Friday, August 26, 2011

COMPILAÇÃO HISTÓRIA DO PROGRESSIVO

Aqui fica mais uma compilação, desta vez um apanhado das mais importantes bandas do rock/metal progressivo. A ideia for cobrir primeiramente os grupos que são tidos como os visionários do estilo numa perspectiva geral e não apenas dentro do metal. Daí termos Genesis e Pink Floyd, que não sendo bandas de metal, a sua influência em Dream Theater, por exemplo, é fundamental para o evoluír do metal progressivo. Ao todo são 57 discos mencionados, e 31 dos quais foram escolhidos para, cronológicamente, serem uma espécie de história do progressivo. Irão reparar que algumas bandas fogem ao comum rótulo de progressivo, como Atheist, Cyinc, Death e Nevermore, mas também quis incluír grupos que nos seus géneros específicos desenvolveram os respectivos, com recurso ao progressivo. Sem demoras, aqui fica a tracklist (desculpem o formato, mas não estou a conseguir colocar de outra forma) com os 31 temas escolhidos, mais os restantes álbuns que recomendo.
Prog power! PF


Tracklist:


1.«Epitaph» In the Court of the Crimson King - King Crimson (1969) // 2.«Visions of Angels» Trespass - Genesis (1970) // 3.«Alucard» Gentle Giant - Gentle Giant (1970) // 4.«Siberian Khatru» Close to the Edge - Yes (1972) // 5.«Money» Dark Side of the Moon - Pink Floyd (1973) // 6.«Incommunicado» Clutching at Straws - Marillion (1987) // 7.«Beyond the Doors of the Dark» Hall of the Mountain King - Savatage (1987) // 8.«Revolution Calling» Operation: Mindcrime - Queensryche (1988) // 9.«Anarchy Divine» No Exit - Fates Warning (1988) // 10.«In Dark Places» Transcendence - Crimson Glory (1988) // 11.«Unquestionable Presence» Unquestionable Presence - Atheist (1991) // 12.«Take the Time» Images & Words - Dream Theater (1992) // 13.«Veil of Maya» Focus - Cynic (1993) // 14.«Crystal Mountain» Symbolic - Death (1995) // 15.«Retropolis» Retropolis - The Flower Kings (1996) // 16.«Stinkfist» Aenima - Tool (1996) // 17.«Ad Astra» La Masquerade Infernale - Arcturus (1997) // 18.«Chosen» Immortal? - Arena (2000) // 19.«Revelation» V - Spocks Beard (2000) // 20.«Harvest» The Blackwater Park - Opeth (2001) // 21.«Burn the Sun» Burn the Sun - Ark (2001) // 22.«Ending Theme» Remedy Lane - Pain of Salvation (2002) // 23.«Inferno (Unleash the Fire)» The Odyssey - Symphony X (2002) // 24.«Blackest Eyes» In Absentia - Porcupine Tree (2002) // 25.«End of Your Days» Recreation Day - Evergrey (2003) // 26.«Selkies: The Endless Obsession» Alaska - Between the Buried and Me (2005) // 27.«Postcard to God» Christ 0 - Vanden Plas (2006) // 28.«Sirens» The January Tree - Deadsoul Tribe (2006) // 29.«Elusive» Dead Reckoning - Threshold (2007) // 30.«Age of Shadows» 01011001 - Ayreon (2008) // 31.«From Broken Vessels» The Never Ending Way of ORwarriOR - Orphaned Land (2010)





Outras recomendações: 32.Moving Pictures - Rush (1981) // 33.Dimension Hatröss - Voivod (1988) // 34.Out Of The Silent Planet - King's X (1988) // 35.Jurassic Shift - Ozric Tentacles (1993) // 36.The Spectral Sorrows - Edge of Sanity (1993) // 37.Harbour of Tears - Camel (1996) // 38.Tyranny - Shadow Gallery (1998) // 39.The Fragile Art of Existence - Control Denied (1999) // 40.Organasm - Alchemist (2000) // 41.Aghora - Aghora (2000) // 42.Not of This World - Pendragon (2001) // 43.Bridge Across Forever - Transatlantic (2001) // 44.Dreamland - DGM (2001) // 45.Buried in Oblivion - Into Eternity (2004) // 46.Conspiracy in Mind - Communic (2005) // 47.The Fullness of Time - Redemption (2005) // 48.This Godless Endeavor - Nevermore (2005) // 49.The Longest Night - Pharaoh (2006) // 50. Blood of the Snake - Derek Sherinian (2006) // 51.Rapid Eye Movement - Riverside (2007) // 52.Slaves For Life - Amaseffer (2008) // 53.Stone's Reach - Be'lakor (2009) // 54.Frequency - IQ (2009) // 55.Blood - OSI (2009) // 56.Ripples - Aspera (2010) // 57.The Melancholy Hour - Vertigo Steps (2010)



Outras compilações:



Compilação História do Black Metal



Compilação História do Doom Metal



Compilação História do Death Metal



Compilação História do Gothic Metal



Compilação História do Thrash Metal

Tuesday, August 23, 2011

EDGUY - «AGE OF THE JOKER»

Com Tobias a perder cada vez mais tempo com os seus Avantasia, era de esperar mais cedo ou mais tarde que os Edguy começassem a sofrer de défice de atenção. O alerta já havia sido dado em 2004 com «Hellfire Club», um registo que sem ser mau, dava a impressão que os Edguy estavam a entrar em curva descendente. O humorado mas também mediano «Rocket Ride» e «Tinnitus Sanctus» que via a banda optar por um caminho mais hard rock e comercial (apesar de tudo mais convincente do que «Hellfire Club» e Rocket Ride»), trouxeram ainda mais divisão. Após a mega-operação que foi «Angel of Babylon»/«The Wicked Symphony» com Avantasia (mais o luxuoso DVD que entretanto surgiu nos escaparates), Tobias anunciou que pretendia fazer um disco menos sério e mais descomplexado. O resultado é «Age of the Joker», um álbum que por um lado tem os seus momentos altos, mas por outro não deixa de ser um tanto falhado. De facto, é uma espécie de «Rocket Ride» parte 2, ou seja, um álbum simples sem floreados, apenas rock n' roll de ponta a ponta, feito a pensar nos refrões e na sua futura reprodução ao vivo. É talvez o ponto forte deste 10º álbum dos Edguy. Uma sonoridade que parece feita para brilhar ao vivo. Os instrumentos reservam-se ao essencial, o peso é praticamente inexistente, abrindo espaço para a voz de Tobias Sammet que parece estar a ficar com um tom cada vez mais grave. De destacar os hits «Robin Hood», «Nobody's Hero», o refrão típico de Edguy em «Rock of Cashel» e a «Two Out of Seven», cuja rima perto do fim parece destinada a provocar grandes reações ao vivo, com um inusitado "what the fuck? suck my cock!" a soar um pouco demais, numa música que até é das melhores do disco. Pelo meio fica a favorita «Pandora's Box», que relembra no refrão os Edguy do saudoso «Theatre of Salvation». Já «Fire on the Downline» faz pensar se Tobias Sammet não terá passado demasiado tempo na companhia de Klaus Meine. «Age of the Joker» tem, como disse inicialmente, os seus momentos de génio, ou não estivessmos aqui a falar de Tobias Sammet, mas também é certo que quando comparado com o já vasto repertório dos Edguy, é fácil perceber que se trata de um álbum menor, que acompanha a tendência menos boa da banda alemã desde 2004. 7/10

LOSS - «DESPOND»

O longa duração de estreia dos Loss é de facto uma pérola de funeral doom/death, e um sério candidato a álbum do ano dentro desse estilo em particular. «Despond» é composto de canções longas, com texturas dóceis e subtis, que envolvem o ouvinte num manto de escuridão que chega a ser palpável. A atmosfera de «Despond» recorda-me dois álbuns clássicos do género, o brilhante «The June Frost» dos australianos Mournful Congregation e o marco de negritude que foi «A Disease for the Ages» dos Mourning Beloveth. Num as guitarras acústicas, no outro os riffs opressivos que marcam o material contido em «Despond». Mas o que é certo é que estes norte-americanos originários de Nashville, Tennessee, conseguem no díficil meio que é o doom, estabelecer as fronteiras entre as influências e a necessidade de criar uma sonoridade muito própria, objectivo que fica absolutamente atingido. Apesar de todo o "furor" que este álbum possa causar, analisando-o mais friamente, é possível perceber que «Despond» não é propriamente um álbum totalmente memorável. É aquele disco que sabe bem ouvir no momento, e que funciona na perfeição em termos de atmosfera, mas se o compararmos com um qualquer álbum dos conterrâneos Evoken, por exemplo, os Loss são bem mais conservadores no que toca à composição e por enquanto, menos capazes de deitar no seu som, o ingrediente principal que é o tornar as músicas memoráveis e duradouras. O mais próximo desse feito é «Cut Up, Depressed and Alone» cujo riff My Dying Brideano é um verdadeiro deleite sentimental. Dentro do que propõem os Loss são já das melhores bandas em cena (a Profound Lore merece crédito por ter assinado-os) e isso por si só é já um feito. Aguardemos pelo o que o futuro lhes reserva. 8/10

TODAY IS THE DAY - «PAIN IS A WARNING»

Para quem não os conhece, são uma das bandas pioneiras dentro do espectro do grindcore e do noise rock. Muitos associam-nos inclusivamente como peças chave do sludge. De uma forma geral, os Today is the Today apadrinharam uma fusão de estilos que lhes valeu o rótulo de visionários. Ou antes...visionário, sem o plural. Isto porque os Today is the Today são essencialmente a visão distorcida de Steve Austin, fundador, mentor, vocalista e guitarrista dos Today is the Day. O que temos em mãos é o 9º álbum de originais, que continua a ser tão raivoso e eclético quanto os clássicos «Temple of the Morning Star» (1997) e «In the Eyes of God» (1999). A agressividade patente em «Expectations Exceed Reality», «Death Curse» e «Samurai», são completados pelos riffs rockeiros de «The Devil's Blood», da melancólica «Remember to Forget» e da stoner «Slave to Serenity», numa mistura de géneros que faz de «Pain is a Warning» um trabalho tão diverso, sem deixar de ser sólido. Em que álbum poderíamos ouvir duas malhas como a balada «This is You» e gritante «Samurai» uma a seguir à outra? Só mesmo num disco de Today is the Day que protagoniza um dos grandes regressos de 2011. 9,5/10

NIGHTBRINGER - «HIEROPHANY OF THE OPEN GRAVE»

Com uma rapidez invejável, os norte-americanos Nightbringer compuseram o seu terceiro álbum em 4 anos, refazendo-se rapidamente de terem atirado com «Apocalypse Sun» (2009), disco que deixou bastante a desejar. Com o pomposo título «Hierophany of the Open Grave», o percurso é similar ao do anterior trabalho, com o quinteto a debitar épicas blasfémias ora à velocidade da luz, ora a mid-tempo, repletos de uma densa atmosfera, como no caso da inicial «Rite of the Slaying Tongue», uma faixa que é bem representativa daquilo que os Nightbringer de melhor têm para oferecer. Apesar não ser assim tão diferente de «Apocalypse Sun», parece ser uma proposta mais variada e com momentos mais cativantes, desde logo nos terríficos primeiros 2 minutos de «Eater of the Black Lead», na doomy «Psychagogoi» (na minha opinião a melhor do disco), nas guitarras abrassadoras de «The Gnosis of Inhumation» e na cataclísmica «Angel of Smokeless Fire», que relembra o trabalho dos seminais Deathspell Omega. Para os adeptos de black metal ritualista e obscuro, os Nightbringer apresentam-se com uma boa opção, sobretudo neste passo na direção certa que é «Hierophany of the Open Grave». 7/10

Sunday, August 21, 2011

REVOCATION - «CHAOS OF FORMS»

Confesso ter ficado impressionado com o anterior álbum dos Revocation, «Existence is Futile», pela destreza técnica do trio norte-americano, mas mais ainda com a capacidade que tinham em misturar vários estilos musicais. Fórmula que em «Chaos of Forms» é esticada ao máximo, fazendo com que este seja um dos mais imponentes registos de metal extremo que me foram dados a ouvir este ano. A capa, que me fez lembrar vagamente o «Cause of Death» de Obituary, começa por ser um prenúncio de que os Revocation conhecem o seu metal, e assim que «Cretin» deita os primeiros acordes percebemos que o leque de influências é bem mais variado, desde dos Death e Cynic até aos Exodus. Os níveis de técnica são invejáveis, mas não ofuscam o imediatismo das canções, que no caso de «Cradle Robber», «No Funeral» e «The Watchers» atingem um patamar de deixar fãs de death metal, deathcore, djent e thrash de boca aberta. Outro aspecto que salta à vista é a produção, que não está demasiado cheia e alta, como é apanágio da maioria dos álbuns de death técnico actuais, o álbum tem um som mais flat e natural que lhe assenta que nem uma luva. Mas a cereja no topo do bolo são sem dúvida os solos magníficos espalhados pelo álbum, nas três músicas já indicadas e em «Harlot» são dignas de uma qualquer banda de prog metal. Um álbum surpreendente, que augura um futuro cheio de coisas boas aos Revocation. 9/10

YOB - «ATMA»

No espectro do doom/stoner/sludge, os Yob são das maiores pérolas que nos foram presenteadas nos últimos anos, isto apesar da banda americana já andar nos escaparates desde 2000, só a partir de «The Illusion of Motion» em 2004 é que começaram realmente a dar que falar. O interregno entre 2006 e 2008 (a banda encerrou actividades durante este período), terá servido apenas para recarregar baterias, porque o desejo de fazer doom metal vertiginoso foi maior, já que nos últimos 3 anos, os Yob gravaram 2 álbuns. «Atma» é o mais recente resultado desta comunhão de mentes perversas, que consegue num único disco escrever um tratado de stoner doom com resquícios de sludge. O gigantesco riff de «Prepare the Ground» e o psicadelismo de «Atma» são sinais de que a fonte não secou com 6 álbuns às costas, e com temas como «Before We Dreamed of Two» e o brilhante «Adrift in the Ocean», que tem uns trejeitos de pós-metal metidos pelo meio, mostram que existem ideias até fora da sonoridade habitualmente explorados pelos Yob. «Atma» é uma viagem turbulenta de 55 minutos através dos legítimos herdeiros do trono recentemente deixado vago pelos lendários Cathedral. 9/10

GHOST BRIGADE - «UNTIL FEAR NO LONGER DEFINES US»

É notória a evolução dos Ghost Brigade desde da estreia de «Guided by Fire», onde a banda finlandesa estava ainda demasiado presa às influências de Katatonia e afins. Se com «Isolation Songs» deram um belíssimo passo em frente, que culminou num grande concerto em Vagos, «Until Fear No Longer Defines Us» revela um sentido de composição ainda mais apurado, com temas que fluem numa melancolia acolhedora, entre o doom de «Clawmaster», «Traces of Liberty» e a sensibilidade melo-rock de «Divine Act of Lunacy» e «Grain», os Ghost Brigade conseguem criar músicas com uma atmosfera depressiva muito particular digna do patamar habitado pelas bandas clássicas do género. Para não falar do catchiness de uma «Cult of Decay» e da já mencionada «Grain», que fazem lembrar o recente material dos Paradise Lost. Sem dúvida o melhor disco dos Ghost Brigade até à data e pela mostra, podemos esperar que o próximo traga ainda melhores notícias. Um álbum obrigatório para fãs de música depressiva. 8,5/10

Saturday, August 20, 2011

ICS VORTEX - «STORM SEEKER»

Dono de uma voz invejável, o norueguês ICS Vortex já emprestou os seus dotes vocais a bandas como Arcturus, Dimmu Borgir e Borknagar, conquistando um lugar de destaque nos meandros do black metal. Apesar disso, o músico também baixista, viu-se recentemente sem emprego nos Dimmu Borgir depois do despedimento colectivo de que foi alvo a banda de Shagrath e Silenoz, e dos Arcturus não serem uma banda com constante actividade. Simen Hestnæs de seu verdadeiro nome, não perdeu tempo e lançou-se na composição de um álbum sob o seu próprio nome artístico. «Storm Seeker» tem honras de apresentação na Century Media e permite a Simen explorar o seu amplo poder vocal. E de facto, «The Blackmobile» e «Odin’s Tree», os dois primeiros temas, são bons exemplos de black metal avantgarde e épico, com uma toada folk, remniscente dos trabalhos mais marcantes de Bathory e de Borknagar. Também são audíveis colagens a Arcturus, sem que consiga sequer tocar no brilhantismo dos seminais autores de «La Masquerade Infernale». «Storm Seeker» tem um choque inicial positivo, mas que se desvanece com o passar das faixas, tornando-se inclusivamente penoso de ouvir, tal a falta de algo que se destaque. Tudo bem, é um disco feito para a voz de Vortex, mas isso não invalida que a composição não pudesse ter sido mais cuidada. Veremos se num segundo disco, a evolução é positiva. 5,9/10

CHIMAIRA - «THE AGE OF HELL»

Quando lançaram o seu terceiro álbum, os Chimaira optaram por seguir a via mais pesada, pondo de lado o metalcore, e trazendo ao de cima influências do groove metal americano como Machine Head, Static-X e Pantera, com um toque de death/thrash metal sueco. A fórmula fê-los ganhar preponderância na cena, ainda mais com o ótimo disco que foi «Resurrection». O seguinte «The Infection», embora menos exuberante, mantinha os índices de qualidade em cima, algo que este «The Age of Hell» também não defrauda. É um trabalho que aparenta ser mais obscuro, mas umas audições atentas revelam uma vontade dos Chimaira em não estagnar na agressividade banal, que seria uma forma fácil de progredir de álbum para álbum. Daí que tenhamos um interlúdio acústico em «Clockwork», depois um refrão ultra-catchy na introdutória «The Age of Hell». Já «Losing My Mind» é baseado num groove interessante, pese no entanto o mau encaixe das vozes limpas típicas do metalcore, igualmente espalhadas pelo álbum, que lhe dão um ar um tanto cliché. Apesar desta tentativa de dar mais dinâmica às canções, os Chimaira optam por ir deitando algumas músicas mais identificativas com aquilo que podíamos ouvir no álbum «Resurrection», como na brutal «Born in Blood» e no groove hardcore de «Trigger Finger». Longe de representar o seu título, este sexto álbum dos Chimaira deverá no entanto ser suficiente para saciar a sede dos fãs da banda norte-americana. 6,8/10

Monday, August 15, 2011

VADER - «WELCOME TO THE MORBID REICH»

A carreira dos polacos Vader pode ser dividida em duas partes: a primeira é o caminho que os levou até aos píncaros da brutalidade com «Litany», deixando pelo caminho um clássico chamado «De Profundis». A segunda parte diz respeito aos álbuns de 2000 até hoje que oscilaram entre o mediano («The Beast» e «Necropolis») e o bom («Revelations»), mas sem nunca atingir o nível de excelência de «Litany» ou «De Profundis», excepto no brutal «Impressions of Blood», apesar de tudo um oásis num deserto que demoraram 11 anos a atravessar. «Welcome to the Morbid Reich» vê Piotr "Peter" Wiwczarek regressar ao passado atirando desde logo o novo logotipo às favas, pondo um artwork bem agreste, na regravação de «Decapitated Saints» do álbum «The Ultimate Incantation» e na referência que o título do disco faz à demo que os Vader lançaram em 1990 chamada «Morbid Reich». O caso não é para menos. A atitude back to basics é desde logo audível no ambiente que «Return to the Morbid Reich», «The Black Eye» e «Come and See My Sacrifice», onde os Vader surgem intensos, brutais e com recurso a solos curtos mas fantásticos. A thrashalada do single «Come and See My Sacrifice» pode parecer um piscar de olhos aos inúmeros adeptos do novo thrash, mas a verdade é que os Vader não fazem riffs thrash gratuitamente, para além dos Slayer sempre terem sido uma influência directa de Peter. O tema é dos melhores do disco, simplesmente. O melhor momento de «Welcome to the Morbid Reich» é porém «I Am Who Feasts Upon Your Soul» cuja intro à lá Dimmu Borgir coloca no mood perfeito para a devastação que se segue. Dos melhores temas de Vader de sempre. Infelizmente é um álbum curto. A segunda metade passa com uma velocidade estonteante e contam-se menos momentos de destaque à excepção da tal regravação de «Decapitated Saints» e da tipicamente Vader, «Lord of Thorns», que podia ter sido gravada em 2000. Confesso que não tirava tanto gozo de um álbum de Vader desde «Litany», mas é discutível se é o melhor deles desde daquele que é considerado pela maioria como o ponto alto dos Vader até à data. 9/10

TRIVIUM - «IN WAVES»

Os Trivium sempre me despertaram curiosidade pela coragem de conseguirem a todos os álbuns mudar qualquer coisa, atitude de louvar num grupo de gente tão jovem. Se «Ember to Inferno» e «Ascendancy» foram como que um furacão de thrash/metalcore que os trouxe ao topo, «The Crusade» levou-os aos terrenos pisados pelos Metallica, arrastando com isso uma chuva de críticas negativas, mas conquistaram o apoio de nova audiência e até aprovação por parte dos próprios Metallica. «Shogun» viu Matt Heafy e companhia acrescentarem uma significativa parcela de melodia, encontrando quanto a mim, a receita ideal para os Trivium, com um punhado de excelentes e memoráveis canções entre as quais, «Kirisute Gomen», «Torn Between Scylla and Charybdis», «Down from the Sky», «Into the Mouth of Hell We March» e «Throes of Perdition». Por tal, «In Waves» era aguardado com acrescido interesse. Assim que o single «In Waves» brota das colunas, é audível o acréscimo de peso, nomeadamente nas guitarras, algo que inicialmente se saúda, mas mais tarde se lamenta. A tonalidade das mesmas, atinge um ponto de saturação, quando o sssshhhhhh se torna insuportável. Tentei ouvir isto em vários sítios, mas o resultado é igual em todo o lado. Por outro lado, as canções são menos fortes excepto «In Waves», «Black» e «Watch the World Burn», esta com um refrão que promete fazer as delícias dos fãs ao vivo. É um álbum menos imediato do que os dois anteriores e daí alguma renitência inicial em atribuir uma nota relativamente baixa a «In Waves», que de facto se comprovou mais tarde. A fusão entre as sonoridades exploradas em «Ascendancy» e «Shogun» (a agressividade de um e a melodia de outro), parecem um óptimo ponto de partida para uns Trivium renovados, mas isto se as canções em si forem fortes, o que no caso de «In Waves» só acontece por 4/5 vezes no máximo («Inception of the End» e «A Skyline's Severence» também merecem ser destacadas). Sem ser um disco tão envigorante como «Shogun», «In Waves» tem os seus momentos («Black» é de antologia») e merece de facto uma apreciação positiva por parte dos seus fãs. 7/10

CRAFT - «VOID»

Férias não significam que tivesse deixado de ouvir metal! «Void» foi uma das principais companhias destes 15 dias que terminam hoje, e nada melhor que encerrar seja o que for com este basqueiro infernal que é o quarto álbum dos suecos Craft. Arredados dos lançamentos desde 2005, os Craft foram cuidadosos na composição de «Void». Se se bem recordam, os três primeiros álbum da banda são caóticos e descompromentidos, com uma atitude quase punk e necro, insistindo em canções curtas (exceptuando em ou outro tema) e de estruturas simples. Em «Void» parece que as ideias foram tantas que os Craft resolveram compôr músicas bem mais variadas e dinâmicas como as brilhantes «Come Resonance of Doom», «Leaving the Corporal Shade» e o tema título que encerra o álbum. Não que os Craft se tenham virado para o prog, mas souberam escrever mais do que dois riffs por música, o que acaba por lhes dar uma nova vitalidade. As maiores aproximações ao som do clássico «Terror Propaganda» são «Serpent Soul» e a mid-tempo «Succumb to Sin». Os níveis de devassidão e niilismo continuam no pico, mas «Void» é um passo em frente em relação aos anteriores álbuns. Espera-se que não demorem mais não sei quantos anos para gravar o sucessor. Um dos melhores álbuns de BM de 2011. 8,7/10

Monday, August 01, 2011

SUMMER METAL 2011

Esta é a surpresa reservada para este Verão de 2011, estação que até nem tem sido particularmente feliz com a chuva a fazer parte da paisagem neste dia 1 de Agosto. Mas isso não impede que se façam umas férias, mesmo que curtas. Como último post, antes do interregno de cerca de 15 dias, resolvi deixar-vos uma compilação com ambientes quentes e ideal para ser vossa companhia durante as férias. A tracklist está dentro do ficheiro rar, mas posso adiantar que são 21 temas de bom rock! Espero que gostem, aproveitem e acima de tudo: boas férias! PF

(127.03 MB)
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