Monday, November 28, 2011

THE MAN-EATING TREE - «HARVEST»

Há por aí bandas que infelizmente vão ficando por ouvir em detrimento de uma crescente atenção a um cada vez mais restrito número de bandas, com a quais criámos a nossa zona de conforto. Mesmo o metaleiro mais aberto a novas sonoridades, tem dificuldade em saír dessa zona. Com isso, num universo cada vez maior de discos editados, é muito fácil um grupo com o nome de The Man-Eating Tree passar ao lado de muito boa gente. É para isso que existem blogues como o Event Horizon. Mesmo que não dê a relevância ideal a novos projectos, esforço-me por ir colocando aqui reviews a discos que passam despercebidos da maioria e que penso que mereciam melhor sorte. Situem-se na sonoridade de Insominum e Ghost Brigade e ficam com um ideia do que vos espera aqui. Retirem os vocais grossos e adicionem Katatonia e Opeth à equação. «Harvest» é um prodígio de álbum de metal melódico e melancólico, em que existem grandes canções como «At the Green Country Chapel», «Code of Surrender», «Armed» e, numa toada mais doom, a minha preferida, «Exhaled». «Harvest» nem é um disco muito imediato; as doses de melodia quase remanescentes de uns HIM ao qual se adicionam toques de progressivo e linhas vocais que tanto podiam estar num álbum de Tool como de uma banda de synth pop dos anos 80, fazem deste disco um híbrido de várias dimensões que se complementam entre si, e que acima de tudo funcionam bem juntas, como no excelente single, «Armed». Um álbum surpreendente que merece que o descubram rapidamente. 9/10

MYSTIC PROPHECY - «RAVENLORD»

Desde da entrada dos Mystic Prophecy numa espécie de evil power metal, a banda que lançou alguns discos fenomenais como «Savage Souls» e «Fireangel» tem aqui o seu momento menos bom. Qual o problema? Essencialmente a qualidade individual das canções parece-me bem inferior às dos discos anteriores, mas também a opção de se tornarem num grupo cada vez mais agressivo. O disco começa até bastante bem como o tema título a meio-tempo e um refrão extremamente orelhudo, mas «Die Now!!!» que traz à memória uns Testament da fase «Demonic» é um completo tiro ao lado. O disco vive muito neste dicotomia, entre partes meio-tempo e partes desajustadamente desaceleradas no mesmo tema, como por exemplo em «Endless Fire». Tudo bem, quando uma banda consegue colocar várias influências numa música, mas é essencial que o tema funcione, coisa que em «Ravenlord» não acontece. O positivo do disco continua a ser a capacidade exímia dos Mystic Prophecy em conceber bons refrões que valem muitas vezes por toda a canção como é caso de «Endless Fire», «Hollow» e «Wings of Destiny». Mas como disse logo no início o maior problema de «Ravenlord» é que comparativamente a «Fireangel» e «Savage Souls» não possui nenhum tema exuberante, daqueles a que ficamos colados à primeira audição. «Ravenlord» quer tanto ser um disco poderoso e agressivo, que se esquece que os temas vivem não só de peso e brutalidade, mas muito mais de algo que as faça perdurar no tempo. Nesse sentido «Ravenlord» pode até ter alguns bons refrões aqui e ali, mas nenhum comparável à força dos temas daquele que vai continuar a ser o magnum opus dos Mystic Prophecy, «Fireangel». 6/10

LORD VICAR - «SIGNS OF OSIRIS»

Os Lord Vicar surgem na tradição do doom metal clássico assente em bandas como Black Sabbath, Pentagram, Saint Vitus e Witchfinder General que nos últimos anos, empurrados pelo estranho fenómeno de sucesso dos Reverend Bizarre, começaram a dar mais nas vistas. Neste caso, esse efeito dómino mostrou-se benéfico, já que outros grupos como Warning, The Gates of Slumber, 40 Watt Sun, Procession, Griftegard e outros puderam finalmente mostrar-se a um conjunto maior de interessados que entretanto ficaram órfãos dos finlandeses. Apesar disso, os Lord Vicar não são novatos nestas andanças e isso nota-se no colosso doom que é «Signs of Osiris», um trabalho que promove ritmos épicos em termos de sentimento («Child Witness») e outros mais rockeiros («The Answer») como poucos. Os trejeitos a Led Zeppelin, Cathedral e riffs gamados a Iron Maiden aqui reproduzidos em tempos bem mais lentos, dão um curioso toque e credibilidade às músicas, que não se coíbem de impôr partes instrumentais que se prolongam indefinidamente, mas que nos prendem a atenção. «Endless November» é um perfeito exemplo, a par da já referida «Child Witness», desta fusão instrumental que faz dosLord Vicar uma das mais importantes bandas do doom metal clássico na actualidade. 8/10

MASQUE OF INNOCENCE - «OVERCOMING ANGER»

Com o fim do ano a aproximar-se a passos largos é normal começar-se a pensar nas sempre excêntricas listas de melhores do ano, e como não podia deixar de ser, é também altura de pensar o metal nacional e a sua evolução. Não adiantando muito daquilo que direi por altura dos balanços, creio que assistimos a um dos melhores anos de sempre em Portugal, não só em termos de produção como em termos de definição de identidade. Temos hoje um punhado de bandas que têm uma personalidade muito própria e que soube se libertar das amarras das influências externas. Para bem e para o mal, os Masque of Innocence são desses grupos. O death/black metal que mostram em «Overcoming Anger» (foram a votos e decidiram-se pelo título mais parvo?) tem inequívoca qualidade. A performance dos músicos é espantosa, os solos deliciosos, a secção rítmica imponente e a variedade musical de respeito. Contudo, é precisamente nesta variedade que reside ainda o problema dos Masque of Innocence: se «Wrath» remete para o death/black escandinavo, nomedamente, polaco.,«Gluttony» parece saído das profundezas dos Sepultura e «Greed» de uma banda de black metal tipo Siebenburgen onde cabem riffs thrash e melodia Cradle of Filthianas. As músicas individualmente não são de deitar fora, antes pelo contrário, mas seria interessante que os Masque of Innocence se focassem num caminho e não passassem de um death metal sueco para um black metal norueguês de um segundo para o outro, porque parece-me que quebra bastante a fluídez do álbum, como «Lust» atesta. Enfim, louva-se a vontade dos Masque of Innocence em querer fazer algo de diferente e extremamente variado (os vocais grind em «Envy» são do best mas a música faz lembrar CoF) e é disso que estava a falar no início quando mencionei que as bandas nacionais estão cada vez interessadas em desbravar novos caminhos, mas isso não faz com que na prática as coisas corram necessariamente bem. 6/10

IRON SAVIOR - «THE LANDING»

Em jeito de balanço anual podemos dizer que o nível de popularidade do heavy/power metal tradicional não é hoje o melhor, mas felizmente aqui e ali vão sendo editados discos que permitem ao estilo manter uma saúde de ferro (como não podia deixar de ser). Este ano já se contam alguns álbuns bastantes bons como os casos de Riot, Cage, Stratovarius, Jag Panzer, Bloodbound, Wizard, Eden's Curse, Pagan's Mind, Falconer, Battle Beast e algumas mais desilusões como Mystic Prophecy, Wolf, Hell, Hammerfall, Powerwolf, Edguy e Sinner. Os motivos são óbvios: actualmente os estilos mais em vogas ão o folk metal e o deathcore, mantendo outras sonoridades por baixo de tapete. O importante é que mesmo em fase menos proveitosa, o estilo continue a ter a sua quota parte de boas bandas, o que no caso do heavy/power metal não deixa de acontecer. Ora, os Iron Savior são mais um dos casos que trazem coisas positivas ao género. Músicas energéticas com refrões gloriosos e muito power. Como no caso de «March of Doom» e «The Starlight». Já «Heavy Metal Never Dies» traz um feeling muito 80's em meio e com refrão à Manowar. Com estas referências mais ou menos óbvias, o disco apenas falha por ser demasiado óbvio na sucessão de música após música que nos traz praticamente tudo aquilo que esperamos ouvir no disco do género. Não seria de esperar muito mais, dada a natureza dos própros Iron Savior, mas também fica a ideia que há talento para se fazer algo mais. Apesar deste pormenor que decerto não fará assim tanta confusão aos adeptos de heavy/power metal que encontrarão em «TheLanding» a desculpa ideal para uma furiosas sessões de headbanging. 7,6/10

MARIONETTE - «NERVE»

Outrora uma banda mais vocacionada para o pós-metal, os Marionette revelam neste «Nerve» uma faceta bem mais agressiva ao incidir grande parte das suas canções no death metal, como pode ser audível desde logo em «Act of Violence», uma música que nos deixa literalmente em sentido logo no início do álbum. Contudo, mantêm uma saudável parcela de dinâmica entre peso e melodia, como atestam «A New High» (com trejeitos In Flames) e a crescente «Lights Out» que tem direito a linhas de piano. «Nerve» varia desta forma entre a força das guitarras com vocais gritados e as cadências próprias do tal pós-metal que os Marionette não descartam por completo. Um disco que peca apenas por não possuír muitas músicas que se destaquem, a não ser «Nar Du Ruttnar Burt» e «Remember Your Name», mais por serem duas faces da mesma moeda do que própriamente por serem músicas excelentes. A primeira revela a parte mais brutal dos Marionette, a segunda o seu cariz mais sensível. Um disco que oscila entre mundos totalmente diferentes, mas que até representa muito daquilo que se vai ouvindo de novo no metal mais recente: um fascínio pelos extremos. 7,2/10

Monday, November 21, 2011

LOST & FOUND #4 - CRADLE OF FILTH // KREATOR

Regresso com a rubrica «Lost & Found» que tem estado afastada do Event Horizon há vários meses, devido essencialmente à falta de tempo. Sempre foi minha prioridade dar espaço a lançamentos novos e como desde da rentrée as edições têm se sucedido a uma velocidade impressionante, o «Lost & Found» foi ficando para trás, assim como as compilações que espero recuperar com a Compilação 2011, que até hoje conta já com um total de 210 músicas. Curiosamente, esta edição do «Lost & Found» em que falo do «Vempire» dos Cradle of Filth já estava meio escrita desde Setembro, pelo que durante a afinação de detalhes e acrescentos, resolvi incluir um outro disco que já estava na minha cabeça colocar nesta rubrica desde da sua estreia. O «Endorama» dos Kreator. No primeiro artigo disse que o «Lost & Found» iria ser um espaço não só para discos de bandas desconhecidas, mas também para álbuns menos tidos em conta de bandas de maior porte. Estes são apenas dois exemplos.

Quanto ao «Vempire, Dark Faerytales in Phallustein», foi o segundo lançamento dos britânicos Cradle of Filth que despontavam na editora Cacophonous. Trata-se de um registo cheio de mística e histórias para contar, vou mencionar algumas, quem quiser acrescentar algum mito, os comentários estão ao vosso dispôr. Como disse, a editora dos Cradle of Filth era na altura a pequena Cacophonous (editora que entretanto desapareceu de cena), com a qual tinham lançado «The Principle of Evil Made Flesh» e ainda tinham um contrato de mais um álbum. Com o impacto que tiveram na cena, foram muitas as editoras que se atiraram ao conjunto britânico, tendo a Music for Nations oferecido um tal contrato, que Dani Filth e companhia resolveram livrar-se da Cacophonous, para editarem o segundo álbum de longa duração pela MFN. Estávamos em 1996 e os Cradle of Filth tinham composto um álbum inteiro o qual iriam chamar de «Dusk and Her Embrace», mas Dani Filth queria fazê-lo pela MFN. Assim, resolveram dividir o álbum em dois, acrescentaram uma intro («Ebony Dressed for Sunset»), uma nova versão de «The Forest Whispers My Name» e um tema composto exclusivamente para o EP («The Rape and Ruin of Angels (Hosannas in Extremis)»). Com isto, contratualmente ficaram livres da Cacophonous e no mesmo ano, lançaram «Dusk and Her Embrace» pela MFN. O EP acabou por ser meio ofuscado pelo sucesso de «Dusk and Her Embrace», mas a verdade é que olhando para trás, não é descabido dizer que é no «Vempire» (ou como alguns gostam de dizer «V (fifth) Empire») que os Cradle of Filth têm o seu melhor material de sempre. A começar pela versão, ou melhor, pelo urgrade de «The Forest Whispers My Name» que é sem dúvida uma das melhores músicas de black metal de sempre. Por falar em black metal é de realçar que a imagem vampírica do grupo causou alguma polémica no seio da comunidade black metal, tendo resultado num divórcio entre o grupo e a corrente BM que estava em alta por esses anos. Curiosamente, o exército de clones de Cradle of Filth que os anos seguintes trouxeram, acabou por dar aos Cradle of Filth (pelo menos até ao «Cruelty and the Beast» em 1998) a ideia de que esse afastamento do black metal underground foi um bom caminho para a carreira dos mesmos. Ora, estamos a falar de um EP, mas não nos esqueçamos que tem 36 minutos, mais do que muitos álbuns que se dizem de longa duração. Com uma produção pulsante e uma qualidade invejável para a altura, foi dos primeiros álbuns de black metal a ter direito a uma produção tão limpa, em que se percebe tudo o que todos os músicos estão fazer. Uma produção flamejante que ajuda o disco a tornar-se ainda melhor, não só em termos de percepção mas também em termos conceptuais. O disco gira à volta de temáticas vampíricas e sanguinárias e a opção pelo som alto nos agudos e abrasivo que chega a ser palpável, torna o ambiente do disco ainda mais perfeito, nomeadamente nesse fantástico épico que é «Queen of Winter, Throned» Nesta altura, os Cradle of Filth eram formados por Dani Filth, Robin Graves, Stuart Anstis, Damien, e Nicholas Barker. O personagem Jared, que aparece no booklet do disco, foi uma partida pregada pela banda, apresentada mais tarde, como uma segunda personalidade de Robin Graves, e que nunce fez parte do grupo. Nick Barker e Stuart Anstis abandonaram aos CoF por volta dos «Cruelty and the Beast», o primeiro para ir para os Dimmu Borgir, o segundo foi mesmo despedido. Enquanto que Damien apenas gravou este EP, para voltar para os Ship of Fools. Este é provavelmente o melhor line-up da banda. Dani Filth estava aqui no pico de forma, antes de optar pelo registo mais gritado de «Dusk and Her Embrace», aqui mostrou uma versatilidade que nunca mais conseguiu recuperar. Nick Barker beneficiou da rapidez do material para introduzir ritmos thrash metal, como na versão de «The Forest Whispers My Name» (aqueles breaks no início da música são de antologia) e em «Nocturnal Supremacy». Damien do qual pouco se sabe e sabia na altura, faz um trabalho de teclados majestoso, nomedamente em «Queen of Winter, Throned». O texto já vai longo, por isso, remato com a ideia principal de que «Vempire, Dark Faerytales in Phallustein» é na minha opinião o melhor lançamento dos Cradle of Filth. Espero que isto vos faça ir recuperar o CD, mais não seja, para lhe tirar o pó!

O «Endorama» dos alemães Kreator talvez se enquadre melhor no contexto desta rúbrica, por ser de facto um álbum esquecido no tempo e que tem os seus méritos. É um disco que surge em 1999, numa altura em que o thrash metal estava nas lonas, o gothic e o black metal davam cartas, e os Kreator resolviam seguir um caminho de deserção do thrash para paragens mais alternativas. Apesar de muito contestado, foi pelo menos consensual que «Endorama» não deixava de ser uma colectânea de grandes músicas, mesmo que fugissem daquilo a que estavamos habituados a ouvir da banda de compôs «Pleasure to Kill». «Endorama» é sem dúvida em álbum enorme, com músicas que merecem não ser esquecidas. As óbvias são «Golden Age»,
«Chosen Few», «Willing Spirit», «Tyranny» e claro, «Everlasting Flame». Entre o rock gótico de «Endorama» que conta com a presença de Thilo Wolf dos Lacrimosa na voz, a influência de Metallica em «Golden Age» e os resquícios de thrash germânico em «Shadowland» e «Soul Eraser», este é um álbum com capacidade de agradar a muito público, sem perder de vista a homogeniedade. Todo ele soa compacto, mesmo quando uma música tão soft como «Willing Spirit» brota das colunas depois de «Soul Eraser». O momento alto do álbum está creio que em «Everlasting Flame» que não soa a Kreator nem a banda nenhuma. Com uma letra soberba, que reflecte muito do que assistimos na contemporaneidade, a canção reveste-se de um feeling nostálgico adequadissimo à música. Um must na carreira dos Kreator. Por falar em letras, «Endorama» é um compêndio de letras fantásticas. Desde logo «Golden Age» e «Chosen Few» e mais tarde «Willing Spirit» e «Tyranny» são exemplo de letras profundas que abordam questões existenciais do ser humano. Depois ficamos com as músicas menos exuberantes mas que com o tempo, crescem e tornam-se competidoras à altura das músicas mais imediatas, são elas «Passage to Babylon», «Future Ring» e «Pandemonium». Dificilmente os Kreator voltarão a gravar algo assim. Foi um disco que Mille Petrozza descreveu como "necessário" e percebe-se que uma banda precise de refrescar a sonoridade para não estagnar. Oxalá todas as bandas que quisessem mudar de ares, gravassem um álbum como este «Endorama». O mundo seria um sítio muito mais feliz. Agora, vão pegar no «Endorama», oiçam-no novamente, esqueçam que é Kreator e apreciem um dos melhores álbuns de metal alternativo de sempre.

MY DYING BRIDE - «THE BARGHEST O'WHITBY»

Depois de editarem «Evinta», um projecto de corte e costura de músicas do seu repertório numa abordagem quase acústica, os My Dying Bride por intermédio do vocalista Aaron Stainthorpe anunciaram que esse lançamento fê-los sentir necessidade de gravar música pesada e obscura. Assim surge poucos meses depois de «Evinta», o EP «The Barghest O'Whitby», composto por uma única música de 27 minutos, onde o colectivo britânico explora todas as suas facetas. Desde do doom lento fúnereo que inicia a música, até passagens death metal e as típicas melodias desesperantes em que Aaron declama sofrimento em palavras. Musicalmente este tema fica principalmente dentro daquilo que o grupo tem feito desde «The Dreadful Hours e que lhes tem prestado algumas críticas. De facto os My Dying Bride encontraram um porto seguro e desde 2001, pouco têm alterado na sua sonoridade. «The Barghest O'Whitby» revela algumas partes em que o grupo ultrapassa esse estigma. Seja na inclusão de ritmos tão lentos que reportam ao próprio funeral doom (algo que já não víamos em My Dying Bride desde do «The Light at the End of the World»), em dobragem de vocais (exercício incomum para banda) ou em riffs verdadeiramente inspirados por parte de Andrew Craighan como aquele que começa ali nos 15:40. O regresso de Shaun Steels (por lesão de Dan "Storm" Mullins) é também uma boa surpresa a registar. O baterista que integrou alguns do melhores álbuns de My Dying Bride em 1999 e 2001, volta a emprestar a seu estilo muito próprio a uma banda que tem passado por inúmeras mudanças de formação. «The Barghest O'Whitby» é um EP bastante válido, num ano atarefado em termos de estúdio para os My Dying Bride, que agora se vão debruçar sobre um novo álbum de originais. 7,5/10

KRUX - «III HE WHO SLEEPS AMONGST THE STARS»

Com os Candlemass a anunciarem um disco e uma digressão de despedida, centram-se atenções nos projectos paralelos de Leif Edling, como os Krux. Apenas no terceiro álbum, os Krux permitem a Edling explorar texturas diferentes das exploradas nos Candlemass e isso fica logo patente no primeiro tema de «He Who Sleeps Amongst the Stars», que tendo aquele cunho indissociável da sonoridade Candlemass, diferencia-se pelos longos solos e uma postura mais aberta e menos apoiada no elemento depressivo e mais numa psicadelia como em «The Hades Assembly» e no curioso longo tema «Prince Azaar and the Invisible Pagoda». Entre o groove lento de «Emily Payne (And the Black Maze)» e sabbathiano «Small Deadly Sins» este é um disco logicamente apoiado no doom metal, e desde logo remete tudo o que possamos ouvir para a banda principal do lendário baixista. Não sendo uma associação negativa, pode impedir que encaremos estes temas com a liberdade que eles exibem. Isto é, nota-se que é material que Leif dificilmente incluiria no álbum de Candlemass, mesmo que alguns riffs façam parte do universo candlemassiano, a verdade é que o transcendem e por isso isolam-se do mesmo. É sempre um exercício de subjectivação complicado, porque mesmo que uma música como «The Death Farm» se descarte do universo Candlemass e dê a Krux uma expressão própria, a verdade é que o autor de ambos os mundos é o mesmo e por isso inseparáveis objectivamente. Mas aqui o que se está a julgar é a música, e essa é nada menos do que soberba. 8/10

BLUT AUS NORD - «777 - DESANCTIFICATION»

Confesso que já perdi um bocado a paciência com os Blut aus Nord e esta leva de álbuns que editaram nos últimos 2 anos. Não há pachorra para mais um disco de pós-black metal e ainda por cima, o sucessor deste disco parece estar já pronto a ser lançado. Se o anterior «Sects» revelou um falhanço tremendo, o que dizer de um disco que segue o mesmo percurso sonoro? Esta coisa de chamar todos os temas de «Epitome» é outra das coisas que custa a perceber, compreendo que é uma escolha artística e provavelmente inserida num qualquer contexto, mas por esta via, os Blut aus Nord vão acabar por esgotar a palavra de tal forma, que mais ninguém a vai querer utilizar. Bom, adiante, vamos perceber se de facto este novo álbum chamado «Desanctification» tem alguma pertinência. Tudo começa com «Epitome VII» num registo similar ao efeito jazz no black metal, explorado pelos Deathspell Omega. A faixa é um exercício curioso de sobreposição de guitarras com umas vocalizações postas de propósito em segundo plano que lhe dá um efeito muito interessante. A entrada caótica de «Epitome VIII» é o volte face desta abordagem, com uma paisagem quase inóspita de ideias onde o que interessa é ser o mais weird e evil possível... daqui pouco se extrai. Um interlúdio de 2 minutos, tão desnecessário quanto terrível, abre caminho a mais uma fusão semelhante ao primeiro tema. «Epitome X» recorre inclusivamente ao pós-metal, mas é também uma música que se repete ad aeternum sem que nada o justifique. A parte instrumental assume um papel preponderante neste disco e dá-lhe felizmente um aroma mais completo do que em «Sects». Compõe mesmo 70% do material de «Desanctification». A espaços os Blut aus Nord, condensam aquela aura de autenticidade proveniente de álbuns mais antigos, mas no geral é um trabalho mais uma vez pouco inspirado. 5/10

MYTHOLOGICAL COLD TOWERS - «IMMEMORIAL»

Voltamos ao doom metal, género que 2011 está a receber com agrado, pelas variadas propostas de grande qualidade. «Immemorial» é o novo álbum dos Mythological Cold Towers, banda que deambula entre o doom death clássico e o funeral doom, criando dentro do género uma fusão similar à operada pelos The 13th Hour. A fusão está a proporcionar bons resultados dentro do doom, e este disco é uma boa prova disso. Ouvindo uma música como «Akakor», podemos distinguir várias coisas: a primeira são obviamente os vocais típicos do doom death, a segunda é a adição de teclados bem atmosféricos que remetem neste caso para o gothic metal, assim como o violino My Dying Bridiano e riffs de doom clássico, onde não faltam solos épicos e sentidos que relembram os de Candlemass. Já perceberam por aqui que «Immemorial» é um álbum vasto em termos de abertura musical, e faz disso um trunfo perfeito. Esta transdimensionalidade que percorre todo o álbum faz crescer uma sensação de epicidade brutal, que a majestosa «The Fallen Race» traduz na perfeição. Mesmo que os temas sejam esticados por mais tempo que seria de desejado e os vocais não sejam muito trabalhados (uns vocais limpos ali pelo meio davam outra dimensão), «Immemorial» é um registo que os fãs de doom metal não devem perder. 7,8/10

MIDNIGHT PRIEST - «MIDNIGHT PRIEST»

No que toca a heavy metal nacional, o sucessor do EP «Rainha da Magia Negra» era um dos discos que mais esperava este ano. De rompante, uns gajos chamados Midnight Priest apareceram do nada e lançaram um álbum cheio de mística que deverá ficar como referência nos compêndios do metal português. A obrigatória internacionalização entretanto chegou e o segundo álbum, homónimo, vem trazer mais uma dose de evil heavy metal com raízes nos anos 80. Se o álbum de estreia impôs um fascínio imediato, pela soberba recuperação de um metal precioso perdido no tempo, desta vez tive alguma dificuldade em ouvir este novo registo com igual satisfação. Depois de um início épico com «Sábado Negro» onde não falta um outro que traz à memória os Black Sabbath, «Feitiço Cabedal» emerge como vindo directamente do espólio maideniano circa Paul Di'Anno. Com o fantasma dos Mercyful Fate a pairar sobre todo o disco («Segredo de Família» é de bradar ao céus pelo plágio), «Midnight Priest» acaba por ser pouco mais do que um exercício de nostalgia, onde podemos nos entreter identificando a que banda pertence determinada parte. Arrisco dizer que se os Midnight Priest cantassem em inglês ninguém perceberia que são uma banda nova. Isto joga por vezes a favor da banda, que pode ir adicionando aqui e ali, alguma partes mais modernaças, como em «Sábado Negro» e «Triunfo do Aço». Mas 90% do material remete para outros grupos como Slough Feg, Manowar e as duas já citadas. Num segundo álbum, esperava um desenvolvimento maior no toca à personalidade da banda, que se libertasse das amarras dos seus ídolos, para seguir um caminho próprio. O talento está todo lá de qualquer forma, e «Midnight Priest» é apesar de tudo um álbum de electrizante heavy metal clássico. 7/10

AUTUMN - «COLD COMFORT»

Os Autumn são um dos segredos mais bem guardados do metal gótico de tons prog, da actualidade. Vivendo à sombra de grupos como The Gathering, Anathema, GreenCarnation e Katatonia, os Autumn têm apesar de tudo, insistindo em lançar bons álbuns, como «Latitudes», por exemplo. «Cold Comfort» segue as pisadas do seu antecessor, com uma dúzia de músicas de cariz depressivo, baseados sobretudo nas atmosfera que cria. Com uma inicial faixa que coloca-nos no mood ideal para ouvir o restante álbum, o tema título dá-nos as primeiras guitarras eléctricas e um depressed rock/metal cantado em feminino que em certos momentos relembra os nossos ThanatoSchizo (banda que entretanto deu por findas as suas actividades). Numa primeira abordagem, «Cold Comfort» parece revestido pela pacatez de uma sonoridade que não trás nada de novo ao metal gótico, mas umas audições mais atentas revelam nos Autumn a capacidade de não caírem no óbvio pastiche de Lacuna Coil, sendo que na minha opinião, «Cold Comfort» é bem superior a qualquer álbum dos italianos lançado depois do «Comalies». «Black Star in a Blue Sky» e «Retrospect» são boas provas dessa resistência ao rock metal com refrões fáceis. Não digo que os Autumn são uma banda muito mais intrincada, porque não são («Cold Comfort» perde até alguns elementos prog que vinham de discos anteriores), conseguem é fugir da banalidade de grande parte das bandas de urban gothic metal (o urban aqui pretende distinguir o facto dos Autumn não cantarem sobre temas tão fantasiosos como Epica ou Nightwish) como os Lacuna Coil caem. O tema «Alloy» traduz essa diferença na perfeição. 8/10

VILE - «METAMORPHOSIS»

A abordagem que os Vile fazem ao death metal vai contra a actual tendência do género que cada vez é feito de bandas que optam pela técnica e brutalidade, como prova o movimento deathcore. A abertura surpreendente à melodia, faz de «Metamorphosis» um disco que tanto pode agradar a fãs de Morbid Angel, como a adeptos de Amon Amarth e de bandas de death metal melódico como In Flames e até Insomnium. Salvaguardadas as devidas distâncias, este disco alia brutalidade e melodia de forma bastante eficaz como puderão constatar na faixas «The Revealing» e «Rise». A primeira tem uma melodia simples, quase infantil, que remete para Atheist, de efeito soberbo. A segunda já trás muitos elementos de death metal tradicional sueco e norte-americano. Esta capacidade de transformação entre músicas, faz de «Metamorphosis» um álbum ultra-apelativo e até memorável, através de refrões como os de «Rise» e de «Iam Alive», esta provavelmente a melhor canção do disco. Sem ser um álbum transcendente ao nível de um «Parasignosis» ou «The Destroyers of All», «Metamorphosis» está certamente entre os melhores álbuns de death metal de 2011. Uma óptima surpresa. 8,5/10

MORTAL SIN - «PSYCHOLOGY OF DEATH»

O que dizer do regresso dos australianos Mortal Sin? É tentador dizer que são regressos a pensar em cash in fácil com a onda do revivalismo, mas depois também convém perceber que se antes estas bandas não tinham meios para lançar discos, agora é bastante mais fácil para os Mortal Sin gravar um álbum, como arranjar uma editora interessada em lançá-lo devido a não serem propriamente uns desconhecidos. Ouvindo algumas vezes este «Psychology of Death» torna-se óbvio que os Mortal Sin não têm nada de relevante a oferecer a não ser thrash metal feito com conta, peso e medida como já foi feito umas boas centenas de vezes. Tudo muito bonitinho, com agressividade, melodia por vezes e refrões catchy, como em «Blood of my Enemies». A fórmula aqui junta Metallica e Testament em doses iguais, alguns solos de referência e tudo que podemos esperar de uma banda que viveu o thrash metal dos anos 80 na primeira pessoa. É uma sonoridade que lhes está entranhada nas veias e por isso seria difícil esperar algo muito mau. Apesar dessa "naturalidade", «Psychology of Death» é engraçado nas primeiras malhas, pela injecção de adrenalina. Ali a partir de «Deny» instala-se uma vontade enorme de recorrer ao bocejo como protesto perante uma banda que faz muito barulho, mas que no meio daquilo tudo, pouco está verdadeiramente a acontecer. 6,2/10

Friday, November 18, 2011

MOURNFUL CONGREGATION - «THE BOOK OF KINGS»

Algumas bandas têm nos últimos anos cimentado as suas posições no espectro do funeral doom, como aquelas das quais se pode esperar sempre algo de muito positivo. O triunvirato Evoken-Esoteric-Mournful Congregation surge na linha da frente do estilo, pela habilidade dos seus trabalhos de proporcionarem sempre uma viagem formidável pelos meandros da música assumidamente depressiva. «The Book of Kings» é mais uma pérola destinada a grandes feitos dentro do estilo e sendo lançada quase em simultâneo com «Paragon of Dissonance» dos Esoteric, faz congregar à volta destas duas bandas, o espólio de funeral doom de 2011, do que fica para mais tarde recordar, claro. Ouvir um disco destes é sempre um investimento considerável, não só em termos de tempo dispendido, mas porque como sabem é dos géneros musicais mais dificeis de ouvir à face da Terra. Não é com qualquer pre-disposição que alguém se atirar a ouvir uma música de 19 minutos como «The Cathechism of Depression», muito menos aos 33 intermináveis minutos do tema título. Voltando a um esquema similar ao soberbo «The Monad of Creation» (2005), estes australianos propõem-nos uma imersão total num ambiente pesado e destrutivo, que a espaços nos escava um abismo ainda maior com a inclusão de gentis partes acústicas de ir às lágrimas. Um trabalho sensitivo que ultrapassa os limites do sensato e se levado a sério, pode fazer estragos nas mentes de algumas pessoas, como aquele riff por volta dos 13 minutos de «The Cathechism of Depression» que deixará arrepiado o mais calejado dos doomsters. Dito de forma simples, «The Book of Kings» é indispensável para fãs de funeral doom. Para os restantes, convém aconselhar cautela na audição de música tão depressivamente envolvente. 9/10

ESOTERIC - «PARAGON OF DISSONANCE»

Quem pegar num disco de Esoteric à partida já sabe bem no que é que se vai meter. Poucas bandas trabalharam o funeral doom, como estes britânicos e se a discografia destes é praticamente obrigatória para fãs de música lenta e depressiva, podem contar em «Paragon of Dissonance» com mais 50 minutos de música absolutamente torturante, com momentos que roçam o brilhantismo puro como a sequência «Cipher»/«Loss Will». Com uma abordagem similar a «The Maniacal Vale», este novo disco vai tendo algumas variações melódicas como em «Loss Will» num ritmo ali pelos 3 minutos perfeito em termos de sensibilidade. Por outro lado, temos aqueles temas abismais, recheados de trevas como «Aberration», envolto numa névoa muito própria dos discos de Esoteric. «Paragon of Dissonance», sendo um disco dividido em duas partes, é na segunda que se revela mais atmosférico e desconfortável. A segunda parte é composta por apenas três músicas que ficam entre os 16 e os 18 minutos, e que este pormenor por si só revela a sua natureza. A espantosa introdução de «Disconsolate» e uma poderosa «A Torrent of Ills» prefazem um conjunto demolidor de músicas funeral doom ao alcance de poucos. Greg Chandler constituiu os seus Esoteric a partir de uma sonoridade difícil num sentido ascendente e pode dizer-se que atravessa o momento mais inspirado desde que fundou a banda em 1992. 9/10

HAVEN DENIED - «ILLUSIONS (BETWEEN TRUTH AND LIE)»

Originários de Braga, os Haven Denied editam aqui o seu terceiro álbum de longa duração provando que as bandas nacionais há muito ultrapassaram aquelas produções manhosas de que estavam reféns não há muito anos atrás. Porém ouvindo este disco, fica a ideia de que o grupo ainda tem muitas arestas a limar. Começo por apontar as virtudes de «Illusions (Between Truth and Lie)». Desde logo a fusão de melodia e peso é admirável, sobretudo em músicas como «Of Illusions We Will Die» e «Mind Rapists». Depois temos uma interessante aptidão por misturar variados estilos dentro de metal, desde do thrash ou power-metal, passando pelo heavy metal tradicional dos Judas Priest e o metalcore de uns Trivium. Esta dinâmica permite que o álbum nunca se torne verdadeiramente aborrecido. Partindo desta deixa, passo a dizer o que me leva a achar este álbum mal conseguido. Essa variedade parece de alguma forma impeditiva dos Haven Denied traçarem um caminho convincente numa determinada sonoridade. Volto ao exemplo «Of Illusions We Will Die» que é uma grande malha de power metal, que se estraga na necessidade de imprimir aqueles vocais urrados que diga-se, é o pior aspecto de todo o álbum. Luís Cerqueira tem um óptimo registo limpo e melódico (apesar da prenúncia do inglês ser algo deficiente) e até o intermédio funciona muito bem, mas quando o homem começa a urrar armado em Rob Flynn, é altura de baixarmos o volume. «Fathers of the Same Son» é um bom exemplo disso mesmo. De qualquer forma, mesmo havendo o que me parece algumas indefinições quando ao caminho a seguir, trata-se de um álbum bastante válido. 6,9/10

Friday, November 11, 2011

FARSOT - «INSECTS»

São das bandas designadas de pós-black metal a menos produtiva, mas daquelas que quando se menciona o estilo vem logo à baila. Foram quatro longos anos desde da estreia com «IIII» e tendo em conta o buzz que esse disco fez, é admirável que o grupo alemão tenha esperado tanto tempo para gravar o sucessor. «Insects» é dos álbuns mais esperados do ano dentro do estilo, e de facto vale bastante a pena a espera. Primeiro é preciso dizer que não é um disco imediato, precisa de algumas audições para germinar a semente plantada pela audição inicial. Mas mesmo assim penso que serão poucos os que ficarão sem uma boa impressão de «Insects» após um spin mesmo que distraído. «Like Flakes of Rust» é daquelas malhas que agarra logo um fã de música enigmática e obscura, isto tendo em conta que quem vai ouvir nunca pegou no «IIII». Os Farsot nisto são imbatíveis: a criação de malhas hipnotizantes como «Empyrean» e «Adamantine Chains». «Insects» apenas peca por se arrastar em demasia no arranque ou mesmo no desenrolar de algumas músicas, ao parecer que não sai do mesmo registo. A necessidade da banda demonstrar dinâmica ao colocar partes acústicas ou mais melódicas aqui e ali, para dar variedade ao material, por vezes, mais parece serem metidas de propósito para justificar mais alguns minutos de música. Contudo, o material em si é bom de ouvir, embora não encaixe especificamente naquele tema, como por exemplo, em «Withdrawal». Fica claro que ao dar demasiado tempo de espera entre «IIII» e «Insects» acaba por funcionar contra o mais recente. Mas por si só, «Insects» é de facto um óptimo disco de pós-black metal que compensa de qualquer das formas, em tudo, a espera. 8,1/10

LANTLÔS - «AGAPE»

Quando se fala do pós-black metal, quase que obrigatoriamente é preciso mencionar dois países, a França e a Alemanha. É curioso mesmo verificar que o metal sofreu esta mudança com outros países a conseguirem estabelecer um sub-género específico que acaba por se tornar uma moda em si. Piadas à parte com a parceria franco-germânica que traça actualmente o destino da Europa, estes dois países conseguiram com uma série de grandes bandas dar o passo seguinte dentro da sonoridade black metal que estava no final da década passada num nível de estagnação nada recomendável. E se o black metal depressivo ia colmatando a coisa, esse género estava a precisar de um grande abanão, que o pós-black metal veio oferecer. É assim que surgem os Lantlôs, os Blut aus Nord, os Alcest e os Farsot desta vida. «Agape» é já o terceiro registo deste actual trio, com Neige dos Alcest a assumir os vocais. A sonoridade continua dentro daquilo que o homónimo trabalho da banda e «.Neon» mostraram. Passagens acústicas quase jazzísticas convivem com vocais típicos do black metal, conferindo à banda uma dicotomia interessante de estilos. «Bliss» por exemplo começa com um ritmo black metal bem acelerado para se desenvolver numa passagem intermédia que parece ter saído de um bar boémio de Jazz americano. «Agape» parece ser menos romântico do que «.Neon», ao trazer à memória paisagens urbanas e menos sonhadoras dos domínios dos Alcest. Um lado simultaneamente mais cosmopolita e quente do que aquele ambiente frio e distante de «.Neon». Apesar da curta duração nada comum neste tipo de música, «Agape» reverte para o ouvinte toda uma experiência emocional que dificilmente o deixa indiferente. Nisto as bandas de pós-black metal têm sido verdadeiramente prodigiosas, trabalhando ambientes de negritude como poucos estilos o fizeram. 8,3/10

ROOT - «HERITAGE OF SATAN»

Mais conhecidos cá por causa pela sua associação aos Moonspell, os Root, são daquelas bandas que conseguem meter a um canto muitas bandas de black metal. A distinta aura maléfica que imprimem à sua música remanescente do próprio black metal, desagua num dark metal inclinado sobre o poder de músicas simples e catchy, entre Celtic Frost («Legacy of Ancestors») e Moonspell («In Nomine Sathanas»). Referências óbvias à primeira vaga do black metal do qual os Root são originários, acompanhados por Venom e Bathory, em «Darksome Prophet», «Son of Satan» e «Fiery Message». Uma vertente que me agrada em «Heritage of Satan» é a eficácia da atmosfera em alguns temas como «The Apocalypse» (que facilmente podia ser um tema de Triptykon), «Introprincipio» e «In Nomine Sathanas». De resto, é um disco que se fecha sobre si próprio e com a própria banda que insiste em ser totalmente underground sem a projecção ideal, e nas referenciações que lhe estão inerentes pelo seu historial. 7/10

RIOT - «IMMORTAL SOUL»

De todos os álbuns lançados em 2011, um dos que mais me surpreendeu foi este «Immortal Soul». Pela vigorante forma que os Riot demonstram, mesmo tendo estado afastados dos lançamentos, desde 2006. Este é o 14º álbum de originais do grupo americano, autor do clássico «Thundersteel» de 1988, mas mais parece um disco de uma banda pronta a conquistar o mundo com power/speed metal de primeira linha. Repleto de grandes temas como «Whiskey Man», «Still Your Man», «Crawling» «Insanity» e «Sins of the Father», os Riot conseguem aliar peso, melodia e virtuosidade como poucos, e ainda que a crescente moda do revivalismo possa ajudá-los, creio que neste disco eles nem precisem de ajudas dessa natureza para darem que falar. Numa altura em que o peso desconexo de banda de deathcore e o style over substance se torna cada vez mais evidente, um disco como «Immortal Soul» traz alguma esperança ao heavy metal. 9/10

RUSSIAN CIRCLES - «EMPROS»

O rock/metal instrumental ganhou uma nova expressão com a entrada em cena do pós-rock e bandas que como Karma to Burn, Gos is an Astronaut e Red Sparowes, conseguiram estabelecer-se como praticantes de uma sonoridade que deixava os vocais de lado para dar ao ouvinte uma experiência instrumental. Como seria de esperar, este trend foi visto com bons olhos durante algum tempo, para caír rapidamente em desuso. Mas aqui e ali, fora aparecendo alguns disco dignos de registo, como este «Empros» pelos Russian Circles, que está também ele condenado a ser alvo de culto por alguns fãs irredutíveis do post-rock/metal instrumental. «Enpros» é um disco agradável, que faz da atmosfera o seu principal trunfo, os temas desenvolvem-se com bastantes variações, entre guitarras fortes e passagens mais calmas, com aquela dinâmica que se espera de um disco desta natureza. O maior problema de «Empros» é não se vislumbrar grandes mais valias no que toca à sua aquisição. Dificilmente recomendaria a sua compra, já que é uma audição que apesar de variada e bem conseguida, se esgota com relativa facilidade, para além de no que toca a post-rock/metal instrumental, estar a milhas dos últimos discos das bandas acima mencionadas, tirando Karma to Burn, cujo último disco está num patamar muito semelhante a «Empros». 6/10

THE ATLAS MOTH - «AN ACHE FOR THE DISTANCE»

Lançado durante Setembro, «An Ache for the Distance» é o segundo álbum dos The Atlas Moth, banda norte-americana que assenta a sua sonoridade num stoner/sludge metal de contornos pós-metal. Apesar de ter passado meio despercebido, «An Ache for the Distance» acaba por ser um álbum bastante interessante, para quem gostar das sonoridades referidas e por quem tiver um especial apetite por música depressiva. Este é disco marcadamente nostálgico, outonal e melancólico. Desde de Neurosis e Cult of Luna em «Perpetual Generations» e «An Ache for the Distance», passando por Tiamat em «Courage», o grupo revela uma especial apetência pela construção de músicas assumidamente lentas e cheia de um ambiente cinzento, no bom sentido. O melhor é mesmo a criação desta atmosfera que engole o ouvinte, como na terrífica passagem de «Courage» para «Your Calm Waters», já que este é um disco que deve ser ouvido como um todo, apesar de algumas malhas terem aquele traço de single bem distinto, como o tema título. Um óptimo álbum que é urgente recuperar. 8,5/10

Tuesday, November 08, 2011

MEGADETH - «TH1RT3EN»

Falar actualmente dos Megadeth é um exercício interessante, porque na verdade ninguém sabe muito bem porque é ainda existem. A pertinência de todos os álbuns pós-«Youthanasia» (eu diria mesmo pós-«Rust in Peace» mas não quero ferir susceptibilidades) é praticamente nula, e obedece a um plano Mustaniano de manter o bicho vivo e assim perpetuar a sua existência enquanto músico. É certo que aqui e ali houveram rasgos de bom metal como em «Cryptic Writings» e mais recentemente em «Endgame», mas é inegável que os Megadeth já não possuem qualquer espécie de magia que lhes permita recuperar o estatuto de banda obrigatória. Para isso servem reuniões como os Big Four que fizeram mais pelos Megadeth do que pelos Anthrax ou pelos Slayer. «Th1rt3en» marca o 13º álbum de Dave Mustaine e companhia, fazendo-se novamente acompanhar de Dave Ellefson, Shawn Drover e Chris Broderick para mais um capítulo que não sendo propriamente mau fica a milhas de «Endgame». A maior parte das músicas é mediana e sem aquela ponta de génio que poderia fazê-las sobressair. Mas nem é bem isso que faz de «Th1rt3en» um álbum descartável, porque queiramos ou não, há alguns momentos bons como em «Never Dead» e «Public Enemy nº1». É sobretudo a indiferença de demarca o final da audição. Não há motivos em «Th1rt3en» que me façam querer voltar a ele com frequência. Tanto mais porque, para além não haverem muitas canções que perdurem, o produto final é em si (usando vernáculo internetiano) ...meh. O melhor acabam por ser os grandes solos de Chris Broderick espalhados aqui e ali, que abrilhantam um disco que mesmo assim não sai da mediania. 6/10

HAMMERS OF MISFORTUNE - «17TH STREET»

Os Hammers of Misfortune e este «17th Street» são uma estreia na minha colecção de reviews e acho mesmo que é a primeira vez que deito ouvidos a esta banda norte-americana. Por isso baseio o texto essencialmente naquilo que ouvi daqui sem espreitar o passado, embora depois de escutar este já 5º disco do grupo, vontade não me tenha faltado. Metal progressivo, com achegas de stoner e doom clássico é um bilhete de introdução apropriado para quem não conhece os Hammers of Misfortune. As músicas revestem-se de um feeling bastante psicadélico, dando a ideia que estamos a ouvir uma qualquer banda saída dos 70's, embora aqui o acréscimo de peso/velocidade seja notório, como por exemplo, no tema título que começa com um riff saído da escola dos Yes, para desembocar num ritmo que não destoaria num álbum de Slough Feg, sempre com um filtro de prog rock, nomeadamente a nível vocal. Numa altura em que os Graveyard e os Opeth, cada um à sua maneira, editaram álbuns que idolatrizam a década de 70, «17th Street» faz todo o sentido. Ainda mais porque é decididamente um álbum mais pesado do que qualquer um desses dois. O riff que abre «Staring (The 31st Floor)» é sinónimo disso, recuperando os emblemáticos riffs dos Pentagram e Cathedral. Esta aproximação do retro prog ao stoner/doom faz dos Hammer of Misfortune uma banda com trunfos muito próprios como podem constatar em «Summer Tears», canção que podia ter sido escrita pelos Pain of Salvation para o «Road Salt One». «17th Street» é um disco cheio de requinte e bom gosto, que não esquece o metal como génese (oiçam «Romance Valley» e Grey Wednesday») mas vai muito para além dessa simples catalogação estilística. 9/10

ECHIDNA - «DAWN OF THE SOCIOPATH»

Apesar de andarem por aí desde 2001, os Echidna apenas estão no seu segundo álbum de longa duração e é daqueles casos que faz pensar o que seria desta banda se tivesse nascido na Escandinávia. «Insidious Awakening» de 2009 demonstrava na altura um potencial admirável, com uma mescla potente de death e thrash metal moderno, com ligeiras nuances de progressivo, entre uns Death, At the Gates e Nevermore, por exemplo. «Dawn of the Sociopath» vem confirmar esse talento com um conjunto de canções imediatamente impressionantes como «The Antagonist», «Obscuring my Reason» e «Comanded by Demons». É certo que nos dias que correm não é muito complicado uma banda ter uma bom som, mas é possível mesmo assim perceber quando uma banda beneficia desmesuradamente desse factor, falseando muito o resultado final. Neste caso, a produção super-limpa acaba por servir o contrário, tornando toda a mestria musical do grupo gaiense mais notória. Arriscaria no entanto dizer que gostaria de ouvir «Dawn of the Sociopath» misturado de maneira mais crua. Várias vezes o som parece estar limpinho e comprimido de mais, e estes discos tão cheios de testosterona pedem a meu ver uma roupagem mais suja. De resto, há poucos defeitos a apontar. A performance de todos os cinco elementos é espantosa, as canções estão cheias de bons pormenores, sejam os solos, os fills de bateria ou a dinâmica vocal, há sempre algo que distingue uma música da outra e que a torna especial. É mais um grande momento do metal nacional em 2011. 8/10

Friday, November 04, 2011

VALLENFYRE - «A FRAGILE KING»

A necessidade de formarem um projecto death metal que revisitasse os 90's fez com que Gregor Mackintosh (Paradise Lost), Hamish Glencross (My Dying Bride) e Adrian Erlandsson (At The Gates e Paradise Lost) se juntassem numa das mais excitantes bandas do ano: os Vallenfyre. Com «A Fragile King» o grupo regressa ao death metal arcaico dos anos 90, mas não a uma sonoridade tipicamente Morbid Angeliana ou Entombiana, antes resolveram recuperar muito daquilo que os próprios Paradise Lost faziam antes de encetarem pelo doom gótico. As guitarras são bem definidas, os temas estruturados de forma clássica, e a aura depressiva e mórbida que também encontrávamos no «As the Flower Withers» dos MDB, também está aqui presente, naqueles riffs decadentes como o que fecha «Desecration» e o que abre «Cathedrals of Dread», por exemplo. Por outro lado, a violência patente em «Ravenous Whore» consegue surpreender o ouvinte mais calejado, com um ataque à Grave com uma sequência intermédia digna das profundezas do Inferno. É óptimo o impacto inicial que «A Fragile King» tem. os músicos envolvidos, o nome da banda, a capa, o EP que serviu de aperitivo e mesmo algumas músicas como «As The World Collapses» e «The Divine Have Fled» tornam-o num álbum bastante válido, mas que acompanha a tendência do metal actual em recorrer ao revivalismo como forma de progredir ou, neste caso, não-progredir. Com «A Fragile King» a frase "antigamente é que era" ganha um sentido cada vez maior no seio do heavy metal. 7,2/10

THE ROTTED - «AD NAUSEAM»

«Ad Nauseam» é apenas o segundo disco dos The Rotted, que evidenciam uma especial apetência por misturar death metal com algum grind, não descurando algum hardcore, aproximando-os bastante daquilo que os Entombed têm andado a fazer. Se em algumas músicas as semelhanças são mais que muitas, em outras como em «Just Add Nauseam» o grupo foge ao death n' roll, para assumir uma postura bem mais vil pisando os terrenos dos Misery Index. Mais do que Entombed, creio que os The Rotted têm até mais em comum com os Misery Index, mas apesar disso, sem a capacidade de escrita destes. «Ad Nauseam» é um registo cativante de ouvir e ao vivo deve resultar muitíssimo bem, mas bem vistas as coisas, acaba por soar bastante unidimensional sem aquele traço "progressivo" ou aquele brilhantismo que percorre o «Traitors» ou o «Heirs to Thievery». 7/10

BLACK SUN AEON - «BLACKLIGHT DELIVERANCE»

«Blacklight Deliverance» vê os Black Sun Aeon chegarem ao 3º álbum, apoiados num ecletismo musical assinalável. O anterior «Routa», por exemplo, foi um disco mais melancólico com uma pitada de folk e um passo em frente em relação a «Darkness Walks Beside Me», o registo de estreia. Neste novo álbum, no entanto, o trio finlandês dá um passo na direcção de uma abordagem mais directa e até simples, ao apostar em temas que ficam entre uns Theatre of Tragedy e The Gathering dos velhos tempos. Se será uma boa aproximação só o tempo o poderá dizer, mas ouvindo músicas tão pacatas como «Oblivion», «Brothers» e «Sheol» fica a ideia que os Black Sun Aeon perderam um bocado o tino. Há porém momentos agradáveis como «Horizon» num registo que relembra os Paradise Lost dos últimos dois álbuns e «Wasteland» que reporta para um nível mas pesado e épico. Mas mesmo tendo alguns (poucos) momentos de destaque, «Blacklight Deliverance» é um álbum mediano, cuja sonoridade já foi trabalhada com melhores resultados por uma série de bandas anteriores. 6/10

ISOLE - «BORN FROM SHADOWS»

Podem não ser de facto a banda de doom metal mais conhecida, mas lentamente vão-se afirmando como uma das propostas mais interessantes do género. Com um início de carreira demasiado virado para um cruzamento entre Candlemass e My Dying Bride, a partir do óptimo «Silent Ruins», os Isole tornaram a sua sonoridade mais distinta, mantendo as suas referências, mas evoluindo para um nicho muito próprio. «Born From Shadows» desenvolve-se nos meandros do quase funeral doom, com vocais limpos e ocasionalmente growls, colocando aqui e ali variações de ritmos mais aproximados do doom death de uns Swallow the Sun da era «The Morning Never Came» e até se pode ouvir um blastbeat no tema «Born From Shadows». O tema título é talvez a melhor forma de descrever o material contido no álbum: extremo e obscuro, que não hesita em recorrer ao death metal para dar mais negritude a temas que deambulando entre o doom clássico e o funeral doom são já de si autênticas pérolas de melancolia, como por exemplo, a desesperante «Black Hours» prova. «Born From Shadows» não é só o melhor trabalho dos Isole até à data, como é até ao momento o melhor disco de doom/death de 2011. 9/10

KRISIUN - «THE GREAT EXECUTION»

«The Great Execution» trás de volta os deathsters brasileiros Krisiun, depois de praticamente 3 anos de hiato. Para quem julga já saber o que esperar deste trio infernal, pode bem começar a pensar em ouvir este disco que vem com algumas boas novidades. Desde logo o abandono de uma sonoridade unidimensional que vinham explorando baseada quase exclusivamente na velocidade. Não que isso fosse um aspecto negativo, mas convenhamos que faltavam alguns argumentos mais do que a agressividade aos Krisiun, algo que tentaram explorar no «AssassiNation» que resultou no disco unanimemente menos conseguido da banda. «The Great Execution» recupera a necessidade de dinâmica para lançar malhas com bastante groove como «Blood of Lions», «The Sword of Orion» e «Descending Abomination». A velocidade faz-se sentir mas mais ponderada e não há nenhum tema exclusivo nesta matéria, fazendo deste registo o mais aproximado a Morbid Angel que os Krisiun compuseram até à data. É difícil ouvir «Violentia Gladiatore» e não relembrar aqueles riffs intrincados e peso abismal dos três primeiros registos dos americanos. Pode não ser um álbum óbvio dos Krisiun, mas sem dúvida que revitaliza carreira da banda brasileira. 8,2/10

Wednesday, November 02, 2011

ASTRAL DOORS - «JERUSALEM»

Depois do magistral álbum dos Wuthering Heights, o vocalista Nils Patrik Johansson regressa aos seus Astral Doors onde são os Saxon e Ronnie James Dio as suas principais referências. «Jerusalem» surge bastante na linha dos anteriores, talvez com algumas músicas um pouco mais aceleradas, mas no geral a banda permanece muito igual a si própria para o bem e para o mal. O negativo será aquela conversa de sempre no que toca à pertinência deste disco no panorama do metal. «Jerusalem» não acrescenta um pingo de originalidade ao heavy metal. Mas sejamos realistas, esta conversa da originalidade é boa para argumento de velhos do Restelo, porque heavy metal nunca foi sinónimo de vanguarda. O melhor exemplo é que as bandas mais conhecidas e aplaudidas são precisamente as que menos mudam, como Iron Maiden, Judas Priest e Manowar, só para citar alguns exemplos. O positivo de «Jerusalem» para além das performances de todos os músicos do grupo é a personalidade que Nils Patrik Johansson imprime às canções, fazendo de músicas medianas como «Pearl Harbour», grande hinos de heavy metal clássico. Outras reclamam naturalmente esse estatuto como «Lost Crucifix», «Suicide Rime» e «7th Crusade». 8,5/10

TSJUDER - «LEGION HELVETE»

Um regresso bastante antecipado pelas facções black metal, «Legion Helvete» sucede o aclamado «Desert Northern Hell», propondo um black metal bem agressivo, por vezes thrashado, em oposição à maior parte dos grupos do género de hoje em dia, que optam pelo tal pós-black metal e com isso beneficiam a atmosfera em vez daquilo que sempre caracterizou o black metal, ou seja, tudo aquilo que podemos encontrar num álbum dos Watain, Marduk e dos Tsjuder: violência, poder e blasfémia. É claro que há espaço para ambas as tendências, mas é inegável que o black metal de hoje perdeu aquela aura ameaçadora dos 90's e, sem querer ser saudosista, faz imensa falta ao estilo. «Legion Helvete» é assim uma agradável dose de violento BM onde não se perde o sentido de composição de malhas duradouras como «Fra en Ratten Kiste» e o malhão punk que é «Slakt». Claramente um dos grandes discos de black metal de 2011. 8/10

CARNIFEX - «UNTIL I FEEL NOTHING»

Com a popularidade do deathcore, muitos grupos do estilo começam a procurar formas de se fazer notar, incluíndo no seu som outras tendências, sem que por norma isso altere muito daquilo que se convencionou chamar de deathcore. Os Carnifex são um dos mais badalados conjuntos do género e representam essa necessidade de procura de distinção, que no caso da banda norte-americana passa por preencher as composições ultra pesadas e intensas com black metal, não sendo descabido utilizar-se o termo blackcore, por muito rídiculo que possa soar. «A Grave to Blame» é uma música que até tem uns teclados saídos de um álbum de Dimmu Borgir e em «Dead But Dreaming» fazem lembrar bandas como os Graveworme Cradle of Filth numa versão Suicide Silence. A dinâmica dos Carnifex é de saudar, mas «Until I Feel Nothing» não deixa de ser apenas mais um álbum de deathcore igual a tantos outros. 5,8/10
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