Wednesday, December 21, 2011

Friday, December 16, 2011

BALANÇO 2011 - INTERNACIONAIS

Este ano faz-se o balanço do Event Horizon um pouco mais cedo do que o costume. O calendário não prevê lançamentos de renome nem surpresas a registar, também porque tudo o que falta sair, já "saiu" e não deslumbrou. Ora, 2011 foi um ano extremamente produtivo, com dezenas de álbuns que faria sentido mencionar aqui, mas foi sobretudo o ano do progressivo. Dream Theater, Pain of Salvation, Opeth, Symphony X, Redemption, Yes e Leprous são apenas alguns exemplos, para não falar em algumas surpresas mais extremas como Devin Townsend, Obscura, Vektor, Revocation e Origin. A mestria musical parece ser neste momento um requisito fundamental para os fãs de metal, que deram a este estilo uma enorme preponderância. Por outro lado, foi o ano de todos os concertos em Portugal, demais até para um país despido economicamente, foi de espantar saber que concertos como o festival de Vagos, o SWR, Opeth e Pain Salvation, Amon Amarth e Ulver tiveram as maiores assistências e no caso dos recintos à porta fechada, houve mesmo espectáculos esgotados como a actuação de Moonspell em Almada. Para o Event Horizon foi um ano fantástico, diga-se. Apesar de continuar a sentir um défice terrível ao nível dos comentários, Outubro foi o mês mais generoso em que o acesso ao site ultrapassou os 10.000 hits. Curiosamente, foi também o mês em que o Brasil ultrapassou Portugal em termos da origem dos visitantes! Mas chega de conversa, em baixo ficam os tops internacional e nacional, com mais uma chamada de atenção para o facto das listas não serem necessariamente compostas pelos discos que melhores notas tiveram ao longo do ano. Durante a próxima semana deixarei aqui uma compilação de cerca de 220 músicas de 2011. Resta desejar-vos boas festas e um fantástico 2012!
Obrigado a todos!
Paulo Figueiredo

1º LEPROUS - «BILATERAL»


2º SYMPHONY X
- «ICONOCLAST»


3º MOURNFUL CONGREGATION - «THE BOOK OF KINGS»


4º PRIMORDIAL - «REDEMPTION AT THE PURITANS HAND»
5º ULCERATE - «THE DESTROYERS OF ALL»
6º GRAVEYARD - «HISINGEN BLUES»
7º ALTAR OF PLAGUES - «MAMMAL»
8º HAMMERS OF MISFORTUNE - «17TH STREET»
9º VIRUS - «THE AGENT THAT SHAPES THE DESERT»
10º ORIGIN - «ENTITY»
11º TODAY IS THE DAY - «PAIN IS A WARNING»
12º AMEBIX - «SONIC MASS»
13º SEPTICFLESH - «THE GREAT MASS»
14º MITOCHONDRION - «PARASIGNOSIS»
15º DREAM THEATER - «A DRAMATIC TURN OF EVENTS»
16º PAIN OF SALVATION - «ROAD SALT TWO»
17º NECROS CHRISTOS - «DOOM OF THE OCCULT»
18º ESOTERIC - «PARAGON OF DISSONANCE»
19º GHOST BRIGADE - «UNTIL FEAR NO LONGER DEFINES US»
20º OBSCURA - «OMNIVIUM»
21º NEGATIVE PLANE - «STAINED GLASS REVELATIONS»
22º RWAKE - «REST»
23º BECOMING THE ARCHETYPE - «CELESTIAL COMPLETION»
24º LEVIATHAN - «TRUE TRAITOR, TRUE WHORE»
25º STEVEN WILSON - «GRACE FOR DROWNING»
26º ISOLE - «BORN FROM SHADOWS»
27º NERVECELL - «PSYCHOGENOCIDE»
28º KAUAN - «KUU...»
29º BRAINSTORM - «ON THE SPUR OF THE MOMENT»
30º DECAPITATED - «CARNIVAL IS FOREVER»
31º YOB - «ATMA»
32º REVOCATION - «CHAOS OF FORMS»
31º MOONSORROW - «VARJOINA KULJEMME KUOLLEIDEN MAASSA»
32º THE DEVIN TOWNSEND PROJECT - «DECONSTRUCTION»
33º RIOT - «IMMORTAL SOUL»
34º AUTOPSY - «MACABRE ETERNAL»
35º WHILE HEAVEN WEPT - «FEAR OF INFINITY»
36º REDEMPTION - «THIS MORTAL COIL»
37º OPETH - «HERITAGE»
38º A PALE HORSE NAMED DEATH - «AND HELL WILL FOLLOW YOU»
39º EARTH - «ANGELS OF DARKNESS, DEMONS OF LIGHT I»
40º PESTE NOIRE - «L'ORDURE A L'ETAT PUR»

BALANÇO 2011 - NACIONAIS


1º THANATOSC
HIZO - «Origami»


2º CONCEALMENT - «Phenakism»


3º MEN EATER - «Gold»


WAKO - «The Road of Awareness»
BLACKSUNRISE - «Oceanic»
AVA INFERI - «Onyx»
EAK - «Muzeak»
HEAVENWOOD - «Abyss Masterpiece»
CORPUS CHRISTII - «Luciferian Frequencies»
10º SWITCHTENSE - «Switchtense»

TO/DIE/FOR - «SAMSARA»

Quem estava a par do que se passava no metal por volta de 1999/2000 deve com certeza lembrar-se da moda do gothic-rock ao qual os HIM chamaram de love metal. Era formado essencialmente por bandas finlandesas como HIM, Charon, Lacrimas Profundere, To/Die/For e involuntariamente pelos velhinhos Sentenced, para não falar nos The 69 Eyes. Em Portugal também tivemos a nossa dose com os Icon & The Black Roses que gravarm um (bom) primeiro disco e desapareceram tão depressa como apareceram. O estilo fez alguma mossa, especialmente no público feminino e estou certo que se hoje estas bandas voltassem a gravar bons discos, provavelmente voltariam a merecer atenção. Ora, «Samsara» traz de volta os To/Die/For que revigorados com um alinhamento formado por antigos membros conseguem a espaços ser tão bons quanto no saudoso disco de estreia «All Eternity». «Kissing the Flames», «Love's a Sickness» e «Folie Á Deux» são óptimos exemplos dessa energia melancólica que a banda nórdica respira. Para os saudosistas do love metal, «Samsara» é uma bela proposta. 7,5/10

Thursday, December 15, 2011

CAGE - «SUPREMACY OF STEEL»

Começar um disco de power metal praticamente com um blastbeat é uma tarefa só mesmo ao alcance dos Cage. «Supremacy of Steel» é o título desta bujarda que fará a banda norte-americana ser apelidada como a mais brutal banda de power metal da actualidade. «Bloodsteel» é uma espécie de «Painkiller», com toda a vitalidade que este género pode oferecer, mas remetendo-o para um patamar de agressividade bem acima do comum. Uma potência que parece não ter limites em «The Beast of Bray Road» e «King of the Wasteland». Muito menos em temas praticamente thrash como «Metal Empire» e «War of the Undead». Acaba por ser também o calcanhar de aquiles de «Supremacy of Steel»: nesta tendência de se ser sempre o mais rápido e agressivo, acaba-se por perder dinâmica e até melodia, por exemplo, a que existia no álbum «Darker Than Black». O disco apenas "abranda" ali por volta de «Flying Fortress» que é o sexto tema e curiosamente dos menos interessantes (a par do parvo «Braindead Woman»), com Sean Peck numa opção vocal menos boa. Os assuntos kitsch são outra tendência que faz dos Cage uma banda para não se levar muito a sério. Cantar sobre zombies (parece estar na moda no power metal), Dr. Doom e o The Monitor, exorcismos («Annaliese Michel») e lendas como o Monstro de Bray Road são opções extravagantes, mas sempre assuntos dark e "metalizáveis", que fazem dos Cage uma espécie de banda desenhada do metal onde cabe tudo e mais alguma coisa que valha como entertenimento. Não existe aqui lugar a profundidade lírica, é só simplesmente heavy metal. 7,9/10

GORGOROTH - «UNDER THE SIGN OF HELL 2011»

Com tantos anos de heavy metal nos ouvidos continuo sem perceber porque é que certos discos são lançados. Certamente, se têm algum grau de exigência, já terão feito a mesma pergunta que, perante este remake dos Gorgoroth, faz todo o sentido. Para quê regravar um disco que dura 26 minutos, reproduzi-lo de forma praticamente igual, salve algumas diferenças aqui e ali e na produção? É verdade que «Under the Sign of Hell» é um clássico do black metal (creio que «Antichrist» o suplanta) e que terá sido gravado em condições menos próprias, achará Infernus, mas não é isso que faz o original ter o seu charme? Vai inclusivamente contra a própria essência do que o black metal é, que vive de nostalgia, genuinidade e selvageria. Em suma, o que aqui temos é uma banal regravação com melhores (??) meios, mas o evilismo de sempre, agora com Pest nos vozes. Tão descartável quanto uma folha de papel higiénico. 0/10

METALLICA - «BEYOND MAGNETIC»

Vamos pôr de lado essa experiência horrenda que foi para quase toda a gente, «Lulu». «Beyond Magnetic» apresenta uns Metallica apostados em criar bons riffs de guitarra que atravessam quase todo o seu universo de 88 até «Death Magnetic». Porém, que pertinência pode um disco de quatro músicas dos Metallica ter aqui e agora? Uma redenção preparada para o caso de «Lulu» ser um fiasco? Um produto de capitalização fácil nesta quadra natalícia? Haverá teorias para todos os gostos. Eu ainda acho que James e Lars divertem-se a escrever música e por isso fazem-na e editam-na, boa ou má, não interessa, "é feita com o coração", dirão eles. Mas claro que por vezes o coração prega-nos sustos e daí nasceram alguns dos mais polémicos discos de sempre no metal. Ora, «Beyond Magnetic» à luz da chacota direccionada a «Lulu», não será desses discos, também porque são quatro músicas, longas é certo, mas insuficientes para determinar o caminho que os Metallica pretendem seguir num próximo álbum, que aparentemente já está a ser composto. Este EP mais parece ser o que restou de «Death Magnetic», não só pela aproximação estilistica, mas pela óbvia referência no título. Entre riffs old e new thrash, muito Black Sabbath, extravagâncias vocais de James (que já não tem pedalada vocal para os momentos mais agressivos), um Lars esforçado e um Kirk com belos momentos (o solo de «Hate Train» é muito bom)...ah! e não esquecer a sombra de Trujillo que neste EP ninguém dá por ele. Quem é die-hard vai comprar na mesma, quem não é, também não vai encontrar aqui nada de especial. Continua a ser Metallica de segunda geração, ou seja, sem a capacidade de escrever hinos como «One», «Master of Puppets» e «For Whom the Bell Tolls», mas com apontamentos que nos permitem perceber que de facto estes são os autores do «Kill 'em All». 6,5/10

Friday, December 09, 2011

LEVIATHAN - «TRUE TRAITOR, TRUE WHORE»

No que toca ao black metal norte-americano, Wrest e os seus Leviathan são de alguns anos a esta parte uma das bandas incontornáveis, pela pertinência que cada álbum vai tendo, principalmente o colosso devastador que foi «Massive Conspiracy Against All Life» (2008). «True Traitor, True Whore» é como o nome faz suspeitar, o álbum mais pessoal que Wrest compôs até à data. Os acontecimentos que tiveram lugar nos últimos anos deram ao músico inspiração mais do que suficiente para este disco que é uma viragem considerável na sonoridade explorada no antecessor, mas nem por isso menos boa. Essa intimidade que falava à pouco é palpável, na forma como o músico parece em determinadas partes do álbum estar a sussurrar aos nossos ouvidos conselhos e avisos, tendo a experiência pessoal como testemunha. O maior triunfo de «True Traitor, True Whore» é funcionar brilhantemente como um todo, composto por partes diversas como as mais contidas «Her Circle is the Noose» e «Brought Up to the Bottom» em contraposição às mais diversas «Contrary Pulse» e «Harlot Rises». O disco termina com um exercício doom em «Blood Red and True» perfeito a rematar um disco repleto de introspecção e mística em forma de música. Diz-se que a música é primordialmente um resultado de experiências sentidas e a julgar pelo brilhantismo deste novo opus de Leviathan, essas experiências foram talvez das mais marcantes na vida de Wrest. 9/10

GNAW THEIR TONGUES - «PER FLAGELLUM SANGUEMQUE, TENEBRAS VENERAMUS»

Contava-me à dias um amigo que tinha visitado o Event Horizon, que depois de ler algumas críticas, deu de caras no separador "Próximas Reviews" com o nome Gnaw Their Tongues e o título do seu novo trabalho «Per Flagellum Sanguemque, Tenebras Veneramus». A conversa desenvolveu-se através da carreira do projecto holandês e da sua discografia. Uma breve escutadela a alguns temas fez o meu interlocutor perguntar se o objectivo artístico do tipo que deu origem aos Gnaw Their Tongues não seria explorar um conceito anti-arte e cultura. Pode parecer um tanto perverso pensarmos que alguém se dá ao trabalho de lançar discos, dar entrevistas e tudo mais só para difundir uma arte que pretende ser precisamente contra aquilo que representa. Mas se reflectirmos bem, essa postura crítica já foi empreendida, por exemplo, pela pintura. Porque não devíamos também pensar o metal desta forma? É óbvio que todas as expressões artísticas são expressões de qualquer coisa, mas pensar o metal à priori e utilizar uma banda para estabelecer uma teoria ou um estado de coisas sobre o metal, seria elevar o género a um novo nível. Como que uma banda pudesse utilizar-se como veículo de crítica sobre o meio que representa. Fica este tema, para que possam reflectir um pouco. Ora, os Gnaw Their Tongues até se encaixam de alguma forma no conceito de anti-qualquer coisa. Não obedecem a um conceito estético formatado que encontramos na maioria das bandas, sonoramente estão muito distantes de qualquer coisa que podemos ouvir actualmente (podíamos defini-los como uma fusão de black metal, ambiental, marcial (aquilo que os Puissance fazem), neo folk e dark ambient) e uma mensagem caótica e extremista que obedece apenas à vontade do artista. Para que o álbum se concretize será no entanto necessário que o ouvinte compreenda alguma coisa do que os Gnaw Their Tongues fazem, senão «Per Flagellum Sanguemque, Tenebras Veneramus» não passa de um devaneio egoísta lançado com pretensões de ser uma forma de vida alienígena e incompreendida no meio de tanta música que se lança actualmente. A estranheza de algo como ««Per Flagellum Sanguemque, Tenebras Veneramus» chega a ser cativante, numa primeira instância, mas cansativa e indecifrável, numa segunda. Podemos considerar que é na beleza do mistério que está a virtude de «Per Flagellum Sanguemque, Tenebras Veneramus», e sendo assim, alguns iluminados terão o privilégio de entrar no círculo restrito de apreciadores de Gnaw Their Tongues.

ARENA - «THE SEVENTH DEGREE OF SEPARATION»

Antes de entrar propriamente na review ao último trabalho dos Arena, faço uma ressalva: não estou muito familiarizado com o conceito da banda. Conheço dois discos do grupo, mais concretamente «Immortal?» (2000) e «The Visitor» (1998). Assim sendo, farei uma apreciação sem incluir nota final, baseada no que conheço da banda britânica. «The Seventh Degree of Separation» traz consigo uma herança de rock/metal progressivo de culto que um disco como «Immortal?» ajudou a construir. Mas recordo-me bem que a música contida em «Immortal?» e «The Visitor» era variada, dinâmica, complexa e de natureza bem prog. Neste novo disco, temos muito pouco de desafiante. As primeiras canções «The Great Escapce» e «Rapture» apostam no acréscimo de peso e em estruturas simples de verso-refrão-verso-refrão, do que no carrossel artístico que identificamos no progressivo. Basta recordar temas como «The Butterfly Man», «Chosen», «In the Blink of an Eye» ou «Enemy Without» para os confrontarmos com as músicas do novo disco. Há qualquer coisa que se perdeu ao longo do caminho e que em «The Seventh Degree of Separation» falta: seja a magia de um grupo que viveu durante demasiado tempo à sombra do sucesso comercial do metal progressivo ou uma escolha pensada que não me parece beneficiá-los. De qualquer forma, «The Seventh Degree of Separation» contém grandes músicas como «Close Your Eyes», «The Ghost Walks», «Bed of Nails», «Burning Down» e «Trebuchet» que constroem uma atmosfera fantasmagórica que a capa do disco bem representa.

Monday, December 05, 2011

DRAGONLAND - «UNDER THE GREY BANNER»

Quando ali por volta do final da década de 90, uns italianos chamados Rhapsody se lembraram de lançar um álbum de power metal sinfónico onde exploravam todo um imaginário remanescente de JRR Tolkien, várias foram as bandas que lhes seguiram as pisadas, criando um movimento que durou até 2003/2004, perdendo grande fulgor quando os próprios Rhapsody assinaram com a Magic Circle e entraram em megalomanias conceptuais e convidados de pompa e circunstância. Entretanto no meio de tudo isto, alguns grupos iam paulatinamente cimentando o seu espaço e lançando álbuns do género, cheios de qualidade, como é o caso dos suecos Dragonland. «Under the Grey Banner» é a terceira parte do trabalho conceptual «The Dragonlord Chronicles» explorado nos dois primeiros discos da banda e mais um trabalho cheio de magia e boa música. Adoptando alguns trejeitos de bandas como Epica e Within Temptation (ouvir «The Tempest» por exemplo), o grupo mostra estar bem atento ao que se vai fazendo por aí, mas dá sempre primazia a uma sonoridade clássica, assente em Stratovarius, Rhapsody e até Kamelot. O resultado permite aos Dragonland mostrar malhas fantásticas como «Shadow of the Mithril Mountains», «A Thousand Towers White», «Fire and Brimstone» (esta com um feeling muito Bal-Sagoth) e a pulsante «The Black Mare». A banda tem ainda tempo para explorar um folk mais descarado em «Lady of Goldenwood» com óptimos resultados e os surpreendentes riffs doom metal em «Durnir's Forge». «Under the Grey Banner» termina com um semi-épico de 8 minutos cuja atmosfera é invocativa do espírito tolkiano, assim como a derradeira «Ivory Shores» que faz lembrar a sequência da partida para os Grey Havens no filme de Peter Jackson. Um excelente álbum para quem aprecia bom power metal de cariz fantasista. 9/10

VENOM - «FALLEN ANGELS»

O aproximar do fim do ano traz-nos ainda alguns lançamentos de destaque, nomeadamente este «Fallen Angels» dos Venom. Com uma reputação que os transcende, a banda britânica continua a viver muito da fama que os dois primeiros álbuns lhes trouxeram e verdade seja dita, desde então, nunca mais lançaram um álbum acima da média. Mesmo um disco como «Resurrection» (2000) que tinha algumas malhas bem esgalhadas, os Venom de hoje são uma pálida sombra daquilo que foram no início dos anos 80. «Fallen Angels» é uma perfeita amostra disso mesmo. O grupo deleita-se a fazer músicas entre o thrash e o punk, mas raramente o faz de forma convincente. Mas sabendo que este é um álbum que mostra mais do que nunca uma atitude punk e "sem compromissos" por parte dos Venom, todos sabemos que isso não chega para se fazer um disco bom. A mediania de 90% do material de «Fallen Angels» é evidente e nem a carismática voz de Cronos salva a honra do "convento". Os Venom são daqueles casos em quea banda já expirou de validade e por teimosia dos músicos, ainda se arrasta penosamente por entre álbuns duvidosos e uma carreira feita em redor de trabalhos do início de carreira. 4/10

DARK SUNS - «ORANGE»

A História ensina-nos que certos álbuns demoram a ter a sua aceitação, e ainda mais aqueles cuja extravagância é uma imagem de marca. Salvo raras excepções o tempo encarrega-se de trazer justiça a discos que na altura foram ignorados ou, devido à sua dose de experimentação, ninguém estivesse preparado para os ouvir. O que é certo é que hoje em dia, com a exploração sistemática de novos rumos, dá a sensação que pouco mais há a inovar nos meandros do metal, a não ser uma reinvenção do que já está estabelecido. Neste âmbito, certas bandas, apelidadas de geniais, pouco mais fizeram do que baralhar e voltar a dar a partir de um deck de cartas usado por tantos outros jogadores. O jogo que tentam jogar é o da originalidade, mas que ao jogar com as mesmas cartas, dificilmente sairão desse universo limitado pelas copas, paus, espadas e corações. As combinações porém são imensas. Ora, olhando concretamente para bandas de metal, grupos como Arcturus, Pain of Salvation, Cynic, Opeth e Leprous, são óptimos exemplos para olharmos para esse corte e costura de bandas e sonoridades já existentes, para posterior fabricação de algo próprio. Os Dark Suns também se podem inserir neste grupo, tal o leque de influências e abrangência da sua música. Pautados pelo rock/metal progressivo, um disco como «Orange» exibe grande conhecimento do catálogo de bandas de rock progessivo dos ano 70, assim como de blues e jazz. As remniscências de Porcupine Tree e mesmo de Pain of Salvation são óbvias, mas camufladas numa genialidade composicional que permite pôr de lado todos esses pormenores e concentrarmo-nos na música perfeita de «Diamond», «Ghost» e «Vespertine». Se este ano foi entregue ao progressivo, «Orange» é só mais uma machadada final, com a afirmação deste género musical como o next big thing. 8,5/10

KORN - «THE PATH OF TOTALITY»

Ainda o disco não tinha visto a luz do dia, já fazia correr inúmeros comentários na Internet que acusavam os Korn de plagiar o título do recente disco dos Tombs, para dar ao seu novo trabalho o nome «The Path of Totality». Apesar de reconhecer que os Korn podiam ter usado mais a imaginação, é preciso ainda perceber se os Tombs não terão mais a ganhar com este pseudo-plágio. Mas avante com a música do novo opus dos Korn, que é ele também um exercício curioso. Se nos últimos discos, Jonathan Davis e companhia estavam a entrar numa fase mais previsível, «The Path of Totality» parece querer revitalizar o grupo que se muniu de um conjunto considerável de músicos de d-beat para figurarem em todas as músicas do álbum. Essa influência é notória na sonoridade do disco, que se reveste de sons de fundo samplados e muita parafernália electrónica. Falava-se aqui há tempos da fusão entre metal e música electrónica e eis que os Korn o fazem e diga-se, com um certo jeitinho. Esqueçam a força bruta dos Rammstein e Ministry, ou os resquícios dançáveis dos temas de Marilyn Manson (que fazem antes de mais parte do Industrial), aqui fala-se de uma mistura ainda mais futurista que mescla o tal nu-metal pujante e em d-tuned que os Korn ajudaram a fundar, com elementos omnipresentes da música electrónica. Apesar de não ser um disco propriamente orelhudo, acaba por funcionar muito bem como um todo, e onde se destacam as brilhantes melodias vocais que Davis usa ao longo dos temas, oiçam por exemplo, «My Wall». O disco acaba por se tornar um pouco cansativo com o tempo, por usar uma fórmula muito semelhante para todas as músicas e por dar demasiado ênfase aos tais elementos tecnológicos em determinadas músicas como «Narcissistic Cannibal». Faltaria dar mais destaque às guitarras, mas creio que analisando bem, esse enfoque era precisamente o objectivo dos Korn para este trabalho. Diria que, de uma forma geral, «The Path of Totality» é um passo inteligente na carreira dos Korn, mas é também um que os distancia do nu-metal ou da sonoridade que os tornou mais famosos. Veremos que consequências isso terá num futuro próximo. 7,2/10

Friday, December 02, 2011

NIGHTWISH - «IMAGINAERUM»

Quatro anos após o controverso «Dark Passion Play» eis que os Nightwish regressam com mais um trabalho que promete fazer correr muita tinta. O sucesso que antecedeu o disco de 2007, muito por culpa do carisma de Tarja Turunen, fez com que o grupo alcançasse uma fama sem precedentes sem ceder uma grama de peso (houve até acréscimo) relativamente aos seus primeiros trabalhos. Infelizmente, Tarja e a restante banda entraram em rota de colisão e a soprano acabou despedida e substituida por Anette Olzon, uma vocalista consideravelmente diferente de Tarja, pelo seu background mais virado para o hardrock. «Dark Passion Play» conseguiu apesar da mudança de vocalista catapultar a banda para as estrelas, porque apesar de tudo, sempre foi Tuomas Holopainen o principal compositor dos Nightwish e por isso, musicalmente, a banda perdeu pouco ou quase nada em relação aos Nightwish com Tarja nos vocais. «Imaginaerum» vem pôr a nú algumas das limitações de Anette Olzon, mas também do próprio universo que o grupo finlandês vem explorando do «Once» para cá. Digo do «Once» porque antes desse registo, os Nightwish eram essencialmente uma banda de power metal sinfónico com letras góticas, mas com um universo bastante diverso sem que caíssem no cliché a que estão devotadas a maior parte das bandas do estilo. Com «Once» e consequentemente, «Dark Passion Play», Holopainen trouxe à banda um registo mais rígido de empatização com os fãs, de lhes dar exactamente o que eles querem: letras góticas, românticas de índole mitológicas e até algum egocentrismo, nomeadamente nas músicas autobiográficas e nos recadinhos a Tarja. «Imaginaerum» não foge à regra. A toada escapista e de contornos burtonianas confere aos Nightwish uma aura que vai ao encontro dos sentimentalismos góticos que os seus fãs esperam deles. A música em si é bastante mais complexa do que isso, felizmente. Temos por um lado as músicas mais características do grupo como «Storytime» (cujo riff principal é um derivação do riff de «Master Passion Greed»), «Ghost River» (com um refrão gamado a Sisters of Mercy) e «I Want My Tears Back» (cuja estrutura resulta numa fusão de «Last of the Wilds» com «Wish I Had an Angel»). As referências a outros momentos da carreira dos Nightwish são vários ao longo do disco, mas Holopainen não deixa de nos surpreender com algumas músicas brilhantes em qualidade e outras em extravagância. No primeiro pólo ficam «Scaretale» (que mais parece uma homenagem às bandas sonoras de Danny Elfman) e a bombástica «Last Ride of the Day», ficando pelo meio os riffs à Metallica de «Rest Calm». Estas três são inequivocamente aquilo que esperamos dos Nightwish de sempre: músicas variadas, poderosas, com pormenores inteligentes, peso e melodia em iguais proporções. Pena que o álbum não seja todo nesta toada. No segundo pólo temos três baladas chatas sem feeling nenhum, entre as quais o devaneio bluesy/jazzy de «Slow, Love, Slow» e as bocejantes «Turn Loose the Mermaids» e «The Crow, the Owl and the Dove». O disco é muito aquilo que se disse até agora, um carrosel circense de emoções (alusão parcial à capa do disco) em que temos de esperar o inesperado. Neste âmbito, «Imaginaerum» cumpre perfeitamente o seu intento, mas nesta tão grande variedade, é normal que o disco sofra bastante em termos de homogeniedade. Isto é, passado o efeito surpresa, torna-se penoso ouvir este disco de príncipio ao fim, sem caír na tentação de fazer edit do disco e retirar pelo menos quatro músicas do alinhamento. Penso que um melhor planeamento das músicas, ou da estrutura do disco, teria feito maravilhas a «Imaginaerium», de forma a que não soasse tão esquizofrénico. Disse ali perto do início da review, que Anette Olzon revela aqui algumas limitações, audíveis principalmente quando os temas pedem uma voz mais poderosa, precisamente em «Scaretale» e «Rest Calm», mas convenhamos também que numa música tão 2x2 que é «I Want My Tears Back», Olzon tem um défice de alcance relativamente à anterior vocalista. Aliás, não raras as vezes dei por mim a pensar como seria esta e aquela parte com Tarja nos vocais. Onde Olzon se dá melhor que Tarja é nas partes calmas, com o tom mais quente, que dá uma vivacidade especial aos Nightwish em, por exemplo, «Turn Loose the Mermaids» (a melhor das três baladas) e em «Storytime» cuja cadência rockeira ajuda Olzon que tem um background mais rock que Tarja. Esta provinha da escola clássica. All in all, «Imaginaerum» é um follow-up interessante a «Dark Passion Play», pois com os mesmos ingredientes do antecessor, consegue agradar aos seus fãs e simultaneamente não ser demasiado óbvio, como atesta o tema instrumental que encerra o disco, que é um exercício engraçado, só ao alcance de algumas banadas. O disco merece alguma discussão pela variedade e abrangência da música contida e isso é mais do que a maioria das bandas hoje consegue fazer: ser pertinente, com qualidade. 7,8/10
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