
Se a ascensão dos Mastodon a partir de «Remission» foi verdadeiramente astronómica, com a súbita mudança de direcção protagonizada por «Crack the Skye», o hype em redor da banda norte-americana esfriou um pouco com muita gente a condenar a mudança de rumo, que para outros tantos (eu incluído) foi a melhor coisa que os Mastodon fizeram, porque permitiu-lhes sobreviver ao efeito nefasto que gravar um álbum semelhante a «Leviathan» e «Blood Mountain» teria. O efeito surpresa que «Crack the Skye» teve ajudou o quarteto a afastar-se daquela sonoridade, apesar de tudo, revolucionária, mas que prometia guiar os Mastodon a uma beco sem saída do ponto de vista criativo. «The Hunter» vem provar que «Crack the Skye» foi a melhor decisão da carreira dos Mastodon, ainda que perversamente este novo trabalho seja o menos bem conseguido até à data. «The Hunter» vem simplificar a fórmula usada em «Crack the Skye», encurtando os temas de forma a reterem o essencial, ou se quiserem, usam a fórmula dos primeiros álbuns na sonoridade mais pausada e progressiva de «Crack the Skye». O resultado é um álbum de Mastodon mais imediato e easy listening, sem que perca as principais virtudes que vinham demonstrando até aqui. «All the Heavy Lifting» por exemplo, reúne a sensibilidade apoteótica do tema «The Czar» (do anterior trabalho), em apenas quatro minutos de música em oposição aos mais de dez de «The Czar». Por outro lado, temos «Curl of the Burl» e «Creature Lives» dois temas super-simples baseados em secções rockeiras em que a tal vertente mais radio friendly dos Mastodon vem ao de cima. A única excepção será a estranha «Blasteroid», que facilmente se retirava do alinhamento para um qualquer EP, pela extravagância do tema que tanto tem de freakish como de disparatada. «Dry Bone Valley» e «Thickening» vêm ainda provar outro factor positivo de «The Hunter» que no «Crack the Skye» foi amplamente criticado, que são as vozes limpas cantadas. O trabalho de estúdio revela-se extenso, pelo amadurecimento também desta faceta que terá tido os seus detractores no álbum de 2009. Oiçam por exemplo «Creature Lives» em que as vozes remetem para uns The Beatles! De forma geral, «The Hunter» já não tem aquela atitude meio punk do «Leviathan», mas também soube fugir ao progressivismo espacial de «Crack the Skye», juntando esporádicamente o melhor dos dois mundos (em «The Hunter», «Black Tongue», «Stargasm» e «Spectrelight»), mas parece-me que é mais uma vez um disco que fica no meio de qualquer coisa e não se define a si próprio. O que é certo é que este «The Hunter» parece ter muito por onde pegar no futuro, quando os Mastodon quiserem escolher o caminho a seguir, ficando também a ideia de que têm uma liberdade criativa invejável, que mais parece uma mina de ouro sem fundo. 8/10


























EAK


