técnico, mais veloz e com mais influência de música clássica, «Agony» é um potente sucessor de «Oracles». Mas também acaba por soar um tanto plástico e até vazio, devido à incessante fórmula de blastbeats à velocidade da luz com os teclados por trás. O material soa hermético e muito igual, aspecto em que «Oracles» se mostrava bem mais profícuo, ao dar mais variedade entre temas. A opção de incluír vozes limpas também não foi a mais feliz, sobretudo porque Paolo Rossi não é nenhum ICS Vortex e a tentativa dos Fleshgod Apocalypse soarem a Dimmu Borgir acaba por ser um tiro bem ao lado. Apesar de ultra-rápido, técnico e cheio de teclados majestosos, «Agony» não me satisfaz enquanto apreciador de death metal. As ambiências clássicas não disfarçam a unidimensionalidade da música, marcada pela velocidade e pouco mais, o trabalho vocal oscila entre o grunhos banais e os já mencionados horríveis limpos e a verdade é que no final fica-se com a sensação de que os Fleshgod Apocalypse perderam o rumo do grande álbum que foi «Oracles». 6/10Sunday, July 31, 2011
FLESHGOD APOCALYPSE - «AGONY»
Álbum de 2011 número 200 que oiço. É apenas uma curiosidade simbólica nada mais, mas marca o encerramento do Event Horizon para umas férias (não sem antes vos deixar uma surpresa) de 15 dias. «Agony» é o sucessor do aclamadíssimo «Oracles», disco que com «Planetary Duality» dos The Faceless e «Fragmentary Evidence» dos Augury, constituiram o trio maravilha do death metal técnico que em 2009 deixou meio mundo de boca aberta. Menos técnico, mais veloz e com mais influência de música clássica, «Agony» é um potente sucessor de «Oracles». Mas também acaba por soar um tanto plástico e até vazio, devido à incessante fórmula de blastbeats à velocidade da luz com os teclados por trás. O material soa hermético e muito igual, aspecto em que «Oracles» se mostrava bem mais profícuo, ao dar mais variedade entre temas. A opção de incluír vozes limpas também não foi a mais feliz, sobretudo porque Paolo Rossi não é nenhum ICS Vortex e a tentativa dos Fleshgod Apocalypse soarem a Dimmu Borgir acaba por ser um tiro bem ao lado. Apesar de ultra-rápido, técnico e cheio de teclados majestosos, «Agony» não me satisfaz enquanto apreciador de death metal. As ambiências clássicas não disfarçam a unidimensionalidade da música, marcada pela velocidade e pouco mais, o trabalho vocal oscila entre o grunhos banais e os já mencionados horríveis limpos e a verdade é que no final fica-se com a sensação de que os Fleshgod Apocalypse perderam o rumo do grande álbum que foi «Oracles». 6/10
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COMMUNIC - «THE BOTTOM DEEP»
A entrada de rompante dos Communic em cena em 2005 com «Conspiracy in Mind» e em 2006 com «Waves of Visual Decay» deve ter deixado muita gente de queixo caído, apesar das conotações com os Nevermore, que com o tempo foram postas de lado, dando primazia à indiscutível qualidade do trio sueco liderado pelo vocalista e compositor Oddleif Stensland. Porém em 2008, «Payment of Existence» foi o difícil terceiro álbum que deitou água na fervura, e abrandou os planos de conquista dos Communic. Fato que terá contribuido para resolverem demorar mais tempo a compôr o sucessor entretanto intitulado «The Bottom Deep». Neste novo registo, os Communic apresentam-se mais directos e menos progressivos, com uma roupagem mais dark, bem representada no layout do álbum. Esta direção ajuda as canções tornarem-se mais memoráveis, apesar da complexidade dos temas, cujas variações (marca registada dos Communic) não impedem que este material seja extremamente catchy. A começar pelos primeiros três temas do álbum, em especial «Flood River Blood» e «Destroyer of Bloodlines», esta colocada mais à frente no alinhamento. A verdade é que os Communic refinaram a fórmula usada nos primeiros álbuns e deram um passo em frente, mostrando uma confiança e maturidade impressionantes, presentes na sublime «Voyage of Discovery». Um único senão: praticamente todas as músicas seguem um padrão de composição semelhante, com partes acústicas, seguido de um crescendo até ao pico da música. Este padrão pode tornar-se ao fim de algum tempo repetitivo, tanto para mais que este álbum não tem, infelizmente, nenhuma «Communication Sublime» (a mais aproximada é «Destroyer of Bloodlines») e que falta fazem uma ou duas músicas mais rápidas em «The Bottom Deep». Concluíndo, este é um disco de transição, marcado por uma postura mais directa, mas decididamente superior à linha seguida em «Payment of Existence». 8,5/10
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POWERWOLF - «BLOOD OF THE SAINTS»
Em franca ascensão desde do disco de estreia, «Return in Bloodred» (2005), os Powerwolf são uma das mais interessantes bandas de power metal actualmente, ao devolver ao género a teatralidade e sentido de humor que se foi perdendo nos últimos anos no metal. Mas acima de tudo pela inequívoca qualidade dos álbuns posteriores, culminando no excelente «Bible of the Beast». Por esse motivo «Blood of the Saints» ficou envolto numa expectativa considerável, por se perspectivar um assalto ao trono do power metal actual. Porém ouvindo com alguma frequência este quarto disco do alemães, fica um certo sabor agridoce. É certo que se trata de um disco globalmente mais rápido e com todos os ingredientes de «Bible of the Beast», mas não passa de mais do mesmo. Os riffs entre Judas/Maiden/Running Wild continuam cá, os coros também, os "aleluias" são uma constante, os solos são fantásticos, mas já era altura do grupo mostrar outros argumentos, sob o risco de começar a cansar os seus fãs. Não faria mal nenhum aos Powerwolf explorarem a atmosfera de uma música como «Ira Sancti (When the Saints Are Going Wild)» colocada a encerrar o disco, e que é um dos mais inspirados momentos de «Blood of the Saints». Depois temos ainda o fato de «Blood of the Saints» apresentar um conjunto de canções menos eficaz e viciante do que «Bible of the Beast». Não encontramos aqui uma «Raise Your Fist, Evangelist», «Panic in the Pentagram» e muito menos uma «Catholic in the Morning... Satanist at Night». As mais aproximadas são as crowd pleasers «Sanctified with Dynamite» e «All We Need Is Blood», esta última de resto, uma cópia menos boa de «Catholic in the Morning... Satanist at Night». No geral, é um bom disco para fãs dos Sabaton por exemplo, continua a deter o selo de qualidade dos Powerwolf, mas ao fim de quatro álbuns era esperado algo de um calibre mais elevado. 7,8/10
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TOXIC HOLOCAUST - «CONJURE AND COMMAND»
Ouvir um álbum como este «Conjure and Command» é uma experiência back to basics em que não é preciso grande ciência para se perceber o que os Toxic Holocaust fazem. Aliás, nem sequer é esse o propósito de Joel Grind, o mastermind por detrás deste projecto que até há bem pouco tempo era uma one man band. Pelo menos até à entrada na Relapse, onde Phil Gnaast e Nikki Bellmore dos Rammer, foram adicionados ao line-up. O objectivo de um disco como «Conjure and Command» é thrashar forte e feio, com power e feeling, como os Venom, Bathory, Aura Noir, Usurper e Sodom fazem/faziam. Speed/thrash/black metal no seu melhor com uma forte vocação para escrever canções memoráveis como «Red Winter», «Bitch» e «Nowhere to Run», que são manifestos de blasfémia e devoção ao underground, com um feeling muito europeu. Com as limitações próprias de quem se propõe a escrever música retro, «Conjure and Command» é um disco exigente, sem pontos mortos ou fillers e promete muito headbanging. 8,9/10
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GRIEF OF EMERALD - «THE DEVILS DEEP»
É um regresso meio insperado este dos suecos Grief of Emerald, banda da segunda divisão do black metal melódico/sinfónico a par de uns Naglfar, Liar of Golgotha, Mystic Circle e Aurora Borealis. Depois de três discos medianos gravados entre 1998 e 2002, a banda entrou num hiato indefinido, eventualmente foi dada como extinta, voltando agora como este «The Devils Deep», um disco mais black metal do que a fusão black/death proposta pelos anteriores álbuns. Dimmu Borgir é uma influência mais que óbvia, assim como Emperor, Borknagar e Limbonic Art, em oito músicas repletas de teclados e ambientes semi-épicos uns mais eficazes que outros. «Divine Dragon» é por exemplo, uma canção potente com solos engraçados e uma atmosfera horripilante, assim como «Famine» e a melhor música do álbum, «Zyklons of Fire». A mais valia de um álbum como «The Devils Deep» é a capacidade que tem de transportar o ouvinte para uma época em que este género estava na mó de cima, ali entre 1995 e 1998. Para além disso, é um álbum de ambições limitadas pela própria sonoridade que nada traz de novo ao black metal. 6,8/10
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BATTLE BEAST - «STEEL»
«Steel» não é de facto novidade, uma vez que a data oficial de lançamento foi a 13 de Abril, mas por vezes certos discos demoram algum tempo até chegarem ao seu público. E ouvindo este «Steel» não consigo perceber o porquê desta banda finlandesa ainda estar numa editora chamada Hype, mesmo depois de ter vencido o Wacken Open Air 2010 Metal Battle Contest. Com a febre do revivalismo, bastaria uma demo enviada para uma Nuclear Blast para este grupo ser quase de imediato assinado. Porque aliando o revivalismo à inata capacidade de escrever boa música, os Battle Beast tornam-se irresistíveis. À semelhança dos já conhecidos Sister Sin, os Battle Beast são uma banda de heavy metal à boa maneira do anos 80, e com uma rapariga pujante ao microfone. A energia electrizante que brota de canções como «Enter the Metal World», «Armageddon Clan» e «Show Me How To Die» são hinos ao true metal, feito com o pensamento em Judas Priest, Saxon e Manowar. «Steel» é um disco apaixonante, principalmente para quem vive o heavy metal clássico com incessante admiração. 8/10KAUAN - «KUU...»
Da Rússia nos últimos anos têm saído bastantes bandas interessantes dentro do espectro do doom metal. Ea, Ankhagram, Senmuth, Funeral Tears, Forest Stream, Scald, Autumn Rain Melancholy, Butterfly Temple, Black Forest e Comatose Vigil, são apenas alguns dos nomes que mais se destacam de um movimento cada vez mais produtivo da terra do vodka. No entanto, continuam sendo grupos pouco conhecidos, à semelhança dos Kauan, que começaram por ser um grupo dedicado ao folk doom, para hoje abrirem cada vez mais espaço ao post metal. «Kuu...» é o quarto registo do duo formado por Lubov Mushnikova e Anton Belov, onde exploram texturas simples mas envolventes, com belíssimas seções de violino e piano que fazem de um tema como «Ikuinen Junan Kulku» uma companhia ideal para uma leitura ou como banda sonora de uma viagem, desde que não sejamos nós a conduzir. À memória vem por vezes a sensibilidade atmosférica dos Summoning, mesmo que haja poucos pontos de convergência entre ambas, a eficácia na criação de ambientes épicos é comum na excelência. Mesmo não sendo um álbum de fácil audição (o disco é isento de peso e guitarras distorcidas e a voz de Anton é digna de uns Autumn Tears), não consigo recomendar suficientemente este disco. 9,2/10Saturday, July 23, 2011
ALL SHALL PERISH - «THIS IS WHERE IT ENDS»
Apesar de nos últimos tempos o deathcore ter começado a decaír exponencialmente, fruto da saturação de bandas do género no mercado, ainda vamos tendo algumas surpresas agradáveis, mesmo que provenham dos grupos mais emblemáticos do estilo. Os norte-americanos All Shall Perish, que têm no seu portfólio um dos mais importantes álbuns do deathcore, «The Price of Existence» (2006), são os autores de «This is Where it Ends», um disco que na verdade não traz nada de particularmente novo ao estilo, mas compensa esse fato com um conjunto de músicas repletas de power como «Divine Illusion» e «Procession of Ashes». Mas o que mais impressiona neste disco, como já o fizera «The Price of Existence», é a dinâmica entre as canções, que não soam como uma massa de peso aborrecido, mas antes distintas entre si. Como nos casos de «Rebirth», que oferece um riff em trémolo (técnica utilizada em 90% do black metal) e um solo antémico, e «The Path Will Haunt Us Both» que reclama para si uma melodia muito própria de grupos como In Flames e Dark Tranquillity, numa fusão de estilos que resulta no melhor momento de «This is Where It Ends». 8/10
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AZARATH - «BLASPHEMERS MALEDICTIONS»
«Blasphemers Maledictions» é o quinto álbum desta quase desconhecida banda polaca de black/death metal formada em 1998, que provavelmente fruto de infortúnio ainda não saltou para uma editora de renome. Assim que a introdução «Arising the Black Flame» termina e «Supreme Reign of Tiamat» começa não há como ficar indiferente ao poderio demonstrado por este trio de onde se destaca a presença de Inferno, o potente baterista dos Behemoth. Cuspido à velocidade da luz, com ocasionais partes balanceadas sem perder intensidade, o black/death/thrash metal dos Azarath fica ainda mais potente nas seguintes «Crushing Hammer of the Antichrist» e «Firebreath of Blasphemy and Scorn», esta última com um feeling muito Morbid Angel. Ao todo são 10 temas (mais intro, 11) de um furioso turbilhão de malevolência sem compromissos e a certeza de que os Azarath se estivessem numa Nuclear Blast dariam muito de falar. Experimentem ouvir a brutal «Behold the Satan's Sword» e a atmosférica «Harvester of Flames». 9/10
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CHTHONIC - «TAKASAGO ARMY»
Taiwan não é certamente o país mais óbvio quando falamos de metal e muito menos de black metal, contudo se alguém vos falar nos Chthonic, imediatamente faz-se luz perante um dos mas produtivos grupos de black metal do extremo oriente. Os Chthonic existem desde 1998 e vão já no seu 6º álbum de originais por entre um respeitável número de singles, eps e até compilações e dvds. Curiosamente são também uma banda que sonoramente tem mantido um trilho coerente, tendo nos últimos álbuns adicionado uma costela death metal sobretudo ao nível vocal. Neste novo «Takasago Army» o que salta a vista é o fantástico trabalho de atmosfera em todas as malhas, quer seja nos ambientes orientais de «Takao», os teclados de «KAORU», o trabalho de guitarra de «Broken Jade» e os solos magníficos de «Oceanquake». Apesar da originalidade quase nula, é inegável a força e vitalidade que estes temas apresentam. «Takasago Army» é um disco ideal para quem adorou a fase «Midian» dos Cradle of Filth e/ou gosta de black death metal sinfónico. 7,8/10
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DARKSIDE OF INNOCENCE - «LUX OMEGA»
Já datado de 2009, o primeiro álbum dos lisboetas Darkside of Innocence, surpreendeu pela positiva ao mostrar uma banda aplicada e madura com um black metal melódico (ou gnostic metal como gostam de lhe chamar) bastante agradável, sobretudo para um primeiro registo. Apesar disso, o grupo dizia que este servira como introdução já que entretanto teriam evoluído significativamente em termos de sonoridade. O single lançado este ano, «Cerberus», atesta essa evolução ao atirar os Darkside of Innocence para os meandro do death metal técnico, mantendo porém algumas características do black metal do primeiro álbum. Se esta é uma boa opção, teremos que esperar para ouvir «Xenogenesis», o segundo longa duração a editar em breve. Pelo meio, «Lux Omega» é um EP totalmente inesperado. São duas músicas instrumentais acústicas meio intro e outro, que por engraçadas que soem (parecem saídas de uma banda sonora de um jogo), não se vislumbra o seu propóstio enquanto lançamento. Talvez venha a ser considerado um daqueles álbuns de culto para os fãs, mas por ora o interesse vai todo para o que «Xenogenesis» pode trazer. 5/10
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Friday, July 22, 2011
DECAPITATED - «CARNIVAL IS FOREVER»
Vamos passar à frente todo o triste e traumático episódio do acidente que envolveu os Decapitated. Para mais pormenores sórdidos é só googlar que vão perceber o que aconteceu aos polacos a 29 de Outubro de 2007. Por ora, basta saberem que os Decapitated continuaram pela mão do talentoso guitarrista Vogg, que deitou mãos à obra e compôs este «Carnival is Forever», que é o quinto álbum dos Decapitated. Neste disco as mudanças sonoras são muitas e cristalinas. Este não é um álbum de death metal técnico como foram os já clássicos «Nihility» e «The Negation». É um álbum mais assente no groove demolidor e no death metal mais in your face de por exemplo, uns Suffocation. Não é por acaso que menciono os Suffocation. Isto porque também é notória a influência do death metal americano nestes temas. As guitarras estão bem afinadas em baixo com um som grave e os vocais de Rafal Piotrowski são mais gritados do que os de Covan. Mudanças suficientes para deixar um deathster a gritar "heresia!", mas a verdade é que as mudanças de rumo, quando bem impostas, podem dar excelentes resultados como é o caso dos Decapitated. Penso que bastará ouvirem «The Knife» e «United» para se renderem a estes novos temas, cuja pujança é admirável. Assim como o riff principal da faixa título que se aproxima dos tempos doom, e da ferocidade de uma «Homo Sum». Ainda há espaço para algumas experimentações (sim, mais ainda), em «A View From a Hole» onde os Decapitated ensaiam um death progressivo de ir às lágrimas e na derradeira «Silence», um instrumental acústico simples, mas soberbo. Quando toda a gente esperava mais um ataque de death metal ultra-técnico e veloz (que curiosamente está em alta), os novos Decapitated dão uma lição de reinvenção apenas ao alcance de alguns músicos iluminados. 9/10
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CORPUS CHRISTII - «LUCIFERIAN FREQUENCIES»
Sétimo álbum daquela que é a entidade mais marcante do black metal nacional, os Corpus Christii liderados com mão de ferro por Nocturnus Horrendus, e que editam aqui um álbum de transição, fugindo à imagética do black metal "preto e branco" do passado, mudança que de certa foram já se vislumbrava em «Rising» e em definitivo no EP «Carving a Pyramid of Thoughts». Não se assustem porque não é uma mudança radical nem nada que se pareça, mas antes um abraçar de uma nova postura musical, digamos assim, em que NH parece deixar a música de Corpus Christii com mais espaço para experimentações e para outras influências. Influências que não destoam muito do panorama black metal, mas já não é somente black metal à velocidade da luz a debitar maleita satânica por tudo o quanto é sítio. São uns Corpus Christii mais sérios, introspectivos e menos óbvios e com isso mais interessantes e até apelativos. «Luciferian Frequencies» é diferente desde logo no som de guitarra menos flat e mais quente e na aproximação vocal de NH, muito mais variada do que no passado. Desde dos spoken word, aos berros clean, até a linhas vocais próximas de Attila Csihar dos Mayhem. De uma forma geral, parece-me que este é o caminho certo para os Corpus Christii. O álbum possui ideias muito boas como as guitarras quase death metal de «The Owl Resurrection», uma «Picatrix» tão Mayhem que chateia (no bom sentido), a parte final de «The Styx Reflection» a fazer lembrar Primordial e o groove letal e os berros à Anaal Nathrakh de «Paths of Human Puzzles», mas de uma forma geral «Luciferian Frequencies» ainda está longe de provocar qualquer mossa no cenário black metal actual, apesar de haver potencial para isso. O disco chega por vezes a soar enfadonho e cliché, como se NH não quisesse perder de vista o tal BM agreste, colocando algumas faixas mais ortodoxas espalhadas no alinhamento, acabando por ter um efeito perverso de retirar impacto ao que muito de bom «Luciferian Frequencies» tem. Os dados estão de qualquer forma lançados e estes novos Corpus Christii prometem ainda dar muito que falar. 7/10
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DARK CASTLE - «SURRENDER TO ALL LIFE BEYOND FORM»
Não é de fácil digestão este novo álbum dos Dark Castle. Após uma auspiciosa estreia com «Spirited Migration» o duo Rob Shaffer e Stevie Floyd resolveu fazer ainda mais mossa com um disco que inicialmente soa estérico, pretensioso e mal conseguido, para lentamente ganhar a tal forma no caos que aparentemente proporciona. Seja numa malha como a que abre o disco e empresta nome ao mesmo, em que os Dark Castle não se furtam a blastbeats e berros black metal, até às faixas mais doom como «Seeing Through Time» e «Learning to Unlearn», «Surrender to All Life Beyond Form» faz crescer um certo culto à volta de bandas que misturam sludge, doom, folk e black metal, como uns tais de The Flight of Sleipnir. A fórmula tem muito por onde explorar, permitindo ao duo norte-americano ir do oito ao oitenta numa música de 3 minutos. Mais do que dinâmico, este é um disco que se torna com o tempo extremamente viciante. Comprovem por vocês mesmos. 8,5/10Monday, July 18, 2011
LOCK UP - «NECROPOLIS TRANSPARENT»
Terceiro álbum dos Lock Up depois de praticamente 9 anos de hiato, elevam a expectativa aos píncaros, ainda mais tendo em conta que os dois primeiros trabalhos do grupo formado por Shane Embury, Nicholas Barker, Tomas Lindberg e Anton Reisenegger (que substituiu o falecido Jesse Pintado), são já clássicos de grind/death metal. Em «Necropolis Transparent» o grupo sediado em Birmingham opta por dar seguimento aos álbuns anteriores, com 15 ataques (mais bonus track e instrumental faz 17) de feroz e veloz grind como mandam as regras. Mas ao contrário do grind mais badalhoco de uns Wormrot, os Lock Up soam bem mais acutilantes, sem demonstrações de brutalidade disparatada, mas antes um poder devastador que leva tudo à frente, reivindicando o ataque com a convicção dos veteranos. É díficl destacar faixas, já que a média de duração ronda os 2 minutos, mas «Brethren Of The Pentagram», «Parasite Drama», «Stygian Reverberations» e «Vomiting Evil» estão entre as mais orelhudas. Destaque ainda para a presença de Jeff Walker dos Carcass e Peter Tagtgren dos Hypocrisy em várias faixas do disco. 8/10
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Sunday, July 17, 2011
PENSÉES NOCTURNES - «CECI EST DE LA MUSIQUE»
Este é supostamente o terceiro álbum dos Pensées Nocturnes, e que está limitada a 50 cópias, entretanto já totalmente esgotadas. Há quem inclusivamente considere este disco um embuste, depois dos fãs que fizeram o pre-order terem sido apenas posteriormente avisados que existiam só esses 50 exemplares disponíveis. Isto fez com que muito boa gente tivesse pago pelo álbum há já alguns meses e ainda não tenha visto sequer a confirmação de uma nova prensagem...Ora, polémicas à parte, «Ceci est de la Musique» também se encontra disponível por outras vias sem ser no formato físico e por isso deixo aqui uma apreciação limitada ao álbum. Trata-se apenas de uma música com 55 minutos de duração onde o black metal depressivo é a palavra de ordem, e em que Vaerohn mostra ser um fã dos conterrâneos Peste Noire. As longas passagens acústicas que fizeram de «Vacuum» um clássico instantâneo do genéro estão presentes, qual marca registada de Vaerohn, assim com os dilacerantes urros de agonia e os ataques ferozes de blastbeat e BM mais tradicional. A atmosfera é claramente um ponto mais neste disco, aspecto algo negligenciado em «Grotesque», mas que aqui evidencia-se um cuidado muito maior e mais aproximado do requinte do primeiro álbum. Ainda estamos para perceber a natureza do trabalho em si, mas é inegável que «Ceci est de la Musique» é uma obra de previsível culto.
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Thursday, July 14, 2011
DRACONIAN - «A ROSE FOR THE APOCALYPSE»
Era sem dúvida um dos mais aguardados lançamentos de 2011, este novo trabalho dos suecos Draconian, banda que dentro do espectro doom, pode vangloriar-se de ter conseguido atingir um patamar de reconhecimento ao alcance de poucas bandas, fruto de álbuns de grande qualidade como foram os casos de «Where Lovers Mourn», «Arcane Rain Fell» e do EP «The Burning Halo». Porém, a partir de «Turning Season Within», os Draconian abriram portas a uma sonoridade mais gótica e até easy listening, opção que em «A Rose For The Apocalypse» vem totalmente ao de cima. Embora não seja uma má opção, parece-me que os Draconian de hoje perdem bastante dramatismo e intensidade quando comparados com os Draconian de «Arcane Rain Fell» onde os temas eram bastante mais lentos, desesperosos e raivosos simultaneamente. Neste novo álbum temos a espaços estes Draconian em «A Phantom Dissonance», «The Death of Hours» e «Elysian Night», mas no geral os temas soam cada vez mais gothic metal do que doom. Neste âmbito é inegável que «The Last Hour of Ancient Sunlight», «End of the Rope» e «Dead World Assembly» são músicas pomposas e exemplares de um estilo que actualmente até carece de uma referência, agora que Tristania e Sirenia estão virados para modernices e os Theatre of Tragedy encerraram actividades, o lugar pode até ser ocupado pelos Draconian, que bem o merecem, apesar de tudo. 7,2/10
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ORIGIN - «ENTITY»
Se houve disco que me tenha surpreendido nos últimos tempos, certamente que foi «Entity». Depois do incrível «Antithesis», antevia-se vida difícil para os Origin, mas aparentemente a banda de Topeka, Kansas, ainda tem muitos trunfos na manga e a verdade é que com o lançar de novo álbuns vai ficando cada vez melhor! O riff que abre «Explusion of Fury» é daqueles attention grabbers que nos deixam de queixo literalmente caído, prosseguindo com o groove abismal de «Purgatory» e «Conceiving Death» com as suas linhas vocais extremamente viciantes, mesmo que numa primeira abordagem não percebamos nicles daquilo que Jason Keyser diz. O disco é composto por músicas quase sempre curtas, mas de uma intensidade tal que equivalem a discografias inteiras, tal o número de variações que ocorrem em por exemplo, na já dita «Conceiving Death» e na monumental «Committed». No entanto somos ainda brindados com dois temas mais complexos como «Saligia» e «Consequence of Solution», que são autênticas viagens pelo maravilhoso mundo do death metal técnico, principalmente «Saligia» que entra directamente para o meu top de músicas death metal...de sempre. Só o tempo o dirá, mas no que me toca, esta "entidade" transpira posteridade. 10/10SUICIDE SILENCE - «THE BLACK CROWN»
São a par dos Job For a Cowboy a mais emblemática banda do afamado deathcore, estilo que esteve em alta entre 2006 e 2009 mas que curiosamente começa a ver estas duas bandas a querer fugir a sete pés do mesmo. Enquanto que os JFAC estão a tornar-se mais confidentes do brutal death metal, os Suicide Silence também já não são a banda caótica de «The Cleansing». «The Black Crown» é um disco mais bem trabalhado do que qualquer um dos anteriores, na medida em que apresenta uma série de músicas bem estruturadas, como na ferocidade de «Human Violence» que oferece uma espécie de deathcore apunkalhado, assim como «Slaves of Substance» e «You Only Live Once» que mostram uns Suicide Silence com vontade de adicionar pormenores interessantes aos temas como a voz limpa sussurrada e os riffs à Ministry. Nota-se também um maior enfoque de Tanner Womack nos vocais graves mais death metal, pondo quase totalmente de lado os estridentes que compunham grande parte do material de «The Cleansing». A música aproxima-se bastante do death metal mais tradicional, embora com aquele filtro do core americanado, que dá ao material de «The Black Crown» uma identidade muito própria. Também surpreendentes são as presenças de Jonathan Davis dos Korn em «Witness the Addiction», uma música feita à medida de Davis, e de Frank Mullen dos Suffocation em «Smashed», bem mais in your face do que a anterior. Em suma, mesmo não sendo um disco tão imediato como «No Time to Bleed», «The Black Crown» é certamente mais pesado, negro, intenso e definitivamente um passo em frente em relação aos seus antecessores. 8,4/10
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UNEARTH - «DARKNESS IN THE LIGHT»
Os norte-americanos Unearth deram no passado mostras de algum potencial, nomeadamente no «III: In the Eyes of Fire» de 2006, para muito rapidamente se deixarem levar pela onda de mediocridade que tomou de assalto o metalcore americano. A introdutória «Watch it Burn» é uma música de metalcore tão genérica que mostra o quão hermética é esta sonoridade. Os growls over the top, o obrigatório breakdown e o refrão da vozinha maricas são o cúmulo para quem já ouviu outras bandas (mesmo que poucas) de metalcore. Na faixa seguinte, «Ruination of the Lost», os ingredientes são os mesmos, aos quais adicionam um escusado blastbeat e um gancho (a guitarra que abre a música) à Nevermore. Há tempo ainda para plagiar (mal) os The Haunted em «Shadows in the Light» ao qual adicionam uma guitarras melosas à In Flames. E é praticamente todo assim este «Darkness in the Light». Referenciação atrás de referenciação, normalmente óbvia, que impedem os Unearth de fazer qualquer coisa minimamente original. Para quem é incondicional de metalcore, provávelmente já tem isto (saiu no dia 4), e portanto podem ignorar e continuar a ouvir, para os outros aconselho vivamente uma audição pré-compra. 5/10
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THE DEVIN TOWNSEND PROJECT - «GHOST»
Começa a ser difícil encontrar adjectivos para Devin Townsend tal a relação produtividade/qualidade que os seus álbuns apresentam, mesmo quando estamos a falar de uma média superior a um lançamento de originais por ano. A fonte parece não se esgotar, num fluxo de ideias que vão desde da agressividade descontrolada de «Deconstruction» até à sensibilidade pop/rock de «Addicted», passando pelo abrangente «Ki», todos são de uma qualidade assombrosa para quem o termo workaholic parece não fazer sentido. Ora, «Ghost» é apenas a primeira parte de uma dupla de discos mais ambientais, onde Devin liberta as suas fantasias mais introspectivas e delirantes e mesmo não sendo um disco de metal (muito longe disso) em certas canções relembra uns Anathema dos últimos álbuns. É possível que este seja o menos apelativo de todo os álbuns do projecto, mas é impossível dizer-se que é o mais fraco. É simplesmente diferente. 7/10
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Friday, July 08, 2011
COMPILAÇÃO HISTÓRIA DO THRASH METAL
Devem ter reparado que ultimamente tenho andado a protelar nas reviews. A razão fica hoje à vista. Resolvi desenterrar a série de compilações históricas dos géneros que tanto gosto me deram a fazer na altura em 2009. Depois do black, doom, death e gothic (links para estas compilações em baixo) é a vez do thrash metal. Sonoridade que encontra-se actualmente em alta com o revivalismo e também revitalização de algumas bandas que se inspiraram nesta nova geração para compôr álbuns devastadores como foram os casos de Exodus em 2004 com o «Tempo of the Damned» e os Overkill no ano passado com «Ironbound». Nesta compilação alinhavada cronologicamente estão os colossos do género e as correntes mais importantes do thrash: a Bay Area e o thrash alemão. Nota-se também que o estilo teve ao seu apogeu em 1987, basta para isso verem o número de álbuns no total, não só na compilação em si, mas também nas sugestões que deixo em baixo. São ao todo 40 álbuns que julgo essenciais para compreender o thrash metal e já vos devem dar o equivalente ao um mestrado em Thrash Metal. Se quiserem partir para o doutoramento basta saberem de cor todas as músicas das discografias destas 40 bandas! Metal up your ass!! PFTracklist: 1.Metallica - Kill 'em All (1983) - Hit the Lights 2.Celtic Frost - Morbid Tales (1984) - Dethroned Emperor 3.Anthrax - Spreading the Disease (1985) - Madhouse 4.Exodus - Bonded by Blood (1985) - Piranha 5.Slayer - Reign in Blood (1986) - Angel of Death 6.Dark Angel - Darkness Descends (1986) - Merciless Death 7.Destruction - Eternal Devastation (1986) - Curse the Gods 8.Kreator - Pleasure to Kill (1986) - Pleasure to Kill 9.Testament - The Legacy (1987) - Burnt Offerings 10.Voivod - Killing Technology (1987) - Overreaction 11.Sabbat - Dreamweaver (1989) - The Clerical Conspiracy 12.Overkill - The Years of Decay (1989) - Eliminate 13.Sodom - Agent Orange (1989) - Agent Orange 14.Megadeth - Rust in Peace (1990) - Take no Prisoners 15.Sepultura - Arise (1990) - Dead Embryonic Cells 16.Annihilator - Never, Neverland (1990) - Road to Ruin 17.Artillery - By Inheritance (1990) - Bombfood 18.Forbidden - Twisted Into Form (1990) - Infinite 19.Coroner - Mental Vortex (1991) - Sirens 20.At the Gates - Slaughter of the Soul (1995) - Slaughter of the Soul 21.Lamb of God - As The Palaces Burn (2003) - Purified 22.Trivium - Ascendancy (2005) - Pull Harder on the Strings of Your Martyr 23.Municipal Waste - Hazardous Mutation (2005) - Unleash the Bastards 24.Machine Head - The Blackening (2007) - Beautiful Mourning
Outras sugestões:
25.Suicidal Tendencies - Suicidal Tendencies (1983) 26.Metal church - Metal Church (1984) 27.Onslaught - The Force (1986) 28.Assassin - The Upcoming Terror (1986) 29.Infernal Majesty - None Shall Defy (1987) 30.Death Angel - The Ultra-Violence (1987) 31.Sarcofago - INRI (1987) 32.Tankard - The Morning After (1988) 33.Morbid Saint - Spectrum of Death (1988) 34.Prong - Force Fed (1988) 35.Vio-lence - Eternal Nightmare (1988) 36.Watchtower - Control and Resistance (1989) 37.Pestilence - Consuming Impulse (1989) 38.Sadus - Swallowed in Black (1990) 39.Heathen - Victims of Deception (1991) 40.Usurper - Skeletal Season (1999)
Outras compilações:
Compilação História do Black Metal
Compilação História do Doom Metal
Compilação História do Death Metal
Compilação História do Gothic Metal
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